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terça-feira, 28 de setembro de 2021

Solar dos Tiagos na ilha de São Jorge Açores

 


O Solar dos Tiagos edificado na localidade de Vila do Topo, concelho da Calheta, ilha de São Jorge, arquipélago dos Açores, e trata-se de um imóvel oitocentista classificado como de interesse público.


Este solar foi um dos mais característicos exemplares da arquitectura senhorial da ilha de São Jorge. Segundo os historiadores este edifício foi construído pelo último capitão-mor do Topo, Tiago Gregório Homem da Costa Noronha parente próximo do 7.º Capitão Mór do Topo, António da Silveira Ávila, nos meados do século XVIII finais do século XIX.


Esta construção apresentava-se edificada em sólidas cantarias e era dotada, além da habitação propriamente dita, de uma quinta anexa e uma capela. Atualmente encontra-se em ruínas e a aguardar o respetivo restauro.

Na capela anexa ao solar e bastante mais antiga que este, encontra-se sepultado o aventuroso flamengo, Willem van der Haegen ou Willem De Kersemakere, que ficou conhecido na História dos Açores como Guilherme da Silveira, e que é hoje o tronco da numerosa família Silveira de São Jorge.


Tiago Gregório Homem da Costa Noronha, de seu nome completo,  nasceu na Sé, Angra do Heroísmo, ilha Terceira, 8 de Julho de 1799  e faleceu no  Topo, ilha de São Jorge, 20 de Fevereiro de 1885.  Foi um político e militar português provinha de antigas famílias com origem nobre da cidade de Angra do Heroísmo. Foi capitão do Exército português.

Foi filho de Pedro Homem Pimentel de Noronha casado com D. Ana Vitorina Narciso Machado e Ávila.

Casou com D. Rosa Vicência de Simas  ( 30 de Março de 1755 - 15 de Setembro de 1831) de quem teve:


José Augusto Homem de Noronha, (Topo, ilha de São Jorge, Açores, Portugal, 1827 – 8 de Março de 1893 Topo, ilha de São Jorge, Açores, Portugal) e que foi casado com D. Maria Josefa da Silveira Moniz.



domingo, 26 de setembro de 2021

O Ilhéu de São Lourenço, também conhecido como Ilhéu do Romeiro na ilha de Santa Maria Açores




O ilhéu encontra-se indicado no "Mapa dos Açores" (Luís Teixeira, c. 1584) como "Ysle de Martin Vaz".


Encontra-se referido por Gaspar Frutuoso, que registou:


"Chama-se o ilhéu e porto do Romeiro, porque em cima, nas terras feitas ao sul deles, morou um homem honrado e antigo, chamado Francisco Romeiro, muito abastado, cuja casa era de todos, e tinha  a graça de curar quaisquer feridas e desmanchos de braços e pernas, não somente de graça, mas pondo todo o necessário em qualquer cura, que fazia à sua custa, para ser  a  graça perfeita. Junto das quais casas, à borda da rocha, está uma fonte muito grande, que se chama a Fonte Clara. E da ponta de Álvaro Pires até este ilhéu será uma légua.

O qual ilhéu do Romeiro é de pedra, da feição de um coruchéu, e com vento Sul e outros ventos do mar tormentosos se acolhem a ele muitos navios, o qual terá em cima dez alqueires de terra de erva e alguma rama curta e pouca, onde se criam e tomam muitas cagarras que dão graxa e pena para cabeçais. E porque é este ilhéu dos comendadores, não podem ir a ele, nem aos outros, a fazer esta caça, sem sua licença ou dos feitores.



Tem este ilhéu uma furna tão comprida, que parece chegar donde começa a outra parte dele, mas não tem mais de uma boca, maior que um portal de qualquer igreja grande, cuja entrada é mais alta que três lanças. Tem esta furna muitos caminhos e furnas com retretes, e toda é de penedia mui áspera, que está como engessada ou grudada, de uma pedra de água, que faz das gotas de água que de cima está  estilando e se coalha como cera e congela como vidro e fica no ar dependurada, como regelo ou neve que cai, onde a há, das beiras dos telhados, ou como tochas e círios de cera derretida, que se vai pondo em camadas e coalhando; e assim são algumas tão compridas, que chegam abaixo, e outras ficam no ar dependuradas, mas pegadas em cima, fazendo-se brancas depois de coalhadas, como pedra de alabastro.


Na entrada desta furna está uma lagem, a logares não muito chã, que está alastrada da dita pedra de água, da mesma maneira da rinhoada   de um boi muito gordo e da própria cor sanguentada, que vê-la sem a tocar, não se julga por menos; aqui chega o Sol com seus raios alguma parte do dia, por onde parece que tem outra cor, diferente da de dentro, sombria. Parece casa de cirieiro, com as muitas tochas, círios, candeias, da cor da cera, não muito branca, algumas das quais estão pegadas no alto, dependuradas para baixo e as gotas de água na ponta. E onde cai aquela gota, na lagem, de baixo se faz e alevanta outra tocha ou candeia, como a de cima, ficando parecendo aquela furna uma grande e fera boca aberta de baleia, bem povoada de alvos dentes em ambos os queixos, debaixo e de cima; quebrando os quais dentes ou tochas e círios e candeias, lhe vêm as camadas de água coalhada, feita pedra, como as da cera de um círio.



Outros não são como tochas, círios, candeias, nem dentes, senão como pedaços de pau grosso; outros à feição de gamelas; outros, em lugares, feitos à maneira de oratórios, com seus círios postos e castiçais; em outras partes coscorões, mas são sobre o teso, que se não devem mastigar muito bem; em outra parte confeitos, feitos de gotas de água, que de cima cai, e depois se tornam pedras, que os parecem, e que à vista não diferem deles coisa alguma, se não que devem de trincar muito no dente, pois são tornados pedra, com que também fica parecendo aquela furna casa de confeiteiro.



sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Igreja da Misericórdia na cidade de Angra do Heroísmo




O primeiro capitão do donatário de Angra, João Vaz Corte-Real, e demais confrades da irmandade do Espírito Santo instituíram por compromisso, a 15 de Março de 1492, na então vila de Angra, o primeiro hospital dos Açores. Destinava-se não apenas ao tratamento dos pobres e desvalidos, mas também dos enfermos enfraquecidos pelas longas viagens marítimas.

Situava-se na Ermida de Santo Espírito, vizinha à atual Igreja da Misericórdia, junto aos portões do mar no Pátio da Alfândega, que comunicavam com o cais por uma pequena rampa.


Pouco depois, em 1498, a confraria foi absorvida pela Casa da Misericórdia que, no compromisso fundacional tinha tinha consignada a construção de uma pequena igreja, adaptada à morfologia das ruas Direita e de Santo Espírito. O templo assim erguido apresentava fachada de três portas, encimadas por um óculo, voltada para a rua Direita, numa orientação Ocidente-Oriente, com largura maior do que o comprimento. Comunicava-se com o hospital por um passadiço elevado sobre a rua de Santo Espírito, detalhes que podem ser confirmados pela observação da carta de Jan Huygen van Linschoten (1595).

O atual templo data do século XVIII, tendo a sua pedra fundamental sido lançada em 21 de Outubro de 1728, pelo Bispo de Angra, D. Manuel Álvares da Costa. As obras prolongaram-se por quase duas décadas, sendo consagrada em 4 de Junho de 1746, pelo Vigário-geral Manuel dos Santos Rolim (SANTOS, 1904).


No século XVIII esta igreja abrigava a Ordem de Nossa Senhora do Carmo, com a respectiva imagem, em virtude de contrato firmado em 22 de Fevereiro de 1766 com a Mesa da Misericórdia. A 17 de Março de 1804, esta foi transferida para a Igreja do Colégio de Angra, após despacho favorável da Junta da Fazenda, na pessoa do general conde de Almada, datado de 12 do mesmo mês, e concessão do bispo D. José Pegado de Azevedo (SANTOS, 1904).

No século XIX transferiu-se o hospital para o Convento das Concepcionistas, à Guarita.

O templo pertence atualmente à Santa Casa de Misericórdia de Angra do Heroísmo.



quinta-feira, 23 de setembro de 2021

A primeira assistência médica na ilha do Faial Açores foi no século XVI

 


A primeira assistência médica organizada da ilha Faial terá aparecido na primeira ou segunda década do século XVI com o estabelecimento da Santa Casa da Misericórdia na então Vila da Horta.


Desconhecido o registo documental da abertura do hospital, é suposto ter ocorrido após o ano de 1528, data da abertura ao culto da Igreja da Misericórdia, situada na atual rua D. Pedro IV, seguindo-se nas traseiras desta o edifício do hospital, do lado norte da atual travessa da Misericórdia até à rua Serpa Pinto.


A  Santa Casa da Mesiricordia  foi fundada no início do século XVI, poucas décadas depois do início do povoamento da ilha e da criação da vila da Horta. Na Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça (Horta) existe o arquivo histórico desta instituição, contendo documentos que remontam às primeiras décadas de Quinhentos e que são os mais antigos existentes na ilha.



terça-feira, 21 de setembro de 2021

O primeiro visconde de Agualva ilha Terceira Açores

 

Jacinto Carlos da Silva.  Nasceu  em Angra do Heroísmo, 16 de Setembro de 1872  e  faleceu em  Angra do Heroísmo em 28 de Janeiro de 19 , 1º visconde de Agualva, foi um grande comerciante, capitalista, político e fidalgo açoriano. Foi, entre outras funções, Governador-Civil do Distrito de Angra do Heroísmo e Presidente da Câmara Municipal daquela cidade. Era primo direito de Jacinto Cândido da Silva, um importante político dos anos finais da monarquia constitucional portuguesa.

Jacinto Carlos da Silva foi filho do comerciante e capitalista João Carlos da Silva e de sua mulher Francisca Amélia da Silva. João Carlos da Silva, de origens humildes, foi um dos mais ricos comerciantes angrenses, dono de um vasto empório que ia da agricultura ao agenciamento de navios, entre os quais os da linha de vapores portugueses para Nova Iorque e New Bedford, e aos negócios de importação e exportação. Ao enriquecer adquiriu o faustoso e prestigioso imóvel da Rua Direita de Angra, que antes fora de Aniceto António dos Santos e que albergara o conde de Vila Flor durante as Lutas Liberais. Na altura já se encontrava inserido na melhor sociedade angrense.

Num percurso de mobilidade social típico da época, estribando-se na ascensão social de seu pai, Jacinto Carlos da Silva casou com Margarida Sieuve de Menezes do Rego Botelho de Faria, o que o ligou às mais importantes e aristocráticas famílias da ilha, legitimando assim a ascensão social obtida pelo enriquecimento. A esposa era filha de umas das famílias da mais abastada fidalguia de Angra: o seu pai era então o mais rico proprietário da ilha Terceira, recentemente agraciado com o título de conde de Rego Botelho.




segunda-feira, 20 de setembro de 2021

O beato Açoriano que foi assassinado no Japão

 


João Baptista Machado, Angra, 1582 — Omura, Japão, 22 de maio de 1617. É um beato da Igreja Católica Romana, padroeiro principal da Diocese de Angra.  Ordenado sacerdote em Goa, foi um dos missionário da Companhia de Jesus enviados para o Japão, onde foi detido e executado durante a perseguição ao cristianismo desencadeada na década de 1610 naquele país. Foi beatificado pelo papa Pio IX em 1867, decorrendo actualmente o seu processo de canonização. Apesar do culto popular que existiu em torno da figura da venerável Margarida de Chaves, conhecida nos Açores como "santa" Margarida de Chaves, João Baptista Machado é até agora o único açoriano que mereceu as honras dos altares, embora apenas como beato.


Nasceu na cidade de Angra, numa casa situada nas imediações do actual Largo Prior do Crato (posteriormente incorporada no Colégio da Companhia de Jesus de Angra), filho de Cristóvão Vieira e de Maria Cota da Malha, uma família rica ligada à mais antiga e distinta aristocracia da ilha Terceira, descendendo da família dos Canto e Faria Maia. Foi baptizado na Sé de Angra, em 1580,  cuja escola frequentou até aos 15 anos, idade com que partiu para Lisboa, seguindo depois para Coimbra.

À morte do pai, desistiu de todos os seus bens em favor de sua mãe, fez legados pios e lembrou-se de amigos. Foi admitido no Colégio da Companhia de Jesus de Coimbra a 10 de Abril de 1597, contando então apenas 16 anos de idade, onde iniciou o noviciado. Concluídos os estudos e tendo ali professado, partiu para a Índia em 1601, com outros 15 companheiros jesuítas.

No Oriente continuou a frequentar os estudos dos colégios da Companhia, tendo estudado Filosofia em Goa e Teologia em Macau, sendo ordenado sacerdote em Goa. Depois de ordenado, autorizaram-no a ir para as missões do Japão.

Deixou Goa como missionário destinado ao Japão em 1609, quando já ordens do shōgun , ."comandante do exército") Tokugawa Ieyasu  , Tokugawa Ieyasu) determinavam que os missionários cristãos deveriam abandonar o território nipónico.


Resolveu permanecer no Japão após ter recebido em 1614 ordem imperial para abandonar as ilhas.  Passou, então, a missionar na clandestinidade, trabalhando, disfarçado, para acudir às necessidades espirituais das comunidades cristãs japonesas existentes no sul do arquipélago. Em abril de 1617 foi descoberto e detido quando confessava um grupo de cristãos.

Foi levado para a cidade de Omura, nos arredores de Nagasaki, e encarcerado na prisão de Cori (hoje Kori, norte de Omura),  onde partilhou o cárcere com o franciscano frei Pedro da Assunção, superior do Convento de Nagasaki. Foi executado por decapitação a 22 de maio de 1617, no monte Obituri, juntamente com cerca de 100 cristãos de várias congregações. Por coincidência, aquele dia era o Domingo da Santíssima Trindade, nos seus Açores Natais, dia do Segundo Bodo do ano de 1617. Com ele foi executado o franciscano português frei Pedro da Assunção. Rezam as crónicas que aceitou com serenidade a morte, considerando-a um martírio. Tinha então 37 anos de idade, estando há 20 anos na Companhia de Jesus, há 16 anos no Oriente e há 8 anos no Japão.



sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Carlos Nascimento da ilha do Corvo Açores foi o primeiro editor a trabalhar com o poeta chileno Pablo Neruda




Manuel Carlos George Nascimento (Carlos Nascimento) nasceu na ilha do Corvo no dia 18 de Abril de 1885. Depois de passar toda a infância na ilha, em 1905, com 20 anos de idade, mudou-se para o Chile para trabalhar com Juan Nascimento, seu tio, na sua livraria. Em 1917, após a morte de Juan Nascimento, recebeu como herança parte da livraria. Adquiriu as restantes partes do negócio e tornou-se no único proprietário da livraria. A impressão da segunda edição do livro “Geografia Elemental”, de Luís Caviedes, foi a primeiro trabalho que a Editorial Nascimento realizou. Em 1923 criou a sua própria editora.

Carlos Nascimento foi o primeiro editor a trabalhar com o poeta chileno Pablo Neruda, Nobel da Literatura em 1971, na sua obra “Crepusculário”, a primeira do poeta, em 1923.



A sua editora, extinta em 1986, publicou mais de 5 mil títulos, entre eles a série autobiográfica “Quién es Quién en las letras chilenas?”, um ciclo de conferencias realizadas pela “Agrupación de Amigos del Libro”, entre 1976 e 1985, onde cada um dos escritores convidados, grandes nomes da literatura chilena, realizava uma autobiografia.

Carlos Nascimento faleceu no dia 12 de Janeiro de 1966.