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sábado, 30 de setembro de 2023

O exílio nos Açores

 



António Feliciano de Castilho   Filho do Dr. José Feliciano de Castilho Barreto , médico da Real Câmara e lente de prima da Universidade de Coimbra, que depois emigraria para o Brasil, apenas regressando com D. João VI e de D. Domicília Máxima Doroteia e Silva Castilho.


Foi uma criança com dificuldades de saúde, incluindo sérios sintomas de tísica, as quais culminaram aos seis anos de idade com um ataque de sarampo que o deixou cego. Apesar de nessa altura já saber ler e escrever, a cegueira impediu-o durante toda a vida de escrever e ler, tendo de estudar ouvindo a leitura de textos e sendo obrigado a ditar toda a sua obra literária.


Aprendendo somente pelo que ouvia ou lhe diziam, Castilho conseguiu alcançar razoável erudição no latim e nas humanidades clássicas, o conhecimento superficial de algumas línguas e o conhecimento aprofundado da língua portuguesa, que lhe permitiu distinguir-se como poeta e prosador.


Sofrendo de crónicos problemas financeiros e desgostoso por ver a frieza com que fora acolhido em Portugal o seu Método Português, em 1847 partiu para os Açores, fixando-se em Ponta Delgada, cidade onde viveu até 1850.


Recebido em Ponta Delgada como um herói, rapidamente conquistou a simpatia da aristocracia local, em particular da próspera elite dos comerciantes da laranja. Vivia-se então na ilha de São Miguel um período de prosperidade económica, assente sobre a exportação de laranjas para Inglaterra, e de procura de novas culturas industriais que permitissem manter o forte sector de exportação de produtos agroalimentares que entretanto se criara.


Instalado em São Miguel, com o apoio de alguns magnatas locais, entre os quais José do Canto, Castilho dedicou-se à escrita e ao fomento cultural.


Nesse período, escreveu em Ponta Delgada o Estudo Histórico-Poético de Camões, enriquecido de curiosas notas, fundou uma tipografia, onde se imprimiu o jornal o Agricultor Michalense, a convite da Sociedade Promotora da Agricultura da ilha, que o tinha contratado. Castilho era o redactor principal, dedicando-se, para além da escrita, à realização de conferências que despertaram o amor de estudo.


Fundou a Sociedade dos Amigos das Letras e Artes, escreveu a Felicidade pela Agricultura, o Tratado de Mnemónica, o Tratado de metrificação, as Noções rudimentares para uso das escolas e traduziu os Colóquios aldeãos de Timon. "Os Colloquios aldeões de Timon : vertidos em vulgar. Ponta Delgada : Typ. Castilho, 1850" assim referenciados no catálogo da Biblioteca Nacional de Portugal, são a tradução de "Entretiens de village" (1843) do Vicomte de Cormenin (Louis Marie de Lahaye de Cormenin; 1788 - 1868), que assinava frequentemente sob o pseudónimo de Timon.


Tentou consolidar na ilha a tipografia e a gravura em madeira. Também compôs, para aplicar a poesia à música, e torná-la por isso mais atractiva, o Hymno do Trabalho, que se tornou muito popular, o Hymno dos Lavradores e o Hymno da Infância no Estudo .


Com o apoio das autarquias, por sua iniciativa criaram-se escolas gratuitas, umas de instrução primária, outras de instrução secundária e aí se ensaiou pela primeira vez a leitura repentina pelo Método Castilho.



quinta-feira, 28 de setembro de 2023

António Cordeiro

 


António Cordeiro Espinosa  nasceu em Angra do Heroísmo em 1641  e faleceu em Lisboa a  2 de Fevereiro de 1722.  Foi um sacerdote da Companhia de Jesus e historiador açoriano. Foi autor de uma das obras clássicas da historiografia açoriana - a Historia Insulana (Lisboa, 1717), tendo sido o primeiro a publicar uma opinião sobre a forma de governação do arquipélago.

Foi o sexto e último filho de António Cordeiro Moitoso e de sua esposa Maria Espinosa, aparentemente de origem graciosense.


Cursou os estudos elementares e as aulas de humanidades então existentes na cidade de Angra, destacando-se pelo seu brilhantismo, o que levou os pais, apesar de ser o filho mais novo, a abalançarem-se em o enviar para a Universidade de Coimbra, onde um irmão já cursava cânones.


Em 1656, com apenas quinze anos de idade, partiu para Lisboa, num navio que foi comboiado pela armada sob o comando do general António Teles de Menezes. Na aproximação à costa portuguesa, a armada foi obrigada a dar combate a uma esquadra de Espanhola, sendo desbaratada e ficando António Cordeiro, e seu irmão Pedro Cordeiro de Espinosa (mais tarde doutor em cânones, professor na Universidade de Coimbra e deão e comissário da Cruzada na Capitania da Bahia, no Brasil), prisioneiros dos Espanhóis.


Retidos a bordo da nau capitânia inimiga, dezassete dias depois assistiram a novo combate naval, desta vez entre Espanhóis e Ingleses, com a derrota dos primeiros, sendo a capitânia obrigada a arribar a Cádiz para reparação das avarias. Durante a estadia em Cádiz, António Cordeiro tentou uma fuga, sendo preso. Apelando da punição que lhe era dada, foi levado à presença do comandante supremo da força, António de la Cerda y Dávila, o 7.º duque de Medinaceli, o qual se impressionou pelo brilhantismo do jovem e lhe concedeu salvo-conduto para Portugal.

Contudo as atribulações do jovem Cordeiro não cessaram: ao atravessar o Algarve deparou-se com uma epidemia de peste, pelo que, ao chegar a Setúbal, foi detido e mantido em quarentena. Terminada esta, finalmente chegou a Coimbra e iniciou os seus estudos.


Estudou Filosofia no Colégio da Companhia de Jesus, onde conduziu os seus estudos com excecional brilho. Terminado o curso, a 12 de Junho de 1657 ingressou na Companhia e, pouco depois, no curso de Cânones da Universidade de Coimbra.



Terminou os seus estudos universitários em 1676, iniciando de imediato a sua carreira de Mestre da Companhia de Jesus, e de professor em Coimbra. Entre 1676 e 1680 lecionou Filosofia, e deste ano a 1696, Teologia Escolástica e Moral Teológica.


Em 1696 foi transferido para Braga, onde lecionou no Colégio da Companhia e na cúria primacial. De Braga partiu para o Colégio do Porto, onde permaneceu oito anos, e finalmente foi colocado no Colégio de Santo Antão, em Lisboa, onde permaneceu até ao fim de sua vida.


Para além do seu labor como professor da Companhia de Jesus, foi pregador afamado, percorrendo diversas dioceses integrado nas missões catequéticas e de reforma dos costumes organizadas pelos jesuítas. Missionou em Braga, Viseu, Pinhel, Torres Novas e muitas outras localidades.



Forte de Santo António Vila do Porto Judeu ilha Terceira

 

Foi uma das fortificações erguidas na Terceira no contexto da crise de sucessão de 1580 pelo então corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, conforme o plano de defesa da ilha elaborado por Tommaso Benedetto em 1567, após o ataque do corsário francês Pierre Bertrand de Montluc ao Funchal (outubro de 1566), intentado e repelido em Angra no mesmo ano (1566):


"Não havia naquele tempo [Crise de sucessão de 1580] em toda a costa da ilha Terceira alguma fortaleza, excepto aquela de S. Sebastião, posto que em todas as cortinas do sul se tivessem feito alguns redutos e estâncias, nos lugares mais susceptíveis de desembarque inimigo, conforme a indicação e plano do engenheiro Tomás Benedito, que nesta diligência andou desde o ano de 1567, depois que, no antecedente de 1566, os franceses, comandados pelo terrível pirata Caldeira, barbaramente haviam saqueado a ilha da Madeira, e intentado fazer o mesmo nesta ilha, donde parece que foram repelidos à força das nossas armas." 



A seu respeito, DRUMMOND registou: "Continuou-se o forte de Santo António no porto do Porto Judeu; (...)." E em nota, complementa: "Edificou-se este forte, que é um dos mais defensáveis, na propriedade do capitão do André Gato, e se lhe deu o nome do orago da freguesia."


No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714) encontra-se referido como "O Forte de Santo António." na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710".


Com a instalação da Capitania Geral dos Açores, o seu estado foi assim reportado em 1767:


"3° - Forte de Santo António de Porto Judeu. Precisa de porta nova, e a muralha principal que olha ao nascente, precisa ser feita de novo, porque se acha de pedra em secco, a qual he muito util para a sua defensa, tem tres peças de ferro capazes com os seus reparos bons e precisa mais hua, com o seu reparo. Precisa para se guarnecer quatro artilheiros e dezeseis auxiliares."



Encontra-se referido como "2. Forte de S.to Ant.º de Porto Judeu" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que lhe relata a ruína:

"Hade mister a caza da guarda feita de novo, o torrião, guarita, a muralha da parte do porto, hú tilheiro p.ª se recolher a Artelharia, e todo elle deve ser rachado, guarnecido, e rebocado, e o seu portão novo."

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) voltou a revestir-se de importância estratégica, constando o seu alçado e planta na "Colecção de Plantas e Alçados de 32 Fortalezas dos Açores, por Joze Rodrigo d'Almeida em 1830", atualmente no Gabinete de Estudos de Arquitetura e Engenharia Militar, em Lisboa.

A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 informa que "As muralhas e alojamentos carecem de pequenos consertos."


Quando do Tombo de 1881, foi encontrado abandonado, em relativo bom estado.

Ao final do século XX, com base em antigas plantas, a Junta de Freguesia projetava proceder à sua reconstrução e requalificação.[carece de fontes]

O forte situa-se junto do porto de pesca e ainda existem ruínas da muralha do lado sul.



terça-feira, 26 de setembro de 2023

Marcelo Correia

 


Marcelo Correia nasceu no dia 1 de Agosto de 1972, no Rio de Janeiro, Brasil.

Neto de terceirenses, naturais do Concelho de Angra do Heroísmo, é um fotógrafo que colabora, regularmente, com diversas publicações brasileiras, nomeadamente na realização de retratos e ensaios fotográficos.

As suas fotografias já publicadas nas páginas de revistas como a Lola, Elle, Trip, Cláudia, Quem, Gol, Vip, Veja, Época, PME, PEGN, Criativa, Sem Número, Men’s Health, entre outras. Marcelo Correa trabalha, também, com agências de design e publicidade, participando em projectos relacionados com livros e CD’s, entre os quais se encontram os discos de Luiz Melodia e Alceu Valença.


O projecto “Forró dos Sentidos”, uma documentação poética, valeu-lhe a Bolsa Vitae, tendo sido seleccionado entre os melhores portefólios apresentados no Fotorio 2003 e Fotoarte Brasília 2004. Em 2012, foi finalista do Prémio Conrado Wessel com o projecto “Até um outro amanhecer”.


Entre as várias exposições que já realizou, destaca-se a “Eu Ilha”, realizada em 2008, na ilha do Faial, Açores. Participou no Workshop “Gestos e Gentes do Carnaval Terceirense”, realizado em Fevereiro de 2006, pela Direcção Regional das Comunidades, na ilha Terceira.


Já participou em mais de uma dezena de exposições colectivas. Uma das suas imagens serviu de cartaz e material promocional do Estivales de Perpignan por ocasião do ano do Brasil em França, em 2005, e outra participou na Designmai, em Berlim, a convite do designer Felipe Taborda, em 2006.


É sócio fundador do Estúdio Fotográfico 1000 Palavras e ex-professor na escola Atelier da Imagem.



segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Vila do Porto Judeu ilha Terceira Açores

 


Desconhece-se a data de criação da freguesia, primitivamente denominada como Porto Judeu de Santo António e também de Porto do Judeu. Segundo a tradição, aqui terão desembarcado os primeiros povoadores da Terceira. Entre as lendas mais conhecidas que buscam justificar a toponímia, refere-se que Jácome de Bruges, primeiro capitão do donatário, aqui terá desembarcado a 1 de Janeiro, premido pelo mau tempo e pela necessidade de abrigo naquela data. Como a enseada do porto é de pequenas dimensões, não oferendo grandes condições de abrigo, e por naquele tempo chamar-se de "judeu" a tudo que fosse mau, afirma-se que o ancoradouro foi por essa razão chamado de Porto Judeu. Outra tradição local, pretende que, com Jácome de Bruges vinha um Judeu, e que entre ambos, no momento do desembarque, terá se travado o seguinte diálogo:



Jácome Bruges: "- Salta, judeu, senão salto eu." Judeu: "Salto e o porto será meu."


Embora não tenham chegado até nós fontes documentais sobre a fundação da freguesia, a informação do povoamento coevo ao da ilha é confirmada pelo fato da construção da igreja paroquial ser anterior a 1470.



sexta-feira, 22 de setembro de 2023

O diário de um inglês nos Açores no século XIX

 



O diário de um inglês nos Açores no século XIX

A obra do viajante inglês John Fowler foi traduzida para português e revela pormenores da vida dos açorianos em 1830, desde costumes, atividades económicas, política e segurança militar.


Foi por caso que a investigadora Elisa Gomes da Torre encontrou a obra de John Fowler na biblioteca da Universidade de Oxford, durante um período que esteve na universidade como visiting fellow.


O nome do livro do viajante inglês não fazia prever que no interior estivesse um capítulo dedicado a um naufrágio nos Açores em 1830. "O título 'O Diário de uma Viagem ao Estado de Nova Iorque' não indicia o que se vem a contar e eu tive a sorte ocasional de me deparar com o livro", contou a investigadora.



John Fowler é um inglês que faz uma viagem pelo estado de Nova Iorque nos Estados Unidos da América, com o objetivo de procurar informação sobre as condições para os ingleses que querem imigrar e instalar-se na América. No regresso a Inglaterra, a bordo do Robert Fulton, barco americano com carregamento de farinha, sofre um naufrágio. "É uma autentica tragédia porque eles naufragam a tentar ajudar outra barca", explicou a tradutora.


Todos os 114 passageiros a bordo se salvaram e conseguiram alcançar a costa da Ilha das Flores, onde foram acolhidos pelos habitantes da ilha. Elisa Gomes da Torre decidiu traduzir um excerto da obra para português devido à descrição detalhada da vida na ilha no século XIX.




"A reclusão das mulheres, que não saem de casa. Quando saem, usam aquele capote que lhes tapa completamente a cara. E as que não têm usam lenços a tapar também o rosto. Da classe masculina mais bem instalada na ilha, ele critica sobretudo a indolência. Porque não trabalham e nem se ocupam com desporto, por exemplo. É uma coisa que lhe mete impressão. Uma ilha com tanta caça e eles não caçam. Não passeiam. Para ele é uma é uma autêntica surpresa, como é que com tantos recursos naturais, aqueles homens não fazem absolutamente nada, na opinião dele", detalhou.


Apesar de se deslumbrar com a beleza natural das Flores, John Fowler faz uma dura análise ao contexto político da ilha, numa altura em que Portugal enfrentava a guerra entre liberais e miguelistas. "Há uma crítica muita acesa ao que ele chama a tirania e o despotismo do regime de D. Miguel, na altura das lutas liberais. Ele salvaguarda que só a ilha Terceira é que segue a causa da D. Maria. Tudo o que é referente a poder e política é arrasador. Diz inclusivamente que o povo se sujeita numa servidão completamente mansa à tirania", explicou a tradutora.


Elisa Gomes da Torre refere que é importante fazer um contexto político do personagem para ler "Diário de um náufrago nas Flores e no Faial. John Fowler - Viajante a bordo do Robert Fulton". John Fowler é inglês, liberal, de igreja protestante anglicana "e isto é importante para perceber algumas observações que ele faz quando chega à ilha".


A religião tem uma atenção especial na obra do viajante, porque funciona como algo "exótico para o espírito liberal e anglicano [de Fowler] a começar pela imponência da fachada da igreja. Ainda hoje a matriz de Santa Cruz das Flores é de uma imponência muito grande. Em comparação, ele diz que as pessoas vivem em autênticas choupanas", contou a tradutora.


Através do diário, o viajante realça a beleza da ilha, o clima e a amabilidade das pessoas. John Fowler descreve ainda o leilão dos destroços do navio e da sua carga e conta que os náufragos acabaram por viajar até à Horta, antes de seguirem para Inglaterra. John Fawler dedicou parte da obra aos Dabney, a família norte-americana que marcou a história da ilha durante o século XIX.


"Diário de um náufrago nas Flores e no Faial. John Fowler - Viajante a bordo do Robert Fulton", traduzido por Elisa Gomes da Torre, professora auxiliar da Universidade de Trás-os-Montes, foi publicado pelo IAC, o Instituto Açoriano de Cultura. O livro está disponível nas livrarias açorianas ou online, na página do IAC.

(  Cortesia TSF )



quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Cronologia de desastres naturais nos Açores de 1713 a 1800

 


1713 — Inundações na vila de Velas, ilha de São Jorge - A 10 de Dezembro deste ano, chuvas muito intensas na zona entre a Urzelina e os Rosais provocaram grandes inundações, destruindo 27 casas na vila de Velas. A Ribeira do Almeida veio tão carregada de caudal sólido que criou uma praia que permitia a passagem a pé entre a vila e a Queimada.


1713 — Erupção de lamas e gases do Pico das Camarinhas, ilha de São Miguel - Após várias semanas de contínuos abalos, em finais de Dezembro de 1713 apareceram nas faldas do Pico das Camarinhas "lamas quentes" e gases, tendo a manifestação vulcânica ficado por essa fase. A crise sísmica destruiu muitas casas nos Ginetes, Mosteiros e Candelária.


1713-1714 — Mau ano agrícola, fome e peste - Um mau ano agrícola, a que não foi alheio ciclone tropical de 25 de Setembro de 1713, levou a que em São Jorge fosse tal "a falta de mantimentos que chegou a morrer muita gente de fome". No Pico, o povo teve de recorrer a comer "socas e raízes" para sobreviver. Noutras ilhas também as colheitas falharam e grassou a fome. Como se tal não bastasse uma epidemia de peste provocou alguns milhares de mortos. No Pico terão morrido 5.000 pessoas e no Faial 500 pessoas, entre as quais 49 religiosos dos conventos da Horta.



1717 — Grande crise sísmica de 1717 na ilha Graciosa, causando grande destruição nas freguesias de Guadalupe e de Luz. Desta crise sísmica resultou o voto, ainda cumprido na actualidade, de fazer uma procissão desde o Guadalupe até a Ermida da Ajuda, no Monte da Ajuda em Santa Cruz da Graciosa.


1717-1718 — Epidemia no Faial - De Novembro de 1717 a Fevereiro de 1718 grassou no Faial uma epidemia de "pleurizes" (peste bubónica) que causou muitas mortes. Em Novembro morreu grande parte dos moradores dos Cedros, o mesmo acontecendo em Castelo Branco e Flamengos. Fizeram-se procissões e preces públicas.


1718 — Erupção em Santa Luzia do Pico - A 1 de Fevereiro, pelas 6 da madrugada, ouviu-se uma "espantosa trovoada que encheu de terror os hortenses" e iniciou-se uma erupção vulcânica entre as Bandeiras e Santa Luzia, surgindo torrentes de lava que rapidamente formaram um extenso mistério (o Mistério de Santa Luzia) que penetrou mar adentro. Ver localização do centro eruptivo.



1718 — Erupções em São Mateus e São João do Pico - Na madrugada do dia 2 de Fevereiro, com enormes estrondos acompanhados de violentos sismos deu-se uma explosão no lugar da Bragada, entre São Mateus e São João. Começou logo "o fogo a correr em caudalosas ribeiras para o mar, na distância de duas léguas, formando um vasto mistério". No dia 11 de Fevereiro rebentou no mar, a distância de 50 braças da terra, defronte da igreja de São João, emitindo grandes pedras ardentes que devastaram aquela freguesia. A 24 daquele mês, uma nova erupção iniciou-se no caminho que liga São João ao Cais do Pico em lugar sobranceiro à freguesia de São João. As erupções cessaram a 15 de Agosto, recomeçando em Setembro. A actividade terminou em princípios de Novembro. Ver localização do centro eruptivo.



1720 — Erupção no Soldão, Lajes do Pico - A 10 de Julho iniciou-se por "dezasseis bocas nas faldas do Pico, por detrás do cabeço do Soldão" uma erupção que "inundou de fogo" perto de uma légua quadrada, consumindo terras e vinhedos e destruindo 30 casas "cujos moradores salvaram suas vidas fugindo precipitadamente". A erupção foi precedida de numerosos sismos e perdurou até Dezembro daquele ano. Ver localização do centro eruptivo.


1720 — Erupção no Banco D. João de Castro origina uma ilha efémera - No dia 10 de Outubro viu-se da ilha Terceira, a alguma distância dela, sair do mar um grande fogo. Marítimos que foram observar de perto o fenómeno viram uma ilha toda de fogo e fumo, de onde uma prodigiosa quantidade de cinzas eram lançadas no ar com o ruído de um trovão. A erupção foi precedida de muitos tremores, sentidos na Terceira e na costa oeste de São Miguel. A ilha formada era quase redonda e suficientemente alta para ser avistada de 7-8 léguas de distância. Perdurou até finais de 1723, sendo desfeita pelo mar.



1730 — Sismo causa destruição na freguesia da Luz, Graciosa - A 13 de Junho um violento sismo provocou destruição generalizada na freguesia da Luz, ilha Graciosa.


1732 — Cheias provocam 5 mortos em São Jorge - A 6 de Dezembro grandes cheias provocaram destruição em São Jorge, matando 5 pessoas. Os lugares mais afectados foram Urzelina, Figueiras, Serroa e Velas.


1744 — Ciclone tropical causa grandes cheias - A 5 de Outubro "caíram nestas ilhas copiosíssimas chuvas que inundaram as terras correndo em caudalosas ribeiras". Em resultado dessas cheias, na Prainha do Galeão (Pico) morreram 7 pessoas arrastadas ao mar; na Prainha do Norte (Pico) morreram 6 pessoas e outras 5 pereceram em São Roque (Pico). Em São Miguel também houve mortes em Agua de Pau e nos Fenais.



1745-1746 — Mau ano agrícola provoca fome e emigração em massa - Em resultado das cheias de 1744 e do mau ano agrícola que se seguiu, em 1746 faltaram os cereais, havendo fome generalizada nos Açores. No Pico, o povo "recorreu a socas e raízes para manter a vida e faltando-lhe mesmo esse mísero alimento emigrou para as mais ilhas". Em resultado da desnutrição grassavam as doenças, fazendo grande mortandade. Face a esta situação, por alvará régio foi autorizada a emigração para o Brasil, tendo partido pelo menos 1600 pessoas.


1755 — Maremoto atinge os Açores - O Terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755 provocou o grande maremoto de 1755 (um tsunami) que atravessou a área oceânica onde os Açores se situam, afectando essencialmente as costas viradas a sul e sueste, direcção de onde as ondas se aproximaram das ilhas. O maremoto fez com que "estando o mar em ordinária tranquilidade, se elevou tanto em três contínuas marés ficando quase seca a sua profundidade por largo espaço". Assim, em Angra o mar entrou até à Praça Velha, causando grande destruição; no Porto Judeu o mar subiu "10 palmos acima da rocha mais alta"; na Praia, inundou o Paul e derrubou 15 casas na costa até à Ribeira Seca, incluindo a ermida do Porto Martins. Morreram várias pessoas arrastadas pelo mar. Quase todos os portos dos Açores sofreram graves danos, ficando destruídas muitas embarcações. Em Ponta Delgada o mar subiu pelas ruas estragando muitos edifícios. Na Horta, o mar entrou pela Ribeira da Conceição, chegando aos moinhos de água "na altura de 8 palmos".


1757 — Grande terramoto de São Jorge: o Mandado de Deus - Em 9 de Julho de 1757 um dos mais violentos, senão o mais violento, dos terramotos de que há memória nos Açores atingiu a ilha de São Jorge causando destruição generalizada e formando muitas das actuais fajãs, entre elas a da Caldeira de Santo Cristo. O terramoto ficou conhecido na tradição popular pelo Mandado de Deus. Dos grandes deslizamentos resultou um maremoto que atingiu todo o Grupo Central. Pelo menos 1053 pessoas morreram em São Jorge e 11 no Pico. O terramoto foi tal que a norte desta ilha, distância de 100 braças, pouco mais, se levantaram dezoito ilhotas, umas maiores que outras. Apareceram todas na manhã do dia 10 [de Julho]. É navegável o mar entre as ditas, e a ilha. Nas Fajãs dos Vimes, São João e Cubres, se moveu a terra, voltando-se do centro para cima, de sorte que nelas não há sinal [de] onde houvesse edifício. No Faial o sismo foi sentido sem causar grandes danos.


1759-1760 — Crise sísmica de 1759-1760 no Faial - Em 24 de Dezembro de 1759 foi sentido um grande sismo no Faial, seguido de muitas réplicas. A 4 de Janeiro um sismo ainda maior causou o pânico, tendo sido deliberado ir "à Praia do Almoxarife a buscar a imagem do Senhor Santo Cristo que em solene procissão trouxeram para a igreja da Misericórdia". A crise sísmica apenas deixou de ser sentida em Maio, tendo-se celebrado solene Te-Deum.





1761 — Erupção vulcânica no Pico Gordo, Terceira - Sentiam-se desde 22 de Novembro de 1760 grandes e violentos tremores que continuaram até 14 de Abril do ano seguinte, dia em que tremeu a terra estranhamente. No Faial os sismos eram sentidos, "ainda que brandos". A 17 de Abril iniciou-se a erupção nas proximidades do Pico Gaspar, a W do Pico Gordo, sendo emitidas lavas traquíticas muito viscosas que formaram uma doma. A 21 de Abril, nova erupção, desta vez a leste do Pico Gordo, na Criação do Chama, iniciou a emissão de lavas basálticas muito fluídas que formaram três correntes de lava, uma das quais atingiu os Biscoitos, onde soterrou 27 casas, terminando nas imediações da igreja de São Pedro, a cerca de 7 km do local da erupção.


1761 — Ciclone tropical atinge o Grupo Central - A 29 de Setembro de 1761 foi a Terceira atingida por um temporal "por efeito do qual ficaram derrubadas muitas casas e arrancadas muita quantidade de árvores". Copiosas chuvas fizeram transbordar as ribeiras.


1779 — Ciclone tropical atinge o Grupo Central - Na noite de 30 para 31 de Outubro levantou-se um rijo temporal que trouxe à costa 7 navios e arruinou as muralhas da Horta.


1779 — Epidemia nas Flores - Grassaram neste ano na ilha das Flores febres mortíferas de que morreu muita gente.


1785 — Mau ano agrícola provoca fome - Foi este ano muito escasso em cereais em todo o arquipélago. Na ilha das Flores morreram algumas pessoas de falta de alimentos.


1787 — Crise sísmica na Graciosa - Em Março deste ano, uma crise sísmica abalou a ilha Graciosa sem, contudo, causar danos consideráveis.



1792 — Enchente de mar vila de Velas, São Jorge - A 23 de Janeiro deste ano, foi "tão impetuosa a bravura do mar" que derrubou a muralha de protecção, destruiu uma casa e danificou outras, ameaçando atingir a praça defronte da Matriz de Velas.



1800 — Terramoto no NE da Terceira - Na tarde do dia 24 de Junho, um terramoto destruiu boa parte dos edifícios das freguesias do NE da Terceira, atingindo mais intensamente as povoações situadas entre a Vila Nova e a vila de São Sebastião. Foi seguido de uma grande réplica a 29 de Dezembro. Não causou mortos, mas os danos materiais foram grandes. Leia mais sobre o terramoto de 1800.



quarta-feira, 20 de setembro de 2023

O Conde da vila de São Sebastião ilha Terceira Açores

 


Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos (Alcochete, 155? – Lagny-sur-Marne, 1606), conde da vila de São Sebastião (por D. António I de Portugal),  distinguiu-se como corregedor dos Açores durante a crise de sucessão de 1580, tendo governado o arquipélago durante o período conturbado que se seguiu à aclamação nas ilhas de D. António, Prior do Crato como rei de Portugal. A ele se deve a fortificação e organização da defesa da ilha Terceira que levou à vitória na Batalha da Salga.

Era filho de Sebastião Gomes de Figueiredo e de D. Antónia Fernandes de Vasconcelos, filha do arcebispo de Lisboa D. Fernando de Meneses Coutinho e Vasconcelos. Por este lado descendia dos Meneses da rainha Leonor Teles.


Em 1576 foi nomeado por Sebastião de Portugal para o cargo de corregedor dos Açores.

Foi a sua frase Antes morrer livres que em paz sujeitos que passou a ser a divisa dos Açores,  é retirada de uma carta escrita a 13 de fevereiro de 1582 por Ciprião de Figueiredo, no cargo de corregedor dos Açores, a Filipe II de Espanha. Naquela missiva recusava a sujeição da ilha Terceira em troca de mercês várias, afirmando: "... As couzas que padecem os moradores desse afligido reyno, bastarão para vos desenganar que os que estão fora desse pezado jugo, quererião antes morrer livres, que em paz sujeitos. Nem eu darei aos moradores desta ilha outro conselho... porque um morrer bem é viver perpetuamente...".


D. António em prémio da fidelidade do corregedor, quando o chamou a Paris, agraciou-o com o condado da vila de São Sebastião, localidade em cujos arrabaldes se travou a referida Batalha da Salga.


Era irmão de Duarte de Figueiredo e Vasconcelos, que possuía o prazo de Veloso que lhe dera o avô sendo bispo de Lamego. Esse prazo foi aumentado, porque ele serviu antes Filipe II de Espanha. Quando da Restauração da Independência, João IV de Portugal não tirou também aos Figueiredos os seus direitos em favor de outros que o aclamaram; um filho daquele Duarte serviu D. João IV, como seu pai servira D. Filipe II.



sábado, 16 de setembro de 2023

CASA DE CAMPO DO TI' JOSÉ BORGES

 


Aqui nasceu em 1889. José Borges foi um “homem bom” da, então, freguesia das Lajes, conhecido pelas suas qualidades pessoais como proprietário e conceituado agricultor e pelo bem que fez aos outros e à sua terra. Como reconhecimento da sua personalidade, a rua que dá acesso à “Casa Ti José Borges” tem o seu nome.


José Borges Leal de Menezes Júnior, de seu nome completo, descende das mais antigas e representativas famílias da ilha Terceira, sendo que o ramo geneológico do qual descende directamente se fixou nas Lajes desde o século XVI.


Com efeito, José Borges descende directamente de Gaspar Camelo do Rego, ouvidor, capitão-mor, vereador e juiz ordinário da Praia da Vitória, onde viveu, vindo da ilha de São Miguel, nos finais do século XVI e início do século XVII, tendo casado com D Catarina Cardoso Evangelho trisneta de Álvaro Martins Homem, “fidalgo da casa da Infanta D. Beatriz”, que “veio para a Terceira cerca de 1461 e foi o 1º capitão donatário da Praia, por carta da dita infanta, dada em Évora a 14.2.1474”.

Situada na Vila das Lajes, ilha Terceira, a 1 km do aeroporto e a 8 km do porto oceânico, numa zona conhecida por Ramo Grande, constituída por uma vasta planície na qual se produziam das maiores quantidades de trigo e milho dos Açores e onde se situa o solar de uma raça bovina autóctone.



No Verão de 2004, iniciou-se a recuperação de uma casa com traços de cariz rural, erigida essencialmente em pedras de cantaria – Lajes – que dão origem ao nome da localidade onde se situa. Trata-se de uma habitação de família do século XIX, com toda a sua estrutura original, chaminé de “mãos postas”, forno e fogão de pedra. Para além da comodidade aconchegante das madeiras e pedras naturais em que está construída, oferece cozinha e lavandaria totalmente equipadas, w.c., 2 quartos duplos e sala com sofá-cama. Poderá, ainda, usufruir de uma área de lazer com árvores de fruta e ornamentais, plantas aromáticas utilizadas para infusões típicas da ilha, bem como, instrumentos e peças ligadas à vida rural do Ramo Grande, para além de churrasqueira e parque de estacionamento privado.


Daqui pode conhecer a cidade de Angra do Heroísmo (a 20 km), património da humanidade, e a cidade da Praia da Vitória (a 5 km) com o maior areal dos Açores e as suas festas populares - "Sanjoaninas" e Festas da Praia – as touradas à corda e o Carnaval único no mundo que aqui se realiza. Pode, ainda, desfrutar do mar, da rica gastronomia regional, das maravilhas naturais, históricas e belas paisagens que caracterizam a ilha!


Na Casa Ti´José Borges, encontra animais domésticos, pode, ainda, experimentar a ordenha manual da vaca, seguir o ciclo do milho, passear de carroça, montar a cavalo ou de burro ou, simplesmente, descansar. Aqui, uma família ou um grupo de amigos têm tudo o que podem desejar para umas férias inesquecíveis."


Estamos, assim, perante uma casa que identifica o viver típico de uma zona importante da vida económica, social e cultural da ilha Terceira, ao mesmo tempo que representa séculos da História da ligação de uma família a um lugar. Dos primeiros povoadores da ilha até aos nossos dias, muito tempo passou e muita gente viveu esta terra. Esta casa, pela obra de preservação e recuperação que lhe dedicaram os seus actuais proprietários – neto de José Borges Leal de Menezes -, é, na verdade, uma sentida homenagem aos antepassados e à ilha! No fundo, às gentes e à terra!...



Constantino José Cardoso

 


Constantino José Cardoso nasceu na freguesia das Fontinhas do Concelho da Praia da Vitória, desta ilha Terceira, 23 de agosto de 1864, e faleceu nesta cidade, em 5 de março de 1938.


Em 1880 fez exame de instrução primária que foi a sua única habilitação literária. Contando apenas quatorze anos de idade, levava o "Angrense", para a dispensa do império das Fontinhas e lia-o ao povo fazendo apologia dos progressistas, o povo na sua maior parte regenerador aplaudia-o e aceitava-lhe a doutrina.


Nos  anos  seguidos de 1887 a 1892 fez parte da Câmara Municipal da Praia da Vitória, tendo sido eleito presidente nos últimos quatro anos, iniciando assim a sua gloriosa carreira política, nas fileiras do partido progressista, como prometera no impressionante discurso que aos dezessete anos de idade, pronunciou das janelas do palácio do Conde da Praia da Vitória, ao lado de Castelo Branco, Teotónio Paim e de outros Políticos dos mais categorizados, que o abraçavam surpreendidos e comovidos pela brilhante e convicta do jovem orador.


Em 1890, foi nomeado advogado processionário da comarca da mesma vila, e em 1909 da comarca de Angra, lugar que exerceu até à data da sua morte.


Em 12 de Outubro de 1895, foi nomeado secretário da Câmara Municipal da mesma Vila, cargo de que foi exonerado, a seu pedido em 30 de Agosto de 1905.


Em 13 de Fevereiro e 12 de maio de 1897, foi nomeado administrador do mesmo concelho. Em 27 de Junho de 1906, foi nomeado subdelegado da comarca da mesma vila, de que foi exonerado a seu pedido em 2 de abril de 1910, tomou posse do lugar de secretário da Policia Repressiva de Emigração Clandestina, nesta cidade. Em 5 de janeiro de 1911, foi nomeado Juiz auditor deste distrito. Em 10 de Agosto do mesmo ano tomou posse do cargo de Juiz substituto do de Direito desta comarca, cargo que exerceu até à data da publicação do decreto que nomeou os juízes substitutos legais.


Em 1912, foi nomeado amanuense da Junta Geral deste Distrito. De 29 de Janeiro de 1912 até 1914, fez parte da Comissão Administrativa da Câmara Municipal deste concelho. Em 5 de Setembro de 1918, foi nomeado chefe da 1ª Repartição e subchefe da secretaria da Junta Geral deste Distrito, de que era oficial, tendo sido em 1932, nomeado chefe da 3ª Repartição e chefe interino da Secretaria. No dia 26 de Fevereiro de 1919, tomou posse e entrou no exercício das funções de Governador Civil efectivo deste Distrito tendo sido novamente nomeado para o mesmo cargo em 9 de Agosto de 1920.


Em 21 de Dezembro de 1924, foi eleito vice-presidente da Assembleia geral da Caixa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, e foi sucessivamente reeleito em 10 de Dezembro de 1927 e 14 de Dezembro de 1930, tendo sido, em janeiro de 1931 eleito presidente da mesma assembleia. Foi desde 1929 até à data da sua morte o único advogado da Caixa Geral de Depósitos, tendo-se feiro nos relatórios da Gerência dos anos 1929, 1930,1931, elogiosas referências aos distintos serviços por ele prestados no exercício daquelas funções.


Em 1932 foi nomeado chefe da secretaria da Junta Geral deste Distrito.


Foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia da Vila da Praia da Vitória, Presidente da Comissão de Recenseamento Eleitoral, procurador à Junta Geral pelo concelho da Praia da Vitória, foi presidente da comissão da União nacional neste Distrito.