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quarta-feira, 12 de abril de 2023

Urbano Bettencourt

 


Manuel Urbano Bettencourt Machado  nasceu na Piedade ,Lajes do Pico a  24 de Novembro de 1949. É um poeta e escritor açoriano, considerado um dos intelectuais de maior destaque na vida cultural dos Açores. A sua obra, iniciada em 1972, contempla o ensaísmo, a poesia e a prosa de ficção. Como ensaísta, tem um trabalho continuado sobre a literatura feita nos Açores, e também um olhar informado sobre o que acontece na área da Macaronésia (Madeira, Canárias e Cabo Verde), em livro e em revistas da especialidade (nacionais e estrangeiras) e na imprensa açoriana. Na ficção e na poesia, publicou cerca de duas dezenas de títulos. Parte da sua produção literária tem sido traduzida no estrangeiro, quer em obras autónomas, quer em antologias. Licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é doutorado em Estudos Portugueses pela Universidade dos Açores, instituição onde é docente e investigador.


Professor universitário, lecionou no ensino secundário e na Universidade dos Açores, onde se doutorou em Estudos Portugueses.


Uma parte da sua investigação e ensaísmo sobre literaturas insulares encontra-se reunida em O Gosto das Palavras (3 vols: 1983, 1995; 1999); De Cabo Verde aos Açores – à luz da «Claridade» (1998); Ilhas conforme as circunstâncias (2003) e O Amanhã não existe. Inquietação insular e figuração satírica em José Martins Garcia (2017).


No campo da narrativa e da lírica:



Raiz de Mágoa (1972);Ilhas (de parceria com Santos Barros, 1977); Marinheiro com residência fixa (1980); Naufrágios Inscrições (1987); Algumas das Cidades (1995); Lugares sombras e afectos (2005); Santo Amaro Sobre o Mar (2005); Antero (2006); Que paisagem apagarás (2010); África frente e verso (2012); Outros nomes outras guerras (2013); Com navalhas e navios (2019).


Está representado em diversas antologias no país e no estrangeiro (Brasil, Canadá, Estados Unidos da América, Eslováquia, Hungria e Letónia). Tem dezenas de ensaios dispersos em jornais e revistas da especialidade e em obras de conjunto, dentro e fora do país.



Mariana Belmira de Andrade

 



Mariana Belmira de Andrade  nasceu nas Velas a  31 de Dezembro de 1844  e faleceu nas Velas a  17 de Fevereiro de 1921.  Foi uma professora do ensino primário, poetisa açoriana da geração realista, ficcionista, ativista republicana com laivos de socialismo e feminista.


Era proveniente de uma família de comerciantes, recebeu a educação própria de uma rapariga do seu tempo da média burguesia açoriana, com a instrução primária, francês e inglês e uns rudimentos de música. Foi a sua dedicação aos estudos e a sua vontade de saber mais que a levou a estudar e a obter por si mesma o lastro literário que completou a sua formação intelectual.  Aprendeu quase sozinha a tocar piano e a ler e traduzir a língua francesa. A sua vasta cultura deve-se também ao convívio com outros intelectuais jorgenses do seu tempo, como João Caetano de Sousa e Lacerda e com Delfina Vieira Caldas, a perceptora dos filhos do conselheiro José Pereira da Cunha da Silveira, e às leituras que fez de autores como Victor Hugo, Jules Michelet, Gomes Leal e Antero de Quental.




Apresentava um carácter indómito e pouco sociável e assumia-se andrófoba e refractária ao casamento. Não deixou, porém, de casar com António Maria da Cunha, ainda que só aos 34 anos de idade, tardiamente para a época, e suportando por muito pouco tempo o que ela chamava a «treva do himeneu».  Não tendo o casamento sido feliz, o seu génio insubmisso levou-a, com efeito, a separar-se do marido logo após o batizado do único filho do casal, Inocêncio, cujo nome foi motivo de discórdia entre os progenitores. Alice Moderno, sobre este assunto, escreveu o seguinte: Contava a ilustre poetisa que entre os cônjuges se travara acesa discussão, que foi até à pia batismal, tendo sido a contenda finalizada pelo pároco, que acedeu aos desejos do pai, objetando à mãe do neófito que: «onde há galo não canta galinha». 



Separada do marido e com necessidade de garantir o futuro do filho, foi para Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde obteve o diploma de professora primária. Habilitada ao magistério primário, dedicou-se daí em diante ao ensino das primeiras letras. Praticamente viveu toda a sua vida na sua ilha natal de São Jorge, onde foi uma reputada professora primária na vila das Velas.


Foi já depois do casamento desfeito e de ter enveredado pelo ensino que, por volta dos 40 anos de idade, sentiu «bafejar-lhe a fronte / o fogo da inspiração» sob o signo do romantismo, mas rimou os primeiros «devaneios» poéticos já sem sacrificar a Eros, por o «orgulho de mulher» lhe tornar defeso o prazer do amor e não achar «o homem assunto digno de verso».  Esta fase inicial da sua obra poética fez nascer o seu primeiro livro de poesias, que afina pela escola romântica.



terça-feira, 11 de abril de 2023

O pirata que morreu nos Açores




 François le Clerc, também  chamado  como Francis le Clerc , Normandia, 15?? - 1563, apelidado de "perna de pau" ("Jambe de Bois" pelos franceses, "Peg Leg" pelos ingleses ou "Pata de Palo" pelos espanhóis), foi um corsário francês do século XVI. É reconhecido como o primeiro pirata da Era Moderna a usar uma prótese para substituir um membro inferior. Também foi o primeiro a possuir uma "carta de marca", expedida por Henrique II de França.


Frequentemente era o primeiro homem a invadir um navio inimigo durante uma manobra de abordagem. Esse comportamento intrépido é que, eventualmente, o levou a sofrer a perda de uma perna e graves danos a um braço, quando em combate com os ingleses ao largo de Sark e Guernsey em 1549. Embora muitos piratas tenham tido as suas carreiras encerradas por ferimentos dessa magnitude, le Clerc recusou-se a aposentar-se, tendo mesmo alargado o seu raio de ação através do financiamento de viagens e dos ataques de outros piratas.


Henrique II de França concedeu-lhe um título de nobreza em 1551, como reconhecimento à sua coragem.



Em 1553 junto com Jacques de Sores e Jean-François de la Rocque de Roberval (conhecido pelos espanhóis como Roberto de Baal, também chamado  como Robert Blundel) assumiu o comando de 6 galeões, 8 caravelas e 4 patachos transportando um efectivo de 800 homens. Nesse mesmo ano, liderou um ataque contra a cidade de Santa Cruz de La Palma, no arquipélago das Canárias, que saqueou e incendiou  a 21 de Julho . Esta armada também atacou e saqueou San Germán, a segunda cidade mais antiga de Porto Rico, e saqueou metodicamente os portos de Hispaniola (Cuba), de sul para norte, a ilha de Mona, a ilha Saona, Yaguana e outras, roubando toda a artilharia possível no percurso. Ainda em 1553 le Clerc recebeu o comando do "Le Claude", um dos 12 navios guarda-costas da Normandia.


Com oito embarcações e 300 homens saqueou Santiago de Cuba em 1554 durante um mês, tendo se evadido com um tesouro de 80.000 pesos. Esta, que foi a primeira capital de Cuba, assim completamente devastada, foi a partir de então eclipsada por Havana, jamais tendo voltado a recuperar a sua antiga prosperidade. Em seguida navegou em direcção ao mar dos Açores. A frota obteve um grande butim e, na viagem de volta, saqueou a cidade de Las Palmas, na ilha de Gran Canaria.




Ele e sua tripulação de 330 homens foram os primeiros europeus a estabelecer-se na ilha de Santa Lúcia, e a utilizar a vizinha Pigeon Island para assaltar os galeões de tesouro espanhóis que transitavam ao largo da Martinica.


Em 1560, enquanto aguardava uma frota de tesouro espanhola transportando uma carga de ouro, causou grandes danos aos assentamentos ao longo da costa do Panamá.


Em abril de 1562, os protestantes em várias cidades da Normandia rebelaram-se contra o soberano católico romano. Isabel I da Inglaterra despachou forças britânicas para ocupar Le Havre até junho de 1563. Le Clerc juntou-se às forças inglesas e devastou a navegação francesa. Em março de 1563 pediu à soberana uma grande soma em prata como uma recompensa por suas ações. Quando a soberana declinou o seu pedido, ferido em seu orgulho, le Clerc partiu para o arquipélago dos Açores, onde veio a ser morto, naquele mesmo ano, enquanto caçava navios de tesouro espanhóis.



Faleceu nos Açores em 1563.



segunda-feira, 10 de abril de 2023

Descobertas acerca dos descendentes de Violante Velho Cabral no Brasil

 


Pesquisas sobre a nossa família no ramo dos "Velho Cabral".

Há cerca 396 anos era realizado o casamento de meus tios (sim, irmão de minha 8ª avó Catherina Velho de Melo, ancestral de minha bisavó paterna Joaquina de Souza e Almeida.

Os noivos Manuel Pereira e Maria de Matos. Manuel era irmão de Catherina Velho de Melo, filhos de Diogo Velho Pereira (meu 9º avô).

Casamento em 18 de Junho de 1622.


Este é mais um achado incrível de Inês Duque, genealogista, e pesquisadora nos Açores sobre a ligação que se reconecta com nosso ramo "Velho Cabral". Cujas origens estão ligadas a Violante Velho Cabral irmã do navegador Frei Gonçalo Velho Cabral.

Maria Velho Cabral mãe de Violante e do Frei Gonçalo era irmã de Luiz Álvares Cabral, 2º Senhor de Azurara, em Belmonte, Portugal, bisavô do descobridor do Brasil, portanto era tia-bisavó de Pedro Álvares Cabral.


Na imagem o assento que consta no primeiro livro de casamentos da Freguesia de Nossa Senhora de Assunção, no Conselho de Vila do Porto, Ilha de Santa Maria, Açores, Portugal. E os Brasões de Armas das famílias"Velho" e "Cabral".

Em 25 de abril aniversário de meu pai João Sampaio Almeida, descendente dos Velho Cabral, farei uma publicação da genealogia dele até Álvaro Gil Cabral, senhor de Belmonte e Azurara.

Agradeço mais uma vez ao primo genealogista Igor de Almeida, o qual em pesquisas através de fontes primárias, e conhecedor do recôncavo baiano no período colonial chegou até meus 9º avós Diogo Velho Pereira e Ignês de Gouveia de Matos. E ao trabalho intenso nas próprias ilhas de Santa Maria, e de São Miguel de Inês Duque que nos dá grande alegria em reconectar a família às suas raízes portuguesas.


"Cultivar, e preservar a memória, e perpetuação da história familiar"


( Cortesia a Ricardo de Almeida )



domingo, 9 de abril de 2023

As primeiras famílias que povoaram os Açores




Francisco Dias do Carvalhal





Francisco Dias do Carvalhal foi o depositário em Angra, actual cidade de Angra do Heroísmo dos cofres de ouro da casa real, que vinham da índia e de São Jorge da Mina, Estado Português da Índia e África.

Garcia de Castro






Garcia de Castro (? - ilha Terceira, Açores, Portugal) A família Castro dos Açores é descendente de D. Garcia de Castro irmão do 1° conde de Monsanto, os quais eram filhos de D. Fernando de Castro, senhor do Paul do Boquilobo, que foi Governador da Casa do infante D. Henrique, de D. Isabel de Ataíde, netos paternos D. Pedro de Castro, Senhor do Cadaval e de outras terras, e de D. Leonor Teles de Meneses; e bisnetos de D. Pedro Pires de Castro, Conde de Arraiolos e 1º Condestável de Portugal, e da condessa D. Maria Ponce de Leão.

Gaspar Munhoz de Castil Blanque

Gaspar Munhoz de Castil Blanque (Reino de Castela, século XVI - ?) foi alferes-mor e capitão da Fortaleza de São João Baptista de Angra do Heroísmo.







Inês Martins Cardoso

Inês Martins Cardoso foi juntamente com o seu marido Álvaro Martins Homem, 1.º Capitão donatário da Praia, actual cidade da Praia da Vitória um dos primeiros povoadores da ilha Terceira.


Jácome de Bruges





Jácome de Bruges (em flamengo: Jacob van Brugge; século XV) foi um nobre flamengo, da região de Bruges e o 1.º capitão do donatário na ilha Terceira.

Jerónimo Gonçalves Teixeira

Jerónimo Gonçalves Teixeira ou D. Jerónimo Gonçalves Teixeira Souto Mayor (Trás-os-Montes, Portugal, 1490 —?) foi um dos primeiros povoadores portugueses da ilha de São Jorge, Açores.


quinta-feira, 6 de abril de 2023

Manuel António Lino

 


Manuel António Lino  nasceu em Angra do Heroísmo a  4 de Janeiro de 1865  e faleceu em Angra do Heroísmo a  15 de Junho de 1927 .  Foi um médico, professor liceal e político açoriano que, entre outras funções de relevo, foi governador civil do Distrito da Horta. Foi também poeta e dramaturgo de nomeada e distinguiu-se no campo da música e da jardinagem.


Manuel António Lino nasceu na cidade de Angra do Heroísmo no seio de famílias de origens modestas, filho de um tanoeiro. Após ter completado os estudos secundários no Liceu de Angra, em 1884 matriculou-se em Coimbra nos estudos preparatórios para frequentar o cursos de Medicina. Terminados com êxitos esses estudos, em 1885 matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, tendo concluído em 1892 o bacharelato em Medicina e Cirurgia. Considerado um aluno de excelência durante todo o seu curso, premiado em todos os anos da licenciatura, apesar de convidado para continuar na Universidade de Coimbra regressou nesse ano a Angra do Heroísmo, cidade onde abriu consultório.


No seu consultório exerceu clínica geral e oftalmologia, sendo em 1895 nomeado facultativo do partido municipal da Praia da Vitória, cargo que acumulava com a clínica privada. Obteve igual nomeação em 1896 para o Município de Angra do Heroísmo. Em 1899 foi escolhido pela Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo para integrar uma missão que foi estudar a montagem e funcionamento dos postos de desinfecção e as medidas de profilaxia e controlo da peste bubónica em Espanha, França e Inglaterra, tendo permanecido algum tempo na cidade do Porto, onde então grassava um surto epidémico daquela doença. A experiência obtida no Porto ser-lhe-ia muito útil no combate ao surto epidémico que em 1908 ocorreu na ilha Terceira.


Após a viagem de estudo, em 1900 foi nomeado Delegado de Saúde no Distrito de Angra do Heroísmo, funções que exerceu até 1919, ano em que foi promovido a Guarda-Mor de Saúde daquele Distrito. Foi promovido a Subinspector-Geral de Saúde em 1926, cargo que exerceu até falecer.


Para além da sua carreira como médico, em 1918 foi nomeado professor provisório de Ciências Naturais e de Química do Liceu Nacional de Angra do Heroísmo, funções que exerceu até falecer. Como professor deixou gratas recordações, conforme testemunhado na sessão de homenagem realizada aquando da inauguração do seu busto no Jardim Duque da Terceira.