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terça-feira, 5 de março de 2024

A chegada de Vasco Gil Sodré á ilha da Graciosa Açores

 


Vasco Gil Sodré  nasceu em Montemor-o-Novo, ca. 1450  e faleceu em  Santa Cruz da Graciosa, ca. 1500. Foi um navegador português e um dos primeiros povoadores da ilha Graciosa.

Natural de Montemor-o-Novo, filho de Gil Sodré, neto de John de Sudley, de ascendência nobre inglesa , aportuguesado para João de Sodré, em que Sodré é corruptela do locativo inglês Sudeley ou Sudley. Este John Sudley seria por sua vez descendente do nobre inglês William le Boteler, bem como de Ralph de Hereford (e por consequência de Eduardo, o Confessor) por linhagem materna, o que explica a comunalidade de armas usadas na Inglaterra e em Portugal pelas famílias Boteler (Butler) e Sodré.


Vasco Gil Sodré terá sido casado duas vezes: a primeira com Iria Vaz do Couto, irmã de Duarte Barreto do Couto, que foi o primeiro capitão do donatário na Graciosa; e a segunda com Beatriz Gonçalves da Silva, que foi quem o acompanhou na sua ida para aquela ilha. Não se conhece o fim da primeira mulher, nem se houve geração.

Esta Beatriz Gonçalves da Silva é apontada por Gaspar Frutuoso como sendo Beatriz Gonçalves de Bectaforte, natural do castelo de Bectaforte de Inglaterra, o que é seguramente confusão com uma das antepassadas de Vasco Gil Sodré . Deste casamento tiveram Diogo Vaz Sodré, Fernão Vaz Sodré, Mécia Vaz, Leonor Vaz e Inês Vaz, e outros, num total de 10 filhos, tronco da maioria das primeiras famílias que povoaram a ilha Graciosa.



Duarte Barreto do Couto, irmão da primeira mulher de Vasco Gil Sodré, era casado com Antónia Sodré, o que fazia dos dois homens duplamente cunhados. Embora sejam escassas as evidências documentais, Duarte Barreto do Couto, mais conhecido por Duarte Barreto, fidalgo do Algarve, foi capitão do donatário na parte sul da ilha, no território que depois corresponderia ao hoje extinto concelho da Praia da Graciosa.

A vinda de Vasco Gil Sodré para a Graciosa ocorreu na sequência do desaparecimento de Duarte Barreto do Couto, que foi morto durante uma incursão castelhana à ilha Graciosa (provavelmente em 1475 e já no contexto da guerra da Beltraneja). Vendo-se viúva e só na ilha, Antónia Sodré escreveu ao irmão Vasco Gil ... que se viesse pera ela, pera a acompanhar, o que ele fez, e foi um dos primeiros que ali vieram...


Respondendo a este convite, Vasco Gil Sodré veio para a Graciosa, depois de uma estadia numa das praças portuguesas do Norte de África, tendo chegado à ilha no tempo em que Portugal ainda estava em guerra com Castela por causa das pretensões ao trono castelhano de Joana a Beltraneja , isto é depois de 1475 e antes 1479.

Veio acompanhado pela mulher, Beatriz Gonçalves da Silva, e um grupo de criados, chegando à Graciosa depois de terem permanecido algum tempo na ilha Terceira . Ergueu a sua casa no Carapacho, local onde aportou, tendo tomado terras no sudoeste da ilha, na região onde hoje se ergue a vila da Praia.


Apesar das diligências de Vasco Gil Sodré para que lhe fosse feita a doação da ilha e de ter construído uma alfândega, a capitania da parte norte da ilha, correspondente ao primitivo concelho de Santa Cruz da Graciosa, veio a ser entregue, depois de 1474, a Pedro Correia da Cunha, concunhado de Cristóvão Colombo, que chegara à ilha, vindo do Porto Santo cuja capitania perdera por sentença da Relação, pouco depois da chegada de Vasco Gil Sodré.


Apesar dos esforços da família Sodré, em 1485 Pedro Correia da Cunha foi confirmado capitão do donatário em toda a ilha, em virtude de ser uma terra pequena para duas divisões, o que em definitivo impediu Vasco Gil Sodré e os seus descendentes de obterem a capitania que reivindicavam. Com esta confirmação ficou definitivamente unificada a capitania da Graciosa, assim permanecendo até à sua extinção. Da divisão resultaram contudo os dois concelhos da ilha (Praia da Graciosa e Santa Cruz da Graciosa), apenas unificados em 1867.



segunda-feira, 4 de março de 2024

Chafariz do Largo da Luz Santa Cruz ilha Terceira Açores

 


O Chafariz do Largo da Luz localiza-se no largo do Conde da Praia da Vitória, na freguesia de Santa Cruz, concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, nos Açores.


Erguido no século XIX, encontrava-se primitivamente situado no largo Francisco Ornelas da Câmara. Foi transferido para o seu local atual por volta de 1930.


Atualmente integra o Inventário do Património Histórico e Religioso para o Plano Director Municipal da Praia da Vitória.



Este chafariz foi erguido em alvenaria de pedra rebocada e caiada de cor branca, com excepção do tanque, dos cunhais, dos pináculos sobre os cunhais, das cornijas e de outros elementos decorativos, em cantaria de pedra escura e à vista.


Entre os pináculos existe um frontão de forma contracurvada que é interrompida por uma pedra de armas, com as armas da Praia da Vitória, na forma de uma elipse, rebocada e pintada excepto na bordadura e na referida pedra, em cantaria aparente. Nela lê-se a inscrição "11 de Agosto De 1829", evocativa da Batalha da Praia da Vitória.


Ao centro do alçado do chafariz há outra cartela com a data de 1849 e, mais abaixo, duas bicas de água corrente e o tanque, retangular.


O chafariz encontra-se enquadrado por dois muros curvos, construídos também em alvenaria de pedra rebocada e caiada de cor branca com excepção dos remates lateral e superior e dos dois pináculos nos extremos, em cantaria aparente e de cor escura.



sexta-feira, 1 de março de 2024

Água Azeda da Serreta ilha Terceira Açores

 


Água Azeda, ou Água Azeda da Serreta, é uma nascente de água mineromedicinal, gaseificada e fortemente cloretada, existente na base da falésia litoral da costa oeste da ilha Terceira  Açores, freguesia da Serreta.

Suposto que de há muito já os moradores da Serreta lhe conheciam a existências, o interesse por esta fonte data de 1855, quando Álvaro Borges Cabral Fournier ali se deslocou e recolheu uma amostra. A partir daís foram realizados diversos estudos e obras destinadas a melhorar a acessibilidade. As conclusões foram variando ao longo dos tempos:



O dr. Nicolau Caetano de Bettencourt Pitta negou-lhe qualquer propriedade, asseverando: Depois de muitas indagações vim no conhecimento, que a fonte sai por uma fenda de lava á beira-mar na Serreta, e qua a descida para ela é muito pior que a pena imediata. ... A água que eu analisei, e que veio muito bem engarrafada, segundo as direções que dei, não lhe dou importância alguma, tratada por vários reagentes; é de natureza salobra como a das Quatro Ribeiras, com a diferença de que esta nasce morna à beira-mar, e sai da boca de um vulcão extinto. A água da Serreta colhida no mesmo dia é fria, inodora, de sabor picante, o que é devido ao ácido carbónico que contém, e que a faz crepitante deitada em um copo, mas passados quatro dias apodrece e exala aquele cheiro que tem a águua a bordo dos navios.



O dr. José Augusto Nogueira Sampaio, emitiu parecer contrário, lendo-se em dado passo: A nascente desta água é impetuosa, e projeta-se longe; na sua vizinhança não se conhece cheiro algum que denote a sua origem vulcânica. … A altura excessiva da rocha, o mau talhe que oferece, tornam a descida quase impraticável. [...] Examinada a água pelo lado das suas propriedades físicas apresenta-se de uma limpidez e transparência expressivas, as quais ela conserva depois de muito tempo de recolhida. – A sua temperatura é igual à da ordinária. Encerrada em uma garrafa, bem tapada, ela produz no ato da sua abertura uma detonação igual à que produz uma garrafa de champanhe quando se abre. Lançada em um vaso qualquer transparente, nota-se que da parte inferior e laterais se levantam continuamente por espaço de algumas horas uma grande quantidade de bolhas semelhantes àquelas que se observam em qualquer líquido fermentado. O seu gosto, ao princípio ligeiramente ácido, mas deixando aperceber alguma coisa de sulfúreo, torna-se depois salina e desagradável; contudo não é o gosto característico e repugnante das águas sulfúreas. Por vezes, depois da sua ingestão, sobrevêm arrotos picantes semelhantes aos que aparecem com o uso das sodas gasosas. Enfim, a sua densidade é superior à da água destilada e da ordinária.



Monsenhor José Alves da Silva refere ser esta água muito usada para as doenças do estômago.


O Laboratório do Instituo Superior Técnico de Lisboa, de que era diretor o Professor Doutor Charles Lepierre, após a análise químico-higiénica, publicou em boletim datado de 15 de julho de 1920 a seguinte conclusão: mineralização de 1,266, g/litro. Foi entã caracterizada como água acídula, gasocarbónica, cloretada sódica (50% da mineralização formada por cloretos), carbonetada cálcica e magnésica, silicatada» . A água chegou a ser comercializada como Água da Serreta e classificada como «água de mesa», embora fosse popularmente conhecida como Água Azeda.


O Dr. Octávio da Veiga Ferreira, dos Serviços Geofísicos, chegou a preparar um esboço de anteprojeto para a captação da água mineromedicinal da Serreta.


Ao longo do tempo foram realizadas pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo diversas obras de acesso:


1858 – abertura de vereda, torneando a rocha;


1889 – abertura na rocha de uma escadaria de duzentos e dez degraus, a cerca de mil metros para leste do Farol da Serreta;


1967 – limpeza e desobstrução do poço


Com o Terramoto de 1980 ocorreram derrocadas e o acesso desapareceu e o poço encontra-se entulhado.



quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Quinta de Nossa Senhora do Rosário na ilha Terceira Açores



 A Quinta de Nossa Senhora do Rosário é composta por uma propriedade agrícola e por um solar que é pertença da família Barcelos. Localiza-se esta quinta na ilha açoriana da Terceira, concelho de Angra do Heroísmo, freguesia da Terra Chã.



Tem sido durante séculos residência da família Barcelos, tendo sido sujeita a alguns restauros devido aos estragos causado pelo terramoto ocorrido em 1 de Janeiro de 1980.



O solar de que a quinta está dotada apresenta-se com apreciáveis dimensões. Tem um pátio voltado a nascente com jardim onde de destacam plantas exóticas de grande dimensão dada a sua avançada idade. É de mencionar também a capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário.



Destaca-se este edifício pelo seu aspecto senhorial de austera fachada e pela implantação da edificação no terreno, aproveitando o espaço disponível.



segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

João de Bettencourt de Vasconcelos, o degolado na cidade de Angra do Heroísmo ilha Terceira Açores

 


João de Bettencourt de Vasconcelos (século XVI) foi cavaleiro da ordem de Cristo.

Nasceu na ilha da Madeira, foi com seu pai para a ilha Terceira, Açores, onde foi degolado, em princípios de Março de 1582, na Praça Velha da cidade de Angra, por ser partidário de Filipe II de Espanha. Foi casado com D. Maria de Vasconcelos da Câmara, a qual foi agraciada pelo dito monarca, em 1583, com 100$000 réis (moeda da altura) de tença.



João de Bettencourt de Vasconcelos e D. Maria de Vasconcelos da Câmara:


1 - Vital de Bettencourt de Vasconcelos, casou quatro vezes, a primeira com D. Maria da Silveira Borges, a segunda com D. Inês Ferreira de Melo, a terceira com D. Izeu Pacheco Abarca, a quarta com em 5 de Fevereiro de 1622, com D. Agueda de Freitas de Quadros, da ilha Graciosa, a qual era já viúva de Diogo Sequeira.



Filhos:



2 - João de Bettencourt, que foi clérigo e religioso da Companhia de Jesus.


3 - Jorge de Lemos de Bettencourt.


4 - D. Margarida de Bettencourt de Vasconcelos, que casou com Luís Pereira de Lacerda.