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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Piratas na ilha das Flores Arquipélago dos Açores

Remonta, todavia, a 9 de Setembro de 1591 aquela que ficou conhecida como a “Batalha da ilha das Flores”. Nesse dia, a esquadra de lord Tomas Howard, que se encontrava surta diante de Santa Cruz (possivelmente na baía da Ribeira da Cruz, onde Diogo das Chagas dirá depois ter visto ancorada, em 1597, a esquadra do conde de Cumberland, de 160 velas), lançou-se, precipitadamente, contra os barcos que surgiam de oeste, julgando pertencerem à armada espanhola provinda da Nova Espanha. Porém, em vez de encontrarem navios mercantes, mal armados, os ingleses depararam-se com a frota de defesa das ilhas, constituída por 40 navios de guerra, comandados por D. Alonso de Bázan, que lhes vinham dar caça. Consideravelmente mais pequena (22 navios), a armada inglesa, duramente fustigada pelo fogo inimigo, foi então obrigada a fugir como pôde. A excepção foi o Revenge, de sir Richard Greenville, que, tendo-se demorado em zarpar de Santa Cruz, acabou por ser capturado pelos espanhóis. Verdadeiramente épico, esse combate, que custou a vida a Greenville, seria depois glorificado por lord Alfred Tennyson no seu poema The Revenge: A Ballad of the Fleet [“At Flores in the Azores Sir Richard Grenville lay, / And a pinnace, like a fluttered bird, came flying from far away:” (…)], o qual, posteriormente, foi com notório sucesso musicado pelo compositor Charles Stanford.

Mas nem sempre foi conflituoso o relacionamento entre a pirataria e as gentes – e não apenas a arraia-miúda – das Flores. E nem sequer é difícil documentar situações em que, tanto aquela como estas, souberam, por interesse comum, cultivar uma convivência amistosa. Será disso exemplo maior o caso de Peter Easton, porventura o mais bem sucedido pirata do seu tempo – chegou a comandar 40 navios com alguns milhares de homens ao seu serviço, o que fazia dele o corsário mais temido no Atlântico Norte, e quando se “reformou” tinha uma fortuna pessoal avaliada em dois milhões de libras. Tanto quanto se sabe, o relacionamento deste pirata com a ilha das Flores remontará a Março de 1609, quando, andando já no corso, aqui fez, pela primeira vez, aprovisionamento de carne, água e lenha. Nos anos seguintes, sempre em Março, voltou à ilha, para fazer refresco e aguada, e, no verão de 1611, fosse por amor ou por simples conveniência, estava já de casamento marcado com uma filha do capitão-mor das Flores, de apelido Garro. Duplamente incomodado com os prejuízos causados pelos navios deste pirata e ainda com a cumplicidade entre florentinos e corsários, Filipe II ordenou, então, por decreto de 30 de Julho de 1611, que fossem tomadas as diligências necessárias à prisão do capitão Peter Easton. Poderoso e escorregadio, o Pirate Admiral nunca chegou a ser detido – mas nas Flores, dois anos depois, sob a acusação de acolher na ilha corsários estrangeiros, era preso o ouvidor e também capitão-mor Tomé de Fraga.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A primeira grande vedeta feminina a surgir em Portugal era filha de um Açoriano


Emília das Neves de Sousa, a Linda Emília (Benfica, 5 de Agosto de 1820 — Lisboa, Santa Justa, 19 de Dezembro de 1883) foi uma actriz dramática portuguesa de grande relevo durante o século XIX, a primeira grande vedeta feminina a surgir em Portugal.

Era filha de Manuel de Sousa, um açoriano da Freguesia de São Bartolomeu dos Regatos, em Angra do Heroísmo, um dos Bravos do Mindelo, razão pela qual a freguesia lhe dedica a toponímia de um dos seus arruamentos, e filha de Benta de Sousa, nascida na freguesia de Benfica, Lisboa.

Emília das Neves Sousa foi amante de Luís da Câmara Leme e morreu no estado de solteira na sua casa do Rossio. Foi sepultada no cemitério do Alto de São João, no jazigo n.º 993 em 19 de Dezembro de 1883. Em Benfica, o arruamento que começa na Estrada da Da maia e termina na Avenida Grão Vasco, tem o seu nome.

Emília das Neves, a Linda Emília, surgiu nos teatros quando tinha 18 anos em 1838 e seria aplaudida até 1883. Trazida para o Teatro sob a égide de Alexandre Dumas, foi uma das grandes figuras do meio teatral português da geração romântica, ombreando com os os actores Epifânio, Teodorico da Cruz e Rosa-Pai. Ficaram memoráveis os seus desempenhos, em particular os seus papéis nas peças Judith, Proezas de Richelieu, Joana a Doida, Gladiador de Ravena e Maria Stuart.


sábado, 27 de janeiro de 2018

Igreja Velha de São Mateus da Calheta ilha Terceira Açores


A Igreja Velha de São Mateus da Calheta localiza-se na freguesia de São Mateus da Calheta, concelho de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, nos Açores.
A primitiva igreja paroquial de São Mateus foi erguida na ponta de São Mateus por volta de 1557 para substituir a Ermida de Nossa Senhora da Luz como centro de culto. Desde cedo revelou-se pequena e demasiado próxima do mar, já que o recuo da linha de costa a colocava quase sobre a falésia.
Entre 1694 e 1700 esta primitiva igreja foi demolida e reconstruida mais para o interior, permanecendo uma cruz no adro da nova igreja a assinalar o local da antiga capela-mor. Durante as obras, o culto retornou para a Ermida da Luz, ali tendo sido celebrados os baptizados e efectuados os enterramentos. A nova igreja (hoje conhecida como "Igreja Velha") estava concluída em 1700.

Esta igreja foi praticamente destruída por um furacão que varreu a área em 28 de Agosto de 1893. A destruição então causada destruí  o templo e levou ao deslocamento da vila mais para o interior de terra, razão pela qual as ruínas deste templo se encontram isoladas no centro da actual povoação.
Constitui-se num templo de modestas dimensões, em alvenaria de pedra, com grandes cantarias, característica que lhe permitiu resistir ao furacão.
Na fachada principal, sobre a portada, existe um relógio de sol, talhado em pedra de cor clara, que sobressai do conjunto em pedra de cor mais escura.
A sua torre sineira é acedida por uma escada de cantaria erguida na parte exterior. Embora já não mantenha os sinos, dos seus vãos, orientados aos quatro ventos, descortina-se ao longe a cidade de Angra do Heroísmo, o Monte Brasil, o vulcão adormecido da serra de Santa Bárbara e a freguesia de São Mateus da Calheta.
Dada a sua proximidade das águas do mar, é avistada pelas embarcações ainda bastante longe da costa, sendo uma das primeiras que as embarcações saudavam, quando vinham das Américas.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Danielle Steel


Danielle Fernandes Dominique Schuelein-Steel, ou Danielle Steel (Nova Iorque, 14 de Agosto de 1947) é uma escritora americana e seus livros estão entre os mais vendidos do mundo. Os seus avós maternos eram  dos Açores.
É muito conhecida por suas histórias de dramas românticos e já vendeu aproximadamente 600 milhões de cópias dos seus livros, traduzidos em 28 línguas e vendidos em 47 países. Os seus romances estiveram na lista de best-sellers do New York Times mais de 39 semanas consecutivas e 22 foram adaptados para cinema. Em 2001 ela foi considerada uma das "30 MuDanielle Steel nasceu em 14 de agosto de 1947, em Nova Iorque, EUA, porém passou a maior parte da sua infância na França. Sua mãe chamava-se Norma da Câmara Stone dos Reis e era filha de um diplomata português.  Desde muito cedo interessa-se por literatura, e durante sua adolescência escreveu poesias. Editou seu primeiro romance em 1973, de título Going Home (O Apelo do Amor). Com o seu quarto romance, The Promisse (O Segredo de uma Promessa), lançado em 1978, Danielle obtém o indestronável estatuto de autora de best-sellers tendo editado mais de 60 romances.

Mãe de nove filhos e casada por cinco vezes, Steel viveu períodos de agitação sentimental. Em 1998 edita o livro O Brilho de sua Luz (título no Brasil) ou A luz que brilha: a história do meu filho (título em Portugal)(His Bright Light), sobre a vida e morte de seu filho, Nicholas Traina. Diagnosticado com transtorno bipolar e usuário de drogas, Nicholas suicidou-se em 1997. Criou e preside à Fundação Nick Traina, que apoia projetos de saúde mental, bem como à Associação Yo! Anjo!, onde prestou ajuda a pessoas sem abrigo, durante 11 anos. Conta esta experiência no livro A Casa na Rua Esperança (título no Brasil) ou A Casa na Rua da Esperança (título em Portugal).  Mais Poderosas da América" pelo Ladies' Home Journal.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Angra do Heroísmo - Capital de Portugal

A Capitania-Geral dos Açores foi uma estrutura de governo político, civil e militar criada pelos diplomas de 2 de Agosto de 1766, assinados pelo rei D. José I de Portugal, por proposta de Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal, que os concebeu. Instituída numa conjuntura de crise fiscal, a instituição da capitania geral marcou uma profunda ruptura na história política e institucional dos Açores, ainda presente na auto-consciência açoriana. Com a chegada do primeiro capitão general, D. Antão de Almada, foram introduzidas profundas alterações na estrutura do governo político e jurídico e, consequentemente, na rede de poderes restabelecida após o termo, em 1643, do domínio espanhol nos Açores.

Situada no centro do arquipélago, cidade e sede da Diocese de Angra desde 1534, Angra foi erguida à condição de capital dos Açores, ficando nela estabelecida a residência do capitão-general, nela se concentrando as principais instituições do governo, nomeadamente a Junta Criminal, a Junta da Fazenda e o comando militar, todas presididas pelo capitão-general.
Angra do Heroísmo foi capital do reino de Portugal em circunstâncias críticas, por duas vezes. A primeira, entre 5 de Agosto de 1580 e 5 de Agosto de 1582, quando D. António, Prior do Crato, ali estabeleceu o seu governo. Após a instalação da Junta Provisória, em nome de D. Maria II de Portugal, em 1828, a cidade foi uma vez mais nomeada capital do reino, por Decreto de 15 de Março de 1830. As honras e os títulos que lhe foram outorgados, “Sempre leal cidade”, em 1641, e “mui nobre, leal e sempre constante cidade de Angra do Heroísmo”, em 1837, atestam a nobreza de carácter e o sentido de lealdade das suas gentes. Angra do Heroísmo foi pioneira em muitos domínios: primeira povoação do arquipélago a ser elevada à condição de cidade, em 1534, primeira cidade europeia do Atlântico, em 1831, a sua Câmara Municipal foi a primeira do país a ser eleita e, finalmente, em 1983, a primeira cidade portuguesa a ser inscrita na Lista do Património Mundial da UNESCO. Angra do Heroísmo tem acordos de geminação com a cidade de Salvador da Bahia, Brasil, e com a cidade de Porto Novo, na Ilha de Santo Antão, Cabo Verde.


Títulos da cidade de Angra

1643 - Por Alvará de 2 de Abril, D. João IV de Portugal concede à cidade de Angra o título de "Mui nobre e leal", pela sua bravura durante a Guerra da Restauração;

1828 - Decreto (não revogado) de 28 de Outubro que declara Angra a Capital da Província dos Açores, com o seguinte preâmbulo: “Tendo sido esta cidade condecorada com o título de: Muito nobre e sempre leal cidade de Angra, pelos feitos heróicos praticados por seus fiéis habitantes na restauração de Portugal em 1641, e tendo outrossim estas ilhas sido declaradas adjacentes ao reino de Portugal por alvará de 26 de Fevereiro de 1771, e ultimamente (1828) contempladas como província do reino, §. 1.º, artigo 2.º, título 1.º da Carta Constitucional: há por bem esta Junta Provisória, encarregada de manter a legítima autoridade d'el-rei o Sr. D. Pedro IV, declarar em nome do mesmo Augusto Senhor, que todas as nove ilhas dos Açores são uma só e única província do reino, e que esta cidade de Angra é a capital da província dos Açores. As autoridades a quem competir assim o tenham entendido, cumpram e façam executar: e o Secretário dos Negócios Interinos faça dirigir cópia deste decreto às estações competentes e autoridades na forma do estilo. - Angra, 28 de Outubro de 1828. - Deocleciano Leão Cabreira. - João José da Cunha Ferraz. - José António da Silva Torres. - Referendado; Alexandre Martins Pamplona Corte Real.”

1830 - Por força do Decreto de 15 de Março - Angra é nomeada capital do Reino de Portugal.

1837 - Por Carta Régia, pelos serviços prestados durante a Guerra Civil, a cidade de Angra acrescenta aos seus títulos o de "Heroísmo" e de "Sempre Constante", tornando-se a "Mui Nobre, Leal e Sempre Constante Cidade de Angra do Heroísmo"; a sua Câmara Municipal é condecorada com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, Valor, Lealdade e Mérito, recebendo um novo brasão de armas;

O Centro Histórico de Angra do Heroísmo encontra-se, desde 1983, classificado como Património Mundial pela UNESCO.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Comemora-se hoje nos Açores uma tradição com 100 anos

Calcula-se que esta tradição tenha cerca de 100 anos. Nas várias freguesias de cada ilha do Arquipélago dos Açores as pessoas reuniam-se às quintas-feiras, conhecidas como noites de serões, para escolher o trigo e outros cereais que seriam utilizados nas comemorações do Espírito Santo. Durante a noite eram declamadas poesias e cantigas que exaltavam a amizade.
Com o passar dos anos, a tradição manteve-se, mas o objectivo evoluiu ao sabor das vontades e a acompanhar os novos tempos.

As quatro quintas-feiras, antes do Carnaval, são dedicadas a um encontro diferente e diferenciado, os açorianos dedicam estes quatro dias a festejos muito particulares. Festejos estes, que começam com os amigos, passam para as amigas, seguem com os compadres e terminam nas comadres.