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sexta-feira, 11 de março de 2022

O templo mais antigo da freguesia dos Biscoitos ilha Terceira



A Ermida de Nossa Senhora do Loreto localiza-se na Canada da Obra, no Bairro de São Pedro, freguesia dos Biscoitos, concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Remonta a uma primitiva ermida erguida por iniciativa de Pero Anes do Canto (1480-1556), nomeado "Provedor das Armadas e Naus da Índia em todas as ilhas dos Açores" em 1532. Embora se desconheça a data efectiva da sua edificação sabe-se que o terá sido entre 1512 e 1521, junto às casas que o mesmo possuía na Quinta de São Pedro. "(...) Situada numa zona altaneira, custou a Pero Anes do Canto, segundo declarou, mais de quinhentos mil reais, e foi erigida com licença do rei e do bispado da ilhas." (GREGÓRIO, 1999:34)

Sob a invocação de Nossa Senhora da Nazaré, FRUTUOSO, e posteriormente outros cronistas, referem este templo como Capela de Nossa Senhora do Loreto. (FRUTUOSO, 1978:37) O cronista refere-a como "mui ornada e fresca, a melhor que houve na ilha". (Op. cit.)
Embora alguns autores apontem a data de 1556 para a construção do templo, esta trata-se da de constituição da freguesia dos Biscoitos, após o falecimento de Anes do Canto, no mesmo ano.


Anes do Canto registou ainda que as obras do templo foram dotadas pela oferta da primeira vaca recebida de seu rendeiro, Jorge Marques. Da dotação dessa vaca, e de todas as suas crias, que mandara ferrar na "espadoa" (espádua), Anes do Canto determinou em seu testamento, ao herdeiro do morgadio no qual a vinculou, a respectiva provisão: 16 mil reais, dos quais 12 mil para o pagamento do salário do capelão e 4 mil para os ornamentos e fábrica da capela. Ficavam de fora os gastos com a reparação do edifício, obrigação que deixou ao mesmo herdeiro. Posteriormente, na sua segunda disposição testamentária, datada de 1 de junho de 1543 na nota do tabelião Diogo Leitão, da cidade de Lisboa, determinou que nela fossem aplicados mais 100 mil reais para que fosse corrigido o campanário e adquiridos os ornamentos. (GREGÓRIO, 1999:35) Acredita-se que a obra no campanário pudesse estar ligada com o terramoto de 1547, que atingiu particularmente a área e fez ruir uma parte daquele templo. (Op. cit.) Com relação aos ornamentos do templo, a última disposição conhecida de Anes do Canto, datada de 1555 foi para que todo o gado com que o dotara fosse vendido, e com o montante apurado se adquirisse uma cruz de prata de dez marcos.


Foi nesta capela que Anes do Canto inicialmente determinou ser sepultado, caso falecesse na Quinta de São Pedro, vindo a esclarecer, na sua disposição testamentaria de 1544, que dando-se o falecimento em tal localidade lá fosse sepultado mas, posteriormente, a sua ossada deveria ser transferida para outra capela, que tencionava erguer na Sé de Angra.

A atual ermida datará do século XVIII, conforme o Inventário do Património Imóvel dos Açores.Adquirida pelo Tenente Coronel António José de Simas, natural da freguesia dos Biscoitos, conforme escritura datada de 17 de Novembro de 1943, foi destruída pelo sismo de 1980. Os seus herdeiros, o seu sobrinho, Dimas Simas Costa, emigrado na Califórnia, e familiares, procederam a sua reconstrução a partir de 2004, reinaugurando-a a 19 de Junho de 2005, celebrando o matrimónio do próprio Dimas Simas. O custo dos trabalhos ascendeu a cerca de 140 mil dólares, devolvendo-a ao seu estado anterior.

Encontra-se relacionada no Inventário do Património Histórico e Religioso da Praia da Vitória.



terça-feira, 8 de março de 2022

A Alcatra da Ilha Terceira nos Açores teve a sua origem nos primeiros povoadores



A Alcatra da Ilha Terceira nos Açores teve a sua origem nos primeiros povoadores provenientes de Trás -os- Montes, onde já existia um prato semelhante, o qual se apelida de Chanfana.
Outrora a alcatra fazia parte da mesa de senhorios da alta sociedade que na altura tinham posses para confeccionar este prato típico da ilha Terceira.


A alcatra é um prato típico e emblemático da cozinha terceirense e a prova disso é que até se criou a Confraria da Alcatra na Ilha Terceira. Esta contribui para a preservação e dignificação da Alcatra, distinguindo e divulgando os restaurantes da Terceira que a confeccionam devidamente.
Alguns dos principais requisitos para uma alcatra bem confeccionada são o alguidar de barro, a cozedura em forno de lenha e coberta com folha de inhame.


A alcatra terceirense, contudo tudo o que tem de, antigo, religioso está ligado ao Divino Senhor Espírito Santo.

Devido ás funções em que está inserido na cultura e na festividade deste povo, todos o fazem mas de acordo com as posses que possuem.

Tradicionalmente e para as comemorações, este prato é precedido pelas Sopas de Espírito Santo .
A alcatra pobre, a que se serve normalmente no império das freguesias com menos posses, era a mesma que se servia em momentos especiais tais como: o casamento, batizado ou em touradas.
A carne utilizada para este prato era e ainda é o chambão, o vinho de cheiro, a gordura utilizada era a banha.



A alcatra pertencente á classe média se tornou vulgar nos melhores restaurantes usam as melhores carnes como o acém.
Nas famílias mais antiquadas há o costume usar a carne de rabadilha ou folha de alcatra, a gordura é manteiga e o vinho branco.


sábado, 5 de março de 2022

Afonso Vaz de Azevedo foi um dos povoadores dos Açores

Afonso Vaz de Azevedo foi um dos povoadores dos Açores cujas famílias actuais descendem, uns, de Afonso Vaz de Azevedo, e, outros, de Fernão Vaz de Azevedo, seu sobrinho, os quais passaram nos fins do século XV à ilha Terceira, Açores, onde foram dos primeiros povoadores.

Segundo o Padre António Cordeiro, na sua História Insulana, e outros escritores, procediam da nobre geração e linhagem dos Azevedos, cuja casa solar é a Torre de Azevedo, na freguesia de São Salvador da Lama (Barcelos), do actual concelho de Barcelos, outrora concelho de Prado.

Apesar de não ser possível garantir, é forçoso, porem, confessar, que eram nobres e próximos parentes de João Vaz Corte Real, 1º capitão donatário de Angra do Heroísmo.

 - Afonso Vaz de Azevedo, casou na ilha Terceira com Beatriz Anes de Sousa, filha de Gonçalo Anes de Sousa, Fidalgo da Casa Real e também dos primeiros povoadores da ilha Terceira.

As suas desinteligências com o donatário João Vaz Corte Real forçaram-no a retirar-se para a ilha de São Miguel, onde residiu entre Ponta Delgada e Vila Franca do Campo, no sitio onde existe um pequeno porto de mar, que ele próprio mandou abrir à sua custa e a que foi posto o nome de Afonso Vaz.

Anos depois voltou à ilha Terceira onde veio a falecer tendo deixado alguns filhos bastardos na ilha de são Miguel e as seguintes filhas do seu matrimónio:

Marinha Afonso de Azevedo, casado em Angra do Heroísmo com Diogo Fernandes de Boim.

Joana Pais de Azevedo, e que casou com o seu cunhado, Diogo Fernandes de Boim após a morte da irmã.

Iria Afonso de Azevedo, que também casou em Angra do Heroísmo com Álvaro Dias Vieira.



quinta-feira, 3 de março de 2022

Ermida de São Salvador na cidade da Praia da Vitória ilha Terceira Açores

 





Encontra-se classificada pelo Inventário do Património Histórico e Religioso da Praia da Vitória. Atualmente pertence à Igreja Matriz da Praia da Vitória.

A sua construção remonta a 1560.

Apresenta o corpo principal com planta no formato retangular. Internamente apresenta capela-mor também de planta retangular e um pouco mas mais estreita que o corpo principal, e sacristia contígua à fachada lateral esquerda da capela-mor.


A fachada principal é rasgada por uma porta ao centro, encimada por uma cruz no topo da cumeeira. Do lado esquerdo da ermida, ao nível da cobertura, há um campanário formado por um arco em pedra caiada e que dispõem de um sino.

A capela-mor reflete-se na fachada lateral direita através de um recuo em relação ao corpo principal da ermida, ficando, desta forma, o soco e o cunhal salientes. O edifício encontra-se rebocado e pintado de branco. O soco, os cunhais, a cornija e as molduras dos vãos são em cantaria pintada de cor escura. Os vãos são encimados por duplo lintel e cornija. A cobertura apresenta-se com duas águas em telha de meia-cana tradicional dos Açores e é rematada por beiral simples. A cobertura da sacristia apresenta só uma água.



terça-feira, 1 de março de 2022

Quem escreveu o Hino do Arquipélago dos Açores




O Hino dos Açores terá sido tocado em público pela primeira vez pela Filarmónica Progresso do Norte em Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, a 3 de Fevereiro de 1894. Nesse mesmo dia, António Tavares Torres, então presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal da Ribeira Grande, acompanhado de um grupo de amigos e da Filarmónica Progresso do Norte, foi a Ponta Delgada apresentar o hino. Depois da Filarmónica o ter executado em frente das residências dos membros da Comissão Eleitoral Autonómica, ao anoitecer, reuniu-se no Campo de São Francisco um largo grupo de apoiantes da autonomia, que depois percorreu as ruas da cidade em direcção ao Centro Autonomista frente ao qual se realizou um comício autonomista da campanha para as eleições gerais daquele ano. No comício discursaram, entre outros, Caetano de Andrade, Pereira Ataíde, Gil Mont'Alverne de Sequeira e Duarte de Almeida.


A 14 de Abril de 1894, dia das eleições gerais em que foram eleitos deputados autonomistas os Gil Mont'Alverne de Sequeira, Pereira Ataíde e Duarte de Andrade Albuquerque, realizou-se um cortejo pelas ruas de Ponta Delgada, integrando filarmónicas que tocavam o Hino da Autonomia, que os acompanhantes cantavam.

A 9 de Março de 1895, as filarmónicas também tocaram o Hino da Autonomia na Praça do Município de Ponta Delgada, numa festa organizada para assinalar a promulgação do Decreto de 2 de Março de 1895, que concedia, embora mitigada, a tão desejada autonomia.

Ao longo dos anos, e em função da evolução política, o hino terá tido várias letras. A primeira que se conhece é a do Hino Autonomista, na realidade o hino do Partido Progressista Autonomista, liderado por José Maria Raposo de Amaral, então maioritário em São Miguel. A composição é da autoria do poeta António Tavares Torres, natural de Rabo de Peixe e militante daquele partido. 

Com o advento do Estado Novo e do nacionalismo, o Hino dos Açores foi votado ao ostracismo.
Com a autonomia constitucional o Hino dos Açores foi oficiamente adoptado pelo parlamento açoriano e a sua música, com arranjo de Teófilo Frazão sobre o original, oficialmente aprovada pelo Decreto Regulamentar Regional n.º 13/79/A, de 18 de Maio. Face à inexistência de uma letra com aceitação generalizada, foi encomendada uma nova à poetisa açoriana Natália Correia.


A versão oficial do Hino dos Açores foi cantada pela primeira vez em público a 27 de Junho de 1984, por alunos do Colégio de São Francisco Xavier. Estiveram presentes na cerimónia João Bosco da Mota Amaral, então Presidente do Governo Regional dos Açores, membros do Governo e diversas entidades oficiais. O Hino foi cantado por 600 crianças, vestidas de saia azul, blusa branca e laço amarelo, que tinham sido ensaiadas pela professora Eduarda Cunha Ataíde, ao tempo professora de música no Colégio de São Francisco Xavier.


sábado, 26 de fevereiro de 2022

Palácio de José do Canto na ilha de São Miguel Açores




José do Canto nasceu a 20 de dezembro de 1820 e veio a falecer a 10 de julho de 1898. Era filho do morgado José Caetano Dias do Canto e Medeiros e de Margarida Isabel Botelho, que pertenciam a famílias ricas e importantes da Ilha de São Miguel e do Faial.



A Casa Jardim José do Canto, é uma propriedade datada do século XX, habitada a partir de 1958, encontra-se inserida no interior do jardim José do Canto, criado por José do Canto. Este é um dos grandes jardins botânicos privados, e apresenta várias plantas originárias de várias partes do mundo. A Casa do Jardim teve como projeto inicial a construção de um palacete, mas o projeto ficou inacabado.


Atualmente a Casa Jardim José do Canto é utilizada para fins turísticos, sendo o jardim, o palácio e a estufa classificados como uma unidade de turismo de habitação.

A propriedade constituída pelo imóvel e jardim foi considerado pelo Governo Regional de interesse público a 10 de agosto de 1995.


No início do jardim é visível a estátua de bronze, de José do Canto, bem como uma capela, uma antiga estufa/pavilhão de chá, e o palácio já referido. O jardim tem desde a sua criação mais de 6000 espécies, como a Abutilon megapotamicum ou Lanterna-chinesa original da Argentina, Brasil e Uruguai, Ageratina adenophora ou Abundância que é original da América Central, Anomatheca Laxa ou Anomateca que é original da África do Sul, a Araucaria heterophylla ou Auracária que é original da Ilha Norfolk, entre outras.


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

O artista plástico José Nuno da Câmara Pereira

 

José Nuno da Câmara Pereira  nasceu na Ilha de Santa Maria, Açores, 1937 , é um artista plástico português.

Licenciado em Pintura pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa (1966). Foi docente na Escola António Arroio, no IADE e no Ar.Co, Lisboa. Expôs individualmente (Galeria Ottolini, Lisboa, 1974; Museu Carlos Machado, Ponta Delgada, 1977; etc.) e participou em diversas exposições colectivas, nomeadamente na III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, onde lhe foi atribuído o Prémio da categoria Instalações/Objetos.


Em 1987-88 frequentou o Center for Advanced Visual Studies do M.I.T. – Massachusetts Institute of Technology, Cambridge USA (Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Luso-Americana). Em 1994 regressou aos Açores, fixando-se em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira . A partir de então tem desenvolvido uma série de projectos de intervenção pública.


Em Abril de 2006 expôs individualmente na Galeria António Prates , Lisboa. Denominada Ultraperiferia, a exposição foi apresentada por José Luís Porfírio e patenteava uma vez mais a sua capacidade para experimentar novos materiais e novas abordagens ao "caos sensível". Em 2014 é forçado a interromper a atividade artística por motivos de saúde.


Em 2016 foi organizada uma grande exposição retrospetiva da sua obra no Arquipélago, Centro de Artes Contemporâneas (Ribeira Grande, ilha de S. Miguel, Açores). Comissariada por José Luís Porfírio, a exposição integrou uma extensa seleção de obras de sua autoria (nomeadamente uma recriação da peça Mar de Lama, originalmente apresentada na Sociedade Nacional de Belas Artes em 1986), tendo sido publicado um catálogo onde se faz um balanço de toda a sua carreira artística.



Prémios:


1984 – "O Futuro é já hoje?", CAM, Fundação Calouste Gulbenkian. 1a Bienal dos Açores e Atlântico, Menção Honrosa da SREC.

1986 – III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, Prémio de Instalações/Objetos. AICA-Philae, 1o Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte. Artista do ano.

1987 – Prémios SEAT atribuídos às figuras que se destacaram nas diferentes áreas de intervenção social do país.

2000 – Prémio Domingos Rebelo, Direção Regional da Cultura, Açores.