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domingo, 12 de dezembro de 2021

O primeiro uso registrado de uma árvore para celebrar o Natal foi em 1510



Civilizações antigas que habitaram os continentes europeu e asiático, no terceiro milênio antes de Cristo, já consideravam as árvores como um símbolo divino. Eles cultivavam-nas e realizavam festivais em seu favor. Essas crenças ligavam as árvores a entidades mitológicas e sua projeção vertical, desde as raízes fincadas no solo, marcava a simbólica aliança entre os céus e a mãe terra.

Nas vésperas do solstício de inverno, os povos pagãos da região dos países bálticos cortavam pinheiros, levavam para seus lares e os enfeitavam de forma muito semelhante à que se faz nos atuais dias.  Essa tradição passou aos povos Germânicos,  que colocavam presentes para as crianças sob o carvalho sagrado de Odin.

Uma das versões para a origem da tradição diz que no início do século VIII, o monge beneditino São Bonifácio tentou acabar com essa crença pagã que havia na Turíngia, para onde fora como missionário. Com um machado cortou um pinheiro sagrado, que os locais adoravam no alto de um monte, e como teve insucesso na erradicação da crença, decidiu associar o formato triangular do pinheiro à Santíssima Trindade e suas folhas resistentes e perenes à eternidade de Jesus. Nascia aí a Árvore de Natal.


O primeiro uso registrado de uma árvore para celebrar o Natal e o Ano Novo ocorreu em Riga, na Letónia, em 1510.  Acredita-se também que esta tradição começou em 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero. Certa noite, enquanto caminhava pela floresta, Lutero ficou impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve.  As estrelas do céu ajudaram a compor a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua casa. Além das estrelas, algodão e outros enfeites, como velas acesas para mostrar aos seus familiares a bela cena que havia presenciado na floresta.

Há outras versões, porém, segundo as quais a moderna árvore de Natal teria realmente surgido na Alemanha entre os séculos XVI e XVIII. Não se sabe exatamente em qual cidade ela tenha surgido. Durante o século XIX a prática foi levada para outros países europeus e para os Estados Unidos. Apenas no século XX essa tradição chegou à América Latina.



Atualmente essa tradição é comum a católicos, protestantes e ortodoxos.

O dia de montar as decorações natalinas varia em cada país.  Enquanto nos Estados Unidos se monta a árvore de Natal no Dia de Ação de Graças, no Brasil o dia certo para montar a árvore de Natal é no 4° domingo antes do Natal, dia que marca o início do Advento. Já em Portugal a tradição diz que deve ser montada a 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição. A festa cristã relata que no dia 6 de janeiro, em que se comemora o Dia de Reis, data que assinala a chegada dos Três Reis Magos a Belém, encerrando as festas do Natal, quando a árvore de Natal e demais decorações natalinas são desfeitas.


sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Recordar o Tony's Bar

 

António Pereira de Sousa Machado, nasceu a 10 de Dezembro de 1956 na freguesia das Fontinhas ilha Terceira. Era filho de João Pereira de Sousa e de Emelina Meneses Pereira. Tinha dois irmãos Daniel Sousa e Aurélia Sousa. Casou com Dora Maria Neto Machado Sousa da qual teve duas filhas: a   Renata Machado Sousa e  Mónica Machado Sousa.

António Pereira de Sousa Machado, destacou-se na ilha Terceira onde era bem conhecido pela sua simpatia  como empresário e empreendedor. Um grande homem de trabalho bem conhecido por todos. Trabalhou no Bambu, residencial Cruzeiro, antigo Caniço, Restaurante Beira mar como chefe de sala . Inaugurou a maior discoteca da ilha, a twin's com os irmãos Almeidas, sempre chefe de bar.

A 15 de Novembro de 1982  fundo o Tony's Bar na freguesia de São Bento.

A 31 de Outubro de 1995 com 33 anos  fundou a empresa de catering que ainda hoje é  gerida  pelas  suas  filhas.

Esta é uma homenagem a um homem que fez parte da nossa memória colectiva de grande carácter, simpatia e dedicação. Homem que recebia bem sempre com um sorriso no rosto.


Faleceu a 3 de Março de 2001 com 44 anos.




quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Fabrica de Chá do Porto Formoso do Engenheiro José António Pacheco



A Fábrica de Chá Porto Formoso localiza-se na freguesia de Porto Formoso, concelho da Ribeira Grande, na costa norte da ilha de São Miguel, nos Açores.


Foi fundada por Frederico Alexandre Borges Pacheco na década de 1920, tendo operado até à década de 1980, produzindo chá não apenas para o mercado nacional, mas também para exportação.

Em 1998 deu-se inicio à recuperação das suas instalações, actualmente associadas a uma componente museológica, como forma de compensar a sua pequena produção, limitada pelas características insulares. Desse modo, o visitante pode desfrutar de visitas guiadas às suas instalações, dentro do horário de funcionamento da fábrica.

A visita acompanha as diferentes fases da produção dos chás, iniciando-se pelo laboratório onde é feito o controlo da qualidade. Ao fim do percurso, é servido um chá numa sala recuperada segundo inspiração das cozinhas tradicionais da ilha de São Miguel, ou numa esplanada de onde se descortina ampla vista sobre as várias plantações de chá e a freguesia de Porto Formoso.


Todos os anos, na Primavera, na altura da apanha da folha para chá, aqui é recriada uma apanha das folhas com trajes típicos do século XIX.

O processo de produção de chá é regido por processos bastante antigos e rígidos, em que se pode dizer que a delicadeza para com a planta é a principal preocupação.

O período da apanha das folhas acontece por um espaço temporal que se estende entre os meses de Abril e Setembro, e isto para que seja numa época estival em que pelo facto de chover menos, também a planta cresce menos, o que confere ao chá uma melhor qualidade, tanto a nível da paladar como de taninos.

Após a apanha inicia-se um processo de transformação da folha, que passar pelo murchamento, a enrolagem, a oxidação e a secagem. Após concluído esse processo é que se inicia a selecção.

Desta selecção resultam três tipos de chá, conforme a qualidade das folhas que lhes deu origem. O chá tido por mais perfeito e forte é o denominado "Orange Pekoe", sendo obtido apenas do botão e da primeira folha do rebento. Essa denominação foi uma homenagem aos príncipes Neerlandeses da Casa de Orange, os primeiros no continente europeu a comercializar o chá. O segundo termo refere-se ao da língua chinesa que significa "jovem".



segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Ermida de Jesus, Maria, José ilha de Santa Maria Açores

 

A Ermida de Jesus, Maria, José localiza-se no extremo norte da praia de São Lourenço, na freguesia de Santa Bárbara, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.

Foi erguida em 1717 por iniciativa do padre Belchior Barreto,  que foi vigário de quase todas as freguesias da ilha, tendo entretanto se mantido mais tempo na de Santa Bárbara. Referido como de posses, entre elas contavam-se terras de vinha na fajã de São Lourenço.


A ermida remonta ao século XVIII, integrante do chamado "Solar Vermelho".  De acordo com o padre Jacinto Monteiro, o solar e a sua quinta pertenceram em tempos idos à família dos Sousa Coutinho, encontrando-se à época nas mãos da família Gago da Câmara.

Em alvenaria de pedra rebocada e caiada, apresenta planta retangular com a sacristia adossada à fachada lateral direita e uma construção de apoio.


A fachada é emoldurada por dois cunhais encimados por pináculos, um soco e uma cornija que acompanha e remata as águas do telhado, com uma cruz na cumeeira. A portada é emoldurada por pilastras e cornija dupla onde assentam pináculos laterais e um elemento decorativo/simbólico em relevo ao centro.

Do lado direito da fachada ergue-se um campanário, com sino, recuado em relação à fachada mas saliente em relação ao corpo da sacristia ao qual se adossa. Tem vão rematado em arco de volta perfeita, encimado por uma pequena cornija e está assente no prolongamento da cornija da fachada.


A cobertura é de duas águas, em telha de aba e canudo, rematada por beiral simples.


No interior destaca-se, no frontão do altar, um painel de azulejos em estilo barroco, representando três frades e três freiras de joelhos diante da Sagrada Família, juntamente com o Morgado Sousa Coutinho e sua esposa. Estes últimos trajam vestes de gala com cabeleiras empoadas à moda pombalina.


É acedida por uma rampa na antiga quinta. No cimo da rampa, um segundo portão dá acesso à parte mais privada da quinta e, à esquerda, a uma série de degraus que levam ao adro da ermida. Todo o muro de suporte da propriedade, situada numa plataforma elevada, é rebocado e pintado de almagre. No extremo esquerdo da plataforma, junto ao muro, está um mirante rústico, integrante da propriedade.




sábado, 4 de dezembro de 2021

O Senador João Joaquim André de Freitas nasceu na ilha das Flores Açores



João Joaquim André de Freitas  nasceu na Fajã Grande a  10 de agosto de 1860  e faleceu em  Lisboa a 22 de Junho de 1929.  Mais conhecido por Senador André de Freitas, foi um político e benemérito açoriano, de origem florentina. Iniciou a sua carreira política como deputado eleito pelo Partido Regenerador nas Cortes da Monarquia Constitucional, sendo ainda nomeado em 1908 para o cargo de Governador Civil do Distrito da Horta. Foi também secretário do Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, o que lhe permitiu um acesso directo ao mais influente ministério da época, solucionando por essa via grande número de problemas do seu círculo eleitoral. Figura prestigiada na sua terra natal e em todo o Distrito, manteve uma carreira política que sobreviveu à proclamação da República Portuguesa, reingressando na actividade parlamentar do novo regime, tendo conseguido ser eleito para o Senado da República. Parlamentar empenhado na resolução dos problemas concretos dos seus constituintes, apresentou múltiplas representações, recebendo em preito de reconhecimento grandes homenagens públicas. Ainda hoje é recordado na toponímia de múltiplas freguesias das ilhas que integraram o extinto Distrito Autónomo da Horta.´

Nasceu em família de poucos recursos, filho de Manuel Joaquim André de Freitas e de sua esposa, Maria de Jesus de Freitas, ambos da freguesia da Fajã Grande, no concelho das Lajes das Flores.

Concluídos os estudos primários na sua terra natal, partiu para Lisboa, onde ingressou como funcionário para o Ministério das Obras Públicas. Após várias promoções, atingiu o posto de Condutor de Obras Públicas (hoje correspondente ao cargo de Técnico Superior). Nessa qualidade realizou várias comissões nas colónias portuguesas e no estrangeiro, estando ligado ainda a várias obras nos Açores. Em 1889 foi nomeado Sub-delegado do Procurador Régio do Julgado Municipal de Avis.


Ingressou na actividade política ao ser eleito deputado pelo círculo uninominal da ilha do Pico, com o patrocínio do Partido Regenerador, para a 34.ª legislatura, em eleições gerais realizadas a 25 de Novembro de 1900, prestando juramento nas Cortes a 4 de Fevereiro de 1901. Integrado na Comissão de Obras Públicas, revelou-se um deputado muito participativo, com intervenções que incidiam sobre os problemas específicos dos Açores, com destaque para as questões relacionadas com o seu círculo.

Logo neste primeiro mandato parlamentar demonstrou um invulgar conhecimento da situação sócio-económica das ilhas, intervindo sobre as questões da fragmentação da propriedade na ilha do Pico e sobre a emigração para os Estados Unidos da América, então no seu auge e feita quase sempre à revelia das autoridades portuguesas, sempre preocupadas com a falta de mão-de-obra e com o aumento das jornas.

Outra área recorrente de intervenção foi a problemática das comunicações marítimas e das comunicações telegráficas entre as ilhas. Bom conhecedor destes sectores, apresentou logo em 1901 uma proposta destinada a reforçar a rede, então quase inexistente, de faróis nas costas das ilhas e de lançamento de um cabo submarino entre a ilha do Faial e a ilha das Flores, um desiderato ainda por cumprir.


Nas eleições gerais realizadas a 6 de Outubro de 1901, para a 35.ª legislatura (1901 a 1904), voltou a ser eleito, desta feita pelo círculo plurinominal da Horta, prestando juramento a 8 de Janeiro de 1902. Nesta legislatura manteve o seu estilo de intervenções, especializando-se em questões de obras públicas e comunicações nos Açores. Para além de manter as reivindicações sobre a necessidade de um cabo telegráfico submarino para o Grupo Ocidental, criticava severamente as deficientes ligações marítimas no arquipélago e a falta de estradas. Defendia a construção de um anel rodoviário litoral em todas as ilhas, única forma de facilitar as comunicações e melhorar o funcionamento do mercado interno de cada uma delas. Também defendeu a reforma do sistema tributário nos Açores, propondo mudanças na administração das alfândegas e apresentando um projecto de lei relativo à contribuição predial nos Açores. Outras áreas de intervenção foram as questões relativas ao pagamento dos funcionários públicos açorianos e a necessidade de reforçar o orçamento a tal destinado.

Voltou a ser eleito pelo círculo plurinominal da Horta nas eleições gerais de 26 de Junho de 1904, para a 36.ª legislatura, prestando juramento a 24 de Outubro desse ano. A legislatura foi dissolvida quase de imediato (a 24 de Dezembro de 1904), não sendo eleito nas eleições realizadas em Fevereiro imediato.


Com o regresso ao poder do Partido Regenerador em Março de 1906, pela mão do açoriano Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro, foi nomeado secretário do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, cargo de grande influência que lhe permitiu realizar muitas das propostas que anteriormente defendera.

Implantado o regime republicano no país, filiou-se na União Republicana liderada por Brito Camacho, sendo eleito para o Senado da República. Posteriormente, aderiu à União Liberal Republicana.

Após um interregno na vida política institucional, foi eleito para o Senado pelo círculo da Horta em 1919 e em 1921.

Foi autor de vários projectos de obras públicas, entre as quais melhoramentos em estradas, portos, fontanários, caminhos de penetração, criação de algumas escolas, construção do antigo Hospital Walter Bensaúde, da Santa Casa da Misericórdia da Horta, e do Farol dos Capelinhos.



quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Lília Cabral Cabral Bertolli Figueiredo descendente da ilha de São Miguel Açores



Lília Cabral Bertolli Figueiredo  nasceu em São Paulo, 13 de Julho de 1957  é uma actriz brasileira. Foi indicada duas vezes ao Prêmio Emmy Internacional de Melhor Actriz.

Lília é brasileira, filha de pai italiano (Gino Bertolli) e mãe portuguesa (Almedina Cabral, natural de São Miguel, Arquipélago dos Açores). Sua mãe faleceu quando Lília tinha por volta dos 20 anos de idade, antes de ela começar a actuar na TV, fato que lamenta bastante, já que esta nunca teve a oportunidade de vê-la trabalhar como actriz.

O seu primeiro casamento foi aos 29 anos de idade, com o cineasta João Henrique Jardim, matrimonio este que durou 7 anos. É casada desde 1994 com o economista Iwan Figueiredo, pai de sua única filha, Giulia, que nasceu quando Lília tinha 39 anos.
É formada pela Escola de Arte Dramática na turma de 1978, actuando nos espectáculos teatais Marat-Sade, Divinas Palavras, Estado de Sitio e o O Bordel.  Começou a sua carreira no teatro, com a peça Feliz Ano Velho, baseada num livro de Marcelo Rubens Paiva.  Estreou na televisão, em 1981, com a novela Os Adolescentes, escrita por Ivani Ribeiro e produzida pela Rede Bandeirantes. Em 1984, transferiu-se para a Rede Globo para atuar em Corpo a Corpo, de Gilberto Braga. Um fato curioso é que desde então não ficou um ano sequer fora da teleEm 1988, actuou em Vale Tudo, de Gilberto Braga e Aguinaldo Silva, no papel da secretária Aldeíde Candeias, que sofria nas mãos do patrão Marco Aurélio (Reginaldo Faria). Em 1989, viveu a beata Amorzinho no grande sucesso de Aguinaldo Silva Tieta. Em 1995, participou em História de Amor, como a neurótica Sheila, ex-esposa do médico e protagonista da história, Carlos (José Mayer). Depois, em 1997, participou em Anjo Mau, como Goreti, interpretou Verena na telenovela Meu Bem Querer e, em 1999, foi a mãe de Tati, protagonista da primeira temporada de Malhação.


Em 2000 actuou na novela Laços de Família, como Ingrid, mulher do interior que se muda para a cidade e morre num assalto. Em 2001, viveu Daphne em Estrela-Guia e, no ano seguinte, apareceu em Sabor da Paixão, como Edith. Em 2003, participou de Chocolate com Pimenta, como a vilã cómica Bárbara. Posteriormente, integrou o elenco de Começar de Novo, como Aída, dona de um famoso spa.  Em 2006, foi a antagonista de Páginas da Vida, por cuja actuação recebeu o Troféu Imprensa de melhor actriz daquele ano e foi também indicada ao Emmy Internacional de 2007, na categoria de melhor actriz. Contudo, perdeu a estatueta para a actriz francesa Muriel Robin, pela sua participação em Marie Besnard - The Poisoner. Em 2008, viveu Catarina, na novela A Favorita, de João Emanuel Carneiro. Em 2009 estreou o filme Divã, no qual interpretou a protagonista Mercedes. Posteriormente, viveu a ex-modelo Teresa, em Viver a Vida.  Em 2011 actuou em Fina Estampa, onde interpretou sua protagonista no horário nobre, Griselda Pereira "Pereirão".



quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

1° de Dezembro de 1640 – Restauração da Independência de Portugal

 

Bandeira azul e branca


Miguel Villas-Boas  ♔ |


Não fora o facto da ânsia de liberdade ir fazer eclodir, por fim, a revolta na capital, aquele dia 1 de Dezembro do ano de 1640, em tudo se assemelhava a um normal dia de Outono, pois a cidade de Lisboa acordara para o rame-rame habitual: os coches a rolarem com as senhoras da nobreza que se dirigiam para a missa, os operários das diversas guildas a desempenharem os seus mesteres, as tabernas com os habitués. Mas sentia-se o odor a mistério e a conspiração no ar! E os avisados, de quando em vez, desligavam-se da rotina dos seus afazeres e olhavam em volta procurando desenvolvimentos.

Assomaram então no Paço da Ribeira, como que surgidos de uma bruma que nem havia, o grupo patriótico dos 40 e tal Conjurados, entre eles, D. Antão de Almada - Conde de Avranches -, D. Miguel de Almeida – o de maior idade -, Francisco de Mello e seu irmão Jorge de Mello. Também, além de outros, António Saldanha, Pedro de Mendoça Furtado, Fernão Telles de Menezes, D. Manrique da Silva, Bernardim de Távora e o Dr. João Pinto Ribeiro.

Às 9h15m certas, invadiram o palácio da Duquesa e dominaram-lhe, facilmente a Guarda Alemã, subiram a escadaria e assomaram Francisco Soares de Albergaria e António Correia que perante a arrogante resistência foram despachados a chumbo; o Povo, que entretanto se juntara por passa a palavra e que desemborcara serpenteando de todos os lados, seguindo o Crucifixo do Padre Nicolau, ficou a aguardar no Terreiro do Paço o sinal de que a revolução tinha sido bem-sucedida, o que ocorreria com a defenestração de Miguel de Vasconcellos.

Miguel de Vasconcellos e Brito, Senhor do Morgado da Fonte Boa, era um oportunista político, tornando-se odiado pela nobreza e pelo povo por, sendo português, trair a sua Pátria e colaborar com a representante real servindo assim por interposta pessoa um Príncipe estrangeiro, Miguel de Vasconcellos seria a última e justa vítima da Restauração.

Aproximando-se o Natal do ano 1640, como a maioria dos castelhanos partira para Espanha, na capital portuguesa, ficaram a Duquesa de Mântua, a espanhola que, desde 1634, ocupava o cargo de Vice-Rei de Portugal, e o seu Secretário de Estado, o português Miguel de Vasconcellos e Brito. Margarida de Sabóia, Duquesa consorte de Mântua, era filha de Carlos Emanuel I, Duque de Sabóia e da Infanta Catarina Micaela de Espanha o que fazia dela neta materna de Felipe II – Felipe III de Espanha, o Rei-planeta - e prima direita de Felipe III – IV de Espanha. Esse parentesco fazia da Duquesa de Mântua um importante membro da família imperial dos Áustria ou Habsburgos, e por meio de uma aliança matrimonial casou com o futuro duque Francisco IV de Mântua e de Montferrat. Para esta nomeação na qual exerceu as funções de vice-rei de Portugal, em dependência do rei de Espanha, valeram-lhe as relações de parentesco real, mas, pela sua importância, devem ser reconhecidos os esforços de Diogo Soares, do Conselho de Portugal na capital espanhola, valido do Conde-Duque de Olivares e parente de Miguel de Vasconcellos que, em 1635, foi nomeado Secretário de Estado de Portugal, encarregando-se do governo do Reino. 


Após, penetrarem no palácio, os patrióticos Conjurados procuraram pelo insidioso traidor, mas do secretário de estado nem sinal. E por mais voltas que dessem, não encontravam Miguel de Vasconcellos. Já tinham percorrido os salões, os gabinetes de trabalho, os aposentos do ministro, e nenhum sinal da criatura.

Ora acontece que Miguel de Vasconcellos, espantadiço, quando se apercebeu que não podia fugir, encolhera-se num armário fechado por dentro, com uma arma em riste. Mas o tamanho do armário era diminuto e o fugitivo, ao tentar posição mais confortável, remexeu-se lá dentro, restolhando a papelada lá guardada, denunciando-se. Foi quanto bastou para os Conjurados patriotas rebentarem a porta e o crivarem de balas. Era hora de dar o sinal ao Povo atirando o traidor pela janela fora!


Ainda antes, os Conjurados proclamaram “Rei” Dom João II de Bragança, aos gritos de:


"Liberdade! Liberdade! Viva El-Rei Dom João IV!”


Depois de D. Miguel de Almeida gritar à janela do Paço Real, “o Duque de Bragança é o nosso legítimo Rei!”, ocorreu, então, a célebre defenestração sendo o corpo de Miguel de Vasconcellos arremessado pela janela, caindo, ressupino, no meio de uma multidão enfurecida que acicatou sobre o cadáver todo o ódio acumulado por 60 anos de ocupação, cometendo verdadeiras atrocidades. Depois de ofendido pela turba justiceira, o destroço - que outrora constituiu um corpo - foi deixado in loco na marca da queda para ser desgastado e corroído pelos cães - sinal da mais genuína profanação e destino merecido por todos os traidores da Pátria.


A Duquesa de Mântua, abandonada pela guarnição castelhana, tentou, em vão, aplacar os ânimos do povo amotinado na Praça. Terá sido neste transe que, diante dos Conjurados, tentando assomar à janela do Paço para pedir a lealdade do povo, D. Carlos de Noronha, um dos líderes da sublevação, lhe terá remetido a frase:


"Se Vossa Alteza não quiser sair por aquela porta, terá que sair pela janela...".

Temendo o mesmo destino, o de ser defenestrada como Miguel de Vasconcellos e Brito, isolada e sem apoios locais, a Duquesa, foi aprisionada nos seus aposentos.


Eram 9h30m do 1.º de Dezembro de 1640 e a Revolução, que pôs fim ao domínio castelhano de seis décadas, durou um curtíssimo quarto de hora e foi imediatamente apoiada por muitas comunidades urbanas e concelhos rurais em todo o país.


A 6 de Dezembro, D. João II, Duque de Bragança, desembarcaria na Casa da Índia e, como um César vitorioso, entraria triunfante, em Lisboa, para o seu desfile perante a ovação e os “Vivas!” de todos.


Viv’á Restauração! Viv’ó 1.° de Dezembro! Viva Portugal Independente!


Cortesia a Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica