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segunda-feira, 10 de abril de 2023

Descobertas acerca dos descendentes de Violante Velho Cabral no Brasil

 


Pesquisas sobre a nossa família no ramo dos "Velho Cabral".

Há cerca 396 anos era realizado o casamento de meus tios (sim, irmão de minha 8ª avó Catherina Velho de Melo, ancestral de minha bisavó paterna Joaquina de Souza e Almeida.

Os noivos Manuel Pereira e Maria de Matos. Manuel era irmão de Catherina Velho de Melo, filhos de Diogo Velho Pereira (meu 9º avô).

Casamento em 18 de Junho de 1622.


Este é mais um achado incrível de Inês Duque, genealogista, e pesquisadora nos Açores sobre a ligação que se reconecta com nosso ramo "Velho Cabral". Cujas origens estão ligadas a Violante Velho Cabral irmã do navegador Frei Gonçalo Velho Cabral.

Maria Velho Cabral mãe de Violante e do Frei Gonçalo era irmã de Luiz Álvares Cabral, 2º Senhor de Azurara, em Belmonte, Portugal, bisavô do descobridor do Brasil, portanto era tia-bisavó de Pedro Álvares Cabral.


Na imagem o assento que consta no primeiro livro de casamentos da Freguesia de Nossa Senhora de Assunção, no Conselho de Vila do Porto, Ilha de Santa Maria, Açores, Portugal. E os Brasões de Armas das famílias"Velho" e "Cabral".

Em 25 de abril aniversário de meu pai João Sampaio Almeida, descendente dos Velho Cabral, farei uma publicação da genealogia dele até Álvaro Gil Cabral, senhor de Belmonte e Azurara.

Agradeço mais uma vez ao primo genealogista Igor de Almeida, o qual em pesquisas através de fontes primárias, e conhecedor do recôncavo baiano no período colonial chegou até meus 9º avós Diogo Velho Pereira e Ignês de Gouveia de Matos. E ao trabalho intenso nas próprias ilhas de Santa Maria, e de São Miguel de Inês Duque que nos dá grande alegria em reconectar a família às suas raízes portuguesas.


"Cultivar, e preservar a memória, e perpetuação da história familiar"


( Cortesia a Ricardo de Almeida )



domingo, 9 de abril de 2023

As primeiras famílias que povoaram os Açores




Francisco Dias do Carvalhal





Francisco Dias do Carvalhal foi o depositário em Angra, actual cidade de Angra do Heroísmo dos cofres de ouro da casa real, que vinham da índia e de São Jorge da Mina, Estado Português da Índia e África.

Garcia de Castro






Garcia de Castro (? - ilha Terceira, Açores, Portugal) A família Castro dos Açores é descendente de D. Garcia de Castro irmão do 1° conde de Monsanto, os quais eram filhos de D. Fernando de Castro, senhor do Paul do Boquilobo, que foi Governador da Casa do infante D. Henrique, de D. Isabel de Ataíde, netos paternos D. Pedro de Castro, Senhor do Cadaval e de outras terras, e de D. Leonor Teles de Meneses; e bisnetos de D. Pedro Pires de Castro, Conde de Arraiolos e 1º Condestável de Portugal, e da condessa D. Maria Ponce de Leão.

Gaspar Munhoz de Castil Blanque

Gaspar Munhoz de Castil Blanque (Reino de Castela, século XVI - ?) foi alferes-mor e capitão da Fortaleza de São João Baptista de Angra do Heroísmo.







Inês Martins Cardoso

Inês Martins Cardoso foi juntamente com o seu marido Álvaro Martins Homem, 1.º Capitão donatário da Praia, actual cidade da Praia da Vitória um dos primeiros povoadores da ilha Terceira.


Jácome de Bruges





Jácome de Bruges (em flamengo: Jacob van Brugge; século XV) foi um nobre flamengo, da região de Bruges e o 1.º capitão do donatário na ilha Terceira.

Jerónimo Gonçalves Teixeira

Jerónimo Gonçalves Teixeira ou D. Jerónimo Gonçalves Teixeira Souto Mayor (Trás-os-Montes, Portugal, 1490 —?) foi um dos primeiros povoadores portugueses da ilha de São Jorge, Açores.


quinta-feira, 6 de abril de 2023

Manuel António Lino

 


Manuel António Lino  nasceu em Angra do Heroísmo a  4 de Janeiro de 1865  e faleceu em Angra do Heroísmo a  15 de Junho de 1927 .  Foi um médico, professor liceal e político açoriano que, entre outras funções de relevo, foi governador civil do Distrito da Horta. Foi também poeta e dramaturgo de nomeada e distinguiu-se no campo da música e da jardinagem.


Manuel António Lino nasceu na cidade de Angra do Heroísmo no seio de famílias de origens modestas, filho de um tanoeiro. Após ter completado os estudos secundários no Liceu de Angra, em 1884 matriculou-se em Coimbra nos estudos preparatórios para frequentar o cursos de Medicina. Terminados com êxitos esses estudos, em 1885 matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, tendo concluído em 1892 o bacharelato em Medicina e Cirurgia. Considerado um aluno de excelência durante todo o seu curso, premiado em todos os anos da licenciatura, apesar de convidado para continuar na Universidade de Coimbra regressou nesse ano a Angra do Heroísmo, cidade onde abriu consultório.


No seu consultório exerceu clínica geral e oftalmologia, sendo em 1895 nomeado facultativo do partido municipal da Praia da Vitória, cargo que acumulava com a clínica privada. Obteve igual nomeação em 1896 para o Município de Angra do Heroísmo. Em 1899 foi escolhido pela Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo para integrar uma missão que foi estudar a montagem e funcionamento dos postos de desinfecção e as medidas de profilaxia e controlo da peste bubónica em Espanha, França e Inglaterra, tendo permanecido algum tempo na cidade do Porto, onde então grassava um surto epidémico daquela doença. A experiência obtida no Porto ser-lhe-ia muito útil no combate ao surto epidémico que em 1908 ocorreu na ilha Terceira.


Após a viagem de estudo, em 1900 foi nomeado Delegado de Saúde no Distrito de Angra do Heroísmo, funções que exerceu até 1919, ano em que foi promovido a Guarda-Mor de Saúde daquele Distrito. Foi promovido a Subinspector-Geral de Saúde em 1926, cargo que exerceu até falecer.


Para além da sua carreira como médico, em 1918 foi nomeado professor provisório de Ciências Naturais e de Química do Liceu Nacional de Angra do Heroísmo, funções que exerceu até falecer. Como professor deixou gratas recordações, conforme testemunhado na sessão de homenagem realizada aquando da inauguração do seu busto no Jardim Duque da Terceira.



quarta-feira, 5 de abril de 2023

Francisco Afonso Chaves

 

Francisco Afonso Chaves e Melo  nasceu em Lisboa a 24 de Janeiro de 1857  e faleceu em  Ponta Delgada a 23 de Julho de 1926. Mais conhecido por coronel Afonso Chaves, foi um naturalista, geofísico e meteorologista cuja biografia quase se confunde com a história da meteorologia nos Açores.


A sua acção se deve o início da cooperação meteorológica internacional para o estudo dos fenómenos atmosféricos do Atlântico Norte, com o consequente aperfeiçoamento da previsão do estado do tempo no continente europeu, e o início dos estudos de sismologia, geomagnetismo e vulcanismo no Atlântico nordeste. Militar de carreira, tendo atingido o posto de coronel do Exército Português, dedicou a maior parte da sua vida ao estudo da meteorologia e da física da Terra. Em colaboração com os maiores cientistas da época, exerceu ainda uma importante influência no estudo da flora e fauna açorianas.



 Personalidade muito à frente do seu tempo, deve-se a Afonso Chaves o projecto de criação de um Serviço Meteorológico Internacional dos Açores, que deu origem ao Serviço Meteorológico dos Açores (1901-1946), à criação da rede de observatórios daquele arquipélago e ao projecto de instalar um observatório no topo da montanha do Pico. Este último projecto apenas agora está parcialmente realizado com o Pico-NARE,  um observatório internacional da atmosfera terrestre localizado no topo da montanha da ilha do Pico. Também se interessou pela etnologia açoriana e foi um dos editores da monumental obra historiográfica Arquivo dos Açores.


Descendente de uma ilustre família açoriana, filho do intelectual e político Francisco Afonso da Costa Chaves e Melo, ainda jovem fixou-se em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, cidade onde residiu até falecer. Destinado a seguir a carreira militar, frequentou os estudos preparatórios em Ponta Delgada, inscrevendo-se seguidamente no curso de ciências, preparatório para os futuros oficiais do exército e da marinha, da Escola Politécnica de Lisboa, onde se preparou para a frequência da Escola do Exército. Ingressou naquele estabelecimento militar em 1875, concluindo com brilhantismo o curso de Infantaria a 26 de Dezembro de 1877.



terça-feira, 4 de abril de 2023

O guerreiro Pedro Francisco

 


Pedro Francisco Machado  nasceu no  Porto Judeu a 1760 - Richmond, e  faleceu a 16 de Janeiro de 1831,  referido como Peter Francisco nos EUA, foi um Português, nascido na freguesia do Porto Judeu, Concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores, destacou-se como herói na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América.


Conhecido como "O Gigante da Virgínia", o "Gigante da Revolução" e, ocasionalmente, como o "Hércules da Virgínia", é homenageado pela comunidade portuguesa em New Bedford (Virginia) a 15 de Março1 . Lutou ao lado de George Washington e do marquês de Lafayette, tendo sofrido numerosos ferimentos em combate, em defesa da independência de sua pátria de adopção.


A sua biografia está cercada de uma aura de lenda, sendo-lhe atribuídos feitos extraordinários. As suas origens são relativamente obscuras. Foi encontrado em tenra idade (presumivelmente cinco anos), uma tarde em 23 de Junho de 1765, a chorar, nas docas de City Point, na Virgínia. Quando se acalmou o suficiente para falar, percebeu-se que não falava o inglês e sim uma língua parecida com o Castelhano. Embora nada possuísse que o identificasse, as suas roupas eram de boa qualidade e, na fivela do cinto, liam-se as iniciais "P.F.".




Eventualmente foi capaz de contar a sua história: afirmou que "estava num local lindo com palmeiras, a brincar com a sua pequena irmã, quando dois homens grandes apanharam ambos. A irmã conseguiu libertar-se dos captores mas o menino não, e foi levado para um navio grande que acabou por conduzí-lo a City Point.

Sobre as suas origens, o investigador John E. Manahan identificou que, nos registos de nascimentos da ilha Terceira, nos Açores, existe um Pedro Francisco nascido em Porto Judeu, a 9 de Julho de 1760.

A criança foi acolhida pelo juiz Anthony Winston, de Buckingham County na Virgínia, um tio de Patrick Henry. Quando atingiu idade suficiente para trabalhar, foi instruído como ferreiro, devido ao seu enorme tamanho e força (ultrapassou os 1,98 metros e pesava cerca de 120 kg). O escritor Samuel Shepard, que observou o jovem no seu trabalho, registou:

"Os seus ombros são como os de uma antiga estátua, como uma figura da imaginação de Miguel Ângelo, como o seu Moisés mas não como David. A sua queixada é longa, forte, o nariz imponente, a inclinação da testa parcialmente ocultada pelo seu cabelo negro de aspecto desgrenhado. A sua voz era suave, surpreendendo-me, como que se um touro ganisse."




Com os rumores de secessão alastrando-se entre a população da Virgínia, Francisco alistou-se aos 16 anos no 10º Regimento da Virgínia. Estava presente, junto à igreja de St. John em Richmond, quando Patrick Henry fez o seu famoso discurso "Liberdade ou Morte". Em Setembro de 1777, serviu sob o comando do general George Washington em Brandywine Creek na Pensilvânia, onde as forças dos colonos tentaram deter o avanço de 12.500 soldados britânicos que avançavam em direcção à Filadélfia. Não está claro se foi nesse momento que o jovem Francisco salvou a vida a Washington, apesar de se reconhecer que o jovem foi aqui alvejado. Alguns relatos afirmam que ele se tornou guarda-costas pessoal do general, enquanto outros dão conta de que ele era apenas um soldado agressivo e vigoroso, que lutou a seu lado.



Foi Washington quem determinou que uma espada especial, adequada ao seu tamanho, fosse confeccionada para Francisco. Foi esta espada, com 6 pés de comprimento, que aterrorizou os britânicos. Washington terá eventualmente se referido posteriormente a Francisco: "Sem ele teríamos perdido duas batalhas cruciais, provavelmente a guerra e, com ela, a nossa liberdade. Ele era verdadeiramente um Exército de um Homem Só."


Após servir nesta comissão por três anos, Francisco realistou-se e combateu numa das maiores derrotas sofridas pelas forças dos colonos no conflito. Na batalha de Camden (16 de Agosto de 1780, terá realizado um dos seus mais famosos feitos, quando, após os colonos se terem retirado diante dos britânicos, deixando no terreno uma imensa peça de artilharia com aproximadamente 1000 libras, afirma-se que Francisco a colocou às costas e a terá transportado para que não caísse nas mãos do inimigo. Em homenagem a esse feito, os correios dos Estados Unidos emitiram em 1974 um selo comemorativo.


 


Em pouco tempo, as histórias a respeito de Francisco foram sendo espalhadas e as suas histórias de bravura e vigor foram divulgadas em muitos jornais e romances à época, inspirando ânimo e incentivando a resistência entre as forças dos colonos.


Embora a maior parte dessas histórias careça de fontes documentais, Frances Pollard, da Virginia Historical Society, que apresentou uma exposição sobre o conflito que incluiu uma secção sobre Francisco com o colete gigante que costumava usar, afirmou:


"Acho que uma das coisas que tive dificuldade em documentar foi a sua participação em muitas das batalhas onde realizou feitos históricos. Nunca consegui separar a lenda dos factos, nem encontrar provas da sua participação em algumas destas batalhas. Acho que existe alguma mitologia associada a alguém com aquele tamanho tão fora do vulgar."


Posteriormente, em 1850, o historiador Benson Lossing registou no "Pictorial Field Book of the Revolution" que "um bravo virginiano deitou abaixo 11 homens de uma só vez com a sua espada. Um dos soldados prendeu a perna de Francisco ao seu cavalo com uma baioneta. E enquanto o atacante, assistido pelo gigante, puxava pela baioneta, com uma força terrível, Francisco puxou da sua espada e fez uma racha até aos ombros na cabeça do pobre coitado!"



Mais tarde, enquanto se recuperava, Francisco tornou-se amigo de Lafayette.


Francisco sofreu mais seis ferimentos enquanto a serviço do seu país, tendo morto um número incerto de britânicos e sido condecorado ao final do conflito por generais estadunidenses que se certificaram de que ele estava presente na rendição do general Charles Cornwallis e dos britânicos em Yorktown, a 19 de Outubro de 1781.


De acordo com a tradição, após o conflito, devido às lendas criadas em torno de si, muitos aventureiros foram ao seu encontro para testarem a sua força. Neste período foi apelidado de "o homem mais forte da América", enquanto as crianças aprendiam sobre a sua forças e bravura nas escolas primárias do novo país.



domingo, 2 de abril de 2023

Vulcão da Urzelina na ilha de São Jorge Açores

 


Vulcão da Urzelina é a designação dada à erupção vulcânica que em 1808 destruiu a freguesia da Urzelina, na ilha de São Jorge, Açores, criando o extenso mistério basáltico que hoje forma a Ponta da Urzelina.




Na obra Ilha de S. Jorge  Açores;  Apontamentos para a sua História, de José Cândido da Silveira Avelar,  está compilado um conjunto de descrições da erupção e dos acontecimentos que a rodearam. A descrição mais extensa e circunstanciada deve-se ao padre João Ignácio da Silveira (1767 — 1852), então cura de Santo Amaro, que escreveu uma relação que o Dr. João Teixeira Soares, publicou com algumas notas no Jorgense, n.º 6, de 1 de Maio de 1871, e foi transcrita no Archivo dos Açores, vol. V, páginas 437 a 441. Foi aquele escrito, com algumas variantes, que João Duarte de Sousa seguiu na narrativa do fenómeno, de página 188 a 193 dos seus Apontamentos. Eis o seu conteúdo:




Na noite amanhecendo para o Domingo do Bom Pastor, primeiro dia do mês de Maio do presente ano de 1808, tremeu a terra tão frequentemente que se contavam oito tremores por hora, e d’estes foi um sobre a madrugada tão grande, que fez levantar o povo das camas .  No mesmo dia, estando já parte do povo na igreja deprecando a Deus nosso pai, houve outro abalo tão forte que fez fugir todo o povo da igreja, das 11 para as 12 do mesmo dia houve outro tremor, e juntamente um estrondo tão grande que a todos amortizo,  e de repente se vi-o levantar uma grande nuvem de fumo sobre o mais alto monte da freguesia da Urzelina, no pico d’ António José de Sequeira, e bem defronte da igreja de S. Matheus cuja planta e centro da freguesia era o mais agradável da ilha, e por isso mesmo muito frequentado de muitos sujeitos bons e maus de todas as ilhas, e em breve tempo engrossou e subindo ao mais alto céu fez arco sobre parte da freguesia das Manadas e da Urzelina, indicando um terrível castigo já mostrando nas redobradas e negras nuvens uns incumbrados montes, umas medonhas furnas.



Da bocca daquele vulcão saíam estrondos tão fortes e medonhos sem intervalo que convidavam aos habitantes d’esta ilha para Juízo. Correu todo o povo a deprecar a Deos, porém logo o povo da freguezia da Urzelina se assustou deixando o seu vigário o rev. José António de Barcellos só no adro da sua igreja, e logo no mesmo dia choveu tanta areia de tarde que ficaram as casas chamadas do mato cobertas de areia e os campos d’ahi para cima em parte ficaram com altura de 7 palmos, e as vinhas dos Castelletes até à ermida de Santa Rita, da freguezia das Manadas, ficaram cravadas e as casas quasi abatidas com o pezo, sahindo immediatamente línguas de fogo do centro que chegavam aos ceos, deitando pedras ignitas de 8 palmos, em distância dum quarto de legoa, outras de 16 palmos em quadro e outras menores, subindo à mesma altura cahiam como densos chuveiros.


Chegou a triste noite, então é que desfaleceram os habitantes desta ilha vendo todo o fogo e pedras ignitas, que sahiam como coriscos e quase que pareciam cair sobre os povos, e as vidraças das egrejas pareciam quebrarem-se aos eccos d’aquelle pregoeiro que nos ameaçava de morte.



Até à terça feira, 3 do mesmo mez, rebentou o fogo em 7 logares, ficando a bocca ou vulcão perto da Ribeira do Arieiro, em cuja tarde abrandou o fogo: e na madrugada da quarta-feira, 4 do mesmo mez, arrebentou o fogo entre as Ribeiras, acima da fonte da Fajã, e da mesma sorte fazendo nuvem de pó de enxofre e terra que parecia arder todo aquelle logar. Logo fez procissão o vigario da Urzelina para a parte da Fajã com o Senhor Santo Christo e Senhora das Dôres e a poucos passos encontrou-se com o padre José de Sousa Machado, que trazia em procissão a Senhora da Encarnação acompanhado de várias pessoas. mas quasi suffocadas do muito pó enxofrado que estava cahindo. reunidos àquela procissão algum tanto animados, chegaram à ermida da Senhora do Desterro, ainda, que com muito trabalho porque do cruzeiro para cima cahia muita terra sulfúrea e tão pegajosa que muitas árvores cahiram com o peso d’ella e o fétido entontava aos viajantes. Passados mais 7 dias rebentou o fogo nas areias da freguezia de Santo Amaro, onde abrindo duas bocas vomitava fogo à maneira de duas grandes ribeiras de matéria fluida, e com tanta força que no segundo dia se achava a mais de um moio de campo de mistério que encaminhando-se às casas fez pôr parte do povo em fugida, o vigário, o rev. Amaro Pereira de Lemos, esteve falto dos sentidos e a irmã, D. Anna Maria de Lemos, esteve douda.


O vigário das Velas e ouvidor, o rev. António Machado Teixeira, temendo fosse o fogo à villa mandou deitar pregão para que se retirassem, e que mandava o Sacramento para a Beira e d’aqui resultou um levante que se não pode explicar.



As freiras foram para a igreja de Rosais; o ouvidor e outros clérigos para o Faial, o doutor juiz de fóra e outros para o Pico e o mais povo de quasi toda a villa foi para a Beira e Rosaes. Este levante foi sem maior necessidade, por que no dia em que o fizeram foram ver o fogo que já pouco corria e só por dentro da ribeira.


O alto da serra por onde o dito fogo passou ficou abatido e em grotas formidáveis, os caminhos quebrados de forma que não passavam carros nem gente por parte, as fontes secas.


Poucos dias depois retrocedeu ao primeiro logar em que tinha rebentado, defronte da igreja da Urzelina, com a mesma força que dantes, e perseverou doze dias, em que foram continuas as súplicas a Deus e por não sermos ouvidos do Senhor, por serem as culpas em maior número que as suas misericórdias, continuou o mesmo flagello. sahindo do vulcão (que dizem ter bocca em circunferência de um moio de campo) muitas areias, que arruinavam parte dos campos da referida freguezia de São Matheus e das mais circunvizinhanças. e chegou a cahir na ponta do Pico, em Angra e São Miguel, e para a parte da villa não cahio porque os ventos sempre cursaram pelo nor-noroeste.



N’este tempo todo o povo da Urzelina se ausentou desamparando todos as suas moradas, uns para as Manadas, outros para a Calheta. outros para Rosais e uns para Angra, isto o povo da Urzelina, ficando só o reverendo vigário no adro.


Observou-se que em quanto a maré enchia aquelle vulcão embravecia mais e deitava com mais força pedras mármores grandes, umas das gerais eram muito pretas e pesadas e feriam lume, e outras à maneira de vergas, de lagens e outras redondas, umas muito brancas e partidas reluziam pelo muito salitre que tinham.


Em uma noite estando o vigário da Urzelina em guarda de sua igreja, sendo já 11 horas e meia, pegou a observar umas ribeiras de fogo, que vinham correndo pelo monte abaixo, e tocando a fogo apenas acudiram 6 ou 8 pessoas, que acompanharam o Santíssimo para a ermida do Senhor Jesus, para onde na mesma noite fez trasladar todas as imagens, vasos sagrados e vestes sacerdotais. Entraram logo a observar que os campos circunvizinhos ao dito monte se iam incendiando e levantando-se pedras como montes, que corriam ardentes até à planície das vinhas que faziam pasmar a quem tal castigo via.