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sábado, 7 de outubro de 2023

Erupção do Cinzeiro ilha de São Miguel Açores

 

Erupção do Cinzeiro, Ano do Cinzeiro ou simplesmente Cinzeiro, é o nome porque ficou conhecida a grande erupção do Vulcão das Furnas iniciada a 3 de Setembro de 1630.  Foi a maior das erupções registadas após a colonização dos Açores, do tipo pliniano, com grande explosividade, emitindo um gigantesco volume de pedra pomes e de material pomítico pulverizado para a atmosfera. A nuvem assim formada obscureceu o Sol por três dias e recobriu a ilha com uma camada de cinzas que nalgumas zonas distantes da erupção excedeu 1,5 m de espessura. A erupção atirou cinzas para a alta atmosfera que se depositaram na ilha das Flores, sita aproximadamente a 545 km para oeste. A camada de pedra pomes flutuante impedia a navegação nas proximidades da ilha. Causou algumas centenas de mortos. A erupção terminou a 2 de Novembro de 1630, isto é 61 dias depois do seu início.


Cento e sete anos andados, depois dos últimos e lastimosos incêndios e terremotos referidos, experimentaram os micaelenses outro tão cruel, que será por seu efeito por toda a Eternidade e duração das Ilhas sempre célebre e memorável nelas; e vem a ser o que hoje por antonomásia se diz o Ano da Cinza.

Sucedeu este na era de 1630, aos 2 de Setembro daquele ano. E sendo pelas nove para as dez horas da noite, começou toda a Ilha abalar-se com amiudados terremotos, sem embargo de que se sentiam mais forçosos em umas partes do que outras, em particular nas freguesias da Ponta Garça e Povoação, lugares grandes e de muito povo, nos quais não ficou casa nem domicilio que não caísse, sem que escapasse a desgraçada Vila Franca do Campo, onde caíram também bastante número de casas. Ali viram todos os moradores daqueles dois lugares com seus olhos desfazerem-se os montes, transmutados da terra que eram em fogo; e deste fogo que emanou deles se vejo a formar um rio que desembocou na costa da beira mar do lugar da Povoação com tal fúria, ímpeto e fortaleza, que entrou no mar deixando um cais do comprimento de noventa braças, sobre o qual se caminhava a pé enxuto. Venceu a imensidade da terra de que se compunham e formavam os serros, vales, e picos, que ante si levou o fogo, a imensidade das águas, sem que lhes valesse o alcantilado dos mares, que são os das costas destas Ilhas os mais altos que na Europa se acham.

Não parou aqui somente o efeito destes horríveis terremotos, em que verdadeiramente foi muito que à vista deles não estalassem todos; porque pelas duas horas depois da meia noite daquele dia infausto rebentou outro maior fogo ao pé de um Pico que se chama hoje o da Lagoa Seca, junto às Furnas de que tratei. Tenho por impossível o poder se explicar o sucesso miserável que resultou deste fatalíssimo incêndio; considere-se qual seria a causa do fogo, que teve por efeito secar uma lagoa que ocupava a circunferência de uma légua, e tão profunda que constava de vinte e cinco braças de altura? Considere-se o estrondo da oposição dos três elementos contrarias Terra, Água e Fogo. A Terra apetecendo o seu fixo, forçando ao centro. A Água com a sua profundidade carregando sobre a Terra. O Fogo buscando a sua esfera e aniquilando, como mais forte, a Terra e Água que se lhe opunham. Foi tão pasmosa a batalha guerreira destes elementos, que se ouviram os estrondos da sua peleja na Ilha Terceira, distante trinta léguas (nota: 200 km), como se fossem peças de artilharia e redondas cargas de mosquetes, e tanto assim que foram muitos da opinião ser encontro naval de duas armadas poderosas.

Proveio deste fogo uma espantosa nuvem obscura; a qual despedia de si quando elevada umas exalações que pareciam raios, outras ao modo de relâmpagos, outras enfim subindo ao ar, como se foguetes fossem. Procedeu dela uma ribeira (sendo que poderá chamar-se rio) que queimou, consumiu e desfez em cinza e carvão tudo quanto se lhe antepôs diante; especialmente umas grandes matas que se avizinhavam àquele Pico em que brotou o incêndio, nas quais havia algumas madeiras grossas e lenhas de consideração e umas e outras sem respeito da verdura, queimou com tanta actividade como se fossem os fragmentos mais áridos que se tiram com a plaina.


Colheu este incêndio os gados dos grandes rebanhos e numerosos currais que pastavam naqueles campos, os quais atemorizados do medo dos estrondos se recolheram a suas selvas, buscando acesso nas matas e grutas em que de inverno se abrigavam, ali arderam todos estes abrasados em fogo.



João Caetano Flores

 


Nasceu 9 de Setembro de 1930,  no lugar da Fajã dos Vimes, freguesia da Ribeira Seca, na ilha de São Jorge, e faleceu na Ribeira Chã  em 1998.  Filho de João Caetano dos Santos e de Francisca Elvira Flores, um casal de agricultores.


Matriculou-se em 1943 no Seminário Episcopal de Angra, celebrando ali a sua primeira missa a 22 de Maio de 1956. A 9 de Dezembro daquele ano foi colocado como cura do lugar da Ribeira Chã, na ilha de São Miguel, iniciando a sua carreira sacerdotal. Muito por sua influência, o curato de São José da Ribeira Quente, então dependente da paróquia de Água de Pau, seria elevado em 1966 a paróquia autónoma e pouco depois a freguesia civil.


Dotado de grande capacidade de liderança e trabalho,liderou em 1962 o processo que levaria à construção de uma nova igreja paroquial, encomendando um projecto, na altura considerado pouco convencional, ao arquitecto Eduardo Read Teixeira (1914-1996), no qual incluiu arte decorativa de Tomás Borba Vieira e Álvaro França. À construção da igreja seguiu-se o salão paroquial, inaugurado em 1965. Entre as suas iniciativas contam-se o Dispensário Materno-Infantil, instituição com um jardim-de-infância pioneiro na educação pré-escolar nosAçores, o Museu de Arte Sacra e Etnografia, a Casa Museu Maria dos Anjos Melo e o Quintal Etnográfico e de Endemismo Açórico.


O padre Flores é lembrado no toponímia e patrono da antiga escola básica da freguesia da Ribeira Chã, que ostentava o nome de EB1/JI Padre João Caetano Flores, estando neste momento convertida no Centro Comunitário Padre João Caetano Flores.



quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Forte de São João Evangelista ilha de Santa Maria Açores

 


O Forte de São João Evangelista localizava-se na praia Formosa, na freguesia da Almagreira, concelho da Vila do Porto,  na ilha de Santa Maria, nos Açores.


Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma bateria destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714) pode ser um dos dois redutos na baía da Praia sob a designação "O Forte (...), da Praya, e os dous Redutos." na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710".


FIGUEIREDO (1960) assim refere a baía da Praia e as suas fortificações em 1815: "a Bahia da Praia com um grande areal d'areia branca, vaza ali a ribeira dos Gatos e a da Praia que tem os quatro moinhos, e tem três castellos de que já se fez menção."  E complementa: "- O Forte de S. João também sito na Praia com duas peças de ferro."


A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 informa que se encontra arruinado.


Esta estrutura não chegou até aos nossos dias.



terça-feira, 3 de outubro de 2023

Eduardo Read Teixeira


 Eduardo Read Henriques Teixeira  nasceu em Ponta Delgada (São Sebastião), 28 de Fevereiro de 1914  e faleceu em  Lisboa (Campo Grande) a  3 de Março de 1992.  Foi um arquitecto açoriano que se notabilizou Formou-se em arquitectura na Escola de Belas-Artes de Lisboa.


Nos Açores, desenvolveu um conjunto diversificado de obras, com destaque para a Estação Agrária de Ponta Delgada (1942), o Tribunal de Ponta Delgada (1968) e a Igreja de São José da Ribeira Chã  (1967), todas na ilha de São Miguel. Também foi autor de algumas da mais notáveis casas de habitação construídas em São Miguel na primeira metade do século XX.


Na ilha do Faial, desenhou o extenso de empedrado artístico da Avenida Marginal e projectou o edifício do balneário das Termas do Varadouro, implantado junto à escarpa, com planta em U, correspondente ao modelo de divisão por sexos, em duas alas, e buvette centralpela introdução da arquitectura modernista nos Açores.



domingo, 1 de outubro de 2023

Ermida de Nossa Senhora do Monte ilha de Santa Maria Açores

 


Trata-se da ermida privativa de um solar onde, conforme era hábito na ilha, era feita a celebração dos ofícios religiosos em determinados dias. MONTEREY (1981) remonta esta ermida ao século XIX.


A ermida, sob a invocação de Nossa Senhora do Monte, integra uma antiga quinta, da qual ainda restam a habitação, edifícios anexos e vestígios de um "jardim de passeio" com uma imponente araucária.


Construída em alvenaria de pedra rebocada e pintada, apresenta de planta retangular adossada ao lado esquerdo do corpo da habitação.


A fachada encontra-se dividida em dois níveis por uma cornija e é rasgada por dois vãos ao centro: a portada, no nível térreo, e uma janela, no nível superior. Esta janela é de guilhotina de duas folhas, com ombreiras que se prolongam até à cornija intermédia onde assentam por meio de volutas. A fachada é rematada por uma cornija ondulada e quebrada, encimada por quatro pináculos nas quebras, de onde pendem duas faixas. Entre as faixas inscreve-se uma cartela com a inscrição "NSDM / 1819".



Internamente apresenta nave única e, sobre a entrada, um coro alto.


É acedida por três degraus em cantaria de pedra, em semicírculo. O adro, de planta quadrangular, é delimitado por um murete em alvenaria de pedra rebocada e caiada, com remate de cantaria.


A ermida apresenta o soco (saliente), os cunhais (apilastrados), as molduras dos vãos (de verga curva encimada por cornija), as cornijas, os pináculos, as faixas e a cartela, em cantaria.


As coberturas são de duas águas em telha de meia-cana tradicional, rematadas por beiral duplo (exceto na fachada principal).