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segunda-feira, 10 de junho de 2024

Portugal e Camões !

 



Luís de Camões


Tinha uma flauta.

Não tinha mais nada mas tinha uma flauta

tinha um órgão no sangue uma fonte de música

tinha uma flauta.


Os outros armavam-se mas ele não:

tinha uma flauta.

Os outros jogavam perdiam ganhavam

tinham Madrid e tinham Lisboa

tinham escravos na Índia mas ele não:

tinha uma flauta.



Tinham navios tinham soldados

tinham palácios e tinham forcas

tinham igrejas e tribunais

mas ele não:

tinha uma flauta.


Só ele Príncipe.


Dormiam rainhas na cama do rei

princesas esperavam no belvedere

Ele tinha uma escrava que morreu no mar.


Morreram escravas as rainhas

morreram escravas as princesas

nenhuma teve o seu rei

para nenhuma chegou o Príncipe.

Por isso a única rainha

foi aquela escrava que morreu no mar:

só ela teve

o que tinha uma flauta.



Morreram os reis que tinham impérios

morreram os príncipes que tinham castelos

mas ele não:

tinha uma flauta.


De fora vieram reis

vieram armas de fora

os príncipes entregaram armas

ficou sem armas o povo.

As armas de fora venceram

todas as armas de dentro.

Só não venceram o que não tinha armas:

tinha uma flauta.


E as vozes de fora mandaram

calar as vozes de dentro.

Só não puderam calar aquela flauta.

Vieram juízes e cadeias.

Mas a flauta cantava.


Passaram por todas as fronteiras.

Só não puderam passar

pela fronteira

daquela flauta.


E quando tudo se perdeu

ficou a arma do que não tinha armas:

tinha uma flauta.


Ficou uma flauta que cantava.

E era uma Pátria.


Manuel Alegre




domingo, 9 de junho de 2024

Monumento aos Açorianos no Brasil

 

O Monumento aos Açorianos é um monumento da cidade de Porto Alegre, em homenagem à chegada, em 1752, dos primeiros sessenta casais açorianos que povoaram a cidade. Foi inaugurado em 26 de março de 1974, aniversário da cidade.  A obra possui 17 m de altura por 24 m de comprimento.


O monumento, em linhas futuristas, está localizado no Largo dos Açorianos (que também abriga a histórica Ponte de Pedra), próximo ao Centro Administrativo do Estado. Construído em 1973, feito em aço, é uma obra do escultor Carlos Tenius e lembra uma caravela, composta de corpos humanos entrelaçados, e tendo à frente uma figura alada que lembra o mitológico Ícaro e representa a Vitória.



No monumento existe o seguinte escrito:


"Jamais sonhariam aqueles casais açorianos, que da semente que lançavam ao solo nasceria o esplendor desta cidade."




sábado, 8 de junho de 2024

Por onde passaram muitos Açorianos

 


A Ilha Ellis . É  uma ilha na foz do Rio Hudson que foi ao longo do século XIX e no começo do século XX a principal entrada de imigrantes nos Estados Unidos.


A ilha, situada no porto de Nova Iorque, é um símbolo da imigração para os Estados Unidos. De 1892 a 1954, era o primeiro lugar que os imigrantes provenientes da Europa pisavam, após uma longa viagem em navios a vapor. Quase 12 milhões de pessoas chegaram a essa ilha à procura de uma oportunidade no novo mundo, a América.


Em 1990, o edifício que durante essa época serviu como posto de exame dos imigrantes que chegavam da Europa foi transformado em museu, albergando tanto materiais originais, como documentos e fotografias, materiais audiovisuais de apoio, distribuídos pelos 3 andares do edifício. A ilha de Ellis faz parte do monumento da Estátua da Liberdade, sendo possível chegar até ele por meio do mesmo ferryboat.



quarta-feira, 5 de junho de 2024

Jesuíta Açoriano assassinado pelos indios

 


Francisco da Costa Pinto, padre Jesuíta, nascido em 1552, na  cidade de Angra do Heroísmo, Ilha de Terceira Açores . Faleceu a  11 de Janeiro de 1608, no atual município de São Miguel do Tapuio (Piauí).

 Veio para o Brasil, quando criança, acompanhando a família que imigrou para o Brasil. Aos 17 anos de idade, deixou o Estado de Pernambuco seguiu para a Bahia e em 31 de Outubro de 1568 ingressou na Companhia de Jesus. Não chegou a completar o curso, recebendo a o título de Coadjutor espiritual formado. Em 1588 recebeu a ordens sacras, sendo considerado padre. Devido a seu conhecimento das línguas indígenas é indicado para a Missão do Maranhão. Teria sido curado pelo Padre Anchieta.



No dia 20 de Janeiro de 1607, partiu do Recife, em uma embarcação que ia buscar sal coletado nas salinas na foz do Rio Mossoró,  juntamente com o padre Luís Figueira para o Siará Grande, com o intuito de catequizar os nativos daquele território.


Em 2 de Fevereiro do 1607, celebraram a primeira missa no território do atual Estado do Ceará, na foz do Rio Jaguaribe.

Durante a viagem, esteve em um aldeamento denominado como Paupina, que corresponde atualmente ao centro de Messejana.


Os dois avançaram até a Chapada de Ibiapaba, chegando a habitar com os índios Tabajara. Em 11 de Janeiro de 1608, foi assassinado pelos índios Tacarijus (Tapuia), instigados pelos franceses que mantinham contatos na região por meio da Feitoria da Ibiapaba. O martírio ocorreu, numa capela, onde, atualmente, está localizado o Município de São Miguel do Tapuio, Piauí.,  sendo enterrado no sopé da Serra Grande.


[...] investindo com furor e crueldade diabólica contra o servo de Deus, lhe deram repetidos golpes com suas "ybirassangas", que são uns paus duros, largos e compridos, na cabeça, até que lha amassaram toda e lhe deram uma morte muito cruel, aos onze de Janeiro de 1608.




terça-feira, 4 de junho de 2024

Lista de naufrágios ocorridos nos mares dos Açores no século XX

 


1906 – (30 de Setembro), naufraga o iate Rio Lima, que dá à costa no baixinho do Portinho Novo.


1909 - Naufrágio do RMS Slavonia junto à ilha das Flores, navio de origem inglesa.


1911 – (26 de Junho) Naufrágio no varadouro das Cinco Ribeiras o vapor de pesca União de 227 toneladas. É ainda é possível ver a sua caldeira e restos da sua estrutura.


1912 – (8 de Fevereiro) Naufrágio a cerca de 45 milhas da ilha do Faial, do iate inglês Norma B. Strong, de 157 toneladas de arqueação e com 6 tripulantes a bordo.


1915 - (25 de Maio) Naufrágio no Canto do Areal, Fajã Grande, Ilha das Flores, da barca Francesa Bidart.


1916 – (31 de Maio) Naufrágio a 30 milhas da ilha Graciosa, da chalupa francesa Saint Louis, de 320 toneladas e com um carregamento de sal destinado à Terra Nova.


1921 – (28 de Abril) Naufrágio na Baía das Águas do lugre de 405 toneladas Maria Manuela, com 11 tripulantes e comandado pelo capitão Fernando Velha.


1922 – (15 de Junho), naufrágio a 205 milhas a leste da ilha de São Miguel do lugre Santa Maria. Salvando-se os seus 15 tripulantes.



1922 – (31 de Outubro) naufrágio a 14 milhas a sul de Ponta Delgada do vapor italiano Teit, de 5396 toneladas, salvaram-se os seus 36 tripulantes.


1925 – (15 de Janeiro) naufraga a 80 milhas da ilha de São Miguel o iate Autonómico Açoreano, da praça de Ponta Delgada.


1925 – (16 de Junho) Naufrágio na Ponta de São Fernando, o lugre dinamarquês Aero, de 275 toneladas.


1927 – (23 de Setembro) naufraga o patacho Terceirense a cerca de 25 milhas da ilha Graciosa.


1928 – (3 de Outubro) naufraga a 50 milhas da ilha do Faial, o vapor alemão Maria Pinango.


1943 – Naufrágio, vítima da Segunda Guerra Mundial e do mau tempo, na Grota do Vale, de um vapor inglês, carregado de material de guerra.


1945 - (11 de Novembro) naufrágio por encalhamento na baía da Fajã do Negro, ilha de São Jorge, de um navio de reabastecimento da marinha inglesa, denominado "Irisky".


1958 – (19 de Setembro) encalha no Baixio dos Anjos, ilha de Santa Maria, o navio de cabotagem inter-insular N. M. Arnel, morrendo 13 pessoas neste incidente.



1961 – (18 de Fevereiro) encalha na Ponta do Marvão, ilha de Santa Maria, o petroleiro norueguês Velma, partindo-se posteriormente o casco em dois.


1981 – (13 de Fevereiro) naufraga o petroleiro da Sacor, João da Nova, uma embarcação com 600 toneladas de arqueação e com 50 metros de comprimento. Afunda-se entre a ilha Terceira e a ilha de São Miguel. Deste barco ainda existe uma pintura (ano 2010) no paredão do Porto de Pipas.


1996 (na noite de 25 para 26 de Dezembro) - Encalhe da embarcação Fernão de Magalhães, destinada a cabotagem inter-ilhas e destas com o continente português pela acção do temporal.



segunda-feira, 3 de junho de 2024

Monumento ao Povoamento Açoriano em Santa Catarina

 


O ano de 1746 foi particularmente especial para o processo de ocupação do Brasil meridional. No dia 31 de agosto de 1746, o Rei D. João V, através de Resolução Régia, determinou que fosse iniciado o processo de inscrição de casais Açorianos que deveriam embarcar para o Brasil Meridional.


Ao longo dos anos, de 1748 a 1756 mais de 4.500 açorianos fixaram residência no litoral do Estado de Santa Catarina e aproximadamente 1500 açorianos migraram para o Rio Grande do Sul.


Estes ilhéus provenientes principalmente do grupo central do Arquipélago dos Açores (Ilhas Terceira, Pico, São Jorge, Faial e Graciosa), não só asseguraram a efetiva ocupação do litoral do nosso Estado, como fixaram raízes culturais profundas que até hoje constituem a essência cultural litorânea.

Hoje, estas raízes culturais estão muito presentes em uma faixa litorânea de mais de 500 quilômetros de costa com uma área de mais de 15.000 quilômetros quadrados e uma população de aproximadamente um milhão de habilitantes.


A construção do Monumento ao Povoamento Açoriano em Santa Catarina inaugurado em agosto de 1996 tem o objetivo de homenagear o  povo Açoriano  de aquém e além mar, pela contribuição à História e a Cultura Catarinense.



domingo, 2 de junho de 2024

Ermida de Nossa Senhora da Paz ilha de São Miguel Açores

 


A Ermida de Nossa Senhora da Paz localiza-se no alto do Monte de Nossa Senhora da Paz, no município de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, Região Autónoma dos Açores.


Este templo construído em 1764 remonta a um templo mais primitivo, erguido possivelmente no século XVI, segundo a tradição no local onde um pastor terá encontrado uma imagem da Virgem numa gruta. O atual templo, erguido sobre o anterior, data do século XVIII.



O templo encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Governo Regional dos Açores desde 1991.


Nos montes ao redor de Vila Franca do Campo trabalhavam muitos pastores. Num certo dia, alguns deles recolheram-se a uma das grutas ali existentes, para abrigaram-se do mau tempo, encontrando uma imagem de Nossa Senhora. Admirados com o achado, levaram-na para a Igreja Matriz, onde a entregaram ao pároco. No dia seguinte, os pastores encontraram novamente a imagem, na mesma gruta. Reconduzida à Matriz, o fenómeno repetiu-se por alguns dias, até que o povo compreendeu que a imagem desejava ter uma ermida naquele sítio.


Os materiais de construção começaram a ser transportados para um local mais abaixo da gruta, lugar mais abrigado dos ventos fortes, iniciando-se os trabalhos. No dia seguinte, entretanto, quando os trabalhadores chegaram para iniciar o dia de trabalho, encontraram o local revirado, e as pedras colocadas no local onde a imagem fora encontrada pela primeira vez. Nesse sítio, então, foi erguida a Ermida de Nossa Senhora da Paz, com o Menino Jesus ao colo, tendo na mão um ramo de oliveira.