segunda-feira, 16 de outubro de 2023
domingo, 15 de outubro de 2023
Linha do Porto de Ponta Delgada ilha de São Miguel Açores
A linha foi construída ao mesmo tempo que o molhe do porto, em 1861. Nesse mesmo ano, para auxilio à construção do quebra-mar do porto, foi importado diverso equipamento de Holyhead, País de Gales, outrora utilizado na construção do quebra-mar do porto local .
Não servia de transporte público, sendo apenas usada para a construção e manutenção do molhe. Para tal, havia três locomotivas a vapor e 39 vagões para trazer pedra de uma pedreira próxima até ao porto. A locomotiva a vapor N.º 1, construída em 1861 pela casa Neilson & Co. (N.º 697), foi a última das três que tinha vindo em segunda mão para os Açores e tinha sido antes usada para o mesmo fim em Holyhead, no País de Gales. A N.º 2 foi construída pela Black & Hawthorn (N.º 766) entre 1880 e 1885, e a N.º 3 pela Falcon (N.º 165) em 1888.
A linha só funcionava se necessário, para a manutenção do molhe. A última vez de que há registos de actividade foi em 1973.
Pelo menos duas das locomotivas, que estiveram durante muitos anos expostas nos jardins do Museu Carlos Machado em Ponta Delgada, estão armazenadas atualmente nas oficinas da Junta Autónoma dos Portos de Ponta Delgada.
sábado, 14 de outubro de 2023
Há 80 anos
A presença britânica na Ilha Terceira durante a II Guerra Mundial. Os britânicos chegaram à Terceira, em Outubro de 1943 e saíram 3 anos depois. O desembarque britânico na Terceira permitiu o rápido alargamento da pista das Lajes e a diminuição do desemprego, que tinha aumentado drasticamente, porque muitos agricultores foram expropriados dos seus terrenos. A situação de Guerra, o aumento da população da Ilha e a falta de terrenos para a Agricultura, conduziram a Ilha a uma crescente falta de matérias-primas e a um forte racionamento.
Esta situação provocou um agravamento do custo de vida da Ilha, pois havia menos produtos e mais dinheiro. Contudo, este aumento era demasiado elevado para as posses das populações locais, que viveram numa situação difícil. A interacção luso-britânica iniciou-se com a contratação de locais para as obras do Aeródromo e foi-se intensificando lentamente.
Os britânicos passaram a participar em algumas festividades locais, aproximando-se das terceirenses. Esta situação não foi bem vista pelos homens locais, o que obrigou os Comandos Militares a resolver a situação. Neste período, junto ao acampamento britânico, apareceram muitas casas de prostituição e de tabernas, O impacto da presença britânica constata-se no aumento da actividade desportiva entre os dois povos, no surgimento de salas de cinema e de música, nas obras da Base, no surgimento de palavras como “Bidon”, mas principalmente na construção da Aldeia Novas das Lajes, retrato da camaradagem luso-britânica.
sexta-feira, 13 de outubro de 2023
A Mulher do Capote
O característico “Capote e Capelo” faz parte da identidade social e cultural dos Açores e consistia em duas peças separadas, ambas feitas de pano inglês grosso resistente, azul escuro ou preto, que cobriam completamente o corpo de uma mulher, permitindo apenas um vislumbre do seu rosto.
O “Capote” era basicamente um capa rodada que chegava até aos pés; o “Capelo” era a larga cobertura da cabeça, suportada por um arco, feito de osso de baleia, e por um forro de cânhamo, que lhe assegurava a forma e a consistência.
A sua origem é pouco conhecida: para alguns, foi importado da Flandres, para outros, é uma adaptação de mantos e capuchos que estavam na moda em Portugal nos séculos XVII e XVIII. O certo é que durante muito tempo foi o traje tradicional da mulher açoriana.
O Capote e Capelo era um conjunto que se herdava, passando de geração em geração, e, por vezes, servindo toda a família. Peças obrigatórias do dote da noiva, serviam também como traje de noivado. Por isso, para as mulheres mais pobres, a grande ambição era possuir um capote e capelo.
Ao longo do tempo, a imagem da “mulher de capote e capelo” foi representada e difundida em diversos suportes e tornou-se um elemento identitário das vivências e da cultura açoriana.
Na ilha Terceira, as mulheres utilizavam uma alternativa ao Capote e Capelo. Chamava-se Manto. O Manto era composto por uma saia preta e por um manto propriamente dito, que funcionava como uma espécie de capuz, forrado com um papelão, que cobria a mulher da cintura para cima, com uma abertura à frente.
quarta-feira, 11 de outubro de 2023
José de Torres
José de Torres nasceu em Ponta Delgada a 17 de Junho de 1827, filho de Bento José de Torres e de Ricarda Borges, uma família de fracos recursos. Dotado de inteligência brilhante, revelou-se desde cedo um autodidacta, leitor assíduo e interessado de temas de história. Dotado de um discurso fluente, redigia com facilidade e elegância, começando desde muito novo a colaborar na imprensa micaelense.
Com apenas 14 anos, em finais do ano de 1841, começou a servir como amanuense da Contadoria da Fazenda de Ponta Delgada. Pouco tempo depois, em 20 de Dezembro de 1844, passou para a secretaria da Câmara Municipal de Ponta Delgada. Continuando a sua brilhante carreira como funcionário administrativo, a 2 de Março de 1849 foi transferido para o lugar de segundo oficial do governo civil do distrito de Ponta Delgada, onde serviu como secretário geral substituto.
Quando em 1852 foi organizado o Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, José de Torres foi nomeado 1.º oficial daquele novo departamento governamental, fixando-se em Lisboa. Nesse mesmo ano, iniciou funções como director da Repartição de Estatística, então criada naquele Ministério, cargo que exerceu até falecer.
Foi igualmente encarregado da realização de várias sindicâncias e inquéritos à contabilidade de várias empresas, as mais espinhosas das quais foram os inquéritos às companhias União Mercantil e dos Caminhos-de-Ferro Portugueses e à contabilidade geral do Ministério das Obras Públicas, que não ficou concluída.
Em 1859, José de Torres realizou uma viagem a Espanha Inglaterra, França, Bélgica e Alemanha, que, embora tendo como objectivo estudar os métodos estatísticos, foi feita a expensas próprias.
Em 5 de Agosto de 1862 foi nomeado Chefe de Secção, sendo depois promovido efectivamente a Chefe da Repartição de Estatística, por decreto do 31 de Dezembro de 1864, lugar que já estava desempenhando interinamente desde 1860. Quando se decidiu fazer o recenseamento geral da população do país, José de Torres concebeu as peças oficiais tendentes a esse fim; elaborou as instruções para as autoridades locais, preparou os modelos dos inquéritos, criou métodos de trabalho, ideou o sistema de apuramento e ao fim de três anos de constante labor conseguiu publicar o primeiro censo geral da população feito pelo método nominal e simultâneo.
Paralelamente à sua carreira no funcionalismo público, também se iniciou muito novo no jornalismo, tanto político como literário, estreando-se em 1843 com a publicação de artigos de literatura juvenil no jornal Açoriano Oriental.
terça-feira, 10 de outubro de 2023
Manuel Vieira Mendes da Silva
Manuel Vieira Mendes da Silva nasceu em Angra do Heroísmo a 28 de Setembro de 1862 e faleceu em Angra do Heroísmo a 14 de Outubro de 1922. Mais conhecido por Vieira Mendes, foi um comerciante e jornalista católico açoriano, fundador e primeiro director do jornal angrense A União.
Foi toda a sua vida um católico devoto e militante. Frequentou o Liceu de Angra do Heroísmo e o Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo. Foi capelão-cantor da Igreja de São Salvador (Angra do Heroísmo) e amador musical. Manteve sempre uma estreita ligação com a hierarquia católica, participando em inúmeras iniciativas eclesiais e caritativas.
Foi comerciante, publicista e jornalista de grande mérito. Foi redactor e administrador do semanário O Católico (1876-1886). Fundou o semanário O Cartão de Visita (1891), de que foi redactor, conjuntamente com o cónego José Alves da Silva, então vigário da freguesia dos Altares. No dia 1 de Dezembro de 1893 iniciou a publicação do importante diário angrense A União, de que foi redactor. Colaborou em vários jornais dos Açores, particularmente nos periódicos de tendência católica. Mantinha actividade editorial associada aos seus jornais, tendo publicado, entre outras obras, a segunda edição da obra Topografia da Ilha Terceira, de Jerónimo Emiliano de Andrade, e Épocas Memoráveis da Ilha Terceira de José Joaquim Pinheiro.
Na sua actividade comercial, foi proprietário da Livraria Religiosa, na Rua do Galo, e de uma casa de comissões e consignações, que incluía o agenciamento da companhia de navegação Fabre Line (Compagnie Francaise de Navigation a Vapeur Cyprien Fabre & Compagnie), cujos navios eram então uma das principais vias de emigração para os Estados Unidos da América e Brasil.
Teve também actividade política relevante, militando no campo conservador católico, no qual apoiou João Franco e acabou por aderir, já no período da Primeira República Portuguesa ao nascente movimento nacionalista. Empenhou-se na defesa dos interesses açorianos, em particular dos da ilha Terceira. Foi participante activo do Primeiro Movimento Autonomista Açoriano, fazendo parte de várias comissões de imprensa então criadas para a defesa dos interesses insulares. Através da imprensa e da participação em diversas comissões, dinamizou várias comemorações centenárias.
Homem prestigiado e influente, quando faleceu foi objecto de diversas homenagens públicas. O jornal A União continua a publicar-se em Angra do Heroísmo, sendo hoje o órgão oficial da Diocese de Angra.
segunda-feira, 9 de outubro de 2023
Provedoria das Armadas
A Provedoria das Armadas e Naus da Índia em todas as ilhas dos Açores foi um cargo instituído por João III de Portugal, para distinguir os serviços prestados pelo fidalgo Pero Anes do Canto (1480—1556).
Tendo este exercido as funções de "Provedor das Fortificações da Ilha Terceira", à época, demandando a Terceira as naus da Carreira da Índia, Pedro Anes generosamente fazia reabastecer as embarcações com mantimentos, nomeadamente carnes, aves e frutos frescos (os então chamados "refrescos"). Por essa razão veio a ser distinguido por Carta-régia de 27 de Julho de 1532 (1527 ?), com o título de "Moço Fidalgo" da Casa Real com a mercê da "Provedoria das Armadas e Naus da Índia em todas as ilhas dos Açores", para si e seus filhos e descendentes.
A provedoria foi instalada em casa de sua propriedade no alto do Corpo Santo (bairro de gente do mar), em posição dominante sobre o Porto de Pipas e o Cais da Alfândega, em Angra. Em termos de navegação, a baía de Angra destaca-se por uma posição privilegiada no Atlântico Norte, protegida dos ventos predominantes de Oeste. Desde 1520 as escalas nos Açores foram regulamentadas pelo "Regimento para as naus da Índia nos Açores" aplicado a todas as embarcações vindas da costa da Mina e da Guiné, do Brasil e da Índia, e que abrangia desde a segurança até ao abastecimento das mesmas.
Ao Provedor das Armadas, cargo criado pouco mais tarde, competia prover as embarcações da Carreira da Índia, e ainda às da Armada das ilhas, que faziam a sua escolta, de víveres frescos, munições, promover reparos nas embarcações, garantir assistência hospitalar às gentes, remediando e prestando toda a assistência que se fizesse necessária, até mesmo fretando reforços. Para o fiel cumprimento das suas funções, dispunha de diversas estruturas de apoio tais como armazéns, peças de reposição e pessoal de estiva.
No regimento do provedor, passado apenas em 1575, foram definidas diversas regras, entre as quais a de que se deveria enviar uma caravela para Lisboa, com alguém da nau para levar informações precisas acerca da carga transportada e da própria Índia, e a de zelar para que as escalas não demorassem mais do que os três dias regulamentares.
O cargo foi extinto no início do século XIX, por morte de José Francisco do Canto e Castro Pacheco, uma vez que já não tinha qualquer utilidade prática.













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