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domingo, 12 de abril de 2020

Cronologia de desastres naturais nos Açores de 1713 a 1800


 1713 — Inundações na vila de Velas, ilha de São Jorge - A 10 de Dezembro deste ano, chuvas muito intensas na zona entre a Urzelina e os Rosais provocaram grandes inundações, destruindo 27 casas na vila de Velas. A Ribeira do Almeida veio tão carregada de caudal sólido que criou uma praia que permitia a passagem a pé entre a vila e a Queimada.

1713 — Erupção de lamas e gases do Pico das Camarinhas, ilha de São Miguel - Após várias semanas de contínuos abalos, em finais de Dezembro de 1713 apareceram nas faldas do Pico das Camarinhas "lamas quentes" e gases, tendo a manifestação vulcânica ficado por essa fase. A crise sísmica destruiu muitas casas nos Ginetes, Mosteiros e Candelária.

1713-1714 — Mau ano agrícola, fome e peste - Um mau ano agrícola, a que não foi alheio ciclone tropical de 25 de Setembro de 1713, levou a que em São Jorge fosse tal "a falta de mantimentos que chegou a morrer muita gente de fome". No Pico, o povo teve de recorrer a comer "socas e raízes" para sobreviver. Noutras ilhas também as colheitas falharam e grassou a fome. Como se tal não bastasse uma epidemia de peste provocou alguns milhares de mortos. No Pico terão morrido 5.000 pessoas e no Faial 500 pessoas, entre as quais 49 religiosos dos conventos da Horta.

1717 — Grande crise sísmica de 1717 na ilha Graciosa, causando grande destruição nas freguesias de Guadalupe e de Luz. Desta crise sísmica resultou o voto, ainda cumprido na actualidade, de fazer uma procissão desde o Guadalupe até a Ermida da Ajuda, no Monte da Ajuda em Santa Cruz da Graciosa.


1717-1718 — Epidemia no Faial - De Novembro de 1717 a Fevereiro de 1718 grassou no Faial uma epidemia de "pleurizes" (peste bubónica) que causou muitas mortes. Em Novembro morreu grande parte dos moradores dos Cedros, o mesmo acontecendo em Castelo Branco e Flamengos. Fizeram-se procissões e preces públicas.

1718 — Erupção em Santa Luzia do Pico - A 1 de Fevereiro, pelas 6 da madrugada, ouviu-se uma "espantosa trovoada que encheu de terror os hortenses" e iniciou-se uma erupção vulcânica entre as Bandeiras e Santa Luzia, surgindo torrentes de lava que rapidamente formaram um extenso mistério (o Mistério de Santa Luzia) que penetrou mar adentro. Ver localização do centro eruptivo.

1718 — Erupções em São Mateus e São João do Pico - Na madrugada do dia 2 de Fevereiro, com enormes estrondos acompanhados de violentos sismos deu-se uma explosão no lugar da Bragada, entre São Mateus e São João. Começou logo "o fogo a correr em caudalosas ribeiras para o mar, na distância de duas léguas, formando um vasto mistério". No dia 11 de Fevereiro rebentou no mar, a distância de 50 braças da terra, defronte da igreja de São João, emitindo grandes pedras ardentes que devastaram aquela freguesia. A 24 daquele mês, uma nova erupção iniciou-se no caminho que liga São João ao Cais do Pico em lugar sobranceiro à freguesia de São João. As erupções cessaram a 15 de Agosto, recomeçando em Setembro. A actividade terminou em princípios de Novembro. Ver localização do centro eruptivo.


1720 — Erupção no Soldão, Lajes do Pico - A 10 de Julho iniciou-se por "dezasseis bocas nas faldas do Pico, por detrás do cabeço do Soldão" uma erupção que "inundou de fogo" perto de uma légua quadrada, consumindo terras e vinhedos e destruindo 30 casas "cujos moradores salvaram suas vidas fugindo precipitadamente". A erupção foi precedida de numerosos sismos e perdurou até Dezembro daquele ano. Ver localização do centro eruptivo.

1720 — Erupção no Banco D. João de Castro origina uma ilha efémera - No dia 10 de Outubro viu-se da ilha Terceira, a alguma distância dela, sair do mar um grande fogo. Marítimos que foram observar de perto o fenómeno viram uma ilha toda de fogo e fumo, de onde uma prodigiosa quantidade de cinzas eram lançadas no ar com o ruído de um trovão. A erupção foi precedida de muitos tremores, sentidos na Terceira e na costa oeste de São Miguel. A ilha formada era quase redonda e suficientemente alta para ser avistada de 7-8 léguas de distância. Perdurou até finais de 1723, sendo desfeita pelo mar.

1730 — Sismo causa destruição na freguesia da Luz, Graciosa - A 13 de Junho um violento sismo provocou destruição generalizada na freguesia da Luz, ilha Graciosa.

1732 — Cheias provocam 5 mortos em São Jorge - A 6 de Dezembro grandes cheias provocaram destruição em São Jorge, matando 5 pessoas. Os lugares mais afectados foram Urzelina, Figueiras, Serroa e Velas.


1744 — Ciclone tropical causa grandes cheias - A 5 de Outubro "caíram nestas ilhas copiosíssimas chuvas que inundaram as terras correndo em caudalosas ribeiras". Em resultado dessas cheias, na Prainha do Galeão (Pico) morreram 7 pessoas arrastadas ao mar; na Prainha do Norte (Pico) morreram 6 pessoas e outras 5 pereceram em São Roque (Pico). Em São Miguel também houve mortes em Agua de Pau e nos Fenais.

1745-1746 — Mau ano agrícola provoca fome e emigração em massa - Em resultado das cheias de 1744 e do mau ano agrícola que se seguiu, em 1746 faltaram os cereais, havendo fome generalizada nos Açores. No Pico, o povo "recorreu a socas e raízes para manter a vida e faltando-lhe mesmo esse mísero alimento emigrou para as mais ilhas". Em resultado da desnutrição grassavam as doenças, fazendo grande mortandade. Face a esta situação, por alvará régio foi autorizada a emigração para o Brasil, tendo partido pelo menos 1600 pessoas.

1755 — Maremoto atinge os Açores - O Terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755 provocou o grande maremoto de 1755 (um tsunami) que atravessou a área oceânica onde os Açores se situam, afectando essencialmente as costas viradas a sul e sueste, direcção de onde as ondas se aproximaram das ilhas. O maremoto fez com que "estando o mar em ordinária tranquilidade, se elevou tanto em três contínuas marés ficando quase seca a sua profundidade por largo espaço". Assim, em Angra o mar entrou até à Praça Velha, causando grande destruição; no Porto Judeu o mar subiu "10 palmos acima da rocha mais alta"; na Praia, inundou o Paul e derrubou 15 casas na costa até à Ribeira Seca, incluindo a ermida do Porto Martins. Morreram várias pessoas arrastadas pelo mar. Quase todos os portos dos Açores sofreram graves danos, ficando destruídas muitas embarcações. Em Ponta Delgada o mar subiu pelas ruas estragando muitos edifícios. Na Horta, o mar entrou pela Ribeira da Conceição, chegando aos moinhos de água "na altura de 8 palmos".


1757 — Grande terramoto de São Jorge: o Mandado de Deus - Em 9 de Julho de 1757 um dos mais violentos, senão o mais violento, dos terramotos de que há memória nos Açores atingiu a ilha de São Jorge causando destruição generalizada e formando muitas das actuais fajãs, entre elas a da Caldeira de Santo Cristo. O terramoto ficou conhecido na tradição popular pelo Mandado de Deus. Dos grandes deslizamentos resultou um maremoto que atingiu todo o Grupo Central. Pelo menos 1053 pessoas morreram em São Jorge e 11 no Pico. O terramoto foi tal que a norte desta ilha, distância de 100 braças, pouco mais, se levantaram dezoito ilhotas, umas maiores que outras. Apareceram todas na manhã do dia 10 [de Julho]. É navegável o mar entre as ditas, e a ilha. Nas Fajãs dos Vimes, São João e Cubres, se moveu a terra, voltando-se do centro para cima, de sorte que nelas não há sinal [de] onde houvesse edifício. No Faial o sismo foi sentido sem causar grandes danos.

1759-1760 — Crise sísmica de 1759-1760 no Faial - Em 24 de Dezembro de 1759 foi sentido um grande sismo no Faial, seguido de muitas réplicas. A 4 de Janeiro um sismo ainda maior causou o pânico, tendo sido deliberado ir "à Praia do Almoxarife a buscar a imagem do Senhor Santo Cristo que em solene procissão trouxeram para a igreja da Misericórdia". A crise sísmica apenas deixou de ser sentida em Maio, tendo-se celebrado solene Te-Deum.


1761 — Erupção vulcânica no Pico Gordo, Terceira - Sentiam-se desde 22 de Novembro de 1760 grandes e violentos tremores que continuaram até 14 de Abril do ano seguinte, dia em que tremeu a terra estranhamente. No Faial os sismos eram sentidos, "ainda que brandos". A 17 de Abril iniciou-se a erupção nas proximidades do Pico Gaspar, a W do Pico Gordo, sendo emitidas lavas traquíticas muito viscosas que formaram uma doma. A 21 de Abril, nova erupção, desta vez a leste do Pico Gordo, na Criação do Chama, iniciou a emissão de lavas basálticas muito fluídas que formaram três correntes de lava, uma das quais atingiu os Biscoitos, onde soterrou 27 casas, terminando nas imediações da igreja de São Pedro, a cerca de 7 km do local da erupção.

1761 — Ciclone tropical atinge o Grupo Central - A 29 de Setembro de 1761 foi a Terceira atingida por um temporal "por efeito do qual ficaram derrubadas muitas casas e arrancadas muita quantidade de árvores". Copiosas chuvas fizeram transbordar as ribeiras.

1779 — Ciclone tropical atinge o Grupo Central - Na noite de 30 para 31 de Outubro levantou-se um rijo temporal que trouxe à costa 7 navios e arruinou as muralhas da Horta.


1779 — Epidemia nas Flores - Grassaram neste ano na ilha das Flores febres mortíferas de que morreu muita gente.

1785 — Mau ano agrícola provoca fome - Foi este ano muito escasso em cereais em todo o arquipélago. Na ilha das Flores morreram algumas pessoas de falta de alimentos.

1787 — Crise sísmica na Graciosa - Em Março deste ano, uma crise sísmica abalou a ilha Graciosa sem, contudo, causar danos consideráveis.

1792 — Enchente de mar vila de Velas, São Jorge - A 23 de Janeiro deste ano, foi "tão impetuosa a bravura do mar" que derrubou a muralha de protecção, destruiu uma casa e danificou outras, ameaçando atingir a praça defronte da Matriz de Velas.

1800 — Terramoto no NE da Terceira - Na tarde do dia 24 de Junho, um terramoto destruiu boa parte dos edifícios das freguesias do NE da Terceira, atingindo mais intensamente as povoações situadas entre a Vila Nova e a vila de São Sebastião. Foi seguido de uma grande réplica a 29 de Dezembro. Não causou mortos, mas os danos materiais foram grandes. Leia mais sobre o terramoto de 1800.


sexta-feira, 10 de abril de 2020

Capela de Nossa Senhora das Vitórias Villa Maria ilha Terceira Açores


 A Capela de Nossa Senhora das Vitórias é uma capela portuguesa localizada na Quinta de Villa Maria, Solar dos Noronhas, no concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira.
Foi construída conjuntamente com a edificação da segunda parte do solar, tendo sido construída mais ou menos a meio desta edificação que foi erguida em duas épocas diferentes, sendo a primeira do século XVI de 1502 e a segunda do século XVIII datando de 1700. Tem uma grande janela Emoldurada por cantarias trabalhadas que recebem a luz do sol por vidraças de rústicos vitrais em tons de verde, azul e vermelho.
Tem-se acesso a esta capela por duas portas em ogiva a partir do corredor central. Esta capela está devidamente registada e autorizada pela diocese de Angra do Heroísmo desde os tempos da sua edificação.

Aqui já se rezaram missas e se fez casamentos. No dia 26 de Novembro do ano 2005 foi realizado um baptismo pele senhor Cónego Francisco Caetano Tomás.
Apesar de à cerca de meio século só ser utilizada pelos proprietários da casa, guarda todos os paramentos necessários à sua actividade.
A bela imagem de Nossa Senhora das Vitórias, aqui existente é esculpida em madeira, e é datada da fundação da capela. Entre vários paramentos a referenciar existe um magnifico missal escrito em Latim, uma cálice delicadamente trabalhado.

Os primorosos trabalhos da capela, todos feitos em madeira trabalhada são de grande beleza, destacam-se as Flor-de-lis, as folhas estilizadas. As letras com o monograma do seu fundador destacam-se debaixo do altar.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

A Peste na ilha Terceira Açores


 A epidemia teve origem num caixão com fazenda que desembarcara na cidade e fora aberto na rua da Esperança, numa casa situada no local onde está o Teatro Angrense. Toda a ilha foi invadida pelo mal que diferia do que no continente já fora conhecido pela mesma designação; porque, além dos bubões, conta o padre Maldonado, «começava e acabava a vida a espirrar muito».

Em Julho e Agosto se desenvolveu de tal modo que foi necessário estabelecer casas de saúde. Foram enfermeiros, cuidando dos doentes carinhosamente, os padres Franciscanos que, com caridade evangélica, tratavam, amezinhando e curando os enfermos. Faleceram, em toda a ilha, cerca de 7.000 pessoas de ambos os sexos, grandes e pequenos, cujos cadáveres se sepultaram nas igrejas, adros, cemitérios e cerrados. Durou esta calamidade até 20 de Janeiro de 1600. Tomaram as Câmaras da ilha, por padroeiro, o mártir São Sebastião, fundando-se ermidas próprias que foram desaparecendo com os terramotos e substituídas por edifícios públicos.

Durante muitos anos se fazia em toda a ilha a festividade de São Sebastião, a expensas das Câmaras, acorrendo povo de toda a parte, aterrorizado ainda pelo que havia presenciado.
O cemitéje se encontra a ermida do Livramento, que dantes se chamava de São Roque.
Nos primeiros anos vinham romarias a visitar o lugar onde tantos dos seus jaziam.
 Gervásio Lima, Breviário Açoreano, p. 131, Angra do Heroísmo, Tip. Editora Andrade, 1935.rio, onde se enterrou a maior parte dos mortos.


segunda-feira, 6 de abril de 2020

Comendador José Vieira Goulart no Rio de Janeiro


 José Vieira Goulart  nasceu nas Fontinhas freguesia do concelho da cidade da Praia da Vitória e faleceu  em  1864  no  Rio de Janeiro, Abril de 1957  foi um emigrante açoriano que em 1874, aos 10 anos de idade (embora no seu passaporte fosse declarada a idade de 12 anos) partiu para o Rio de Janeiro, onde em conjunto com um irmão, Francisco Vieira Goulart, granjeou fortuna. Foi uma figura de relevo da colónia açoriana emigrada no Brasil e um grande benemérito das instituições de solidariedade da sua terra natal. Financiou a construção da primeira maternidade da cidade da Praia da Vitória, o Pavilhão José Goulart no antigo hospital da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória, e a construção da escola primária das Fontinhas, a Escola Irmãos Goulart, que ainda ostenta o seu nome.

Foi feito comendador, sendo conhecido por Comendador Goulart. Faleceu no Rio de Janeiro aos 83 anos de idade.


sábado, 4 de abril de 2020

Lista de emigrantes Açorianos para o Brasil



1. Agostinho Machado Fagundes (Santa Luzia, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, c. 1642 - Brasil, c. 1718) casado com Genebra Leitão de Vasconcelos.

2. Ana Margarida de Jesus de Sousa Breves (Angra do Heroísmo, Terceira, Açores, Portugal, c. 1772 - Piraí, Rio de Janeiro, Janeiro de 1852) casada com Francisco Luís Gomes.

3.Ana Maurícia Rosa (Santa Bárbara, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, ? - Brasil, ?) casada com Mateus Lourenço Coelho.


4. Ana de Santiago (Santa Bárbara, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, ? -Brasil, ?) casada com Manuel de Medeiros e Sousa.

5. Ana Ursula da Conceição (São Bento, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, ? - Brasil, ?) casado com Martinho José da Costa.

6. António Gonçalves Borges (São Miguel Arcanjo, Terceira, Angra Do Heroísmo, Açores, Portugal, c. 1748 - Rio Pardo, Rio Grande do Sul, ?) casado com Joana Rosa Pereira Fortes.

7.  António José de Matos (Angra do Heroísmo, Terceira, Açores, Portugal, ? - Brasil, ?) casado com Catarina Antónia da Encarnação.


8.  António Nunes Corvelo (Altares, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, 16 de Abril de 1696 - Santo Amaro, Rio Grande do Sul, 13 de Outubro de 1793) casado com Maria De Melo e Maria Francisca da Conceição de Melo.

9.  António Nunes Corvelo, Filho (Altares, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, 17 de Agosto de 1732 - Canguçu, Rio Grande do Sul, 13 de Outubro de 1810) casado com Ana Maria do Nascimento.


10. António da Silveira Goulart (Nossa Senhora da Ajuda, hoje Pedro Miguel, Angra, Ilha Terceira, Açores, Portugal, 8 de Dezembro de 1696 - Araçariguama, São Paulo, 2 de Setembro de 1771) casado com Maria Leite da Silva.

11. António de Sousa Breves (Santa Luzia , Angra do Heroísmo, Ilha de São Jorge, Açores, Portugal, c. 1720 - São João Marcos, Rio de Janeiro, 31 de Dezembro de 1814) casado com Maria de Jesus Fernandes. O "Velho Cachoeira", como ficou conhecido em idade tenra , foi patriarca da família Breves no Brasil.

terça-feira, 31 de março de 2020

Casa do Gaiato na ilha de São Miguel Açores


 O Padre Elias nasceu a 21 de Agosto de 1926 na freguesia do Faial da Terra e  era filho de António Resendes André e de Maria Amelia Pacheco.
Em 1946, o Elias era aluno do primeiro ano de Filosofia no Seminário de Angra do Heroísmo.
Após a ordenação sacerdotal a 1 de Junho 1952, o Elias seguiu para Continente, estagiando com o padre Américo na Casa do Gaiato em Paço de Sousa e no Tojal. Regressou a S. Miguel em Outubro, iniciando a Obra do Gaiato, originalmente instalada num espaço reservado no edifício da Estação Agrária Distrital em S. Gonçalo. Em breve se deu conta que as acomodações eram exíguas para o funcionamento dos dois serviços.
Procurando solucionar o problema, o padre Américo deslocou-se a S. Miguel reunindo-se com a Junta Geral. Valendo-se dum legado de Alice Moreno, completou-se a transferência da Obra do Gaiato para uma propriedade no Monte Alegre na freguesia das Capelas, (que foi Vila de 1839 a 1853). Concluídas as devidas adaptações, a Casa do Gaiato entrou a funcionar ali a partir de 2 de Abril 1956.

Entretanto, em Julho desse ano falecia o Padre Américo. Foi então que o Padre Elias promoveu o Instituto Apóstolos da Rua e professou com o nome Frei Elias do Monte Carmelo. Em 1961 fundou o “Calvário” para doentes incuráveis e destituídos de amparo de familiares ou de apoio de instituições adequadas.
Seguidamente abriu o “Ninho” para crianças dos três aos seis anos de idade, e o “Lar” para rapazes estudando e trabalhando em Ponta Delgada. Fundou ainda e dirigiu o jornal “O Apóstolo da Rua.” Com o seu estilo desassombrado e empolgante marcou presença assídua na imprensa regional. E como pregador demonstrou uma erudição extraordinária, que a todos comovia e arrebatava.
Faleceu em 1974 em Ponta Delgada.


sábado, 28 de março de 2020

Dr. Alexandre Martins Pamplona Ramos


 Alexandre Martins Pamplona Ramos  nasceu na Praia da Vitória, 6 de Junho de 1865 e faleceu em  Angra do Heroísmo, 4 de Fevereiro de 1933. Foi um médico e político açoriano que se notabilizou no combate à epidemia de peste que afectou a ilha Terceira nos primeiros anos do século XX. Entre outras funções, foi governador civil do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo.
Alexandre Martins Pamplona Ramos era filho de António Ramos Moniz Corte-Real e de Maria do Livramento Martins Pamplona Ramos, uma família com raízes na região do Ramo Grande desde os tempos do povoamento. Pelo lado paterno a família estava ligada a Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real, o 1.º conde de Subserra.
Depois de estudos preparatórios na sua vila natal, formou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, tendo, em 1891, ainda aluno do 5.º ano de Medicina, diagnosticado, pela primeira vez em Portugal, uma hemoglobinúria paroxística "à frigore" (ou doença de Harley), doença que viria depois a ser abordada na sua dissertação de formatura, orientada pelo Professor José Curry da Câmara Cabral e publicada em 1895.
Alexandre Ramos distinguiu-se principalmente na investigação e no tratamento da peste, tendo trabalhado com o Dr. António Joaquim de Sousa Júnior no controlo da epidemia de 1908 que afectou a Terceira. Foi considerado pelos Professores Fernand Widal e Francisco Pulido Valente, como um verdadeiro precursor médico e um mestre da ciência clínica e da prática médica.
Tendo-se envolvido na política partidária, o Dr. Pamplona Ramos foi chefe do Partido Regenerador na Terceira nos anos que antecederam a proclamação da República Portuguesa. Após aquela data aderiu ao Partido da União Republicana, então liderado por Brito Camacho, mantendo uma intensa actividade política que marcaria a sua vida profissional e pessoal.
No ano de 1925, nos tempos finais da Primeira República Portuguesa, ocupou por alguns meses o cargo de governador civil do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo.
O seu trabalho como médico municipal e subdelegado de saúde na Praia da Vitória granjeou-lhe renome e influência, mormente na Praia da Vitória, onde era considerado um clínico excepcional, muito dedicado aos seus doentes, modesto e humilde. Apesar da profissão que exerceu e da sua popularidade, morreu pobre.
O Dr. Alexandre Ramos foi diversas vezes evocado no passado, nomeadamente pela atribuição do seu nome à rua da Praia da Vitória onde nasceu e pela publicação de diversos artigos sobre a sua vida e obra, com destaque para um publicado por ocasião do 30.º aniversário do seu falecimento, na edição de 4 de Agosto de 1963 do Diário Insular, da autoria do Dr. Francisco Valadão Júnior.