quinta-feira, 7 de junho de 2018

Quem escreveu o Hino do Arquipélago dos Açores

O Hino dos Açores terá sido tocado em público pela primeira vez pela Filarmónica Progresso do Norte em Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, a 3 de Fevereiro de 1894. Nesse mesmo dia, António Tavares Torres, então presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal da Ribeira Grande, acompanhado de um grupo de amigos e da Filarmónica Progresso do Norte, foi a Ponta Delgada apresentar o hino. Depois da Filarmónica o ter executado em frente das residências dos membros da Comissão Eleitoral Autonómica, ao anoitecer, reuniu-se no Campo de São Francisco um largo grupo de apoiantes da autonomia, que depois percorreu as ruas da cidade em direcção ao Centro Autonomista frente ao qual se realizou um comício autonomista da campanha para as eleições gerais daquele ano. No comício discursaram, entre outros, Caetano de Andrade, Pereira Ataíde, Gil Mont'Alverne de Sequeira e Duarte de Almeida.

A 14 de Abril de 1894, dia das eleições gerais em que foram eleitos deputados autonomistas os Gil Mont'Alverne de Sequeira, Pereira Ataíde e Duarte de Andrade Albuquerque, realizou-se um cortejo pelas ruas de Ponta Delgada, integrando filarmónicas que tocavam o Hino da Autonomia, que os acompanhantes cantavam.
A 9 de Março de 1895, as filarmónicas também tocaram o Hino da Autonomia na Praça do Município de Ponta Delgada, numa festa organizada para assinalar a promulgação do Decreto de 2 de Março de 1895, que concedia, embora mitigada, a tão desejada autonomia.
Ao longo dos anos, e em função da evolução política, o hino terá tido várias letras. A primeira que se conhece é a do Hino Autonomista, na realidade o hino do Partido Progressista Autonomista, liderado por José Maria Raposo de Amaral, então maioritário em São Miguel. A composição é da autoria do poeta António Tavares Torres, natural de Rabo de Peixe e militante daquele partido. 
Com o advento do Estado Novo e do nacionalismo, o Hino dos Açores foi votado ao ostracismo.
Com a autonomia constitucional o Hino dos Açores foi oficiamente adoptado pelo parlamento açoriano e a sua música, com arranjo de Teófilo Frazão sobre o original, oficialmente aprovada pelo Decreto Regulamentar Regional n.º 13/79/A, de 18 de Maio. Face à inexistência de uma letra com aceitação generalizada, foi encomendada uma nova à poetisa açoriana Natália Correia.

A versão oficial do Hino dos Açores foi cantada pela primeira vez em público a 27 de Junho de 1984, por alunos do Colégio de São Francisco Xavier. Estiveram presentes na cerimónia João Bosco da Mota Amaral, então Presidente do Governo Regional dos Açores, membros do Governo e diversas entidades oficiais. O Hino foi cantado por 600 crianças, vestidas de saia azul, blusa branca e laço amarelo, que tinham sido ensaiadas pela professora Eduarda Cunha Ataíde, ao tempo professora de música no Colégio de São Francisco Xavier.

terça-feira, 5 de junho de 2018

A bandeira dos Açores


A bandeira dos Açores foi aprovada pelo Decreto Regional n.º 4/79/A, de 10 de Abril, e regulamentada pelo Decreto Regulamentar Regional n.º 13/79/A, de 18 de Maio. Corresponde, com pequenas alterações de estilização, à primeira bandeira da autonomia hasteada pela primeira vez por José Maria Raposo do Amaral, em Novembro de 1876, na casa do Monte, em Ginetes, na ilha de São Miguel.
Nos termos do artigo 2.º do diploma legal que a aprovou , a bandeira dos Açores tem a seguinte descrição vexilológica:
A bandeira tem a forma rectangular, sendo o seu comprimento uma vez e meia a altura.
A bandeira é partida de azul-escuro e branco.
A divisão do lado da haste tem dois quintos (40%) do seu comprimento, tendo a outra divisão três quintos (60%).
Ao centro, sobre a linha divisória, tem um açor voante, de forma naturalista estilizada, de oiro.
Por cima do açor, e em semicírculo, tem nove estrelas iguais, de oiro, com cinco raios.
Junto da haste, no canto superior, tem o escudo nacional português.
As cores que são as mesmas da bandeira da monarquia liberal portuguesa que foi aprovada por decreto de 18 de Outubro de 1830, assinado em Angra, onde então estava instalada a Regência do Reino. Aquela bandeira foi hasteada pela primeira vez no Castelo de São João Baptista do Monte Brasil, da cidade de Angra ainda nesse ano. A primeira bandeira hasteada, e que se conserva no Museu de Angra do Heroísmo, diz-se ter sido bordada pessoalmente pela rainha D. Maria II de Portugal.

Na bandeira dos Açores, para além do escudete português, simbolizando a ligação do arquipélago e dos açorianos a Portugal, foi incluído um açor, ave associada ao nome do arquipélago, e nove estrelas de cinco raios que simbolizam as nove ilhas habitadas que compõem o arquipélago.
O desenho oficial da bandeira foi publicado em anexo ao Decreto Regulamentar Regional n.º 13/79/A, de 18 de Maio[4], tendo-se optado pela utilização na parte azul-escuro da bandeira do designado azul ultramarino.
A bandeira dos Açores foi oficialmente hasteada pela primeira vez a 12 de Abril de 1979 nas sedes dos departamentos da administração regional autónoma, havendo nessa tarde o encerramento de todos os serviços oficiais (Despacho Normativo n.º 21/79, de 12 de Abril; e Despacho Normativo n.º 22/79, de 12 de Abril).

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Lista de embarcações naufragadas ao redor da costa da ilha Terceira, século XVI


1542 – Naufrágio da nau cognominada Grifo, capitaneada por Baltazar Jorge.

1555 - Naufrágio da nau Assumpção, comandada por Jácome de Melo.

1555 - Naufrágio da nau alcunhada de Algarvia Velha, acabada de chegar das Índias.

1556 - (6 de Agosto) - Naufrágio da nau Nossa Senhora da Vitória, da Carreira das Índias.

1556 - (6 de Agosto) - Naufrágio da nau Nossa Senhora da Assunção, Carreira das Índias.

1560 – Naufrágio de uma nau espanhola, da qual não se sabe o nome.

1583 - (21 de Outubro) – Naufrágio de 1.º patacho de um total de três embarcações naufragadas no mesmo dia. Embarcação confiscada pelos Espanhóis à Armada do Prior do Crato.

1583 – 21 de Outubro – Naufrágio de 2.º patacho. Embarcação também da Armada do Prior do Crato e confiscada pelos espanhóis.

1583 – 21 de Outubro – Naufrágio de 3º patacho. Embarcação igualmente da Armada do Prior do Crato e confiscada pelos espanhóis. Estes três barcos foram atiradas para a costa pelo famoso Vento Carpinteiro.


1586 - (17 de Setembro) – Naufrágio da nau Santa Maria, de nacionalidade espanhola e provinda de São Domingo. Devido ao nau tempo.

1586 - (18 de Setembro) – Naufrágio de 1.ª nau de um total de três naufragadas no mesmo dia, era de nacionalidade espanhola e nome capitania de 30 canhões de bronze. Devido ao mau tempo.

1586 – 18 de Setembro – Naufrágio de 2.ª nau de nacionalidade espanhola e nome Nuestra Señora de la Concepcional, de que se recuperou parte da carga.

1586 – 18 de Setembro – Naufrágio de 3.ª nau de nacionalidade espanhola.

1587 - Naufrágio de um galeão português de nome Santiago capitaneado por Francisco Lobato Faria e provindo de Malaca. Perdeu a amarra, salvando-se a gente e a fazenda.

1587 - Naufrágio de ma nau espanhola que provinha do Novo Mundo. Foi salva a carga de ouro e prata num valor que na altura somou um total de 56 000 escudos.

1588 - (Agosto) – Naufrágio da nau portuguesa São Tiago Maior, da Armada de 1586.

1589 - (4 de Agosto) – Naufrágio, dentro de fortalezas, o galeão São Giraldo de nacionalidade portuguesa e provindo de Malaca. Com este acontecimento, inicia-se o período Linschoten.

1589 - (20 de Outubro). Afundamento da nau espanhola Nuestra Señora de Guia, posta a pique por corsários, com 200 000 ducados em ouro, prata e pérolas a bordo.

1589 – Naufrágio à entrada de Angra da nau espanhola Trinidad, vinda do México, o acontecimento é descrito por por corsários, com 200 000 ducados em ouro, prata e pérolas a bordo.

1590 – (Janeiro) - Naufrágio de uma nau espanhola.

1590 – Janeiro – Naufrágio de uma nau espanhola da Armada da Biscaia.

1590 – Janeiro – Naufrágio de uma nau espanhola nos rochedos à entrada da Baía de Angra.

1591 – Setembro, 1.º naufrágio de um total de 12 embarcações de origem espanhola que afundaram açoitadas por uma tempestade próximo à costa da ilha Terceira, a maior parte deles nas imediações da Praia da Vitória, entre os registos encontra-se a nau Santa Maria del Puerto.

1591 – Setembro, 2.º naufrágio de um total de 12 embarcações de origem espanhola que afundaram açoitadas por uma tempestade próximo à costa da ilha, a maior parte deles nas imediações da Praia da Vitória, entre os registos encontra-se a nau de Sanchez Barragan.

1591 – Setembro, 3.º naufrágio de um total de 12 embarcações de origem espanhola que afundaram açoitadas por uma tempestade próximo à costa da ilha, a maior parte deles nas imediações da Praia da Vitória, entre os registos encontra-se a nau de Pedro Milanes, o Revenge.

1591 – Setembro, 4.º naufrágio de um total de 12 embarcações de origem espanhola que afundaram açoitadas por uma tempestade próximo à costa da ilha, a maior parte deles nas imediações da Praia da Vitória.

1591 – Setembro, 5.º naufrágio de um total de 12 embarcações de origem espanhola que afundaram açoitadas por uma tempestade próximo à costa da ilha, a maior parte deles nas imediações da Praia da Vitória.

1591 – Setembro, 6.º naufrágio de um total de 12 embarcações de origem espanhola que afundaram açoitadas por uma tempestade próximo à costa da ilha, a maior parte deles nas imediações da Praia da Vitória.

1591 – Setembro, 7.º naufrágio de um total de 12 embarcações de origem espanhola que afundaram açoitadas por uma tempestade próximo à costa da ilha, a maior parte deles nas imediações da Praia da Vitória.

1591 – Setembro, 8.º naufrágio de um total de 12 embarcações de origem espanhola que afundaram açoitadas por uma tempestade próximo à costa da ilha, a maior parte deles nas imediações da Praia da Vitória.

1591 – Setembro, 9.º naufrágio de um total de 12 embarcações de origem espanhola que afundaram açoitadas por uma tempestade próximo à costa da ilha, a maior parte deles nas imediações da Praia da Vitória.

1591 – Setembro, 10.º naufrágio de um total de 12 embarcações de origem espanhola que afundaram açoitadas por uma tempestade próximo à costa da ilha, a maior parte deles nas imediações da Praia da Vitória.

1591 – Setembro, 11.º naufrágio de um total de 12 embarcações de origem espanhola que afundaram açoitadas por uma tempestade próximo à costa da ilha, a maior parte deles nas imediações da Praia da Vitória.

1591 – Setembro, 12.º naufrágio de um total de 12 embarcações de origem espanhola que afundaram açoitadas por uma tempestade próximo à costa da ilha, a maior parte deles nas imediações da Praia da Vitória.

1591 – Setembro, naufrágio de uma nau inglesa de 40 canhões de bronze açoitada por uma tempestade próximo à costa da ilha, algures nas imediações da Praia da Vitória.

1591 – Setembro, naufrágio um flibot holandês, denominado em português Pomba Branca, açoitado por uma tempestade próximo à costa da ilha, algures nas imediações da Praia da Vitória.

1593 – Naufrágio da nau espanhola Nuestra Señora de los Remédios.

1593 – Naufrágio da nau espanhola Trinidad.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

A Lenda da Lagoa do Negro

A Lenda da Lagoa do Negro, há alguns séculos existia uma família nobre na Terceira que tinha, como era costume na época, escravos negros. A filha do morgado, habituada a receber as ordens do pai que eram compridas de forma inquestionável por todos, aceitou com naturalidade um casamento imposto por conveniência para a união de terras e aumento do poder.

Era um casamento sem amor mas, por boa educação e honestidade, ela submetia-se ao marido. No entanto, a morgada tinha um amor proibido socialmente inaceitável por um escravo negro, que lhe retribuía o sentimento.

Um dia o escravo negro falou com a sua amada e, juntos, chegaram à conclusão que o seu amor era impossível no mundo em que viviam. Só poderiam viver juntos se fugissem. No entanto, o marido da morgada tinha ordenado a uma das aias da esposa que a seguisse por todo o lado. Tendo ouvido a conversa entre a morgada e o escravo, esta informou o amo, que ordenou aos seus capatazes que prendessem o escravo.


Ao ouvir o ladrar dos cães de caça ao longe, e sabendo que não era dia de caçada, o escravo desconfiou que andavam à sua procura e pôs-se em fuga pelos campos, em direção ao interior da ilha. Após um dia e uma noite em fuga, caminhando por montes, vales e difíceis veredas, o fugitivo cansado e sentindo os cavalos já próximos, não tinha mais forças para correr ou sequer andar. Sem ter onde se esconder, resolveu parar e por ali ficar, abandonando-se à sua sorte.

Começou a chorar, e as suas lágrimas rapidamente se multiplicaram e fizeram nascer uma linda lagoa à sua frente, aninhada ao lado de uma colina arborizada. Quando se apercebeu da lagoa, os cavalos já estavam quase sobre ele. Não tendo mais para onde fugir, atirou-se da colina para as águas escuras e serenas da bela lagoa, onde se afogou.


quarta-feira, 23 de maio de 2018

As Donas Amélias


Doce tradicional da ilha Terceira. Canela, mel de cana, passas e outras especiarias dos Descobrimentos.
As Donas Amélias são um doce conventual terceirense, adaptado a uma receita que já existia, o chamado “Bolo das Índias”, que também é confeccionado com especiarias, em 1901, aquando a visita Régia da Rainha D. Amélia e do Rei D. Carlos pela Ilha Terceira.

Este doce foi confeccionado em forma de uma queijada, provém de um outro bolo mais antigo, feito com especiarias. Os habitantes da ilha ofereceram as queijadas ao Rei e à Rainha como forma de agradecimento, atribuindo assim o nome da Rainha aos doces, como forma de homenagem.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Em 1740 chegaram os primeiros Açorianos à região do actual Rio Grande do Sul


Em 1740 chegou à região do actual Rio Grande do Sul o primeiro grupo organizado de povoadores. Vindos das ilhas dos Açores, contavam com o apoio oficial do governo, que pretendia que se instalassem na vasta área onde estavam situadas as Missões. Mas as dificuldades de transporte fizeram com que terminassem por se fixar na área da actual cidade de Porto Alegre.
Estado brasileiro localizado na região Sul. Possui como limites Santa Catarina (N), oceano Atlântico (L), Uruguai (S) e Argentina (O). Ocupa uma área de 282 062 km2. A sua capital é Porto Alegre.
As cidades mais populosas são: Porto Alegre, Pelotas, Caxias do Sul, Canoas e Santa Maria. O relevo é constituído por uma extensa baixada, dominada ao norte por um planalto.

Os rios principais são: Uruguai, Taquari, Ijuí, Jacuí, Ibicuí, Pelotas e Camacuã. O clima é subtropical.
Em 1627, jesuítas espanhóis criaram missões, próximas ao rio Uruguai, mas foram expulsos pelos portugueses, em 1680, quando a coroa portuguesa resolveu assumir o seu domínio, fundando a Colónia do Sacramento. Os jesuítas portugueses estabeleceram, em 1687, os Sete Povos das Missões. Em 1737, uma expedição militar portuguesa tomou posse da lagoa Mirim.
Assim, em 1742, estes colonizadores fundaram a vila de Porto dos Casais, depois chamada Porto Alegre. As lutas pela posse das terras, entre portugueses e espanhóis, terminaram em 1801, quando os próprios gaúchos dominaram os Sete Povos, incorporando-os ao seu território. Em 1807, a área foi elevada à categoria de capitania. Grupos de imigrantes italianos e alemães começaram a chegar a partir de 1824.
A sociedade estancieira passou então a coexistir com a pequena propriedade agrícola, diversificando a produção. Durante o século XIX, o Rio Grande do Sul foi palco de revoltas federalistas, como a Guerra dos Farrapos (1835-45), e participou da luta contra Rosas (1852) e da Guerra do Paraguai (1864-70).

As disputas políticas locais foram acirradas no início da República e só no governo de Getúlio Vargas (1928) o Estado foi pacificado.
Actualmente a nível económico, este Estado destaca-se pela agricultura (soja, trigo, arroz e milho) e pecuária (bovinos, ovinos, equinos e suínos), além de actividades industriais (de couro e calçados, alimentícia, têxtil, madeireira, metalúrgica e química).

O Rio Grande do Sul é considerado, juntamente com o Paraná, como o estado celeiro do país, responsável pela maior produção nacional de grãos, sendo por isso uma das bases da economia do Brasil.