Páginas

domingo, 1 de outubro de 2023

Ermida de Nossa Senhora do Monte ilha de Santa Maria Açores

 


Trata-se da ermida privativa de um solar onde, conforme era hábito na ilha, era feita a celebração dos ofícios religiosos em determinados dias. MONTEREY (1981) remonta esta ermida ao século XIX.


A ermida, sob a invocação de Nossa Senhora do Monte, integra uma antiga quinta, da qual ainda restam a habitação, edifícios anexos e vestígios de um "jardim de passeio" com uma imponente araucária.


Construída em alvenaria de pedra rebocada e pintada, apresenta de planta retangular adossada ao lado esquerdo do corpo da habitação.


A fachada encontra-se dividida em dois níveis por uma cornija e é rasgada por dois vãos ao centro: a portada, no nível térreo, e uma janela, no nível superior. Esta janela é de guilhotina de duas folhas, com ombreiras que se prolongam até à cornija intermédia onde assentam por meio de volutas. A fachada é rematada por uma cornija ondulada e quebrada, encimada por quatro pináculos nas quebras, de onde pendem duas faixas. Entre as faixas inscreve-se uma cartela com a inscrição "NSDM / 1819".



Internamente apresenta nave única e, sobre a entrada, um coro alto.


É acedida por três degraus em cantaria de pedra, em semicírculo. O adro, de planta quadrangular, é delimitado por um murete em alvenaria de pedra rebocada e caiada, com remate de cantaria.


A ermida apresenta o soco (saliente), os cunhais (apilastrados), as molduras dos vãos (de verga curva encimada por cornija), as cornijas, os pináculos, as faixas e a cartela, em cantaria.


As coberturas são de duas águas em telha de meia-cana tradicional, rematadas por beiral duplo (exceto na fachada principal).



sábado, 30 de setembro de 2023

O exílio nos Açores

 



António Feliciano de Castilho   Filho do Dr. José Feliciano de Castilho Barreto , médico da Real Câmara e lente de prima da Universidade de Coimbra, que depois emigraria para o Brasil, apenas regressando com D. João VI e de D. Domicília Máxima Doroteia e Silva Castilho.


Foi uma criança com dificuldades de saúde, incluindo sérios sintomas de tísica, as quais culminaram aos seis anos de idade com um ataque de sarampo que o deixou cego. Apesar de nessa altura já saber ler e escrever, a cegueira impediu-o durante toda a vida de escrever e ler, tendo de estudar ouvindo a leitura de textos e sendo obrigado a ditar toda a sua obra literária.


Aprendendo somente pelo que ouvia ou lhe diziam, Castilho conseguiu alcançar razoável erudição no latim e nas humanidades clássicas, o conhecimento superficial de algumas línguas e o conhecimento aprofundado da língua portuguesa, que lhe permitiu distinguir-se como poeta e prosador.


Sofrendo de crónicos problemas financeiros e desgostoso por ver a frieza com que fora acolhido em Portugal o seu Método Português, em 1847 partiu para os Açores, fixando-se em Ponta Delgada, cidade onde viveu até 1850.


Recebido em Ponta Delgada como um herói, rapidamente conquistou a simpatia da aristocracia local, em particular da próspera elite dos comerciantes da laranja. Vivia-se então na ilha de São Miguel um período de prosperidade económica, assente sobre a exportação de laranjas para Inglaterra, e de procura de novas culturas industriais que permitissem manter o forte sector de exportação de produtos agroalimentares que entretanto se criara.


Instalado em São Miguel, com o apoio de alguns magnatas locais, entre os quais José do Canto, Castilho dedicou-se à escrita e ao fomento cultural.


Nesse período, escreveu em Ponta Delgada o Estudo Histórico-Poético de Camões, enriquecido de curiosas notas, fundou uma tipografia, onde se imprimiu o jornal o Agricultor Michalense, a convite da Sociedade Promotora da Agricultura da ilha, que o tinha contratado. Castilho era o redactor principal, dedicando-se, para além da escrita, à realização de conferências que despertaram o amor de estudo.


Fundou a Sociedade dos Amigos das Letras e Artes, escreveu a Felicidade pela Agricultura, o Tratado de Mnemónica, o Tratado de metrificação, as Noções rudimentares para uso das escolas e traduziu os Colóquios aldeãos de Timon. "Os Colloquios aldeões de Timon : vertidos em vulgar. Ponta Delgada : Typ. Castilho, 1850" assim referenciados no catálogo da Biblioteca Nacional de Portugal, são a tradução de "Entretiens de village" (1843) do Vicomte de Cormenin (Louis Marie de Lahaye de Cormenin; 1788 - 1868), que assinava frequentemente sob o pseudónimo de Timon.


Tentou consolidar na ilha a tipografia e a gravura em madeira. Também compôs, para aplicar a poesia à música, e torná-la por isso mais atractiva, o Hymno do Trabalho, que se tornou muito popular, o Hymno dos Lavradores e o Hymno da Infância no Estudo .


Com o apoio das autarquias, por sua iniciativa criaram-se escolas gratuitas, umas de instrução primária, outras de instrução secundária e aí se ensaiou pela primeira vez a leitura repentina pelo Método Castilho.



quinta-feira, 28 de setembro de 2023

António Cordeiro

 


António Cordeiro Espinosa  nasceu em Angra do Heroísmo em 1641  e faleceu em Lisboa a  2 de Fevereiro de 1722.  Foi um sacerdote da Companhia de Jesus e historiador açoriano. Foi autor de uma das obras clássicas da historiografia açoriana - a Historia Insulana (Lisboa, 1717), tendo sido o primeiro a publicar uma opinião sobre a forma de governação do arquipélago.

Foi o sexto e último filho de António Cordeiro Moitoso e de sua esposa Maria Espinosa, aparentemente de origem graciosense.


Cursou os estudos elementares e as aulas de humanidades então existentes na cidade de Angra, destacando-se pelo seu brilhantismo, o que levou os pais, apesar de ser o filho mais novo, a abalançarem-se em o enviar para a Universidade de Coimbra, onde um irmão já cursava cânones.


Em 1656, com apenas quinze anos de idade, partiu para Lisboa, num navio que foi comboiado pela armada sob o comando do general António Teles de Menezes. Na aproximação à costa portuguesa, a armada foi obrigada a dar combate a uma esquadra de Espanhola, sendo desbaratada e ficando António Cordeiro, e seu irmão Pedro Cordeiro de Espinosa (mais tarde doutor em cânones, professor na Universidade de Coimbra e deão e comissário da Cruzada na Capitania da Bahia, no Brasil), prisioneiros dos Espanhóis.


Retidos a bordo da nau capitânia inimiga, dezassete dias depois assistiram a novo combate naval, desta vez entre Espanhóis e Ingleses, com a derrota dos primeiros, sendo a capitânia obrigada a arribar a Cádiz para reparação das avarias. Durante a estadia em Cádiz, António Cordeiro tentou uma fuga, sendo preso. Apelando da punição que lhe era dada, foi levado à presença do comandante supremo da força, António de la Cerda y Dávila, o 7.º duque de Medinaceli, o qual se impressionou pelo brilhantismo do jovem e lhe concedeu salvo-conduto para Portugal.

Contudo as atribulações do jovem Cordeiro não cessaram: ao atravessar o Algarve deparou-se com uma epidemia de peste, pelo que, ao chegar a Setúbal, foi detido e mantido em quarentena. Terminada esta, finalmente chegou a Coimbra e iniciou os seus estudos.


Estudou Filosofia no Colégio da Companhia de Jesus, onde conduziu os seus estudos com excecional brilho. Terminado o curso, a 12 de Junho de 1657 ingressou na Companhia e, pouco depois, no curso de Cânones da Universidade de Coimbra.



Terminou os seus estudos universitários em 1676, iniciando de imediato a sua carreira de Mestre da Companhia de Jesus, e de professor em Coimbra. Entre 1676 e 1680 lecionou Filosofia, e deste ano a 1696, Teologia Escolástica e Moral Teológica.


Em 1696 foi transferido para Braga, onde lecionou no Colégio da Companhia e na cúria primacial. De Braga partiu para o Colégio do Porto, onde permaneceu oito anos, e finalmente foi colocado no Colégio de Santo Antão, em Lisboa, onde permaneceu até ao fim de sua vida.


Para além do seu labor como professor da Companhia de Jesus, foi pregador afamado, percorrendo diversas dioceses integrado nas missões catequéticas e de reforma dos costumes organizadas pelos jesuítas. Missionou em Braga, Viseu, Pinhel, Torres Novas e muitas outras localidades.



Forte de Santo António Vila do Porto Judeu ilha Terceira

 

Foi uma das fortificações erguidas na Terceira no contexto da crise de sucessão de 1580 pelo então corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, conforme o plano de defesa da ilha elaborado por Tommaso Benedetto em 1567, após o ataque do corsário francês Pierre Bertrand de Montluc ao Funchal (outubro de 1566), intentado e repelido em Angra no mesmo ano (1566):


"Não havia naquele tempo [Crise de sucessão de 1580] em toda a costa da ilha Terceira alguma fortaleza, excepto aquela de S. Sebastião, posto que em todas as cortinas do sul se tivessem feito alguns redutos e estâncias, nos lugares mais susceptíveis de desembarque inimigo, conforme a indicação e plano do engenheiro Tomás Benedito, que nesta diligência andou desde o ano de 1567, depois que, no antecedente de 1566, os franceses, comandados pelo terrível pirata Caldeira, barbaramente haviam saqueado a ilha da Madeira, e intentado fazer o mesmo nesta ilha, donde parece que foram repelidos à força das nossas armas." 



A seu respeito, DRUMMOND registou: "Continuou-se o forte de Santo António no porto do Porto Judeu; (...)." E em nota, complementa: "Edificou-se este forte, que é um dos mais defensáveis, na propriedade do capitão do André Gato, e se lhe deu o nome do orago da freguesia."


No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714) encontra-se referido como "O Forte de Santo António." na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710".


Com a instalação da Capitania Geral dos Açores, o seu estado foi assim reportado em 1767:


"3° - Forte de Santo António de Porto Judeu. Precisa de porta nova, e a muralha principal que olha ao nascente, precisa ser feita de novo, porque se acha de pedra em secco, a qual he muito util para a sua defensa, tem tres peças de ferro capazes com os seus reparos bons e precisa mais hua, com o seu reparo. Precisa para se guarnecer quatro artilheiros e dezeseis auxiliares."



Encontra-se referido como "2. Forte de S.to Ant.º de Porto Judeu" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que lhe relata a ruína:

"Hade mister a caza da guarda feita de novo, o torrião, guarita, a muralha da parte do porto, hú tilheiro p.ª se recolher a Artelharia, e todo elle deve ser rachado, guarnecido, e rebocado, e o seu portão novo."

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) voltou a revestir-se de importância estratégica, constando o seu alçado e planta na "Colecção de Plantas e Alçados de 32 Fortalezas dos Açores, por Joze Rodrigo d'Almeida em 1830", atualmente no Gabinete de Estudos de Arquitetura e Engenharia Militar, em Lisboa.

A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 informa que "As muralhas e alojamentos carecem de pequenos consertos."


Quando do Tombo de 1881, foi encontrado abandonado, em relativo bom estado.

Ao final do século XX, com base em antigas plantas, a Junta de Freguesia projetava proceder à sua reconstrução e requalificação.[carece de fontes]

O forte situa-se junto do porto de pesca e ainda existem ruínas da muralha do lado sul.



terça-feira, 26 de setembro de 2023

Marcelo Correia

 


Marcelo Correia nasceu no dia 1 de Agosto de 1972, no Rio de Janeiro, Brasil.

Neto de terceirenses, naturais do Concelho de Angra do Heroísmo, é um fotógrafo que colabora, regularmente, com diversas publicações brasileiras, nomeadamente na realização de retratos e ensaios fotográficos.

As suas fotografias já publicadas nas páginas de revistas como a Lola, Elle, Trip, Cláudia, Quem, Gol, Vip, Veja, Época, PME, PEGN, Criativa, Sem Número, Men’s Health, entre outras. Marcelo Correa trabalha, também, com agências de design e publicidade, participando em projectos relacionados com livros e CD’s, entre os quais se encontram os discos de Luiz Melodia e Alceu Valença.


O projecto “Forró dos Sentidos”, uma documentação poética, valeu-lhe a Bolsa Vitae, tendo sido seleccionado entre os melhores portefólios apresentados no Fotorio 2003 e Fotoarte Brasília 2004. Em 2012, foi finalista do Prémio Conrado Wessel com o projecto “Até um outro amanhecer”.


Entre as várias exposições que já realizou, destaca-se a “Eu Ilha”, realizada em 2008, na ilha do Faial, Açores. Participou no Workshop “Gestos e Gentes do Carnaval Terceirense”, realizado em Fevereiro de 2006, pela Direcção Regional das Comunidades, na ilha Terceira.


Já participou em mais de uma dezena de exposições colectivas. Uma das suas imagens serviu de cartaz e material promocional do Estivales de Perpignan por ocasião do ano do Brasil em França, em 2005, e outra participou na Designmai, em Berlim, a convite do designer Felipe Taborda, em 2006.


É sócio fundador do Estúdio Fotográfico 1000 Palavras e ex-professor na escola Atelier da Imagem.