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domingo, 5 de julho de 2026

Anselmo Silveira da Silva, “Capitão Anselmo” / Anselmo Silveira da Silva, “Captain Anselmo”

 

Anselmo Silveira da Silva  na Calheta de Nesquim, Lajes do Pico Açores em  1833. Vulgarmente denominado “Capitão Anselmo” foi uma importante figura ligada à caça à baleia na ilha do Pico e em vários locais da costa atlântica dos Estados Unidos, para onde partiu em 1851.


Inicialmente com o cargo de marinheiro, com cujo salário pagou a passagem, passou a remador. Algum tempo depois passou a trancador de baleia. Depois de algum tempo na actividade subiu ao estatuto de oficial, depois a piloto do navio e dali a capitão.

Exerceu a sua actividade em vários oceanos, estendendo-se do Oceano Atlântico ao Oceano Índico passando pelo Oceano Pacífico, pelo Ártico, e Antártico. Caçou baleias nas costas da Gronelândia, no Estreito de Bering e no Alasca.


    Foi casado por duas vezes, do primeiro casamento teve três filhos, dois homens e uma mulher e do segundo com Mariana Dias teve um homem e uma mulher.

Após bastantes anos na actividade da baleeação voltou à ilha do Pico onde foi o fundador da primeira armação baleeira da ilha do Pico. Esta fundação foi efectuada na sua terra natal, a freguesia da Calheta de Nesquim, juntamente com Samuel Dabney e George Oliver, da Família Dabney, uma família americana estabelecida na ilha do Faial com origem num cônsul dos Estados Unidos na ilha.

O registo da escritura desta armação baleeira foi lavrado na cidade da Horta, na ilha do Faial no dia 28 de Abril de 1876. Neste documento ficou estipulado o modo de operar, que dizia o seguinte: “bote arriaria é apoiado do por um barco de pesca e deduzidas as despesas, o produto líquido da safra é partido ao meio, uma metade para os armadores e outra metade para as companhas. A parte das campanhas é dividida em 43 quinhões: 18 para o oficial, 6 para o trancador, 3 para cada remador e sete para o barco de apoio”.


Anselmo Silveira da Silva in Calheta de Nesquim, Lajes do Pico, Azores, in 1833. Commonly known as ‘Captain Anselmo’, he was a prominent figure in the whaling industry on the island of Pico and in various locations along the Atlantic coast of the United States, for which he set sail in 1851.

He began as a sailor, using his wages to pay for his passage, and later became an oarsman. Some time later, he became a whale harpooner. After a period in this role, he rose to the rank of officer, then became the ship’s pilot, and eventually its captain.

He worked across various oceans, ranging from the Atlantic to the Indian Ocean, via the Pacific, the Arctic and the Antarctic. He hunted whales off the coast of Greenland, in the Bering Strait and in Alaska.
    He was married twice; from his first marriage he had three children – two sons and a daughter – and from his second marriage to Mariana Dias he had a son and a daughter.

After many years in the whaling trade, he returned to the island of Pico, where he founded the island’s first whaling station. This was established in his home town, the parish of Calheta de Nesquim, together with Samuel Dabney and George Oliver, members of the Dabney family – an American family settled on the island of Faial, whose origins lay with a former United States consul on the island.
The deed for this whaling station was drawn up in the town of Horta, on the island of Faial, on 28 April 1876. This document set out the terms of operation, which read as follows: “The whaling boat is supported by a fishing boat and, after expenses have been deducted, the net proceeds of the catch are divided equally, with one half going to the shipowners and the other half to the crew. The crew’s share is divided into 43 portions: 18 for the officer, 6 for the net-handler, 3 for each oarsman and 7 for the support boat.”





Açorianos que partiram e nunca mais voltaram / Azoreans who left and never returned




 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Padre Ernesto Ferreira da ilha de São Miguel Açores / Father Ernesto Ferreira from the island of São Miguel in the Azores

 

Manuel Ernesto Ferreira  nasceu  em Vila Franca do Campo  Açores a 23 de Março de 1880  e faleceu em  Vila Franca do Campo a  4 de Janeiro de 1943.

Manuel Ernesto Ferreira, embora tenha assinado toda a sua vida apenas como Ernesto Ferreira, foi filho de Mariano José Ferreira e de Maria da Glória Sales Ferreira, proprietários com algumas posses em Vila Franca do Campo.

Realizou os seus estudos primários com o professor Luís António de Medeiros, em Vila Franca do Campo, preparando-se para a vida eclesiástica. A partir de 1902 exerceu funções como professor interino em Vila Franca do campo, enquanto aguardava a idade mínima para ordenação como presbítero. Completou os seus estudos no Seminário Episcopal de Angra, cidade onde foi ordenado presbítero em 1903. Celebrou missa nova na sua terra natal, em 25 de Janeiro daquele ano.

Com apenas 21 anos de idade, fundou e dirigiu a revista A Phenix, publicada em Vila Franca do Campo, a qual atraiu um conjunto notável de colaboradores, recrutados entre os mais distintos intelectuais açorianos do tempo. Publicada entre 15 de Julho de 1902 e Março de 1904, a revista surpreende pela sua qualidade, tanto mais quando editada por um jovem no limitado meio da Vila Franca de então. Um dos mais notáveis colaboradores foi Manuel António Ferreira Deusdado, com o qual Ernesto Ferreira manteria uma grande comunidade de ideais políticos, nomeadamente na valorização da terra e do regionalismo como elementos definidores da nacionalidade.

Logo após a ordenação sacerdotal foi nomeado cura da freguesia das Furnas, localidade onde permaneceu até ser transferido, em 1905, para a matriz de Vila Franca do Campo, cargo que manteria até falecer. Em 1911 foi encarregue, da capelania da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo.



Manuel Ernesto Ferreira was born in Vila Franca do Campo, the Azores, on 23 March 1880, and died in Vila Franca do Campo on 4 January 1943.

Although Manuel Ernesto Ferreira signed his name simply as Ernesto Ferreira throughout his life, he was the son of Mariano José Ferreira and Maria da Glória Sales Ferreira, landowners with some property in Vila Franca do Campo.

He completed his primary education under the tutelage of Mr Luís António de Medeiros in Vila Franca do Campo, whilst preparing for a life in the Church. From 1902 onwards, he worked as a temporary teacher in Vila Franca do Campo whilst awaiting the minimum age for ordination as a priest. He completed his studies at the Episcopal Seminary in Angra, the town where he was ordained a priest in 1903. He celebrated his first Mass in his hometown on 25 January of that year.
At the age of just 21, he founded and edited the magazine *A Phenix*, published in Vila Franca do Campo, which attracted a remarkable group of contributors, drawn from among the most distinguished Azorean intellectuals of the time. Published between 15 July 1902 and March 1904, the magazine is remarkable for its quality, all the more so given that it was edited by a young man in the limited environment of Vila Franca at that time. One of the most notable contributors was Manuel António Ferreira Deusdado, with whom Ernesto Ferreira shared a strong commonality of political ideals, particularly regarding the importance of the land and regionalism as defining elements of nationality.

Shortly after his ordination as a priest, he was appointed parish priest of Furnas, where he remained until he was transferred, in 1905, to the parish church of Vila Franca do Campo, a post he would hold until his death. In 1911, he was appointed chaplain to the Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo.


Genealogias dos Açores / Genealogies of the Azores




 

Partida em 1771 da ilha do Corvo Açores para o Brasil / Departure in 1771 from the island of Corvo in the Azores for Brazil



 





quarta-feira, 1 de julho de 2026

Trabalhadores Açorianos /Azorean workers




 

Pico das Cruzinhas ilha Terceira Açores / Pico das Cruzinhas, Terceira Island, Azores

 

Encontra-se implantado no topo do pico das Cruzinhas, um dos Quatro picos do Monte Brasil, em área de grande importância paisagística e histórica para a Terceira. Integra a Reserva Florestal de Recreio do Monte Brasil.


Deste miradouro usufrui-se uma vista panorâmica sobre toda a costa sul da ilha, compreendendo os Ilhéus das Cabras, a freguesia do Porto Judeu, a Ribeirinha, a serra da Ribeirinha, o Centro Histórico de Angra do Heroísmo, a serra do Morião, a freguesia de São Mateus da Calheta e a serra de Santa Bárbara.


Entre as baías destacam-se a baía de Angra do Heroísmo, a baía do Fanal, a baía de Villa Maria. A vista privilegiada abrange ainda o Porto de Pipas, a Marina de Angra do Heroísmo e o Porto de São Mateus da Calheta. Em dias claros, avista-se ainda no horizonte, a Ilha de São Jorge e a Ilha do Pico.


Entre as atrações do local encontram-se ainda antigas peças de artilharia antiaérea da época da Segunda Guerra Mundial, o monumento ao V Centenário do Descobrimento dos Açores (1432-1932), um padrão de betão armado encimado pela Cruz de Cristo, viveiros de aves e de animais, área de piqueniques com churrasqueiras ao ar livre, anfiteatro, e um antigo paiol e guaritas do século XVII.


O Pico das Cruzinhas, como hoje é conhecido, foi também chamado de Pico das Cruzes, é o mais baixo dos três picos do Monte Brasil .  Na Carta de Linschoten vê-se por entre os Picos do Facho e do Zimbreiro, a parte superior e arredondada do Pico das Cruzinhas, em que estão três cruzes plantadas em bases distintas e que ainda, em 1642, ali existiam, devendo ser estes os símbolos da fé que deram o nome ao pico. À frente das três cruzes, ou no lugar delas, e exatamente no local onde em 1932 foi levantado o Padrão Comemorativo do V Centenário da Descoberta dos Açores, e de forma a ser bem vista da cidade, existia a base de pedra com alguns degraus da antiga forca do castelo, onde as autoridades espanholas, e muito em especial o tribunal arbitrário, aqui ilegalmente criado e presidido por João d’Orbina, governador-geral dos Açores, logo após a conquista da ilha em 1583, fizeram abafar os anseios dos terceirenses pela independência nacional, enforcando-os com a face voltada para a mesma ilha.