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sábado, 5 de julho de 2025

Tomás José da Silva comerciante no Brasil

 

Tomás José da Silva  nasceu em Angra  do Heroísmo a  7 de Dezembro de 1779  e faleceu em Pernambuco, Brasil a 1839.  Foi um grande negociante, exportador de laranja, e político, membro da vereação da cidade de Angra, nomeado em 1819 para o cargo de Inspector da Agricultura nos Açores.


Nasceu na freguesia da Sé  em Angra do Heroísmo,  filho do comerciante João Correia da Silva, originário de São Miguel de Rebordosa, e de sua esposa Ana Inácia Vitorina. Era tio paterno de João Illion e Silva, comerciante no Rio de Janeiro e ofertante do busto de D. Pedro IV existente no salão nobre dos Paços do Concelho de Angra do Heroísmo.


Inicialmente destinado à vida eclesiástica, depois de ter tomado ordens menores decidiu dedicar-se ao comércio, obtendo carta de matrícula como negociante na praça de Angra a 9 de Março de 1809. Nesse mesmo ano ingressa na política autárquica, sendo eleito pela vereação como «depositário público» e depois exercendo por dois mandatos as funções de «procurador do concelho» e de «almotacé». Por sua iniciativa e sob a sua direcção foram ladrilhadas algumas ruas, desviada uma grota que corria ao longo da estrada de São Pedro e construído um edifício para o mercado do peixe.

Por Decreto de 12 de Julho de 1819, emitido pelo rei D. João VI no Rio de Janeiro, foi nomeado Inspector da Agricultura dos Açores, adido à Junta do Melhoramento da Agricultura então criada junto do Capitão General dos Açores. Para essa Junta desenvolveu alguns estudos sobre a agricultura açoriana, os quais foram depois publicados em Lisboa.


Como comerciante dedicava-se principalmente à exportação de laranja para Inglaterra, sendo na década de 1810 um dos principais exportadores daquele género a partir da ilha Terceira.

Cedo aderiu aos ideais liberais, tendo sido em 1821 um dos fundadores da Sociedade Patriótica Filantropia, um agrupamento de carácter maçónico fundado em Angra.  A sua proximidade ao capitão-general Francisco António de Araújo, o grande mentor da Junta do Melhoramento da Agricultura e o aforador dos terrenos do Escampadouro (antigos baldios concelhios localizados na freguesia de São Bartolomeu), seguramente influíram no seu percurso, já que foi um dos principais mentores da tentativa de revolta liberal ocorrida em Angra a 2 de Abril de 1821, durante a qual o próprio Francisco António de Araújo seria morto a tiro pelos soldados amotinados. Num atestado justificativo apresentado no Desembargo do Paço, afirma que na ocasião da morte de Araújo se encontrava «junto dele, e na casa da sessão do Governo Constitucional na ocasião em que se rebelou a tropa que ensanguentou a Constituição».

Em consequência daquela revolta liberal fracassada, o capitão-general Francisco de Borja Garção Stockler ordenou a prisão de Tomás José da Silva, que entrou na cadeia de Angra a 10 de Abril de 1821 aí permanecendo em rigorosa prisão, como «contemplando-o preso de Estado» até 17 de Maio daquele ano.


Após a revolução de 1823 e o restabelecimento do absolutismo, em consequência das lutas civis e da perseguição aos liberais que se segui foi obrigado a emigrar para o Brasil, estabelecendo-se como comerciante por grosso e industrial em Pernambuco, onde faleceu. A sua filha foi educada no Rio de Janeiro, sendo aluna de outro dos exilados liberais terceirenses daquele período, Tibúrcio António Craveiro.



quarta-feira, 2 de julho de 2025

Arquipélago dos Açores


 

Vicente José Ferreira Cardoso da Costa

 

Vicente José Ferreira Cardoso da Costa  nasceu na Bahia a 5 de Abril de 1765  e faleceu em  Ponta Delgada a  14 de Agosto de 1834. Foi um jurista, magistrado, político e intelectual, poeta e autor de numerosas obras sobre temas de Direito e de política.


Filho do desembargador José Ferreira Cardoso da Costa, natural a cidade do Porto, e de sua mulher Clara Joana Teixeira Coelho. Terminados os estudos primários, mas ainda muito jovem, transferiu-se para Lisboa, onde estudou no colégio da Congregação do Oratório. Terminados os estudos preparatórios, matriculou-se em 1779 no curso de Leis da Universidade de Coimbra, onde obteve o doutoramento em 22 de Julho de 1785.  Em Coimbra revelou-se poeta e foi amigo de Manuel Maria Barbosa du Bocage.


Terminados os estudos, e propondo-se ingressar na docência universitária, foi nomeado opositor e regeu extraordinariamente uma cadeira na Universidade, ali lecionando até 1789. Nas suas aulas ficou conhecido pelas suas lições sobre a jurisprudência de prazos dos morgados, a sucessão de bens da coroa e a enfiteuse, publicando um compêndio de referência intitulado Elementa juris emphyteutici commoda methodo juventuti academicæ adornata, saído a público 1789.  Também preparou projetos de lei sobre arrendamentos de longo prazo e sobre a remissão de encargos enfitêuticos. Em 1789 optou pela magistratura, iniciando uma carreira que o levaria a juiz desembargador do Tribunal da Relação do Porto, nomeado por decreto de 25 de  Maio de 1799.

O seu pendor ideológico a favor do liberalismo levou a que no ano de 1810, no contexto das invasões francesas, fosse envolvido no processo que ficaria conhecido pela Setembrizada. Em consequência foi preso e deportado para a ilha Terceira a bordo da fragata Amazona, acusado de jacobino e de partidário dos franceses.  Ficou inicialmente preso na Fortaleza de São João Baptista do Monte Brasil, mas depois foi autorizado a residir na cidade de Angra.




Família

 


Igreja de Santa Bárbara , Cedros ilha do Faial Açores

 


De acordo com o historiador António Lourenço da Silveira Macedo este templo deverá datar do ano de 1594. O escritor Marcelino de Almeida Lima argumenta porém que a sua fundação deverá ser anterior àquele ano "porque Gaspar Frutuoso, que visitou o Faial, segundo se presume, no terceiro quartel do século XVI, já a menciona nas Saudades da Terra", informando ser "igreja de três naves sobre cinco colunas com uma coluna do lado esquerdo".


Marcelino Lima prossegue e explica que Silveira Macedo fundamentou a sua asserção certamente na inscrição que se encontra no cimo da porta do lado do sul a qual reza: "Esta capela fez António Martins em 1596", e que, a ser verdade, como se regista na legenda, deve tratar-se de uma reedificação.




Antepassados


 

Francisco António de Araújo e Azevedo

 

Francisco António Pereira Pinto de Araújo e Azevedo  nasceu em Lisboa, a 21 de Dezembro de 1772 e faleceu em  Angra do Heroísmo a  4 de Abril de 1821.  Foi um oficial general do Exército Português e administrador colonial, que faleceu no posto de general de brigada.


Pertencia à casa de Sá e Lage, de Ponte de Lima, sendo irmão de António de Araújo e Azevedo ,  1.º conde da Barca, um influente político da época. Foi nomeado capitão-general dos Açores a 20 de Agosto de 1816, tendo desembarcado em Angra a 11 de Maio de 1817 e tomado posse no dia 14 do mesmo mês, sendo o 7.º titular do cargo de Governador e Capitão-General dos Açores.

Foi um dos capitães-generais mais entusiastas quanto à introdução de reformas de natureza fundiária. Influenciado pelas teorias fisiocráticas e pelo pensamento de Tomás José da Silva, seu colaborador próximo, durante o seu governo tomou medidas em prol do arroteamento de terras incultas, forçou a conclusão das obras da estrada Angra-Praia pela Achada e promoveu a alteração das rodas dos carros de bois, cujos pregos, salientes, danificavam os caminhos.


Considerando que as cabras que viviam em regime semi-livre nos baldios comunitários eram daninhas para a agricultura e motivavam as populações a resistir aos arroteamentos que pretendia fazer nesses baldios, mandou abater as cabras que viviam à solta nos terrenos baldios como forma de controlo dos rebanhos e para obrigar a uma agricultura mais progressiva e menos de subsistência. Tais medidas foram mal-interpretadas pela população em geral, que lhe devotou um ódio desmedido e o apelidou de o «Mata-Cabras». Por aquilo que representava de imposição do poder colonial, e por algumas das medidas que tomou, era detestado por praticamente toda a fidalguia local e odiado profundamente pela população terceirense, que não lhe reconhecia os serviços prestados, mas antes a severidade com que exercera as suas funções.


Receando que a crise diplomática entre Portugal e a Espanha, desencadeada pela ocupação de Montevidéu, na Província Cisplatina, por tropas portuguesas em 1817 fosse causa de represálias contra os Açores, promoveu não apenas uma profunda reforma da estrutura militar no arquipélago, como também o restauro e construção de novos fortes, como o de São José, o de São Caetano e o de São João.