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domingo, 31 de julho de 2022

Povoadores do Arquipélago dos Açores

 


António de Brum


António de Brum (Funchal -?) foi um nobre português e um dos primeiros povoadores da ilha Terceira.


António Maria de Albuquerque do Couto e Brito


António Maria de Albuquerque do Couto e Brito foi um político, bacharel e juiz, português.

António Rodrigues Coronel


António Rodrigues Coronel (século XVI – Ilha Terceira, Açores, Portugal) Descendem, uns, de


António Rodrigues Coronel, que viveu no século XVI e, outros, de Lourenço António Teles Pamplona Coronel, que viveu no século XVIII.


António Silveira de Ávila


António Silveira de Ávila (Calheta, ilha de São Jorge, Açores — 1781) foi Capitão-mor da Calheta, ilha de São Jorge, produtor Agrícola em terras próprias e militar do exército português na arma de infantaria.



Álvaro Martins Homem


Estátua de Álvaro Martins Homem. Álvaro Martins Homem (; Praia, c. 1482) foi um explorador português do século XV, segundo capitão do donatário da ilha Terceira, nos Açores.


Baltasar Gonçalves Carvão


Solar da Família Carvão, ilha Terceira, Açores. Baltazar Gonçalves Carvão (século XVI – Ilha Terceira, Açores) esteve entre os primeiros povoadores que aportaram à ilha Terceira.



Catarina Gonçalves Chaves


Catarina Gonçalves Chaves (século XVI – ilha Terceira, Açores, Portugal) A mais antiga pessoa de que há registo na ilha terceira com este apelido é D. Catarina Gonçalves Chaves, que deve ter nascido nos fins do século XVI ou princípios do século XVII, e de quem procede muito ilustre geração.



sábado, 30 de julho de 2022

Quinta de Nossa Senhora do Rosário na ilha Terceira Açores

 


A Quinta de Nossa Senhora do Rosário é composta por uma propriedade agrícola e por um solar que é pertença da família Barcelos. Localiza-se esta quinta na ilha açoriana da Terceira, concelho de Angra do Heroísmo, freguesia da Terra Chã.


Tem sido durante séculos residência da família Barcelos, tendo sido sujeita a alguns restauros devido aos estragos causado pelo terramoto ocorrido em 1 de Janeiro de 1980.

O solar de que a quinta está dotada apresenta-se com apreciáveis dimensões. Tem um pátio voltado a nascente com jardim onde de destacam plantas exóticas de grande dimensão dada a sua avançada idade. É de mencionar também a capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário.



Destaca-se este edifício pelo seu aspecto senhorial de austera fachada e pela implantação da edificação no terreno, aproveitando o espaço disponível.



quinta-feira, 28 de julho de 2022

O templo mais antigo da freguesia dos Biscoitos ilha Terceira Açores

 

A Ermida de Nossa Senhora do Loreto localiza-se na Canada da Obra, no Bairro de São Pedro, freguesia dos Biscoitos, concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Remonta a uma primitiva ermida erguida por iniciativa de Pero Anes do Canto (1480-1556), nomeado "Provedor das Armadas e Naus da Índia em todas as ilhas dos Açores" em 1532. Embora se desconheça a data efectiva da sua edificação sabe-se que o terá sido entre 1512 e 1521, junto às casas que o mesmo possuía na Quinta de São Pedro. "(...) Situada numa zona altaneira, custou a Pero Anes do Canto, segundo declarou, mais de quinhentos mil reais, e foi erigida com licença do rei e do bispado da ilhas." (GREGÓRIO, 1999:34)

Sob a invocação de Nossa Senhora da Nazaré, FRUTUOSO, e posteriormente outros cronistas, referem este templo como Capela de Nossa Senhora do Loreto. (FRUTUOSO, 1978:37) O cronista refere-a como "mui ornada e fresca, a melhor que houve na ilha". (Op. cit.)

Embora alguns autores apontem a data de 1556 para a construção do templo, esta trata-se da de constituição da freguesia dos Biscoitos, após o falecimento de Anes do Canto, no mesmo ano.

Anes do Canto registou ainda que as obras do templo foram dotadas pela oferta da primeira vaca recebida de seu rendeiro, Jorge Marques. Da dotação dessa vaca, e de todas as suas crias, que mandara ferrar na "espadoa" (espádua), Anes do Canto determinou em seu testamento, ao herdeiro do morgadio no qual a vinculou, a respectiva provisão: 16 mil reais, dos quais 12 mil para o pagamento do salário do capelão e 4 mil para os ornamentos e fábrica da capela. Ficavam de fora os gastos com a reparação do edifício, obrigação que deixou ao mesmo herdeiro. Posteriormente, na sua segunda disposição testamentária, datada de 1 de junho de 1543 na nota do tabelião Diogo Leitão, da cidade de Lisboa, determinou que nela fossem aplicados mais 100 mil reais para que fosse corrigido o campanário e adquiridos os ornamentos. (GREGÓRIO, 1999:35) Acredita-se que a obra no campanário pudesse estar ligada com o terramoto de 1547, que atingiu particularmente a área e fez ruir uma parte daquele templo. (Op. cit.) Com relação aos ornamentos do templo, a última disposição conhecida de Anes do Canto, datada de 1555 foi para que todo o gado com que o dotara fosse vendido, e com o montante apurado se adquirisse uma cruz de prata de dez marcos.

Foi nesta capela que Anes do Canto inicialmente determinou ser sepultado, caso falecesse na Quinta de São Pedro, vindo a esclarecer, na sua disposição testamentaria de 1544, que dando-se o falecimento em tal localidade lá fosse sepultado mas, posteriormente, a sua ossada deveria ser transferida para outra capela, que tencionava erguer na Sé de Angra.

A atual ermida datará do século XVIII, conforme o Inventário do Património Imóvel dos Açores.Adquirida pelo Tenente Coronel António José de Simas, natural da freguesia dos Biscoitos, conforme escritura datada de 17 de Novembro de 1943, foi destruída pelo sismo de 1980. Os seus herdeiros, o seu sobrinho, Dimas Simas Costa, emigrado na Califórnia, e familiares, procederam a sua reconstrução a partir de 2004, reinaugurando-a a 19 de Junho de 2005, celebrando o matrimónio do próprio Dimas Simas. O custo dos trabalhos ascendeu a cerca de 140 mil dólares, devolvendo-a ao seu estado anterior.

Encontra-se relacionada no Inventário do Património Histórico e Religioso da Praia da Vitória.



quarta-feira, 27 de julho de 2022

O cowboy da ilha de São Jorge Açores

 


João Ignácio d’Oliveira nasceu a 28 de Fevereiro de 1838 na freguesia de Santo Antão, na ponta Leste da ilha de São Jorge, nos Açores.

João Ignácio terá emigrado como marinheiro de um navio de caça à baleia, como acontecia com tantos outros. Nos anos 60 já se encontra no rio Columbia, no extremo Noroeste americano, a trabalhar num barco a vapor, com o nome de John Enos – nome que resulta da evolução Ignacius-Ignácio-Inácio-Enos, explicam os etimólogos.


É nessa altura que começa a comprar gado, e em 1870 já está em Yakima, a oeste do rio, no seu primeiro rancho. Pouco depois atravessa a água e estabelece-se em Cannaway Creek, no então Lincoln County (...) imediatamente antes de se juntar ao Snake e rumar ao Pacífico – o chamado "Big Bend" (Terra da Grande Volta), uma planície "ondulante, desértica e semi-árida", como explica William S. Lewis em "The Story of Early Days in The Big Bend Country", de 1926.

E é a partir daí, nas terras livres da exploração open-range (terrenos do estado, de utilização gratuita), que construirá o seu império.

(…) O seu rancho, dizia-se, estava assombrado. Enos, como enumerou Kenneth Kallenberger em Saga Of Portegee Joe, gerava todos os mitos: envenenara três índios, enterrando-os no rancho junto com dois cowboys, enforcara um chinês, matara um jovem ladrão de cavalos, tinha cinco golpes na pistola, roubava cavalos e trazia-os para o rancho de noite, fugira da justiça no Leste da América, chicoteava os seus funcionários...


Muitas mães repreendiam as crianças com a ameaça: "Se não de comportares, Portegee Joe vai apanhar-te!" Mas, nos relatos dos que o conheceram, compilados mais tarde pelos jornais e pelos historiadores, Enos era precisamente o contrário: um homem afável e bondoso, embora irascível em determinados momentos.

John Enos era um visionário para a época, e essa é outra das características mais extraordinárias da sua história. No seu rancho de Cannaway Creek, criou um inovador sistema de rega, plantou um pomar que proporcionava maçãs aos funcionários, construiu uma casa em cima de uma fonte para usar a sua refrigeração, escavou uma adega atrás de uma colina e semeou árvores altas alinhadas, para proteger tudo contra o vento.



terça-feira, 26 de julho de 2022

O último balieiro da ilha do Corvo Açores

 


Fernando Rocha Pimentel  nasceu no Corvo em 1932.

Iniciou a actividade balieira muito jovem, com 17 anos.

A sua principal profissão foi a de agricultor e a sua paixão o mar. A ela se entregou como baleeiro até Julho de 1955, altura em que a cessou, de forma bruta, quando se deu o acidente mortal que vitimou o trancador - José Fraga -, seu cunhado.

Este episódio marcou a sua vida de tal modo que não mais se entregou à baleação.


Nesta mesma década de cinquenta integrou a equipa de vóleibl como desportista e permaneceu na sua principal actividade - a agricultura -, tendo mais tarde aplicado o seu trabalho na apanha de algas.

Em 1968 emigrou para os EUA, e viveu durante 8 anos em New Bedford, Massachusetts, sempre com a sua terra natal no coração, tendo regressado em 1976, para se dedicar à actividade de moleiro.

É o último dos balieiros na ilha do Corvo.



segunda-feira, 25 de julho de 2022

Joaquim de Almeida Tavares do Canto

 Joaquim de Almeida Tavares do Canto (1790 -?) foi um fidalgo português, morgado da Casa de Posto Santo e Cavaleiro da Casa Real.


No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), foi um dos mais célebres líderes da causa realista (absolutista) na Ilha Terceira, nos Açores. Por toda a ilha organizou operações de guerrilha e ataques-surpresa, tendo comandado milícias no Combate do Pico do Seleiro (4 de Outubro de 1828), após o qual retornou à guerrilha.



Segundo a tradição, montava uma égua ferrada às avessas, para despistar os seus perseguidores. É facto que a sua ousadia valeu-lhe uma perseguição encarniçada por parte dos liberais, que lhe puseram a cabeça a prémio, arrasando propriedades, armando emboscadas e confiscando a sua casa na rua da Sé, em Angra, nela instalando a Pagadoria Geral.



domingo, 24 de julho de 2022

Joaquim da Rocha Alves


Joaquim da Rocha Alves  nasceu em Angra do Heroísmo a  15 de janeiro de 1903  e faleceu em Angra do Heroísmo a 29 de novembro de 1961. Foi um médico e político, que exerceu, entre outras funções de relevo, o cargo de presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e de governador civil do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo. Apoiante do Estado Novo, foi dirigente da União Nacional.

Nasceu na freguesia de Santa Luzia de Angra, filho de José da Rocha Melo e de Maria Paulina Alves Correia. Passou a sua infância na freguesia de Santa Bárbara, de onde a mãe era oriunda.

Após concluir os estudos liceais em Angra do Heroísmo, matriculou-se na Faculdade de Medicina de Lisboa, onde obteve a licenciatura em 1930.


Fixou-se como médico em Angra do Heroísmo, com consultório privado, mas prestando serviço no Hospital da Santa Casa da Misericórdia, no Batalhão Independente de Infantaria n.º 17, no destacamento da Legião Portuguesa e nos sindicatos e outros organismos corporativos.


Para além da sua atividade profissional teve importante ação cívica como dirigente de múltiplos organismos associativos, entre os quais a Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e o Lawn Tennis Club. Colaborou na imprensa local e foi diretor do Diário Insular.


Dirigente da União Nacional, foi por três vezes nomeado presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e exerceu o cargo de governador civil substituto do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo.




sexta-feira, 22 de julho de 2022

Água Azeda da Serreta ilha Terceira Açores

 


Água Azeda, ou Água Azeda da Serreta, é uma nascente de água mineromedicinal, gaseificada e fortemente cloretada, existente na base da falésia litoral da costa oeste da ilha Terceira  Açores, freguesia da Serreta.


Suposto que de há muito já os moradores da Serreta lhe conheciam a existências, o interesse por esta fonte data de 1855, quando Álvaro Borges Cabral Fournier ali se deslocou e recolheu uma amostra. A partir daís foram realizados diversos estudos e obras destinadas a melhorar a acessibilidade. As conclusões foram variando ao longo dos tempos:


O dr. Nicolau Caetano de Bettencourt Pitta negou-lhe qualquer propriedade, asseverando: Depois de muitas indagações vim no conhecimento, que a fonte sai por uma fenda de lava á beira-mar na Serreta, e qua a descida para ela é muito pior que a pena imediata. ... A água que eu analisei, e que veio muito bem engarrafada, segundo as direções que dei, não lhe dou importância alguma, tratada por vários reagentes; é de natureza salobra como a das Quatro Ribeiras, com a diferença de que esta nasce morna à beira-mar, e sai da boca de um vulcão extinto. A água da Serreta colhida no mesmo dia é fria, inodora, de sabor picante, o que é devido ao ácido carbónico que contém, e que a faz crepitante deitada em um copo, mas passados quatro dias apodrece e exala aquele cheiro que tem a águua a bordo dos navios.

O dr. José Augusto Nogueira Sampaio, emitiu parecer contrário, lendo-se em dado passo: A nascente desta água é impetuosa, e projeta-se longe; na sua vizinhança não se conhece cheiro algum que denote a sua origem vulcânica. … A altura excessiva da rocha, o mau talhe que oferece, tornam a descida quase impraticável. [...] Examinada a água pelo lado das suas propriedades físicas apresenta-se de uma limpidez e transparência expressivas, as quais ela conserva depois de muito tempo de recolhida. – A sua temperatura é igual à da ordinária. Encerrada em uma garrafa, bem tapada, ela produz no ato da sua abertura uma detonação igual à que produz uma garrafa de champanhe quando se abre. Lançada em um vaso qualquer transparente, nota-se que da parte inferior e laterais se levantam continuamente por espaço de algumas horas uma grande quantidade de bolhas semelhantes àquelas que se observam em qualquer líquido fermentado. O seu gosto, ao princípio ligeiramente ácido, mas deixando aperceber alguma coisa de sulfúreo, torna-se depois salina e desagradável; contudo não é o gosto característico e repugnante das águas sulfúreas. Por vezes, depois da sua ingestão, sobrevêm arrotos picantes semelhantes aos que aparecem com o uso das sodas gasosas. Enfim, a sua densidade é superior à da água destilada e da ordinária.



Monsenhor José Alves da Silva refere ser esta água muito usada para as doenças do estômago.

O Laboratório do Instituo Superior Técnico de Lisboa, de que era diretor o Professor Doutor Charles Lepierre, após a análise químico-higiénica, publicou em boletim datado de 15 de julho de 1920 a seguinte conclusão: mineralização de 1,266, g/litro. Foi entã caracterizada como água acídula, gasocarbónica, cloretada sódica (50% da mineralização formada por cloretos), carbonetada cálcica e magnésica, silicatada» . A água chegou a ser comercializada como Água da Serreta e classificada como «água de mesa», embora fosse popularmente conhecida como Água Azeda.

O Dr. Octávio da Veiga Ferreira, dos Serviços Geofísicos, chegou a preparar um esboço de anteprojeto para a captação da água mineromedicinal da Serreta.

Ao longo do tempo foram realizadas pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo diversas obras de acesso:


1858 – abertura de vereda, torneando a rocha;

1889 – abertura na rocha de uma escadaria de duzentos e dez degraus, a cerca de mil metros para leste do Farol da Serreta;

1967 – limpeza e desobstrução do poço

Com o Terramoto de 1980 ocorreram derrocadas e o acesso desapareceu e o poço encontra-se entulhado.




terça-feira, 19 de julho de 2022

Ermida de Jesus, Maria, José na Urzelina ilha de São Jorge Açores

 


A Ermida de Jesus, Maria, José  é uma ermida ,  localizada na Urzelina, concelho de Velas.


Esta ermida de pequena dimensão apresenta uma construção em estilo barroco e data do Século XVIII, sendo no entanto que o ano exacto da sua construção é desconhecido.


Estudos indicam que a mesma foi construída pelos frades da Ordem dos Franciscanos. É sabido no entanto que esta mesma ermida foi reedificada no ano de 1722. Apresenta-se com uma construção muito sólida e dotada de cantarias de excelente qualidade. A frontaria da ermida é encimada por uma Cruz de Malta.


Esta ermida tem somente um altar onde sobressai um retábulo de grande interesse, elaborado em talha dourada e emoldurado por um arco pleno, apresentando este conjunto características semelhantes às encontradas na Igreja de Santa Bárbara das Manadas.



segunda-feira, 18 de julho de 2022

Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo ilha Terceira Açores

 


Apesar do Concílio de Trento (1545-1563), na sua Sessão XXV, ter determinado que, a bem da qualidade e da ortodoxia, a formação dos sacerdotes se faria em seminários, durante os primeiros três séculos de história da diocese angrense, os clérigos açorianos preparavam-se maioritariamente nos conventos de religiosos existentes nas ilhas e nos Colégios dos Jesuítas de Angra, Ponta Delgada e Horta (até à sua expulsão). Alguns frequentavam seminário portugueses, com um pequeno número a frequentarem a Universidade de Coimbra, a Universidade de Salamanca e seminários e colégios em Roma.


Com o andar do tempo, a função de formar o clero foi sendo progressivamente assumida pelos Colégios dos Jesuítas, cuja qualidade de teológica e pastoral era considerada melhor. Mesmo assim surgem amiúde referências que prova que a formação do clero era deveras deficientes.



Face à importância que tinham assumido, a ideia de criar um seminário nos Açores ganhou novo impulso quando a expulsão dos Jesuítas fechou os três colégios existentes, deixando a formação essencialmente nas mãos dos conventos Franciscanos, manifestamente impreparados para tal.


Foi neste contexto que logo em 1788, o bispo D. Frei José da Avé-Maria Leite da Costa e Silva, à semelhança de outros prelados em dioceses que enfrentavam o mesmo problema, propôs criar um seminário no Colégio de Angra dos expulsos Jesuítas, mas nada se fez porque tal proposta foi rejeitada pelo governo.


A ideia de criar um seminário nos Açores manteve-se uma preocupação central dos prelados, de tal forma que o bispo D. José Pegado de Azevedo (1802-1812), pois deixou em testamento a sua biblioteca ao seu sucessor, até que houvesse em Angra um seminário.



Nas Bulas de Confirmação de D. Frei Estêvão de Jesus Maria para bispo de Angra, o papa Leão XII manifestava o desejo de que ele fundasse um seminário, conforme prescrevera o Concílio Tridentino.


Foi assim que aproveitando este mandato explícito e as condições favoráveis criadas pela Regeneração que em 1862, passados 328 anos da fundação da Diocese, e quase 300 após aquele Concílio, começou a funcionar um seminário nos Açores.

Foi aproveitado para tal fim o extinto Convento de São Francisco de Angra, cujas obras de adaptação levaram dois anos a realizar. A sua inauguração solene realizou-se a 9 de Novembro de 1862. Nesse dia teve lugar uma grande festa em honra de Nossa Senhora da Guia, titular do antigo convento, à qual assistiu o bispo diocesano e muito clero da Ilha.


Apesar dessa abertura solene e das avultadas obras que se realizaram, só em 1864 é que o Seminário Episcopal de Angra recebeu os seus primeiros alunos internos.



sexta-feira, 15 de julho de 2022

Manuel de Arriaga foi o primeiro presidente eleito da República Portuguesa

Manuel José de Arriaga Brum da Silveira e Peyrelongue  nasceu na cidade da Horta, Matriz, a 8 de julho de 1840  e faleceu em  Lisboa, Santos-o-Velho a 5 de março de 1917. Foi um advogado, professor, escritor e político português. Grande orador e membro destacado da geração doutrinária do republicanismo português, foi dirigente e um dos principais ideólogos do Partido Republicano Português.  A 24 de agosto de 1911 tornou-se no primeiro presidente eleito da República Portuguesa, sucedendo na chefia do Estado ao Governo Provisório presidido por Teófilo Braga. Exerceu aquelas funções até 29 de maio de 1915.

Manuel de Arriaga nasceu na casa do Arco, na freguesia da Matriz, cidade da Horta, ilha do Faial, filho de Sebastião José de Arriaga Brum da Silveira e da sua esposa Maria Cristina Pardal Ramos Caldeira. Pertencente à melhor sociedade faialense, o pai era um dos mais ricos comerciantes da cidade, último administrador do morgadio familiar e grande proprietário. A família, com pretensões aristocráticas, traçava as suas origens até ao flamengo Joss van Aard, um dos povoadores iniciais da ilha. Foi neto do general Sebastião José de Arriaga Brum da Silveira, que se distinguira na Guerra Peninsular, e sobrinho-neto do desembargador Manuel José de Arriaga Brum da Silveira, que em 1821 e 1822 fora deputado pelos Açores às Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa.

Depois de concluídos os estudos preparatórios na cidade da Horta, em 1860 matriculou-se no curso de direito da Universidade de Coimbra, sendo acompanhado pelo seu irmão, José de Arriaga, quatro anos mais novo. Em Coimbra cedo se revelou um aluno brilhante e um orador notável. Aderiu ao positivismo filosófico e ao republicanismo democrático, passando a ser frequentador assíduo das tertúlias filosóficas e políticas, onde se destacava pela sua verve e capacidade argumentativa.



Esta adesão ao ideário republicano, então considerado subversivo, levou a que o pai, monárquico conservador com laivos miguelistas, cortasse relações com o filho, proibindo-lhe o regresso a casa. Nessas circunstâncias foi obrigado a trabalhar para sustentar os seus estudos, e os do irmão, igualmente proscrito pelo pai por adesão a ideologias subversivas. Leccionava inglês como professor particular, aproveitando os bons conhecimentos daquela língua que adquirira na Horta com a preceptora americana contratada pela sua família.  O seu irmão escrevia em diversos jornais de Coimbra e de Lisboa, vindo a revelar-se um polígrafo de mérito.




quinta-feira, 14 de julho de 2022

Ermida de Nossa Senhora da Conceição na Vila do Porto ilha de Santa Maria

 


A Ermida de Nossa Senhora da Conceição, também conhecida como Ermida de Nossa Senhora da Conceição da Rocha ou Ermida de Santa Luzia, localiza-se no largo Sousa e Silva, na freguesia da Vila do Porto, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.

Esta foi a primitiva igreja paroquial, a primeira de Vila do Porto, e encontra-se referida por Gaspar Frutuoso, após ter citado a de Nossa Senhora de Assunção:


"Logo, subindo pela ladeira, no princípio da Vila, junto do mar, sobre a rocha, está uma ermida de Nossa Senhora da Conceição, muito fresca, que de qualquer parte, que vem do mar de fora para o porto, não se vê outra casa primeiro que ela, por boa entrada e estreia."

E em outro trecho:



"Há mais duas igrejas nesta vila [além da de Nossa Senhora da Assunção], muito boas casas: uma, nomeada Espírito Santo e Misericórdia, onde se fazem muitas obras de caridade; outra de Nossa Senhora da Concepção, que está sobre a rocha e porto."

Quando do assalto de piratas em 1539, preparando-se os invasores para o desembarque no porto da vila, os marienses colocaram a imagem de Nossa Senhora da Conceição no chamado Alto da Rocha. Esse gesto tanto ânimo lhes incutiu que, arremetendo à pedrada sobre os atacantes, obrigaram-nos a recolher-se às suas naus e a retirar.


Frei Agostinho de Monte Alverne (c. 1695) e o padre António Cordeiro (1717) também referem esta ermida em suas crónicas.



Aqui se venerava uma imagem de São Brás, padroeiro da fortificação que lhe é anexa, o Forte de São Brás de Vila do Porto. No século XX, por aqui ser venerada uma imagem de Santa Luzia, muitos conhecem a ermida por essa invocação.


Restaurada, foi reaberta ao culto em fevereiro de 1965.


A tradição local liga-a um oportuno milagre, ocorrido no seu interior, quando do ataque de corsários Franceses sofrido pela ilha em 1576. Acordado de madrugada pela fuzilaria dos invasores - que tendo desembarcado de surpresa escalavam a rocha em direcção à Vila - Balthasar de Paiva, o vigário da ermida, precipita-se para o templo, com a intenção de salvar o sacrário do saque iminente. Intrépido, entra na igreja a cavalo e recolhe o Santíssimo Sacramento, mas a manobra não passa despercebida aos franceses, que cercam rapidamente o templo. O seu corajoso esforço parece condenado ao fracasso quando se dá o milagre: Uma porta lateral, cerrada por dentro com tranca e por fora com chave, abre-se subitamente para dar passagem ao vigário, que foge a galope pelo meio dos surpreendidos inimigos, indo deixar a relíquia a salvo na Ermida de Santo Antão.