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quinta-feira, 16 de abril de 2020

Dr. José de Freitas Pimentel


 José de Freitas Pimentel  nasceu na Fazenda a  15 de Fevereiro de 1894 e faleceu  na  Madalena a  1 de Janeiro de 1920.  Foi um médico açoriano que se destacou no combate a um surto da grande pandemia da gripe pneumónica que nos finais de 1919 atingiu a ilha do Pico, Açores. Faleceu vítima daquela epidemia, estando sepultado na vila da Madalena, onde uma rua recorda o seu nome.
José de Freitas Pimentel era filho de António de Freitas Pimentel e de Maria do Rosário Trigueiro Pimentel. Foi irmão do também médico, e depois influente político, António de Freitas Pimentel.
Em 1917 licenciou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Exerceu medicina na vila do Cadaval e nas Lajes das Flores e em 1919 foi nomeado professor da Escola Primária Superior da Horta, cidade onde igualmente exercia medicina.
Quando em Dezembro de 1919 surgiu no Pico um surto de gripe pneumónica, localmente chamada a peste pneumónica, afectando duramente a vila da Madalena do Pico, o jovem médico aceitou generosamente deslocar-se para aquela localidade, já que os serviços de saúde do distrito se haviam desinteressado do problema, sabedores da gravidade da pandemia que um pouco por todo o mundo então grassava e da dificuldade em a combater eficazmente. Tendo com as autoridades camarárias conseguido isolar o surto da perigosa doença e reduzir o ritmo da sua propagação, foi ele próprio, tal como a enfermeira que o acompanhava, atingido, vindo a falecer poucos dias depois, a 1 de Janeiro de 1920. Tinha apenas 25 anos de idade. A enfermeira, Maria da Glória Duarte, era pouco mais velha.
A coragem e abnegação destes profissionais de saúde impressionaram o público e despertaram a gratidão dos picoenses. Os periódicos do então Distrito da Horta dedicaram-lhe as suas primeiras páginas e a Câmara Municipal da Madalena prestou-lhes homenagem, atribuindo o nome do dr. José de Freitas Pimentel a uma das ruas daquela vila. Foi também colocada uma fotografia sua no salão nobre dos Paços do Concelho. Foi também feito patrono da Escola Primária Superior da Horta que passo a chamar-se Escola Primária Superior Dr. Freitas Pimentel.

No Cemitério da Madalena existe um jazigo em mármore com a seguinte inscrição:
DR. JOSÉ DE FREITAS PIMENTEL, POBRE DE BENS, RICO DE TALENTO, MÁRTIR DO DEVER, FALECEU EM 1/1/1920. MARIA DA GLÓRIA DUARTE, SUA DESVELADA ENFERMEIRA, EXEMPLO DE ALTRUÍSMO, VÍTIMA DA SUA ABNEGAÇÃO, FALECIDA EM 8/1/1920. TRIBUTO DA SUA ADMIRAÇÃO PELA FORMA HERÓICA COMO SOUBERAM MORRER NO COMBATE À EPIDEMIA EM 1920. OS SEUS AMIGOS DO FAIAL, FLORES E PICO.


terça-feira, 14 de abril de 2020

Francisco Caetano Tomás


 Francisco Caetano Tomás  nasceu no Lajedo, Lajes das Flores  Ilha das Flores   a  12 de Setembro de 1924  e faleceu  em  Angra, Ilha Terceira a  25 de Janeiro de 2018. Foi um cónego e Monsenhor da Diocese de Angra  que se destacou no campo do aconselhamento psico-social no âmbito da acção pastoral católica. Embora seja por vezes referido como "psicólogo", não detém curso superior em Psicologia nem está inscrito na Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Monsenhor Caetano Tomás, como é mais conhecido, completou os seus estudos iniciais no Seminário Episcopal de Angra, na ilha Terceira, tendo de seguida estudado em Roma, de 1947 a 1954, na Pontifícia Universidade Gregoriana, onde se licenciou em Teologia e Filosofia. Fez também alguns cursos de Matemática, Física e Métodos Científicos na Universidade de Roma.
Regressou aos Açores em 1954, fixando-se em Angra do Heroísmo, onde iniciou a sua carreira de docente no Seminário Episcopal de Angra.
Foi também docente, de Psicologia, na Escola do Magistério Primário de Angra do Heroísmo e na Escola Superior de Enfermagem daquela cidade  hoje instituições integradas na Universidade dos Açores.

Para além da sua actividade docente, destacou-se na introdução do aconselhamento psico-social, especialmente em matérias matrimoniais e de família, no âmbito da acção pastoral da Igreja Católica Romana, no âmbito da qual foi nomeado cónego da Sé Catedral de Angra e distinguido com o título eclesiástico de monsenhor.
Nesse mesmo campo, sempre no contexto das suas funções eclesiais, participou em múltiplos programas sobre Psicologia na rádio e na televisão , e realizou acções de formação nessas matérias para docentes dos ensinos básico e secundário e para o público em geral.
Desde 1980 que é o principal orientador dos "Cursos de Preparação para o Matrimónio", obrigatórios para os nubentes que pretendam casar no rito católico na Diocese de Angra, assumindo nessa matéria as orientações emanadas da Igreja Católica, o que lhe terá valido a reputação de sexista.
Foi director do jornal ergoterápico O Irresponsável, da Casa de Saúde de São Rafael, em Angra do Heroísmo.

Faleceu no dia 25 de Janeiro de 2018 no Hospital de Santo Espírito em Angra do Heroísmo. Contava com 93 anos.


domingo, 12 de abril de 2020

Cronologia de desastres naturais nos Açores de 1713 a 1800


 1713 — Inundações na vila de Velas, ilha de São Jorge - A 10 de Dezembro deste ano, chuvas muito intensas na zona entre a Urzelina e os Rosais provocaram grandes inundações, destruindo 27 casas na vila de Velas. A Ribeira do Almeida veio tão carregada de caudal sólido que criou uma praia que permitia a passagem a pé entre a vila e a Queimada.

1713 — Erupção de lamas e gases do Pico das Camarinhas, ilha de São Miguel - Após várias semanas de contínuos abalos, em finais de Dezembro de 1713 apareceram nas faldas do Pico das Camarinhas "lamas quentes" e gases, tendo a manifestação vulcânica ficado por essa fase. A crise sísmica destruiu muitas casas nos Ginetes, Mosteiros e Candelária.

1713-1714 — Mau ano agrícola, fome e peste - Um mau ano agrícola, a que não foi alheio ciclone tropical de 25 de Setembro de 1713, levou a que em São Jorge fosse tal "a falta de mantimentos que chegou a morrer muita gente de fome". No Pico, o povo teve de recorrer a comer "socas e raízes" para sobreviver. Noutras ilhas também as colheitas falharam e grassou a fome. Como se tal não bastasse uma epidemia de peste provocou alguns milhares de mortos. No Pico terão morrido 5.000 pessoas e no Faial 500 pessoas, entre as quais 49 religiosos dos conventos da Horta.

1717 — Grande crise sísmica de 1717 na ilha Graciosa, causando grande destruição nas freguesias de Guadalupe e de Luz. Desta crise sísmica resultou o voto, ainda cumprido na actualidade, de fazer uma procissão desde o Guadalupe até a Ermida da Ajuda, no Monte da Ajuda em Santa Cruz da Graciosa.


1717-1718 — Epidemia no Faial - De Novembro de 1717 a Fevereiro de 1718 grassou no Faial uma epidemia de "pleurizes" (peste bubónica) que causou muitas mortes. Em Novembro morreu grande parte dos moradores dos Cedros, o mesmo acontecendo em Castelo Branco e Flamengos. Fizeram-se procissões e preces públicas.

1718 — Erupção em Santa Luzia do Pico - A 1 de Fevereiro, pelas 6 da madrugada, ouviu-se uma "espantosa trovoada que encheu de terror os hortenses" e iniciou-se uma erupção vulcânica entre as Bandeiras e Santa Luzia, surgindo torrentes de lava que rapidamente formaram um extenso mistério (o Mistério de Santa Luzia) que penetrou mar adentro. Ver localização do centro eruptivo.

1718 — Erupções em São Mateus e São João do Pico - Na madrugada do dia 2 de Fevereiro, com enormes estrondos acompanhados de violentos sismos deu-se uma explosão no lugar da Bragada, entre São Mateus e São João. Começou logo "o fogo a correr em caudalosas ribeiras para o mar, na distância de duas léguas, formando um vasto mistério". No dia 11 de Fevereiro rebentou no mar, a distância de 50 braças da terra, defronte da igreja de São João, emitindo grandes pedras ardentes que devastaram aquela freguesia. A 24 daquele mês, uma nova erupção iniciou-se no caminho que liga São João ao Cais do Pico em lugar sobranceiro à freguesia de São João. As erupções cessaram a 15 de Agosto, recomeçando em Setembro. A actividade terminou em princípios de Novembro. Ver localização do centro eruptivo.


1720 — Erupção no Soldão, Lajes do Pico - A 10 de Julho iniciou-se por "dezasseis bocas nas faldas do Pico, por detrás do cabeço do Soldão" uma erupção que "inundou de fogo" perto de uma légua quadrada, consumindo terras e vinhedos e destruindo 30 casas "cujos moradores salvaram suas vidas fugindo precipitadamente". A erupção foi precedida de numerosos sismos e perdurou até Dezembro daquele ano. Ver localização do centro eruptivo.

1720 — Erupção no Banco D. João de Castro origina uma ilha efémera - No dia 10 de Outubro viu-se da ilha Terceira, a alguma distância dela, sair do mar um grande fogo. Marítimos que foram observar de perto o fenómeno viram uma ilha toda de fogo e fumo, de onde uma prodigiosa quantidade de cinzas eram lançadas no ar com o ruído de um trovão. A erupção foi precedida de muitos tremores, sentidos na Terceira e na costa oeste de São Miguel. A ilha formada era quase redonda e suficientemente alta para ser avistada de 7-8 léguas de distância. Perdurou até finais de 1723, sendo desfeita pelo mar.

1730 — Sismo causa destruição na freguesia da Luz, Graciosa - A 13 de Junho um violento sismo provocou destruição generalizada na freguesia da Luz, ilha Graciosa.

1732 — Cheias provocam 5 mortos em São Jorge - A 6 de Dezembro grandes cheias provocaram destruição em São Jorge, matando 5 pessoas. Os lugares mais afectados foram Urzelina, Figueiras, Serroa e Velas.


1744 — Ciclone tropical causa grandes cheias - A 5 de Outubro "caíram nestas ilhas copiosíssimas chuvas que inundaram as terras correndo em caudalosas ribeiras". Em resultado dessas cheias, na Prainha do Galeão (Pico) morreram 7 pessoas arrastadas ao mar; na Prainha do Norte (Pico) morreram 6 pessoas e outras 5 pereceram em São Roque (Pico). Em São Miguel também houve mortes em Agua de Pau e nos Fenais.

1745-1746 — Mau ano agrícola provoca fome e emigração em massa - Em resultado das cheias de 1744 e do mau ano agrícola que se seguiu, em 1746 faltaram os cereais, havendo fome generalizada nos Açores. No Pico, o povo "recorreu a socas e raízes para manter a vida e faltando-lhe mesmo esse mísero alimento emigrou para as mais ilhas". Em resultado da desnutrição grassavam as doenças, fazendo grande mortandade. Face a esta situação, por alvará régio foi autorizada a emigração para o Brasil, tendo partido pelo menos 1600 pessoas.

1755 — Maremoto atinge os Açores - O Terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755 provocou o grande maremoto de 1755 (um tsunami) que atravessou a área oceânica onde os Açores se situam, afectando essencialmente as costas viradas a sul e sueste, direcção de onde as ondas se aproximaram das ilhas. O maremoto fez com que "estando o mar em ordinária tranquilidade, se elevou tanto em três contínuas marés ficando quase seca a sua profundidade por largo espaço". Assim, em Angra o mar entrou até à Praça Velha, causando grande destruição; no Porto Judeu o mar subiu "10 palmos acima da rocha mais alta"; na Praia, inundou o Paul e derrubou 15 casas na costa até à Ribeira Seca, incluindo a ermida do Porto Martins. Morreram várias pessoas arrastadas pelo mar. Quase todos os portos dos Açores sofreram graves danos, ficando destruídas muitas embarcações. Em Ponta Delgada o mar subiu pelas ruas estragando muitos edifícios. Na Horta, o mar entrou pela Ribeira da Conceição, chegando aos moinhos de água "na altura de 8 palmos".


1757 — Grande terramoto de São Jorge: o Mandado de Deus - Em 9 de Julho de 1757 um dos mais violentos, senão o mais violento, dos terramotos de que há memória nos Açores atingiu a ilha de São Jorge causando destruição generalizada e formando muitas das actuais fajãs, entre elas a da Caldeira de Santo Cristo. O terramoto ficou conhecido na tradição popular pelo Mandado de Deus. Dos grandes deslizamentos resultou um maremoto que atingiu todo o Grupo Central. Pelo menos 1053 pessoas morreram em São Jorge e 11 no Pico. O terramoto foi tal que a norte desta ilha, distância de 100 braças, pouco mais, se levantaram dezoito ilhotas, umas maiores que outras. Apareceram todas na manhã do dia 10 [de Julho]. É navegável o mar entre as ditas, e a ilha. Nas Fajãs dos Vimes, São João e Cubres, se moveu a terra, voltando-se do centro para cima, de sorte que nelas não há sinal [de] onde houvesse edifício. No Faial o sismo foi sentido sem causar grandes danos.

1759-1760 — Crise sísmica de 1759-1760 no Faial - Em 24 de Dezembro de 1759 foi sentido um grande sismo no Faial, seguido de muitas réplicas. A 4 de Janeiro um sismo ainda maior causou o pânico, tendo sido deliberado ir "à Praia do Almoxarife a buscar a imagem do Senhor Santo Cristo que em solene procissão trouxeram para a igreja da Misericórdia". A crise sísmica apenas deixou de ser sentida em Maio, tendo-se celebrado solene Te-Deum.


1761 — Erupção vulcânica no Pico Gordo, Terceira - Sentiam-se desde 22 de Novembro de 1760 grandes e violentos tremores que continuaram até 14 de Abril do ano seguinte, dia em que tremeu a terra estranhamente. No Faial os sismos eram sentidos, "ainda que brandos". A 17 de Abril iniciou-se a erupção nas proximidades do Pico Gaspar, a W do Pico Gordo, sendo emitidas lavas traquíticas muito viscosas que formaram uma doma. A 21 de Abril, nova erupção, desta vez a leste do Pico Gordo, na Criação do Chama, iniciou a emissão de lavas basálticas muito fluídas que formaram três correntes de lava, uma das quais atingiu os Biscoitos, onde soterrou 27 casas, terminando nas imediações da igreja de São Pedro, a cerca de 7 km do local da erupção.

1761 — Ciclone tropical atinge o Grupo Central - A 29 de Setembro de 1761 foi a Terceira atingida por um temporal "por efeito do qual ficaram derrubadas muitas casas e arrancadas muita quantidade de árvores". Copiosas chuvas fizeram transbordar as ribeiras.

1779 — Ciclone tropical atinge o Grupo Central - Na noite de 30 para 31 de Outubro levantou-se um rijo temporal que trouxe à costa 7 navios e arruinou as muralhas da Horta.


1779 — Epidemia nas Flores - Grassaram neste ano na ilha das Flores febres mortíferas de que morreu muita gente.

1785 — Mau ano agrícola provoca fome - Foi este ano muito escasso em cereais em todo o arquipélago. Na ilha das Flores morreram algumas pessoas de falta de alimentos.

1787 — Crise sísmica na Graciosa - Em Março deste ano, uma crise sísmica abalou a ilha Graciosa sem, contudo, causar danos consideráveis.

1792 — Enchente de mar vila de Velas, São Jorge - A 23 de Janeiro deste ano, foi "tão impetuosa a bravura do mar" que derrubou a muralha de protecção, destruiu uma casa e danificou outras, ameaçando atingir a praça defronte da Matriz de Velas.

1800 — Terramoto no NE da Terceira - Na tarde do dia 24 de Junho, um terramoto destruiu boa parte dos edifícios das freguesias do NE da Terceira, atingindo mais intensamente as povoações situadas entre a Vila Nova e a vila de São Sebastião. Foi seguido de uma grande réplica a 29 de Dezembro. Não causou mortos, mas os danos materiais foram grandes. Leia mais sobre o terramoto de 1800.


sexta-feira, 10 de abril de 2020

Capela de Nossa Senhora das Vitórias Villa Maria ilha Terceira Açores


 A Capela de Nossa Senhora das Vitórias é uma capela portuguesa localizada na Quinta de Villa Maria, Solar dos Noronhas, no concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira.
Foi construída conjuntamente com a edificação da segunda parte do solar, tendo sido construída mais ou menos a meio desta edificação que foi erguida em duas épocas diferentes, sendo a primeira do século XVI de 1502 e a segunda do século XVIII datando de 1700. Tem uma grande janela Emoldurada por cantarias trabalhadas que recebem a luz do sol por vidraças de rústicos vitrais em tons de verde, azul e vermelho.
Tem-se acesso a esta capela por duas portas em ogiva a partir do corredor central. Esta capela está devidamente registada e autorizada pela diocese de Angra do Heroísmo desde os tempos da sua edificação.

Aqui já se rezaram missas e se fez casamentos. No dia 26 de Novembro do ano 2005 foi realizado um baptismo pele senhor Cónego Francisco Caetano Tomás.
Apesar de à cerca de meio século só ser utilizada pelos proprietários da casa, guarda todos os paramentos necessários à sua actividade.
A bela imagem de Nossa Senhora das Vitórias, aqui existente é esculpida em madeira, e é datada da fundação da capela. Entre vários paramentos a referenciar existe um magnifico missal escrito em Latim, uma cálice delicadamente trabalhado.

Os primorosos trabalhos da capela, todos feitos em madeira trabalhada são de grande beleza, destacam-se as Flor-de-lis, as folhas estilizadas. As letras com o monograma do seu fundador destacam-se debaixo do altar.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

A Peste na ilha Terceira Açores


 A epidemia teve origem num caixão com fazenda que desembarcara na cidade e fora aberto na rua da Esperança, numa casa situada no local onde está o Teatro Angrense. Toda a ilha foi invadida pelo mal que diferia do que no continente já fora conhecido pela mesma designação; porque, além dos bubões, conta o padre Maldonado, «começava e acabava a vida a espirrar muito».

Em Julho e Agosto se desenvolveu de tal modo que foi necessário estabelecer casas de saúde. Foram enfermeiros, cuidando dos doentes carinhosamente, os padres Franciscanos que, com caridade evangélica, tratavam, amezinhando e curando os enfermos. Faleceram, em toda a ilha, cerca de 7.000 pessoas de ambos os sexos, grandes e pequenos, cujos cadáveres se sepultaram nas igrejas, adros, cemitérios e cerrados. Durou esta calamidade até 20 de Janeiro de 1600. Tomaram as Câmaras da ilha, por padroeiro, o mártir São Sebastião, fundando-se ermidas próprias que foram desaparecendo com os terramotos e substituídas por edifícios públicos.

Durante muitos anos se fazia em toda a ilha a festividade de São Sebastião, a expensas das Câmaras, acorrendo povo de toda a parte, aterrorizado ainda pelo que havia presenciado.
O cemitéje se encontra a ermida do Livramento, que dantes se chamava de São Roque.
Nos primeiros anos vinham romarias a visitar o lugar onde tantos dos seus jaziam.
 Gervásio Lima, Breviário Açoreano, p. 131, Angra do Heroísmo, Tip. Editora Andrade, 1935.rio, onde se enterrou a maior parte dos mortos.


segunda-feira, 6 de abril de 2020

Comendador José Vieira Goulart no Rio de Janeiro


 José Vieira Goulart  nasceu nas Fontinhas freguesia do concelho da cidade da Praia da Vitória e faleceu  em  1864  no  Rio de Janeiro, Abril de 1957  foi um emigrante açoriano que em 1874, aos 10 anos de idade (embora no seu passaporte fosse declarada a idade de 12 anos) partiu para o Rio de Janeiro, onde em conjunto com um irmão, Francisco Vieira Goulart, granjeou fortuna. Foi uma figura de relevo da colónia açoriana emigrada no Brasil e um grande benemérito das instituições de solidariedade da sua terra natal. Financiou a construção da primeira maternidade da cidade da Praia da Vitória, o Pavilhão José Goulart no antigo hospital da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória, e a construção da escola primária das Fontinhas, a Escola Irmãos Goulart, que ainda ostenta o seu nome.

Foi feito comendador, sendo conhecido por Comendador Goulart. Faleceu no Rio de Janeiro aos 83 anos de idade.


sábado, 4 de abril de 2020

Lista de emigrantes Açorianos para o Brasil



1. Agostinho Machado Fagundes (Santa Luzia, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, c. 1642 - Brasil, c. 1718) casado com Genebra Leitão de Vasconcelos.

2. Ana Margarida de Jesus de Sousa Breves (Angra do Heroísmo, Terceira, Açores, Portugal, c. 1772 - Piraí, Rio de Janeiro, Janeiro de 1852) casada com Francisco Luís Gomes.

3.Ana Maurícia Rosa (Santa Bárbara, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, ? - Brasil, ?) casada com Mateus Lourenço Coelho.


4. Ana de Santiago (Santa Bárbara, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, ? -Brasil, ?) casada com Manuel de Medeiros e Sousa.

5. Ana Ursula da Conceição (São Bento, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, ? - Brasil, ?) casado com Martinho José da Costa.

6. António Gonçalves Borges (São Miguel Arcanjo, Terceira, Angra Do Heroísmo, Açores, Portugal, c. 1748 - Rio Pardo, Rio Grande do Sul, ?) casado com Joana Rosa Pereira Fortes.

7.  António José de Matos (Angra do Heroísmo, Terceira, Açores, Portugal, ? - Brasil, ?) casado com Catarina Antónia da Encarnação.


8.  António Nunes Corvelo (Altares, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, 16 de Abril de 1696 - Santo Amaro, Rio Grande do Sul, 13 de Outubro de 1793) casado com Maria De Melo e Maria Francisca da Conceição de Melo.

9.  António Nunes Corvelo, Filho (Altares, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, 17 de Agosto de 1732 - Canguçu, Rio Grande do Sul, 13 de Outubro de 1810) casado com Ana Maria do Nascimento.


10. António da Silveira Goulart (Nossa Senhora da Ajuda, hoje Pedro Miguel, Angra, Ilha Terceira, Açores, Portugal, 8 de Dezembro de 1696 - Araçariguama, São Paulo, 2 de Setembro de 1771) casado com Maria Leite da Silva.

11. António de Sousa Breves (Santa Luzia , Angra do Heroísmo, Ilha de São Jorge, Açores, Portugal, c. 1720 - São João Marcos, Rio de Janeiro, 31 de Dezembro de 1814) casado com Maria de Jesus Fernandes. O "Velho Cachoeira", como ficou conhecido em idade tenra , foi patriarca da família Breves no Brasil.