sexta-feira, 1 de julho de 2016

Peter Café Sport na cidade da Horta ilha do Faial Açores


O Peter Café Sport localiza-se no centro histórico da cidade da Horta, na ilha do Faial, nos Açores. Constitui-se em um marco histórico e cultural do arquipélago e, particularmente, da ilha. Uma expressão, consagrada entre os iatistas, resume esse destaque: "Se velejares até à Horta e não visitares o 'Peter Café Sport', não vistes a Horta na realidade". Jacinto Vilaomier ratifica esse sentimento ao afirmar:
"Café Sport, símbolo do andar dos homens livres por um mundo belo e extenso sem fronteiras de raça nem de costumes (...)."(in: "Azul Profundo", 1990.)
Em 1986, a revista Newsweek considerou-o entre os melhores bares do mundo. Constitui-se ainda em uma conceituada marca regional, com lojas de artesanato regional nos aeroportos da Região Autónoma dos Açores e na Praça Velha, em Angra do Heroísmo.

A história da empresa remonta à fundação do "Bazar do Fayal", no Largo de Neptuno (actual Praça do Infante), na Horta, vocacionado para o comércio de artesanato local. Era seu proprietário Ernesto Lourenço Azevedo (n. 20 de Abril de 1859, f. 24 de Março de 1931).
Participou da Exposição Industrial Portuguesa (Lisboa, 1888), onde recebeu a medalha de ouro e diploma, pela qualidade e diversidade dos seus artigos.
Posteriormente, no início do século XX, as suas instalações mudaram para a Rua Tenente Valadim (actual Rua José Azevedo "Peter"), passando a denominar-se "Casa dos Açores/Azorean House", e ampliando as suas actividades que, além do artesanato regional, passaram a compreender um bar. A sua localização estratégica, vizinho ao porto da Horta, favoreceu-lhe os negócios.
No contexto da Primeira Guerra Mundial, em 1918, Henrique Lourenço Ávila Azevedo (n. 16 de Junho de 1895, f. 3 de Maio de 1975), um dos filhos do fundador, ao mudar uma vez mais de instalações, alterou-lhe o nome para "Café Sport", devido à paixão que cultivava pelo desporto, uma vez que era praticante de futebol, remo e bilhar.
A origem do nome "Peter" está ligada à tripulação do "HMS Lusitania II" da Royal Navy. Reconhecendo semelhanças entre o jovem José Azevedo (n. 18 de Maio de 1925, f. 19 de Novembro de 2005) com o seu filho de nome Peter, o oficial-chefe do serviço de munições e manutenção daquele navio, passou a chamá-lo de Peter. E por esse apelido José Azevedo ficou conhecido o resto de sua vida.
O Museu de Scrimshaw, inaugurado em 1986, possui a maior e mais bela colecção particular de "Scrimshaw" no mundo.
José Henrique Azevedo, filho do "Peter", sucedeu-o à frente dos negócios, em 19 de Novembro de 2005.
Desde do início da década de 1960, quando assumiu o negócio, José de Azevedo "Peter" tornou-se conhecido pela arte de bem receber os iatistas e por lhes prestar assistência quando em trânsito na baía da Horta. Em 1967, o Ocean Crusing Club, através do seu presidente e fundador, Humphrey Barton, propõs José Azevedo como sócio em reconhecimento dos muitos serviços prestados aos iatistas. Em 1981, foi nomeado sócio-honorário do Ocean Crusing Club.

No plano nacional, o reconhecimento manifestou-se pelo convite para participar na Expo 98, em Lisboa, onde foi montada uma réplica do "Peter Café Sport".
Em 2000, participou na Feira Internacional do Mar e dos Marinheiros.
Em 2003, foi agraciado pelo então Presidente da República Portuguesa, Dr. Jorge Sampaio, com a Medalha de Grau Oficial da Ordem de Mérito, e, pela Secretaria de Estado, com a medalha de "Mérito Comercial e Turístico".

O Papa João Paulo II concedeu-lhe a Bênção Apostólica.
No ano seguinte, recebeu o galardão "Correio de Ouro" atribuído pelos CTT, pelo serviço postal internacional.
Recebeu ainda a visita dos reis de Espanha, a 28 de Julho de 2005, em sua visita a título privado aos Açores. Em Agosto, foi homenageado pelo Banco Millennium BCP pelo "seu empreendedorismo, inovação e dedicação".

quinta-feira, 30 de junho de 2016

António Mariano de Lacerda governador civil da cidade da Horta ilha do Faial Açores


António Mariano de Lacerda (Horta, 26 de Setembro de 1783 — Horta, 30 de Novembro de 1849) foi um bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra que exerceu importantes funções políticas nos Açores, entre as quais sub-prefeito da Horta (1832-1836), governador civil do distrito da Horta (1836-1837), presidente da Câmara Municipal da Horta (1839-1849) e membro do Conselho de Distrito da Horta (1840-1841).
Nasceu na então vila da Horta, na ilha do Faial, filho do capitão de ordenanças António de Lacerda Marramaque e de sua mulher Antónia Mariana Whitton da Câmara. Destinado a seguir a carreira da advocacia, depois de estudos preparatórios na sua vila natal e em Coimbra, matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde se formou em Direito.

Regressou à sua ilha natal, onde casou a 1 de Agosto de 1819 com sua prima Ana Whitton, não tendo deixado geração. No Faial integrou a elite ligada à governança local, exercendo diversos cargos no regimento de milícias local, na administração distrital e na governação autárquica.
Membro da milícia faialense, exerceu as funções de capitão do Regimento de Milícias da Horta, cargo para o qual foi nomeado a 27 de Novembro de 1808, sendo promovido a tenente-coronel do mesmo Regimento a 3 de Maio de 1819, assumindo o cargo de governador militar interino do Faial em 3 de Setembro de 1828 devido à retirada de Diogo Tomás de Ruxleben, o governador militar nomeado.
Com a criação da sub prefeitura da Horta, foi sub-prefeito da Horta (1832-1836) e depois governador civil do recém criado Distrito da Horta (1836-1837). Foi presidente da Câmara Municipal da Horta (1839-1849) e membro do Conselho de Distrito da Horta (1840-1841).
Era comendador da Ordem de Cristo e Conselheiro de Sua Majestade Fidelíssima.
Faleceu na sua freguesia natal da Matriz da cidade Horta, a 30 de Novembro de 1849, deixando viva saudade de todos os que conheceram de perto as excelentes qualidades e bondade de alma deste cavalheiro.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Duque de Ávila e Bolama nasceu na cidade da Horta ilha do Faial Açores


António José de Ávila nasceu a 8 de Março de 1807, numa modestíssima habitação da Rua de Santo Elias, da freguesia da Matriz da então vila da Horta, Ilha do Faial, Açores, filho de Manuel José de Ávila, sapateiro de ascendência Picoense, e de Prudenciana Joaquina Cândida da Costa, lavadeira, oriunda de famílias pobres da Matriz da Horta.
Dos dez filhos do casal, apenas quatro sobreviveram até atingir a idade adulta, o que diz das condições de vida da família. Entre os filhos que atingiram a idade adulta, António José, o futuro duque, era o rapaz mais velho, apenas precedido por sua irmã Joaquina Emerenciana (nascida em 1804). Os outros sobreviventes foram Maria do Carmo (nascida em 1815) e Manuel José, o último filho do casal (nascido em 1817).
Durante a infância de António José as condições económicas da família melhoraram substancialmente, tendo o pai enveredado pelo comércio e conseguido amealhar alguns recursos. Tanto assim é que, quando António José termina com excepcional brilho os poucos estudos então disponíveis no Faial, já o pai dispunha de meios suficientes para lhe permitir estudos fora da ilha, o que então era privilégio de poucos.
Assim, com apenas 15 anos, Ávila matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde estudou filosofia natural e os preparatórios de Matemática. Frequentou também naquela Universidade o primeiro ano de Medicina. Dos tempos de estudante não se lhe conhece qualquer militância política.

Com o início da Guerra Civil de 1832-34, regressou aos seus Açores, onde se achava o governo liberal no exílio, tornando-se um político local de grande sucesso.
Após o fim da guerra (1834), foi eleito pela primeira vez para as Cortes, pelo círculo dos Açores; durante 26 anos consecutivos, foi deputado da Nação ao Parlamento.
Em termos ideológicos, Ávila aproximou-se da facção mais conservadora dentro do liberalismo Português, o cartismo, tornado-se oposição ao governo progressista que tomou o poder em Setembro de 1836, na sequência da Revolução de Setembro.

Com o fim dos ciclo de governos Setembristas (com a subida ao poder, pela primeira vez, do cartista Joaquim António de Aguiar, em 1841), Ávila tornou-se ministro das Finanças, cargo que manteve durante os governos de Costa Cabral e do Duque da Terceira. Só com a subida ao poder de Saldanha, abandonou o governo. Em 1857, no primeiro governo do Duque de Loulé, voltou a assumir a pasta da Fazenda.
Por Alvará de Mercê Nova de 9 de Outubro de 1860, concederam-se a António José de Ávila as seguintes Armas de Ávila: esquartelado, o 1.º e o 4.º de ouro, com uma águia estendida de negro, o 2.º e o 3.º de prata, com três faixas de vermelho, acompanhadas de quatro olhos sombreados de azul, alinhados em banda; timbre: a águia do escudo.
Quando, em 4 de Janeiro de 1868, se deu a Janeirinha, que pôs termo ao governo de coligação a que presida Joaquim António de Aguiar, Ávila foi chamado a exercer as funções de presidente do Conselho.
Enquanto chefe de governo, Ávila revogou o imposto que causara a impopularidade e queda do governo anterior, mas tal agravou as dificuldades financeiras do Estado, pelo que acabaria por cair em 22 de Julho do mesmo ano.

Voltaria ainda a ser ministro das Finanças, e de novo presidente do Conselho entre 29 de Outubro de 1870 e 13 de Setembro de 1871, altura em que foi substituído por Fontes Pereira de Melo. Foi então designado para presidir à Câmara dos Pares, em substituição do Duque de Loulé.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Capitães donatários nas ilhas do Faial e Pico Arquipélago dos Açores


Por carta de 29 de Dezembro de 1482, a capitania do Pico é anexada à capitania do Faial, criando-se a capitania do Faial e Pico, ficando van Hürter, que, desde 1468, já era capitão do Faial, na posse das duas ilhas.

1482 – 1495 — Jobst van Hürter.

1495 – 1549 — João Dutra, também designado por Joos van Hürten, filho do anterior.

1549 – 1553 — Manuel de Utra Corte Real.

1553 – 1573 — D. Álvaro de Castro.

1573 – 1582 — D. Francisco de Mascarenhas, 1.º conde da Vila da Horta, depois 1.º conde de Santa Cruz.

1582 – 1614 — Jerónimo de Utra Corte Real.

1614 – 1642 — D. Manuel de Moura Corte Real, 1.º marquês de Lumiares e 2.º marquês de Castelo Rodrigo. Por confisco, a capitania foi incorporada na Coroa entre 1642 e 1680, por D. Manuel de Moura Corte Real ter optado por permanecer em Castela aquando da Restauração da Independência de Portugal.


1680 – 1730 — Rodrigo Sanches Farinha de Baena.

1730 – 1737 — Pedro Sanches Farinha de Baena. Por morte deste, a capitania foi reincorporada nos próprios da Coroa pela mercê ter sido concedida apenas por duas vidas a Rodrigo Sanches Farinha de Baena.

1825 – 1832 — Manuel de Arriaga Pereira, mas como cargo meramente honorífico, pois em 1766 tinha sido criada a Capitania Geral dos Açores.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

famílias Faialenses com origem noutras cidades da Europa

 Brum- família açoriana procedente de Wilhelm Van Der Bruym Kamash (Guilherme Brum), flamengo de Maestricht que emigrou para a Madeira e depois se transferiu para o Faial.



Bulcão- família procedente de Gaspar Buscamp (Bulcão), fidalgo flamengo que fixou residência na Ilha do Faial no século XVII.


Curry- família açoriana procedente do inglês Andrew Curry, que se estabeleceu em São Miguel e depois no Faial, no século XVIII.



Labat-  família açoriana procedente de Jacques Labat, natural de Arrochele, França, que se instalou no Faial com parentes.


Silveira.gif Silveira-  a família açoriana descende de Willem van der Haghe (Guilherme da Silveira), fidalgo flamengo que passou ao Faial com o primeiro donatário da ilha, o também flamengo Josse Hurtere (Jorge Dutra), no final do século XV e que depois se transferiu para as Ilhas das Flores, Terceira, e por fim São Jorge.


Street- família açoriana descendente de Willan Street, comerciante londrino que se estabeleceu na Ilha do Faial no século XVII.

Terra- família açoriana procedente de Josse van Aard (Jorge da Terra), fidalgo flamengo colonizador da ilha do Faial no século XV.

Dutra- (d´utra) família açoriana procedente do primeiro donatário da ilha do Faial, Josse Hurtere (Jorge Dutra), flamengo de Bruges,  e de sua irmã Josina dÚtra.

Whytons- família açoriana procedente de John Whyton (João Whyton), inglês que se fixou no Faial no século XVIII.

Grotas- família faialense provém do flamengo colonizador Groot (séc.XV)

Rosa- família açoriana procedente do flamengo colonizador Pieter Roose, (Pedro Rosa), séc.XV

Cornélio - família açoriana procedente do flamengo colonizador Antonio Cornelius (Antonio Cornélio) séc. XV.

Arnequim – família faialense procedente do colonizador flamengo Herrn Jannequim.

Bruges- família açoriana proveniente do colonizador flamengo Jácome de Bruges.

Vernes-  família açoriana procedente de Tristão de Vernes

domingo, 26 de junho de 2016

Famílias Faialenses de origem estrangeira



 Arriaga-  família açoriana proveniente de João de Arriaga, francês de Baiona, mas oriundo de família espanhola (Basca), que se estabeleceu na Ilha do Faial como cônsul de França e mercador, no século XVII. Dela provém o primeiro presidente de Portugal, o faialense Manuel de Arriaga.




Berquó- família faialense procedente de Jacques Berquó, natural de Mont-de- Marçan, França, que se estabeleceu na Ilha do Faial no inicio do século XVI.







Bettencourt (Betancourt) nos Açores essa família procede de três ramos franceses da Picardia que na época dos descobrimentos se dirigiram via Espanha para Portugal e Ilhas. ( Canárias, Madeira e Açores). Seus descendentes:
Antão Gonçalves Ávila Bettencourt, Francisco Bettancourt e Gaspar Bettencourt deram origem aos Bettencourt açorianos.







sábado, 25 de junho de 2016

Descoberta e povoamento da ilha do Faial Arquipélago dos Açores


Na cartografia do século XIV, a ilha aparece pela primeira vez individualizada no Atlas Catalão (1375-1377) identificada como "Ilha da Ventura". Gonçalo Velho Cabral, em 1432, terá achado as ilhas do Grupo Central. Diogo de Teive passa ao largo da Ilha do Faial na sua primeira viagem de exploração para ocidente dos Açores, em 1451. Em 1460, no testamento do Infante D. Henrique, encontra-se referida como "ilha de São Luís [de França]". O seu actual nome deve-se à abundância das chamadas faia-das-ilhas (Myrica faya) aquando do seu povoamento.
O historiador padre Gaspar Frutuoso afirma que o primeiro povoador da ilha terá sido um eremita vindo do Reino. Este vivia só apenas com algum gado miúdo que na ilha deitaram os primeiros povoadores (em 1432?), e mais tarde, os moradores da ilha Terceira. "Somente no Verão iam pessoas da Terceira a suas fazendas e visitar seus gados e comunicavam com este ermitão". Ele acabaria por desaparecer ao fazer a travessia do canal do Faial para ir até à ilha do Pico, numa pequena embarcação revestida de couro.

O único relato coevo conhecido da primeira expedição à ilha do Faial é de autoria de Valentim Fernandes da Morávia. Ele informa que o confessor da Rainha de Portugal, Frei Pedro, indo à Flandres, como embaixador junto da Duquesa de Borgonha, Infanta D. Isabel de Portugal, relacionou-se com um nobre flamengo chamado Joss van Hurtere, ao qual contou "como se acharam as ilhas em tal rota e que havia nelas muita prata e estanho (porque para ele, as ilhas dos Açores eram as supostas ilhas Cassitérides)". Hurtere convenceu 15 homens de bem, trabalhadores, "dando a mesmo a entender, de como lhes faria ricos" caso o acompanhassem.

Por volta de 1465, Hurtere desembarcou pela primeira vez na ilha, com aqueles 15 flamengos, no areal da enseada da Praia do Almoxarife. Permaneceram na ilha durante 1 ano, na Lomba dos Frades, até que se esgotaram os mantimentos que tinham trazido. Revoltados por não encontrarem nada do que lhes fora prometido, os seus companheiros andaram para o matar, e Hurteve valeu-se de esperteza para escapar da ilha, retornando para a Flandres comparecendo novamente perante a Duquesa da Borgonha. (Frei Agostinho de Monte Alverne. Crónicas da Província de São João Evangelista.)
Por volta de 1467, Hurtere regressou numa nova expedição, organizada sob o patrocínio da Duquesa da Borgonha. Ela mandou homens e mulheres de todas as condições, e bem assim como padres, e tudo quanto convém ao culto religioso, e além de navios carregados de móveis e de utensílios necessários à cultura das terras e à construção de casas, e lhes deu, durante 2 anos, tudo aquilo de que careciam para subsistir, segundo legenda feita pelo geógrafo alemão Martin Behaim no Globo de Nuremberga. Valentim Fernandes acrescenta um pormenor, por rogo da dita Senhora, os homens que mereciam morte civil mandou que fossem degredados para esta ilha.

Não satisfeito com o local original, Hurtere decidiu contornar a Ponta da Espalamaca. Próximo do local de desembarque mandou erguer a Ermida de Santa Cruz (no local onde hoje existe a Igreja de N. Sra. das Angústias). Hurtere regressou a Lisboa e casou-se com D. Beatriz de Macedo, criada da Casa do Duque de Viseu. O Infante D. Fernando, Duque de Viseu e Mestre da Ordem de Cristo, fez-lhe doação da Capitania do Faial, em 21 de Março de 1468. Por volta de 1470, desembarcou Willem van der Haegen, que aportuguesou o seu nome para Guilherme da Silveira, liderando uma segunda vaga de povoadores. O rápido crescimento económico da ilha ficou a dever-se à cultura de trigo e do pastel.