Páginas

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Há 62 anos um jovem açoriano viajou no trem de aterragem de um avião para chegar à América.

 

Numa noite de lua cheia, a 9 de Setembro de 1960, Daniel Melo avista o Lockheed Super Constellation que se prepara para levantar voo no extremo da pista principal do aeroporto internacional de Santa Maria. A aeronave das linhas aéreas venezuelanas, um quadrimotor a hélice, reconhecível pelo leme triplo, aquece os motores para descolar rumo a Caracas, via Bermuda. Daniel, de apenas 16 anos, corre pela pista e sobe para o compartimento do trem de aterragem dianteiro. Depois de algumas tentativas falhadas, está em andamento o plano de atravessar o Atlântico e


cumprir o objectivo final de chegar à América — como passageiro clandestino.


Daniel Melo, de baixa estatura, tenta ajeitar-se no compartimento exíguo, enquanto o avião atinge a velocidade de descolagem. O piloto da LAV (Línea Aeropostal Venezolana) faz subir o trem de aterragem. O equipamento hidráulico comprime o passageiro contra a parede de metal, a poucos centímetros da roda em circulação. O movimento repete-se meia dúzia de vezes, porque as portas do compartimento não fecham devidamente. De cada vez que o trem sobe, Daniel Melo quase sufoca. Quando o alçapão se fecha, Daniel abre uma porta interior para a área electrónica e hidráulica do avião - o que terá feito a diferença entre a vida e a morte.


Daniel Correia Melo nasceu a 22 de Novembro de 1943 nas Furnas, na ilha de São Miguel, num meio familiar humilde. Em 1950, com apenas sete anos, acompanhou os pais e dois irmãos quando a família se mudou para Santa Maria. O aeroporto internacional, construído pelos norte-americanos como base militar, no final da II Guerra Mundial, estava no auge da actividade enquanto importante ponto de ligação entre a Europa e as Américas, onde as grandes companhias aéreas faziam escalas para reabastecimento nos voos intercontinentais. A família morava no Bairro Operário e o pai trabalhava no cinema do Aeroporto — onde Daniel via os filmes de Hollywood que o faziam querer procurar uma vida melhor na terra das oportunidades.


O planeamento da viagem começou aos 14 anos — Daniel aprendia o ofício de carpinteiro nas oficinas do Aeroporto e já ouvira relatos de tentativas semelhantes, nos aviões militares que partiam da Base das Lajes, na Terceira. Observou de perto os diferentes tipos de aeronaves, quando fazia incursões pela placa com os amigos, às escondidas da polícia. Escolheu o avião, a companhia aérea e o destino. "O meu plano foi perfeito", recordou ao jornal Portuguese Times, de New Bedford, duas décadas depois da viagem. "Sempre gostei de aventura."


cortesia I love azores



segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Os Açores já constavam nos mapas Genoveses em 1340

 

O descobrimento do arquipélago dos Açores, tal como o da Madeira, é uma das questões mais controversas da história dos Descobrimentos. Entre as várias teorias sobre este facto, algumas assentam na apreciação de vários mapas genoveses produzidos desde 1351, os quais levam os historiadores a afirmar que já se conheceriam aquelas ilhas aquando do regresso das expedições às ilhas Canárias realizadas cerca de 1340-1345, no reinado de Afonso IV de Portugal. Outras referem que o descobrimento das primeiras ilhas (São Miguel, Santa Maria, Terceira) foi efectuado por marinheiros ao serviço do Infante D. Henrique, embora não haja qualquer documento escrito que por si só confirme e comprove tal facto. A apoiar esta versão existe apenas um conjunto de escritos posteriores, baseados na tradição oral, que se criou na primeira metade do século XV. Algumas teses mais arrojadas consideram, no entanto, que a descoberta das primeiras ilhas ocorreu já ao tempo de Afonso IV de Portugal e que as viagens feitas no tempo do Infante D. Henrique não passaram de meros reconhecimentos.


O que se sabe concretamente é que Gonçalo Velho chegou à ilha de Santa Maria em 1431, decorrendo nos anos seguintes o descobrimento - ou reconhecimento - das restantes ilhas do arquipélago dos Açores, no sentido de progressão de leste para oeste. Uma carta do Infante D. Henrique, datada de 2 de Julho de 1439 e dirigida ao seu irmão D. Pedro, é a primeira referência segura sobre a exploração do arquipélago. Nesta altura, as ilhas das Flores e do Corvo ainda não tinham sido descobertas, o que aconteceria apenas cerca de 1450, por obra de Diogo de Teive. Entretanto, D. Henrique, com o apoio da sua irmã D. Isabel, povoou a ilha de Santa Maria.


Os portugueses começaram a povoar as ilhas por volta 1432, oriundos principalmente do Algarve, do Alentejo e do Minho, tendo-se registado, em seguida, o ingresso de flamengos, bretões e outros europeus e norte-africanos.



sábado, 8 de janeiro de 2022

A lenda da Ponta Ruiva ilha das Flores Açores

Lá pelo século XVI, certo dia um pescador de uma povoação do norte da ilha das Flores andava na costa a apanhar peixe, como era seu costume. Começou a ouvir uma voz muito bonita de mulher a cantar por perto, mas numa língua que não conhecia. Cismou que por ali havia uma sereia. Logo espalhou pelo povoado a novidade e, pela maneira que se falava da sereia, todos ficaram a pensar que ela encantava os homens.


O pescador não pensava noutra coisa e, logo que pode, poucos dias mais tarde, voltou à pesca, sonhando com a ideia de que havia de ver a sereia.


Tinha acabado de lançar o anzol ao mar, quando começou a ouvir o canto que tanto o perturbava. Recolheu logo a linha e pôs-se a escutar com muito cuidado e a seguir o som. Por fim, encontrou a dona de tão melodiosa voz. Não era uma sereia, como ele pensava, mas uma linda mulher de olhos azuis, pele clara e sardenta e cabelos ruivos. Muito assustada, ao começo, nada disse, mas por fim o pescador ficou a saber a sua história. Era irlandesa e tinha escapado de um navio pirata, atirando-se ao mar quando avistou terra próximo.

O pescador ficou ainda mais encantado e, depois de conquistar a confiança da mulher, voltou para casa trazendo consigo a mulher mais bela que alguma vez a gente do lugar tinha visto. Algum tempo mais tarde, o pescador casou com a “sereia” e deles nasceram muitos filhos, todos de olhos azuis e ruivos como a jovem irlandesa.


Assim, aquele lugar da ilha das Flores passou a chamar-se, por causa da cor dos cabelos de muitos dos seus habitantes, Ponta Ruiva, e ainda hoje ali há muitas pessoas de pele clara, sardentas e de cabelos ruivos, como a jovem irlandesa que um dia ali apareceu.



sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

A Peste na ilha Terceira Açores

 

 A epidemia teve origem num caixão com fazenda que desembarcara na cidade e fora aberto na rua da Esperança, numa casa situada no local onde está o Teatro Angrense. Toda a ilha foi invadida pelo mal que diferia do que no continente já fora conhecido pela mesma designação; porque, além dos bubões, conta o padre Maldonado, «começava e acabava a vida a espirrar muito».


Em Julho e Agosto se desenvolveu de tal modo que foi necessário estabelecer casas de saúde. Foram enfermeiros, cuidando dos doentes carinhosamente, os padres Franciscanos que, com caridade evangélica, tratavam, amezinhando e curando os enfermos. Faleceram, em toda a ilha, cerca de 7.000 pessoas de ambos os sexos, grandes e pequenos, cujos cadáveres se sepultaram nas igrejas, adros, cemitérios e cerrados. Durou esta calamidade até 20 de Janeiro de 1600. Tomaram as Câmaras da ilha, por padroeiro, o mártir São Sebastião, fundando-se ermidas próprias que foram desaparecendo com os terramotos e substituídas por edifícios públicos.



Durante muitos anos se fazia em toda a ilha a festividade de São Sebastião, a expensas das Câmaras, acorrendo povo de toda a parte, aterrorizado ainda pelo que havia presenciado.

O cemitério e se encontra a ermida do Livramento, que dantes se chamava de São Roque.

Nos primeiros anos vinham romarias a visitar o lugar onde tantos dos seus jaziam.

 Gervásio Lima, Breviário Açoreano, p. 131, Angra do Heroísmo, Tip. Editora Andrade, 1935.rio, onde se enterrou a maior parte dos mortos.



quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Joaquim Moniz de Sá Corte-Real e Amaral

 


Joaquim Moniz de Sá Corte-Real e Amaral Com nasceu  na cidade de Angra do Heroísmo a 28 de Agosto de 1889 e faleceu em  Lisboa a  15 de Agosto de 1987.  Foi um pedagogo, político e intelectual açoriano.


Distinguiu-se pela publicação de múltiplos artigos de carácter histórico e biográfico, parcialmente reunidos em volume de edição póstuma. Dirigente local da União Nacional, entre outras funções, foi procurador à Câmara Corporativa em representação dos municípios dos Açores, presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e governador civil do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo.

Joaquim Moniz de Sá Corte-Real e Amaral nasceu na freguesia da Sé, a 28 de Agosto de 1889,  filho de António Aldino do Amaral e de Isabel Moniz e Sá Corte-Real e Amaral, uma família ligada à pequena aristocracia local. Depois de realizar os seus estudos primários na escola pública local, frequentou estudos secundários nos Liceus de Angra do Heroísmo, Horta e Ponta Delgada.

Sem grande sucesso nos estudos, em 1915, com 25 anos de idade, alistou-se como voluntário no Exército Português, concluindo com sucesso o curso de oficial miliciano de infantaria, atingindo o posto de Tenente. Quando em 1918, no contexto da Primeira Guerra Mundial foram enviadas forças para Angola com o objectivo de conter uma eventual invasão alemã a partir do Sudoeste Africano, integrou a força expedicionária que foi enviada para o Planalto de Benguela. Permaneceu naquela região africana até Fevereiro de 1920, assumido durante algum tempo o comando das forças.


A partir de 1920 é colocado na repartição de justiça militar de Coimbra, o que lhe permite retomar os estudos e concluir, em 1922, o curso de Ciências Histórico-Geográficas da Universidade de Coimbra.

Em 1924 casou com Judite Nunes da Costa (natural de Angra do Heroísmo) e no ano seguinte abandonou a vida militar activa, sendo nomeado professor provisório do Liceu José Falcão de Coimbra, lugar que manteve até 1927.

Nos anos de 1928 e 1929 é professor provisório do Liceu Dr. Júlio Henriques, também de Coimbra, ao mesmo tempo que frequenta o curso da Escola Normal Superior de Coimbra, que conclui obtendo 15 valores no exame de estado.


No ano lectivo seguinte foi nomeado professor efectivo do Liceu João de Deus, na cidade de Faro, iniciando um percurso que o levaria a Beja (1930 e 1931) e depois de volta à sua cidade natal, já que em Fevereiro de 1931 foi nomeado reitor do Liceu Padre Jerónimo Emiliano de Andrade da cidade de Angra do Heroísmo.

Fixa-se então na cidade de Angra, iniciando, a par da carreira docente, uma relevante carreira política que o levaria aos lugares cimeiros da administração distrital e autárquica e a procurador à Câmara Corporativa  do Estado Novo.


Partidário da solução ditatorial do saída do Golpe de 28 de Maio de 1926, aderiu à União Nacional, de cuja comissão distrital foi membro a partir de 1932. Esta sua adesão ao ideário da Revolução Nacional abriu-lhe uma rápida sucessão de nomeações para os lugares cimeiros da governança angrense: provedor da Santa Casa da Misericórdia (1931-1933); presidente da comissão administrativa da Câmara Municipal (1933) e finalmente governador civil do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo (28 de Abril de 1933 a 3 de Abril de 1936).

Ao ser substituído no lugar de governador civil, que o decreto que o exonera afirma ter exercido com zelo dedicação e patriotismo, é reconfirmado como reitor do Liceu, cargo que exerce até 1940. Entretanto, aparentemente por desavenças com Cândido Pamplona Forjaz, que passara a chefiar a União Nacional em Angra do Heroísmo, é relegado para a esfera autárquica, deixando definitivamente a chefia do Distrito. Assim, em 1939, regressa à presidência da comissão administrativa da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, assumindo a presidência da Câmara Municipal no ano imediato.


Foi nestas funções de presidente nomeado da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, cargo que exerceria até 1953, que desenvolveu a sua principal acção política. Acumulando o cargo com o de procurador à Câmara Corporativa (II e V Legislaturas)  em representação dos municípios dos Açores e de presidente da Junta Autónoma dos Portos do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo (1943-1946), o "Dr. Corte-Real", nome pelo qual era conhecido, dominou a política local durante o período delicado da Segunda Guerra Mundial e dos anos imediatos, período em que a partir de 1943 a cidade e a ilha tiveram de conviver com a presença de forças expedicionárias portuguesas e britânicas e com o nascimento da Base das Lajes.

Durante o período em que foi governador civil e presidiu à Câmara Municipal, apesar da penúria dos meios disponíveis, empreendeu obras que ainda hoje marcam a face da cidade, como a construção da Escola Primária Infante D. Henrique (1933-1945), a pavimentação de muitas das ruas da baixa citadina, o calcetamento artístico da Praça Velha, a abertura do Largo Prior do Crato. Foram obras que nalguns casos levaram à demolição de alguns edifícios históricos (casos do Convento da Graça e do Pátio dos Estudos dos Jesuítas). Outras obras importantes foram o abastecimento de água às freguesias vizinhas da cidade (já que as outras só o tiveram na década de 1970).


Em 1953 voltou ao Liceu, retomando as suas funções docentes e iniciando um período de colaboração com a imprensa local, em especial com os jornais A União e A Pátria, e de participação em múltiplas iniciativas culturais. Era um professor popular entre os alunos, que ensinava recorrendo ao exemplo de personagens históricas num ensino com forte carga ideológica. Jubilou-se em 1959 por atingir o limite de idade.


A partir de 1962 fixa-se em Lisboa, onde tinha família, ali falecendo em 15 de Agosto  de 1987.




segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Lenda da Poça das Asas na ilha do Faial Açores




A Lenda da Poça das Asas é uma lenda antiga, original da ilha do Faial, arquipélago dos Açores e encontra-se ligada à existência da Poço das Asas e aos encantos que a envolvem.

Segundo reza esta lenda, existia, em tempos idos, na pequena povoação de Chão Frio, localidade da Praia do Almoxarife, uma “formosa camponesa de pele morena, rapariga à qual não faltavam pretendentes”, no entanto, afirma a lenda, esta já “tinha dado o corpo e alma a um fidalgo da Vila que em determinadas noites, vinha ocultamente aguardá-la neste sítio da Poça das asas”, pelo que não queria mais ninguém.

Como não podia deixar de ser, nas trágicas histórias de amor, os dois apaixonados foram descobertos. Os restantes pretendentes juntaram-se e juraram destruir aquele amor. Assim numa noite, acontecendo que a rapariga esperava ainda sozinha o seu apaixonado, os seus pretendentes a mataram.

Segundo reza a lenda ”No dia seguinte de madrugada, quando a gente da povoação veio buscar água, encontraram o cadáver da camponesa e bem assim o Poço, contendo na sua superfície algumas penas brancas, como a geada”, penas essas que ainda nossos dias, quando faz tempo galado se foram nas águas do local.

Informa a lenda que dos assassinos, dois fugiram, enquanto que o terceiro, cheio de remorsos, “dentro de pouco enlouqueceu e vinha quase diariamente sentar-se nestas pedras, ficando horas e horas seguidas junto à superfície água, no fundo da qual parecia buscar o arrependimento.”


Àqueles que passavam, dizia que "viessem ver as penas saídas das asas de um anjo que ali estavam à superfície da água, e acusando-se do seu crime, acrescentava que a camponesa quando fora morta trazia no seio uma criança e que o anjinho, ao despedir-se dolorosamente da vida, havia deixado cair algumas penas das asas na superfície da água”.

Assim, entre o mito e misticismo, nasceu esta lenda, seja fruto ou não da narrativa de um louco ou simplesmente de um povo encantado pelo local, certo é que a lenda perdura e perdurará quanto houver alguém para a contar.



sábado, 1 de janeiro de 2022

António de Medeiros Franco

 

António de Medeiros Franco  nasceu na Achada do Nordeste a 12 de Março de 1882  e faleceu na Ribeira Grande a 21 de Março de 1959 ilha de São Miguel Açores.  Foi bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra (1911), advogado e político, ligado ao Partido Republicano Português e depois ao Partido Democrático.  Considerado orador eloquente, poeta inspirado, grande escritor e músico notável, regeu o Órfeon Académico de Coimbra, em Paris. Foi deputado e senador durante a Primeira República Portuguesa.

Formado em Direito, exerceu a advocacia e foi notário na Ribeira Grande, localidade onde se fixou e residiu até falecer.


Militante republicano, entre outras funções políticas de relevo, foi administrador do concelho da Ribeira Grande e comissário da Polícia.


Foi deputado eleito pelo círculo eleitoral de Ponta Delgada ao Congresso da República no período de 1915 a 1917.


Em 1917 foi nomeado governador civil do Distrito Autónomo de Ponta Delgada, exercendo o cargo entre 21 de Setembro e 13 de Dezembro de 1917, sendo destituído com o advento do sidonismo.


Foi Senador da República na legislatura de 1922 a 1925, sendo na altura considerado um dos influentes do Partido Democrático e convidado para Ministro.


Uma das suas propostas que teve vencimento foi a ampliação dos poderes das Juntas Gerais dos Distritos Autónomos, permitindo-lhes vender bens sem autorização prévia do Governo para aquisição de material hospitalar.

Foi considerado pelos seus conterrâneos um espírito brilhante e orador de renome e Ruy Galvão de Carvalho classifica-o como poeta de grande talento e poeta do sentimento.


Para além de ser lembrado no toponímia da Ribeira Grande e do Nordeste, a escola do primeiro ciclo da sua freguesia natal, a Achada do Nordeste, tem o seu nome.