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sábado, 1 de agosto de 2026

Antepassados / Ancestors




 

O aventureiro Alberto do Canto nasceu na ilha Terceira / The adventurer Alberto do Canto was born on the island of Terceira

 

No ano de 1547 nasceu na cidade da  Praia da Vitória  ilha Terceira  Açores, filho do Sr. Sebastião Martins do Canto e da Sra. Maria Dias de Vieira. Presume-se que a origem da sua família em Portugal remonta a 1350, altura em que João, 3º conde de Kent, passou a viver na ilha.

Aventureiro, autoconfiante e um líder natural. Desde muito jovem, como um capitão de 30 anos, ele descobriu minas e fundou novas cidades.

Alberto do Canto e Dias de Vieira ou Alberto Vieira do Canto, segundo o costume português, era temido e respeitado, pelo que se impôs reiteradamente como autarca fundador de Saltillo.

 Também se distinguiu por sua masculinidade, comportamento aventureiro e cabelo loiro, pelo que foi assediado por poucas mulheres. Diz-se que ele veio para a corte de Dona Juana Porcallo, esposa de Diego de Montemayor, no ano de 1581 . Ele também era um treinador de cavalos.

Não está claro como e quando chega à Nova Espanha . Alguns autores dizem que ele embarcou das ilhas de Castela em 1562 . 

No entanto, há certeza da sua presença em 1562 na Nova Espanha em Zacatecas para a região de San Martín e Mazapil desde que foi recrutado por Francisco de Ibarra.  que fez parte das primeiras explorações do recém-estabelecido Nueva Vizcaya 1554 . Ele definitivamente não fazia parte do outro grupo de exploradores do leste entrando por Tampico com o grupo Carbajal e de la Cueva em 1560 .


Em busca de fortuna nas minas Alberto do Canto em dezembro de 1562, aos dezesseis anos, foi um dos 170 soldados recrutados em Zacatecas por Francisco de Ibarra, com a autorização de Luis de Velasco e Ruiz de Alarcón, para conquistar o Nordeste de Nova Espanha com colonos das fazendas Zacatecas.


Também foi incorporado um grupo de biscayan e portugueses encabeçado por Martín de Gamón, mesmo que por rebelde e agitador em 1563 foi ordenado a dar um clube no Vale de San Juan. Com a morte do líder o grupo se dispersou. Alguns dos agora liderados por Martín López de Ibarra como governador foram: Alberto do Canto, Diego de Montemayor, Gaspar Castaño de Sosa e outros futuros colaboradores de Luis de Carvajal y de la Cueva .

Do Canto conheceu muitas terras: Chiametla, Copala, Sinaloa, Topiao Guatimapé, percorreu San Martín e Sombrerete, Chalchihuites e Sain, Nieves e Río Grande, por Nombre de Dios e Victoria, por Fresnillo e Zacatecas, por Cedros e Mazapil. Lá fez amizade com Diego de Montemayor e Gaspar Castaño de Sosa e Luis Carvajal y de la Cueva, todos portugueses como ele. Também é provável que em 1569 ele tenha acompanhado Martín López de Ibarra em sua expedição ao norte.


Casou-se com Estevanía Procallo de Montemayor  tendo o  seu primeiro filho chamado Miguel de Montemayor em 1587, no final de 1589 nasceu seu segundo filho, batizado com o nome de Diego de Montemayor, então em 1593 tiveram sua única filha, Elvira.


Consta que Estevanía declarou que Do Canto teve relações de fato com sua mãe, acusando seu marido e deixando de usar o sobrenome Canto e seus filhos adotaram o sobrenome materno.

Ele morreu em sua fazenda Buena Vista perto de Saltillo em 1611 como vereador.






quinta-feira, 23 de julho de 2026

As ilhas dos Açores / The islands of the Azores




 

Numídico Bessone ilha de São Miguel Açores / Numidicus Bessone, São Miguel Island, Azores

Numídico Bessone Borges de Medeiros Amorim nasceu na Lagoa, ilha de São Miguel Açores a 12 de Agosto de 1913 e faleceu em Lisboa a 1 de Janeiro de 1985. Estudou escultura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e depois pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto. Aluno brilhante, foi distinguido com o Prémio Nacional de Belas Artes, sendo seleccionado como bolseiro do Instituto de Alta Cultura para estudar em Roma. Casou com Maria Giovanna Giuseppina Emília Brugnara, com quem teve uma filha. Em Roma, onde também foi bolseiro do governo italiano, cursou escultura na Academia de Belas Artes (1946 a 1949), frequentando depois um curso de especialização em medalhística na Escola de Arte de Medalha de Roma (1950 e 1951).
A sua obra foi apresentada em várias exposições internacionais e está representada no Museu Nacional de Arte Contemporânea de Lisboa, no Museu Carlos Machado, no Museu de José Malhoa e em diversas galerias. Pertenceu ao Centro de Estudos de Arte e Museologia do Instituto de Alta Cultura, à Associazione Artística Internazionale de Roma e à Accademia Mondiale degli Artísti e Professionisti da Accademia Tiberiana di Roma. Foi ainda membro de honra da União Portuguesa do Estado da Califórnia. Numídico Bessone é lembado na toponímia do concelho de Oeiras, que lhe dedica uma rua em Terrugem, na feguesia de Paço de Arcos.
Numídico Bessone Borges de Medeiros Amorim was born in Lagoa, on the island of São Miguel in the Azores, on 12 August 1913, and died in Lisbon on 1 January 1985. He studied sculpture at the Lisbon School of Fine Arts and subsequently painting at the Porto School of Fine Arts. A brilliant student, he was awarded the National Prize for Fine Arts and was selected as a scholarship holder by the Institute of High Culture to study in Rome. He married Maria Giovanna Giuseppina Emília Brugnara, with whom he had a daughter. In Rome, where he was also a scholarship holder of the Italian government, he studied sculpture at the Academy of Fine Arts (1946 to 1949), before attending a specialisation course in medal making at the Rome School of Medal Art (1950 and 1951). His work has been featured in various international exhibitions and is held in the National Museum of Contemporary Art in Lisbon, the Carlos Machado Museum, the José Malhoa Museum and in various galleries. He was a member of the Centre for Art and Museology Studies at the Institute of High Culture, the Associazione Artistica Internazionale in Rome and the Accademia Mondiale degli Artisti e Professionisti of the Accademia Tiberiana in Rome. He was also an honorary member of the Portuguese Union of the State of California. Numídico Bessone is commemorated in the place names of the municipality of Oeiras, which has named a street after him in Terrugem, in the parish of Paço de Arcos.


quarta-feira, 15 de julho de 2026

Descubra os seus antepassados / Discover your ancestors




 

António Gil da Silveira Machado Bettencourt da ilha da Graciosa Açores / António Gil da Silveira Machado Bettencourt, from the island of Graciosa, Azores


António Gil da Silveira Machado Bettencourt  nasceu na Praia da Graciosa Açores  a 3 de Junho de 1846  e faleceu  em  Angra do Heroísmo a  3 de Julho de 1883.

 António Gil foi filho do graciosense Francisco de Sousa Machado e Costa e de sua mulher, a micaelense Ana Gil de Bettencourt.


Fez a sua instrução primária na vila da Praia e os seus estudos secundários no Liceu de Angra do Heroísmo, onde ingressou em 1856. Apesar de frequentemente doente, foi um aluno brilhante.


Desde muito jovem que escreveu poesia, folhetins e bem elaborados artigos políticos e literários, que se encontram publicados em vários periódicos de Angra do Heroísmo, de Ponta Delgada e de Lisboa.

A sua melhor produção foi a poética, produzindo obras de cunho lamartiniano de grande qualidade. A sua poesia encontra-se dispersa pelos muitos periódicos em que colaborou e muita ficou inédita.


Traduziu e publicou o romance Belle-Rose de Amédée Achard. Publicou, conjuntamente com Augusto Ribeiro, o Almanaque Insulano para Açores e Madeira nos anos de 1873 e 1874, única obra que publicou em livro, já que deixou toda a sua restante produção literária dispersa por periódicos.


Fundou e redigiu, conjuntamente com José Sampaio, o semanário Os Açores. Através da imprensa foi um proponentes das comemorações nos Açores dos centenários do Marquês de Pombal e de Luís de Camões.


Foi um dos promotores da formação do Grémio Literário de Angra do Heroísmo, um grupo de intelectuais que pugnava pelo desenvolvimento literário dos Açores. Foi o editor do jornal da agremiação, o Jornal do Grémio Literário de Angra do Heroísmo, que se publicou a partir de 1868. Nele colaboraram, entre muitos outros, João Carlos Rodrigues da Costa, Francisco Maria Supico, Mendo Bem e Ernesto Rebelo.


Uma das principais actividades do Grémio Literário de Angra do Heroísmo foi a criação da Biblioteca do Grémio Literário, a primeira que nos Açores permitiu a leitura ao domicílio. O gabinete de leitura do Grémio, fundado em 1871, foi o primeiros dos Açores.




António Gil da Silveira Machado Bettencourt was born in Praia da Graciosa, the Azores, on 3 June 1846 and died in Angra do Heroísmo on 3 July 1883.
António Gil was the son of Francisco de Sousa Machado e Costa, a native of Graciosa, and his wife, Ana Gil de Bettencourt, a native of São Miguel.

He attended primary school in the town of Praia and secondary school at the Liceu de Angra do Heroísmo, which he joined in 1856. Although he was frequently ill, he was a brilliant pupil.

From a very young age, he wrote poetry, serialised stories and well-crafted political and literary articles, which appeared in various periodicals in Angra do Heroísmo, Ponta Delgada and Lisbon.
His finest work was his poetry, producing Lamartinian-style pieces of great quality. His poetry is scattered across the many periodicals to which he contributed, and much of it remained unpublished.

He translated and published the novel *Belle-Rose* by Amédée Achard. Together with Augusto Ribeiro, he published the *Almanaque Insulano para Açores e Madeira* in 1873 and 1874; this was the only work he published in book form, as the rest of his literary output remained scattered across periodicals.

He founded and edited, together with José Sampaio, the weekly newspaper *Os Açores*. Through the press, he was one of the driving forces behind the celebrations in the Azores marking the centenaries of the Marquis of Pombal and Luís de Camões.

He was one of the driving forces behind the formation of the Grémio Literário de Angra do Heroísmo, a group of intellectuals who championed the literary development of the Azores. He was the editor of the society’s journal, *Jornal do Grémio Literário de Angra do Heroísmo*, which was first published in 1868. Among many others, João Carlos Rodrigues da Costa, Francisco Maria Supico, Mendo Bem and Ernesto Rebelo contributed to it.
Uma das principais actividades do Grémio Literário de Angra do Heroísmo foi a criação da Biblioteca do Grémio Literário, a primeira que nos Açores permitiu a leitura ao domicílio. O gabinete de leitura do Grémio, fundado em 1871, foi o primeiros dos Açores.



domingo, 5 de julho de 2026

Anselmo Silveira da Silva, “Capitão Anselmo” / Anselmo Silveira da Silva, “Captain Anselmo”

 

Anselmo Silveira da Silva  na Calheta de Nesquim, Lajes do Pico Açores em  1833. Vulgarmente denominado “Capitão Anselmo” foi uma importante figura ligada à caça à baleia na ilha do Pico e em vários locais da costa atlântica dos Estados Unidos, para onde partiu em 1851.


Inicialmente com o cargo de marinheiro, com cujo salário pagou a passagem, passou a remador. Algum tempo depois passou a trancador de baleia. Depois de algum tempo na actividade subiu ao estatuto de oficial, depois a piloto do navio e dali a capitão.

Exerceu a sua actividade em vários oceanos, estendendo-se do Oceano Atlântico ao Oceano Índico passando pelo Oceano Pacífico, pelo Ártico, e Antártico. Caçou baleias nas costas da Gronelândia, no Estreito de Bering e no Alasca.


    Foi casado por duas vezes, do primeiro casamento teve três filhos, dois homens e uma mulher e do segundo com Mariana Dias teve um homem e uma mulher.

Após bastantes anos na actividade da baleeação voltou à ilha do Pico onde foi o fundador da primeira armação baleeira da ilha do Pico. Esta fundação foi efectuada na sua terra natal, a freguesia da Calheta de Nesquim, juntamente com Samuel Dabney e George Oliver, da Família Dabney, uma família americana estabelecida na ilha do Faial com origem num cônsul dos Estados Unidos na ilha.

O registo da escritura desta armação baleeira foi lavrado na cidade da Horta, na ilha do Faial no dia 28 de Abril de 1876. Neste documento ficou estipulado o modo de operar, que dizia o seguinte: “bote arriaria é apoiado do por um barco de pesca e deduzidas as despesas, o produto líquido da safra é partido ao meio, uma metade para os armadores e outra metade para as companhas. A parte das campanhas é dividida em 43 quinhões: 18 para o oficial, 6 para o trancador, 3 para cada remador e sete para o barco de apoio”.


Anselmo Silveira da Silva in Calheta de Nesquim, Lajes do Pico, Azores, in 1833. Commonly known as ‘Captain Anselmo’, he was a prominent figure in the whaling industry on the island of Pico and in various locations along the Atlantic coast of the United States, for which he set sail in 1851.

He began as a sailor, using his wages to pay for his passage, and later became an oarsman. Some time later, he became a whale harpooner. After a period in this role, he rose to the rank of officer, then became the ship’s pilot, and eventually its captain.

He worked across various oceans, ranging from the Atlantic to the Indian Ocean, via the Pacific, the Arctic and the Antarctic. He hunted whales off the coast of Greenland, in the Bering Strait and in Alaska.
    He was married twice; from his first marriage he had three children – two sons and a daughter – and from his second marriage to Mariana Dias he had a son and a daughter.

After many years in the whaling trade, he returned to the island of Pico, where he founded the island’s first whaling station. This was established in his home town, the parish of Calheta de Nesquim, together with Samuel Dabney and George Oliver, members of the Dabney family – an American family settled on the island of Faial, whose origins lay with a former United States consul on the island.
The deed for this whaling station was drawn up in the town of Horta, on the island of Faial, on 28 April 1876. This document set out the terms of operation, which read as follows: “The whaling boat is supported by a fishing boat and, after expenses have been deducted, the net proceeds of the catch are divided equally, with one half going to the shipowners and the other half to the crew. The crew’s share is divided into 43 portions: 18 for the officer, 6 for the net-handler, 3 for each oarsman and 7 for the support boat.”





Açorianos que partiram e nunca mais voltaram / Azoreans who left and never returned




 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Padre Ernesto Ferreira da ilha de São Miguel Açores / Father Ernesto Ferreira from the island of São Miguel in the Azores

 

Manuel Ernesto Ferreira  nasceu  em Vila Franca do Campo  Açores a 23 de Março de 1880  e faleceu em  Vila Franca do Campo a  4 de Janeiro de 1943.

Manuel Ernesto Ferreira, embora tenha assinado toda a sua vida apenas como Ernesto Ferreira, foi filho de Mariano José Ferreira e de Maria da Glória Sales Ferreira, proprietários com algumas posses em Vila Franca do Campo.

Realizou os seus estudos primários com o professor Luís António de Medeiros, em Vila Franca do Campo, preparando-se para a vida eclesiástica. A partir de 1902 exerceu funções como professor interino em Vila Franca do campo, enquanto aguardava a idade mínima para ordenação como presbítero. Completou os seus estudos no Seminário Episcopal de Angra, cidade onde foi ordenado presbítero em 1903. Celebrou missa nova na sua terra natal, em 25 de Janeiro daquele ano.

Com apenas 21 anos de idade, fundou e dirigiu a revista A Phenix, publicada em Vila Franca do Campo, a qual atraiu um conjunto notável de colaboradores, recrutados entre os mais distintos intelectuais açorianos do tempo. Publicada entre 15 de Julho de 1902 e Março de 1904, a revista surpreende pela sua qualidade, tanto mais quando editada por um jovem no limitado meio da Vila Franca de então. Um dos mais notáveis colaboradores foi Manuel António Ferreira Deusdado, com o qual Ernesto Ferreira manteria uma grande comunidade de ideais políticos, nomeadamente na valorização da terra e do regionalismo como elementos definidores da nacionalidade.

Logo após a ordenação sacerdotal foi nomeado cura da freguesia das Furnas, localidade onde permaneceu até ser transferido, em 1905, para a matriz de Vila Franca do Campo, cargo que manteria até falecer. Em 1911 foi encarregue, da capelania da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo.



Manuel Ernesto Ferreira was born in Vila Franca do Campo, the Azores, on 23 March 1880, and died in Vila Franca do Campo on 4 January 1943.

Although Manuel Ernesto Ferreira signed his name simply as Ernesto Ferreira throughout his life, he was the son of Mariano José Ferreira and Maria da Glória Sales Ferreira, landowners with some property in Vila Franca do Campo.

He completed his primary education under the tutelage of Mr Luís António de Medeiros in Vila Franca do Campo, whilst preparing for a life in the Church. From 1902 onwards, he worked as a temporary teacher in Vila Franca do Campo whilst awaiting the minimum age for ordination as a priest. He completed his studies at the Episcopal Seminary in Angra, the town where he was ordained a priest in 1903. He celebrated his first Mass in his hometown on 25 January of that year.
At the age of just 21, he founded and edited the magazine *A Phenix*, published in Vila Franca do Campo, which attracted a remarkable group of contributors, drawn from among the most distinguished Azorean intellectuals of the time. Published between 15 July 1902 and March 1904, the magazine is remarkable for its quality, all the more so given that it was edited by a young man in the limited environment of Vila Franca at that time. One of the most notable contributors was Manuel António Ferreira Deusdado, with whom Ernesto Ferreira shared a strong commonality of political ideals, particularly regarding the importance of the land and regionalism as defining elements of nationality.

Shortly after his ordination as a priest, he was appointed parish priest of Furnas, where he remained until he was transferred, in 1905, to the parish church of Vila Franca do Campo, a post he would hold until his death. In 1911, he was appointed chaplain to the Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo.


Genealogias dos Açores / Genealogies of the Azores




 

Partida em 1771 da ilha do Corvo Açores para o Brasil / Departure in 1771 from the island of Corvo in the Azores for Brazil



 





quarta-feira, 1 de julho de 2026

Trabalhadores Açorianos /Azorean workers




 

Pico das Cruzinhas ilha Terceira Açores / Pico das Cruzinhas, Terceira Island, Azores

 

Encontra-se implantado no topo do pico das Cruzinhas, um dos Quatro picos do Monte Brasil, em área de grande importância paisagística e histórica para a Terceira. Integra a Reserva Florestal de Recreio do Monte Brasil.


Deste miradouro usufrui-se uma vista panorâmica sobre toda a costa sul da ilha, compreendendo os Ilhéus das Cabras, a freguesia do Porto Judeu, a Ribeirinha, a serra da Ribeirinha, o Centro Histórico de Angra do Heroísmo, a serra do Morião, a freguesia de São Mateus da Calheta e a serra de Santa Bárbara.


Entre as baías destacam-se a baía de Angra do Heroísmo, a baía do Fanal, a baía de Villa Maria. A vista privilegiada abrange ainda o Porto de Pipas, a Marina de Angra do Heroísmo e o Porto de São Mateus da Calheta. Em dias claros, avista-se ainda no horizonte, a Ilha de São Jorge e a Ilha do Pico.


Entre as atrações do local encontram-se ainda antigas peças de artilharia antiaérea da época da Segunda Guerra Mundial, o monumento ao V Centenário do Descobrimento dos Açores (1432-1932), um padrão de betão armado encimado pela Cruz de Cristo, viveiros de aves e de animais, área de piqueniques com churrasqueiras ao ar livre, anfiteatro, e um antigo paiol e guaritas do século XVII.


O Pico das Cruzinhas, como hoje é conhecido, foi também chamado de Pico das Cruzes, é o mais baixo dos três picos do Monte Brasil .  Na Carta de Linschoten vê-se por entre os Picos do Facho e do Zimbreiro, a parte superior e arredondada do Pico das Cruzinhas, em que estão três cruzes plantadas em bases distintas e que ainda, em 1642, ali existiam, devendo ser estes os símbolos da fé que deram o nome ao pico. À frente das três cruzes, ou no lugar delas, e exatamente no local onde em 1932 foi levantado o Padrão Comemorativo do V Centenário da Descoberta dos Açores, e de forma a ser bem vista da cidade, existia a base de pedra com alguns degraus da antiga forca do castelo, onde as autoridades espanholas, e muito em especial o tribunal arbitrário, aqui ilegalmente criado e presidido por João d’Orbina, governador-geral dos Açores, logo após a conquista da ilha em 1583, fizeram abafar os anseios dos terceirenses pela independência nacional, enforcando-os com a face voltada para a mesma ilha.





domingo, 21 de junho de 2026

Pico Matias Simão ilha Terceira Açores / Pico Matias Simão, Terceira Island, Azores

 


O Pico Matias localiza-se na costa nor-noroeste da ilha Terceira, na freguesia dos Altares, no extremo nordeste do concelho de Angra do Heroísmo. O topónimo será uma corruptela do nome de Martim Simão, genro de um dos primeiros povoadores e senhor de terras naquele lugar nos inícios do século XVI. Ainda no campo da toponímia, embora sem qualquer base documental, os cronistas António Cordeiro e Jerónimo Emiliano de Andrade afirmam que o Pico Matias Simão, como que um altar que vem render-se ao mar, terá estado na origem do nome da própria freguesia.

A posição dominante que o Pico assume na costa norte terceirense levou a que fosse o local escolhido para edificação de um padrão inserido nas manifestações arquitetónicas do movimento nacionalista de suporte ao regime do Estado Novo, que na década de 1940 promoveu as celebrações do Duplo Centenário e incentivou a construção de cruzeiros e de padrões em lugares de grande visibilidade. Estes cruzeiros, promovidos pela ação do cónego Moreira das Neves e historicamente coincidentes com o primeiro ano da Segunda Guerra Mundial, tiveram o propósito de comemorar a data da Fundação do Estado Português (1140) e da Restauração da Independência (1640), mas, também (e esse seria o objetivo primordial), de celebrar o Estado Novo, então em fase de consolidação.


Por iniciativa de Manuel Cardoso do Couto, clérigo altarense e ferveroso apoiante do Estado Novo, o Pico Matias Simão foi escolhido para uma dessas construções, pelo que a 8 de Dezembro de 1940 foi ali inaugurado,  com grande pompa, em cerimónia presidida pelo governador civil interino, Francisco Lourenço Valadão, um padrão evocativo da Restauração da Independência, conhecido pelo Cruzeiro dos Altares.  O padrão é na realidade um cruzeiro, construído segundo projeto do escultor e pintor Maduro Dias. A estrutura foi sofrendo ao longo dos anos obras de manutenção, nomeadamente depois do sismo de 1980 que o afetou de forma significativa. Nas décadas de 1950 e 1960, aproveitando os seus 153 m de altura, foi instalada no canto sudoeste do cruzeiro uma vigia ligada à atividade de caça à baleia centrada no Porto dos Biscoitos, entretanto removida.