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quarta-feira, 20 de março de 2024

Casa dos Dabney ilha do Faial Açores

 


Oriunda dos Estados Unidos da América, a família Dabney instalou-se na Horta em 1806, quando John Bass Dabney foi nomeado Cônsul Geral dos Estados Unidos para os Açores pelo presidente americano, Thomas Jefferson.

Três membros da família Dabney, John (pai), Charles (filho) e Samuel (neto), exerceram sucessivamente o cargo ao longo do século XIX, ficando a sua presença registada na ilha do Faial através da toponímia, da arquitectura e da botânica.

John Bass Dabney especializou-se no comércio marítimo, fomentou a exportação do vinho e da laranja, adquiriu navios, armazéns e estaleiros destinados ao abastecimento e à reparação naval, dando assim origem a uma das mais poderosas casas comerciais do arquipélago dos Açores.



Com Charles Dabney, a família continuou a expandir os seus negócios, incrementando o movimento do porto da Horta, sobretudo através do abastecimento e reparação dos navios baleeiros americanos que aqui deixavam o óleo de baleia. Os Dabney exportavam-no para a Costa Leste dos Estados Unidos. Asseguravam ainda a ligação entre continente americano e os Açores e com o desenvolvimento da navegação a vapor passaram a ser os principais fornecedores de carvão dos navios que aportavam no porto da Horta.



Quando Samuel Dabney assumiu o cargo consular para dar continuidade aos interesses comerciais desenvolvidos pelo seu pai, o número de navios a ancorar no porto da Horta já tinha diminuído, pois a travessia do Atlântico era agora mais rápida em virtude da descoberta do petróleo. Por outro lado, a concorrência da casa comercial Bensaúde, a dinamização da doca de Ponta Delgada e a pressão do Governo americano, no sentido de impedir que os cônsules a tempo inteiro se dedicassem simultaneamente à actividade comercial, levaram Samuel Dabney a deixar definitivamente a ilha do Faial. Os últimos membros da família Dabney a residir na cidade da Horta partiram definitivamente para os Estados Unidos, em 1892.


Do património arquitectónico pertencente a esta família, destaca-se a Casa de Veraneio em Porto Pim, adquirida por Charles William Dabney, em 1854. Edificada na paisagem única do Monte da Guia e incluída num complexo residencial composto por uma casa com cisterna, cais e abrigo para dois botes, um miradouro e uma pequena área de vinhas que se estendia pela encosta em direção à baía de Porto Pim, possuía ainda uma adega, onde atualmente está patente uma exposição que retrata o percurso de uma família americana, originária de Boston.



terça-feira, 19 de março de 2024

José Bensaúde, fundador da Fábrica de Tabaco Micaelense

 


José Bensaúde  nasceu em Ponta Delgada a  1835  e faleceu em  1922 foi um importante e culto industrial, administrador e lavrador açoriano de origem judaica. Foi o fundador da Fábrica de Tabaco Micaelense (FTM) uma empresa pioneira no sector da indústria tabaqueira.


Fez os seus estudos em Ponta Delgada, sendo condiscípulo de Antero Tarquínio de Quental, de quem foi sempre amigo dedicado. As circunstâncias económicas não lhe permitiram tirar um curso universitário, nem continuar a dedicar-se às letras, como começara.



De 1861 a 1863, desempenhou o cargo de Secretário da Junta Administrativa do Porto Artificial de Ponta Delgada.

Em 1866, introduziu na Ilha de São Miguel a cultura e manipulação do tabaco, propondo a alguns amigos a fundação duma Sociedade destinada à exploração industrial da planta. Assim nasceu a Fábrica de Tabaco Micaelense, a primeira fundada nos Açores. Para obter bons produtos nas circunstâncias do ambiente, teve de dedicar-se a longas e difíceis experiências, e manifestou os seus dotes de Moralista na solução que deu ao problema de operariado na fábrica.

Ocupou-se, também, durante anos, do comércio de aprestos marítimos para navegação à vela.

De 1872 a 1887, administrou a Sociedade Exportadora Micaelense, cujo principal objecto era colher, acondicionar e exportar laranjas por conta alheia. De 1873 a 1912 ocupou-se, também, da Sociedade de Cultura de Ananases. Contribuiu para o desenvolvimento da cultura do chá e da indústria da espadana.


José Bensaúde, fundador da Fábrica de Tabaco Micaelense, nos primeiros anos do século XX já era respeitado por conjugar os interesses empresariais com preocupações de cariz social e cultural. Com Vasco Bensaúde, contribuiu sobremaneira para o desenvolvimento do do Grupo Bensaude, mantiveram-se as mesmas preocupações, bem como com o seu filho Filipe Bensaude. É na continuidade dessa tradição já secular que o Grupo Bensaude procura apoiar as mais diversas iniciativas, de natureza institucional, colectiva ou individual, com a preocupação de viabilizar projectos relevantes nos domínios mais diversos, nomeadamente no âmbito cultural e científico.



domingo, 17 de março de 2024

René Duguay-Trouin nos Açores

 


Nasceu em Saint-Malo em 10 de junho de 1673, sendo o quarto filho de Luc Trouin de La Barbinais, capitão e armador - nome herdado por seu segundo filho.


O nome "Duguay" provém de uma propriedade da família. Em suas memórias, manuscrito arquivado nos Arquivos Municipais de Saint-Malo, documento nº 11-12, p. 3, diz vir «de família acostumada ao comércio marítimo, de um pai que comandava navios armados tanto para a guerra quanto para o comércio, segundo os tempos, tendo ganhado reputação de coragem e de muito entendido em assuntos de marinha».



Destinado por seus pais ao sacerdócio, negligenciou os seus estudos no colégio dos jesuítas de Rennes em favor de uma vida de prazeres e de desordens. Morto o pai, passou a estudar em Caen mas negligenciando os estudos pelas mesas de jogo e salas de armas. Voltou a Saint-Malo a pedido da mãe mas como o irmão mais velho embarcou como corsário, não tardou em seguir-lhe os passos, vindo a ganhar reputação por seus feitos. Com permissão materna, embarcou em 1689 como voluntário na fragata «La Trinité», de 18 canhões, pois fora declarada guerra contra a Inglaterra e a Holanda. Com 18 anos, ganhou seu primeiro posto de comando e em 1691 era capitão de uma fragata de propriedade de sua família. Aos 21 anos, Luís XIV de França lhe confiou um de seus barcos, o Profond, de 32 canhões. Prisioneiro na Inglaterra, conseguiu evadir-se, em vida sempre aventurosa.



Desde 1696 fora a Paris, onde foi apresentado ao Rei. Admitido na Marinha Real com a patente de Capitão de Fragata, envolveu-se em numerosas campanhas, como a Guerra da Sucessão Espanhola (1702), e em diversas batalhas contra Ingleses e Neerlandeses.


No contexto da Guerra de Sucessão Espanhola, uma armada constituída por oito naus de linha e três navios corsários, todos com artilharia grossa, sob o comando de Duguay-Trouin, dirigiu-se aos Açores, com o plano secreto de atacar a Frota do Brasil, furtando-se à ação da Armada das ilhas. Nas águas da Ilha de São Jorge, em 19 de Setembro de 1708, atacaram a Vila das Velas. Rechaçados, no dia seguinte efetuaram uma novo assalto, logrando lançar em terra mais de 500 homens, que se dedicaram ao saque das casas e igrejas da referida povoação.



quinta-feira, 14 de março de 2024

Bartolomeu Ferraz nos Açores

 


Serviu a João III de Portugal de quem recebeu uma tença.


Deixou-nos carta datada de 7 de janeiro de 1526 ao então Secretário de Estado, António Carneiro, em agradecimento pelas mercês que aquele lhe havia feito, e a dar-lhe conta do que passara com os oficiais da Câmara Municipal de Portalegre.


Cerca de uma década mais tarde recomenda ao soberano a necessidade de se fortificarem as ilhas do arquipélago dos Açores, em virtude da ação de corsários franceses naquela região do oceano Atlântico.


Terá sido sepultado na antiga Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, na freguesia da Ajuda, em Lisboa, de acordo com o "Mappa de Portugal Antigo e Moderno", onde se encontra transcrita a inscrição da lápide da sua sepultura no alpendre daquele templo:


"Sepultura do Capitão Bartholomeu Ferraz de Andrade, Coronel que foy no Reino de Infantaria do esclarecido Rey D. João III., e de Isabel de Oliveira sua mulher, e de seus descendentes e herdeiros. 1550."


E a mesma fonte complementa, transcrevendo das "Memórias" do Desembargador Francisco Monteiro Leiria, um trecho de uma petição datada de 8 de março de 1550 ao Cabido de Lisboa:


"Diz Bartholomeu Ferraz de Andrade, Coronel nestes reinos de Portugal, que elle tinha vivido neste mundo mais do que esperava viver, no qual tempo que assim viveu, correo grande parte dele trabalhando por ganhar honra, e fama de suas obras, por ficar dele memoria aos que dele descendessem: e como quer que sempre foy ajudado do Senhor Deos, e da Virgem Maria sua madre, queria ordenar a casa, e morada onde havia de morar para sempre, etc. O Despacho do Cabido foy: Que havendo respeito à sua muita nobreza, e virtude que lhe dá o jazigo dos alpendres de Nossa Senhora da Ajuda."



quarta-feira, 13 de março de 2024

Quinta do Leão na ilha Terceira Açores

 


A Quinta do Leão é uma quinta portuguesa localizada na ilha  Terceira, concelho de Angra do Heroísmo, freguesia de São Pedro.


Esta quinta é composta por uma propriedade agrícola e por um solar de apreciáveis dimensões que foi ao longo dos séculos residência da família Lima, encontra-se próximo à Quinta da Estrela, do Solar dos Parreiras, da Quinta dos Castro e da Zona Balnear da Poça dos Frades.



A propriedade agrícola anexa a este solar apresenta-se com apreciáveis dimensões e tem um jardim curioso onde se destacam plantas de cariz exótico.


Destaca-se neste edifício a sala principal dotada por um extraordinário tecto em caixotão e o seu aspecto senhorial e pela sua fachada de excelente cantaria pintada.



segunda-feira, 11 de março de 2024

Igreja de Santa Catarina de Sena ilha Terceira Açores

 


A Igreja de Santa Catarina de Sena, também chamada ermida ou capela, é um antigo templo religioso, católico, hoje desactivado, construído a Leste da praça de armas da Fortaleza de São João Baptista do Monte Brasil, encostado à muralha principal, em Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores.


De pequena dimensão, fachada simples e sem decoração, cobertura de duas águas e planta quase quadrangular, tinha um único altar. Exteriormente apresenta um pequeno adro elevado, com bancos laterais, de pedra, a que se acede por escadaria central de seis degraus.


De pequena dimensão, fachada simples e sem decoração, cobertura de duas águas e planta quase quadrangular, tinha um único altar. Exteriormente apresenta um pequeno adro elevado, com bancos laterais, de pedra, a que se acede por escadaria central de seis degraus.


Serviu de igreja à guarnição espanhola, instalada aqui no contexto da União Ibérica e foi construída ao mesmo tempo que a fortaleza, então chamada de São Filipe do Monte Brasil.


O primeiro registo de casamento ali efectuado data de 1601, atestando que ela já existia, funcional e equipada, nessa data, servindo, também, de local de sepultura de alguns governadores do período espanhol, nomeadamente D. Gonçalo Mexia, a 23 de Outubro de 1618.


Mesmo depois da rendição espanhola, em 1642,  manteve-se ao culto até 1720, data em que a Igreja de São João Baptista, a Sul da parada e muito maior, passou a assumir essas funções.



Com o incêndio, acontecido em 23 de setembro de 1818,  que consumiu a igreja grande, regressou o culto a este pequeno templo, de onde voltou a sair, por volta de 1866/67, quando a de São João Baptista foi benta, após ser reconstruída.


Entrado o século XIX, o edifício começa a ser referido, também, como Ermida do Espírito Santo, sendo isso condizente com os restos de uma pintura oitocentista que se encontra no interior, representando uma pombas branca esvoaçante, e com notícias que a referem como local onde se organizaram festas do Paráclito, tão do agrado dos habitantes das ilhas açorianas.


Em 1904 já não é tida como activa, passando a funções muito diferentes, como tribunal militar, posto de rádio, museu e sala de reuniões.



sexta-feira, 8 de março de 2024

Submarino alemão afundado nos Açores durante a II Guerra Mundial

 


No dia 2 de fevereiro de 1942, desenrolou-se um combate entre submarinos alemães e navios da marinha de guerra britânica ao largo da ilha do Pico. Um submersível afundou-se em resultado do confronto, tendo sido encontrado 75 anos depois, a mais de 800 metros de profundidade.


Foram necessários quase 15 anos de trabalho para localizar os destroços, e só em 2016, com a ajuda de um avançado submersível científico, foi possível aos investigadores Joachim e Kristen Jackobens, da fundação Rebikoff Niggeler, confirmar a localização dos restos do U-581.


O U-boat fazia parte de uma pequena flotilha que esperava a saída do porto de da Horta de um navio transportando soldados, o Llangibby Castle,  danificado pelo torpedo de outro submarino dias antes. O transporte tinha sido atingido na popa a 16 de janeiro de 1942 e, sem leme, refugiara-se nos Açores, onde fez reparações e esperou por escoltas que o acompanhassem até Gibraltar.



O U-581 foi um dos três submarinos destacados para tentar afundá-lo, mas a presença de três navios de guerra da Marinha Real Britânica tornou-o num alvo e seria o HMS Westcott a fazer o ataque que o destruiu. Os tripulantes conseguiriam salvar-se.


Kirsten e Joachim Jakobsen, investigadores da fundação Rebikoff-Niggeler, só conseguiram verificar a posição dos destroços do submarino através do sonar do “LULA 1000”, um submersível tripulado capaz de mergulhar até 1000 metros de profundidade, usado para investigação a grandes profundidades.


( Cortesia á RTP )