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domingo, 16 de abril de 2023

Igreja de Santa Bárbara nos Cedros ilha do Faial Açores

 


A Igreja de Santa Bárbara localiza-se na freguesia de Cedros, concelho da Horta, na ilha do Faial, nos Açores.

De acordo com o historiador António Lourenço da Silveira Macedo este templo deverá datar do ano de 1594. O escritor Marcelino de Almeida Lima argumenta porém que a sua fundação deverá ser anterior àquele ano "porque Gaspar Frutuoso, que visitou o Faial, segundo se presume, no terceiro quartel do século XVI, já a menciona nas Saudades da Terra", informando ser "igreja de três naves sobre cinco colunas com uma coluna do lado esquerdo".


Marcelino Lima prossegue e explica que Silveira Macedo fundamentou a sua asserção certamente na inscrição que se encontra no cimo da porta do lado do sul a qual reza: "Esta capela fez António Martins em 1596", e que, a ser verdade, como se regista na legenda, deve tratar-se de uma reedificação.




Armando da Cunha Narciso

 



Nasceu na freguesia da Urzelina, concelho das Velas, ilha de São Jorge. Foi médico, hidrologista, investigador e escritor.


Foi um dos maiores peritos em termalismo na sua época, defendendo a criação da disciplina de hidrologia médica nos cursos de Medicina e o estudo sistemático, utilizando os métodos de investigação científica, dos efeitos das águas termais sobre a saúde, matéria sobre a qual publicou uma vasta obra.


Licenciou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em 1917. Dois anos depois, obteve o grau de doutor em Medicina Sanitária e Hidrologia e especialidade em Medicina Interna.


Foi professor do Instituto de Hidrologia e Climatologia e assistente na Faculdade de Medicina de Lisboa e médico do Hospital Universitário de Santa Marta.


Empreendeu o estudo científico e a divulgação das aplicações sanitárias das águas termais, campo em que foi pioneiro e alcançou prestígio internacional. Foi também pioneiro da promoção do turismo em Portugal.


Fundou e dirigiu a revista Clínica, Higiene e Hidrologia (1935), tendo publicado cerca de 150 artigos sobre medicina, hidrologia, climatologia e turismo, alguns dos quais foram consideráveis notáveis comunicações científicas.



sábado, 15 de abril de 2023

Casa Pimentel de Mesquita na ilha das Flores Açores

 


A Casa Pimentel de Mesquita localiza-se na rua da Conceição, na povoação e concelho de Santa Cruz das Flores, na ilha das Flores, nos Açores. Alberga a Biblioteca Municipal de Santa Cruz das Flores.


Abrigou um museu etnográfico, em cujo acervo se destacavam mobiliário e utensílios desde a época da sua edificação (século XVII) até meados do século XX, representando uma casa típica de Santa Cruz das Flores.


A casa encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pela Resolução 152/89, de 5 de Dezembro.



quinta-feira, 13 de abril de 2023

Antiga Fábrica da Baleia do Porto Pim

 


A antiga Fábrica da Baleia do Porto Pim localiza-se no Monte da Guia, na freguesia das Angústias, cidade e município da Horta, na ilha do Faial, nos Açores.


A indústria ligada à baleação no Faial evoluiu rapidamente de uma atividade quase incipiente para uma indústria que trouxe riqueza e prosperidade, a ponto de nesta ilha terem existido duas fábricas no mesmo setor.


A mais antiga e a primeira do seu género na ilha foi fundada em finais do século XIX, tendo operado até princípios do século XX, quando se procedeu à construção de uma unidade melhor adaptada às novas exigências industriais.


A nova fábrica foi construída em 1941 e operou até 1975. Foi uma unidade que já trabalhava a vapor usando autoclaves, técnica que permitia não apenas um mais rápido processamento da carcaça da baleia, como um integral aproveitamento da mesma.


Atualmente inativada, uma vez que Portugal aderiu à legislação internacional de proibição de caça à baleia, foi restaurada e transformada num museu destinado à demonstração, não só do tema: "Caça à Baleia", mas também de outros assuntos ligados ao mar, transformando assim uma das suas valências em "Centro de Ciência".


O museu tem espaços destinados à organização de conferências e exposições de usualmente ligadas a temas relacionados com o mar.



quarta-feira, 12 de abril de 2023

Urbano Bettencourt

 


Manuel Urbano Bettencourt Machado  nasceu na Piedade ,Lajes do Pico a  24 de Novembro de 1949. É um poeta e escritor açoriano, considerado um dos intelectuais de maior destaque na vida cultural dos Açores. A sua obra, iniciada em 1972, contempla o ensaísmo, a poesia e a prosa de ficção. Como ensaísta, tem um trabalho continuado sobre a literatura feita nos Açores, e também um olhar informado sobre o que acontece na área da Macaronésia (Madeira, Canárias e Cabo Verde), em livro e em revistas da especialidade (nacionais e estrangeiras) e na imprensa açoriana. Na ficção e na poesia, publicou cerca de duas dezenas de títulos. Parte da sua produção literária tem sido traduzida no estrangeiro, quer em obras autónomas, quer em antologias. Licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é doutorado em Estudos Portugueses pela Universidade dos Açores, instituição onde é docente e investigador.


Professor universitário, lecionou no ensino secundário e na Universidade dos Açores, onde se doutorou em Estudos Portugueses.


Uma parte da sua investigação e ensaísmo sobre literaturas insulares encontra-se reunida em O Gosto das Palavras (3 vols: 1983, 1995; 1999); De Cabo Verde aos Açores – à luz da «Claridade» (1998); Ilhas conforme as circunstâncias (2003) e O Amanhã não existe. Inquietação insular e figuração satírica em José Martins Garcia (2017).


No campo da narrativa e da lírica:



Raiz de Mágoa (1972);Ilhas (de parceria com Santos Barros, 1977); Marinheiro com residência fixa (1980); Naufrágios Inscrições (1987); Algumas das Cidades (1995); Lugares sombras e afectos (2005); Santo Amaro Sobre o Mar (2005); Antero (2006); Que paisagem apagarás (2010); África frente e verso (2012); Outros nomes outras guerras (2013); Com navalhas e navios (2019).


Está representado em diversas antologias no país e no estrangeiro (Brasil, Canadá, Estados Unidos da América, Eslováquia, Hungria e Letónia). Tem dezenas de ensaios dispersos em jornais e revistas da especialidade e em obras de conjunto, dentro e fora do país.



Mariana Belmira de Andrade

 



Mariana Belmira de Andrade  nasceu nas Velas a  31 de Dezembro de 1844  e faleceu nas Velas a  17 de Fevereiro de 1921.  Foi uma professora do ensino primário, poetisa açoriana da geração realista, ficcionista, ativista republicana com laivos de socialismo e feminista.


Era proveniente de uma família de comerciantes, recebeu a educação própria de uma rapariga do seu tempo da média burguesia açoriana, com a instrução primária, francês e inglês e uns rudimentos de música. Foi a sua dedicação aos estudos e a sua vontade de saber mais que a levou a estudar e a obter por si mesma o lastro literário que completou a sua formação intelectual.  Aprendeu quase sozinha a tocar piano e a ler e traduzir a língua francesa. A sua vasta cultura deve-se também ao convívio com outros intelectuais jorgenses do seu tempo, como João Caetano de Sousa e Lacerda e com Delfina Vieira Caldas, a perceptora dos filhos do conselheiro José Pereira da Cunha da Silveira, e às leituras que fez de autores como Victor Hugo, Jules Michelet, Gomes Leal e Antero de Quental.




Apresentava um carácter indómito e pouco sociável e assumia-se andrófoba e refractária ao casamento. Não deixou, porém, de casar com António Maria da Cunha, ainda que só aos 34 anos de idade, tardiamente para a época, e suportando por muito pouco tempo o que ela chamava a «treva do himeneu».  Não tendo o casamento sido feliz, o seu génio insubmisso levou-a, com efeito, a separar-se do marido logo após o batizado do único filho do casal, Inocêncio, cujo nome foi motivo de discórdia entre os progenitores. Alice Moderno, sobre este assunto, escreveu o seguinte: Contava a ilustre poetisa que entre os cônjuges se travara acesa discussão, que foi até à pia batismal, tendo sido a contenda finalizada pelo pároco, que acedeu aos desejos do pai, objetando à mãe do neófito que: «onde há galo não canta galinha». 



Separada do marido e com necessidade de garantir o futuro do filho, foi para Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde obteve o diploma de professora primária. Habilitada ao magistério primário, dedicou-se daí em diante ao ensino das primeiras letras. Praticamente viveu toda a sua vida na sua ilha natal de São Jorge, onde foi uma reputada professora primária na vila das Velas.


Foi já depois do casamento desfeito e de ter enveredado pelo ensino que, por volta dos 40 anos de idade, sentiu «bafejar-lhe a fronte / o fogo da inspiração» sob o signo do romantismo, mas rimou os primeiros «devaneios» poéticos já sem sacrificar a Eros, por o «orgulho de mulher» lhe tornar defeso o prazer do amor e não achar «o homem assunto digno de verso».  Esta fase inicial da sua obra poética fez nascer o seu primeiro livro de poesias, que afina pela escola romântica.



terça-feira, 11 de abril de 2023

O pirata que morreu nos Açores




 François le Clerc, também  chamado  como Francis le Clerc , Normandia, 15?? - 1563, apelidado de "perna de pau" ("Jambe de Bois" pelos franceses, "Peg Leg" pelos ingleses ou "Pata de Palo" pelos espanhóis), foi um corsário francês do século XVI. É reconhecido como o primeiro pirata da Era Moderna a usar uma prótese para substituir um membro inferior. Também foi o primeiro a possuir uma "carta de marca", expedida por Henrique II de França.


Frequentemente era o primeiro homem a invadir um navio inimigo durante uma manobra de abordagem. Esse comportamento intrépido é que, eventualmente, o levou a sofrer a perda de uma perna e graves danos a um braço, quando em combate com os ingleses ao largo de Sark e Guernsey em 1549. Embora muitos piratas tenham tido as suas carreiras encerradas por ferimentos dessa magnitude, le Clerc recusou-se a aposentar-se, tendo mesmo alargado o seu raio de ação através do financiamento de viagens e dos ataques de outros piratas.


Henrique II de França concedeu-lhe um título de nobreza em 1551, como reconhecimento à sua coragem.



Em 1553 junto com Jacques de Sores e Jean-François de la Rocque de Roberval (conhecido pelos espanhóis como Roberto de Baal, também chamado  como Robert Blundel) assumiu o comando de 6 galeões, 8 caravelas e 4 patachos transportando um efectivo de 800 homens. Nesse mesmo ano, liderou um ataque contra a cidade de Santa Cruz de La Palma, no arquipélago das Canárias, que saqueou e incendiou  a 21 de Julho . Esta armada também atacou e saqueou San Germán, a segunda cidade mais antiga de Porto Rico, e saqueou metodicamente os portos de Hispaniola (Cuba), de sul para norte, a ilha de Mona, a ilha Saona, Yaguana e outras, roubando toda a artilharia possível no percurso. Ainda em 1553 le Clerc recebeu o comando do "Le Claude", um dos 12 navios guarda-costas da Normandia.


Com oito embarcações e 300 homens saqueou Santiago de Cuba em 1554 durante um mês, tendo se evadido com um tesouro de 80.000 pesos. Esta, que foi a primeira capital de Cuba, assim completamente devastada, foi a partir de então eclipsada por Havana, jamais tendo voltado a recuperar a sua antiga prosperidade. Em seguida navegou em direcção ao mar dos Açores. A frota obteve um grande butim e, na viagem de volta, saqueou a cidade de Las Palmas, na ilha de Gran Canaria.




Ele e sua tripulação de 330 homens foram os primeiros europeus a estabelecer-se na ilha de Santa Lúcia, e a utilizar a vizinha Pigeon Island para assaltar os galeões de tesouro espanhóis que transitavam ao largo da Martinica.


Em 1560, enquanto aguardava uma frota de tesouro espanhola transportando uma carga de ouro, causou grandes danos aos assentamentos ao longo da costa do Panamá.


Em abril de 1562, os protestantes em várias cidades da Normandia rebelaram-se contra o soberano católico romano. Isabel I da Inglaterra despachou forças britânicas para ocupar Le Havre até junho de 1563. Le Clerc juntou-se às forças inglesas e devastou a navegação francesa. Em março de 1563 pediu à soberana uma grande soma em prata como uma recompensa por suas ações. Quando a soberana declinou o seu pedido, ferido em seu orgulho, le Clerc partiu para o arquipélago dos Açores, onde veio a ser morto, naquele mesmo ano, enquanto caçava navios de tesouro espanhóis.



Faleceu nos Açores em 1563.