Páginas

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Brianda Pereira

 

Brianda Pereira  nasceu no Porto Judeu, c. 1550 — Jurisdição do extinto Concelho da Vila de São Sebastião, c. 1620 foi uma mulher açoriana elevada pela historiografia da Batalha da Salga e dos acontecimentos que a rodearam ao papel de heroína da resistência da ilha Terceira contra Filipe II de Espanha.

Brianda Pereira nasceu provavelmente na cidade de Angra ou alternativamente no Porto Judeu então Concelho da da Vila de São Sebastião, conforme a tradição popular, filha de Álvaro Anes de Alenquer e de Maria Pereira de Sousa. O pai foi juiz ordinário da Câmara de Angra em 1553 e descendia de Pero Anes de Alenquer, um dos primeiros colonos da ilha Terceira e, tal como a mãe, tinha ascendentes nobres.


Casou com Bartolomeu Lourenço, indo residir para o vale da Salga, na zona litoral do Porto Judeu na Jurisdição do extinto Concelho da vila de São Sebastião, onde o casal era dono de terras e tinha uma abastada casa agrícola. Residiam nesse local quando a 25 de Julho de 1581, no contexto da luta entre partidários de Filipe II de Espanha e de D. António I de Portugal, se travou na baía da Salga, em cuja arriba se situava a casa do casal, a batalha da Salga.

A batalha iniciou-se pelo desembarque de uma força espanhola que de imediato incendiou as searas e as casas existentes nas imediações, entre as quais muito provavelmente a de Brianda Pereira, aprisionando os homens que encontrou. Entre os prisioneiros figurava Bartolomeu Lourenço, que se encontraria ferido.



quinta-feira, 21 de abril de 2022

Fundação do covento de Convento de São Francisco em Agra do Heroísmo ilha Terceira Açores

 

Os primeiros franciscanos chegaram à Terceira por volta de 1456 e desde cedo trataram de edificar uma ermida e mais tarde, em 1470, um convento.


Esse primitivo conjunto (convento e ermida) foi demolido, dando lugar ao atual, maior e mais imponente. Em 1663, reunidos por Frei Naranjo os donativos necessários às obras, estas tiveram início. Três anos mais tarde, os dormitórios e as oficinas estavam concluídos e, a 6 de Março de 1666, era colocada solenemente a primeira pedra do novo templo.


A 1 de Outubro de 1672, concluídas as obras, procedia-se à bênção, pelo então bispo de Angra, D. Frei Lourenço de Castro, após procissão solene em que tomaram parte as autoridades civis, militares e eclesiásticas da ilha.

Aqui esteve hospedado António I de Portugal quando de sua estada na ilha.

Após a Revolução do Porto (1820), com a difusão das idéias de cunho liberalista no país e no arquipélago, aqui foram recolhidos, em 1823, quatro clérigos cinco frades e onze seculares, por professarem esses ideais. O grupo foi detido na Praia e conduzido sob escolta militar até Angra. Entraram no convento pela chamada "Porta dos Carros", uma vez que o adro se encontrava repleto de populares, armados com "ferros cortantes de toda a espécie", que tentavam linchar esses "pedreiros livres" e "sevandijas".


No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), em maio de 1829, a Junta Provisória acusou os franciscanos de serem "baluartes da infidelidade" e, em dezembro desse mesmo ano, o convento recebeu ordens para enviar todos os seus frades para a Praia (exceto três para os serviços religiosos), uma vez que as suas instalações eram requisitadas para aquartelar o Regimento Provisório de Infantaria, sob o comando do tenente-coronel Bartolomeu Salazar Moscoso.

Com a extinção das ordens religiosas em Portugal (1834), e a criação do Liceu de Angra do Heroísmo (1844), as suas dependências passaram a ser utilizadas por esta instituição, que, sob a direção do padre Jerónimo Emiliano de Andrade, foram instaladas no lado Oeste do edifício (voltado para o centro histórico da cidade). As aulas iniciaram-se em Outubro de 1851, entretanto ainda com sérias deficiências por falta de professores e de instalações adequadas.

Posteriormente, em 1862, no lado Este do edifício, foi inaugurado o Seminário Diocesano de Angra e, em 1864, instalado a primeira estação meteorológica da Terceira, na ala Noroeste (na subida para o Alto da Memória).


Em 1900 as instalações do Liceu de Angra foram transferidas para o Palácio Bettencourt, antigo Paço Episcopal, tendo retornado poucos anos mais tarde, em 1913, após a Implantação da República Portuguesa. Durante o Estado Novo Português o Liceu era simplesmente referido como "Liceu Nacional de Angra do Heroísmo", tendo sido transferido para um imóvel próprio no ano lectivo de 1968-1969.


Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 47 508, de 24 de janeiro de 1967, classificação consumida por inclusão no conjunto classificado da Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo, conforme a Resolução n.º 41/80, de 11 de Junho, e artigo 10.º e alínea a) do artigo 57.º do Decreto Legislativo Regional n.º 29/2004/A, de 24 de Agosto.

Atualmente, as dependências do convento são ocupadas pelo Museu de Angra do Heroísmo, que conserva algumas das pedras trabalhadas pertencentes ao primitivo conjunto.

A igreja é considerada panteão; nela se encontram sepultadas figuras notáveis como as de João Vaz Corte-Real e Paulo da Gama, irmão de Vasco da Gama. A sepultura de Paulo da Gama encontrava-se na primitiva Capela de Nossa Senhora da Guia, hoje desaparecida.


Em janeiro de 2012 foi concluída a restauração do órgão, construído em 1788 por António Xavier Machado e Cerveira com o número 22, e que se constitui no mais antigo deste construtor no arquipélago. Em muito mau estado de conservação, foi atingido pela derrocada parcial de um dos arcos do templo quando do terramoto de 1980, sendo desmontado em 1981. As obras ficaram a cargo de Dinarte Machado, com recursos da Direção Regional da Cultura. A recuperação deste órgão encerrou o restauro de todos os órgãos históricos de Angra do Heroísmo.




terça-feira, 19 de abril de 2022

Carta régia de D. Afonso V dando licença ao Infante D. Henrique para povoar as sete ilhas dos Açores (1439)

 

Carta de El-Rei D. Afonso V dando licença ao Infante D. Henrique para povoar as sete ilhas dos Açores, onde já mandara lançar ovelhas, de 2 de julho de 1439.

"Dom Afomso etc. A quantos esta carta virem fazemos saber, que o Ifante Dom Anrrique meu tio nos envyou dizer q el mandara lançar ovelhas nas ssete Ilhas dos Açores, e que se nos aprouguese que as mandaria pobrar. E porq a nos dello praz lhe damos lugar e licença q as mande pobrar. E porem mandamos aos nosos veedores da fazenda corregedores juizes e justiças e a outros quaaesquer q esto ouverem de veer que lhas leixe mandar pobrar e lhe nom ponham sobre ello enbargo. 

E al nom façades. Dada em cidade de Lixboa doos dias de Julho. EI-Rey o mandou com autoridade da Sra. rrainha sua madre como sua tetor e curador que he com acordo do Ifante do Ifante   Dom Pedro seu tio defensor por el dos ditos regnos e senhorio. Paay Roiz a fez screpver e ssoscrepveo per sua maão. Anno do naçimento de nosso Senhor Jhu Christo de mil e iiii xxxix."


A.N.T.T., Chancelaria de D. Afonso V, Liv. 19, fólio 14.




segunda-feira, 18 de abril de 2022

Descobrimento e povoamento da ilha do Corvo Açores

 


Nos mapas genoveses do século XIV, nomeadamente o Portulano Mediceo Laurenziano (1351), é mencionada a "Insula Corvi Marini" (Ilha do Corvo Marinho) entre as sete ilhas que compunham o arquipélago, embora seja improvável que essa designação se refira especificamente à atual ilha do Corvo, ainda que possa ter sido a origem do seu nome. É possível que fosse uma designação para ambas as ilhas do atual Grupo Ocidental do Arquipélago dos Açores – Flores e Corvo –, como parece ser o caso no chamado Atlas Catalão, (c. 1375).

Na fase de exploração portuguesa do Atlântico sabe-se que foi Diogo de Teive quem achou as ilhas do Grupo Ocidental, no regresso da sua segunda viagem de exploração à Terra Nova, em 1452. Terão sido descobertas em simultâneo, já que ambas se avistam mutuamente. A sua designação henriquina foi ilha de Santa Iria, mas também foi chamada de ilhéu das Flores, ilha da Estátua, ilha do Farol, ilha de São Tomás e ainda de ilha do Marco, tendo este nome persistido durante alguns séculos em razão de o monte do Caldeirão ser utilizado como uma referência geográfica para os marinheiros ou, e mais provavelmente, pelo facto de existir um pequeno promontório a que foi dado o nome de Ponta do Marco, local onde possivelmente terá sido erguido um padrão como era hábito então fazer-se nas novas terras descobertas.

Apesar da incerteza quanto à data precisa do achamento português da ilha, é seguramente anterior a 20 de janeiro de 1453, data em que Afonso V de Portugal fez doação de ambas as ilhas a seu tio, Afonso I, Duque de Bragança.

A primeira tentativa de povoamento do Corvo foi empreendida no início do século XVI por um grupo de 30 pessoas, lideradas por Antão Vaz de Azevedo, natural da ilha Terceira, que entretanto culminou com o seu abandono.  O mesmo sucedeu com um grupo de povoadores, também oriundos da Terceira, liderados pelos irmãos Barcelos. Mais tarde, em meados do século, a 12 de novembro de 1548, Gonçalo de Sousa, capitão do donatário das ilhas das Flores e do Corvo, foi autorizado a mandar para ilha escravos – provavelmente mulatos, oriundos da ilha de Santo Antão, arquipélago de Cabo Verde – de sua confiança como agricultores e criadores de gado.

Em 1570 foi construída a primitiva igreja. Por volta de 1580, colonos das Flores fixam-se no Corvo, que, a partir de então passou a ser permanentemente habitada, dedicando-se a população à agricultura, à pastorícia e à pesca.



domingo, 17 de abril de 2022

Sete Lagoas ilha das Flores Açores

 

Sete Lagoas é o nome atribuído a um conjunto de sete lagoas alojadas dentro da caldeira de um dos vulcões primordiais da ilha das Flores, arquipélago dos Açores.


Apesar de muitos milhões de anos de erosão e de esta formação geológica se encontrar muito desgastada pelas frequentes e fortes chuvas do oceano atlântico, aliadas às fortes ventanias de altitude não perdeu de todo o seu Misticismo e encantamento de um vulcão que embora vivo se encontra presioneiro dentro de uma montanha adormecida, suspenso num imenso mar de nuvens que alimentam de pluviosidade as florestas de Laurissilva que descem a encosta e bordam as lagoas.

Às lagoas foram atribuídos nomes de acordo com as suas características, e assim temos: a Lagoa Negra cujo nome provem da cor das suas águas, que são negras devido à profundidade que esta lagoa tem e que chega aos 110 metros de profundidade. É rodeada de areais e encontra-se aninhada entre altas montanhas. Á volta das margens da lagoa surgem grandes maciços de hortênsias de várias cores.


As restantes lagoas deste conjunto chamam-se: Lagoa Branca, Lagoa Comprida, Lagoa Rasa, Lagoa da Lomba, Lagoa Funda e Lagoa Seca.



sábado, 16 de abril de 2022

Descoberta e povoamento da ilha das Flores Açores




As ilhas do Grupo Ocidental do arquipélago dos Açores - Flores e Corvo - foram encontradas em 1452, quando do retorno da viagem de exploração de Diogo de Teive e seu filho, João de Teive, à Terra Nova. No início do ano seguinte, a 20 de janeiro de 1453, Afonso V de Portugal fez a doação das ilhas de "Corvo Marini" ao seu tio, Afonso I, Duque de Bragança. Nesse documento de doação não é mencionada a ilha das Flores, uma vez que, à época, não tinha um nome. Entretanto era esta a ilha doada, uma vez que a do Corvo era, à época, considerada apenas um ilhéu anexo à primeira. As ilhas seriam posteriormente doadas ao Infante D. Henrique, Mestre da Ordem de Cristo, que, em seu testamento, as nomeia como ilha de São Tomás e ilha de Santa Iria. Com a morte deste passam para o Infante D. Fernando, Duque de Viseu.


A atual toponímia "Flores", em uso desde em 1474 ou 1475, deve-se à abundância de flores de cor amarela, os "cubres" ("Solidago sempervirens") que recobriam a costa da ilha, cujas sementes possivelmente foram trazidas por aves migratórias desde a península da Flórida, na América do Norte.

O primeiro capitão do donatário destas ilhas foi Diogo de Teive, passando a capitania a seu filho, João de Teive. Este cedeu-a a Fernão Teles de Meneses a 20 de janeiro de 1475. Com a morte acidental de Teles de Meneses, a viúva deste, D. Maria Vilhena, que as administrava em nome do seu jovem filho, Rui Teles, negociou estes direitos com Willem van der Haegen. Desse modo, este nobre flamengo que por volta de 1470 havia chegado com avultada comitiva à ilha do Faial, de onde passara à ilha Terceira, passa para as Flores por volta de 1480, pagando à viúva apenas direitos de capitão do donatário, e iniciando-lhe o povoamento. Fixou-se junto à foz da Ribeira de Santa Cruz (ainda actualmente conhecida por Ribeira dos Barqueiros), nos arredores de Santa Cruz das Flores, proximo da Fajã do Conde, cuja povoação começou a se formar, iniciando o cultivo do pastel, planta tintureira em cuja cultura era experimentado. Aí permaneceu durante cerca de dez anos, findo os quais resolveu deixar a ilha, motivado pelo isolamento e pela dificuldade de comunicações da mesma, indo fixar-se na ilha de São Jorge.


Mais tarde, Manuel I de Portugal faz a doação da capitania-donatária a João da Fonseca, a 1 de março de 1504, que retoma o povoamento com elementos vindos da Terceira e da ilha da Madeira, aos quais se somou, por volta de em 1510, nova leva de indivíduos de várias regiões de Portugal, com predomínio dos do norte do país. Este povoamento distribuiu-se ao longo da costa da ilha, com cada família ou grupos afins ocupando a data ou sesmaria que lhes coubera, com base na cultura de trigo, cevada, milho, legumes e na exploração da urzela e do pastel. Desse modo, ainda no século XVI recebem carta de foral as povoações de Lajes das Flores (1515) e de Santa Cruz das Flores, assim elevadas a vila. Data de 6 de agosto de 1528, a confirmação régia da posse da Capitania a Pedro da Fonseca, filho de João da Fonseca. Com o falecimento de Pedro da Fonseca, e do seu filho mais velho, João de Sousa, João III de Portugal, faz a doação da capitania-donataria da ilha a Gonçalo de Sousa (12 de janeiro de 1548).

Nos séculos seguintes, os poucos habitantes manter-se-iam isolados em várias partes da ilha, recebendo raras visitas das autoridades régias, e de embarcações de comércio das ilhas do Faial e Terceira em busca em busca de azeite de cachalote, mel, madeira de cedro, manteiga, limões e laranjas, carnes fumadas e, por vezes, louça (deixando panos de lã e linho e outros artigos manufaturados) e outras que ali faziam aguada e adquiriam víveres.


quinta-feira, 14 de abril de 2022

Vulcão das Sete Cidades ilha de São Miguel Açores



O Vulcão das Sete Cidades, forma uma maciço vulcânico, o Maciço das Sete Cidadea, que constitui o extremo ocidental da ilha de São Miguel. É um grade estratovulcão poligenético, do tipo vulcão central com caldeira, no interior da qual, para além das duas grandes lagoas e de duas outras de menor dimensão, se identificam diversos aparelhos vulcânicos, entre os quais cones de pedra pomes, maars e domos.

Embora este vulcão não tenha sido palco de atividade eruptiva histórica (pese embora a possibilidade de uma erupção por volta de 1440 seja referida), corresponde, provavelmente, ao sistema vulcânico do arquipélago dos Açores com maior frequência eruptiva nos últimos 5 000 anos, produzindo pelo menos 17 erupções explosivas centradas na caldeira nesse período.

O Vulcão das Sete Cidades é limitado a norte, oeste, e sul pelo mar, terminado em falésias de erosão bem marcadas. Para leste, entre o Vulcão das Sete Cidades e o Vulcão do Fogo, desenvolve-se a Região dos Picos, com cerca de 23 km de de largura, cobrindo uma área de cerca de 200 km2. Grande parte da extensão desta região de transição entre maciços corresponde a uma área pouco elevada, dominada pela presença de cerca de 300 centros emissores, principalmente cones de escórias gerados no decurso de episódios vulcânicos recentes com emissão de piroclastos basálticos, dois dos quais formados por erupções históricas (isto é registadas após o povoamento da ilha) em 1563 e 1652.


Formado há cerca de 50 000 anos, o Sistema Vulcânico da Região dos Picos é o mais recente da ilha de São Miguel, preenchendo o canal de mar que em tempos separou os vulcões das Sete Cidades e do Fogo. No decurso da história eruptiva do vulcão, registaram-se eventos tanto explosivos como efusivos, tendo o material extruído dado origem a depósitos vulcaniclásticos e escoadas lávicas.


Os Açores têm 26 vulcões ativos.