Páginas

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Narciso António da Fonseca

 


Narciso António da Fonseca  nasceu em Angra em 1802  e faleceu em  Angra do Heroísmo, 28 de Julho de 1869. Foi um clérigo, professor e jornalista, que se distingui na político durante o período inicial do regime constitucional. Foi dirigente do Partido Regenerador.



Foi capelão e fidalgo da casa real, Comendador da Ordem de Cristo, Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, pregador de todas as reais capelas, deão da Sé de Angra do Heroísmo a Igreja de São Salvador (Angra do Heroísmo).


Foi um jornalista distinto, político hábil de comprovada influência, vulto importante do Partido Regenerador terceirense. Foi o orador nas exéquias da rainha D. Maria II.



quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Casa do Castelhano ilha Terceira Açores

 


Esta casa foi moradia do Capitão Pedro de Mendonça que foi o comandante de uma companhia militar na então ainda Vila da Praia e actual cidade da Praia da Vitória durante as lutas da Restauração de 1641.

A Casa do Castelhano ou Casa do Espanhol como também é conhecida é uma casa histórica

portuguesa que foi edificada junto ao mar no local denominado Caldeira das Lajes, freguesia das Lajes, concelho da Praia da Vitória, nos princípios do Século XVI. Faz parte da Lista de património edificado nos Açores e da Lista dos imóveis classificados no concelho da Praia da Vitória por Resolução nº 140/2001, de 4 de Outubro do Governo Regional dos Açores.

Trata-se de um edifício único pelas suas características especificas a nível dos sistemas construtivos tendo em atenção a data da sua edificação e também pela própria paisagem ambiente que o envolve. Trata-se de uma casa ensolarada, nobre, construída com belas cantarias de grande porte, edificada sobre colunas e arcos no piso térreo, denunciando uma arquitectura e gosto mourisco.


Na parte da frente da casa eleva-se uma escadaria em pedra basáltica de boa qualidade que dá acesso a uma varanda aberta e sustentada por uma galeria formada por arcos de volta perfeita dispostos em duas direcções. A ela liga-se o corpo do edifício de planta quadrada com dois alinhamentos de quatro arcos cada um, dispostos em cruz. Esta varanda estende-se ao longo de todo o andar superior dando assim aceso à parte nobre da moradia.



É esta casa ainda detentora de uma cisterna e de um forno de grande dimensão para cosedura de pão, que além dessa função era no mundo rural utilizado para a secagem de cereais, particularmente de milho. Sendo que um forno e uma cisterna eram considerados indispensáveis numa habitação do mundo rural do Século XVII.

A forma, dimensão e apresentação dos arcos dá-nos uma espessura das paredes, de um côvado (0,66 m), e são semelhantes aos de restantes elementos estruturais dessa época, existentes na cidade de Angra do Heroísmo a mais de 25 quilómetros de distância.

A simetria e volumétrica longitudinal só é quebrada pela presença do maciço forno que se encontra agregado à cozinha de cunho quase medieval.



No andar superior a varanda é larga e dá acesso a dois de quatro compartimentos, todos iguais e dispostos em cruz com chão em estrutura de madeira com traves apoiadas em cachorros. Os tectos são em caixotão.

O trabalho aplicado às cantarias, vãos, cimalhas e restantes elementos estruturais são determinantes para fixar a época da construção no Século XVII.

Os vãos interiores apresentam-se com vergas de pedra, ligeiramente sutadas e arredondadas na concordância com as ombreiras, tendo um rasgo em bico em toda a espessura, a meio vão, que constitui um remanescente decorativo dos bicos dos arcos em querena, comuns no estilo gótico. Estas peças de arquitectura são iguais a outras peças que se encontram no Solar do Provedor das Armadas.

Outros dos vãos são sutados nas esquinas das ombreiras, os cachorros de apoio das traves e a consola dupla em gomo que sustenta a soleira do lar do forno, são dispositivos construtivos comuns nas raras obras sobreviventes executadas anteriormente ao Século XVIII.


As particularidades estruturais mais relevantes mostram-se em projecção isométrica aplicada na escala de 1:100.

Sendo que ainda existem peças raras actualmente, como são o caso de um o talhão da água, uma maçaria de pedra, um canal de despejo, o forno na cozinha e a moenda manual. Sendo que é também de grande importância não apenas decorativas mas de raridade arquitectónica os tectos de caixotão das copeiras e dos pavimentos tradicionais.

Foi esta casa detentora de uma capela dedicada a Nossa Senhora da Luz de que só restam vestígios não se sabendo qual a razão do seu desaparecimento sendo que a casa resistiu a dois grandes terramotos ocorridos nos anos de 1841 e 1980.




terça-feira, 12 de setembro de 2023

Cronologia de desastres naturais nos Açores desde 1801 a 1900

 


1801 — Terramoto de 1801 em São Sebastião (Terceira) - Na sequência do terramoto do ano anterior, novo sismo, de maior intensidade, atingiu as mesmas freguesias. A povoação mais atingida foi a vila São Sebastião, onde provocou dois mortos. A destruição foi generalizada, particularmente em São Sebastião, Fonte do Bastardo, Praia e Cabo da Praia. O evento ficou conhecido pelo Terramoto de 1801.


1808 — Erupção do Vulcão da Urzelina, São Jorge - Depois de várias semanas em que ocorreram muitos sismos, no dia 1 de Maio a terra tremeu tão frequentemente que se contavam oito tremores por hora, alguns tão fortes que espalharam o pânico entre a população. Por volta do meio dia foi ouvido um grande estrondo acompanhado pelo aparecimento de uma grande nuvem de fumo por sobre os montes sobranceiros à Urzelina. A breve trecho, a nuvem engrossou e subindo ao mais alto   fez arco sobre parte da freguesia de Manadas e da da Urzelina, … já mostrando nas redobradas e negras nuvens uns  montes, umas medonhas furnas. A erupção destruiu muitas casas, vinhedos e campos cultivados. A 17 de Maio, quando o vigário acompanhado por populares tentava salvar algumas coisas da igreja da Urzelina, uma nuvem ardente abateu-se sobre o local queimando mortalmente trinta e tantas pessoas: uns com os couros das mãos e pés pendurados, outros tão inchados e pretos que se não conheciam, outros com as pernas quebradas, e alguns expirando, todos pedindo Sacramentos, e apenas os receberam alguns logo expiraram. Existe no Arquivo Histórico Ultramarino uma aguarela mostrando a erupção vista do Faial. A erupção ficou conhecida na história dos Açores pelo Vulcão da Urzelina.



1811 — Erupção vulcânica submarina ao largo da Ferraria, ilha de São Miguel, cria a ilha Sabrina - Uma poderosa erupção submarina criou um ilhéu ao largo da Ponta da Ferraria, matando muito peixe. A ilhota era de forma circular e foi reclamada para a coroa britânica pelo comandante de um navio de guerra inglês, a fragata HMS Sabrina, então surto em Ponta Delgada. Em terra os sismos fizeram ruir rochedos e arruinaram muitas casas. A ilhota desapareceu nos anos seguintes.


1811 — Epidemia de varíola na Terceira - Neste ano grassou uma terrível epidemia de bexigas, de tal forma que "poucos foram os meninos que não morressem delas, e mesmo dos adultos nenhum escapou que as não tivesse, falecendo uma grande parte".


1811 — Grande tempestade provoca destruição e morte na Terceira - Na noite de 3 para 4 de Dezembro "levantou-se uma tão grande tempestade de vento sudoeste, entre uma chuva grossa e relâmpagos de tamanha força, que igual não havia memória entre os presentes". Todo o Grupo Central foi atingido. Ventos ciclónicos e chuvas  destruíram muitas casas, arrancaram muitas árvores, derrubaram paredes e causaram cheias. As ribeiras transbordaram na Vila Nova, Agualva, Serreta e Santa Bárbara, matando muita gente e muitos gados. O mar entrou no Porto Judeu, Porto Martim, Praia e São Mateus, causando grandes estragos. O vento e a ressalga não deixaram folha verde, o que causou grande fome para os gados. No porto de Angra naufragaram sete navios, causando muitos mortos.


1812 — Mau ano agrícola provoca grave crise alimentar em São Jorge e Terceira - Um mau ano agrícola em 1811, agravado por uma forte tempestade em Dezembro, levou a que no início de 1812 grassasse a fome em São Jorge. Em Março na Câmara Municipal de Velas recebeu-se uma proposta de importação de milho para "sublevar a misérrima necessidade e falta de mantimentos que actualmente padece o povo".


1813 — Cheia provoca mortos na Terceira - Em Setembro deste ano, grandes chuvadas nas encostas da Serra de Santa Bárbara (certamente resultado de uma tempestade tropical) provocaram o extravasamento das ribeiras. A igreja de São Bartolomeu foi inundada e várias casas das imediações destruídas, morrendo 5 pessoas. Em Santa Bárbara também houve mortos. Há tradição oral de grandes enchentes nas Doze Ribeiras e Altares (será do mesmo acontecimento?). Leia mais sobre a cheia de 1813.



1817 — Crise sísmica na Graciosa - Uma crise sísmica abalou a ilha Graciosa sem causar grandes danos.


1837 — Crise sísmica na Graciosa - Houve naquela ilha "grande susto por causa dos terramotos que a visitaram de 12 de Janeiro aos fins de Fevereiro; o de 21 de Janeiro foi tão grande na vila da Praia que não deixou casa sem alguma ruína. A igreja da Luz na sua figura ficou quase por terra; os povos experimentaram um viver de martírio".


1839 — Vendaval de 5 de Dezembro do 1839 - Os portos do Porto Martins, Praia da Vitória e São Mateus sofreram consideravelmente e toda a cortina do cais do Porto de Angra, do lado do Oeste, ficou inteiramente arrasada, parecendo incrível que o mar pudesse arrojar sobe o mesmo cais penedos de um tão enorme tamanho. No cerrado grande, ao Pico Redondo, mais de 200 grossos pinheiros foram quebrados ou arrancados. Paredes e muros de vinhas, raros foram os que ficaram em pé e algumas pequenas casas tiveram igual sorte. Pareceu que «se tão horrível borrasca durasse mais duas horas talvez que tivéssemos de chorar a desaparição da Vila da Praia da Vitória, Porto Martins e algumas outras povoações da costa».[2] Na ilha de São Miguel este mesmo vendaval foi mais intenso e na cidade e nos arredores da costa fez estragos horrorosos.


1841 — Segunda Caída da Praia - terramotos de 15 de Junho na Praia da Vitória e nas Fontinhas, Terceira - Desde a manhã de 12 de Junho que se vinham sentindo na Terceira, mas com particular incidência no Ramo Grande, numerosos sismos. A 13 de Junho alguns sismos mais intensos provocaram alguns danos nos edifícios e forçaram os moradores da Praia e freguesias vizinhas a abandonar as suas casas. Na madrugada do dia 14 violentos sismos provocaram ainda maiores danos. Pelas 3h 25m da madrugada de 15, um violento sismo causou enorme destruição na Praia da Vitória e nas Fontinhas e danos generalizados em todas as freguesias do leste e nordeste da Terceira entre São Sebastião e a Agualva. Desde o areal até à Cruz do Marco ficou uma fissura no terreno marcando a posição da falha que por ali passa. A destruição foi maior nas Fontinhas, freguesia onde ruíram todos os edifícios. Dado que os habitantes tinham já abandonado as casas, ninguém morreu. Ficaram contudo danificadas centenas de casas em Santa Cruz da Praia, Fontinhas, Lajes, São Brás, Vila Nova, Agualva, Cabo da Praia, Porto Martins, Fonte do Bastardo e São Sebastião. Destas casas muitas tiveram de ser reconstruídas. A reconstrução foi apoiada por uma "Comissão dos Socorros".



1842 — Cheia provoca grandes danos nas Velas - No Domingo da Trindade grandes chuvadas provocaram inundação de parte da vila de Velas. Na praça junto à Câmara a enxurrada foi tal que em algumas casas saiu a "água pelas janelas de sacada".


1844 — Seca na Graciosa obriga à importação de água - No Verão de 1844 ocorreu uma seca que para além de afectar gravemente as produções agrícolas pôs em risco a sobrevivência de pessoas e animais. José Silvestre Ribeiro, que então servia de Governador Civil em Angra, proveu a ilha prontamente com 90 pipas de água e mandou abrir poços e valas. Na noite de 20 de Agosto uma forte chuvada veio aliviar a crise.

1846-1847 — Fome em São Jorge - Um mau ano agrícola, associado à grande densidade populacional de então, leva à "penúria de cereais e falta de batata" em São Jorge, sendo necessário recorrer à "Comissão de Socorros de Bocca" de São Miguel para evitar a catástrofe alimentar.


1848 — Sismo causa 9 mortos em São Miguel - Um forte sismo causou graves danos na Várzea, Feteiras, Candelária e Ginetes, causando 9 mortes e avultados estragos. Uma aurora boreal no dia 7 de Outubro, e outra a 17 do mesmo mês, causou o pânico entre os sinistrados.


1852 — Crise sísmica em São Miguel - Uma crise sísmica abalou a ilha de São Miguel sem causar grandes danos.


1856 — Mar invade a vila de Velas e provoca naufrágio - A 6 de Janeiro, Dia de Reis, "levantou-se o mar com tal fúria que produziu uma terrível enchente". A escuna Leonor que estava surta no porto naufragou provocando a morte a todos os tripulantes que estavam a bordo. O mar levou casas e barcos e galgou a zona da Conceição, chegando às paredes da cerca de São Francisco (hoje Centro de Saúde), que parcialmente derrubou.



1857-1859 — Fome em São Jorge - Um ciclone tropical atingiu o Grupo Central no dia 24 de Agosto de 1857 provocando a destruição total dos milhos, então a principal produção alimentar da ilha de São Jorge. Daí resultou penúria generalizada, pelo que no início de 1858 "estava no concelho de Velas, toda a ilha, e suas vizinhas, manifestada a fome com as suas negras côres". Os anos seguintes foram também maus anos agrícolas pelo que a crise alimentar se manteve até 1859. Foi preciso recorrer a subscrições públicas, incluindo uma nos EUA, organizada pela família Dabney, para evitar que se morresse à fome.


1862 — Crise sísmica no Faial - A partir de Setembro foram sentidos inúmeros sismos. Em Outubro os sismos eram tão frequentes que os habitantes da Horta não se atreviam a dormir nas suas casas, o que "obrigou a maior parte dos habitantes da cidade a construir barracas para dormir". Na crise os faialenses recorreram à milagrosa imagem do Senhor Santo Cristo da Praia do Almoxarife, que foi trazido para a cidade em devota procissão. Em finais de Outubro eram já raros os sismos e a crise terminou sem grandes danos. Em Dezembro, o aparecimento de fosforescência no mar e o registo visual de uma aurora boreal causou pânico generalizado.



1867 — Erupção submarina ao largo da Serreta, Terceira - Na noite de 1 para 2 de Junho, após muitas semanas de intensa sismicidade, que provocou grandes danos nas freguesias de Serreta, Raminho e Altares, iniciou-se uma erupção submarina a cerca de 9 milhas da Ponta da Serreta. A erupção estendia-se por uma faixa de mais de 2,5 milhas de comprido na direcção EW e terminou cerca de um mês depois. O local onde ocorreu é sensivelmente o da erupção de 1998/1999. Ainda se realiza anualmente, a 31 de Maio, a "procissão dos abalos" na freguesia do Raminho, comemorando o acontecido. O episódio ficou conhecido pelo Vulcão da Serreta.


1877 — Fome em São Jorge - Um mau ano agrícola em 1876, associado à grande densidade populacional de então, leva, mais uma vez, à "falta de cereais e fome" em São Jorge, sendo necessário recorrer à importação de milho e trigo para evitar a catástrofe alimentar.



1887 — A 24 de Agosto de 1887 um furacão provocou grandes estragos no Grupo Central.


1889 — Na noite de 10 para 11 de Setembro um forte ciclone provocou grandes danos em todas as ilhas.


1891 — Na noite de 23 para 24 de Julho deste ano registaram-se grandes inundações na ilha Terceira, destruindo muitas habitações.


1893 — Furacão provoca grande destruição no Grupo Central - A 28 de Agosto a maior tempestade de que há memória nos Açores atingiu o Grupo Central, provocando grande enchente de mar e arruinando casas, igrejas e palheiros. Também os portos foram severamente atingidos com perda de muitas embarcações. A destruição dos milhos nos campos causou fome generalizada no ano seguinte. A ilha de São Jorge foi severamente atingida, particularmente o Topo. Os danos do Furacão de 1893 ainda são visíveis nalguns pontos da costa, nomeadamente na antiga, e hoje abandonada, Igreja Velha de São Mateus da Calheta, na Terceira, e nas ruínas da Baía do Refugo, no Porto Judeu.


1899 — Grande enchente de mar em São Jorge - Na madrugada de 3 de Fevereiro, uma grande tempestade marítima atingiu as costas viradas a sul. Em São Jorge, o mar galgou a terra matando uma pessoa nas Velas e provocando enorme destruição na Conceição e zonas adjacentes.


1899 — Furacão atinge o Grupo Central - A 17 de Outubro um furacão atravessou o Grupo Central provocando destruição generalizada das habitações e perda de colheitas e de gados. Em São Jorge verificaram-se os maiores danos.



segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Ermida de Nossa Senhora da Vitória na ilha da Graciosa Açores

 


A Ermida de Nossa Senhora da Vitória localiza-se no povoado da Vitória, freguesia de Guadalupe, concelho de Santa Cruz da Graciosa, na ilha Graciosa, nos Açores.


Sob a invocação de Nossa Senhora da Vitória, foi erguida em comemoração a uma vitória dos habitantes da ilha após terem conseguido a expulsão de piratas da Barbaria, que tinham desembarcado pelo Porto Afonso no dia 19 de maio de 1623 e iniciado o saque das localidades da ilha.



Segundo a tradição, o ataque custou a vida ao pirata líder do assalto, que terá ficado sepultado próximo à ermida. Um dos reféns levados para Argel foi o capitão Pedro Cunha Ávila que, depois de libertado, pediu esmola em Lisboa para adquirir a imagem da Senhora da Vitória. Com ela regressou à Graciosa e construiu a ermida com a ajuda do povo.


A festa de Nossa Senhora da Vitória foi uma das maiores romarias da Graciosa. Na terça-feira do Espírito Santo ninguém trabalhava e de toda ilha chegavam famílias a pé, de burro ou em carros de bois. Chegavam ainda de manhã e ouviam missa antes de abrirem os farnéis à sombra dos salgueiros.



sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Forte de Afonso do Porto na ilha da Graciosa Açores

 


O Forte de Afonso do Porto localizava-se no lugar de Porto Afonso (outrora "Afonso do Porto"), próximo ao povoado da Vitória, na freguesia de Guadalupe, concelho de Santa Cruz da Graciosa, na ilha Graciosa, nos Açores.

Neste pequeno porto pesqueiro registou-se, em 1623, uma incursão de piratas da Barbária. O episódio encontra-se referido em uma anotação de João Teixeira Soares de Sousa, acredita-se que a partir de um extrato das "Crónicas da Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores" (c. 1695), de Frei Agostinho de Monte Alverne:


"Sendo o capitão maior d'esta vila de Santa Cruz, Manoel de Quadros Machado, e capitão maior da vila da Praia, Gaspar Velho d'Azevedo, em 19 de maio de 1623, chegaram a esta ilha, oito fragatas d'Argel, e ancoraram onde chamam Affonso do Porto, e está uma Ermida de Nossa Senhora da Victoria, donde comettendo duas com Barcas e um Patacho para botarem gente em um caís  feito pela natureza, os moradores da ilha com tanto valor lhe resistiram que não poderem entrar, sem morrer pessoa, nem ainda ficar ferida. Vinha n'estes navios um capitão, natural d'esta mesma ilha, o qual sendo resgatado em Argel pela Redempção geral, veio para Lisboa onde com as esmollas que tirou, mandou fazer uma imagem de Nossa Senhora da Victoria que hoje está na Ermida que fez o povo, nella viveu hermitão, e morreo como hermitão."



De acordo com a tradição, os moradores conseguiram matar o líder do assalto, que terá ficado sepultado em local próximo à atual ermida. O capitão escravizado referido era Pedro Cunha Ávila.


Datará desse período também, a fortificação do local. No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714) encontra-se referido como "O Forte de Affonso do Porto." na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710".


Encontra-se citado como desaparecido no "Catálogo provisório" em 1884.


A estrutura não chegou até aos nossos dias.



quinta-feira, 7 de setembro de 2023

José Augusto Nogueira Sampaio

 


José Augusto Nogueira Sampaio  nasceu em Angra a 11 de Dezembro de 1827  e faleceu em  Angra do Heroísmo a  26 de Julho de 1900.  Foi médico-cirurgião no Hospital do Santo Espírito e reitor do Liceu Nacional de Angra do Heroísmo, tendo-se distinguido no campo da história natural, com destaque para a botânica e a meteorologia.


José Augusto Nogueira Sampaio nasceu em 11 de dezembro de 1827 em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, Arquipélago dos Açores, filho de Manuel Gomes de Sampaio, cirurgião-de-brigada veterano da Guerra Peninsular e facultativo do Hospital do Santo Espírito de Angra do Heroísmo, e de Guilhermina Cândida Nogueira Sampaio.  O tio materno, dr. Rodrigo Zagalo Nogueira,  viria a ser também médico no Hospital do Santo Espírito e uma das personalidades mais influentes na sociedade angrense do tempo.


Nascido no seio de uma família privilegiada e influente, o pai foi participante activo nos eventos que se seguiram à revolta liberal de Angra de 22 de junho de 1828, sendo depois cirurgião do Batalhão de Caçadores n.º 5 durante a Guerra Civil. Apesar do pai ter continuado o seu percurso militar integrando o Exército Libertador, a família permaneceu em Angra, onde o jovem José Augusto foi discípulo do padre Jerónimo Emiliano de Andrade e do deão Narciso António da Fonseca durante os estudos secundários.


Em 1843, aos 15 anos de idade, partiu para Coimbra para realizar os estudos preparatórios para a entrada no curso de Medicina. Naquela cidade matriculou-se no curso preparatório para ingresso na Faculdade de Medicina, que concluiu, fazendo o acto nas Faculdades de História e Filosofia em Outubro de 1846. Contudo, a Universidade de Coimbra atravessava então tempos conturbados, pois tinham sido suspensas as aulas em 1844 numa luta universitária contra o governo de Costa Cabral, o que voltou a acontecer em 1846, quando se preparava para iniciar o curso, devido aos acontecimentos políticos que redundaram na Revolução da Maria da Fonte e na Patuleia.


Interrompidas as aulas da Universidade e receando a família a continuação do movimento revolucionário, em 1847 Nogueira Sampaio partiu para a Bélgica onde se matriculou no curso de Medicina da Universidade Católica de Lovaina, curso que o seu tio materno, o dr. Rodrigo Zagalo Nogueira, também havia frequentado e concluído em 1840.


Em Louvain foi discípulo de professores como Pierre Joseph van Beneden, Theodor Schwann, Eugène Hubert e Etienne-Michel van Kempen,  obtendo excelentes classificações. Este sucesso académico permitiu que fosse interno na maternidade do hospital universitário (Hôpital universitaire de Leuven) e que nele tivesse praticado clínica médica e clínica cirúrgica.


Concluiu a formatura em 1850 defendendo teses publicas, em cujo acto foi aprovado por aclamação (stante pede),  ficando graduado com o título de maior distinção com direito a diploma especial além da sua carta de formatura, a qual foi referendada pelo embaixador português em Bruxelas.




terça-feira, 5 de setembro de 2023

Cinco Ribeiras ilha Terceira Açores

 


O povoamento da zona oeste da ilha Terceira iniciou-se nos finais do século XV, quando as terras das vertentes da Serra de Santa Bárbara foram distribuídas em sesmaria por João Vaz Corte-Real, então capitão-do-donatário em Angra. A maioria dos povoados ficaram estruturados na década de 1510. Os condicionalismos da topografia local e a escassez de nascentes de água, levou a que o povoamento assumisse ali um carácter linear, ao longo do caminho que partindo de Angra se dirigia para oeste, fixando-se os povoadores nas margens das ribeiras, nas imediações do local onde estas eram atravessadas por aquele caminho, pois sendo a região muito pobre em nascentes, os habitantes eram obrigados a recorrer à água das ribeiras, elas também efémeras já que durante o Verão raramente correm.


Essa vasta zona, que vai de São Bartolomeu dos Regatos até à Serreta, no extremo oeste da ilha, ficou assim povoada em torno das ribeiras, popularmente "numeradas" de leste para oeste, ou seja, de Angra para a Serreta, dando origem a topónimos como Cinco Ribeiras, Nove Ribeiras ou Doze Ribeiras. O centro administrativo e religioso da região centrou-se na Igreja de Santa Bárbara, às Nove Ribeiras, constituindo-se, em data anterior a 1489, uma imensa paróquia que se estendia desde a Cruz das Duas Ribeiras até ao Biscoito da Serreta.


Um desses lugares, situado Às Cinco Ribeiras, isto é nas margens da quinta ribeira contada desde Angra, assumiu alguma importância e nas suas proximidades os Jesuítas adquiriam uma propriedade, provavelmente para veraneio, na qual ergueram, já na segunda metade do século XVII, uma ermida sob a invocação de Nossa Senhora do Pilar. Expulsos os Jesuítas à época do marquês de Pombal, a propriedade foi arrematada por particulares, tendo a ermida se mantido ao serviço da comunidade até que em 1832 foi doada ao povo da freguesia.


À medida que o povoamento se foi estruturando, a freguesia de Santa Bárbara foi sendo repartida em curatos e depois em paróquias autónomas, precursoras das actuais freguesias. Foi nesse contexto, que as populações que viviam em torno da Ribeira das Cinco, no extremo sueste da então freguesia de Santa Bárbara, começaram a reivindicar a presença de um cura de almas que lhes providenciasse um serviço religioso de maior proximidade.


Foi assim que o lugar de Nossa Senhora do Pilar das Cinco Ribeiras foi elevado a curato, por provisão do bispo de Angra, D. frei Estêvão de Jesus Maria, datada de 13 de junho de 1867. Aquela provisão reconhecia o crescimento demográfico da zona  e a sua distância em relação à igreja paroquial de Santa Bárbara das Nove Ribeiras, localizada cerca de 3 quilómetros a oeste.


Com a construção de uma nova igreja que sucedeu a primtiva ermida, ficaram reunidas as condições para a elevação do curato a paróquia, o que foi conseguido por decreto de 8 de fevereiro de 1879. A nova freguesia foi constituída com os seguintes limites:


Norte: bordo da caldeira que fica detrás da Serra de Santa Bárbara, em virtude da mesma caldeira confinar com outras freguesias, matos e campos baldios;

Sul: a rocha do mar, nela se incluindo o Porto das Cinco com o seu forte do porto;

Nascente: da rocha do mar, seguindo na direcção do Norte tocando o paredão da corredora do cerrado de trás dos Ormondes; lado Ocidental do Pico chamado de Luís Coelho; Cruz das Duas Ribeiras na Estrada Real; lameiro de Bárbara Antónia, nas Canadinhas; nascente da casa, eira e pastos dos Corvelos, no Escampadouro; canada de servidão nos pastos de Francisco de Barcelos; o lado oriental dos Morros; o Calhau Branco entre a nascente da Ribeiras das Duas e o poente da Ribeira de Trás, daqui até à Serra de Santa Bárbara e bordo da Caldeira.