quarta-feira, 14 de março de 2018

Jaime José de Matos da Gama

Jaime José de Matos da Gama (Fajã de Baixo, Ponta Delgada, 8 de Junho de 1947) é um professor, jornalista e político português. Assumiu  funções de Presidente do Conselho de Administração do Novo Banco dos Açores.

Filho do Tenente-Coronel Jaime da Rosa Ferreira da Gama (Horta, Matriz, Janeiro de 1914 - Lisboa, 29 de Julho de 2003), Cavaleiro da Ordem Militar de Avis (28 de Dezembro de 1953) e Oficial da Ordem Militar de Avis (4 de Julho de 1973),3 e de sua mulher Lucília Vaz do Rego de Matos (Ponta Delgada, São Sebastião, 12 de Setembro de 1916 - Lisboa, Estrela, Hospital Militar da Estrela, 21 de Setembro de 1987).

Frequentou o Liceu Nacional Antero de Quental, em Ponta Delgada, licenciou-se em Filosofia e terminou o Curso Complementar de Ciências Pedagógicas, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professor do ensino secundário e do ensino superior, além de se ter dedicado ao jornalismo.

Militante e dirigente do Partido Socialista foi várias vezes eleito deputado à Assembleia da República, a partir de 1975, pelo círculo eleitoral dos Açores e, a partir de 1983, pelo círculo de Lisboa. No Parlamento, presidiu à Comissão dos Assuntos das Regiões Autónomas da Assembleia Constituinte (1975 - 1976), às comissões parlamentares dos Negócios Estrangeiros (1976 - 1978), de Defesa Nacional (1985 - 1991) e de Assuntos Europeus e Política Externa (2002 - 2005). Exerceu funções governativas, como ministro da Administração Interna (1978), ministro dos Negócios Estrangeiros (1983 - 1985 e 1995 - 2002) e ministro de Estado (1999 - 2002). Foi presidente da Assembleia da República e membro, por inerência, do Conselho de Estado (2005 - 2011).

Publicou Política Externa Portuguesa (1983 - 1985, 1995 - 1999, 1999 - 2002).

A 19 de Abril de 1986 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a 2 de Junho de 1987 com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo e a 4 de Outubro de 2004 com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Casou em Lisboa a 18 de Setembro de 1971 com Alda Taborda, de quem tem um filho, João Taborda da Gama, Licenciado em Direito, variante de Direito Financeiro e Fiscal, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde foi Professor Assistente, transferindo-se depois para a Faculdade de Direito da Universidade Católica de Lisboa, advogado, casado.

domingo, 11 de março de 2018

Maria da Luz Gomes, a primeira mulher a usar calças na ilha das Flores Açores


Nasceu na freguesia da Fazenda, concelho de Lajes das Flores, em 30 de Janeiro de 1915, filha de Francisco Coelho Gomes e de Maria do Rosário Gomes, onde residiu parte da sua vida.

Como não aproveitou convenientemente a escola primária, a sua instrução era pouca, mas, o suficiente para desenvolver as suas capacidades intelectuais, graças à sua privilegiada inteligência e à excelente memória.

Figura atípica da ilha das Flores, foi sempre uma trabalhadora incansável, dedicando-se desde muito jovem, quer aos trabalhos domésticos das mulheres, quer aos trabalhos rurais dos homens e, sobretudo, à pesca.

Para além de fumar desde jovem, vestia geralmente roupas de homens – numa altura em que eram poucas as mulheres açorianas que ousavam fazê-lo publicamente. Frequentava qualquer tipo de taberna, bebendo lado-a-lado com os homens, sobretudo depois de se separar do marido. No seu tempo as mulheres, para além de não fumarem, não tomavam bebidas alcoólicas, nem frequentavam cafés e muito menos tabernas.

Dela o escritor faialense, Manuel Greves – que viveu temporariamente nas Flores – para evidenciar a sua força e teimosia, escreveu o seguinte em “Aventuras de Baleeiros”: “E certo é, também, que [o mar] não venceu arrancar de cima dum bico de rocha, numa tarde, as mãos fortes, pegadas a uns músculos rijos, de Maria da Luz, quando andava às lapas, na costa da Fazenda das Lajes das Flores. A corajosa mulher, agarrada ao rochedo, praguejava às vagas violentas que a cercavam:”

“ - Ó alma do diabo! Tu serás mais forte do que eu... mas, não és mais teimoso!...”

“E a Maria salvou-se”.

Foi casada com o fazendense Francisco Rodrigues Azevedo. Do casal nasceram as filhas Jesuína (já falecida), Alzira e Judite, pelo que era ela que, com esmerado zelo e amor, cuidava da sua educação, ao mesmo tempo que se esforçava pela manutenção da vida económica do seu lar. As filhas, depois de casadas, viriam a emigrar para o Canadá, na companhia do pai, onde actualmente residem e onde também existem netos que ela adorava.

Durante a sua vida passou por diversas actividades. De início, quando residia na Fazenda, acumulando com a lida da casa, dedicava-se à actividade rural da agro-pecuária, fazendo-o com o conhecimento e a resistência física de um homem. Com a ajuda do marido, lavrava os seus terrenos, semeava e tratava do milho e das demais culturas agrícolas, ordenhava vacas, transportava às costas lenha e alimentação para os animais, alternando essas trabalhos com a actividade da pesca. Recordo-me que foi ela quem me ensinou a lavrar, no Cerrado Grande, com arado de “aiveca”, numa altura em que, devido à minha juventude, meu pai não tinha paciência para me deixar “dar um reguinho” – orgulho de qualquer jovem rural do meu tempo.

Certamente para facilidade do trabalho que fazia começou a usar calças de homem desde jovem. Por esse motivo dava nas vistas, constando que, por essa razão, chegou a ser detida pela polícia na ilha Terceira, no tempo em que eram proibidos os “travestis” na via pública, valendo-lhe então o Chefe da PSP, António Gonçalves, também ele um florentino natural de Lajes das Flores que muito bem a conhecia.


Nunca a vimos usar saia, salvo no dia da festa religiosa por ela custeada, na freguesia da Fazenda, no cumprimento anual de uma promessa. Vestia-se assim para nesse dia ir à igreja assistir às cerimónias religiosas que nela se realizavam – fazendo-o com o respeito e a devoção que sempre tivera pela religião Católica.

Mais tarde viria a fixar residência na Vila de Baixo, em Lajes das Flores, mesmo junto do Porto, onda se dedicava quase exclusivamente à pesca e à venda de pescado. A lida da casa aborrecia-a, embora por vezes fosse forçada a fazê-la. Para poder ir legalmente para o mar, as autoridades marítimas chegaram a passar-lhe uma cédula pessoal, já que sua actividade piscatória era essencialmente feita por mar, com uma lancha que chegou a possuir.

Discutia com os companheiros de pesca e com quaisquer homens sobre os problemas e as notícias do dia-a-dia, já que era possuidora de um espírito curioso e contraditório, dedicado a todo o género de actualidades.

Geralmente não tinha interesse pelas conversas das mulheres, situação que fazia com que estas lhe respondessem de igual forma. Animava-se com as discussões que mantinha, parecendo provocá-las para aprender e saber mais.


Odiada por uns e tolerada por outros, tinha especial vocação para se envolver em questões judiciais e polémicas. Era também uma grande frequentadora, como assistente, dos julgamentos realizados no Tribunal das Flores. Certamente por esse motivo livrava-se bem das questões judiciais, que gostosamente provocava, defendendo-se nelas com astúcia.

Apesar de ser temida por alguns, pela sua falta de rigor e pelo seu feitio polémico, em certas ocasiões, era, contudo, muito caridosa e prestável para servir os amigos e todos os que dela necessitassem.

sexta-feira, 2 de março de 2018

O beato Açoriano que foi assassinado no Japão


João Baptista Machado, Angra, 1582 — Omura, Japão, 22 de maio de 1617. É um beato da Igreja Católica Romana, padroeiro principal da Diocese de Angra.  Ordenado sacerdote em Goa, foi um dos missionário da Companhia de Jesus enviados para o Japão, onde foi detido e executado durante a perseguição ao cristianismo desencadeada na década de 1610 naquele país. Foi beatificado pelo papa Pio IX em 1867, decorrendo actualmente o seu processo de canonização. Apesar do culto popular que existiu em torno da figura da venerável Margarida de Chaves, conhecida nos Açores como "santa" Margarida de Chaves, João Baptista Machado é até agora o único açoriano que mereceu as honras dos altares, embora apenas como beato.

Nasceu na cidade de Angra, numa casa situada nas imediações do actual Largo Prior do Crato (posteriormente incorporada no Colégio da Companhia de Jesus de Angra), filho de Cristóvão Vieira e de Maria Cota da Malha, uma família rica ligada à mais antiga e distinta aristocracia da ilha Terceira, descendendo da família dos Canto e Faria Maia. Foi baptizado na Sé de Angra, em 1580,  cuja escola frequentou até aos 15 anos, idade com que partiu para Lisboa, seguindo depois para Coimbra.
À morte do pai, desistiu de todos os seus bens em favor de sua mãe, fez legados pios e lembrou-se de amigos. Foi admitido no Colégio da Companhia de Jesus de Coimbra a 10 de Abril de 1597, contando então apenas 16 anos de idade, onde iniciou o noviciado. Concluídos os estudos e tendo ali professado, partiu para a Índia em 1601, com outros 15 companheiros jesuítas.
No Oriente continuou a frequentar os estudos dos colégios da Companhia, tendo estudado Filosofia em Goa e Teologia em Macau, sendo ordenado sacerdote em Goa. Depois de ordenado, autorizaram-no a ir para as missões do Japão.
Deixou Goa como missionário destinado ao Japão em 1609, quando já ordens do shōgun , ."comandante do exército") Tokugawa Ieyasu  , Tokugawa Ieyasu) determinavam que os missionários cristãos deveriam abandonar o território nipónico.

Resolveu permanecer no Japão após ter recebido em 1614 ordem imperial para abandonar as ilhas.  Passou, então, a missionar na clandestinidade, trabalhando, disfarçado, para acudir às necessidades espirituais das comunidades cristãs japonesas existentes no sul do arquipélago. Em abril de 1617 foi descoberto e detido quando confessava um grupo de cristãos.
Foi levado para a cidade de Omura, nos arredores de Nagasaki, e encarcerado na prisão de Cori (hoje Kori, norte de Omura),  onde partilhou o cárcere com o franciscano frei Pedro da Assunção, superior do Convento de Nagasaki. Foi executado por decapitação a 22 de maio de 1617, no monte Obituri, juntamente com cerca de 100 cristãos de várias congregações. Por coincidência, aquele dia era o Domingo da Santíssima Trindade, nos seus Açores Natais, dia do Segundo Bodo do ano de 1617. Com ele foi executado o franciscano português frei Pedro da Assunção. Rezam as crónicas que aceitou com serenidade a morte, considerando-a um martírio. Tinha então 37 anos de idade, estando há 20 anos na Companhia de Jesus, há 16 anos no Oriente e há 8 anos no Japão.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

O artista plástico que nasceu na cidade da Ribeira Grande ilha de São Miguel Açores


O artista plástico Joe Lima, nasceu em 1963, na cidade da Ribeira Grande, ilha de S. Miguel – Açores e emigrou, muito novo, com a família, para o Canadá.

Naquele país, ao descobrir o seu gosto pelas artes, frequentou escolas superiores de arte, tendo terminado a sua formação e aprendizagem na Concórdia University de Montréal, cidade onde reside.

Conhecendo bem o meio artístico da província do Quebeque, Joe Lima tem vindo a impor as suas obras, cumprindo o seu próprio calendário de exposições, facto que lhe tem permitido estar presente nos mercados da especialidade a nível internacional.

O público reconhece os seus trabalhos  e a crítica tem estado atenta em cada exposição, relevando que tem percorrido um caminho de inspiração luminosa, a par da aplicação de uma técnica de saberes rigorosa, a clássica, mas também aberta à experimentação de materiais reinventados ao jeito dos alquimistas. Os seus frescos portáteis resultam da obtenção de conhecimentos pré testados. O efeito plástico desses trabalhos, onde é possível detectar a tridimensional idade como na escultura, mereceu os mais elogiosos comentários críticos.

Apesar do mérito que se lhe reconhece também na escultura, é na pintura que mais e melhor se tem firmado. Nos seus quadros deixa a marca da sua Açorianidade, explorando as memórias do passado, vividas em espaços desaparecidos e que ele revisita e transpõe para a tela de forma surreal, ocupando-a com paisagens quase monocromáticas, às vezes povoadas por seres disformes, outras vezes ocupadas por ilhas desertas dispersas em mares de aspecto árido, sem vida. Reconheça-se, assim, o seu fascínio por um figurativo que ora nos domina o olhar ora se desvanece sob uma espécie de abstraccionismo indesejado.

Tem participado em diversas exposições que evocam o seu passado açoriano.

Em 2002, apresentou os seus TRABALHOS EM Cambridge numa exposição colectiva intitulada “Sem Saudade”. Aconteceu o mesmo em 2003, marcando o cinquentenário da emigração portuguesa para o Canadá. Antes (2000) expôs na cidade de Ponta Delgada –Açores a e, em 2007, na Carmina Galeria na ilha Terceira -Açores. Escolheu o mesmo espaço para se apresentar a solo em Novembro de 2010.

Refira-se também que Joe Lima participou, com outros artistas plásticos, no workshop “As Cores Míticas da Ilha” promovido pelo Governo dos Açores, através da Direcção Regional das Comunidades, que decorreu na ilha Terceira, no ano de 2005.

Recentemente, representou Portugal na “13th Biennial Competition for Graphic Art” na cidade de Bruges - Bélgica, no “Arentshuis Museum”, na qual foi o vencedor do primeiro prémio.

Trabalhou em exposições no Canadá e na Europa, incluindo a “Gallery Rodger Bellemare”, “Battat Contemporary”, “Collart Collection” e no Museu de Angra do Heroísmo, ilha Terceira – Açores.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Igreja do Santíssimo Salvador, Sé Catedral do Arquipélago dos Açores

A Igreja do Santíssimo Salvador da Sé, também referida apenas como Sé de Angra do Heroísmo, localiza-se na freguesia da Sé, no centro histórico da cidade e concelho de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nos Açores.
Remonta a uma primitiva igreja paroquial, iniciada por Álvaro Martins Homem em 1461. Sob a invocação de São Salvador, deve ter sido concluída em 1496, data da nomeação do seu primeiro vigário.  Sobre esta primitiva igreja pouco ou nada se sabe.
Com o aumento da população e a criação do Bispado de Angra, pela bula Æquum reputamus de 3 de Novembro de 1534, a Câmara Municipal formulou um pedido para que se construísse um novo edifício para a Sé, no mesmo local.  Assim em 1536, a mando do Bispo, e de comum acordo com a Câmara de Angra, fizeram lembrar ao João III de Portugal a necessidade de cumprir o seu compromisso de instalar a sede da diocese.
Apesar disso o soberano não deu seguimento a este pedido, tratando antes dos aspectos organizativos. Este fato levou a Câmara de Angra, em 1557, a mandar nova mensagem ao rei a solicitar construção do novo templo, aproveitando para informá-lo, contudo, que os moradores de Angra não estavam em condições financeiras de contribuir para esse fim.

Finalmente, a 10 de Janeiro de 1568, já no reinado do Cardeal D. Henrique é que a Coroa tomou a decisão de mandar construir a nova Sé às suas expensas. A opção foi no sentido de se construir um novo templo no mesmo sítio do já existente, mas alargando muitíssimo o espaço, que acabou por ocupar todo um quarteirão no centro da cidade, delimitado pelas rua da Sé, Carreira dos Cavalos, da Rosa e do Salinas. Para esse fim foram destinados 3 mil cruzados anuais dos direitos régios sobre o pastel na ilha de São Miguel, enquanto durassem as obras.
A pedra fundamental foi lançada em 18 de Novembro
de 1570, em cerimónia solene, tendo os seus trabalhos se estendido por meio século, com, pelo menos um período de interrupção nos finais do século XVI, durante a Crise de sucessão de 1580.

O edifício começou a construir-se pela fachada principal, para que a antiga Igreja de São Salvador pudesse continuar a servir o culto. Esta é ladeada por duas torres sineiras e, ente ambas, um templete para o relógio, colocado em 1782.

Adossadas ao corpo da Igreja foram construídas quatro capelas, com recursos de particulares e das irmandades, e as sacristias. No início do século XVII foi construído um claustro, conhecido pelo sítio, que serviu no século XIX de cemitério e desapareceu na década de 1950 para dar lugar ao arranjo que atualmente existe na frente para a rua da Rosa. No século XVIII, também nas traseiras, adicionou-se-lhe a Sacristia Grande e a Sala do Tribunal Eclesiástico.

O templo foi reconsagrado em 1808.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Poeta, escritora e deputada

Natália de Oliveira Correia, nasceu na Fajã de Baixo, São Miguel, 13 de Setembro de 1923 — faleceu em Lisboa, 16 de Março de 1993  foi uma escritora e poeta portuguesa. Deputada à Assembleia da República  (1980-1991), interveio politicamente  ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Autora da letra do Hino dos Açores. Juntamente com José Saramago (Prémio Nobel de Literatura, 1998), Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Tem uma biblioteca com o seu nome em Lisboa em Carnide.

A obra de Natália Correia estende-se por géneros variados, desde a poesia ao romance, teatro e ensaio. Colaborou com frequência em diversas publicações portuguesas e estrangeiras. Durante as décadas de 1950 e 1960, na sua casa reunia-se uma das mais vibrantes tertúlias de Lisboa, onde compareciam as mais destacadas figuras das artes, das letras e da política (oposicionista) portuguesas e também internacionais. A partir de 1971, essas reuniões passaram a ter lugar no bar Botequim. Ficou conhecida pela sua personalidade livre de convenções sociais, vigorosa e polémica, que se reflecte na sua escrita. A sua obra está traduzida em várias línguas.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

O único refúgio dos primeiros emigrantes constitucionais.

Há 186 desembarcaram na Ilha Terceira, seu único refúgio, os primeiros emigrantes constitucionais.

No Brasil, na França e, especialmente, na Inglaterra, onde havia o depósito de Plymouth, viviam muitos refugiados portugueses que fugiram à perseguição do governo miguelista. Em todo o Portugal só um ponto se mantinha fiel aos liberais – a Ilha Terceira – onde os soldados da Liberdade, sob o comando do conde de Vila Flor, deram o golpe mortal no absolutismo, naquele dia memorável de 11 de Agosto de 1829.
Para esta ilha se encaminharam os foragidos, a engrossar as fileiras do constitucionalismo, encontrando sempre franco abrigo e carinhosa proteção de todos os habitantes da ilha, que a dispensavam indistintamente, ainda que com enormes sacrifícios. César Anjo, o escritor autor do «Diário da Pátria», não esqueceu este facto que assinala o mesmo dia, contando que: «Eram pobres soldados, uns fardados, outros em trajos de fantasia, meio à militar, meio à paisana; muito rotos e sem roupa branca; e todos, como pode imaginar-se, sabendo que tinham ido nos porões dos navios e que raro tinham maca ou enxerga em que se deitassem. Mas que importava isso? As suas almas haviam bramido um cordel de energia, respirando a fragrância da Liberdade».


Em meio do Atlântico, numa ilha que era o coração dele, se abrigaram e se uniram para os arranques finais da luta necessária à conquista da Liberdade, e daqui partiram, nas hostes de D. Pedro IV, embarcando para o Porto onde desembarcaram a combater os soldados de D. Miguel, em número superior.