quarta-feira, 1 de julho de 2026
Pico das Cruzinhas ilha Terceira Açores / Pico das Cruzinhas, Terceira Island, Azores
Encontra-se implantado no topo do pico das Cruzinhas, um dos Quatro picos do Monte Brasil, em área de grande importância paisagística e histórica para a Terceira. Integra a Reserva Florestal de Recreio do Monte Brasil.
Deste miradouro usufrui-se uma vista panorâmica sobre toda a costa sul da ilha, compreendendo os Ilhéus das Cabras, a freguesia do Porto Judeu, a Ribeirinha, a serra da Ribeirinha, o Centro Histórico de Angra do Heroísmo, a serra do Morião, a freguesia de São Mateus da Calheta e a serra de Santa Bárbara.
Entre as baías destacam-se a baía de Angra do Heroísmo, a baía do Fanal, a baía de Villa Maria. A vista privilegiada abrange ainda o Porto de Pipas, a Marina de Angra do Heroísmo e o Porto de São Mateus da Calheta. Em dias claros, avista-se ainda no horizonte, a Ilha de São Jorge e a Ilha do Pico.
Entre as atrações do local encontram-se ainda antigas peças de artilharia antiaérea da época da Segunda Guerra Mundial, o monumento ao V Centenário do Descobrimento dos Açores (1432-1932), um padrão de betão armado encimado pela Cruz de Cristo, viveiros de aves e de animais, área de piqueniques com churrasqueiras ao ar livre, anfiteatro, e um antigo paiol e guaritas do século XVII.
O Pico das Cruzinhas, como hoje é conhecido, foi também chamado de Pico das Cruzes, é o mais baixo dos três picos do Monte Brasil . Na Carta de Linschoten vê-se por entre os Picos do Facho e do Zimbreiro, a parte superior e arredondada do Pico das Cruzinhas, em que estão três cruzes plantadas em bases distintas e que ainda, em 1642, ali existiam, devendo ser estes os símbolos da fé que deram o nome ao pico. À frente das três cruzes, ou no lugar delas, e exatamente no local onde em 1932 foi levantado o Padrão Comemorativo do V Centenário da Descoberta dos Açores, e de forma a ser bem vista da cidade, existia a base de pedra com alguns degraus da antiga forca do castelo, onde as autoridades espanholas, e muito em especial o tribunal arbitrário, aqui ilegalmente criado e presidido por João d’Orbina, governador-geral dos Açores, logo após a conquista da ilha em 1583, fizeram abafar os anseios dos terceirenses pela independência nacional, enforcando-os com a face voltada para a mesma ilha.
quinta-feira, 25 de junho de 2026
segunda-feira, 22 de junho de 2026
domingo, 21 de junho de 2026
Pico Matias Simão ilha Terceira Açores / Pico Matias Simão, Terceira Island, Azores
O Pico Matias localiza-se na costa nor-noroeste da ilha Terceira, na freguesia dos Altares, no extremo nordeste do concelho de Angra do Heroísmo. O topónimo será uma corruptela do nome de Martim Simão, genro de um dos primeiros povoadores e senhor de terras naquele lugar nos inícios do século XVI. Ainda no campo da toponímia, embora sem qualquer base documental, os cronistas António Cordeiro e Jerónimo Emiliano de Andrade afirmam que o Pico Matias Simão, como que um altar que vem render-se ao mar, terá estado na origem do nome da própria freguesia.
A posição dominante que o Pico assume na costa norte terceirense levou a que fosse o local escolhido para edificação de um padrão inserido nas manifestações arquitetónicas do movimento nacionalista de suporte ao regime do Estado Novo, que na década de 1940 promoveu as celebrações do Duplo Centenário e incentivou a construção de cruzeiros e de padrões em lugares de grande visibilidade. Estes cruzeiros, promovidos pela ação do cónego Moreira das Neves e historicamente coincidentes com o primeiro ano da Segunda Guerra Mundial, tiveram o propósito de comemorar a data da Fundação do Estado Português (1140) e da Restauração da Independência (1640), mas, também (e esse seria o objetivo primordial), de celebrar o Estado Novo, então em fase de consolidação.
Por iniciativa de Manuel Cardoso do Couto, clérigo altarense e ferveroso apoiante do Estado Novo, o Pico Matias Simão foi escolhido para uma dessas construções, pelo que a 8 de Dezembro de 1940 foi ali inaugurado, com grande pompa, em cerimónia presidida pelo governador civil interino, Francisco Lourenço Valadão, um padrão evocativo da Restauração da Independência, conhecido pelo Cruzeiro dos Altares. O padrão é na realidade um cruzeiro, construído segundo projeto do escultor e pintor Maduro Dias. A estrutura foi sofrendo ao longo dos anos obras de manutenção, nomeadamente depois do sismo de 1980 que o afetou de forma significativa. Nas décadas de 1950 e 1960, aproveitando os seus 153 m de altura, foi instalada no canto sudoeste do cruzeiro uma vigia ligada à atividade de caça à baleia centrada no Porto dos Biscoitos, entretanto removida.














