sexta-feira, 28 de junho de 2019

A lenda da cidade de Angra do Heroísmo ilha Terceira Açores



Segundo a tradição, o príncipe dos mares vivia apaixonado por uma linda princesa de cabelos louros que vivia próximo aos seus domínios. A princesa, entretanto, não correspondia aos seus amores por já se encontrar apaixonada por outro príncipe. O senhor dos mares vivia consumido por ciúmes que muitas vezes o levavam à violência, e decidiu chamar uma fada ao seu reino marinho, com o objectivo de mudar o rumo aos acontecimentos.


A fada veio e tentou durante bastante tempo que a princesa desistisse do seu amor e se apaixonasse pelo Senhor do Mar. Fez magias e quebrantos e exerceu todas as suas influências, mas sem nada conseguir devido ao profundo amor da princesa pelo seu príncipe. Furioso, o senhor dos mares acabou por expulsar a fada dos seus domínios.

Um dia, os dois apaixonados, que até ali tinham vivido só da troca de olhares e de suaves devaneios, trocaram o primeiro beijo. Foi um beijo rápido, mas o sussurro dos apaixonados foi escutado pelo senhor e príncipe dos mares, que acordou do leito de rocha de basalto negro e areia vulcânica onde dormia.


A fada também ouviu e atravessou apressadamente os céus em direcção ao reino do príncipe dos mares, pois via a oportunidade de se vingar do príncipe, por quem entretanto se tinha apaixonado, e da princesa que lhe roubava a felicidade.

Quando chegou perto do Senhor do Mar, viu-o furioso a bater-se contra a terra com furiosas e encapeladas ondas cobertas de espuma branca e disse-lhe baixinho: "Príncipe do mar, chegou a hora da vossa vingança. Aqui estou para fazer o que mandardes." Cego pelo ciúme e pela raiva, este ordenou-lhe em tom de ódio: "Correi, fada, fulminai o príncipe que roubou minha amada. Mas... lembrai-vos, só a ele!"


segunda-feira, 24 de junho de 2019

O primeiro registo conhecido da realização de uma tourada à corda na ilha Terceira Açores data de 1622


O primeiro registo conhecido da realização de uma tourada à corda data de 1622, ano em que a Câmara de Angra organizou um daqueles eventos, enquadrado nas celebrações da canonização de São Francisco Xavier e de Santo Inácio de Loiola. Contudo, presume-se que as corridas de touros à corda nos folguedos populares já ocorressem há muito, o que justifica a inclusão daquele evento numa festividade oficial.
Tourada à corda,é um divertimento tauromáquico tradicional nos Açores, com particular expressão na ilha Terceira, acreditando-se ser a mais antiga tradição de folguedo popular do arquipélago. A modalidade tauromáquica é específica dos Açores e caracteriza-se pela corrida de 5 touros adultos da raça brava da ilha Terceira ao longo de um arraial montado numa rua ou estrada, num percurso máximo que regra geral é de 500 m.

O animal é controlado por uma corda atada ao seu pescoço (daí a designação do tipo de tourada) e segura por 6 homens (os pastores) que conduzem a lide e impedem a sua saída para além do troço de via estipulado. A lide é conduzida por membros do público, em geral rapazes, embora seja admissível a presença de capinhas contratados. Após a lide, os animais são devolvidos às pastagens sendo repetidamente utilizados, embora com um período de descanso mínimo de 8 dias.
É de tal ordem importante para a Terceira esta actividade que durante o século XX, desde 1912 até 1994 aparecerem nesta ilha 29 ganadarias, algumas já extintas, e que se distribuíram pela seguinte ordem cronológica e de ganadeiros:

António Luís Parreira, fundada em 1912.

António Rocha Lourenço, fundada em 1914.

António Ventura, fundada em 1915.

Manuel Barcelos, fundada em 1925.

Francisco de Sousa (Cadelinha), fundada em 1927.

José Dinis Fernandes, fundada em 1932.

Patrício de Sousa Linhares, fundada em 1936.


Tomás de Borba, fundada em 1938.

António Fernandes, fundada em 1940.

António e João Luís da Costa, fundada em 1944.

José de Castro Parreira, fundada em 1953.

Rego Botelho, fundada em 1964.

Alvarino Inácio Gomes, fundado em 1956.

José Daniel Nogueira, fundada em 1960

José Albino Fernandes, fundada em 1967.

Manuel Almeida Júnior, fundada em 1967.

José Linhares da Silva (José Tomás), fundada em 1972.

José Cardoso Gaspar (Quinteiro), fundada em 1973.

António Vaz Lourenço (Rosa Cambada), fundada em 1974.

Ezequiel Vieira Rodrigues, fundada em 1975.

Eliseu Gomes, fundada em 1975.

José Gonçalves Silva (Faveira), fundada em 1980.


Humberto Filipe, fundada em 1983.

Teófilo Melo, fundada em 1988.

José Eduardo Fernandes, fundada em 1990.

Duarte Pires, fundada em 1990.

Irmãos Toste, fundada em 1991.

Francisco Gabriel Ourique, fundado em 1994.

Manuel João da Rocha, fundado em 1994.

sábado, 22 de junho de 2019

D. Afonso VI na ilha Terceira Açores


Há 350 anos, desembarca, na cidade de Angra, D. Afonso VI, a quem roubaram trono e mulher.

Aproaram à baía de Angra, no dia 17 de Junho, três fragatas e uma caravela, portuguesas, sem comunicarem com a terra. No dia seguinte fundearam na bacia da cidade e só no dia 20 desembarcaram em terra alguns oficiais a conferenciar com as autoridades locais, sabendo-se que a bordo estava el-rei, prisioneiro e desterrado, indo recolher-se no Castelo de São João Baptista.

Após combinação necessária e cautelosa, desembarcou Afonso VI, sendo saudado com as salvas do estilo, repiques de sinos nas paróquias e conventos e todas as mais demonstrações de respeito devidas ao rei. A população da ilha enchia as ruas da cidade e toda a guarnição do Castelo estava em armas.

Apenas pôs pé em terra Sua Magestade entrou para uma liteira que o aguardava, seguindo logo para a fortaleza com o comandante da armada e titulares que o acompanhavam. À porta do presídio foi esperado como rei, assim como tratado foi durante o tempo da sua permanência na ilha.


O povo recebeu, contristado, esta resolução do Regente, lamentando o procedimento do irmão, contudo soube manter-se sem um distúrbio, sem uma manifesta reprovação.

No dia 24 de Agosto de 1674, era o rei conduzido ao Porto Novo, por quatro fidalgos, e a bordo duma esquadra seguiu para o continente.

Ainda hoje se observa, no local onde o rei passeava demoradamente, as pedras gastas pelos seus passos, assinalando o sítio onde tanto amargurou.


quinta-feira, 20 de junho de 2019

Sanjoaninas 2019 ilha Terceira Açores


As festas Sanjoaninas são consideradas as maiores festas profanas do arquipélago. Iniciadas logo após o povoamento na cidade Património Mundial de Angra do Heroísmo  Ilha Terceira Açores


A Terceira é uma das nove ilhas dos Açores, integrante do chamado "Grupo Central". Primitivamente denominada como Ilha de Nosso Senhor Jesus Cristo das Terceiras, foi em tempos o centro administrativo das Ilhas Terceiras, como era designado o arquipélago dos Açores. A designação Terceiras aplicava-se a todo o arquipélago do Açores visto terem sido as terceiras ilhas descobertas no Atlântico (o arquipélago das Canárias era designado de Ilhas Primeiras e o arquipélago da Madeira por Ilhas Segundas, segundo a ordem cronológica de Descoberta). Com o avançar dos anos esta ilha passou a ser conhecida apenas por Ilha Terceira.


A riqueza da sua história e património edificado levou a que a Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo fosse classificada como Património Mundial pela UNESCO a 7 de Dezembro de 1983.  A cidade é sede do Regimento de Guarnição n.º 1, uma das mais antigas unidades militares portuguesas.

As Sanjoaninas, festas dedicadas a S. João, ocupam as ruas de Angra do Heroísmo durante dez dias do mês de Junho. Cortejos, concertos musicais, touradas (de praça ou à corda), tasquinhas de petiscos, espectáculos de teatro e fogo-de-artifício e provas desportivas, têm o seu ponto alto no desfile das marchas populares.


terça-feira, 18 de junho de 2019

Donas Amélias em homenagem à Rainha D. Amélia



Doce tradicional da ilha Terceira. Canela, mel de cana, passas e outras especiarias dos Descobrimentos.


As Donas Amélias são um doce conventual terceirense, adaptado a uma receita que já existia, o chamado “Bolo das Índias”, que também é confeccionado com especiarias, em 1901, aquando a visita Régia da Rainha D. Amélia e do Rei D. Carlos pela Ilha Terceira.

Este doce foi confeccionado em forma de uma queijada, provém de um outro bolo mais antigo, feito com especiarias. Os habitantes da ilha ofereceram as queijadas ao Rei e à Rainha como forma de agradecimento, atribuindo assim o nome da Rainha aos doces, como forma de homenagem.


domingo, 16 de junho de 2019

A Lenda da Calheta do Nesquim ilha do Pico Açores


A Lenda da Calheta de Nesquim recua ao século XVI e conta um acontecimento onde a história real se mistura com laivos de fantasia. Conta que o nome da Calheta de Nesquim teve origem num dos costumeiros acontecimentos fortuitos da vida.

Corria o século XVI, e bordejava a ilha do Pico um veleiro vindo do Brasil carregada de madeiras quando foi surpreendida durante a noite por uma forte tempestade. O barco ficou à deriva com o temporal e acabou por naufragar nas fragas da costa sul do Pico.
Da tripulação do barco somente três dos náufragos se conseguiram salvar. Informa a história que foram guiados pelos latidos do cão de bordo cujo nome era Nesquim. O Cão terá guiado os três homens com os seus latidos até uma pequena calheta levando ao seu salvamento. Em honra do cão que promoveu o salvamento destes três homens o local passou a designar-se “Calheta de Nesquim” e a formação rochosa de onde acedeu a terra, um morro costeiro próximo, passou a denominar-se “Morricão” e onde foi construído em Moinho de Vento. Para honrar este acontecimento a Calheta de Nesquim usa um cão no seu Brasão de armas como forma de eternizar para todo o sempre o acontecimento.

A história informa-nos que estes três homens se chamavam João Redondo ou Rodolfo, João Valim e o capitão que dava pelo nome de Diogo Vaz Dourado.
Destes três homens, João Valim fixou moradia na Ribeira do Meio, João Redondo foi viver para a Madalena do Pico, enquanto Diogo Vaz Dourado, por seu lado foi viver para o lugar que mais tarde passaria a denominar-se Foros.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Artista plástico da ilha do Pico Rui Goulart




Rui Goulart, artista plástico / escultor e medalhista, natural da Ilha do Pico. A sua obra é diversa e bastante multifacetada. Executa obras para fundição em bronze na maioria dos casos Arte Pública e homenagens, das quais se destacam os bustos, estátuas e medalhas, representadas em algumas ilhas dos Açores (Pico, Faial, Terceira e São Miguel), assim como no continente português, Canadá e EUA


“Born in Pico Island, Azores Rui Goulart is an artist of visual arts, sculptor and a medal-maker. His art work is very diverse, designed mostly for Public Art and Homages.
As a sculptor he creates art work for bronze foundry, such as statues, busts and medals. His work is well known among the Azoreans, and its displayed in some Azorean Islands like Pico, Faial, Terceira and Sao Miguel, also the mainland, Canada and EUA .”