segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Manuel António Vasconcelos, fundador do Açoriano Oriental

Manuel António Vasconcelos,  nasceu na  Bretanha, Açores a 5 de Fevereiro de 1786 e  faleceu em  Rabo de Peixe, 10 de Outubro de 1844, foi um deputado e jornalista que se destacou na defesa dos princípios da Constituição de 1822. Foi o fundador do periódico Açoriano Oriental,  que ainda se publica na cidade de Ponta Delgada, Açores.
Nasceu no lugar de Pilar da Bretanha, da então freguesia da Bretanha, filho do sargento-mor Manuel Joaquim de Vasconcelos, morgado, natural de Pilar da Bretanha, e de sua esposa, Gertrudes Vicência da Câmara e Melo, natural de Rabo de Peixe. Foi irmão do sargento-mor José Maria da Câmara Vasconcelos. Sendo o mais velho dos doze filhos do casal, ficou por isso herdeiro do vínculo da Lomba Grande, instituído pelo padre João de Sousa Vasconcelos, mas recusou a herança por escritura lavrada no tabelião de Ponta Delgada pela qual se comprometeu a compartilhar alimentos e parte dos bens com a mãe e os irmãos.  Foi o último administrador do vínculo, o qual foi abolido por sentença de 11 de Junho de 1841.
Após uma breve incorporação no Batalhão Cívico, ingressou vida política como vereador da Câmara Municipal de Ponta Delgada, cargo que exerceu de Fevereiro de 1831 a Abril de 1836, sendo eleito deputado pela Província Oriental dos Açores nas eleições gerais de 20 de Novembro de 1836 para a legislatura de 1837-1838.  No Parlamento ligou-se ao sector mais radical do liberalismo, defendendo a Constituição de 1822 e assumindo-se como um dos mais notáveis defensores do setembrismo radical. Considerado um grande orador, de discurso exaltado, rejeitava quaisquer concessões em relação aos princípios da Constituição de 1822.

Foi novamente eleito deputado, desta feita pelo círculo de Ponta Delgada, para a legislatura de 1838-1840. Na qualidade de deputado, pertenceu a várias comissões parlamentares e lutou pela extinção dos morgadios e vínculos, defendeu a aplicação de alguns bens deixados pela extinção das ordens religiosas e pelas vendas dos conventos para a criação de portos francos na ilha de São Miguel, pugnou pela construção de um novo hospital e de uma doca em Ponta Delgada e pela elevação da Povoação e das Capelas à categoria de vilas.
Enquanto esteve na capital foi também advogado pro visionário
, recusando vários convites para exercer outros cargos políticos. Por motivo de doença regressou a São Miguel, em 1844.
Na área do jornalismo em 1835 fundou, com o seu irmão José Maria da Câmara Vasconcelos, o Açoriano Oriental, jornal que redigiu durante alguns anos. Em 1838, já deputado, fundou em Lisboa, o jornal O Tempo, conjuntamente com José Estêvão de Magalhães.
Considerado o primeiro jornalista profissional em São Miguel, os princípios deontológicos que então imprimiu mantêm-se actuais e anteciparam as modernas concepções de direito de resposta, segundo Mário Mesquita (Açoriano Oriental, 1995).

Foi membro da Maçonaria, pertencendo à Loja 2 de Agosto de 1831, de Lisboa, conhecida pelo nome de Os Gatos.
Foi homenageado em 1995, por ocasião do 160.º aniversário do Açoriano Oriental, foram-lhe prestadas várias homenagens: o seu nome passou a figurar numa artéria em Ponta Delgada, na escola primária do Pilar da Bretanha e no Jardim da Povoação.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Batalha Naval de Vila Franca na ilha de S. Miguel Açores


A Batalha Naval de Vila Franca,  foi um recontro travado no dia 26 de Julho de 1582, a sul da ilha de São Miguel, Açores, entre uma força luso-francesa, comandada por Filippo Strozzi, e uma armada espanhola (mas que incluía boa parte da armada portuguesa), comandada por D. Álvaro de Bazán, marquês de Santa Cruz, no contexto da guerra civil que se seguiu à aclamação de D. António I e à entrada de Filipe II de Espanha na posse do trono português. As forças luso-francesas foram derrotadas, D. António foi obrigado a refugiar-se na ilha Terceira, seguindo-se um enorme massacre em Vila Franca do Campo, sendo o maior de que há registo nos Açores.
Consolidada a sua posição em Portugal e segura a obediência do país, Filipe II de Espanha tinha os últimos apoiantes do pretendente ao trono D. António I dispersos pela Inglaterra e França, com o único núcleo coeso encurralado nos Açores. E mesmo nos Açores, as ilhas de Santa Maria e de São Miguel já lhe tinham jurado fidelidade, tendo à frente o bispo e o capitão do donatário em São Miguel.
Desejoso de eliminar aquele foco de resistência, e não podendo prescindir da posição geoestratégica do arquipélago no contexto do seu império ultramarino, já que a volta do largo obrigava a que os navios vindos das Caraíbas, do Atlântico Sul e da Índia demandassem aquelas latitudes, prontificava maiores forças e fazia grandes levas de gente em seus Estados para se opor às pretensões açorianas de D. António.

Tendo como único território sob o seu domínio sete ilhas nos Açores, com a Terceira à cabeça, e obtido o apoio, embora não oficial, da rainha-mãe Catarina de Médicis, que fornece o grosso das tropas e os navios, D. António parte de Belle-Isle, na costa bretã, a 26 de Junho de 1582, acompanhado por uma armada de cerca de 50 navios grandes e 20 pequenos, com 6 000 homens de guerra, capitaneada por Filippo Strozzi, ex-marechal de França, tendo por Condestável D. Francisco de Portugal, 3.º conde de Vimioso. Num golpe de duplicidade, que custaria a vida às centenas de súbditos franceses que foram aprisionados e depois executados como corsários, a corte francesa optou por manter a paz com Castela, pelo que todos os franceses que partiram na expedição, incluindo Filippo Strozzi, o fizeram como mercenários. Oficialmente a França e Castela estavam em paz.
A armada partiu a 10 de Julho imediato, ficando ainda em organização nos portos da Andaluzia uma força adicional que, sob o comando de D. Juan Martínez de Recalde, se lhe deveria juntar na ilha de São Miguel tão breve quanto possível.

Porém não sabendo Filipe I qual o ponto a que se dirigiria a armada francesa, se em direitura aos Açores, ou se tentaria desembarcar entre o Douro e o Minho, ordenou extraordinárias levas por toda a Espanha, e as mandou recolher em Portugal, entregando-as a cargo de D. Fernando de Toledo para que com elas guardasse as costas marítimas.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Os primeiros imigrantes que vieram das regiões da Holanda e Bélgica para os Açores


Govaert Lodwijk que deu origem aos nomes Gularte, Goulart e Luis.

Leon de Hurtere, cujos filhos emigraram para os açores, entre eles Joz van Hurtere que originou

Dultra, Dutra e Horta.

Jacob van Brugge, fundador da Vila da Praia na Ilha Terceira, em janeiro de 1451, com muitos descendentes, incluindo a família "de Bruges" local.

Willem de Kersemakere, que deu origem a Casamaca e Silveira este por sua esposa Margarida de

Sabuya possivelmente seu sobrenome original seria van der Haagen, de onde vem também Vandraga.

Willem van der Bruyn ou Guilherme de Brum.

Joz van Aertrycke que originou o sobrenome da Terra.

Pieter van de Roos, de originou os sobrenome da Rosa

Van de Olm - Fernão Dulmo, que fundou Quatro Ribeiras na Terceira.

van den Berghe (Berge)

Bettencourt


Bormans (Bermans)

Bulscamp (Bulcão)

Van Can (Cao),

Verstraeten (Estrada)

Fabritius Timmermans (Fabrício)

Van der Goes (Gois)

De Groot (Grotas)

Hustaerdt (Hustarte)


Lem, (Leme)

Van der Linden, Verlinden (Linde)

De Lis (Lis, Liz),

de Looze (Luis, Luiz)

Van Praet (Praet)

De Rouze (Rosa)

Silvester (Silvestre),


Van Rossem (Rossem)

Teeuwen, Teewen (Teves)

E os franceses:

French Bouillion (Bulhões)

Dumas (Dumas)

Jacques, Jacobs (Jacques)

Le Merchier (Lemerchier)

Pegas (Pegues, Piques)

Pernet

De Ponte, Dupont (Ponte)

Santes (Sanches, Santos)

sábado, 5 de janeiro de 2019

Feliciano António da Silva Leal


Feliciano António da Silva Leal,  mais conhecido por Coronel Silva Leal, foi um militar e político açoriano, detentor de várias condecorações das Campanhas de África, que foi presidente da Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo e Delegado Especial do Governo da República para os Açores (1927). Na qualidade de Delegado do Governo foi um dos principais promotores da reforma do sistema autonómico que resultou na aprovação do Decreto de 16 de Fevereiro de 1928, considerado como grande vitória pelos líderes do segundo movimento autonomista dos Açores.
Feliciano António da Silva Leal nasceu a 26 de Julho de 1876, na freguesia da Praia do Almoxarife, ilha do Faial, tendo enveredado pela vida militar. Como comandante de uma coluna móvel, participou nas Campanhas de África contra as forças alemães durante a Grande Guerra, nomeadamente na campanha do Angoche e na ocupação do distrito de Moçambique. Recebeu diversas condecorações pelo seu desempenho naquelas campanhas, entre as quais a Medalha da Vitória. Foi feito oficial da Ordem de Avis e oficial da Ordem da Torre e Espada, com palma, por decreto de 20 de Janeiro de 1922. Ainda em Moçambique, ingressou na administração colonial, sendo governador do distrito de Moçambique (1918) e do distrito de Quelimane (1919-1925).

Ligado ao movimento militar vencedor do golpe de 28 de Maio de 1926, foi encarregue pela Ditadura Nacional de pacificar os Açores, face às reivindicações do segundo movimento autonomista e às dificuldades sentidas pelo novo poder em lidar com o estatuto de autonomia concedido aos distritos de Ponta Delgada e de Angra do Heroísmo. Para acomodar o novo poder, pelo Decreto n.º 14 402, de 7 de Outubro de 1927, foi criada a
figura de Delegado Especial do Governo da República para os Açores, dotada de um gabinete civil e militar e investido em poderes alargados de coordenação da acção administrativa e políticas no arquipélago.
A criação desta figura político-administrativa foi saudada pelos autonomistas como uma vitória, pois permitia uma maior aproximação ao poder central e uma efectiva centralização do poder no arquipélago dado o seu carácter supra-distrital. A nomeação de Silva Leal recebeu grande apoio local, sendo unânime o elogio da imprensa do tempo, particularmente quando escolheu para seu chefe de gabinete civil o paladino autonomista José Bruno Tavares Carreiro.
Em colaboração com José Bruno Tavares Carreiro e com o conselheiro Luís Bettencourt, elaborou o projecto da criação da Província Autónoma dos Açores, o qual, apesar de nunca ter sido aprovado, esteve na génese do Decreto n.º 15 035, de 16 de Fevereiro de 1928, que se traduziu numa marcada, embora efémera, consolidação dos poderes autonómicos, consagrando algumas das antigas aspirações autonomistas, em especial no campo financeiro.
Como Delegado Especial do Governo foi um dos principais obreiros da implantação do Estado Novo nos Açores. O seu papel foi tão relevante que quando em 1931 se desencadeou um movimento revolucionário contra a ditadura, foi nomeado Comandante Militar dos Açores e encarregue da repressão dos revoltosos.

Foi por duas vezes presidente da Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo, cargo no qual obteve particular relevo.
Faleceu em Angra do Heroísmo a 6 de Janeiro de 1961. Em Ponta Delgada, por deliberação camarária de 24 de Maio de 1928, o seu nome foi dado à antiga "Rua do Desterro" (nome se devia à ermida ali existente desde 1629 e dedicada a Nossa Senhora do Desterro). Na ilha do Faial o seu nome está perpetuado na Escola Coronel Silva Leal, cita na Praça da República da cidade da Horta, hoje transformada em Centro de Ciência e em cuja sala principal existe uma sua fotografia, e na toponímia do largo existente à beira mar na freguesia da Praia do Almoxarife.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Capela de Nossa Senhora das Vitórias na ilha de S. Miguel Açores


A Capela de Nossa Senhora das Vitórias localiza-se nas Furnas, na ilha de São Miguel, nos Açores. É considerada como um dos mais ricos e originais templos do arquipélago.
Foi mandada erguer por José do Canto, em consequência de um voto formulado por ocasião de uma doença grave de sua esposa. O seu testamento, escrito em 27 de Junho de 1862, reza:

Tendo feito, durante a maior gravidade da moléstia de minha esposa, em 1854, o voto de edificar uma pequena capela da invocação de Nossa Senhora das Vitórias, e não havendo realizado ainda o meu propósito por circunstâncias alheias à minha vontade, ordeno que se faça a dita edificação, no caso que ao tempo da minha morte não esteja feita, no sítio que havia escolhido, junto da Lagoa das Furnas, com aquela decência, e boa disposição em que eu, se vivo fora, a teria edificado
A ermida foi levantada ainda em vida de José do Canto, do que resultou que a mesma ficasse a constituir uma pequena maravilha artística, em estilo neo-gótico, imitando as grandes catedrais europeias. A obra de cantaria foi executada por pedreiros micaelenses sob a chefia do Mestre António de Sousa Redemoinho, de Vila Franca do Campo. A capela ficou muitíssimo valorizada com riquíssimos vitrais.

Foi inaugurada solenemente no dia 15 de Agosto de 1886, ainda em vida de José do Canto, referindo-se os jornais do tempo, a essa festa, em termos elogiosos. A imagem do altar-mor é feita de jaspe e os vitrais que circundam o templo evocam passos da vida de Nossa Senhora desde o nascimento à assumpção.
A Capela de Nossa Senhora das Vitórias foi construída nas imediações da casa de veraneio de José do Canto, que nela se encontra sepultado com sua esposa.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Conde de Simas na ilha Graciosa Açores

Manuel de Simas  nasceu em Santa Cruz da Graciosa, 22 de Dezembro de 1827  e faleceu em  Santa Cruz da Graciosa, 12 de Outubro de 1906,  foi o primeiro e único conde de Simas, título criado por decreto de 14 de Novembro de 1901, de D. Carlos I de Portugal. Foi um dos maiores terra
tenentes da ilha Graciosa. Viveu alguns anos no Arquipélago de São Tomé e Príncipe onde fez uma grande fortuna. Recebeu o título de Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa por decreto de 13 de Março de 1873.
Foi filho de Manuel da Cunha Simas e de Francisca Clara de Bettencourt. Casou com Isabel Maria Forjaz da Silveira Brum, de quem não teve filhos, daí não ter havido a continuidade do título apesar de D. Isabel Maria ter voltado a casar, desta feita com Francisco de Paula de Barcelos Machado de Bettencourt, também natural da ilha Graciosa e filho de Diogo de Barcelos Machado de Bettencourt.

Foi o líder do Partido Regenerador na Graciosa.
Sem descendentes, legou à Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, de que o seu sobrinho por afinidade Francisco de Mendonça Pacheco de Melo foi presidente (1893-1899), o palacete onde actualmente aquela entidade se encontra instalada. Em reconhecimento, a edilidade atribuiu o seu nome ao largo fronteiro.

sábado, 29 de dezembro de 2018

Ilhas de Bruma "Aldeia da Cuada" Ilha das Flores Açores



Localizada numa extensa fajã da costa oeste da ilha, delimitada do lado de terra pela enorme escarpa da Rocha da Fajã, uma falésia que nalgumas zonas excede os 600 m de altura, e do outro por uma linha de costa baixa e muito recortada, a Fajã Grande é composta por três lugares: a Fajã Grande, centro da freguesia e a sua localidade mais populosa; a Ponta da Fajã Grande, uma povoação sita numa estreita fajã encaixada entre o mar e a base da falésia da Rocha da Fajã, a norte da Fajã Grande; e a Cuada, um povoado sito num planalto a sueste, no limite com a freguesia da Fajãzinha, durante muitos anos deserto, hoje um empreendimento de turismo rural classificado como Conjunto de Interesse Municipal.

A Fajã Grande confronta com as freguesias de Ponta Delgada das Flores e Fajãzinha e considera-se o lugar mais ocidental de toda a Europa, já que para oeste apenas lhe fica o desabitado ilhéu do Monchique, descrito pelo padre José António Camões, um nativo da Fajã Grande, nos seguintes termos:
Em distancia de uma lagoa, pouco mais ou menos, a noroeste da ilha, está um alto ilhéu  de pedra chamado Monchique, que sendo bem alto (nada menos de vinte braças de altura) há por vezes mar tão bravo naquela Costa, que o cobre todo, saltando-lhe as ondas por cima.
A Fajã Grande é formada por terrenos detrítico, provenientes da falésia da Rocha da Fajã, produzindo um rico solo, embora pedregoso, o que se alia à abundância de água para fazer dos terrenos da freguesia férteis campos. O abrigo fornecido pela falésia e pela irregularidade do terreno permitiu também a instalação de pomares e de hortas, destacando-se a produção de inhames nos terrenos inundados, considerados os melhores dos Açores. Hoje a maior parte dos terrenos encontra-se abandonada, dada a recessão demográfica que a freguesia sofreu.

O porto da Fajã Grande, outrora uma das principais portas de entrada na ilha, encontra-se hoje reduzido a uma zona balnear, sendo apenas ocasionalmente utilizado pelas embarcações locais. Toda a zona que o rodeia, e a enorme praia de calhau rolado que se prolonga até à Ponta, são hoje uma das mais apreciadas estâncias de lazer da ilha, atraindo banhistas e surfistas de toda a ilha. A grande qualidade ambiental e paisagística do local, pese embora algumas casas construídas recentemente que destoam, dão à freguesia um grande potencial como destino turístico. Já surgiram algumas iniciativas na área da restauração e da hotelaria, com destaque para o complexo de turismo rural da Cuada, que fazem antever um rápido crescimento da indústria turística.
A freguesia alberga também alguns do melhores trilhos pedestres dos Açores, com destaque para aqueles que a ligam a Ponta Delgada das Flores.