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quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Alfred Lewis fundador do romance luso-americano nasceu na ilha das Flores Açores

 


Romancista, contista, poeta e dramaturgo, Alfred Lewis, nascido Alfredo Luís, em 1902, na ilha das Flores, emigrou para os Estados Unidos aos 19 anos de idade, em 1922, nos últimos anos da segunda onda de emigração portuguesa para aquele país.



Lewis era filho de baleeiro, imigrante pertencente à primeira onda ligada à indústria baleeira americana, cujos grandes barcos faziam escala nos Açores para reabastecimento e recolha de tripulantes.


Se, como profissional, Lewis granjeou um certo êxito (formou-se em Direito e exerceu o cargo de Juiz Municipal), não foi menos o seu triunfo nas letras. Com efeito, Lewis tornou-se o primeiro e único imigrante português a conquistar a atenção do público vasto de língua inglesa.



Ele é autor de contos publicados numa revista literária de prestígio nacional, Prairie Schooner, tendo estes relatos dramáticos, que descrevem uma sociedade multi-racial, composta de mexicanos, portugueses, arménios e anglo-americanos, merecido referência numa antologia de grande renome, The Best American Short Stories, dois anos seguidos, em 1949 e 1950.


O seu maior sucesso editorial foi "Home is an Island" (1951), romance autobiográfico cujo protagonista jovem está prestes a emigrar para a América, descrevendo a vida numa pequena aldeia nos Açores, no princípio do século XX.



terça-feira, 12 de dezembro de 2023

António Garcia da Rosa 1.º barão da Areia Larga ilha do Pico Açores

 


António Garcia da Rosa  nasceu na Horta a 25 de Agosto de 1790  e faleceu na  Horta a 25 de Abril de 1876., 1.º barão da Areia Larga, foi um aristocrata e político açoriano que, entre outras funções, foi sub prefeito da Comarca da Horta (1833) e governador civil do Distrito da Horta.

Foi filho do desembargador Manuel Garcia da Rosa e de sua mulher Isabel Josefa de Lacerda, uma família da melhor aristocracia faialense.



Pertencente à elite da cidade da Horta, foi uma das figuras mais destacadas da cena política faialense no período que se seguiu ao fim da Guerra Civil. Foi por várias vezes vereador da Câmara Municipal da Horta, tenente-coronel do regimento de milícias do Faial e sub perfeito da Horta em 1833, durante o curto período em que existiu a Província dos Açores. Após a criação do Distrito da Horta, foi governador civil interino num período de grande agitação política nos Açores .

Recebeu o título de barão da Areia Larga, por decreto de 22 de Fevereiro de 1854 do rei D. Pedro V de Portugal e foi feito fidalgo da Casa Real com brasão de armas concedido por alvará de 12 de Março de 18572 . Foi ainda agraciado com a comenda da Ordem de Cristo.


Casou a 15 de Julho de 1815 com Isabel Lacerda Peixoto.



domingo, 10 de dezembro de 2023

Lenda de Santo Amaro da Ilha das Flores Açores

 


A Lenda de Santo Amaro de Ponta Delgada é uma tradição oral da ilha das Flores, nos Açores. Justifica a localização da ermida de Santo Amaro na Baixa Rasa do Lajedo.

Vários objectos dão à costa nas ilhas açorianas. Aliado à grande dificuldade na importação de materiais, durante séculos este facto gerou um movimento de buscas pelas costas das ilhas. Eram encontrados os mais variados objectos, provenientes das embarcações naufragadas, a caminho da Europa ou do Continente Americano, e que chegavam trazidas pela Corrente do Golfo.


Segundo a lenda, um dia andavam homens na costa da ilha das Flores à procura de algum objecto que o mar tivesse atirado para a costa quando viram um madeiro na distância. Quando chegaram junto desse bocado de madeira aperceberam-se que se tratava de uma estatueta de Santo Amaro. A imagem foi encontrada há mais de trezentos anos junto ao rolo além da Baixa Rasa do Lajedo e dado como certo ser proveniente de alguma caravela ou nau que tivesse naufragado ao lago durante algum temporal.


Mas o povo, sempre muito crente nas acções do Divino, acreditou na sua grande maioria tratar-se de um milagre de Santo Amaro e passou a denominar aquela zona do calhau e às terras circundantes por Rolo de Santo Amaro. A imagem foi trazida para a igreja paroquial onde depois de devidamente limpa foi colocada num altar. No entanto, por mais tentativas que fossem feitas para o manter na igreja, o Santo Amaro fugia da igreja durante a noite e amanhecia todos os dias, estivesse bom ou mau tempo, no lugar onde fora encontrado.


Foi assim que o povo da freguesia e o padre, que deu este acontecimento como sobrenatural, se curvaram perante a vontade do Santo Amaro e então resolveram edificar uma capela no lugar que o santo tanto procurava. Segundo reza ainda a lenda, foi junto dessa ermida e por milagre do Santo Amaro que nasceu uma fonte de água cristalina a abundante que permitiu a produção de barro, ao irrigar abundantemente as terras em redor, que muito contribuiu para a própria edificação da ermida.


Actualmente a população da ilha das Flores celebra anualmente, no primeiro domingo de Setembro, o antigo talento de evasão protagonizado pela estátua de Santo Amaro.



sábado, 9 de dezembro de 2023

Lista de Capitães Donatários da ilha Graciosa Açores

 


1485 - 1497 — Pedro Correia da Cunha.


1499 - 1507 — Duarte Correia da Cunha (filho do anterior).


1507 - 1510 — D. Fernando Coutinho (por falta de descendentes do anterior, a capitania passou para outra família da mesma parentela).


1510 - 1524 — Álvaro Coutinho.


1524 - 1552 — Álvaro Coutinho (filho do anterior).


1552 - 1573 — Fernando Coutinho (filho do anterior).


1573 - 1593 — Fernando Coutinho (filho do anterior).


1593 - 1626 — Fernando Coutinho (filho do anterior).


1626 - 1666 — Fernando Coutinho (filho do anterior; morreu sem sucessão).


1666 - 1674 — Luís Mendes de Elvas (faleceu sem sucessão)



1674 - 1708 — Pedro Sanches de Farinha.


1708 - 1730 — Rodrigo Sanches Farinha de Baena.


1730 - 1737 — Pedro Sanches Farinha de Baena.


1737 - 1766 — Incorporada nos bens próprios da Coroa. A capitania é extinta com a criação, neste último ano, da Capitania Geral dos Açores.



sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Embarcações naufragadas na Baía de Angra desde 1542 ilha Terceira Açores

 


1542 – Naufrágio da nau cognominada Grifo, capitaneada por Baltazar Jorge

A Grifo foi uma nau portuguesa da Carreira da Índia. Em 1536 D. João de Castro embarca para a Índia a bordo da nau.  Em 1542 a nau portuguesa, capitaneada por Baltazar Jorge naufraga nos Açores. Perdeu-se sobre a âncora.



1555 - Naufrágio da nau Assumpção, comandada por Jácome de Melo

A Nossa Senhora da Assunção foi uma nau de linha português.

Participou na Batalha de Matapão, sendo comandada pelo fiscal Pedro de Sousa Castelo Branco tinha 500 praças e continha 64 peças de artilharia.


1555 - Naufrágio da nau alcunhada de Algarvia Velha, acabada de chegar das Índias.

Nau que naufragou no regresso da India.



1586 - (17 de Setembro) – Naufrágio da nau Santa Maria, de nacionalidade espanhola e provinda de São Domingo. Devido ao nau tempo.

A Santa Maria, anteriormente chamada de La Gallega, foi a nau, do tipo carraca, capitânia do Almirante Cristóvão Colombo na viagem em que, navegando para Oeste pelo Oceano Atlântico, veio a descobrir o continente americano (1492).

De propriedade do mestre Juan de la Cosa, morador das vizinhanças do porto de Palos de la Frontera, e que a pilotava nesta viagem, era considerada pelo Almirante como uma embarcação pesada.



1587 - Naufrágio de um galeão português (Santiago) capitaneado por Francisco Lobato Faria e provindo de Malaca. Perdeu a amarra, salvando-se a gente e a fazenda.

em que se contam os grandes trabalhos e lastimosas coisas que acontecerão ao Capitão Manuel de Sousa Sepúlveda, e o lamentável fim, que ele e sua mulher, e filhos, e toda a mais gente houveram na Terra do Natal, onde se perderão a 24 de Junho de 1552.

Logo no início da obra encontramos o sem dúvida mais conhecido do todos os relatos da História Trágico-Marítima, que aqui merece ser resumido:



Manuel de Sousa Sepúlveda passara à Índia em 1534, para não ter que casar com uma senhora que seduzira, e cujos irmãos o perseguiam. No Oriente fora capitão às ordens de Martim Afonso de Sousa. Estivera presente na conquista de Diu em 1536, na armada do governador D. Estêvão da Gama ao Mar Vermelho em 1540, etc. Em 1544 fora nomeado capitão de Diu.


A 3 de Fevereiro de 1552, com a mulher e os filhos, largou de Cochim, na Índia, rumo a Lisboa, como capitão do galeão grande São João. O galeão vinha carregado com 7500 quintais de pimenta, e transportava mais de quinhentas pessoas. A 13 de Abril, à vista do Cabo da Boa Esperança, a nave foi acometida por fortes tempestades, acabando por naufragar a 8 de Junho, nas costas do Natal. Os cerca de 380 sobreviventes iniciaram, um mês mais tarde, uma longa marcha rumo a Moçambique.



A fome, as doenças, os ataques dos Cafres  e dos animais selvagens foram lentamente diminuindo o seu número. Quando atravessaram o rio de Lourenço Marques, nos fins de Dezembro, os sobreviventes eram apenas cerca de 120; e um filho de 10 anos de Manuel de Sousa Sepúlveda tinha já morrido. Nesta região foram os sobreviventes portugueses maltratados pelos Cafres, vindo a mulher do capitão e os seus filhos pequenos a morrer em Janeiro de 1553, em circunstâncias dramáticas. Manuel de Sousa Sepúlveda, depois de os enterrar, internou-se no mato para nunca mais ser visto.


O relato deste infortúnio foi redigido por um autor desconhecido, talvez baseado em informações de Álvaro Fernandes, guardião do galeão, e foi impresso pela primeira vez logo cerca de 1554. Camões, no Canto V de Os Lusíadas, faz o Adamastor profetizar a tragédia:


"Outro também virá de honrada fama,

Liberal, cavaleiro, enamorado,

E consigo trará a formosa dama

Que Amor por grã mercê lhe terá dado.

Triste ventura e negro fado os chama

Neste terreno meu, que duro e irado

Os deixará dum cru naufrágio vivos

Para verem trabalhos excessivos.


Verão morrer com fome os filhos caros,

Em tanto amor gerados e nascidos;

Verão os Cafres ásperos e avaros

Tirar à linda dama seus vestidos...



segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

calamidades naturais nos Açores no Séc. XV

 


1564 — Erupção vulcânica na Lagoa do Fogo, São Miguel - A erupção iniciou-se a 13 de Fevereiro e foi de curta duração, não tendo causado estragos. Provavelmente foi uma manifestação freatomagmática.


1571 — Crise sísmica causa graves danos em Angra - A partir do mês de Junho desencadeou-se uma crise sísmica centrada a SE da Terceira, provavelmente no Banco D. João de Castro. Para além da Terceira, os sismos eram sentidos em São Miguel, tendo sido, mesmo, notados por um navio que navegava nas proximidades. Um testemunho coevo, em carta escrita em Angra a 2 de Agosto de 1571, diz que o temor na ilha era muito, pois "a qual ha perto de dous meses que treme, e posto que agora são  raros os tremores, dia houve, em que por espaço de seis horas tremeu 10 vezes, e dia de 18 vezes, e os abalos eram também  grandes que derrubarão algumas casas, e muitas chaminés, e abrirão as mais das casas, e maiores desta cidade, e cairão grandes pedaços de rochas, das que estão ao longo do mar; os temores durarão tanto espaço, que a gente que então se achava em as casas tinham tempo para sair fora, e o tremor não sesava".



1580 — Erupção do vulcão da Queimada, ilha de São Jorge - Na noite de 28 de Abril a terra tremeu 30 vezes e 50 no dia seguinte. No dia 1 de Maio os tremores recrudesceram e nesse mesmo dia ocorreu uma explosão vulcânica no cimo da encosta sobranceira à Queimada. Outra explosão ocorreu posteriormente no alto da Ribeira do Nabo, 2 km a leste da inicial. Outra emissão de lavas teve a sua origem junto à Ribeira do Almeida. A erupção durou 4 meses com emissão de grandes correntes de lava que atingiram o mar e de muitas cinzas que recobriram a ilha, atingindo mesmo a Terceira. Uma nuvem ardente matou pelo menos 10 pessoas. Mais de 4000 cabeças de gado pereceram de fome e devido aos gases e cinzas que destruíram as pastagens.


1588 — Grandes inundações em São Bento e Porto de Pipas, Terceira - A 26 de Fevereiro chuvas muito intensas provocaram grandes cheias em São Bento. As águas seguiram uma canada em direcção ao Porto de Pipas, lugar onde destruíram as muralhas soterrando algumas embarcações ali varadas.



1588 — Inundações nas Velas, ilha de São Jorge - A 8 de Novembro, ocorreu nas Velas uma enxurrada que "levou muita gente ao mar e alagou muitas casas", dando origem a um romance popular.


1589 — Um raio mata duas pessoas na Terceira - A 26 de Setembro, durante uma tempestade (provavelmente um ciclone tropical), um raio atingiu uma casa palhoça na Serra de Santiago, Praia, matando o proprietário e um soldado castelhano que lá estava hospedado.


1591 — Sismo sentido em São Miguel e na Terceira - Em consequência de um sismo ficaram arruinados muitos edifícios, especialmente em Vila Franca do Campo e Água de Pau, povoação onde ficaram arruinadas as melhores casas. O Rei concedeu 150 000 reis para ajuda à reconstrução. O sismo foi também sentido na Terceira, onde a terra tremeu quatro vezes e parecia querer "subverter-se".



1593 — Mau ano agrícola provoca fome na Terceira e S. Jorge - O ano de 1593 foi um mau ano agrícola, o que associado às consequências da guerra de 1580-1583, do saque e dos pesados tributos para manutenção da força de ocupação castelhana, causou miséria e fome generalizada entre a população rural da ilha. Há notícia de terem morrido muitas pessoas de fome. Em São Jorge também se morreu de fome neste ano.


1599-1600 — Peste bubónica provoca cerca de 7 000 mortos na Terceira - O ano de 1599 ficou conhecido como o "ano do mal" já que uma epidemia de "antrazes" (peste bubónica) dizimou boa parte da população da ilha, apenas poupando poucas localidades. Foi um dos anos mais trágicos da história da ilha Terceira, encerrando uma época na qual em menos de duas décadas, para além da doença, a guerra, com o terrível saque e mortandade que se seguiu à entrada em Angra das forças castelhanas, e a fome marcaram a sua presença.