sábado, 10 de agosto de 2019

Desastres naturais no Arquipélago dos Açores


1606 — Inundações nas Velas, ilha de São Jorge - Em Fevereiro grandes chuvadas provocaram grandes danos na vila de Velas. Muitas ruas ficaram "de modo que se não podia andar a pé".

1608 — Grandes inundações em Angra, Terceira - A 11 de Fevereiro, pelas 9 horas da noite começou a chover intensamente em Angra, situação que se manteve durante toda a noite. Pela madrugada a chuva intensificou-se, provocando o extravasamento da Grota de Santa Luzia. As águas correram pela Rua da Miragaia, dividindo-se pelas Ruas do Marquês e do Palácio (que então era da Natividade), todas confluindo na Rua Direita. A corrente derrubou as muralhas do portão do porto (a "famosa" Porta do Mar), provocando a morte a 19 pessoas e arrastando consigo várias casas, destruindo o recheio de muitas mais. Os prejuízos foram avaliados "na melhora de seis mil cruzados".

1613 — Ano da esterilidade das ervas - morte dos gados por falta de alimento - Neste ano uma combinação de seca e de vendavais no Inverno e primavera levaram a uma situação dramática de falta de alimento para os gados. Morreram muitos animais e a fome atingiu as classes mais pobres. Para cúmulo do azar, um raio matou um lavrador dos Altares (Terceira). Terá sido um ano de La Niña.


1614 — Primeira Caída da Praia - terramotos de 9 de Abril nas Fontinhas e de 24 de Maio na Praia, Terceira - A 9 de Abril um sismo destruiu quase totalmente a freguesia das Fontinhas e provocou grandes danos nas freguesias vizinhas. A 24 de Maio um sismo de grande magnitude destruiu quase totalmente as freguesias de Agualva, Vila Nova, Lajes e Santa Cruz da Praia, provocando 200 mortos e muitos feridos. Houve grande movimento da falha norte do graben das Lajes, com o aparecimento de grandes fissuras no solo, grandes desmoronamentos e o abatimento generalizado do terreno na zona do Ramo Grande. Francisco Ferreira Drummond descreve nos Anais da Terceira a Caída da Praia e reconstrução que se lhe seguiu com grande pormenor. Apesar das medidas então tomadas, a reconstrução foi um processo lento e penoso.

1630 — Erupção das Furnas, ilha de São Miguel: o "ano do cinzeiro" - A erupção do Cinzeiro, do tipo pliniano, iniciou-se a 3 de Setembro de 1630, precedida por violentos sismos. Há notícia de terem morrido 191 pessoas e de ter havido enorme devastação devido aos sismos e à deposição de material pomítico. A nuvem de cinza foi tão densa que foram necessárias tochas durante o dia e em todas as ilhas ficou a vegetação coberta de cinza (mesmo nas Flores a 360 km de distância). A pedra pomes flutuante impedia a navegação nas proximidades da ilha de São Miguel. A erupção foi acompanhada de manifestações vulcânicas no mar e na zona onde hoje se localiza o lugar do Fogo e as fumarolas da Ribeira Quente. Provocou também gigantescos deslizamentos de terras na costa sul da ilha de São Miguel.



1630 — Deslizamento do Castelo, ilha de São Miguel - Em 1630 ocorreu um gigantesco deslizamento de terras naquilo que hoje é a extremidade oeste da "fajã" onde se localiza a povoação da Ribeira Quente, ilha de São Miguel. O deslizamento de terras atingiu o mar em torno do lugar hoje denominado Castelo e deu origem à actual Ponta da Albufeira. Este deslizamento está associado à erupção das Furnas, do mesmo ano.

1636 — Furacão atinge a Terceira - No dia 3 de Agosto uma forte tempestade atingiu a ilha Terceira causando graves danos.
1638 — Erupção submarina ao largo da Candelária, ilha de São Miguel - Erupção surtseyana, iniciada a 3 de Julho, localizada a cerca de 2 km da Ponta da Candelária. Durou 25 dias e produziu uma ilha de forma anelar, com "légua e meia de comprimento", que o mar desmoronou no Inverno seguinte, deixando apenas um baixio no local. Durante a erupção o fedor a enxofre sentia-se a oito léguas de distância e morreram tantos peixes que davam para "carregar oito naus da Índia".

1641 — Grande enchente de mar (maremoto?) nas Velas, ilha de São Jorge - A 21 de Dezembro "empolgou-se o mar de tal sorte que dominando o Monte dos Fachos, com três mares" provocou grande destruição na vila, ferindo 50 pessoas e arrastando ao mar muitos bens. Terá sido um maremoto?


1647 — Crise sísmica na Terceira e mau ano agrícola em todas as ilhas - Desde finais de Dezembro do ano anterior até Julho a Terceira foi atingida por uma violenta crise sísmica que provocou o pânico em Angra e um invulgar fervor religioso. Para além dos sismos, uma situação climática muito desfavorável para a produção de trigo - Inverno seco e primavera tardia e chuvosa - levou a que a ervilhaca e outras infestantes dominassem o trigo: o resultado foi o excessivo encarecimento daquele cereal e a fome generalizada. O ano ficou conhecido pelo "ano da fome e dos terramotos". Em São Jorge as Câmaras tiveram de intervir para evitar a fome.

1649 — Uma tempestade provoca o naufrágio de 4 navios em Angra; sismo na Terceira - Uma tempestade com fortes ventos de SE provocou a perda de 4 navios em Angra, com um número indeterminado de vítimas. Um pequeno sismo atingiu a Terceira. Contudo, foi um ano célebre pela boa produção de vinhos.

1652 — Erupção do Pico do Fogo, São Miguel - Após uma semana de violentos sismos, que fizeram grandes estragos na Lagoa e em partes de Ponta Delgada, a 19 de Outubro iniciou-se uma erupção estromboliana, embora com episódios vulcanianos, próximo de um cone já existente, criando um novo cone de bagacinas. Uma escoada de lava basáltica aproximou-se das Calhetas e outra do lugar dos Portões Vermelhos. A erupção durou 15 dias e produziu grandes estragos.


1656 — Terramoto de 18 de Outubro de 1656, na ilha de São Miguel - Naquele dia, pelas duas horas da madrugada houve vários sismos, e no dia seguinte, pelas sete horas da tarde, houve um tão forte que abalou as casas a ponto de os seus moradores as abandonarem.

1656 — Epidemia de varíola na Terceira - Uma epidemia de varíola, as temidas bexigas, matou quase todas as crianças com menos de 3 anos na Terceira e atingiu quase toda a população com idade inferior a 15 anos, provocando muitas mortes, deformidades e cegueira. Foi o "ano das bexigas".

1668 — Tempestade causa grandes prejuízos na Calheta, ilha de São Jorge - A 23 de Novembro uma violenta tempestade provocou "tal alteração de mar que este entrou pela dita vila derrubando casas" e obstruindo o porto com penedia.

1672 — Erupção vulcânica no Faial, que ficou conhecido pelo Vulcão do Cabeço do Fogo - Na noite de 13 de Abril, com cinco sismos seguidos, iniciou-se uma crise sísmica na ilha do Faial. O número de sismos foi crescendo nos dias seguintes até que na noite de 23 para 24 de Abril, num ermo entre a Praia do Norte e os Cedros, se iniciou uma erupção. A erupção destruiu algumas casas, recobrindo de lava muitos campos. Os sismos associados produziram grandes danos em casas e igrejas. Dois homens que se aventuraram nas proximidades do centro eruptivo morreram. A Câmara fez voto perpétuo de celebrar no dia de Pentecostes solene cerimónia em honra do Divino Espírito Santo se a erupção parasse. Parte dos sinistrados emigrou para o Maranhão, Brasil.


1678 — Falta de cereais causa desaguisado entre as Câmaras da ilha de São Jorge e da ilha do Pico - Mais uma vez um mau ano agrícola torna escassos os cereais pelo que as câmaras de São Jorge e Pico se vêm na necessidade de proibir a sua exportação.

1682 — Erupção submarina frente à Ferraria, ilha de São Miguel - A erupção deu-se a 4 léguas da Ponta da Ferraria e "na semana seguinte como foi visto da Praia de Angra e do lugar dos Mosteiros, queimando quantidade de peixe, que veio à costa. E um caravelão vindo de Angra por esta parte, com pedra-pomes não pôde passar".

1690 — Grande tempestade e um sismo causam o pânico na Terceira - Uma grande tempestade abateu-se sobre a ilha no dia de Páscoa (26 de Março), provocando a queda de chaminés, o destelhamento das casas, a destruição das casas "palhoças" que existiam nos "bairros" da cidade e um naufrágio na baía de Angra. No dia 5 de Abril seguinte, ainda com os angrenses mal refeitos do susto da tempestade, um sismo, longo mas pouco intenso, causou uma onda de pânico, que associada às memórias recentes da erupção na ilha do Faial (1672) e da caída da Praia (1614), conduziu à multiplicação das procissões, preces contínuas e auto-flagelações. Esta histeria colectiva atingiu o seu paroxismo quando correu o boato que a ilha seria destruída no dia 15 de Abril. No caso parecem ter tido influência o Padre Secretário da Visita Frei Francisco da Cruz, da província franciscana da Arrábida, e o Reverendo Padre Mestre Tomás Arnão, da Sagrada Companhia de Jesus, que ao tempo da erupção de 1672 residia no Colégio da Horta, ilha do Faial. Felizmente, e apesar do susto e das mortificações, a ilha sobreviveu, tendo-se celebrado as festas do Senhor Espírito Santo com a necessária alegria. Afinal os terceirenses não mudaram muito nos últimos 300 anos …


1698 — Crise sísmica na Terceira - Em Outubro desencadeou-se uma violenta crise sísmica na Terceira, causando o pânico entre a população. Após se ter organizado uma procissão com o Senhor Santo Cristo da Misericórdia de Angra, os sismos cessaram, o que foi considerado um milagre. Conheça o origem da devoção ao Santo Cristo da Misericórdia de Angra e as muitas calamidades que levaram a que os terceirenses a ele recorressem.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Fluxos migratórios dos Açores para o Brasil


Os migrantes açorianos chegaram ao Brasil em diferentes datas. Por falta de registos coevos, nomeadamente em relação aos que foram enviados para o Norte brasileiro, torna-se difícil estabelecer uma cronologia sistematizada. Pode-se contudo afirmar que a primeira data de que há notícia é a de 11 de Abril de 1619, quando uma expedição comandada pelo açoriano Capitão Simão Estácio da Silveira aportou em São Luís, no Maranhão, com 200 casais.

Quanto aos promotores dos fluxos migratórios, há a distinguir dois tipos: um, o primeiro, orientado para o Norte do Brasil, promovido por autoridades locais: Capitães-mor, Governadores, etc., sendo necessário contudo uma autorização prévia da Coroa, sob parecer do Conselho Ultramarino; e o segundo, tendo como destino o Sul do Brasil, promovido pelo próprio Rei, que era afinal o Donatário de todas as terras do Ultramar.


Quanto ao contingente de açorianos que migraram para o Brasil no período em referência, existem dificuldades em apurar os verdadeiros números. Quanto mais recuamos no tempo, mais difícil é compreender os registos, uma vez que ora se fala em “casais”, que obviamente não representavam apenas duas almas… ora de pessoas. Pode-se dizer que cada investigador apresenta os seus números… Provavelmente muitos açorianos terão partido logo que a fama de enriquecimento fácil e rápido, o “Eldourado”  tão comentado entre tripulantes e aventureiros, chegou aos ouvidos da população. Existem referências da presença de açorianos na aventura do escambo da prata de Potosi, logo no século XVI, como de muitos outros portugueses de origem diversa. Quantos? Ninguém sabe.

Segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no período de 1500 a 1700, calcula-se que 100 mil portugueses migraram para a “Ilha de Vera Cruz”. Ora, é crível que entre tantos portugueses, alguns tenham ido do Arquipélago dos Açores, até porque neste já havia passado quase um século, após o Povoamento, quando D. João III deu inicio à colonização do Brasil. Por outro lado, mesmo quando foi instituído o passaporte para controlo do fluxo migratório das ilhas, por iniciativa do Marquês de Pombal, sempre existiu uma migração/emigração clandestina, nomeadamente, quando os baleeiros norte-americanos começaram a fundear no Grupo Central.


Deve-se referir que o destino de alguns açorianos, durante o período em estudo, nem sempre foi o Brasil. A aventura ou o apelo religioso levou-os a partir para diferentes destinos. Dois açorianos, Gaspar Dias e João Silva, por exemplo, participaram na 1ª. viagem de circum-navegação da Terra, efectuada por Fernão de Magalhães, com início em 1519. O primeiro, como despenseiro da nau Santiago e o segundo, como marinheiro da nau Conceição. Vamos encontrar outro exemplo no grande vulto açoriano, porém pouco conhecido, Irmão Bento de Góis. Este de natureza religiosa. Nascido em Vila Franca do Campo, partiu para a Índia em 1562, como soldado. Em 1584, ingressa na Companhia de Jesus, abandonando a vida boémia que levava. Pela mão dos Jesuítas, efectua várias expedições na Ásia que lhe irão dar a experiência necessária para a maior expedição então feita por um português naquelas lonjuras, por via terrestre. De 1602 a 1606, percorre um longo e perigoso caminho pela acidentada Ásia Central em busca do lendário reino do Grão-Cataio, onde se acreditava existirem cristãos nestorianos . Atingiu a grande muralha da China, porém não encontrou os ditos cristãos. A sua viagem permitiu contudo desfazer o equívoco criado pela descrição de Marco Pólo , que vigorava há três Séculos. Afinal Cataio e a China eram uma e a mesma coisa, como a cidade de Khambalaik era Pequim. Tal facto irá alterar a concepção que havia daquela parte do mundo entre os europeus.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Daniel Silva

Daniel Silva é filho de pais açorianos  emigrantes no Michigan e passou a infância entre Detroit  e a California.
Daniel Silva foi produtor executivo da programação da CNN em Washington e em 1987 foi nomeado correspondente no Médio Oriente, no Cairo. Viajou muito por toda a região, cobriu a Guerra Irão-Iraque, o terrorismo e os diversos conflitos políticos na região.
Escreveu vários bestsellers que alcançaram o topo da lista semanal de ficção do New York Times, sendo meros exemplos Moscow Rules que em 2008 entrou directamente para o primeiro lugar (e onde ficaria por mais uma semana),  ou The Defector, que repetiria o acesso ao topo no ano seguinte,  tal como aconteceu a The Rembrandt Affair em 2010.

Em 2011 surgiu a notícia que a Universal Pictures tinha adquirido os direitos da série de livros protagonizada por Gabriel Allon, contando com Jeff Zucker como produtor. Este estúdio cinematográfico já tinha, em 2007, tentado adaptar para o grande ecrã o livro The Messenger mas o projecto não se materializou.


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Origem étnica Açoriana


Do ponto de vista genético, a população dos Açores é bastante semelhante à população de Portugal continental, de onde se originou a maior parte dos seus povoadores. Foram detectadas, de forma reduzida, influências de outras populações europeias (particularmente do Norte da Europa), de populações do Oriente Próximo, do Norte da África e da África subsariana. Analisando o DNA mitocondrial de açorianos oriundos de três regiões do arquipélago (oriental, ocidental e central), 81,3% apresentavam DNA mitocondrial de origem europeia, 11,3% de origem africana e 7,5% do Oriente Próximo ou de origem judaica. O grupo que mais apresentou contribuições não europeias foi o oriental (cerca de 25%), a maior parte africanas (18,2%). No grupo central, por outro lado, as contribuições não europeias ficaram em 15%, a maior parte judaica ou do Oriente Próximo (10%), enquanto a contribuição africana ficou em 5%. O grupo ocidental foi aquele que apresentou menor grau de ascendências não europeias (6,5%), a maior parte africanas. Em relação às linhagens masculinas, também houve uma predominância de contribuições europeias, porém mais uma vez foram detectadas contribuições africanas, do Oriente Próximo/judaica e até mesmo indiana (1,1%).

Os documentos históricos revelam que os Açores foram povoados sobretudo por portugueses, e as regiões do Algarve, Alentejo e Minho eram destacadas como fornecedoras de colonos. Também foi relatada a presença de povoadores oriundos do arquipélago da Madeira, assim como de indivíduos de origem judaica. A presença de pessoas oriundas de outros países da Europa também é relatada, com particular destaque para povoadores flamengos, que terão tido maior presença nas ilhas centrais, especialmente na Ilha do Faial. A presença de escravos (mouriscos e negros) também é amplamente documentada. As linhagens tipicamente africanas encontradas nos habitantes dos Açores, apesar da frequência reduzida, são as mais elevadas dentro da população portuguesa, o que denota uma possível maior integração dos escravos negros na população açoriana.

terça-feira, 30 de julho de 2019

A Capela de Nossa Senhora do Porto do Saco está ligada a D. Júlia Maria da Caridade uma das três irmãs Açorianas


A Capela de Nossa Senhora do Porto do Saco foi tombada pela Prefeitura Municipal de Carrancas-MG por sua importância cultural para a cidade.
Prefeitura Municipal de Carrancas-MG
Nome atribuído: Capela de Nossa Senhora do Porto do Saco
Outros Nomes: Capela do Saco
Localização: Rua 05, s/n – Bairro Centro – Povoado do Porto do Saco – Carrancas-MG

Decreto de Tombamento: Decreto n° 1043/2006

Descrição: Localizada às margens do Rio Grande, a origem deste vilarejo, hoje distrito de Carrancas, está ligada a D. Júlia Maria da Caridade, antiga proprietária da Fazenda do Saco, que edificou uma capela feita de pedras dedicada a Nossa Senhora da Conceição, no início do século XVIII e há quem diga que essa acção foi motivada pela aparição de uma imagem da santa às margens desse rio. O Porto do Saco foi importante canal comercial de São João Del Rei antes da ferrovia para o escoamento da produção de ouro da região, desde a antiga Villa Rica, hoje Ouro Preto-MG, até o porto de Paraty-RJ. Após 1879, as terras foram doadas a própria capela e a quem desejasse formar um povoado em torno dela. Esta Capela está tombada pelo Instituto Estadual do Património Histórico e Artístico de Minas Gerais, IEPHA/MG e é considerada o primeiro património municipal de Carrancas. Todos os anos, em Julho, há a Festa de Imaculada Conceição. Em 2012 foi comemorado 300 anos de existência dessa histórica Igreja.

Lugar de estonteante beleza e tranquilidade e com um clima muito agradável durante todas as estações do ano. Durante o inverno o frio não é intenso mantendo os dias com sol e temperatura amena e à noite um friozinho gostoso para dormir. A época das chuvas é por volta de Setembro e Outubro, mas com temperaturas muito agradáveis. O verão é intenso, com sol e temperaturas altas para banho de piscina, na represa e curtir as cachoeiras. Além do atractivo histórico, tanto pela visitação da Capela como pela “prosa” agradabilíssima com antigos moradores, que estão dispostos a nos dar uma verdadeira aula de história. O vilarejo é banhado pela Represa de Camargos, inaugurada em 1961, feita para atender as Usinas Hidrelétricas de Camargos e Itutinga. Com grande potencial náutico para os turistas, é possível trazer lanchas, jet skis, botes e se deliciar com as águas extensas e calmas da represa.
Fonte: Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais.
Descrição: Uma das atracções culturais da cidade, a Capela de Nossa Senhora da Conceição do Porto do Saco foi construída provavelmente no início do século XVIII, a mando de Júlia Maria da Caridade, uma das três irmãs ilhoas*.

D. Júlia era proprietária da antiga Fazenda do Saco e devota de Nossa Senhora da Conceição, e há quem diga que a construção da capela tenha sido motivada pela aparição de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição nas margens do rio Grande. A capela fica no distrito de Porto do Saco, que já foi importante canal comercial de São João Del Rei antes da ferrovia. Após 1879, as terras foram doadas à própria capela e às pessoas que desejassem formar um povoado em torno dela.
Hoje em dia é possível visitar a pequena capela branca de janelas azuis e imaginar os costumes do passado ao conversar com os moradores mais antigos, uma verdadeira aula de história. Esta capela está tombada pelo Instituto Estadual do Património Histórico e Artístico de Minas Gerais, IEPHA/MG e é considerada o primeiro património municipal de Carrancas. .
O distrito está a cerca de 30 km de distância da sede do município de Carrancas e é banhado pelo Rio Grande, um dos principais rios de Minas Gerais, hoje represado em um lago chamado Represa dos Camargos, que atrai muitos visitantes nos finais de semana para a prática de desporto  ou para simplesmente relaxarem em suas águas.

*As três Ilhoas: A história das “Três Ilhoas” fala sobre três irmãs naturais da Ilha do Faial, Açores, que vieram para Minas na primeira metade do século XVIII. Vem delas a origem de famílias tradicionais do sul de Minas, como os Rezende, Carvalho, Ribeiro, Andrade, Junqueira, Ferreira, Guimarães, entre outras.
Fonte: Prefeitura Municipal.

domingo, 28 de julho de 2019

Três irmãs açorianas que imigraram para o Brasil


As Três Ilhoas foram três irmãs açorianas que imigraram para o Brasil, onde aportaram por volta de 1723, fixando residência em Minas Gerais, onde se tornaram troncos de antigas, tradicionais e importantes famílias.
As Ilhoas, pela ordem cronológica, chamavam-se:

Antónia da Graça (nascida em 1687), que deu origem, dentre outros, aos: Junqueiras e Meireles;
Júlia Maria da Caridade (nascida em 1707), que deu origem, dentre outros, aos: Garcias, Carvalhos, Nogueiras, Vilelas, Monteiros, Reis, e Figueredos
Helena Maria de Jesus (nascida em 1710), que deu origem aos Resendes.
As Três Ilhoas eram naturais da Freguesia de Nossa Senhora das Angústias, na Vila da Horta, na Ilha do Faial, no arquipélago dos Açores.

Eram filhas de Manuel Gonçalves Correia – “O Bórgão”, e de Maria Nunes, que já viúva, passou ao Brasil com as três filhas, por volta de 1723. A genealogista Marta Amato defende a tese de que tenham vindo com destino certo, tendo aqui encontrado Diogo Garcia, conterrâneo e aparentado, por ter uma sobrinha, Ana Maria Silveira, casada com António Nunes, irmão das “Três Ilhoas”.


Antónia da Graça é a única das Ilhoas que passou ao Brasil já casada, com Manuel Gonçalves da Fonseca. As outras duas, casaram-se no Brasil.

A segunda, Júlia Maria da Caridade, casou-se a 29 de Junho de 1724, em São João del-Rei, com Diogo Garcia, e a terceira, Helena Maria de Jesus, casou-se a 3 de Outubro, de 1726, em Prados, com João de Resende Costa.

Júlia Maria da Caridade faleceu em 1777, sendo enterrada na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, em São João Del Rei ( MG ).
As Três Ilhoas tiveram dois irmãos:

José Nunes baptizado a 14 de Setembro de 1689 e falecido a 8 de Agosto de 1711
António Nunes baptizado a 12 de Julho de 1692, que foi piloto e permaneceu na Ilha do Faial, onde se casou com Ana Maria da Silveira, filha de Pascoal Silveira e de Maria da Ressurreição, esta irmã de Diogo Garcia.

A história das ilhoas parecer confirmar a história do actual município de Madre de Deus de Minas. Onde é a sede municipal foi, segundo apresenta, doado pelas Ilhoas e descendentes.
Inúmeros autores citam as “Três Ilhoas” como “célebres, famosas e lendárias”. Tais predicados têm sua origem na notória e descendência que deixaram em Minas Gerais e em outros estados, onde a maioria das famílias importantes encontravam em seu tronco uma ou mais destas açorianas, que passaram a ser citadas com grande respeito e admiração, ao ponto de que “dizer-se descendente das Ilhoas pode ser considerado a descrição de uma genealogia completa”.


A Capela de Nossa Senhora da Conceição do Porto do Saco foi construído no início do sec XVIII a mando de Júlia Maria da Caridade, proprietária da antiga Fazenda do Saco e devota de Nossa Senhora da Conceição, havendo quem diga que a capela é dedicada a uma imagem de Nossa Senhora encontrada nas margens do Rio Grande, que passa pela fazenda. A capela fica no distrito de Porto do Saco, que já foi importante canal comercial de São João del Rei antes da ferrovia.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

A Alcatra da Ilha Terceira nos Açores teve a sua origem nos primeiros povoadores



A Alcatra da Ilha Terceira nos Açores teve a sua origem nos primeiros povoadores provenientes de Trás -os- Montes, onde já existia um prato semelhante, o qual se apelida de Chanfana.
Outrora a alcatra fazia parte da mesa de senhorios da alta sociedade que na altura tinham posses para confeccionar este prato típico da ilha Terceira.

A alcatra é um prato típico e emblemático da cozinha terceirense e a prova disso é que até se criou a Confraria da Alcatra na Ilha Terceira. Esta contribui para a preservação e dignificação da Alcatra, distinguindo e divulgando os restaurantes da Terceira que a confeccionam devidamente.
Alguns dos principais requisitos para uma alcatra bem confeccionada são o alguidar de barro, a cozedura em forno de lenha e coberta com folha de inhame.
A alcatra terceirense, contudo tudo o que tem de, antigo, religioso está ligado ao Divino Senhor Espírito Santo
Devido ás funções em que está inserido na cultura e na festividade deste povo, todos o fazem mas de acordo com as posses que possuem.
Tradicionalmente e para as comemorações, este prato é precedido pelas Sopas de Espírito Santo .
A alcatra pobre, a que se serve normalmente no império das freguesias com menos posses, era a mesma que se servia em momentos especiais tais como: o casamento, batizado ou em touradas.
A carne utilizada para este prato era e ainda é o chambão, o vinho de cheiro, a gordura utilizada era a banha.

A alcatra pertencente á classe média se tornou vulgar nos melhores restaurantes usam as melhores carnes como o acém.
Nas famílias mais antiquadas há o costume usar a carne de rabadilha ou folha de alcatra, a gordura é manteiga e o vinho branco.