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domingo, 28 de julho de 2019

Três irmãs açorianas que imigraram para o Brasil


As Três Ilhoas foram três irmãs açorianas que imigraram para o Brasil, onde aportaram por volta de 1723, fixando residência em Minas Gerais, onde se tornaram troncos de antigas, tradicionais e importantes famílias.
As Ilhoas, pela ordem cronológica, chamavam-se:

Antónia da Graça (nascida em 1687), que deu origem, dentre outros, aos: Junqueiras e Meireles;
Júlia Maria da Caridade (nascida em 1707), que deu origem, dentre outros, aos: Garcias, Carvalhos, Nogueiras, Vilelas, Monteiros, Reis, e Figueredos
Helena Maria de Jesus (nascida em 1710), que deu origem aos Resendes.
As Três Ilhoas eram naturais da Freguesia de Nossa Senhora das Angústias, na Vila da Horta, na Ilha do Faial, no arquipélago dos Açores.

Eram filhas de Manuel Gonçalves Correia – “O Bórgão”, e de Maria Nunes, que já viúva, passou ao Brasil com as três filhas, por volta de 1723. A genealogista Marta Amato defende a tese de que tenham vindo com destino certo, tendo aqui encontrado Diogo Garcia, conterrâneo e aparentado, por ter uma sobrinha, Ana Maria Silveira, casada com António Nunes, irmão das “Três Ilhoas”.


Antónia da Graça é a única das Ilhoas que passou ao Brasil já casada, com Manuel Gonçalves da Fonseca. As outras duas, casaram-se no Brasil.

A segunda, Júlia Maria da Caridade, casou-se a 29 de Junho de 1724, em São João del-Rei, com Diogo Garcia, e a terceira, Helena Maria de Jesus, casou-se a 3 de Outubro, de 1726, em Prados, com João de Resende Costa.

Júlia Maria da Caridade faleceu em 1777, sendo enterrada na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, em São João Del Rei ( MG ).
As Três Ilhoas tiveram dois irmãos:

José Nunes baptizado a 14 de Setembro de 1689 e falecido a 8 de Agosto de 1711
António Nunes baptizado a 12 de Julho de 1692, que foi piloto e permaneceu na Ilha do Faial, onde se casou com Ana Maria da Silveira, filha de Pascoal Silveira e de Maria da Ressurreição, esta irmã de Diogo Garcia.

A história das ilhoas parecer confirmar a história do actual município de Madre de Deus de Minas. Onde é a sede municipal foi, segundo apresenta, doado pelas Ilhoas e descendentes.
Inúmeros autores citam as “Três Ilhoas” como “célebres, famosas e lendárias”. Tais predicados têm sua origem na notória e descendência que deixaram em Minas Gerais e em outros estados, onde a maioria das famílias importantes encontravam em seu tronco uma ou mais destas açorianas, que passaram a ser citadas com grande respeito e admiração, ao ponto de que “dizer-se descendente das Ilhoas pode ser considerado a descrição de uma genealogia completa”.


A Capela de Nossa Senhora da Conceição do Porto do Saco foi construído no início do sec XVIII a mando de Júlia Maria da Caridade, proprietária da antiga Fazenda do Saco e devota de Nossa Senhora da Conceição, havendo quem diga que a capela é dedicada a uma imagem de Nossa Senhora encontrada nas margens do Rio Grande, que passa pela fazenda. A capela fica no distrito de Porto do Saco, que já foi importante canal comercial de São João del Rei antes da ferrovia.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

A Alcatra da Ilha Terceira nos Açores teve a sua origem nos primeiros povoadores



A Alcatra da Ilha Terceira nos Açores teve a sua origem nos primeiros povoadores provenientes de Trás -os- Montes, onde já existia um prato semelhante, o qual se apelida de Chanfana.
Outrora a alcatra fazia parte da mesa de senhorios da alta sociedade que na altura tinham posses para confeccionar este prato típico da ilha Terceira.

A alcatra é um prato típico e emblemático da cozinha terceirense e a prova disso é que até se criou a Confraria da Alcatra na Ilha Terceira. Esta contribui para a preservação e dignificação da Alcatra, distinguindo e divulgando os restaurantes da Terceira que a confeccionam devidamente.
Alguns dos principais requisitos para uma alcatra bem confeccionada são o alguidar de barro, a cozedura em forno de lenha e coberta com folha de inhame.
A alcatra terceirense, contudo tudo o que tem de, antigo, religioso está ligado ao Divino Senhor Espírito Santo
Devido ás funções em que está inserido na cultura e na festividade deste povo, todos o fazem mas de acordo com as posses que possuem.
Tradicionalmente e para as comemorações, este prato é precedido pelas Sopas de Espírito Santo .
A alcatra pobre, a que se serve normalmente no império das freguesias com menos posses, era a mesma que se servia em momentos especiais tais como: o casamento, batizado ou em touradas.
A carne utilizada para este prato era e ainda é o chambão, o vinho de cheiro, a gordura utilizada era a banha.

A alcatra pertencente á classe média se tornou vulgar nos melhores restaurantes usam as melhores carnes como o acém.
Nas famílias mais antiquadas há o costume usar a carne de rabadilha ou folha de alcatra, a gordura é manteiga e o vinho branco.


segunda-feira, 22 de julho de 2019

Eurico Gaspar Dutra foi o décimo sexto presidente do Brasil com origem Açoriana


Eurico Gaspar Dutra (1883-1974) descendente de açorianos da ilha do Faial – Açores, nasceu em Cuiabá, a 8 de Junho de 1883, Mato Grosso – Brasil.
De Janeiro de 1946 a 1951 foi eleito presidente (16.º) da República do Brasil.
Militar de profissão, assumiu o lugar de ministro da Guerra (actual Ministro da Defesa) de 1936 a 1945, e, com Getúlio Vargas, instaurou o Estado Novo.
Faleceu a 11 de Junho de 1974, no Rio de Janeiro, com 91 anos de idade.Foi o único presidente do Brasil oriundo do Estado de Mato Grosso.
Em 1902 Dutra ingressou na Escola Preparatória e Táctica do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, e, depois, na Escola Militar de Realengo e na Escola de Guerra de Porto Alegre.
Em 1922 formou-se na Escola de Estado-Maior. Dutra não participou da Revolução de 1930, estando, na época, no Rio de Janeiro, tendo defendido a ambiguidade frente à Revolução de 1930.
Em 1935 comandou a repressão à Intentona Comunista nas cidades do Rio de Janeiro, Natal e Recife, uma das primeiras, da I Região Militar, durante o governo provisório de Getúlio Vargas, que o nomearia Ministro da Guerra, actual Comandante do Exército, em 5 de Dezembro de 1936.
Nesse posto, cumpriu papel decisivo, junto com Getúlio Vargas e com o general Góis Monteiro, na conspiração e na instauração da ditadura do Estado Novo, em 10 de Novembro de 1937 e na repressão aos levantes integralistas em 1938.  Permaneceu como ministro da Guerra até sair do cargo para disputar a eleição presidencial de 1945.

Durante a Segunda Guerra Mundial, esteve entre os líderes militares que eram contra o alinhamento do país com os aliados e um maior envolvimento do país no conflito.  Com a participação do Brasil na guerra ao lado dos aliados, e as crescentes pressões da sociedade civil pela democratização do país, Dutra aderiu formalmente à ideia do fim do regime iniciado em 1930, sendo novamente expulso do ministério em 3 de Agosto de 1945, participando a seguir da deposição de Getúlio Vargas em Outubro de 1945.
Neste contexto, o líder deposto anunciou no mês seguinte seu apoio a Dutra, candidato do exército, em detrimento do candidato da Aeronáutica, Eduardo Gomes, nas eleições que se seguiriam.


quinta-feira, 18 de julho de 2019

O início da produção de queijo na ilha de São Jorge Açores parece ter ocorrido nos primórdios da sua colonização



O início da produção de queijo na ilha de São Jorge parece ter ocorrido nos primórdios da sua colonização, já que o historiador Gaspar Frutuoso, escrevendo cerca de um século após a estruturação do povoamento da ilha, diz nas Saudades da Terra (Livro VI, capítulo 33.º, intitulado Da Descrição da Ilha de S. Jorge), que Há nela muito gado vacum, ovelhum e cabrum, do leite do qual se fazem muitos queijos em todo o ano, o que dizem ser os melhores de todas as ilhas dos Açores, por causa dos pastos…. Esta dependência entre a qualidade dos queijo e as pastagens foi confirmada pela história e pelos estudos agronómicos modernos.


As condições edafo-climáticas excelentes para a produção de pastagem existentes na ilha e a introdução, ainda antes do seu povoamento, de gados, fizeram com que, desde o início, os habitantes recorressem ao fabrico de queijos como reserva alimentar e forma de aproveitamento do excesso de produção de leite face ao seu consumo em natureza. Por outro lado, a especificidade dos queijos feitos em São Jorge, para além da perícia e dos saberes dos queijeiros jorgenses, é atribuível às características dos pastos abundantes nas zonas de média e elevada altitude, caracterizados pela existência na pastagem das chamadas ervas de misturas, uma consolidação natural de gramíneas e leguminosas,  que lhes dá particulares características que se reflectem nas propriedades organolépticas do leite ali produzido.
Outro factor potenciador da precocidade do desenvolvimento da produção de queijo em São Jorge foi a presença de numerosos flamengos entre os seus primeiros povoadores, com destaque para o grupo capitaneado por Willem van der Hagen, o antepassado dos actuais Silveiras da ilha. Estes povoadores vieram encontrar nas zonas altas da ilha um clima semelhante ao da sua terra de origem onde estavam habituados a produzir carne, leite e lacticínios, com destaque para os queijos.

José Pereira da Cunha da Silveira e Sousa Júnior, agrónomo e um dos maiores produtores de queijo dos finais do século XIX, escreveu em 1887  que Em S. Jorge, cognominada a terra do queijo e onde há mais de um século se manipula industrialmente o leite, tem-se em bem verdade, multiplicado o número de fabricantes…. Tal implica, como aliás o provam os registos municipais e dos conventos da ilha,  que já em meados do século XVIII, o fabrico de queijo se expandira bastante, exportando-se para as restantes ilhas dos Açores e mesmo para o exterior do arquipélago. Por essa altura já se distinguia o queijo da terra’’ (o antepassado do actual Queijo São Jorge) do queijo flamengo.
Esta destrinça evoluiu ainda mais quando, por influência da família Cunha da Silveira, grandes proprietários e produtores de queijo, foram introduzidas algumas melhorias tecnológicas na produção de queijo, recorrendo-se à vinda de técnicos estrangeiros. Foi assim que São Jorge recebeu nessa época a visita dum profissional hamburguês (…) de nome Fernand Ranchel, que assentou arraiais, no lugar do Loural, junto à povoação do Toledo, onde se dedicou ao fabrico de um queijo de pasta dura, por certo o modelo donde saiu o "queijo de São Jorge", conhecida pelo nome de "queijo da terra", sucedâneo dos primeiros tipos de pasta mole e semi-dura até aí usados pela indústria caseira. Este facto deve datar do princípio do século passado, ou seja de princípios do século XIX.
Sabe-se que há cerca de duzentos anos, o queijo de São Jorge já tinha a forma actual, cilíndrica, volumosa, tipo "roda", tendo-se chegado a produzir alguns, por encomenda especial, com tais dimensões e peso que eram necessários alguns homens para o transportarem. Ernesto Rebelo, refere-se a uma queijo para oferta, de enormes proporções, que o fidalgo Jorge da Cunha mandou fabricar em São Jorge para obsequiar o seu amigo D. José Pegado de Azevedo, bispo de Angra, quando este visitou a ilha do Faial.

O Queijo são Jorge é assim o produto de quase quinhentos anos de evolução na produção de queijo de leite de vaca, mantendo as característicos específicas que o clima e a vegetação das pastagens da ilha determinam por via do leite cru utilizado. Quanto à forma e consistência da pasta, parece ter ganho as suas características actuais há cerca de 200 anos, mantendo-se desde aí relativamente constante. Um passo fundamental na regulação da produção do queijo foi dado em 1986, com a criação da Região Demarcada do Queijo de São Jorge e a regulamentação do registo de Denominação de Origem Protegida (DOP) atribuído à marca Queijo São Jorge.
Apesar de serem produzidas apenas 1800 toneladas por ano, a partir de leite fornecido por cerca de oitocentos produtores agrupados em nove cooperativas, o Queijo São Jorge mantém-se como um dos pilares da economia de São Jorge, mal grado os constantes problemas de gestão que têm afectado as estruturas produtoras.

Em 1991 foi criada uma confraria, denominada Confraria do Queijo de São Jorge, à qual foram atribuídas funções na constituição da câmara de provadores para certificação na estrutura associada à UNIQUEIJO, a estrutura gestora da produção.


segunda-feira, 15 de julho de 2019

A Memória foi o primeiro monumento erguido em Portugal para homenagear D. Pedro IV na ilha Terceira Açores


A Memória foi o primeiro monumento erguido em Portugal para homenagear D. Pedro IV na ilha Terceira Açores

O Alto da Memória ou Outeiro da Memória localiza-se no cimo do Jardim Duque da Terceira, no centro histórico da cidade e Concelho de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, nos Açores.

Neste local o capitão do donatário João Vaz Corte Real fez erguer a primeira fortificação da antiga Angra, o chamado Castelo dos Moinhos, cerca de 1474. Esta fortificação, longe do mar, traduzia uma concepção ainda tardo-medieval, europeia e mediterrânica, de defesa em acrópole.

O obelisco que o caracteriza atualmente foi erigido no século XIX em homenagem à passagem de Pedro IV de Portugal pela Terceira, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834).


De evidente simbologia maçónica, teve a sua pedra fundamental lançada a 3 de Março de 1845, estando concluído em 1856. Essa primeira pedra foi recolhida no cais da cidade, sendo uma das que o imperador havia pisado quando de seu desembarque naquele local, em 1832. As pedras do antigo castelo foram reaproveitadas para a construção do obelisco.
Este monumento foi praticamente destruído pelo grande terramoto de 1980, que provocou enormes estragos nas ilhas do Grupo Central do arquipélago. Foi reconstruído e reinaugurado pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo em 25 de Abril de 1985.

A Memória foi o primeiro monumento erguido em Portugal para homenagear D. Pedro IV, o monarca que se deslocou aos Açores, em 1832, para liderar as tropas que lutavam pela implantação do regime liberal.

A ideia de erguer-lhe um monumento foi decidida em 1835, mas contratempos vários foram adiando o projecto.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Pedro Luís de Sousa da Ribeira Seca ilha de S. Jorge Açores




Pedro Luís de Sousa também conhecido como Pero Luís de Sousa do Brasil (Ribeira Seca, ilha de São Jorge, Açores, 1460 — ?) foi um latifundiário português de origem nobre que terá vindo do reino (Portugal continental), para a ilha Terceira com o seu pai Fernão Luís de Sousa, natural de Santarém.
Foi um terratenente de origem nobre dono de terras na ilha Terceira, especificamente de um monte conhecido como Monte Brasil, um antigo vulcão extinto, mesmo em frente à cidade de Angra do Heroísmo. Segundo os historiadores terá tomado o nome Brasil desses terrenos.


Pedro Luís vendeu o referido Monte Brasil em 1496 a João Vaz Corte Real, um navegador português do Século XV e profundamente ligado ao descobrimento da Terra Nova. Teve terras de sesmaria na Calheta, ilha de São Jorge onde viveu antes de partir para o Brasil com um destacamento de colonos, para o Rio Grande do Sul, onde foi o fundador de uma dinastia que perdura até aos nossos dias no actual município de Viamão.
Foi filho de Fernão Luís de Sousa, natural da cidade de Santarém e casado com Margarida de Sousa (Leonardes). Casou com Catarina Anes Pires, nascida em 1460 e irmã de Pedro Anes Rebelo e parente de Maria Abarca, esposa do João Vaz Corte Real, já referido, o que terá contribuído por razões familiares para a vendo do Monte Brasil.


Deste casamento nasceram:

1 – Inês Pires, casada com João Valido.

2 – Gaspar Nunes Brasil, casado com Marta Simoa.

3 – Isabel Pires de Sousa casada com André Gonçalves Teixeira.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Francisco Ornelas da Câmara


Francisco Ornelas da Câmara (Praia, 12 de Outubro de 1606 — Praia, 28 de Abril de 1664), fidalgo e político açoriano que se destacou à época da Restauração da Independência Portuguesa, proclamando-a nos Açores, e como líder da campanha militar que conduziu à submissão da Fortaleza de São João Baptista da Ilha Terceira (1641-1642).
Era filho de Francisco Paim Câmara e D. Isabel de Sousa Neto, pessoas ligadas às principais famílias açorianas da época e à governança da vila da Praia e da sua capitania.

Aos oito anos de idade assistiu ao grande terramoto de 24 de Maio de 1614, a primeira caída da Praia, que arrasou a vila da Praia e as freguesias circundantes, espalhando a ruína e a morte por todo o Ramo Grande.

Seguindo a tradição familiar, com apenas 24 anos de idade, a 4 de Julho de 1627, foi nomeado capitão duma das quatro companhias de infantaria da milícia da sua capitania. Dois anos mais tarde, em 1629 embarcou na esquadra real, tendo combatido na Região Nordeste do Brasil, quando das segunda invasão holandesa aquela área.


De regresso à Ilha Terceira, o rei D. Filipe III, por Carta-régia de 15 de Setembro de 1636, nomeou-o capitão-mor e provedor das fortificações da vila da Praia, cargos que seu pai exercia há trinta e quatro anos. Na mesma ocasião o rei agraciou-o com a mercê de cavaleiro da Ordem de Cristo.

A 3 de Dezembro de 1639 partiu para Portugal, tendo permanecido em Lisboa durante todo o ano, e onde se encontrava a 1 de Dezembro de 1640, quando se deu o golpe de Estado que culminou com a restauração da independência portuguesa e a aclamação do duque de Bragança, D. João, como soberano com o nome de João IV de Portugal.

Encontrando-se entre nobres que apoiavam o novo soberano, foi-lhe confiada a missão de se dirigir aos Açores, sem qualquer apoio militar, para tentar organizar a sublevação das forças locais e com elas promover a aclamação real e a restauração da soberania portuguesa no arquipélago.


Com essa incumbência, recebeu do soberano as Cartas-régias endereçadas às autoridades das ilhas, assim como autorização para negociar com as forças castelhanas, incluindo a possibilidade de prometer, em nome da Coroa, recompensas e honrarias em caso de rendição pacífica.

Chegou à Terceira a 5 de Janeiro de 1641, tendo desembarcado à noite em Porto Martins, e dirigindo-se, no dia seguinte, à casa de seu pai na vila da Praia, ao qual confidenciou a sua missão e pediu conselhos e orientação.

Depois de muitas hesitações, quase um mês após a chegada à ilha, e perante o pouco entusiasmo da nobreza em aderir a tão temerário projecto, os seus objectivos acabaram por ser revelados e teve que se esconder para evitar a sua captura pelas forças espanholas.


Através de intermediários, tentou um acordo com o governador do Castelo, o Mestre-de-Campo D. Álvaro de Viveiros, oferecendo-lhe, a troco da entrega da fortaleza, um título de conde e dez mil cruzados em dinheiro. Naturalmente, esta proposta foi mal recebida e Francisco Ornelas, considerando o risco que corria por se encontrar na cidade de Angra, partiu imediatamente para a Praia, escapando à tropa castelhana que pretendia prendê-lo.