quarta-feira, 6 de março de 2019

Açorianos que construíram um barco para chegar à América e foram naturalizados graças a Kennedy


Dois açorianos construíram há 65 anos um barco para emigrar para os Estados Unidos da América (EUA), conseguindo obter a cidadania deste país com a ajuda de John F. Kennedy, que viria a tornar-se presidente.

"John F. Kennedy tinha-se empenhado na construção da igreja portuguesa de Cambridge e promoveu uma grande festa para assinalar o aniversário da instituição, num dos maiores hotéis de Boston, onde também estive presente e lhe fui apresentado", disse à agência Lusa Vítor Manuel Caetano , de 91 anos, o único sobrevivente desta aventura.

Evaristo Gaspar, já falecido, e Vítor Caetano, partiram de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, a 28 de Junho de 1951 e chegaram a 23 de Agosto aos Estados Unidos, onde foram recebidos como heróis, depois de terem sido dados como mortos.

Os dois foram recolhidos ao largo das ilhas Bermudas por um navio, quando a sua embarcação se encontrava à deriva e estavam sem alimentos há cerca de uma semana.

Vítor Caetano, que tinha 26 anos, afirmou que quando se encontrou com John F. Kennedy este encontrava-se de muletas na sequência de uma cirurgia à coluna, da qual "muito se queixava".


Segundo o açoriano, John F. Kennedy, à data congressista pelo estado de Massachusetts, ficou fascinado com a sua aventura marítima e assegurou-lhe que iria empenhar-se na sua legalização para ficarem no país.

"Ele ficou admirado com a nossa história. Ele próprio contou-me como ficou ferido durante a II Guerra Mundial, num barco de patrulha. Todos os anos, graças a JFK, eu renovava os meus documentos e, quando faltavam sete dias para os cinco anos (período necessário para obter a cidadania), tornei-me cidadão americano", declarou Vítor Caetano, recordando que o congressista "mandava sempre cumprimentos" por via de um português que trabalhava numa das residências do clã Kennedy na Nova Inglaterra.

Quando o político de origem irlandesa chegou à presidência dos EUA, Vítor Caetano enviou-lhe uma carta a dar os parabéns "por ser presidente de um grande país como a América", tendo este retribuído com um agradecimento.

John F. Kennedy, cuja relação com a comunidade de emigrantes açorianos na costa leste dos Estados Unidos é conhecida, foi um dos responsáveis pelo 'Azorean Refugee Act', em 1958, a par de outro senador, John Pastore.


Esta foi uma legislação aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos que permitiu às vítimas do vulcão dos Capelinhos, ocorrido na ilha do Faial em 1957, emigrarem para os Estados Unidos.

Vítor Caetano teve de abdicar do seu barco quando foi recolhido pelo navio, mas não antes de retirar de bordo a bandeira portuguesa, uma imagem da Virgem de Fátima e outra de São José, nome com que foi baptizada a embarcação.

Mais tarde construiu uma réplica em miniatura, que ostenta "com orgulho" na sua residência.

A aventura dos dois açorianos inspirou uma obra de ficção do escritor Manuel Ferreira, denominada "O barco e o sonho", que foi adaptada para televisão.


" Cortesia ao Açoriano Oriental"

sábado, 2 de março de 2019

Hélio Costa o popular taxista de profissão e escritor de temas populares para as Danças de Pandeiro e bailinhos

Cortesia a Foco Directo Projecto



O popular Hélio Costa, taxista de profissão e escritor de temas populares para as Danças de Pandeiro e bailinhos já escreveu 19 enredos para diferentes comunidades imigrantes de Terceirenses residentes na América do Norte. Nos últimos anos, as comunidades imigradas na Califórnia tem demonstrado um interesse crescente pela organização do Entrudo Tradicional da Ilha Terceira pelo que tem aumentado o número de grupos que se organizam.


Exemplo desta dinâmica é o facto de Hélio Costa ter escrito a maioria dos textos para grupos sediados na costa Oeste, que nos últimos cinco anos tem sofrido um significativo aumento.

A Califórnia é uma das zonas de fixação de grande número de imigrantes oriundos da ilha Terceira e, também, uma das comunidades imigrantes mais bem sucedidas das diversas comunidades portuguesas residentes no estrangeiro.
De forma espontânea, como tem sido o Carnaval originário na ilha Terceira, este tipo de manifestação tem vindo a aumentar e a tendência é um crescimento que poderá ultrapassar o número de grupos que desfilam nos palcos da ilha Terceira durante os três dias de Carnaval.

Naturalmente que este fenómeno poderá não se desenvolver muito mais devido à diminuição da emigração dos Açores, particularmente da ilha Terceira, para a América do Norte.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

As danças e bailinhos na ilha Terceira , remonta ao tempo dos primeiros povoadores


Nos Açores, mais propriamente na ilha Terceira, reside uma das formas mais peculiares do Carnaval em Portugal, as Danças e Bailinhos de Carnaval. Esta tradição, tida como a maior manifestação de teatro popular em Portugal, remonta ao tempo dos primeiros povoadores e reflecte um estilo teatral bem ao jeito dos Autos vicentinos.
As danças e bailinhos de Carnaval da ilha Terceira são manifestações de teatro popular, acompanhadas por música, com textos em rima, que incluem habitualmente crítica social.

Mais de mil músicos e actores amadores actuam de forma gratuita em cerca de 40 palcos espalhados por toda a ilha, prolongando as actuações pela madrugada dentro, durante quatro dias.

As danças de pandeiro, os bailinhos e as comédias têm um texto cómico, enquanto as danças de espada representam um drama.

Desde Janeiro que decorrem os ensaios em sociedades filarmónicas ou em garagens, mas há quem também comece a preparar o Carnaval com antecedência nos bastidores.


domingo, 24 de fevereiro de 2019

Há 55 anos um jovem açoriano viajou no trem de aterragem de um avião para chegar à América.


Numa noite de lua cheia, a 9 de Setembro de 1960, Daniel Melo avista o Lockheed Super Constellation que se prepara para levantar voo no extremo da pista principal do aeroporto internacional de Santa Maria. A aeronave das linhas aéreas venezuelanas, um quadrimotor a hélice, reconhecível pelo leme triplo, aquece os motores para descolar rumo a Caracas, via Bermuda. Daniel, de apenas 16 anos, corre pela pista e sobe para o compartimento do trem de aterragem dianteiro. Depois de algumas tentativas falhadas, está em andamento o plano de atravessar o Atlântico e
cumprir o objectivo final de chegar à América — como passageiro clandestino.
Daniel Melo, de baixa estatura, tenta ajeitar-se no compartimento exíguo, enquanto o avião atinge a velocidade de descolagem. O piloto da LAV (Línea Aeropostal Venezolana) faz subir o trem de aterragem. O equipamento hidráulico comprime o passageiro contra a parede de metal, a poucos centímetros da roda em circulação. O movimento repete-se meia dúzia de vezes, porque as portas do compartimento não fecham devidamente. De cada vez que o trem sobe, Daniel Melo quase sufoca. Quando o alçapão se fecha, Daniel abre uma porta interior para a área electrónica e hidráulica do avião - o que terá feito a diferença entre a vida e a morte.
Daniel Correia Melo nasceu a 22 de Novembro de 1943 nas Furnas, na ilha de São Miguel, num meio familiar humilde. Em 1950, com apenas sete anos, acompanhou os pais e dois irmãos quando a família se mudou para Santa Maria. O aeroporto internacional, construído pelos norte-americanos como base militar, no final da II Guerra Mundial, estava no auge da actividade enquanto importante ponto de ligação entre a Europa e as Américas, onde as grandes companhias aéreas faziam escalas para reabastecimento nos voos intercontinentais. A família morava no Bairro Operário e o pai trabalhava no cinema do Aeroporto — onde Daniel via os filmes de Hollywood que o faziam querer procurar uma vida melhor na terra das oportunidades.

O planeamento da viagem começou aos 14 anos — Daniel aprendia o ofício de carpinteiro nas oficinas do Aeroporto e já ouvira relatos de tentativas semelhantes, nos aviões militares que partiam da Base das Lajes, na Terceira. Observou de perto os diferentes tipos de aeronaves, quando fazia incursões pela placa com os amigos, às escondidas da polícia. Escolheu o avião, a companhia aérea e o destino. "O meu plano foi perfeito", recordou ao jornal Portuguese Times, de New Bedford, duas décadas depois da viagem. "Sempre gostei de aventura."

cortesia I love azores

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Igreja de São Sebastião na cidade de Ponta Delgada ilha de S. Miguel Açores

A Igreja Matriz de São Sebastião localiza-se freguesia de São Sebastião, na cidade e concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores.
A sua construção remonta a uma ermida sob a invocação de São Sebastião, padroeiro da cidade, erguida após uma grande peste que a assolou, conforme referido pelo cronista Gaspar Frutuoso nas Saudades da Terra.

As obras do actual templo transcorreram entre 1531 e 1547, tendo recebido auxílios dos reis D. João III e D. Sebastião, datando desse período as magníficas portadas em estilo manuelino que chegaram até nós. As portas dos alçados laterais, em estilo barroco, são de basalto da ilha.
Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 39.175, de 17 de Abril de 1953.
Ao longo dos séculos a edificação sofreu profundas transformações em seu conjunto, típico do estilo gótico em Portugal, com detalhes manuelinos e, posteriormente, barrocos. No século XVI, a torre sineira erguia-se no ângulo Nordeste. Na primeira metade do século XVIII, o templo foi objecto de extensa campanha de obras.

O altar-mor era inteiramente em talha dourada, havendo nele riquíssimos panos de azulejos.
O actual relógio na torre foi doado em fins do século XIX por António Joaquim Nunes da Silva.
Até há relativamente poucos anos existiam junto aos púlpitos, nas naves, dois coros, um deles com o órgão onde tocou o padre Joaquim Silvestre Serrão.
Entre as capelas, destacam-se a de Nossa Senhora do Rosário, onde o padre António Vieira instituiu a devoção ao Rosário em Ponta Delgada.