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sábado, 15 de maio de 2021

José Joaquim de Sena Freitas

 

José Joaquim de Sena Freitas  nasceu em Ponta Delgada a 27 de Julho de 1840  e faleceu no  Rio de Janeiro a  21 de Dezembro de 1913.

 Foi um sacerdote, orador sacro e polemista português. Publicou um extenso conjunto de obras, a maior parte sobre questões religiosas e de moral. Manteve intensas polémicas com diversos intelectuais e jornalistas portugueses e brasileiros. 

Natural da ilha de São Miguel, filho do publicista e historiador Bernardino José de Sena Freitas, fez os estudos primários em Vila Franca do Campo e os secundários no Seminário de Santarém. Foi condiscípulo de Antero de Quental e conviveu com homens de letras como António Feliciano de Castilho, teve apreciada produção literária e ficou conhecido por polemista de garra. Tornado clérigo, empreendeu um percurso que o levou a tornar-se Lazarista, professando na Congregação da Missão de São Vicente de Paulo, depois de concluir o Curso Teológico no Seminário de Saint-Lazare, em Paris. Seguiu depois rumo ao Brasil, onde ensinou e missionou por largos anos antes de regressar a Portugal.

Fixou-se em 1873 em Felgueiras, nomeado professor de Filosofia e Línguas no Colégio de Santa Quitéria, mantendo-se no Monte das Maravilhas cerca de um ano, para mais tarde ali voltar em 1877. Posteriormente, por mais que uma vez saiu da sua Congregação e foi readmitido, voltou igualmente ao Brasil e retornou, foi nomeado Cónego da Sé de Lisboa, andou pelo Oriente, foi exímio escritor e acabou por se radicar finalmente no Brasil, onde faleceu a 21 de Dezembro de 1913.

Sena Freitas foi uma das figuras mais notáveis do catolicismo português do período do liberalismo. Escritor exímio e polemista indomável e militante pela salvaguarda dos ideais do Cristianismo, este que foi considerado o "Lacordaire Lusitano" ou o "Padre António Vieira de Oitocentos", ombreou em termos intelectuais com os grandes vultos literários da cultura portuguesa do século XIX como Antero de Quental, Teófilo Braga, Camilo Castelo Branco e Guerra Junqueiro.

O padre Sena Freitas assinou inúmeros artigos da revista católica Estudos Sociais (Coimbra, 1905-1911), destacando-se aqueles em que é abordada a questão da tolerância católica (crítica aos historiadores que confundem católicos com catolicismo e papas com pontificado - a Igreja Católica é constituída por homens que cometem erros o que não impede que a doutrina e a hierarquia se mantenham) e a importância do catolicismo social (o movimento social cristão aproxima a Igreja da sua função original o que permite uma atitude optimista face ao futuro).

Nunca foi esquecido, merecendo estudos analíticos de intelectuais como Antero de Figueiredo, Dinis da Luz, Augusto Ferreira e o padre Moreira das Neves, entre outros que lhe dedicaram páginas apreciativas ao temperamento que o fez passar pela vida com notoriedade. Ficou célebre a polémica que manteve com o escritor brasileiro Júlio César Ribeiro Vaughan a propósito do romance A Carne publicado por este em 1888. Filiando-se na corrente do Naturalismo, o romance pareceu aos leitores impregnado da preocupação de exibicionismo sensual, o que provocou a irritação de muita gente. Vários críticos, entre eles José Veríssimo e Alfredo Pujol, atacaram o romance. O ataque principal partiu do padre Sena Freitas, com o seu artigo "A carniça", publicado no Diário Mercantil. O romancista, espírito orgulhoso e altivo, republicano e anticlerical, replicou com uma série de artigos intitulados "O Urubu Sena Freitas", publicados em Dezembro de 1888. Este episódio está recolhido no livro Uma polémica célebre (Edições Cultura Brasileira, 1934).

Falecido no Rio de Janeiro em 1913, as suas cinzas chegaram a Ponta Delgada a 4 de Março de 1925. No espaço onde existira a primitiva igreja de São José e o primeiro Teatro Micaelense, destruído por um incêndio em 1930, foi feito um jardim público, denominado Jardim Sena Freitas, no qual foi erigida uma sua estátua, em 1966.


Em 1933 a Câmara Municipal de Lisboa homenageou o Padre dando o seu nome a uma rua na Penha de França.

Sena Freitas é autor de uma vasta produção literária. Publicou obras de apologética, oratória, jornalismo e crítica, publicando mesmo alguma ficção sob a forma de romances de inspiração cristã. Entre muitas outras, é autor das seguintes obras:


Os Milagres e a Crítica Moderna

Escritos de Hontem

No Presbitério e no Tempo

Os Nossos Bispos do Continente

Perfil de Camilo Castelo Branco

Por Terra e Mar

Dia a Dia dum Espírito Christão

Historicidade da Existencia Humana de Jesus. Contra Emilio Bossi

A Alta Educação do Clero (tradução e adaptação de uma obra do arcebispo norte-americano John Lancaster Spalding)



quinta-feira, 13 de maio de 2021

Cidade da Horta ilha do Faial Açores





Em 1465, o nobre flamengo Joss van Hurtere desembarcou na então denominada "Ilha de São Luís" (atual Faial) com mais 15 compatriotas. O grupo demorou-se na ilha por um ano, em busca de prata e estanho.

Em 1467, Hurtere retornou à ilha em uma segunda expedição. Desembarcou num trecho da costa que viria a ser conhecido como baía da Horta e, no local que escolheu para se estabelecer, que deu origem à povoação da Horta, fez erguer uma ermida sob a invocação da Santa Cruz.

Em 21 de Fevereiro de 1468, o Infante Fernando de Portugal, Duque de Viseu e Donatário dos Açores, concedeu a Hurtere a Capitania do Faial. Aos primeiros povoadores - camponeses flamengos - somou-se grande quantidade de agricultores oriundos da região Norte de Portugal continental, dispostos a trabalhar arduamente nas novas terras. Hurtere, buscando novas oportunidades de negócio, atraiu uma segunda vaga de colonos, que chegaram por volta de 1470, sob o comando do também nobre flamengo Willem van der Haegen (mais tarde transliterado para Guilherme da Silveira), que trouxe administradores, comerciantes, colonos e outros compatriotas para se estabelecerem na ilha.


O filho de Hurtere, Joss de Utra (que se tornou o segundo capitão-mor ), e a filha, D. Joana de Macedo (que foi desposada por Martin Behaim, em 1486, na Ermida de Santa Cruz), permaneceram na ilha do Faial muito depois do falecimento de Hurtere, em 1495.

A ilha prosperou com a exportação de trigo e pastel. Essa prosperidade fez com que a povoação da Horta fosse elevada a vila por D. Manuel I de Portugal já no ano de 1498. No início do governo de Joss de Utra (c. 1495), o centro da futura Vila da Horta já se encontrava mais a Norte da Ermida de Santa Cruz. A primitiva Casa da Câmara e Cadeia, situava-se na altura do n.º 16 da Rua do Bom Jesus. A freguesia da Matriz do Santíssimo Salvador da Horta, a primeira freguesia paroquial a ser constituída, foi aberta ao culto em 28 de Junho de 1514.

Data de 1567 o projeto do Forte de Santa Cruz da Horta. O aumento do povoamento, por essa época, levou à constituição da freguesia de N. Sra. da Conceição (30 de Julho de 1568), e mais tarde, da freguesia de N. Sra. da Angústias (28 de Novembro de 1684), pela Diocese de Angra.

Aquando da visita do padre Gaspar Frutuoso, por volta de 1570, a vila da Horta tinha 509 fogos.



terça-feira, 11 de maio de 2021

Christopher Hampton nasceu na ilha do Faial Açores




Filho dos britânicos Dorothy Patience (nascida Herrington) e Bernard Patrick Hampton, um engenheiro de telecomunicações que trabalhava na Cable & Wireless, Christopher Hampton nasceu na cidade portuguesa da Horta ilha do Faial    Açores a 26 de janeiro de 1946 .  Por causa do trabalho do seu pai, a sua família passou a morar em Adem no Iémen, e Alexandria no Egito, e posteriormente em Hong Kong e Zanzibar. A família teve de se mudar novamente, por causa da crise de Suez em 1956.

Após frequentar uma escola preparatória em Reigate, Surrey, Hampton estudou no colégio interno Lancing College, situado próximo à aldeia de Lancing, em West Sussex, onde distinguiu-se como sargento na Combined Cadet Force. David Hare foi um contemporâneo de Christopher Hampton e o seu professor foi Harry Guest.
Em 1964 aprendeu alemão e francês no New College, em Oxónia, e se diplomou com distinção em 1968.

Christopher Hampton começou a trabalhar com o teatro na Universidade de Oxónia, onde realizou a sua peça teatral When Did You Last See My Mother? na Oxford University Dramatic Society, relacionada à homossexualidade adolescente, refletindo as suas próprias experiências em Lancing.  Christopher Hampton enviou a sua obra para Peggy Ramsay, que mostrou a William Gaskill, que se interessou nela.  A peça foi encenada no Royal Court Theatre em Londres, e logo após no Comedy Theatre (conhecido atualmente como Harold Pinter Theatre) em 1966, tornando-se o escritor mais jovem da era moderna a realizar uma peça teatral nos teatros de West End.[2] Entre 1968 e 1970, trabalhou como dramaturgo residente e gestor do Royal Court Theatre.

Christopher Hampton venceu o Óscar de melhor argumento adaptado em 1988 pelo filme Ligações Perigosas, e também foi nomeado ao mesmo prémio pela adaptação cinematográfica do romance do escritor britânico Ian McEwan em 2007.



domingo, 9 de maio de 2021

Lajes da ilha do Pico Açores

 

À época dos Descobrimentos portugueses, na fase henriquina, a ilha foi designada como ilha de São Dinis, conforme consta no testamento Infante.


Posteriormente, na cartografia do século XIV, encontra-se denominada como "ilha dos Pombos".


Acerca do seu primeiro povoador, nas Lajes do Pico, Frei Diogo das Chagas refere:


"O primeiro homem que se pratica por certo haver entrado nesta Ilha para a povoar foi um Fernando Álvares Evangelho, o qual vindo a buscar a tomou pela parte do Sul, (…) saltou em terra onde se diz o penedo negro, e com ele um cão que trazia, e o mar se levantou de modo que não deu lugar a ninguém mais saltar em terra, e aquela noite se levantou vento, de modo a que a caravela no outro dia não apareceu, e ele ficou na Ilha com seu companheiro, o cão; e nele esteve um ano sustentando-se da carne dos porcos, e outros gados bravos, que com o cão tomava (pois o Infante quando as descobriu, em todas mandou deitar gados, havia nelas, quando depois se povoaram, muita multiplicação deles) (…)." (CHAGAS, Diogo (Frei). Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores. Secretaria Regional de Educação e Cultura/Universidade dos Açores, 1989.)

Frei Agostinho de Monte Alverne, entretanto, acrescenta:


"Outros dizem que os primeiros povoadores foram os que mandou Job Dutra, da ilha do Faial, porque estando à sua janela, vendo esta ilha do Pico pela parte sul, mandou um barco de gente para a povoar por esta parte, onde hoje é a freguesia de São Mateus. E é esta ilha tão fragosa, que, povoando-a estes por esta parte e os outros pela outra, dois anos estiveram sem saberem uns dos outros, nos quais o capitão Job Dutra mandou pedir a capitania e a alcançou, e uns e outros povoadores se avistaram e festejaram muito." (Frei Agostinho de Monte Alverne. Crónicas da Província de São João Evangelista (v. III). Ponta Delgada: Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1988. p. 191)

Em 29 de Dezembro de 1482, a ilha foi integrada na Capitania do Faial pela Infanta D. Beatriz, em virtude de Álvaro de Ornelas, seu primeiro capitão do donatário não ter tomado posse efetiva da ilha por volta de 1460.

Em 1501, Lajes do Pico foi elevada a Vila e sede de concelho pelo Manuel I de Portugal. Em 1542 foi a vez de São Roque do Pico e em 1712 , a de Madalena, confirmando a sua importância económica como porto de ligação com o Faial, e também como local de residência dos proprietários dos extensos vinhedos da zona, já então produtora de vinho, o Verdelho do Pico.


Além da agricultura (trigo, pastel), da pecuária e da pesca, a economia da ilha, desde o início do povoamento, foi marcada pelo cultivo da vinha e a produção de vinho. Sobre elas, o Padre António Cordeiro registou:


"O maior fruto, e mais célebre desta Ilha do Pico é o seu muito e excelente vinho, e quantas mil pipas dê cada ano (…) as outras ilhas, as armadas, e frotas, os estrangeiros o vão buscar, e o muito que vai para o Brasil, e também vem para Portugal; a razão deu-a já o antigo Frutuoso Liv. 6 cap. 41, dizendo que o vinho do Pico não só é muito, mas justamente o melhor, (…), porque é tão generoso e forte, que em nada cede ao que na Madeira chamam Malvazia; antes parece que este vence aquele, porque da Malvazia, pouca quantidade basta para alienar um homem do seu juízo, não se acomoda tanto à saúde; porém o vinho passado do Pico, emprega-se mais em gastar os maus humores, confortar o estômago, alegrar o coração, e avivar, e não fazer perder o juízo, e uso da razão, além de ser suavíssimo no gosto, e muito 'confortativo', ainda só com o cheiro; e por isso é muito estimado, (…)." (Pe. António Cordeiro. História Insulana das ilhas a Portugal Sujeitas no Oceano Ocidental. Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1981. p. 474.)


A sua cultura foi apurada, ao longo dos séculos, com o auxílio dos frades Franciscanos, Domincanos e, mais tarde, Jesuítas, nos séculos XVII e XVIII.




sexta-feira, 7 de maio de 2021

Eduardo Augusto da Rocha de Abreu trabalhou com o cientista francês Louis Pasteur

 

Eduardo Augusto da Rocha de Abreu  nasceu em Angra do Heroísmo a  8 de Abril de 1856  e faleceu em Braga a  4 de Fevereiro de 1912 ,  mais conhecido por Eduardo de Abreu, foi um médico e político  com uma carreira inicialmente ligada ao Partido Progressista, mas que aderiu ao movimento republicano e teve papel relevante no período da Primeira República Portuguesa.[3] Foi sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, médico do Hospital de São José de Lisboa, deputado às Cortes pelo círculo de Figueiró dos Vinhos (1886 e 1887) e pelo círculo de Lisboa (1892 e 1894, pelo Partido Republicano) e senador da República eleito pelo círculo de Angra do Heroísmo. 

Açoriano, filho de Bento José de Matos de Abreu e de sua mulher Rosa Amélia Borges da Rocha, Eduardo de Abreu estudou na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra,  onde se licenciou em Medicina, com distinção, em 1881, obtendo o grau de doutor  em 1887 com uma tese sobre a raiva. No âmbito das suas investigações, foi diversas vezes ao estrangeiro para estudar as novas metodologias e medidas de assistência médica, em particular no caso das epidemias, tendo trabalhado com o cientista francês Louis Pasteur.


Ainda enquanto estudante iniciou colaboração regular em diversas publicações, tanto em revistas científicas como em jornais, como foi o caso do Diário de Notícias, realizou trabalhos importantes na sua especialidade médica e visitou vários países da Europa em missão de estudo.  Foi também um dos principais responsáveis pela realização das Comemorações do Tricentenário de Luís de Camões, em 1880, e do Marquês de Pombal, em 1882. 

Envolveu-se na vida política ativa como Deputado, primeiramente pelo Partido Progressista, em 1887-1890 e em 1890-1892.  Nas mais de centena e meia de intervenções que deixou no Parlamento, Eduardo de Abreu destacou-se pelos "discursos eloquentes, substanciais, enérgicos e não poucas vezes verdadeiramente incendiários" , tendo adotado sempre uma postura de independência, o que acabou por conduziu ao seu afastamento do Partido Progressista. A eclosão do Ultimato britânico de 1890 precipitou a sua rutura definitiva com os partidos monárquicos, aderindo ao Partido Republicano Português, que o fez eleger novamente Deputado em 1893 e 1894.  Nesse processo, foi acompanhado por outras figuras de relevo, como Guerra Junqueiro.

Maçon, foi iniciado por comunicação e filiado na Loja Simpatia, de Lisboa, em 1892, Eduardo de Abreu foi novamente eleito Deputado nesse ano, desta feita pelo Partido Republicano Português, juntamente com Jacinto Nunes, Rodrigues de Freitas e Teixeira de Queirós. Durante essa legislatura produziu a seguinte declaração política: "só aceitarei e votarei qualquer proposta dos partidos monárquicos quando ela tenha por fim a mudança das instituições".  Reeleito em 1894, escreveu uma carta aberta a Magalhães Lima em 1896, publicada no diário A Vanguarda, onde declarava a sua recusa em ser novamente eleito Deputado durante o regime monárquico.

Após a implantação da República Portuguesa, a 5 de Outubro de 1910, regressou ao parlamento, sendo, uma vez mais, eleito Deputado à Assembleia Nacional Constituinte e Deputado de 1911 a 1912  pelo círculo de Angra do Heroísmo e, mais tarde, foi eleito Senador da República. Durante o regime republicano destacou-se por ter optado por um projeto autónomo para a lei de separação entre a Igreja e o Estado que foi apresentado em junho de 1911, não tendo sido no entanto este o escolhido. Ainda participou em diversos trabalhos parlamentares, mas o seu estado de saúde foi-se debilitando. Retirou-se para a sua casa em Braga, onde veio a falecer em 1912.



quarta-feira, 5 de maio de 2021

Vila das Velas ilha de São Jorge Açores

A origem do nome desta localidade nunca foi esclarecida pelos historiadores. Pode no entanto, segundo esses mesmos historiadores poder remeter-nos para as "velas" das embarcações, para vigias ou para o termo velar, para o nome de povoações com o mesmo nome no continente português, para o termo "velhas" ou mesmo para a palavra "belas". É, no entanto, mais provável que o nome provenha dos termos “velas de embarcação”, ou dos termos velar/vigília. Tendo em atenção as embarcações usadas no tempo da sua fundação e a outra, tendo em atenção as forças telúricas que se movimentam nestas ilhas e que muitas vezes obrigavam as populações a ficar a velar ou de vigília durante as crises vulcânicas para poderem dar o alerta em caso de necessidade.

Esta vila encontra-se entre os povoados mais antigos da ilha de São Jorge. E foi edificada em consequência do testamento do Infante D. Henrique datado de 1460, feito numa igreja debaixo da invocação de São Jorge. O município de Velas foi criado por volta de 1490 ou mesmo antes, sendo que a elevação da povoação à categoria de vila terá ocorrido por volta de ano de 1500, por carta de D. Manuel I de Portugal. Esta localidade já surge como vila num mapa de 1507. No ano de 1570 as Velas teriam cerca de 1000 habitantes e 2000 habitantes no fim do século XVII, número que aumentaria para 4200 no ano de 1822, e que mais tarde diminuiu devido à emigração.
No dia 19 de Setembro de 1708 uma esquadra naval, comandada pelo pirata Francês René Duguay-Trouin constituída por 8 naus de linha e 3 navios Corsários de grossa artilharia, atacam a vila das Velas, não tendo no entanto conseguido entrar no Porto de Velas.

Ao primeiro ataque os habitantes da vila, comandados pelo Sargento Mor Amaro Teixeira de Sousa, conseguem impedir o desembarque tentado a 19 de Setembro. No dia 20 deu-se novo ataque e os habitantes não conseguiram opor-se com êxito a esta tentativa. Pelas 9 horas da manhã em que, dividindo as suas forças em duas colunas, enviara, uma para as portas das Velas (6 barcos) e outra, mais forte (10 barcos), para os lados do Morro das Velas e, desembarcando junto ao Arco, lançaram em terra mais de 500 homens, com morte d'alguns dos sitiados.

Os franceses permaneceram nesta vila 5 dias em que saquearam completamente as igrejas e casas abastadas. Em local sobranceiro ao sitio onde se efectuou o desembarque, foi construído o Forte de Nossa Senhora do Pilar, também conhecido por Castelo da Eira.!



domingo, 2 de maio de 2021

Embarcações naufragadas na Baía de Angra


1542 – Naufrágio da nau cognominada Grifo, capitaneada por Baltazar Jorge
A Grifo foi uma nau portuguesa da Carreira da Índia. Em 1536 D. João de Castro embarca para a Índia a bordo da nau.  Em 1542 a nau portuguesa, capitaneada por Baltazar Jorge naufraga nos Açores. Perdeu-se sobre a âncora.

1555 - Naufrágio da nau Assumpção, comandada por Jácome de Melo
A Nossa Senhora da Assunção foi uma nau de linha português.
Participou na Batalha de Matapão, sendo comandada pelo fiscal Pedro de Sousa Castelo Branco tinha 500 praças e continha 64 peças de artilharia.

1555 - Naufrágio da nau alcunhada de Algarvia Velha, acabada de chegar das Índias.
Nau que naufragou no regresso da India.


1586 - (17 de Setembro) – Naufrágio da nau Santa Maria, de nacionalidade espanhola e provinda de São Domingo. Devido ao nau tempo.
A Santa Maria, anteriormente chamada de La Gallega, foi a nau, do tipo carraca, capitânia do Almirante Cristóvão Colombo na viagem em que, navegando para Oeste pelo Oceano Atlântico, veio a descobrir o continente americano (1492).
De propriedade do mestre Juan de la Cosa, morador das vizinhanças do porto de Palos de la Frontera, e que a pilotava nesta viagem, era considerada pelo Almirante como uma embarcação pesada.


1587 - Naufrágio de um galeão português (Santiago) capitaneado por Francisco Lobato Faria e provindo de Malaca. Perdeu a amarra, salvando-se a gente e a fazenda.
em que se contam os grandes trabalhos e lastimosas coisas que acontecerão ao Capitão Manuel de Sousa Sepúlveda, e o lamentável fim, que ele e sua mulher, e filhos, e toda a mais gente houveram na Terra do Natal, onde se perderão a 24 de Junho de 1552.
Logo no início da obra encontramos o sem dúvida mais conhecido do todos os relatos da História Trágico-Marítima, que aqui merece ser resumido:

Manuel de Sousa Sepúlveda passara à Índia em 1534, para não ter que casar com uma senhora que seduzira, e cujos irmãos o perseguiam. No Oriente fora capitão às ordens de Martim Afonso de Sousa. Estivera presente na conquista de Diu em 1536, na armada do governador D. Estêvão da Gama ao Mar Vermelho em 1540, etc. Em 1544 fora nomeado capitão de Diu.

A 3 de Fevereiro de 1552, com a mulher e os filhos, largou de Cochim, na Índia, rumo a Lisboa, como capitão do galeão grande São João. O galeão vinha carregado com 7500 quintais de pimenta, e transportava mais de quinhentas pessoas. A 13 de Abril, à vista do Cabo da Boa Esperança, a nave foi acometida por fortes tempestades, acabando por naufragar a 8 de Junho, nas costas do Natal. Os cerca de 380 sobreviventes iniciaram, um mês mais tarde, uma longa marcha rumo a Moçambique.


 A fome, as doenças, os ataques dos Cafres  e dos animais selvagens foram lentamente diminuindo o seu número. Quando atravessaram o rio de Lourenço Marques, nos fins de Dezembro, os sobreviventes eram apenas cerca de 120; e um filho de 10 anos de Manuel de Sousa Sepúlveda tinha já morrido. Nesta região foram os sobreviventes portugueses maltratados pelos Cafres, vindo a mulher do capitão e os seus filhos pequenos a morrer em Janeiro de 1553, em circunstâncias dramáticas. Manuel de Sousa Sepúlveda, depois de os enterrar, internou-se no mato para nunca mais ser visto.

O relato deste infortúnio foi redigido por um autor desconhecido, talvez baseado em informações de Álvaro Fernandes, guardião do galeão, e foi impresso pela primeira vez logo cerca de 1554. Camões, no Canto V de Os Lusíadas, faz o Adamastor profetizar a tragédia:

"Outro também virá de honrada fama,
Liberal, cavaleiro, enamorado,
E consigo trará a formosa dama
Que Amor por grã mercê lhe terá dado.
Triste ventura e negro fado os chama
Neste terreno meu, que duro e irado
Os deixará dum cru naufrágio vivos
Para verem trabalhos excessivos.

Verão morrer com fome os filhos caros,
Em tanto amor gerados e nascidos;
Verão os Cafres ásperos e avaros
Tirar à linda dama seus vestidos...