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quarta-feira, 14 de maio de 2025

Palácio dos Capitães-Generais na cidade de Angra do Heroísmo ilha Terceira Açores

 

O Palácio dos Capitães-Generais, também designado por Colégio de Santo Inácio e Colégio da Companhia de Jesus, localiza-se na freguesia da Sé, no centro histórico da cidade e município de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nos Açores.


Trata-se de um conjunto edificado de apreciáveis dimensões onde primitivamente esteve instalado o Colégio da Companhia de Jesus  que, em 1595, foi crismado com o nome de "Colégio da Ascensão". Nesta época era constituído não apenas pelo atual edifício, mas também pelo do Colégio própriamente dito, o chamado "Pátio dos Estudos" (hoje desaparecido), o do chamado "Colégio Novo" (onde atualmente se encontra instalada a Direção Regional das Comunidades), e pela Igreja de Santo Inácio.



Enquanto a Fortaleza de São João Baptista personificou o poder militar, o Palácio dos Capitães-Generais personificou o poder civil no arquipélago. Ao longo de sua história, com mais de quatro séculos, serviu como sede do primeiro governo unificado do arquipélago (período da Capitania Geral dos Açores), como Palácio Real de Pedro IV de Portugal e de Carlos I de Portugal, como sede do Governo Militar dos Açores, e como sede da Presidência do Governo dos Açores e local de reunião do Conselho do Governo da Ilha Terceira, quando passa à posse da Região após a constitucionalização da autonomia política e administrativa dos Açores na sequência da Revolução dos Cravos no país. Entre as suas funções, na atualidade, é uma das sedes da Presidência do Governo Regional.

O Palácio dos Capitães-Generais está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1980.


O estabelecimento dos Jesuítas nos Açores e na Madeira remonta a 1569, quando o regente D. Henrique instituiu dois colégios, custeados pelo erário real, em Angra e no Funchal.

O Colégio dos Jesuítas de Angra foi mandado erguer por Alvará de D. Sebastião datado de 19 de fevereiro de 1570, sendo a partida dos religiosos assim registada, no início do mesmo ano:


"Estes dias passados se partieron de aquí tres Padres y nueve Hermanos que van para la Isla de Madera a fundar el collegio (...). Cedo partirán otros tantos para la Isla de Angra y por ventura que algunos Hermanos más; partirán a quinze de Março poco más o menos"


Desse modo, a 1 de junho de 1570, após uma viagem tormentosa, o grupo de doze religiosos entrou solenemente em Angra, sob a liderança daquele provincial. No grupo destacavam-se ainda os nomes de Luís de Vasconcelos (reitor e mestre - ou leitor - dos casos de consciência), Pêro Gomes e Baltasar Barreiros.


José da Silva do Canto, que fundara na rua da Rocha (posteriormente rua de Jesus, em homenagem à Companhia) o Recolhimento e Ermida de Nossa Senhora das Neves, disponibilizou-lhes essas facilidades para nelas se instalarem. Sendo essas acomodações reduzidas, buscaram-se novas instalações, que foram encontradas numa casa no local do atual palácio, que se tornou a segunda casa da Companhia em Angra. Por Alvará passado em Almeirim a 20 de março de 1572, D. Sebastião concedeu as licenças necessárias para a construção de uma nova edificação, com traça do jesuíta Tinoco,  e atribuiu 600$00 reis anuais para o estabelecimento e sustento dos padres da Companhia, pagos a partir desse ano pelo Provedor da Fazenda Real na Terceira, através dos rendimentos da Coroa naquela ilha   As obras foram dirigidas pelo jesuíta Francisco Dias, com recurso das esmolas das principais famílias da ilha.


Na mesma época, em Ponta Delgada, João Lopes, um cristão-novo oriundo do Porto que enriquecera no comércio, legou em testamento o rendimento de trinta moios de trigo à Companhia, com a condição de também ser aberto um Colégio naquela cidade, o que aconteceria em 1592.



quarta-feira, 7 de maio de 2025

Genealogias dos Açores


 

Castelo Branco ilha de São Miguel Açores

 

Castelo Branco localiza-se na freguesia de Ponta Garça, no concelho de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, nos Açores.

Foi erguida em época indeterminada por particulares. Em posição dominante no topo de uma elevação, teria a função de controle dos terrenos adjacentes por parte dos seus antigos senhores.


Atualmente é utilizado como miradouro ("Miradouro do Castelo Branco"), de onde os visitantes podem descortinar uma ampla paisagem com destaque para o vale e a Lagoa das Furnas de um lado e a Vila Franca do Campo de outro.

Trata-se de uma torre de pequenas dimensões, com o formato de uma "Domus Fortis" medieval. Divide-se internamente em dois pavimentos e é coroada por ameias.



domingo, 4 de maio de 2025

Antepassados


 

Nascimentos e baptismos de escravos na Sé Catedral dos Açores ilha Terceira

 

Na civilização ocidental, os portugueses são geralmente creditados por ser os maiores esclavagistas. Considerando o número de africanos transportados para as Américas, não contabilizado, mas avaliado, será porventura verdade. O Infante Dom Henrique, que era sobretudo um comerciante de visão global, negociava escravos. Mas também é verdade que todos os países europeus os tinham para as tarefas consideradas menores. Nunca foram tantos como nas Américas ou África, porque a economia europeia não precisava tanto ao trabalho agrícola intensivo, do tipo que se praticava noutros continentes.



Calcula-se que entre 1618 e 1620 os portugueses tenham exportado cinquenta mil escravos

Os portugueses proibiram o tráfico em 1781, por decreto de Pombal, mas não proibiram a escravatura em si, que só terminou efectivamente em 1869.

A região Autónoma dos Açores também teve escravos ao serviço dos seus senhores em praticamente todas as nove ilhas.



Grande parte deles tiveram descendência nas ilhas e deixaram gerações até aos nossos dias.

A final quem eram eles? Vou lhes deixar aqui o nome de alguns para a nossa memória colectiva.


1 - José Maria, Indio de 15 amos. Foi comprado na ilha de São Domingos por Founier Leclair. Baptismo : 08.08.1790


2 - João e Paulo, filho de Guiomar da Conceição escrava do alferes  António Rodrigues. Baptismo: 1775


3 -  Manuel filho de Isabel mulata, escrava de José Carlos. Nasceu a 25.11.1778


4 - Pedro filho de Mariana escrava preta de José Gambier, Cirurgião. Nasceu a 25.11.1778


5 - Francisca filha de Maria Inácia escrava de Manuel da Rocha. Nasceu a 4.10.1763


6 - Manuel, escravo adulto de Manuel Leal da Fonseca. Baptismo: 08.07.1764


7 - Maria,  escrava adulta de Josefa de Jesus. Baptismo: 10.02.1765


8 - João filho de Mariana,  escrava de Ricardo Moles. Baptismo: 23.06.1765


9 - Jacinto filho de Cecília Rosa, escrava de Filipe Cardoso de Lima. Baptismo: 27.01.1766


10 - Caetano, escravo adulto de Diogo Ferraz. Baptismo: 08.02.1766


11 - Genoveva filha de Maria da Conceição, escrava de Inácia Francisca Xavier viúva do alferes Manuel da Rocha Velho. Nasceu a 12.09.1766



12 - José filho de Paula da Trindade, escrava preta do padre Francisco Martins. Nasceu a 28.10.1766


13 - Maria filha de Joana, escrava de Vicente Caetano da Silva. Nasceu a 12.06.1767


14 - Francisca filha de Rita Angélica, escrava do capitão Manuel da Silveira. Nasceu a 24.01.1768


15 - Antónia filha de Mariana, escrava  de Manuel Lopes Pinheiro. Nasceu a 10.05.1769

João, escravo adulto de Francisco Duarte. Baptismo: 25.05.1770


16 - Margarida filha de Maria, escrava de João do Canto e castro. Nasceu a 14.02.1756


17 - Joaquim filho de Maria, escrava do Dr. José Francisco Jorge. Nasceu a 6.12.1756


18 - António filho de Engrácia de São José, escrava de João António da Cunha. Nasceu a 14.01.1757


19 - Domingos, escravo adulto do Governador do do Castelo São João Baptista. Baptismo : 14.02.1757


20 - Clara, escrava adulta  preta de José Francisco de Vasconcelos. Baptismo: 29.03.1757


21 - Josefa, escrava do padre António Carvalho de Sousa. Nasceu a 28.03.1758


22 - Isidro filho de Maria Ambrósia, escrava de Da. Francisca Joaquina de Bettencourt filha do Dr. Francisco de Lemos Machado. Nasceu a 01.04.1762



quinta-feira, 1 de maio de 2025

Antepassados


 

Há 154 anos, é fundada a primeira Biblioteca Pública nos Açores, no Clube Popular Angrense na Ilha Terceira.

 

A Ilha Terceira foi a primeira terra dos Açores que fundou uma biblioteca pública – 1.º de Dezembro de 1871 – ao ter conhecimento da instituição das bibliotecas populares do continente.

O governo da metrópole, convidado a contribuir com o seu auxílio para este empreendimento educativo e patriótico, enviou 358 volumes, alguns habitantes da ilha contribuíram com várias obras, de forma que a biblioteca contava, no primeiro aniversário da sua inauguração, cerca de dois mil volumes, entre os quais se encontravam os mais apreciáveis monumentos da nossa literatura.

O iniciador desta grande obra educativa foi um homem que deixou um nome glorioso nesta terra, que adotou por pátria, Mateus Augusto, que, falando na abertura da biblioteca, em sessão solene, disse: «Abençoada instituição! No nosso país plantou-se a voz do dedicado apóstolo da instrução para todos, o Senhor D. António da Costa e o seu nome, como aconteceu, devia vincular-se à primeira biblioteca popular dos Açores.


Aos esforços do incansável obreiro para tudo quanto é útil e civilizador, que são os desejos e a vontade da sua alma por quanto contribuiu afirmar em sólidas bases a grande ideia democrática, e tal que há-de perpetuar-se pela educação e pelo ensino, pelo amor e pela virtude, sem os horrores do sangue nem a carnificina de irmãos devem os terceirenses a sua biblioteca popular».

O Clube Popular Angrense foi também a primeira sociedade que instituiu uma escola noturna gratuita.

Pormenor da estante oferecida por Almeida Garrett à primeira Biblioteca Publica nos Açores.

Atualmente na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo


In Gervásio Lima, Breviário Açoreano, p. 360, Angra do Heroísmo, Tip. Editora Andrade, 1935.