Páginas

sábado, 7 de janeiro de 2023

Quem partiu para o Brasil da ilha de São Miguel Açores em 1922

 



1 - Manuel de Teves


2 - Luís Raposo Medeiros


3 - Virginia Francisca de Mendonça


4 - Maria da Luz Costa


5 - Manuel Carreiro do Rego


6 - Julia Nobrega 


7 - Maria Améli da Conceição 


8 - João de Lima


9 - António Salvador


10 - Maria dos Anjos Costa 



11 - António de Chaves


12 - João Inácio Custódio


13 - Jerónima Martins


14 - Manuel Tavares do Rego


15 - José Rebello Bettencourt


16 - Luís Raposo de Medeiros 


17 - Manuel  Pacheco Valério


18 - João de Mello Botelho


19 - Antónia de Jesus Cabral 



20 - José Luís Alves


21 - Manuel Duarte Carreiro Junior


22 - António Gago da Câmara Mello Cabral


23 - Manuel António de Vasconcelos


24 - Francisco Paulino de Medeiros



25 - José jacinto da Rocha


26 - Luís Alberto de Sousa 


27 - José Tavares Rebello


28 - Manuel de Lima


29 - Catarina Cabral França



sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Mistérios de Santa Luzia ilha do Pico Açores


Os Mistérios de Santa Luzia são uma localidade da Freguesia de Santa Luzia, Concelho de São Roque do Pico, ilha do Pico, arquipélago dos Açores.


Na origem desta local estiveram duas erupções vulcânicas, uma ocorrida no século XVI e uma outra nos princípios do século XVIII, mais precisamente em 1718. Esta última erupção teve grande violência, tendo procedido à expulsão de grandes quantidades de lava, cujas escoadas de lava, em alguns casos, chegaram a percorrer distâncias de nove quilómetros até atingirem o mar entre o Porto do Cachorro e o Lajido.


Estes campos de lava negra, tem sido ao longo dos séculos locais de cultivo de vinha, de cujos vinhos de elevadas qualidades se destaca o Verdelho.




quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

João da Castanheira um dos primeiros povoadores da ilha de Santa Maria Açores

 


João da Castanheira (século XV) foi um fidalgo português, povoador da ilha de Santa Maria e, posteriormente, da ilha de São Miguel, nos Açores.

Foi escudeiro-fidalgo do donatário da ilha, o então 5.° Duque de Viseu e 4.° Duque de Beja, Manuel I de Portugal (1495–1521).


Chegou à ilha de Santa Maria anteriormente a 1472, à época do 2.º capitão do donatário, João Soares de Albergaria. Recebeu sesmaria a oeste e próxima a Vila do Porto, que começou a cultivar e posteriormente vendeu, passando-se para a ilha de São Miguel, onde se fixou e deixou descendência. Estas terras foram mais tarde de Heitor Gonçalves Minhoto, intitulando-se Cabeçadas de João da Castanheira.


Foi lugar-tenente do capitão João Soares de Albergaria em Santa Maria, encontrando-se no desempenho destas funções, quando da passagem de Cristóvão Colombo (de 18 a 28 de Fevereiro de 1493), no seu retorno da descoberta das Antilhas. As tratativas com Colombo na ocasião encontram-se registadas no "Diário" de navegação deste, na obra de frei Bartolomé de las Casas e na de Fernando Colombo, filho do navegador.


O exercício desta função é confirmado por uma escritura de venda de seis moios de terra de semeadura, dada em sesmaria por João Soares de Albergaria a João da Maia e sua esposa, Guilhelma Fernandes de Alpoim, com data de 7 de Maio de 1492, onde se refere João da Castanheira como capitão na ausência de João Soares de Albergaria.  É coerente ainda com o contrato de casamento de João Soares de Albergaria com a sua segunda esposa, D. Branca de Sousa, celebrado em Lisboa em 1492.


João da Castanheira teve uma filha, Margarida de Matos, que se casou com Fernão do Quental, escudeiro-fidalgo que também foi povoador da ilha de Santa Maria, onde teve dadas, de acordo com a crónica de Gaspar Frutuoso. Indo com o sogro para São Miguel, lá se fixou, vindo a ser nomeado Ouvidor do capitão donatário, Rui Gonçalves da Câmara.


A respeito de ambos, Frutuoso refere ainda:


"Fernão do Quental e João da Castanheira, homens mui nobres e honrados, que vieram de Portugal e começaram a povoar a ilha, na Vila do Porto, e tiveram dadas nela, e, depois de descoberta esta ilha de São Miguel, vendendo o que tinham na de Santa Maria por pouco preço, se passaram a morar nela, e moraram na Ponta Delgada, acima da qual teve um deles uma serra, que do seu nome se chamou o Pico de João de Castanheira, dos quais direi adiante, quando tratar da mesma ilha."



quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

São Roque ilha do Pico Açores

 


Este concelho foi criado por Foral datado de 10 de Novembro de 1542 por ordem do rei Dom João III de Portugal e desde então tem passado pela evolução dos tempos, sendo muito marcado pela caça à baleia que deixou, um pouco por toda a ilha do Pico, mas nesta vila em particular a sua marca. Foi igualmente um concelho exportador de trigo e pastel para o Reino. Os terrenos de lava foram arduamente trabalhados e transformados em férteis pomares de laranjeiras, cujos frutos são de grande qualidade. Cultivaram-se produtivos vinhedos, onde se destaca a Casta de Verdelho.


Assim é de salientar o Museu da Indústria Baleeira,  antiga Fábrica de Vitaminas, Óleos, Farinhas e Adubos, cuja matéria prima era a baleia. Este museu é formado por três corpos rectangulares, alinhados pela fachada, com cisterna acoplada e localizada no Porto Comercial de São Roque do Pico.


Esta fábrica actualmente encontra-se transformada num museu, o Museu da Antiga Fábrica das Armações Baleeiras permite a observação dos apetrechos e equipamentos utilizados na transformação daqueles cetáceos. Com umas impressionantes caldeiras e fornalhas é internacionalmente considerado um dos melhores museus industriais do seu género.


Nesta localidade é de referir a existência de um monumento em homenagem ao Baleeiro que se situa frente à já referida Fábrica de Vitaminas, Óleos, Farinhas e Adubos, tal como o imponente Convento de São Pedro de Alcântara, cuja construção recua ao século XVIII.


Este convento datado de 1658 e localizado no povoado do Cais do Pico e que pertence à Ordem dos Frades Menores veio absorver uma antiga ermida dedicada a Nossa Senhora do Livramento.



terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Fajã de São João na ilha de São Jorge Açores

 


Extremamente atractiva pela abundância de águas, resultado das grandes cascatas que se despenham das arribas e pelo seu extraordinário microclima, a Fajã de São João é habitada em permanência pelo menos desde 1550 ou 1560, datas em que aparecem referências aos seus moradores.

Teve a sua ermida construída segundo alguns historiadores por volta de 1550, em cumprimento de um voto incluído no testamento do padre Diogo de Matos da Silveira, que assim fez nascer a Ermida de São João.


Cedo afamada pelos seus vinhos e frutas, em figos, nozes, laranjas, maçãs, castanhas e ananases, café entre outros em 1625 foi alvo de uma incursão de piratas argelinos que levaram cativos alguns dos seus habitantes.


Em resultado deste incidente, foi construído um fortim junto ao porto da Fajã, mas tal não obstou a que voltasse a ser atacada por um navio corsário de Salé em 1686, o qual desembarcou parte da sua tripulação sem haver em terra quem lhe fizesse um único tiro, tendo demolido o fortim e saqueado as casas e a ermida, destruindo a imagem de São João então ali existente.


A Fajã foi severamente atingida pelos desmoronamentos causados pelo Mandado de Deus, tendo grande parte da sua população ficado soterrada sob imensas derrocadas, as quais ainda hoje são bem visíveis ao longo da encosta. Reconstruída, foi novamente atingida com gravidade pelo terramoto de 1980, 1 de Janeiro, o qual voltou a semear a destruição no lugar.


Hoje a Fajã de São João é um importante local de veraneio e continua a produzir vinho, com destaque para o vinho jaquê, aguardente de nêspera, figos e, pasme-se, café. A pequena produção de café ali existente, apesar de não ter significado económico, apresenta a singularidade de fazer da Fajã de São João o local mais a norte onde crescem cafezeiros para produção.


Esta fajã também foi uma das escolhidas por algumas das famílias nobres e ricas do concelho da Calheta para local de veraneio.


Muitas destas famílias, como foi o caso dos Noronhas, eram detentoras de grandes propriedades nesta fajã, onde era produzido vinho de excelente qualidade que depois de depositado em pipas era levado por barco para a ilha Terceira, onde era engarrafado no seu solar de Villa Maria, então residência de José Pimentel Homem de Noronha e de seu pai o morgado João Inácio de Bettencourt Noronha e só depois comercializado.



segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Ermida de São Domingos ilha do Pico Açores

 

A Ermida de São Domingos é uma Ermida  localizada no lugar das Almas, freguesia da Santa Luzia, no concelho de São Roque do Pico, ilha do Pico, no arquipélago dos Açores.

Esta antiga ermida já existia a quando do testamento feito em 1670 por Domingos Nunes da Costa ao seu filho padre. Procurava desta forma onera-lo com as missas que se viessem a celebrar na ermida.


Séculos mais tarde, cerca de 1922 e em consequência de uma derrocada iminente da ermida os herdeiros do Domingos Nunes viram-se na contingência de terem de deslocar para as suas casas todo o recheio da ermida, incluindo o altar em talha dourada e a imagem do padroeiro.

Corria o dia 14 de Julho de 1986 deu-se a o restauro da ermida na sua traça primitiva, incluindo a sineira original, passando assim a ermida novamente a poder acolher os fiéis.

Dado ser impossível a reposição do recheio original houve a necessidade de se encontrar uma forma mais modesta de compor a ermida.



No então do recheio original existem ainda as magníficas imagens de São Filipe de Neri e de São Tomé, além de dois quadros trabalhados a fio de ouro que datam de 1782 e retratam São Domingos e São Vicente.

Estas imagens primitivas só voltaram a ermida após a sua doação pelos herdeiros corrida em 1982.

Ali se realizou em Agosto de 1991 um batizado.

Mais recentemente, em 1996 a ermida foi sujeita a restauros e manutenção.




domingo, 1 de janeiro de 2023

O Sismo da ilha Terceira - Açores (1801)

 


O sismo da Terceira de 1801 (ou terramoto de 1801 como é conhecido nos Açores) foi um sismo de grande intensidade que atingiu a parte leste da ilha Terceira, causando grandes danos na vila de São Sebastião e povoações vizinhas.


Francisco Ferreira Drummond, historiador residente na vila de São Sebastião e coevo dos acontecimentos, descreve assim o terramoto e as suas consequências (Anais da Ilhas Terceira, vol. III, pp. 120–123):


— No dia 26 de janeiro de 1801, pelas três horas e meia da tarde, sentiu-se em toda esta ilha um violentíssimo terramoto, que destruiu e desmoronou a maior parte dos edifícios nos lugares onde houvera o do ano próximo passado; porém ainda desta vez, na vila de S. Sebastião fez maiores estragos, deixando assolada uma boa parte dela, arruinada a igreja matriz, a torre dos sinos, as ermidas filiais casa da Câmara e os paços do concelho, e até as fortalezas da costa.


Foi o maior terramoto que nesta vila consta houvera até hoje. Sofreram geralmente os edifícios, e igrejas, desde o lugar de Vila Nova até à dita vila de S. Sebastião, onde sempre costuma acabar o flagelo; mas foram vítimas de total ruína as paróquias de Santa Catarina do Cabo da Praia e Santa Bárbara da Fonte do Bastardo; e as torres dos sinos de todas as outras, excepto de Vila Nova, ficaram tão arruinadas e fendidas, que nelas não se podia entrar sem risco iminente, pelo que se tiraram os sinos para deles se usar em pequenas sineiras que se lhes fizeram nos adros, e o mesmo aconteceu nos conventos de religiosos, até que se reedificaram as torres, o que só foi depois de muitos anos. O estrago que fez este horrendo terremoto, sobre as ruínas do outro de 24 de Junho, do ano próximo pretérito, foram muito maiores (se exceptuarmos a vila da Praia) do que os de 15 de Junho de 1841. Continuaram por espaço de 15 dias os tremores de terra, ainda que brandamente; com a felicidade de serem mui poucas as pessoas que sofreram no meio de tamanhas ruínas, pois somente na vila de São Sebastião morreu uma pobre mulher debaixo da verga da porta por onde saía com uma criança nos braços, a qual também foi vitima desta desgraça.


À reedificação dos edifícios públicos, anos depois, e por meio de sumas dificuldades, como sempre, acudiu a fazenda real; e também se tornou digno de censura o pouco zelo e cuidado dos oficiais da Câmara da Praia em comunicar ao general o estado em que ficara o seu concelho depois desta horrorosa catástrofe, como se lê no ofício escrito ao juiz de fora em 29 de Janeiro, arguindo-o da sua omissão e exigindo que ele imediatamente lhe dissesse quais os estragos ali feitos e o estado dos edifícios publicas e particulares — que acautelasse as casas dos que fugiram, e lhe propusesse o remédio conveniente nas actuais circunstâncias, com o fim de se providenciar o que fosse possível — e que lhe indicasse os materiais necessários para a reedificação.


Por ocasião deste miserando acontecimento, como já disse do ano próximo passado, fizeram-se muitas procissões e penitências.


A segunda povoação mais incomodada foi a dita vila da Praia, onde caíram muitas casas e ficaram outras inabitáveis. Foram atingidos os mosteiros das freiras e o convento de S. Francisco, para cuja reedificação se ajuntaram dentro e fora da província muitas esmolas, assim como já se ajuntava para os das outras ilhas, onde nunca se concluíram as obras; foi inspector das que se fizeram no dito convento até o ano de 1818, em que se deram por acabadas faltando o dinheiro, o padre definidor frei José de Santa Ana, natural da mesma vila.


Nenhuns socorros se deram para a reedificação dos edifícios de particulares, e sendo passados muitos e muitos anos, é que os moradores das referidas povoações os foram consertando, como lhes foi possível, de forma que ainda hoje em algumas delas aparecem vestígios do que naquele tempo sofreram, sem embargo do muito que se fez na sua reparação desde 15 de Junho de 1841 até ao ano de 1844.



Parecerá excessivo o dizermos que a vila de S. Sebastião ofereceu por muitos anos um horroroso espectáculo ao viajante, pelo grande número de edifícios de todo o género que nela estavam caídos; e pouco melhor se manifestava a vila da Praia, na qual ainda no ano de 1812, conhecemos algumas casas espequeadas sobre as ruas públicas, e outras, muitas, com feias e medonhas ruínas, porque a falta de meios não permitira que seus donos as reparassem, pois nem havia quem se aventurasse a suplicar a caridade e beneficência dos povos residentes em outros países; sendo as autoridades desse tempo, se não indiferentes, surdas e mudas a tal respeito, ao menos pouco empenhadas em promover os prontos socorros de que careciam estes povos, perseguidos no espaço de dois anos por flagelos tão respeitáveis, acrescendo-lhes a esterilidade dos frutos da terra que também nessas épocas fatais os não deixava.


Se não parece justo imputarmos ao capitão-general D. Lourenço José Boaventura de Almada, Conde de Almada, este descuido, visto que a respeito da vila da Praia, como acima dissemos, parecia querer dar algumas providências, também o não louvaremos pelo silêncio em que ficou depois de saber qual o estado dela. Se alguma coisa representou em favor dos povos, o que não consta de registo algum público, nada se lhe respondeu talvez; e se quanto lhe disseram de tais desastres lhe pareceu muito pouco, bem podemos acreditar que o enganaram. Em todo o caso, não sendo atributo próprio do historiador o fundar-se em suposições, inclinamo-nos contudo a imputar estas grandes faltas ao estado de atraso em que estavam os homens e as coisas do século. Seria despotismo o fintar os povos, ou vergonha o pedir-lhes!?

Francisco Ferreira Drummond, (Anais da Ilhas Terceira, vol. III, pp. 120–123)