Páginas

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Descubra os seus antepassados / Discover your ancestors




 

António Gil da Silveira Machado Bettencourt da ilha da Graciosa Açores / António Gil da Silveira Machado Bettencourt, from the island of Graciosa, Azores


António Gil da Silveira Machado Bettencourt  nasceu na Praia da Graciosa Açores  a 3 de Junho de 1846  e faleceu  em  Angra do Heroísmo a  3 de Julho de 1883.

 António Gil foi filho do graciosense Francisco de Sousa Machado e Costa e de sua mulher, a micaelense Ana Gil de Bettencourt.


Fez a sua instrução primária na vila da Praia e os seus estudos secundários no Liceu de Angra do Heroísmo, onde ingressou em 1856. Apesar de frequentemente doente, foi um aluno brilhante.


Desde muito jovem que escreveu poesia, folhetins e bem elaborados artigos políticos e literários, que se encontram publicados em vários periódicos de Angra do Heroísmo, de Ponta Delgada e de Lisboa.

A sua melhor produção foi a poética, produzindo obras de cunho lamartiniano de grande qualidade. A sua poesia encontra-se dispersa pelos muitos periódicos em que colaborou e muita ficou inédita.


Traduziu e publicou o romance Belle-Rose de Amédée Achard. Publicou, conjuntamente com Augusto Ribeiro, o Almanaque Insulano para Açores e Madeira nos anos de 1873 e 1874, única obra que publicou em livro, já que deixou toda a sua restante produção literária dispersa por periódicos.


Fundou e redigiu, conjuntamente com José Sampaio, o semanário Os Açores. Através da imprensa foi um proponentes das comemorações nos Açores dos centenários do Marquês de Pombal e de Luís de Camões.


Foi um dos promotores da formação do Grémio Literário de Angra do Heroísmo, um grupo de intelectuais que pugnava pelo desenvolvimento literário dos Açores. Foi o editor do jornal da agremiação, o Jornal do Grémio Literário de Angra do Heroísmo, que se publicou a partir de 1868. Nele colaboraram, entre muitos outros, João Carlos Rodrigues da Costa, Francisco Maria Supico, Mendo Bem e Ernesto Rebelo.


Uma das principais actividades do Grémio Literário de Angra do Heroísmo foi a criação da Biblioteca do Grémio Literário, a primeira que nos Açores permitiu a leitura ao domicílio. O gabinete de leitura do Grémio, fundado em 1871, foi o primeiros dos Açores.




António Gil da Silveira Machado Bettencourt was born in Praia da Graciosa, the Azores, on 3 June 1846 and died in Angra do Heroísmo on 3 July 1883.
António Gil was the son of Francisco de Sousa Machado e Costa, a native of Graciosa, and his wife, Ana Gil de Bettencourt, a native of São Miguel.

He attended primary school in the town of Praia and secondary school at the Liceu de Angra do Heroísmo, which he joined in 1856. Although he was frequently ill, he was a brilliant pupil.

From a very young age, he wrote poetry, serialised stories and well-crafted political and literary articles, which appeared in various periodicals in Angra do Heroísmo, Ponta Delgada and Lisbon.
His finest work was his poetry, producing Lamartinian-style pieces of great quality. His poetry is scattered across the many periodicals to which he contributed, and much of it remained unpublished.

He translated and published the novel *Belle-Rose* by Amédée Achard. Together with Augusto Ribeiro, he published the *Almanaque Insulano para Açores e Madeira* in 1873 and 1874; this was the only work he published in book form, as the rest of his literary output remained scattered across periodicals.

He founded and edited, together with José Sampaio, the weekly newspaper *Os Açores*. Through the press, he was one of the driving forces behind the celebrations in the Azores marking the centenaries of the Marquis of Pombal and Luís de Camões.

He was one of the driving forces behind the formation of the Grémio Literário de Angra do Heroísmo, a group of intellectuals who championed the literary development of the Azores. He was the editor of the society’s journal, *Jornal do Grémio Literário de Angra do Heroísmo*, which was first published in 1868. Among many others, João Carlos Rodrigues da Costa, Francisco Maria Supico, Mendo Bem and Ernesto Rebelo contributed to it.
Uma das principais actividades do Grémio Literário de Angra do Heroísmo foi a criação da Biblioteca do Grémio Literário, a primeira que nos Açores permitiu a leitura ao domicílio. O gabinete de leitura do Grémio, fundado em 1871, foi o primeiros dos Açores.



domingo, 5 de julho de 2026

Anselmo Silveira da Silva, “Capitão Anselmo” / Anselmo Silveira da Silva, “Captain Anselmo”

 

Anselmo Silveira da Silva  na Calheta de Nesquim, Lajes do Pico Açores em  1833. Vulgarmente denominado “Capitão Anselmo” foi uma importante figura ligada à caça à baleia na ilha do Pico e em vários locais da costa atlântica dos Estados Unidos, para onde partiu em 1851.


Inicialmente com o cargo de marinheiro, com cujo salário pagou a passagem, passou a remador. Algum tempo depois passou a trancador de baleia. Depois de algum tempo na actividade subiu ao estatuto de oficial, depois a piloto do navio e dali a capitão.

Exerceu a sua actividade em vários oceanos, estendendo-se do Oceano Atlântico ao Oceano Índico passando pelo Oceano Pacífico, pelo Ártico, e Antártico. Caçou baleias nas costas da Gronelândia, no Estreito de Bering e no Alasca.


    Foi casado por duas vezes, do primeiro casamento teve três filhos, dois homens e uma mulher e do segundo com Mariana Dias teve um homem e uma mulher.

Após bastantes anos na actividade da baleeação voltou à ilha do Pico onde foi o fundador da primeira armação baleeira da ilha do Pico. Esta fundação foi efectuada na sua terra natal, a freguesia da Calheta de Nesquim, juntamente com Samuel Dabney e George Oliver, da Família Dabney, uma família americana estabelecida na ilha do Faial com origem num cônsul dos Estados Unidos na ilha.

O registo da escritura desta armação baleeira foi lavrado na cidade da Horta, na ilha do Faial no dia 28 de Abril de 1876. Neste documento ficou estipulado o modo de operar, que dizia o seguinte: “bote arriaria é apoiado do por um barco de pesca e deduzidas as despesas, o produto líquido da safra é partido ao meio, uma metade para os armadores e outra metade para as companhas. A parte das campanhas é dividida em 43 quinhões: 18 para o oficial, 6 para o trancador, 3 para cada remador e sete para o barco de apoio”.


Anselmo Silveira da Silva in Calheta de Nesquim, Lajes do Pico, Azores, in 1833. Commonly known as ‘Captain Anselmo’, he was a prominent figure in the whaling industry on the island of Pico and in various locations along the Atlantic coast of the United States, for which he set sail in 1851.

He began as a sailor, using his wages to pay for his passage, and later became an oarsman. Some time later, he became a whale harpooner. After a period in this role, he rose to the rank of officer, then became the ship’s pilot, and eventually its captain.

He worked across various oceans, ranging from the Atlantic to the Indian Ocean, via the Pacific, the Arctic and the Antarctic. He hunted whales off the coast of Greenland, in the Bering Strait and in Alaska.
    He was married twice; from his first marriage he had three children – two sons and a daughter – and from his second marriage to Mariana Dias he had a son and a daughter.

After many years in the whaling trade, he returned to the island of Pico, where he founded the island’s first whaling station. This was established in his home town, the parish of Calheta de Nesquim, together with Samuel Dabney and George Oliver, members of the Dabney family – an American family settled on the island of Faial, whose origins lay with a former United States consul on the island.
The deed for this whaling station was drawn up in the town of Horta, on the island of Faial, on 28 April 1876. This document set out the terms of operation, which read as follows: “The whaling boat is supported by a fishing boat and, after expenses have been deducted, the net proceeds of the catch are divided equally, with one half going to the shipowners and the other half to the crew. The crew’s share is divided into 43 portions: 18 for the officer, 6 for the net-handler, 3 for each oarsman and 7 for the support boat.”





Açorianos que partiram e nunca mais voltaram / Azoreans who left and never returned




 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Padre Ernesto Ferreira da ilha de São Miguel Açores / Father Ernesto Ferreira from the island of São Miguel in the Azores

 

Manuel Ernesto Ferreira  nasceu  em Vila Franca do Campo  Açores a 23 de Março de 1880  e faleceu em  Vila Franca do Campo a  4 de Janeiro de 1943.

Manuel Ernesto Ferreira, embora tenha assinado toda a sua vida apenas como Ernesto Ferreira, foi filho de Mariano José Ferreira e de Maria da Glória Sales Ferreira, proprietários com algumas posses em Vila Franca do Campo.

Realizou os seus estudos primários com o professor Luís António de Medeiros, em Vila Franca do Campo, preparando-se para a vida eclesiástica. A partir de 1902 exerceu funções como professor interino em Vila Franca do campo, enquanto aguardava a idade mínima para ordenação como presbítero. Completou os seus estudos no Seminário Episcopal de Angra, cidade onde foi ordenado presbítero em 1903. Celebrou missa nova na sua terra natal, em 25 de Janeiro daquele ano.

Com apenas 21 anos de idade, fundou e dirigiu a revista A Phenix, publicada em Vila Franca do Campo, a qual atraiu um conjunto notável de colaboradores, recrutados entre os mais distintos intelectuais açorianos do tempo. Publicada entre 15 de Julho de 1902 e Março de 1904, a revista surpreende pela sua qualidade, tanto mais quando editada por um jovem no limitado meio da Vila Franca de então. Um dos mais notáveis colaboradores foi Manuel António Ferreira Deusdado, com o qual Ernesto Ferreira manteria uma grande comunidade de ideais políticos, nomeadamente na valorização da terra e do regionalismo como elementos definidores da nacionalidade.

Logo após a ordenação sacerdotal foi nomeado cura da freguesia das Furnas, localidade onde permaneceu até ser transferido, em 1905, para a matriz de Vila Franca do Campo, cargo que manteria até falecer. Em 1911 foi encarregue, da capelania da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo.



Manuel Ernesto Ferreira was born in Vila Franca do Campo, the Azores, on 23 March 1880, and died in Vila Franca do Campo on 4 January 1943.

Although Manuel Ernesto Ferreira signed his name simply as Ernesto Ferreira throughout his life, he was the son of Mariano José Ferreira and Maria da Glória Sales Ferreira, landowners with some property in Vila Franca do Campo.

He completed his primary education under the tutelage of Mr Luís António de Medeiros in Vila Franca do Campo, whilst preparing for a life in the Church. From 1902 onwards, he worked as a temporary teacher in Vila Franca do Campo whilst awaiting the minimum age for ordination as a priest. He completed his studies at the Episcopal Seminary in Angra, the town where he was ordained a priest in 1903. He celebrated his first Mass in his hometown on 25 January of that year.
At the age of just 21, he founded and edited the magazine *A Phenix*, published in Vila Franca do Campo, which attracted a remarkable group of contributors, drawn from among the most distinguished Azorean intellectuals of the time. Published between 15 July 1902 and March 1904, the magazine is remarkable for its quality, all the more so given that it was edited by a young man in the limited environment of Vila Franca at that time. One of the most notable contributors was Manuel António Ferreira Deusdado, with whom Ernesto Ferreira shared a strong commonality of political ideals, particularly regarding the importance of the land and regionalism as defining elements of nationality.

Shortly after his ordination as a priest, he was appointed parish priest of Furnas, where he remained until he was transferred, in 1905, to the parish church of Vila Franca do Campo, a post he would hold until his death. In 1911, he was appointed chaplain to the Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo.