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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Brianda Pereira


Brianda Pereira  nasceu no Porto Judeu, c. 1550 — Jurisdição do extinto Concelho da Vila de São Sebastião, c. 1620 foi uma mulher açoriana elevada pela historiografia da Batalha da Salga e dos acontecimentos que a rodearam ao papel de heroína da resistência da ilha Terceira contra Filipe II de Espanha.

Brianda Pereira nasceu provavelmente na cidade de Angra ou alternativamente no Porto Judeu então Concelho da da Vila de São Sebastião, conforme a tradição popular, filha de Álvaro Anes de Alenquer e de Maria Pereira de Sousa. O pai foi juiz ordinário da Câmara de Angra em 1553 e descendia de Pero Anes de Alenquer, um dos primeiros colonos da ilha Terceira e, tal como a mãe, tinha ascendentes nobres.

Casou com Bartolomeu Lourenço, indo residir para o vale da Salga, na zona litoral do Porto Judeu na Jurisdição do extinto Concelho da vila de São Sebastião, onde o casal era dono de terras e tinha uma abastada casa agrícola. Residiam nesse local quando a 25 de Julho de 1581, no contexto da luta entre partidários de Filipe II de Espanha e de D. António I de Portugal, se travou na baía da Salga, em cuja arriba se situava a casa do casal, a batalha da Salga.
A batalha iniciou-se pelo desembarque de uma força espanhola que de imediato incendiou as searas e as casas existentes nas imediações, entre as quais muito provavelmente a de Brianda Pereira, aprisionando os homens que encontrou. Entre os prisioneiros figurava Bartolomeu Lourenço, que se encontraria ferido.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

João de Ávila (cavaleiro)

 

João de Ávila  nasceu em Angra do  Heroísmo a 26 de Abril de 1596  e faleceu em  Angra a 18 de Junho de 1684. Foi um militar, capitão de ordenanças de Angra e cavaleiro da Ordem de Cristo, feitor da alfândega de Angra, lugar que desempenhou brilhantemente, como o comprovam vários documentos, entre os quais existe uma carta da rainha regente. Foi exonerado deste cargo, a seu pedido, em 21 de Janeiro de 1666.

Foi-lhe concedida a mercê do foro de fidalgo, por alvará de 15 de Junho de 1665. Neste alvará estão minuciosamente relatados os memoráveis serviços deste conhecido terceirense, que honrou a pátria, com risco de morte e valioso sacrifício de muitos dos seus bens. Teve carta de brasão de armas datada de 10 de Junho de 1647.


Em 1665 instituiu a Ermida de São João de Deus, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira e também a ermida de Santo Isidro. Foi padroeiro do convento de Santo António dos Capuchos de Angra do Heroísmo, cuja primeira pedra da igreja desse mesmo convento foi lançada em 9 de Março de 1643.

Faleceu com 88 anos, e jaz sepultado no seu jazigo, sob a capela-mor do referido convento


quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Cais da Alfândega na cidade de Angra do Heroísmo ilha Terceira Açores

 

O antigo Cais da Alfândega localiza-se na parte Norte da baía de Angra do Heroísmo, na freguesia da Sé, em pleno centro histórico da cidade e Concelho de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, nos Açores.

Constitui-se no mais antigo cais da cidade de Angra, estabelecido pouco depois da chegada dos

primeiros povoadores, eventualmente por volta de 1470 ou 1500, altura em que foram promovidas grandes obras por determinação de Álvaro Martins Homem.

O cais dava comunicação directa com as Portas da Cidade, via Pátio da Alfândega, o Hospital da Misericórdia (na Rua de Santo Espírito, e o edifício da Alfândega, onde eram registados e armazenados produtos e mercadorias.

Aqui aportavam as embarcações em trânsito de, e para, o Ultramar carregadas com mercadorias e variedade de riquezas.

A imagem mais antiga que se conhece mostra o cais e a principal porta da cidade, cerca de 1590.

O ancoradouro ficava junto à costa do Monte Brasil, a reparação naval era feita na "ribeira"' com acesso pela Rua de São João e, fortificada, vê-se uma porta conduzindo à Rua Direita e à cidade, ficando a nascente as bicas de água de abastecimento aos navios.

Dos 100 anos antecedentes conhece-se pouco. Primeiro foi só um cais, depois a porta que teve, sobretudo, funções de garantia de cobrança dos direitos da alfândega. Esta porta foi fortificada, se bem que a grande protecção fosse dada, desde meados do século XVI, pelas fortificações á entrada da baía:

Forte de São Sebastião a nascente, O Forte de São Benedito e logo depois o Forte de Santo António, a poente, mandadas fazer por recomendação do Provedor das Armadas Pero Anes do Canto.

Cerca de 1610 fizeram-se grandes reparações. A porta enobreceu-se e tudo se tornou conforme aos grandes negócios que faziam da cidade a universal escala do mar do poente.

O pátio da Alfândega, rodeando por nascente e sul por edifícios, favorecia os comerciantes que, de cima da muralha podiam ver as mercadorias em baixo no Cais da Alfandega, que era mais baixo e com outra configuração.

Esta porta durou cerca de 250 anos da vida, pois, em 1 de Novembro de 1755 o maremoto originado pelo terramoto de Lisboa, ao passar pela Baía de Angra do Heroísmo, passou acima da porta do mar e chegou à Praça Velha. No retorno arrastou consigo as estruturas da porta.

Criada a Capitania Geral dos Açores em 1766, por decreto de el-rei D. José I de Portugal e chegado a Angra o primeiro capitão-General, D. Antão de Almada, logo manda que o sargento-mor João António Júdice tire o plano de reedificação do cais, aproveitando-se o que pudesse conservar-se.

Data dessa época a segunda grande modificação da relação de Angra com o mar, ditando o aspecto geral até hoje. Assim, já entre o barroco e o neo-clássico, surge um pátio amplo, ao nível da Rua Direita, ligado ao cais por duas largas escadarias em ferradura, rematadas em cima por duas portas com arcos de pedra. Em fundo a Igreja da Misericórdia datando de 1746.

As bicas de abastecimento dos barcos foram transferidas para um chafariz de duplas pilastra laterais, ao centro das escadarias.

A guarda ainda se mantinha, sempre mais por razões administrativas que de defesa, e a porta de acesso de viaturas ficou em frente á Rua de Santo Espírito. O cais recebe novo revestimento sendo elevado e alargado.

A porta do mar, as casas da guarda e tudo o que fizera aquele lugar é enterrado debaixo do entulho destinado a apoiar a nova obra.

Posteriormete, no século XIX, chegou a receber embarcações a vapor embora estas, muitas vezes, tivessem de permanecer mais afastadas do porto devido à já então fraca profundidade das suas águas, causado pelo assoreamento da baía.

Aqui pisou pela primeira vez território açoriano, a 3 de Março de 1832, Pedro IV de Portugal.

Durante os anos de oitocentos uma estrada é construída junto à rocha no intuito de ligar, por baixo, as diversas portas de acesso antigo ao mar e criar um "passeio público", para quem deseje gozar a frescura do ar marítimo.

Nos finais do século XIX o pátio já é outro, as arcadas desapareceram e o cais conserva ainda dois níveis.

O chafariz ao centro fora substituído por outro, encimado por frontão triangular.

A partir de 1930 o cais, nivelado, perde pouco a pouco o seu uso tradicional, ficando reservado ao movimento das lanchas de passageiros entre os navios ancorados e terra.

A água de abastecimento aos barcos, que ali correra desde os primórdios, é fechada.

Em Dezembro de 1996, no âmbito das obras de remodelação do sistema de recolha das águas residuais da cidade, foram identificadas antigas infra-estruturas da primitiva cidade de Angra, como por exemplo os vestígios de uma fortificação abaluartada, os de uma complexa rede de águas e esgotos e três níveis de escadarias e de pátios, soterrados pela acumulação de materiais ao longo de cinco séculos.


domingo, 9 de agosto de 2020

O navegador Português que morreu na cidade de Angra do Heroísmo ilha Terceira Açores

 



Paulo da Gama  nasceu em Olivença, c. 1465  e  faleceu em  Angra do Heroísmo ilha Terceira Açores em Junho de 1499. Foi um navegador português.

Irmão mais velho de Vasco da Gama, comandou a nau São Rafael quando acompanhava o seu mais novo irmão na descoberta do caminho marítimo para a Índia, mas veio a morrer no fim da viagem de regresso e foi sepultado na ilha Terceira, nos Açores, na Igreja de Nossa Senhora da Guia do Convento de São Francisco de Angra do Heroísmo.

Viveu na Quinta da Fidalga ou no Vale do Grou em Arrentela, em frente da Baía do Seixal, o que lhe terá permitido assistir à construção de caravelas.

A nau São Rafael, sob o comando de Paulo da Gama, foi queimada na viagem de regresso, por não se encontrar em condições de navegabilidade.


A nau São Rafael foi construída pelo mesmo estaleiro e ao mesmo tempo para o mesmo fim da nau São Gabriel e as suas dimensões eram semelhantes.

Durante a primeira viagem à índia Paulo da Gama, irmão de Vasco da Gama, foi o capitão, faziam parte da tripulação João de Coimbra o piloto, e João de Sá o escrivão.

A nau São Rafael foi queimada ao largo de Mombaça, no local que ficou conhecido por baixos de São Rafael.


quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Região Autónoma dos Açores


Após o 25 de Novembro de 1975, acção militar que pôs fim à influência da esquerda militar radical no
período revolucionário (PREC) iniciado após a revolução do 25 de Abril de 1974. A Constituição da
República Portuguesa (CRP) de 1976, aprovada a 2 de Abril, concedeu aos Açores o estatuto de Região
Autónoma, dotada de personalidade jurídica de direito público. São extintos formalmente os distritos
administrativos de Ponta Delgada, de Angra do Heroísmo e da Horta.


A autonomia política administrativa se fundamenta nas suas características geográficas, económicas,
sociais, culturais e nas históricas aspirações autonomistas dos açorianos. Não afecta a integridade da
soberania do Estado - que é um Estado Unitário - e se exerce no quadro da Constituição da República
Portuguesa. Do ponto de vista histórico e cultural, foi a Diocese de Angra que ajudou a traçar o conceito
de unidade açoriana até aos nossos dias. A alternância política na Região entre o socialismo (PS) e a
social-democracia (PSD) marcam os 35 anos do regime democrático. Nas eleições legislativas
regionais, os votos de protesto em partidos minoritários e o aumento da abstenção eleitoral, assinala um
preocupante afastamento dos eleitores das lideranças políticas partidárias. O único partido político
português com sede na região, o Partido Democrático do Atlântico (PDA), tem uma fraca expressão.
Junta Regional dos Açores foi o órgão governativo transitório criado pelo Dec. Lei 458-B/75, de 20 de
Agosto, para substituir os governos civis nos ex-Distritos e as respectivas Juntas-gerais. Dissolvidos com
a tomada de posse do I Governo Regional dos Açores a 9 de Setembro de 1976, transitou para este
todas as competências, bens e responsabilidades que lhe estavam afectos. Com o objectivo de fomentar o
desenvolvimento económico, social e cultural dos Açores, criou-se a RTP Açores, em 10 de Agosto de
1975, e fundou-se a Universidade dos Açores (UAç), a 8 de Janeiro de 1976.
A governação da RAA está regulada pelo Estatuto Político Administrativo dos Açores. Possui como
órgãos de governo próprio: a Assembleia Legislativa Regional (ALRAA), com sede na cidade da Horta,
e a Presidência do Governo Regional, têm sede na cidade de Ponta Delgada. As respectivas secretarias
e direcções regionais, encontram-se distribuídas pelas suas principais cidades - Ponta Delgada (4),
Angra do Heroísmo (2) e Horta (1). Não existe uma cidade capital dos Açores, embora Ponta Delgada
seja a principal cidade. Actualmente, compreende 19 municípios e 154 freguesias. Os limites
administrativos dos Açores não sofreram quaisquer alterações.
Das 154 freguesias açorianas, cerca de metade podem desaparecer caso seja concretizada na RAA a
reforma proposta pelo Governo da República. Essa extinção «iria poupar ao Estado apenas 700 mil
euros por ano», frisou Sérgio Ávila, Vice-presidente do Governo Regional.
O Estado Português é representado na RAA por um Representante da República, nomeado e
exonerado pelo Presidente de Portugal, sob proposta do Governo da República, e após ouvir o
Conselho de Estado. Têm residência oficial na cidade de Angra do Heroísmo. Em caso de vagatura do
cargo, bem como nas suas ausências e impedimentos, é substituído pelo(a) Presidente da ALRAA.