sábado, 10 de novembro de 2018

General Francisco Maria da Cunha nasceu na ilha Terceira Açores


O General Francisco Maria da Cunha, que foi o primeiro ajudante de campo e chefe da casa militar de El-Rei D. Carlos I, nasceu na ilha Terceira no dia 22 de Dezembro de 1832, em meio desse período agitadíssimo na nação, em que os liberais triunfam sobre o absolutismo agonizante, cujos golpes mortais se talharam nas praias e nas rochas da Terceira que lhe embalará o berço.

Foi, o general Cunha, do conselho de Sua Majestade Fidelíssima, grã-cruz e comendador da ordem de São Bento de Aviz, comendador das ordens da Torre e Espada e Nosso Senhor Jesus Cristo, grã-cruz e comendador das ordens de Isabel a católica e do Mérito Militar de Espanha, cavaleiro da ordem de Carlos III, também de Espanha, grã-cruz e comendador da ordem da Estrela Brilhante, condecorado com as medalhas de ouro do comportamento exemplar e de serviços no Ultramar, com a de prata de bons serviços e com a de cobre para galardoar os serviços prestados pelos sócios da associação de socorros a náufragos; general da divisão dos quadros de reserva; 1.º Ajudante de campo e chefe da casa militar de El-Rei D. Carlos I; par do reino, ministro de estado honorário, etc.

É filho de general Francisco Jaques da Cunha e D. Maria Cândida de França e Horta.


O general Francisco Maria da Cunha exerceu em Portugal os mais elevados cargos que podia aspirar a sua capacidade intelectual e moral, e tão recentemente que todos dele conservam recordação.


domingo, 4 de novembro de 2018

Lenda da descoberta da ilha de Santa Maria

A lenda da descoberta da ilha de Santa Maria é um das lendas tradicionais da ilha de Santa Maria, nos Açores. Constitui-se em um dos muitos mitos que envolvem os descobrimentos portugueses do século XV.
A lenda passa-se à época do Infante D. Henrique, fundador da mítica Escola Náutica de Sagres. De acordo com ela, Gonçalo Velho Cabral, marinheiro do Infante, frade devoto da "Nossa Senhora", por ordem daquele fez-se ao mar numa caravela, fazendo uma promessa à Virgem de dar o nome dela à primeira terra que encontrasse no "mar Oceano".

As viagens marítimas dos descobrimentos eram geralmente difíceis, demoradas e imprevisíveis. Os marinheiros dependiam do vigia, no alto cesto da gávea quase na ponta de um mastro, para olhar o horizonte, desde o raiar da madrugada até ao anoitecer e tentar descobrir terra.

Gonçalo Velho esquadrinhava os mapas, anotava as correntes e rezava. Passaram-se calmarias e tempestades, noites e dias, meses... Foi então que num dia de Verão, no dia de Nossa Senhora em Agosto, amanheceu um dia claro, suave, de céu limpo. A vista alcançava grandes distâncias.

Na linha do horizonte foi surgindo uma nuvem, que foi se agigantando, ganhando forma e nitidez. A dada altura o gajeiro já não tinha mais dúvidas e gritou: "Terra à vista!". Gonçalo Velho Cabral e a restante marinhagem começavam o dia, como era hábito nessas alturas, com orações a Deus e a Nossa Senhora para que os ajudasse a encontrar terras novas. Estavam a rezar a "Ave Maria", e nesse preciso momento pronunciavam "Santa Maria".

Gonçalo Velho considerou que se tratava de um milagre de Nossa Senhora a lembrar-lhe a promessa que tinha feito. Esta era a primeira ilha descoberta nos Açores, a "ilha mãe", que recebeu de imediato o nome de ilha de Santa Maria.


Segundo a lenda, esta fé de Gonçalo Velho perpetuou-se no local, onde ainda se mantém grande devoção em Nossa Senhora, festejada efusivamente no mês de Agosto de cada ano.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Gervásio Lima

Gervásio da Silva Lima  nasceu  na Praia da Vitória, 26 de Março de 1876 — e faleceu em  Angra do Heroísmo, 24 de Fevereiro de 1945 , mais conhecido por Gervásio Lima, foi um prolífico escritor açoriano com uma obra em prosa e em verso que inclui contos, teatro e ensaios nas áreas da etnografia e da história. No campo da história não foi um investigador preocupado com o rigor científico dos temas tratados, antes escrevendo obras de pendor romântico, reveladoras do seu patriotismo e amor à terra em que nasceu, nas quais deu alma e corpo a heróis terceirenses, transformando-os em verdadeiros mitos populares. A ele se deve a mistificação
em torno das heroínas Brianda Pereira e Violante do Canto e o alpendurar da batalha da Salga em evento de extraordinária heroicidade.
Gervásio Lima perdeu o pai aos 5 meses de idade. Em consequência viu-se forçado a ingressar cedo no mundo do trabalho, empregando-se imediatamente após a conclusão dos estudos primários. Foi assim essencialmente um autodidacta, desenvolvendo desde cedo, e sem frequentar qualquer escola, uma escrita cuidada e erudita e um notável acervo de conhecimentos sobre a historiografia local.

Residiu até 1914 na então vila da Praia da Vitória, ali fundando e dirigindo os periódicos o Cartão (1903), A Primavera (1905), e O Imparcial (1907-1913). Com a publicação destes jornais e com o início da sua produção escrita, foi ganhando notoriedade no meio intelectual da ilha, o que lhe valeu ser contratado para o lugar de ajudante de bibliotecário na Biblioteca Municipal de Angra.

Em consequência, fixou-se em Angra do Heroísmo e iniciou uma carreira de 31 anos de trabalho como bibliotecário adjunto (até 1917) e depois como bibliotecário (de 1917 a 1945), o que lhe permitiu acesso permanente aos arquivos municipais e às obras existentes na Biblioteca Municipal. Naquela biblioteca procedeu à catalogação e ao estudo das mais de 3 000 obras de temática açoriana oferecidas por Mendo Bem, um fundo que serviu de inspiração à sua obra posterior.

Mantendo a sua actividade de publicista, em Angra do Heroísmo, dirigiu os periódicos O Democrata (1914-1920), o ABC (1920) e Cantos & Contos (1935), o que não o coibiu de colaborar noutros periódicos angrenses e de outras localidades. Na sua acção como publicista, utilizou, entre outros, os pseudónimos João Azul, João das Ilhas, João do Outeiro e Tomé da Eira.

Na década de 1920, com o objectivo de facilitar a impressão dos seus periódicos, adquiriu a Tipografia Insulana Editora, sendo contudo obrigado a vendê-la pouco depois.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O aventureiro da ilha do Pico em terras do Canadá


Silvey, que nasceu na pequena Ilha do Pico, na freguesia da Calheta de Nesquim, empregou-se num navio americano aos 12 anos de idade e, eventualmente abandonou a tripulação e se estabeleceu nesta província – e 158 anos após o início da sua aventura na costa do Canadá, há mais do que 1.000 dos seus descendentes espalhados por esta província.
Joe adquiriu uma propriedade em Stanley Park, estabeleceu um negócio de pescaria, construiu o seu primeiro barco e iniciou a indústria de pesca com redes – usando a sua experiência lusitana.
"The Remarkable Adventure of Portuguese Joe Silvey" publicada em 2004 é o primeiro trabalho de Jean Barman abordando a problemática da emigração açoriana para a Colúmbia Britânica.
No prefácio desta obra escreve Manuel A. Azevedo: "Existe um provérbio português que diz que Deus está em todo o lado, mas os portugueses chegaram lá primeiro."
Joe Silvey (Silva) foi um dos primeiros pioneiros portugueses a chegar ao Canadá muito antes de 1867, o ano da Confederação à qual a Colúmbia Britânica se juntou em 1871.

A história do Picoense Joe Silvey iniciou-se durante a corrida ao ouro de 1858 na Colúmbia Britânica. Estes foram os anos em que a população não nativa cresceu do dia para a noite. As 1000 almas que habitavam a Colúmbia Britânica viram de um momento para o outro o seu lugar "inundado" por sonhadores à procura de riqueza. Em pouco tempo a população somava 20.000 pessoas.
Todavia, o Picoense Joe Silvey não encontrou fortuna no ouro mas encontrou uma esposa nativa da localidade que mais tarde ficaria conhecida por Vancouver.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

A erupção do Pico Vermelho e do Chama na ilha Terceira

No dia 21 de Abril de 1761, quando a erupção do Pico Queimado caminhava para o seu termo, nova erupção surgiu cerca de 5 km a les-nordeste do foco eruptivo inicial, num local chamado Chama ou Mistério Velho. Esta segunda erupção teve carácter marcadamente
fissural, produzindo numa primeira fase um monte de bagacina com cerca de 70 metros de altura em relação aos terrenos vizinhos, do qual eram projectadas grandes pedras e areias basálticas (cinzas) que, conforme a direcção do vento, caíam sobre quase toda a ilha.

Depois desta fase inicial, começou a ser libertado lava basáltica muito quente e fluída, que formou um pequeno lago de lava com cerca de 500 m de comprido, a partir do qual se formaram três escoadas:   uma com cerca de 250 m de comprido e 75 m de largura, que se dirigiu para leste parando no lugar do Chama, por encontrar terreno mais elevado,   uma segunda dirigiu-se para noroeste, percorrendo cerca de 2,5 km, com uma largura aproximada de 75 m, formando o mistério do Tamujal, hoje uma língua de terreno florestado; e   uma longa No dia 21 de Abril de 1761, quando a erupção do Pico Queimado caminhava para o seu termo, nova erupção surgiu cerca de 5 km a les-nordeste do foco eruptivo inicial, num local chamado Chama ou Mistério Velho. Esta segunda erupção teve carácter marcadamente fissural, produzindo numa primeira fase um monte de bagacina com cerca de 70 metros de altura em relação aos terrenos vizinhos, do qual eram projectadas grandes pedras e areias basálticas (cinzas) que, conforme a direcção do vento, caíam sobre quase toda a ilha.

Depois desta fase inicial, começou a ser libertado lava basáltica muito quente e fluída, que formou um pequeno lago de lava com cerca de 500 m de comprido, a partir do qual se formaram três escoadas:   uma com cerca de 250 m de comprido e 75 m de largura, que se dirigiu para leste parando no lugar do Chama, por encontrar terreno mais elevado,   uma segunda dirigiu-se para noroeste, percorrendo cerca de 2,5 km, com uma largura aproximada de 75 m, formando o mistério do Tamujal, hoje uma língua de terreno florestado; e   uma longa escoada que dirigindo-se para norte, em direcção à freguesia dos Biscoitos, percorreu quase 6 km ao longo de terreno muito declivoso, atingindo nalguns lugares mais de 1500 m de largura. Esta escoada dividiu-se em dois ramos, um dos quais destruiu 27 casas na freguesia dos Biscoitos, terminando junto à igreja de São Pedro no lugar denominado Juncalinho. O outro ramo correu até ao lugar do Vimeiro, formado aí um extenso mistério.

A lava emitida desta erupção era tão fluída que corria como água, formando nas zonas mais declivosas camadas com pouco mais de 1 m de espessura. A fluidez da lava permitia que as pessoas se aproximassem, havendo histórias de procissões feitas nos Biscoitos em que os fiéis acendiam archotes na lava incandescente.

O cone formada era assimétrico, tendo uma cratera alongada assente sobre a fissura onde se instalou aberta a norte. O cone maior era de bagacina de cor vermelho vivo, daí o nome de Pico Vermelho, estando neste momento totalmente desmantelado devido à extracção de inertes. Os restantes pequenos cones, formados sobre a fissura, são de bagacina preta, estando também muito desmantelados pela extracção.

Os terrenos cobertos pela escoada estão hoje cobertos por matas e por alguns pomares na zona de mais baixa altitude (Juncalinho e Bairro de São Pedro, na freguesia dos Biscoitos). que dirigindo-se para norte, em direcção à freguesia dos Biscoitos, percorreu quase 6 km ao longo de terreno muito declivoso, atingindo nalguns lugares mais de 1500 m de largura. Esta escoada dividiu-se em dois ramos, um dos quais destruiu 27 casas na freguesia dos Biscoitos, terminando junto à igreja de São Pedro no lugar denominado Juncalinho. O outro ramo correu até ao lugar do Vimeiro, formado aí um extenso mistério.
A lava emitida desta erupção era tão fluída que corria como água, formando nas zonas mais declivosas camadas com pouco mais de 1 m de espessura. A fluidez da lava permitia que as pessoas se aproximassem, havendo histórias de procissões feitas nos Biscoitos em que os fiéis acendiam archotes na lava incandescente.

O cone formada era assimétrico, tendo uma cratera alongada assente sobre a fissura onde se instalou aberta a norte. O cone maior era de bagacina de cor vermelho vivo, daí o nome de Pico Vermelho, estando neste momento totalmente desmantelado devido à extracção de inertes. Os restantes pequenos cones, formados sobre a fissura, são de bagacina preta, estando também muito desmantelados pela extracção.

Os terrenos cobertos pela escoada estão hoje cobertos por matas e por alguns pomares na zona de mais baixa altitude (Juncalinho e Bairro de São Pedro, na freguesia dos Biscoitos).

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Vulcão dos Picos Gordos na ilha Terceira

Denomina-se vulcão dos Picos Gordos as erupções que ocorreram no período de 17 de Abril a 29 de Abril de 1761 no lugar dos Picos Gordos, freguesias dos Altares e dos Biscoitos, ilha Terceira, Açores. Apesar de ser normalmente citado como um único vulcão, naquele período ocorreram duas erupções completamente distintas na origem e no material emitido. Esta foi a única erupção que ocorreu em terra na ilha Terceira desde a sua colonização.
O vulcão dos Picos Gordos foi na realidade o resultado de duas erupções, praticamente coincidentes no tempo, mas distintas em tudo o resto:  uma erupção de material traquítico, muito viscoso, que formou um grande domo a oeste da Lagoa do Negro, nas imediações do Pico Gaspar, freguesia dos Altares; e   uma erupção de material basáltico extremamente fluido no lugar do Chama, a leste do Pico Gordo, que formou três escoadas lávicas, uma das quais atingiu o centro da freguesia dos Biscoitos.

As erupções foram precedidas pelo enfraquecimento das fumarolas das Furnas do Enxofre, sitas cerca de 4 km para sueste da zona de erupção, e por uma crise sísmica que começou a ser sentida pelas populações de toda a ilha, mas em particular dos Biscoitos e Altares, a partir de 22 de Novembro de 1760. Ao longo de todo o inverno daquele ano os sismos foram sendo sentidos, com maior ou menor intensidade, até que a partir de 14 de Abril de 1761 surgiu um tremor contínuo que aterrorizou as populações de ambas as costas da parte central da ilha. Pela manhã do dia 17, um enorme estrondo marcou o início da erupção.