Páginas

sexta-feira, 30 de junho de 2023

A Ermida de Santa Filomena ilha de São Jorge Açores

 


A Ermida de Santa Filomena é uma ermida Portuguesa localizada na Fajã da Penedia, concelho da Calheta, ilha de São Jorge.


Esta ermida foi benzida no dia 27 de Maio de 1889, como é atestado por uma pedra a invocar o acontecimento sobre a porta de entrada, apresenta um bom trabalho em cantaria de basalto negro com acabamentos em alvenaria que foi pintada a branco. É de destacar os trabalho em pedra efectuado junto das portas e janelas. Por cima da referida porta de entrada apresenta uma Cruz também feita em pedra pintada de cor branca.


O interior com a imagem de Santa Filomena no altar-mor que se apresenta como um pequeno nicho, tem tons de branco e cinza com a madeira na sua cor natural a dar realce ao ambiente. O madeiramento do tecto foi elaborado de forma a dar ao edifício um agradável aspecto ao manter a cor original da madeira.


Ao longo dos tempos esta ermida tem sido local de romarias para pagamento de promessas feitas por devotos de toda a ilha. Devido a um contencioso entre o proprietário e a Diocese de Angra do Heroísmo, sede do bispado dos Açores, a ermida chegou a ser excomungada e encerrada, encontrando-se agora no activo.




quinta-feira, 29 de junho de 2023

Folclore

 


Folclore (do inglês folklore: "conhecimento popular") é um gênero da cultura de origem popular,  que representa a identidade social de uma comunidade através de atividades culturais que nasceram, individualmente ou coletivamente, e se desenvolveram com o povo (costumes e tradições) transmitidos entre gerações.


Folclorismo é uma especialidade da ciência que tem como objeto o estudo sobre o homem, os costumes e as tradições, em paralelo a antropologia (ciência que estuda todas as dimensões do homem e da humanidade).


Este tipo de cultura não é um conhecimento cristalizado, embora se enraíze em tradições que podem ter grande antiguidade, mas transforma-se no contato entre culturas distintas, nas migrações, e através dos meios de comunicação, onde se inclui recentemente a internet. Uma das funções culturais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) é orientar as comunidades no sentido de administrar sua herança folclórica, cientes de que o progresso e as mudanças que ele provoca podem tanto enriquecer uma cultura como destruí-la para sempre.



O interesse pelo folclore nasceu no fim do século XVIII, quando estudiosos como os Irmãos Grimm e Herder iniciaram pesquisas sobre a poesia tradicional na Alemanha e "descobriu-se" a cultura popular como oposta à cultura erudita cultivada pelas elites e pelas instituições oficiais. Logo esse interesse se espalhou por outros países e se ampliou para o estudo de outras formas literárias, músicas, práticas religiosas e outros fatos chamados na época de "antiguidades populares". Neste início de sistematização os pesquisadores procuravam abordar a cultura popular através de métodos aplicados ao estudo da cultura erudita.


O termo folclore passou a ser utilizado então para se referir às tradições, costumes e superstições das classes populares. 



quarta-feira, 28 de junho de 2023

Crónicas da Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores

 


As Crónicas da Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores, são uma obra de natureza histórica, de autoria do frei Agostinho de Monte Alverne .

O manuscrito, redigido até 1695, encontra-se depositado em nossos dias na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada.


Inédito por quase três séculos, a primeira edição da obra, em três volumes, ocorreu de 1960 a 1962.


Nesta obra, diferentemente de Gaspar Frutuoso que nas "Saudades da Terra" aborda aspectos naturais (geológicos, topográficos, orográficos, fauna e flora), históricos e humanos (demografia, património, cultura) da Macaronésia, Monte Alverne restringe-se aos Açores, abandonando a perspectiva ultramarina e centrando-se na temática eclesiástica e religiosa, colorindo-a com traços miraculosos.




segunda-feira, 26 de junho de 2023

Duarte Barreto do Couto

 


Duarte Barreto do Couto  nasceu no Algarve, século XV  e faleceu na  ilha Graciosa  em  1475, mais conhecido por Duarte Barreto, foi o primeiro capitão do donatário na ilha Graciosa (ou pelo menos de parte dela). Faleceu na sequência de uma incursão castelhana na ilha, provavelmente levada a cabo por corsários, durante a Guerra da Beltraneja.


Duarte Barreto do Couto foi irmão de Iria Vaz do Couto, a primeira mulher de Vasco Gil Sodré, e casado com a irmã deste, Antónia Sodré, o que fazia dos dois homens duplamente cunhados. Embora sejam escassas as evidências documentais, Duarte Barreto, fidalgo do Algarve, foi capitão do donatário na parte sul da ilha Graciosa, no território que depois corresponderia ao hoje extinto concelho da Praia da Graciosa.




Fajã da Penedia ilha de São Jorge Açores

 

A Fajã da Penedia é uma fajã portuguesa localizada no freguesia do Norte Pequeno, concelho da Calheta, ilha de São Jorge.


O acesso a esta fajã pode ser feito de carro que tem de descer a fajã por um caminho de terra batida que começa na fregueia do Norte Pequeno e termina já na fajã no Canto da Abelheira que serve de local de desvio de transito para as três fajãs servidas pelos mesmo caminho, a saber: a Fajã da Penedia, a Fajã da Ponta Grossa ou do Mero e a Fajã das Pontas.


Aqui existem bastantes casas, sendo umas de construção recente, e outras de construção bastante antiga. Pelo menos uma das casas mais antigas foi habitada de forma permanente durante muitos anos.


O chafariz desta fajã, datado de 1972, é alimentado com a água da única fonte aqui existente.


Esta fajã tem um curioso templo a Ermida de Santa Filomena que embora pequena é muito bonita graças aos seus seus exotismos. que foi benzida no dia 27 de Maio de 1889 dedicada a Santa Filomena, que era local de romarias para pagamento das muitas promessas feitas por devotos de toda a ilha. Devido a um contencioso entre o proprietário e a Diocese de Angra do Heroísmo, sede do bispado dos Açores, a ermida chegou a ser excomungada e encerrada, encontrando-se agora no activo.


O terramoto de 1980 causou grande destruição por toda a Fajã que acutalmente tem o seu parque habitacional quase todo recuperado.


Nesta fajã há muito peixe, em especial o congro, a moreia e a abrótea.


Os pássaros mais frequentes nesta fajã são: A pomba, o garajau e o cagarro.


Esta fajã é local de cultivo de várias plantas como o inhame, a vinha, a abóbora, a couve, o tomate e o vime para os cestos que aqui são feitos e utilizados na lavoura.


Ainda resta um fio de lenha que é pouco utilizado. Devido a ser um lugar calmo e isolado, é procurado pelos turistas para acampar e pelas pessoas que vêm passar alguns dias às suas casas. A natureza está bem conservada e aos poucos vai ocupando o lugar deixado pelo homem.




domingo, 25 de junho de 2023

Aspectos económicos e sociais dos Açores



Para melhor aproveitamento económico, as ilhas foram divididas em capitanias. O capitão do donatário recebia a redízima (10%) de todos os dízimos cobrados na capitania e tinha o monopólio dos moinhos, do comércio do sal e dos fornos de cozedura de pão. O cargo era de carácter hereditário, seguindo, embora com algumas excepções na ausência de filho varão, a lei sálica.


As terras por desbravar eram cedidas aos povoadores que, nos termos da sociedade medieval para tal estivessem habilitados, em regime de sesmaria, ficando os beneficiários obrigados a desbravá-las num prazo predeterminado, em geral de cinco anos, sob pena de reversão. Para isso recorriam, para além do trabalho próprio e dos seus familiares, a servos e escravos num ambiente social com claras marcas feudais.


Desse modo, a partir da década de 1440, primeiro lentamente e em pequenos povoados improvisados e isolados em ancoradouros junto à foz de ribeiras, depois em vilas cada vez mais consolidadas e institucionalizadas como concelhos, o povoamento das ilhas foi progredindo rapidamente. As primeiras habitações utilizaram os materiais naturais, aproveitando a rocha, os colmos e as lenhas. Eram as "cafuas" e casas "colmeiras" onde os colonos se abrigavam durante os trabalhos de desbravamento e de queimada da densa vegetação autóctone.


Entre os que vieram para os Açores estavam judeus, cristãos-novos, mouros e flamengos, estes últimos por influência de D. Isabel (esposa de Filipe III, Duque de Borgonha e condessa de Flandres), irmã do infante D. Henrique. Entre estes últimos destaca-se Joss van Hurtere, nomeado primeiro donatário da ilha do Faial por carta de doação datada de 21 de fevereiro de 1468. Desposou uma dama da corte, Dona Beatriz de Macedo, e tornou-se um dos fidalgos da Casa Real de Portugal. Consigo trouxe uma grande porção de gente para povoar o Faial. A presença de grande número de flamengos nas ilhas do Grupo Central, com um aporte que ainda hoje é detectável, levou a que essas ilhas fossem durante muitos anos conhecidas por "ilhas flamengas" (em língua inglesa "Flemish islands") na cartografia oriunda do norte europeu.


Para além da agricultura - que fornecia o trigo para as praças portugueses no Norte d'África, em especial Mazagão e Ceuta - e do recurso à pesca e à caça (de aves e dos animais domésticos anteriormente libertados), a economia das ilhas beneficiou da exploração das madeiras. O cedro-do-mato e o teixo foram importantes bens de exportação, a que se somava a cultura do pastel, e o extrativismo da urzela, estes últimos utilizados para o tingimento de tecidos nas manufaturas da Flandres. A sua importância era de tal monta que a sua exploração era monopólio real, tendo dado origem a múltiplos topónimos (entre os quais Urzelina e Pasteleiro). No caso do pastel, ainda hoje existem múltiplos locais denominados Engenho (ou Canada do Engenho) recordando os locais onde o pastel era macerado e feitos os "bolos" para exportação. O cargo de "lealdador" do pastel, a quem cabia a verificação da qualidade e peso dos "bolos", subsistiu durante dois séculos e contava-se em muitos concelhos entre os mais importantes.



sexta-feira, 23 de junho de 2023

Igreja de São Mateus Praia ilha da Graciosa Açores

 


Este templo, sob a invocação de São Mateus, remonta ao século XV.

Em 1546, com a elevação do lugar à condição de freguesia, a Igreja de São Mateus foi elevada a paroquial e matriz.


Terá sido saqueada em fevereiro de 1691, quando do assalto à povoação por cerca de 50 corsários ingleses. Munidos com armas de fogo e facas de ponta, assassinam o meirinho da alfândega, aprisionam diversas autoridades e roubam as igrejas e as habitações, causando a fuga dos habitantes.

Ainda em 1750 o vigário de Santa Cruz, licenciado António Silveira Machado, ouvidor eclesiástico e visitador da Graciosa, testemunha os danos causados na matriz da Praia pelo saque dos ingleses, procurando atenuá-los com o auxílio da Coroa e os sobejos das confrarias.


Ao longo dos séculos foi objeto de importantes obras de manutenção e restauro até que, no século XIX, recebeu uma nova frontaria ao gosto tardo-barroco, inaugurada a 29 de agosto de 1896.



quinta-feira, 22 de junho de 2023

Gil Montalverne de Sequeira

 


Gil Montalverne de Sequeira  nasceu em Óbidos (Pará) a  27 de Junho de 1859  e faleceu em Ponta Delgada a  10 de Novembro de 1931. Frequentemente grafado como Gil Mont'Alverne de Sequeira, foi um dos mais influentes paladinos do Primeiro Movimento Autonómico dos Açores, do qual resultou a primeira autonomia dos Açores em 1895. Médico e político, desempenhou diversos cargos, entre os quais o de director das Termas das Furnas, reitor do Liceu de Ponta Delgada, deputado às Cortes e procurador à Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada. Foi sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa.

Sendo baptizado na respectiva igreja Matriz. Foi filho de Manuel Victor de Sequeira, um açoriano natural da ilha de São Miguel que emigrara para aquele país, e de Joana Elvira Charmouth, aristocrata brasileira de origem irlandesa. A introdução de Mont’Alverne é um pouco ambígua pois se por um lado a origem do nome dever-se-á à relação familiar com frei Agostinho de Mont’Alverne (1629-1725), historiógrafo micaelense e parente da família paterna que viveu no Santuário de La Verna na Toscana, há documentos que apontam para uma possível relação de parentesco com os Tour d’Auvergne.



Viveu até 1874 aos em Óbidos do Pará, altura em que os pais, pessoas abastadas, o enviaram para estudar em Lisboa, onde ficou a viver com parentes. Ao chegar a Lisboa, com 15 anos de idade, mal sabia ler.

Matriculou-se no Colégio Parisiense, então uma das mais reputadas escolas privadas da capital portuguesa, na qual, logo em 1875, passou com distinção o exame de instrução primária, iniciando de imediatos os estudos preparatórios liceais. Estudou em Lisboa até 1878, ano em que se mudou para casa de parentes que residiam na cidade da Horta, Açores. Foi naquela cidade açoriana que, no ano lectivo de 1878/1879, completou o curso geral dos liceus, quatro anos depois de ter iniciado em Lisboa os estudos liceais.


Como no Liceu da Horta não era então ministrado o curso complementar dos liceus, ainda no Outono de 1879 partiu para a cidade do Porto onde se inscreveu na Academia Politécnica com o objectivo de fazer os preparatórios que lhe permitissem matricular-se na Escola Naval, já que então tinha por objectivo seguir uma carreira como oficial de marinha.


Apesar de ter permanecido na ilha do Faial apenas durante cerca de um ano, ainda assim foi um ano relevante, já que foi naquela ilha que se iniciou como publicista, fazendo sair na imprensa local (nos periódicos O Balão e O Civilizador) diversos artigos, nos quais já revelava o seu pendor para a política, criticando as opções em matéria de construções portuárias do governo de Fontes Pereira de Melo. Noutro dos seus artigos elogiava a ciência e progresso, deixando adivinhar o seu talento como polemista.

Durante os dois anos lectivos de 1879/1880 e 1880/1881 residiu no Porto, frequentando com sucesso os estudos preparatórios da Academia. Nesse período desenvolveu a sua vocação para o jornalismo e para a literatura, convivendo com alguns dos mais relevantes jovens intelectuais do tempo, assumindo-se como monárquico ainda que crítico da decadência da monarquia constitucional e do rotativismo político em que havia mergulhado o regime constitucional português.


Naquele período fundou, de parceria com o seu colega de estudos José Leite de Vasconcelos, o periódico O Pantheon, uma revista quinzenal de letras e ciências, que se publicou durante um ano, atraindo a colaboração de jovens autores, como Fialho de Almeida, Maximiano Lemos e Silva Teles, e de alguns dos mais prestigiados intelectuais do tempo, entre os quais Gomes de Amorim, Guerra Junqueiro, Antero de Quental, Gervásio Lobato e Teófilo Braga.


Para além da sua actividade n’O Pantheon, Mont’Alverne de Sequeira colaborou em diversos outros periódicos portuenses e no Era Nova, de Lisboa, e A Província do Pará, da sua terra natal.


Terminados os estudos preparatórios, com 22 anos de idade, decidiu não ingressar na Marinha, optando por uma carreira na medicina. Para isso, no Outono de 1881 mudou-se para Lisboa, onde se matriculou na Escola Médico-Curúrgica. Paralelamente aos estudos de medicina estudou Farmácia, não tendo concluído o curso.



quarta-feira, 21 de junho de 2023

Acultura do Inhame nos Açores remonta ao séc. XVI

 


A cultura do inhame nos Açores, designadamente à variedade de inhame da espécie Colocasia antiquorum, remonta, pelo menos, ao século XVI. 


Com efeito, na obra «Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores» de Frei Diogo das Chagas, e datado de 1646, consta a seguinte alusão à cultura do inhame nos Açores:


«... tem boas e largas lavouras de inhames que se chamam cocos, o dízimo dos quais eu vi arrematar um ano em 120$000 reis e às vezes rende mais».

Posteriormente, em 1661, consta, a folhas 147, do Livro de Correições da Câmara Municipal do Concelho de Vila Franca do Campo, a seguinte consideração histórica sobre a cultura dos inhames e do seu papel social, para a população mais pobre:


«... disseram também que havia muitas terras em que se podia plantar inhames, que é grande remédio para pobreza… mandei que cada pessoa fosse obrigada a plantar ao menos meio alqueire de terra de inhames...»

Também digno de nota foi a ocorrência, em 1694, na ilha de S. Jorge, da «revolta dos inhames» que consistiu, essencialmente, na recusa dos inhameiros em pagar o dízimo sobre a produção.


Em 1830, ainda sob a vigência do dízimo sobre os inhames, há ainda nota de, em 14 de Dezembro desse ano, a Câmara Municipal do concelho de S. Sebastião da ilha Terceira ter remetido à rainha D.ª Maria II uma queixa, onde constava os seguintes dizeres:


«… que abuso Senhora! o dízimo duma vaca parida, o dízimo do bezerro que ela cria (e pela estimativa) o dízimo da herva que ella come; o dízimo da ovelha, e da lã, o dízimo das cebollas, dos alhos, das abóboras, e dos bogangos, o dízimo dos inhames, plantados pelos regatos; e, finalmente, o dízimo das frutas e das madeiras...».

Historicamente, as populações destas ilhas receberam o nome «inhameiros» como alcunha, por virtude, não só, da grande abundância dessa espécie vegetal, mas também porque causa do grande consumo que deles se fazia.



segunda-feira, 19 de junho de 2023

José Francisco da Terra Brum

 

José Francisco da Terra Brum, 1.º barão de Alagoa, que nasceu a 10 de Março de 1776 e morreu a 22 de Janeiro de 1842, filho de Francisco Inácio Brum Terra e de sua mulher, D. Joaquina Clara de Noronha, filha de João Inácio Homem da Costa Noronha e D. Clara Mariana Xavier de Noronha Côrte-Real.

José Francisco da Terra Brum era natural do Faial, grande proprietário e um dos morgados mais importantes tendo sido tenente-coronel de milícias, capitão-mor do Faial (patente de 14 de Março de 1818), fidalgo cavaleiro da Casa Real (30 de Abril de 1794), membro do Conselho de Sua Majestade Fidelíssima (carta de Janeiro de 1834), cavaleiro da Ordem de Cristo e primeiro barão de Alagoa (decreto de 22 de Dezembro de 1841).





domingo, 18 de junho de 2023

Palheiros nos Açores

 


Um palheiro é uma construção de pedra bastante rústica de variada dimensão com teto de colmo, palha e em alguns casos telha. Antigamente era utilizado para guardar animais, produtos das culturas da terra como a batata e também os utensílios agrícolas. Em casos de maior pobreza chegou a ser utilizada como moradia em diferentes locais da Europa. Em Portugal, em especial nas ilhas atlânticas da Madeira e dos Açores, os palheiros foram muito utilizados pela população rural tanto como armazém e/ou como abrigo para o gado, mas também como moradia por parte da população mais pobre. Quando o palheiro era de um agricultor mais abastado muitas vezes a cobertura de colmo era substituída por telha.


Na Madeira os palheiros variam de aspeto consoante o localidade, imitando a arquitetura das casas mais antigas. Em Santana e São Jorge (Concelho de Santana) os palheiros têm dois andares e apresentam uma forma triangular. De base quadrangular, o andar inferior que é destinado a guardar os animais, é construído em pedra e localiza-se geralmente abaixo do nível do solo. Já o andar superior é feito em madeira e apresenta uma forma piramidal tal como à semelhança das casas típicas de Santana. A parte superior do palheiro destinava-se ao armazenamento de produtos agrícolas, nomeadamente a batata, batata doce e o inhame.




sexta-feira, 16 de junho de 2023

Porto de Pipas cidade de Angra do Heroísmo Açores

 


Trata-se de um porto histórico que remonta ao início do povoamento da ilha, quando se constituía em um pequeno ancoradouro na baía de Angra do Heroísmo.


Abrigado da violência das tempestadas pelo Monte Brasil e da cobiça de piratas e corsários pela Fortaleza de São João Baptista a Oeste e pelo Forte de São Sebastião a Leste, o Porto de Pipas foi a plataforma giratória que permitiu que Angra do Heroísmo se tornasse um importante centro redistribuição de bens de consumo, tendo assumido um papel central em termos de navegação de cabotagem.

Ainda no século XV assumiu o lugar de principal centro de distribuição de pessoas e mercadorias não apenas da ilha como também do Grupo Central dos Açores. A primeira informação arquitectural que existe a seu respeito é um desenho de Jan Huygen van Linschoten, datado do século XVI, mostrando apenas um pequeno ancoradouro. Ao longo dos séculos a sua estrutura foi sendo alterada, até dar lugar, já na década de 1960, ao actual cais acostável.


Com os Descobrimentos portugueses, particularmente das costas da América do Norte, da América do Sul e o caso particular do Brasil e mais tarde para a América Espanhola, como também para as costas de África e depois para a Ásia com a descobertas do caminho marítimo para a Índia o Porto das Pipas foi o ponto de encontro das embarcações que demandavam a Baía de Angra do Heroísmo. A este porto acostaram caravelas, naus, bergantins, galões, barcos carregados de riquezas e matérias exóticas, barcos de guerra para a defesa da frota mercantil como a conhecida Armada das ilhas.



Foi o único porto de estiva e transbordo a meio de Atlântico. Foi porto de aguada e de descanso dos marinheiros e também o local de aceso mais rápido aos cuidados de saúde para as tripulações doentes.


Neste porto acostou Vasco da Gama do seu regresso da Viagem Marítima à Índia e por ele passou o cortejo fúnebre de Paulo da Gama, irmão de Vasco da Gama que morreu na viagem de regresso da Índia e se encontra sepultado no Convento de São Francisco da cidade de Angra do Heroísmo.


Com a evolução das embarcações, e já nos finais do século XIX e ao longo de todo o século XX, o Porto das Pipas foi perdendo gradualmente a sua importância, e isto, principalmente devido ao aumento da dimensão dos navios e ao aparecimento da navegação aérea.


Assim foi no ano de 2004 que o Porto das Pipas deu por encerado um capítulo na sua longa história de mais de 500 anos como infra-estrutura portuária importante para o desenvolvimento da cidade de Angra do Heroísmo, da ilha Terceira e dos Açores e de Portugal Sendo substituído pelo Porto Oceânico da Praia da Vitória, o maior porto oceânico dos Açores, construído na cidade da Praia da Vitória.



quarta-feira, 14 de junho de 2023

Termas do Carapacho na ilha da Graciosa Açores

 


As Termas do Carapacho localizam-se no lugar do Carapacho, na freguesia da Luz, na ilha Graciosa, nos Açores. Enquadradas numa zona balnear, com piscina natural, as termas são muito concorridas por pessoas que buscam os múltiplos benefícios das suas águas quentes.


Esta estância termal encontra-se junto ao mar, no sopé da elevação vulcânica de maior altitude da ilha que culmina na Caldeira da Graciosa, onde se encontra outro dos pontos turisticos mais procuradas da ilha: a Furna do Enxofre.


Com origem no aquífero subjacente à Furna do Enxofre, as suas águas são cloretadas, sódicas, sulfatadas, cálcicas, hipersalinas, cloretada sódica bicarbonatada muito rica em sais de magnésio e com um PH de 7,2. Emergem a uma temperatura de cerca de 40°C.


A sua utilização terapêutica remonta pelo menos à década de 1750 na profilaxia de doenças reumáticas, de pele, do fígado e de colites, sendo a forma de tratamento mais usual os banhos de imersão.

O edifício oitocentista de estilo clássico, foi completamente renovado em 2010, acrescentando serviços de Spa às terapêuticas medicinais. Atualmente encontra-se equipado com 16 cabinas para banhos de imersão individual e um consultório médico especializado na área. A presença médica especializada deve-se à colaboração do Instituto Português de Reumatologia e da Direção Regional de Turismo.


A época termal estende-se entre o dia 1 de maio e o dia 30 de setembro de cada ano.


Junto às termas, que funcionam num edifício construído pela Junta Geral do antigo Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo entre 1947 e 1951, no lado do mar existe uma piscina natural, muito procurada na época balnear.