segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Lista de Emigrantes da cidade de Ponta Delgada Açores que partiram para o Brasil


1.  António Augusto Monteiro de Barros (Santa Maria, Ponte Delgada, Açores, Portugal, c. 1790 - Rio de Janeiro, Brasil, 16 de Novembro de 1843) casado com Virgínia Amália Carneiro de Campos e Maria Constança da Graça Rangel.

2.  António Carvalho Tavares (São Sebastião, Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores, Portugal, ? - Salvador, Bahia, ?) casado com Margarida Teresa de Negreiros.

3.  Bárbara da Conceição (Santa Bárbara , Ponte Delgada, Ilha Terceira, Açores, Portugal, 13 de Junho de 1703 - Viamão, Rio Grande do Sul, 23 de Julho de 1794) casada com Diogo Pacheco Louro.

4.  Diogo Pacheco Louro (Santa Bárbara , Ponte Delgada, Ilha Terceira, Açores, Portugal, 4 de Dezembro de 1699 - Viamão, Rio Grande do Sul, 2 de Julho de 1790) casado com Barbara da Conceição.

5.  Francisco Rodrigues Alves (Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores, Portugal, 7 de Fevereiro de 1758 — Vassouras, 21 de Julho de 1846), foi proprietário rural brasileiro, pioneiro do povoamento e um dos fundadores do município fluminense de Vassouras, e ancestral da antiga família fluminense Rodrigues Alves Barbosa.


6.  José António do Rego (NS dos Anjos, Ponte Delgada, Ilha de S. Miguel, Açores, Portugal, ? - Brasil, ?) casado com Teodora Maria Soares.

7.  José Caetano Pereira (Ponta Delgada, São Miguel, Açores, Portugal, ? - Brasil, ?) casado com Eugénia Maria de Figueiredo.

8.  José Inácio Borges do Canto (Ponta Delgada, São Miguel, Açores, Portugal, c. 1732 - Brasil, ?) filho de José Caetano Pereira e Eugénia Maria de Figueiredo

9.  José de Medeiros e Albuquerque (Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, c. 1756 - Rio Grande do Sul, 30 de Julho de 1823) casado com Ana Joaquina Leocádia da Fontoura.~

10.  Luzia Francisca da Assunção (Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores, Portugal, ? - Brasil, ?) casado com Manuel de Medeiros e Sousa.

11.  Manuel de Medeiros e Sousa (Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores, Portugal, 27 de Julho de 1716 - Florianópolis, Santa Catarina, 16 de Setembro de 1804) casado com Luzia Francisca da Assunção e Ana de Santiago.


12.  Maria Leopoldina Machado de Câmara (Ponta Delgada, Açores 1812 - Rio de Janeiro, 1849) casou-se com Francisco José de Assis, foi a mãe de Joaquim Maria Machado de Assis.


13.  Maria Teresa de São José (Ponta Delgada, São Miguel, Açores, Portugal, c. 1734 - Brasil, ?) filha de José Caetano Pereira e Eugénia Maria de Figueiredo.

14.  Maria Teresa de São José (Ponta Delgada, São Miguel, Açores, Portugal, ? - Brasil, ?) filha de António Pereira De Frias e Francisca Rosa, casada com Ventura José Sanhudo.

15.  Nicolau Henriques (São Pedro, Ponta Delgada, Ilha das Flores, Azores, Portugal, ? - Brasil, c. 1841) casado com Josefa del Jesus.


16.  Pedro Medeiros da Costa (Santo António, Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores, Portugal, ? - São Paulo, c. 1762) casado com Isabel dos Reis.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

A Açoriana que trabalhou em limpezas e hoje está no topo da Johnson & Johnson


Filha de imigrantes da ilha de São Jorge e de São Miguel, que vieram para os Estados Unidos em 1969, Lúcia foi este mês, aos 41 anos, nomeada vice-presidente de Tecnologias de Informação da multinacional Johnson & Johnson.
A sua ascensão no mundo dos negócios começou quando ainda estudava na universidade e trabalhava em vários locais para pagar os estudos.
"Um dos trabalhos que fiz foi ajudar a minha mãe a limpar casas. Um dia estava a falar com o Sr. Casey, cuja casa estava a limpar, e ele interessou-se pelo que eu estudava e o que queria fazer. Ele trabalhava na Fujitsu América, que estava a lançar uma divisão interactiva. Naquela altura, quase nenhuma empresa tinha um site e fui contratada para aprender a programar HTML", lembra.
Aos poucos, foi aprendendo mais sobre tecnologia e decidiu construir a sua carreira nesta área. "Foi como aprender mais uma língua. Apaixonei-me por ela no meio da excitação do Sillicon Valley e do seu espírito inovador", garante.
Lúcia começou por licenciar-se em línguas estrangeiras, na Universidade de San José, completou um mestrado em literatura na Universidade de Santa Cruz, e quando se voltou para a área dos negócios completou um MBA na Universidade de San Jose e procurou formação adicional em Harvard.
"Nunca procurei títulos. Procurei desafios, áreas em que podia expandir a minha aprendizagem e adquirir mais responsabilidade. Sempre gostei de dar forma a negócios e, com a minha experiência em tecnologia, esta posição é ideal para as minhas aspirações", explica à agência Lusa.
Quando Lúcia decidiu juntar-se à Johnson & Johnson, em 2002, fê-lo porque a companhia lhe "dava a oportunidade de juntar tecnologia com cuidados de saúde de formas que não eram possíveis antes da era da internet".

"Gosto de criar possibilidades onde outros acreditam que elas não existem. Gosto da ideia de dar a uma mãe e a um pai mais tempo com as suas crianças e entusiasma-me a possibilidade de mais pessoas terem acesso a cuidados de qualidade. Acredito que áreas como análise estatística avançada, tecnologia social e ferramentas móveis podem trazer oportunidades que não tínhamos antes", explica.
A multinacional é mais conhecida em Portugal pela sua linha de cuidados para bebé, incluindo o champô, mas a multinacional, que facturou 74.3 mil milhões de dólares no ano passado (cerca de 70 mil milhões de euros) e está presente em 175 países, tem uma vasta área de negócios ligados à tecnologia e saúde, que inclui medicamentos e material médico.
A liderança da empresa diz que a gestora foi escolhida por ter "um misto de capacidades tecnológicas, de estratégia e de execução."
Lúcia cresceu no norte da Califórnia, onde existe uma grande comunidade de imigrantes açorianos, e visita Portugal, onde passou a sua lua-de-mel, sempre que pode.
"Os meus pais sempre falaram português em casa com os cinco filhos. Crescemos a perceber a nossa língua nativa e a ter um gosto profundo por Portugal, a sua história e as nossas raízes", explicou à Lusa.

Em casa, a gestora só fala português com as duas filhas.
"Quando entrei na creche, não sabia falar inglês, apesar de ter nascido no país e sempre ter vivido nele. Mas as crianças aprendem línguas extremamente rápido e algumas semanas depois de começar a escola já sabia inglês suficiente para lidar com os meus colegas", garante.
A luso-americana acredita que ter nascido numa família de imigrantes foi determinante no seu percurso.


Cortesia I LOVE AÇORES

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Estalagem da Serreta na ilha Terceira Açores


A Estalagem da Serreta é uma das obras arquitectónicas mais emblemáticas dos Açores é particularmente conhecida por ter sido o ponto de encontro entre Marcelo Caetano pela Parte de Portugal, Georges Pompidou, pela parte da França e de Richard Nixon pela parte dos Estados Unidos, a quando da cimeira Pompidou/Nixon que se realizou na ilha Terceira em Dezembro de 1971.

Localiza-se junto à Mata da Serreta, uma zona de forte implatação Florestal na freguesia da Serreta.
Trata-se de uma obra do arquitecto João Correia Rebelo e hoje está completamente abandonada.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Vulcão submarino das freguesias da Serreta e Raminho de 1867, a procissão dos Abalos


A freguesia do Raminho, na ilha Terceira, sai à rua numa procissão de penitência que é também um pedido para que a terra não trema, uma tradição que se repete no sábado.
Às 6:30, antes do início de um fim de semana de descanso ou, nalguns casos, de mais um dia de trabalho, a população junta-se para rezar e lembrar as crises sísmicas que afectaram a ilha noutros tempos.

Estima-se que a primeira procissão tenha ocorrido em 1883, três anos depois de o corato do Raminho ter sido elevado a paróquia, e desde esse ano que todos os dias 31 de maio começam ou terminam com o mesmo ritual, mesmo que calhe num dia de semana.
A "procissão dos abalos", como é conhecida, nasceu da aflição das pessoas perante uma crise sísmica, despoletada pelo rebentar de um vulcão submarino ao largo da zona este da ilha Terceira.
A promessa feita durante a crise sísmica foi passada de geração em geração e os sismos frequentes ajudaram a cimentar a motivação.

A procissão não leva filarmónica, por isso as pessoas cantam repetidamente uma avé-maria e uma Santa-Maria e no regresso repetem oito vezes um cântico, invocando Deus pai, Deus filho, o Espírito Santo e a Virgem Maria, à semelhança do que aconteceu na primeira procissão.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Thomas Hickling na ilha de S. Miguel Açores


Thomas Hickling  nasceu em Boston, 21 de Fevereiro de 1745  e faleceu em  Ponta Delgada, 1834. Foi um abastado comerciante norte-americano, vice-cônsul dos Estados Unidos (1795-1834) para as ilhas de São Miguel e de Santa Maria e um dos grandes impulsionadores do comércio da laranja dos Açores para a Grã-Bretanha (que esteve na origem de um do período de grande prosperidade nas ilhas – o ciclo da laranja).
Construiu o palacete onde hoje funciona o Hotel São Pedro em Ponta Delgada e foi um dos pioneiros do desenvolvimento do termalismo no Vale das Furnas ilha de São Miguel, onde construiu o Yankee Hall, núcleo inicial do actual Parque Terra Nostra.
Deixou numerosa descendência, entre a qual se conta William Hickling Prescott (historiador americano), Roberto Ivens (oficial da Armada e explorador de África), Guilherme Ivens Ferraz (oficial da armada que se distinguiu nas campanhas coloniais de António Enes a ponto de ser condecorado com a Ordem da Torre e Espada) e Artur Ivens Ferraz (general, várias vezes ministro e presidente do conselho de ministros num dos governo da ditadura militar que se seguiu ao 28 de Maio de 1926).
Thomas Hickling casou em 1764, aos 19 anos, com Emily Green, de quem teve dois filhos: William e Catherine. Sendo Thomas Hickling partidário da revolução independentista americana, entrou em colisão com as opiniões lealistas do pai, William Hickling, que, temendo que o jovem viesse a ser preso e a colocar toda a família em posição difícil, o terá enviado para Ponta Delgada como delegado comercial no âmbito da nascente expansão do comércio marítimo da Nova Inglaterra. Partiu em 1769, deixando a mulher e os dois filhos em Boston.

Em 1778, após a morte da primeira mulher, que nunca mais voltara a ver, casou com Sarah Falder, uma jovem de Filadélfia que, com os pais, arribara à ilha de São Miguel após um naufrágio.
Foi um dos pioneiros na cultura e comércio da laranja que dos Açores exportava para a Grã-Bretanha e o Báltico, aproveitando o chamado ciclo da laranja que floresceu nos Açores no último quartel do século XVIII e primeira metade do século XIX. Fez fortuna, tornando-se rapidamente num dos homens mais ricos do seu tempo nos Açores.
Em 1795, foi nomeado por Thomas Jefferson, então Secretário de Estado, vice-cônsul dos Estados Unidos (cargo que o filho continuou), iniciando a mais antiga representação diplomática americana em funcionamento contínuo em todo o mundo. Posteriormente foi também nomeado cônsul da Rússia.
Para além dos filhos que deixou em Boston, Thomas Hickling teve larga descendência (contam-lhe 14 filhos) na ilha de São Miguel.

Com gosto requintado, investiu na construção de várias moradias, a mais conhecida das quais é o palacete de estilo inglês (georgiano colonial começado a construir em 1812) fronteiro à igreja de São Pedro em Ponta Delgada onde hoje funciona o Hotel São Pedro. Este palacete foi consulado americano e, durante a presença de forças navais americanas em Ponta Delgada no decurso da I Guerra Mundial, esteve ali instalado o Almirantado Americano e a residência oficial do seu comandante, o contra-almirante Herbert Owar Dunn, que deu o nome ao largo fronteiro.
Nas Furnas construiu uma residência de verão, rodeada por um largo jardim (hoje o parque Terra Nostra).
A sua residência principal foi a da Quinta da Glória, em Rosto de Cão, actual Livramento. Construída por volta de 1802, para ela mandou vir mestres dos Estados Unidos que colaboraram com artesãos locais. Tinha um dos mais bonitos jardins de S. Miguel, hoje totalmente desaparecido, e apesar da degradação e abandono a que está votada, continua a ser, ainda hoje, um magnífico exemplar de arquitectura civil pela beleza, funcionalidade e qualidade de construção.
Nunca mais voltou aos Estados Unidos. Thomas Hickling faleceu em 1834 e está enterrado no Cemitério dos Ingleses de Ponta Delgada, deixando numerosa descendência nos Açores, Portugal, Estados Unidos e África do Sul.

O comércio da laranja levou Thomas Hickling ao vale das Furnas. Impressionado pela beleza do local e pelo potencial das águas termais que ali abundam, desde 1770 (o seu nome a esta data foram por ele gravados numa rocha ainda hoje existente junto aos geysers das Caldeiras) que se empenhou no desenvolvimento daquele vale como estância de termal, de veraneio e lazer.
No início do século XIX construiu no centro do vale, nas margens da ribeira de água quente férrea ali existente, um pavilhão, jardim e tanque de água férrea a que chamou “Yankee Hall", pequena construção inspirada no Trianon. São desse tempo vários exemplares de araucária, de tulipeiro e sequóia que formam o núcleo antigo do actual parque Terra Nostra, hoje anexo ao Hotel art déco (construído em 1935 mas totalmente reconstruído em 1997) com o mesmo nome.
A partir de 1842 a propriedade passou a pertencer ao visconde da Praia, que, com o filho, o 1.º Marquês da Praia, iniciou a ampliação e melhoramento do parque e construiu a actual Casa do Parque no lugar do original Yankee Hall. Nessa casa foi recebido o rei D. Carlos aquando da visita que fez aos Açores em 1901.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Ciclo da laranja nos Açores


Dadas as condições ambientais os laranjais rapidamente tem um acento o desenvolvimento, sendo que já no século XVII a cultura da laranja mostra predomínio sobre as restantes. É nos princípios do século XVIII que acontecem as primeiras exportações deste fruto para a Europa continental e em especial para a Inglaterra.
A cultura da laranja nas ilhas dos Açores obrigou ao desenvolvimento de novas técnicas principalmente destinadas à protecção das árvores das inclemências do clima, principalmente dos ventos e onde isso se justificava, da forte e negativa influencia do mar. Essas novas técnicas levaram ao moldar da natureza às necessidade que a cultura impunha. Assim foram levantados altos muros de pedra solta que ainda hoje, séculos depois do fim do Ciclo da Laranja ainda perduram em muitos locais das ilhas. Foram também plantadas como sebes várias espécies arbóreas em que predominaram a endémica Myrica faya (faia-da-terra) e o incenso (Pittosporum undulatum). Foram também plantados muitos pinheirais que tiveram uma dupla utilidade uma vez que além de servirem de abrigo serviram também como matéria-prima para a confecção de caixas usadas para o transporte da laranja exportada.
A exportação da laranja para os mercados europeus num tempo em que poucos eram os caminhos existentes foi muitas vezes difícil. O transporte do fruto era feito em burros ou cavalos, e quando era possível em carros de bois, isto sempre tendo em atenção as dificuldades inerentes à fragilidade do fruto.

Muitas vezes, e quando a carga se declarava ser impossível de transportar por um só animal e não era possível usar outro meio de transporte usavam-se dois burros emparelhados no que ficou localmente designado como pau e corda. Esta expressão na prática significa a forma como as cargas eram aplicadas: Assim as cargas eram dependuradas em cordas, estas amarradas a uma ou duas barras de madeira, conforme as necessidades. Nas pontas dessas barras de madeira passavam as albardas dos dois animais emparelhados.
Não se deve também descurar que os problemas do transporte do fruto por terra eram os únicos problemas encontrados, visto que o seu transporte por mar também tinha acentuado o problemas e perigos. É de referir as tempestades que assolavam os navios, sendo que é desconhecido o número de embarcações destinadas ao transporte da laranja que naufragaram de e para o seu destino.
No ano de 1834 os laranjais sofreram duas infestações que deram inicio ao fim desta cultura: Possivelmente o mais conhecido e que maiores estragos fez foi o Coccus hesperidum, vulgarmente conhecido como cochonilha. Este insecto foi introduzido nos Açores em dois limoeiros que foram enviados para a Ilha do Faial, tendo depois e a partir desta ilha expandindo-se para as restantes ilhas dos Açores.

O outro grande mal que contribuiu fortemente para a destruição dos laranjais foi a doença que conduz à perda prematura das laranjas, conhecida como a "lágrima", e que leva ao deterioramento da qualidade do fruto e da própria árvore.
Foi durante o século XIX que a cultura da laranja e a respectiva comercialização atingem o seu apogeu e também o seu declínio facto que ocorreu primordialmente entre 1840 e 1875. Factos com que também se encontram relacionados segundo historiadores da história dos Açores, a crise económica da grande depressão económica Mundial que ocorreu entre 1873 e 1896 e que se fez sentir na economia com a diminuição da importação de laranja a partir do estrangeiro.