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quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Armada das ilhas

 


A denominada Armada das Ilhas era uma das diversas armadas da Marinha Portuguesa, anualmente enviada pela Coroa com a missão de escoltar as naus da Carreira da Índia, cujo ponto de reunião no Atlântico Norte era a baía de Angra do Heroísmo.

A Armada das Ilhas foi criada sob o reinado de Manuel I de Portugal, quando fez publicar o "Regimento para as naus da Índia nos Açores". Essa publicação ocorreu com a do cargo de Juiz das Alfândegas (ou "Juízes do Mar"), ambas em 1520. Essas providências foram complementadas em 1527, sob o reinado de João III de Portugal, com a criação da Provedoria das Armadas, sediada em Angra.

A composição anual da Armada das Ilhas variava, tanto em número quanto na capacidade das suas embarcações. Era composta preferencialmente por caravelas ou similares, fortemente artilhados, e com boas qualidades veleiras.

Essas embarcações partiam do porto de Lisboa entre os meses de Março a Maio, navegando até à altura das Berlengas, e daí seguindo, pelos 40º de latitude Norte, até à Ilha Terceira. Aqui, em Angra, eram recolhidas as informações disponíveis acerca das atividades de piratas ou corsários, enviando de imediato vigias para a altura da Ilha do Corvo. O local de espera das embarcações da Armada deveria ser, no máximo, a 40 ou 70 léguas a Oeste do Corvo, devendo manter-se embarcações entre o Corvo e as Flores, agrupadas, pelo menos, duas a duas. Algumas delas deveriam escoltar as naus da Índia até Angra e, por vezes, mesmo até Lisboa. A missão de vigilância consumia cerca de quatro meses, registando-se o seu regresso a Lisboa apenas com a última das naus esperada da Índia para aquele ano.



A montagem deste sistema obrigou à articulação de esforços não apenas entre o Provedor e as demais autoridades na Terceira, mas também daquele as das ilhas dos Grupos Central e Ocidental do arquipélago. Especial atenção era dada à comunicação com as "justiças" (autoridades) do Corvo, que tinham a seu cargo a tarefa de vigiar as naus e, tão logo fossem avistadas, mandar-lhes aviso para singrarem sem demora para Angra.


A atividade das Armadas das Ilhas declinou a partir do século XVI até que, em meados do século XVII se encontrava quase inoperante. Contribuíram para esse declínio não apenas o aumento das ameaças navais na região no período, mas também a diminuição da capacidade de defesa naval portuguesa.




terça-feira, 15 de novembro de 2022

Carreira da Índia e a cidade de Angra do Heroísmo ilha Terceira Açores

 


A chamada Carreira da Índia era a ligação marítima anual entre Lisboa e Goa, e vice-versa, pelas Armadas da Índia, que se iniciou logo após a descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama inaugurar a rota do Cabo.

Essa ligação perdurou de 1497 até ao advento da navegação a vapor e a abertura do Canal do Suez, no século XIX.

Entre as escalas regulares da carreira, a ilha de Moçambique e nos Açores a Baía de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira alcançaram importância estratégica, tornando-se um dos pontos de encontro das embarcações eventualmente desgarradas na viagem de ida, assim como porto de ancoragem das que eventualmente se atrasassem e perdessem a monção. Por essa razão na ilha de Moçambique foi construída uma poderosa fortificação (Fortaleza de São Sebastião) e de um hospital.


Nos Açores a Armada das ilhas tinha por função a protecção das naus que da Índia passavam pelo arquipélago a caminho de Lisboa.




segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Ordenações Afonsinas

 


Os portugueses começaram a povoar as ilhas por volta 1432, oriundos principalmente do Algarve, do Alentejo, da Estremadura e do Minho, tendo-se registado, em seguida, o ingresso de flamengos, bretões e outros europeus e norte-africanos.


Desde logo e dada a necessidade de defesa das pessoas, da manutenção de uma posição estratégica portuguesa no meio do Atlântico e da imensa riqueza que por esta terra passava vinda do Império Português e mais tarde também do Império Espanhol, as ilhas açorianas foram fortemente fortificadas praticamente desde o início do povoamento. Assim encontra-se nas ilhas 161 infra-estruturas militares entre castelos, fortalezas, fortes, redutos e trincheiras, distribuídas da seguinte forma: 78 na Terceira, 26 na ilha de São Miguel, 15 na ilha de São Jorge, 12 na ilha das Flores, 12 na ilha de Santa Maria, 7 na ilha Graciosa, 7 na ilha do Faial e 4 na ilha do Pico.


Sabe-se, porém, que muitos desses imigrantes que povoaram Açores teriam sido cristãos-novos, isto é, judeus sefarditas que foram obrigados a converter-se pelas perseguições da Igreja Católica. Através das Ordenações Afonsinas, Portugal procurou atrair tanto judeus quanto flamengos para o arquipélago, mediante a distribuição de terras. Assim, longe da Europa continental, esses grupos ficariam livres das perseguições religiosas.


No processo do povoamento das restantes ilhas, principalmente do Faial, Pico, Flores e São Jorge, faz-se notar a presença de um número alargado de flamengos, cuja presença se veio a reflectir na produção artística e nos costumes e modos de exploração das terras. De recordar o nome de Joss van Hurtere, capitão flamengo, a quem foi confiado o povoamento de parte da ilha do Faial: a cidade da Horta recebeu do seu patronímico a sua designação toponímica. Existe ainda uma freguesia do concelho da Horta chamada Flamengos, para além dos moinhos e dos modelos da exploração agrária.


As Ordenações Afonsinas, ou Código Afonsino, são uma das primeiras colectâneas de leis da era moderna, promulgadas durante o reinado de Dom Afonso V.


A necessidade de uma codificação geral de leis tornou-se mais presente na Dinastia de Avis (1385-1581/82). Várias vezes as Cortes tinham pedido a D. João I a organização de uma colectânea em que se coordenasse e actualizasse o direito vigente, para a boa-fé e fácil administração na justiça. A compilação era defendida em particular por João das Regras, considerado braço direito do rei na Revolução de Avis, mas os trabalhos apenas começaram após a sua morte, em 1404. Para levar a cabo essa obra designou D. Duarte o doutor Rui Fernandes, que acabaria o trabalho em 1446 em Arruda.


Este projecto foi revisto por ordem do infante D. Pedro, que lhe introduziu algumas alterações, fazendo parte da comissão Lopo Vasques, corregedor da cidade de Lisboa, e os desembargadores Luís Martins e Fernão Rodrigues. Talvez em 1448, ainda durante a regência de D. Pedro, tenha acabado a revisão embora as Ordenações incluam leis de 1454. Desconhece-se as partes de autoria de João Mendes e Rui Fernandes. A respeito das fontes utilizadas, verifica-se que os compiladores aproveitaram, sobretudo, leis existentes. Muitas disposições foram extraídas dos direitos romano e canónico, quer directamente, quer através das obras de comentadores. Pensa-se que o Livro das Leis e Posturas e as Ordenações de D. Duarte tenham sido trabalhos preparatórios de codificação afonsina. Nem sempre, porém, os textos foram reproduzidos de uma forma exacta e frequentemente os compiladores atribuíram a um monarca leis elaboradas por outro.


As Ordenações não chegaram a ser impressas durante o período em que vigoraram, apesar de prensa de Johannes Gutenberg já estar em uso na Alemanha desde 1439:


A demora na produção de cópias manuscritas parece ter sido um dos problemas para a sua aplicação em todo o Reino. Em Portugal a imprensa apareceu por volta de 1487 e logo foi utilizada para editar a legislação eclesiástica e monárquica, pois, como afirmou o próprio D. Manuel "necessária é a nobre arte da impressão […] para o bom governo, porque com mais facilidade e menos despesa os ministros da Justiça possam usar de nossas leis e ordenações e os sacerdotes possam administrar os sacramentos da madre santa Igreja." Cf. Nunes, J. E. Gomes da Silva. História do Direito Português. 2.ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1992, p. 266.



sábado, 12 de novembro de 2022

Cronologia de desastres naturais nos Açores

 


c. 1432 — Início do povoamento dos Açores.


1439?-1444? — Erupção vulcânica nas Sete Cidades, São Miguel - Não há notícias seguras sobre esta erupção nem uma data precisa para a sua ocorrência. Segundo Gaspar Frutuoso, os navegantes que se dirigiam a São Miguel, logo após a sua descoberta, encontraram a topografia da parte oeste da ilha modificada e no mar flutuavam troncos e pedra pomes. Os colonos que ficaram na Povoação sentiram estrondos e tremores de terra: "morando os descobridores em suas cafuas de palha e feno, ouviram quase por espaço de um ano tão grande ruído, bramidos e roncos que dava a terra com grandes tremores ainda procedidos da subversão e fogo do pico antes sumido".


1460? — Erupção vulcânica nas Sete Cidades, São Miguel - Não há notícias seguras sobre esta erupção, não se conhecendo a localização precisa e os efeitos produzidos.


1522 — Subversão de Vila Franca do Campo (sismo e deslizamento de terras), São Miguel - Na noite de 21 para 22 de Outubro de 1522, um violento sismo provocou um grande deslizamento de terras nas encostas sobranceiras a Vila Franca do Campo, causando o soterramento da maior parte da vila, então capital de São Miguel. O efeito combinado do sismo e do soterramento provocou a morte a milhares de pessoas. O sismo causou ainda mortes em muitas outras povoações de São Miguel e também grandes deslizamentos de terras na Maia, e região circunvizinha, e em Ponta Garça. A tragédia de Vila Franca inspirou muitos escritos e pelo menos um romance de raiz oral intitulado Romance que se Fez d'Algumas Mágoas, e Perdas que Causou o Tremor de Vila Franca do Campo, editado por Teófilo Braga.


1523-1530 — Epidemia de peste causa milhares de mortes em São Miguel - Entre os anos de 1523 e 1530 grassou em São Miguel uma epidemia de peste que causou alguns milhares de mortes e obrigou ao isolamento da ilha durante vários anos. A epidemia também atingiu o Faial, embora sem graves consequências. Esta epidemia contribuiu para o enraizamento do culto ao Divino Espírito Santo.


1538 — Erupção vulcânica ao largo da Ferraria, São Miguel - Neste ano houve uma erupção submarina nas proximidades da costa da Ponta da Ferraria que durou 25 dias. Da erupção resultou o aparecimento de um ilhéu de "quase uma légua de circunferência", que logo desapareceu. Não há registo de prejuízos em terra.


1547 — Sismo no noroeste da Terceira - A 17 de Maio deste ano um forte sismo provocou avultados danos no Raminho (então Folhadais), Altares e Biscoitos. Um relatório enviado ao Rei, presumivelmente pelo corregedor Gaspar Touro, diz: "Algumas casas caíram e outras abriram por muitos lugares, e estão de maneira que não ousam dormir nas casas, e em especial foi mais isto do cair e abrir das casas da banda do norte, e morreram algumas pessoas". Diz ainda: "não ficou casa que não caísse ou abrisse, quer novas quer velhas, e as paredes das vinhas e pomares dos Biscoitos todas caíram".


1562-1564 — Erupção vulcânica na Prainha do Norte, ilha do Pico - Em 21 de Setembro de 1562, após prolongado tremor de terra, que terá durado um "terço de hora", acompanhado de grande estrondo, & logo em hum lago, & por cinco bocas arrebentou tal fogo, que delle, & de polme ardente correo huma ribeyra por espaço de huma légoa, até se meter no mar do Norte, & no mesmo mar formou, com entrada nelle de hum tiro de arcabuz, aquele grande caes de pedraria abrazada, […] e affirma o douto Fructuoso, que foi taõ grande o fogo, que todas as mais Ilhas Terceyras se allumiaraõ com elle, & até na de São Miguel fez da escura noyte claro dia, diz o padre António Cordeiro na sua História Insulana das Ilhas a Portugal Sugeytas no Oceano Occidental (pg. 477 da edição princeps). Existe também uma interessante descrição, escrita por um contemporâneo, que da vila das Velas, São Jorge, observou o fenómeno.



sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Ernest Jeffrey Moniz

 


Ernest Jeffrey Moniz nasceu a 22 de Dezembro de 1944, em Fall River, Massachussetts, nos Estados Unidos da América. É descendente de pais açorianos, oriundos da ilha de São Miguel. No âmbito da sua formação académica, a física teórica nuclear, destaca-se como área principal de pesquisa.


A 28 de Outubro de 1997, foi destacado pelo Senado dos EUA como subsecretário do Departamento de Energia. No âmbito destas funções, assessoria o secretário e, supervisionava a pesquisa do DOE em várias áreas, nomeadamente, as energias fóssil, renováveis, nuclear, a ciência e tecnologia, a gestão ambiental e de resíduos radioactivos.


Supervisionou igualmente o sistema nacional de laboratórios e programas de segurança nacional, tendo sido também responsável pela revisão completa do programa nuclear.


 Antes de ingressar no DOE, foi professor de Física e Chefe do Departamento de Física no Massachusetts Institute of Technology (MIT), tendo sido responsável pelos programas educacionais daquele departamento. Foi director associado de Ciência do Gabinete de Política Científica e Tecnológica, cargo para o qual foi nomeado, em Junho de 1995, pelo Presidente Clinton.


 Integrou o corpo docente do MIT em 1973 e foi director da Linear Accelerator Center Bates, em 1983.


Trabalhou em várias universidades, laboratórios nacionais, associações profissionais e órgãos do governo, onde desempenhou funções consultivas.


 Obteve um bacharelato em física, no Boston College em 1966, e um doutoramento em física teórica na Universidade de Stanford, em 1971. Com uma bolsa de pós-doutorado da National Science Foundation, realizou pesquisas no Centro d\'Etudes de Saclay Nucleaires em Gif-sur-Yvette, França, e na Universidade da Pensilvânia, de 1971 a 1973. Fez um doutoramento honorário na Universidade de Atenas, em 1997. É membro da Associação Americana para o Avanço da Ciência, da Fundação Humboldt e da American Physical Society.



Foi  assessor de Ciência e Tecnologia do Conselho do Presidente Obama.


Actualmente, é director do Laboratório de Energia e Meio Ambiente do MIT e da MIT Energy Initiative.

 Pela sua visão e liderança na área da simulação científica avançada, foi distinguido com o Seymour Cray HPCC Industry Recognition Award.


No dia 4 de Março de 2013 foi nomeado Secretário da Energia por Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América.



quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Enterros em igrejas eram práticas comuns

 

A prática era usada pelos católicos para estarem mais próximos aos santos. O costume permaneceu até as primeiras noções de higiene pública, quando criaram os cemitérios. Realizar enterros dentro de templos religiosos era costume até o século XIX.

 Os cemitérios normalmente eram instalados ao lado ou atrás das igrejas e o sepultamento no interior dos locais sagrados era sinal de prestígio para os católicos.

Os religiosos acreditavam que o último lugar de repouso deveria ser perto dos santos. Por isso, eram enterrados nas igrejas. Não há nada mais sagrado que um templo.


os locais mais próximos do altar eram oferecidos a pessoas de maior intimidade com a fé. Em primeiro lugar, estavam os padres. Depois, pessoas com algum destaque nas irmandades ou organizações religiosas da época. O poder aquisitivo, os nobres, também podia servir de parâmetro para o sepultamento no espaço, no entanto prevalecia a fé. Aos suicidas, por exemplo, não era reservado o direito pela prática não estar de acordo com os princípios da religião.

Ser enterrado dentro da igreja era normal nesses tempos. Quando não cabia dentro da igreja, eram dispostos do lado de fora ou ao lado. Em todos esses templos construídos até a segunda metade do século XIX vamos encontrar essa prática.


O costume só deixou de ser presente após a década de 1850, quando começaram a surgir as primeiras noções de higiene pública e os primeiros cemitérios na cidade. Segundo teorias, o ar poluído pela decomposição dos corpos poderia disseminar doenças.

Nessa época, houve mudança também de sensibilidade. Foi quando os médicos começaram a dizer que isso era  mau  e as pessoas passaram a perceber. Mas durante quase dois mil anos, as pessoas conviviam muito bem sem esses cuidado.




quarta-feira, 9 de novembro de 2022

A Memória foi o primeiro monumento erguido em Portugal para homenagear D. Pedro IV na ilha Terceira Açores

 

A Memória foi o primeiro monumento erguido em Portugal para homenagear D. Pedro IV na ilha Terceira Açores


O Alto da Memória ou Outeiro da Memória localiza-se no cimo do Jardim Duque da Terceira, no centro histórico da cidade e Concelho de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, nos Açores.



Neste local o capitão do donatário João Vaz Corte Real fez erguer a primeira fortificação da antiga Angra, o chamado Castelo dos Moinhos, cerca de 1474. Esta fortificação, longe do mar, traduzia uma concepção ainda tardo-medieval, europeia e mediterrânica, de defesa em acrópole.


O obelisco que o caracteriza atualmente foi erigido no século XIX em homenagem à passagem de Pedro IV de Portugal pela Terceira, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834).



De evidente simbologia maçónica, teve a sua pedra fundamental lançada a 3 de Março de 1845, estando concluído em 1856. Essa primeira pedra foi recolhida no cais da cidade, sendo uma das que o imperador havia pisado quando de seu desembarque naquele local, em 1832. As pedras do antigo castelo foram reaproveitadas para a construção do obelisco.

Este monumento foi praticamente destruído pelo grande terramoto de 1980, que provocou enormes estragos nas ilhas do Grupo Central do arquipélago. Foi reconstruído e reinaugurado pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo em 25 de Abril de 1985.

A Memória foi o primeiro monumento erguido em Portugal para homenagear D. Pedro IV, o monarca que se deslocou aos Açores, em 1832, para liderar as tropas que lutavam pela implantação do regime liberal.


A ideia de erguer-lhe um monumento foi decidida em 1835, mas contratempos vários foram adiando o projecto.