terça-feira, 28 de junho de 2016

Capitães donatários nas ilhas do Faial e Pico Arquipélago dos Açores


Por carta de 29 de Dezembro de 1482, a capitania do Pico é anexada à capitania do Faial, criando-se a capitania do Faial e Pico, ficando van Hürter, que, desde 1468, já era capitão do Faial, na posse das duas ilhas.

1482 – 1495 — Jobst van Hürter.

1495 – 1549 — João Dutra, também designado por Joos van Hürten, filho do anterior.

1549 – 1553 — Manuel de Utra Corte Real.

1553 – 1573 — D. Álvaro de Castro.

1573 – 1582 — D. Francisco de Mascarenhas, 1.º conde da Vila da Horta, depois 1.º conde de Santa Cruz.

1582 – 1614 — Jerónimo de Utra Corte Real.

1614 – 1642 — D. Manuel de Moura Corte Real, 1.º marquês de Lumiares e 2.º marquês de Castelo Rodrigo. Por confisco, a capitania foi incorporada na Coroa entre 1642 e 1680, por D. Manuel de Moura Corte Real ter optado por permanecer em Castela aquando da Restauração da Independência de Portugal.


1680 – 1730 — Rodrigo Sanches Farinha de Baena.

1730 – 1737 — Pedro Sanches Farinha de Baena. Por morte deste, a capitania foi reincorporada nos próprios da Coroa pela mercê ter sido concedida apenas por duas vidas a Rodrigo Sanches Farinha de Baena.

1825 – 1832 — Manuel de Arriaga Pereira, mas como cargo meramente honorífico, pois em 1766 tinha sido criada a Capitania Geral dos Açores.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

famílias Faialenses com origem noutras cidades da Europa

 Brum- família açoriana procedente de Wilhelm Van Der Bruym Kamash (Guilherme Brum), flamengo de Maestricht que emigrou para a Madeira e depois se transferiu para o Faial.



Bulcão- família procedente de Gaspar Buscamp (Bulcão), fidalgo flamengo que fixou residência na Ilha do Faial no século XVII.


Curry- família açoriana procedente do inglês Andrew Curry, que se estabeleceu em São Miguel e depois no Faial, no século XVIII.



Labat-  família açoriana procedente de Jacques Labat, natural de Arrochele, França, que se instalou no Faial com parentes.


Silveira.gif Silveira-  a família açoriana descende de Willem van der Haghe (Guilherme da Silveira), fidalgo flamengo que passou ao Faial com o primeiro donatário da ilha, o também flamengo Josse Hurtere (Jorge Dutra), no final do século XV e que depois se transferiu para as Ilhas das Flores, Terceira, e por fim São Jorge.


Street- família açoriana descendente de Willan Street, comerciante londrino que se estabeleceu na Ilha do Faial no século XVII.

Terra- família açoriana procedente de Josse van Aard (Jorge da Terra), fidalgo flamengo colonizador da ilha do Faial no século XV.

Dutra- (d´utra) família açoriana procedente do primeiro donatário da ilha do Faial, Josse Hurtere (Jorge Dutra), flamengo de Bruges,  e de sua irmã Josina dÚtra.

Whytons- família açoriana procedente de John Whyton (João Whyton), inglês que se fixou no Faial no século XVIII.

Grotas- família faialense provém do flamengo colonizador Groot (séc.XV)

Rosa- família açoriana procedente do flamengo colonizador Pieter Roose, (Pedro Rosa), séc.XV

Cornélio - família açoriana procedente do flamengo colonizador Antonio Cornelius (Antonio Cornélio) séc. XV.

Arnequim – família faialense procedente do colonizador flamengo Herrn Jannequim.

Bruges- família açoriana proveniente do colonizador flamengo Jácome de Bruges.

Vernes-  família açoriana procedente de Tristão de Vernes

domingo, 26 de junho de 2016

Famílias Faialenses de origem estrangeira



 Arriaga-  família açoriana proveniente de João de Arriaga, francês de Baiona, mas oriundo de família espanhola (Basca), que se estabeleceu na Ilha do Faial como cônsul de França e mercador, no século XVII. Dela provém o primeiro presidente de Portugal, o faialense Manuel de Arriaga.




Berquó- família faialense procedente de Jacques Berquó, natural de Mont-de- Marçan, França, que se estabeleceu na Ilha do Faial no inicio do século XVI.







Bettencourt (Betancourt) nos Açores essa família procede de três ramos franceses da Picardia que na época dos descobrimentos se dirigiram via Espanha para Portugal e Ilhas. ( Canárias, Madeira e Açores). Seus descendentes:
Antão Gonçalves Ávila Bettencourt, Francisco Bettancourt e Gaspar Bettencourt deram origem aos Bettencourt açorianos.







sábado, 25 de junho de 2016

Descoberta e povoamento da ilha do Faial Arquipélago dos Açores


Na cartografia do século XIV, a ilha aparece pela primeira vez individualizada no Atlas Catalão (1375-1377) identificada como "Ilha da Ventura". Gonçalo Velho Cabral, em 1432, terá achado as ilhas do Grupo Central. Diogo de Teive passa ao largo da Ilha do Faial na sua primeira viagem de exploração para ocidente dos Açores, em 1451. Em 1460, no testamento do Infante D. Henrique, encontra-se referida como "ilha de São Luís [de França]". O seu actual nome deve-se à abundância das chamadas faia-das-ilhas (Myrica faya) aquando do seu povoamento.
O historiador padre Gaspar Frutuoso afirma que o primeiro povoador da ilha terá sido um eremita vindo do Reino. Este vivia só apenas com algum gado miúdo que na ilha deitaram os primeiros povoadores (em 1432?), e mais tarde, os moradores da ilha Terceira. "Somente no Verão iam pessoas da Terceira a suas fazendas e visitar seus gados e comunicavam com este ermitão". Ele acabaria por desaparecer ao fazer a travessia do canal do Faial para ir até à ilha do Pico, numa pequena embarcação revestida de couro.

O único relato coevo conhecido da primeira expedição à ilha do Faial é de autoria de Valentim Fernandes da Morávia. Ele informa que o confessor da Rainha de Portugal, Frei Pedro, indo à Flandres, como embaixador junto da Duquesa de Borgonha, Infanta D. Isabel de Portugal, relacionou-se com um nobre flamengo chamado Joss van Hurtere, ao qual contou "como se acharam as ilhas em tal rota e que havia nelas muita prata e estanho (porque para ele, as ilhas dos Açores eram as supostas ilhas Cassitérides)". Hurtere convenceu 15 homens de bem, trabalhadores, "dando a mesmo a entender, de como lhes faria ricos" caso o acompanhassem.

Por volta de 1465, Hurtere desembarcou pela primeira vez na ilha, com aqueles 15 flamengos, no areal da enseada da Praia do Almoxarife. Permaneceram na ilha durante 1 ano, na Lomba dos Frades, até que se esgotaram os mantimentos que tinham trazido. Revoltados por não encontrarem nada do que lhes fora prometido, os seus companheiros andaram para o matar, e Hurteve valeu-se de esperteza para escapar da ilha, retornando para a Flandres comparecendo novamente perante a Duquesa da Borgonha. (Frei Agostinho de Monte Alverne. Crónicas da Província de São João Evangelista.)
Por volta de 1467, Hurtere regressou numa nova expedição, organizada sob o patrocínio da Duquesa da Borgonha. Ela mandou homens e mulheres de todas as condições, e bem assim como padres, e tudo quanto convém ao culto religioso, e além de navios carregados de móveis e de utensílios necessários à cultura das terras e à construção de casas, e lhes deu, durante 2 anos, tudo aquilo de que careciam para subsistir, segundo legenda feita pelo geógrafo alemão Martin Behaim no Globo de Nuremberga. Valentim Fernandes acrescenta um pormenor, por rogo da dita Senhora, os homens que mereciam morte civil mandou que fossem degredados para esta ilha.

Não satisfeito com o local original, Hurtere decidiu contornar a Ponta da Espalamaca. Próximo do local de desembarque mandou erguer a Ermida de Santa Cruz (no local onde hoje existe a Igreja de N. Sra. das Angústias). Hurtere regressou a Lisboa e casou-se com D. Beatriz de Macedo, criada da Casa do Duque de Viseu. O Infante D. Fernando, Duque de Viseu e Mestre da Ordem de Cristo, fez-lhe doação da Capitania do Faial, em 21 de Março de 1468. Por volta de 1470, desembarcou Willem van der Haegen, que aportuguesou o seu nome para Guilherme da Silveira, liderando uma segunda vaga de povoadores. O rápido crescimento económico da ilha ficou a dever-se à cultura de trigo e do pastel.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Os filhos de Willem van der Haegen no Arquipélago dos Açores


Casou com Margarida de Zabuya ou Margarida de Saboia  , filha de Amadeu VIII de Saboia  , em 1454 em Bruges, Flandres, Bélgica, nascida em 1439, em Bruges, Flandres, Bélgica.

Filhos de Wilhelm van der Haegen e Margarida de Zabuya:

1- Luzia da Silveira, nasceu em 1464 em Bruges, Flandres, Bélgica; morreu em 1548; casou com André Fernandes Villalobos em 1485 na Vila do Topo, Ilha de São Jorge, Açores. Nascido em 1490; e morto em 1548.

2- João da Silveira, nasceu em 1456 em Bruges, Flandres, Bélgica; morreu em 1481; casou com Guiomar Borges Abarca na Ilha Terceira, Açores, Portugal.

3- Jorge da Silveira (Jorge da Silveira ou Joz, ou Josse, ou José, nasceu cerca 1458, destino ignorado.) em Bruges, Flandres, Bélgica.

4- Margarida da Silveira, nasceu em 1460 em Bruges, Flandres, Bélgica; morreu nos Flamengos, Ilha do Faial, Açores. Casou com Joss van Aard ou Jorge da Terra, “o velho” van Aertrijcke em 1540 nos Flamengos, Ilha do Faial, Açores. Nascido nos Flamengos, Ilha do Faial, Açores.

5 - Ana da Silveira, nasceu em 1466 em Bruges, Flandres, Bélgica; casou com Tristão Martins Pereira em 1485 em Goa, Índia Portuguesa. nascido em 1452 em Pombal, Portugal continental. Morreu em 1529 na Índia.

6- Maria da Silveira, nasceu em 1468 em Bruges, Flandres, Bélgica; morreu em 14 de Agosto de 1545; Casou com João Pires de Matos em 1497 na Ilha do Faial, Açores.

7- Catarina da Silveira, casou com o capitão-mor Jorge Gomes de Ávila em 1484 na Ilha Graciosa, Açores. Nascido em 1453 na Ilha Graciosa, Açores.

8- Francisco da Silveira, nasceu em 1499 na Ilha do Faial, Açores. Morreu em 1595 na Ilha do Faial, Açores. Casou com Isabel d'Útra de Macedo em 1524 na Ilha do Faial, Açores.
Alguns dos seus descendentes emigraram para o sul de África e integraram-se com os colonos holandeses.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Willem van der Haegen na ilha de S. Jorge Arquipélago dos Açores


Willem van der Haegen (Bruges, 1430  — Topo, São Jorge, 1510) foi um nobre, empreendedor e explorador flamengo, pioneiro no povoamento do arquipélago dos Açores. Em português tornou-se conhecido por Guilherme da Silveira (outra variante seria Guilherme Vanderaga).

Segundo James H. Guill no livro "A history of the Azores Islands" (volume 5, página 140) , van der Haegen era neto de João, Duque da Borgonha, que em 1470, desembarcou na Ilha do Faial a convite de Joss van Hurtere, seu primeiro capitão do donatário.
Liderando uma segunda vaga de povoadores, leva consigo sua família e familiares, mestres de mais variados ofícios. Sentindo posteriormente alguma má vontade e rivalidade por parte de Hurtere, decide abandonar a ilha. Van der Haegen fixa-se em Quatro Ribeiras, na Ilha Terceira, fazendo sua lavoura de trigo e cultivo de pastel (Isactis Tinctoria Lin.), antes produzido na Picardia e na Normandia, que exportava para a Flandres. Indo a Lisboa, encontra-se com D. Maria de Vilhena, viúva de D. Fernão Teles de Meneses e tutora de Rui Teles, seu filho. Esta cede os direitos de exploração da ilha em troca do pagamento dos direitos sobre as Ilhas das Floreiras - nome por que eram então conhecidas as ilhas das Flores e do Corvo.

Por volta de 1478, van der Haegen ter-se-á fixado na Ilha das Flores, no sítio denominado Ribeira da Cruz. Devido ao isolamento das demais ilhas e dificuldades nas comunicações, a exploração agrícola da ilha não era aliciante dada a dificuldade em exportar. Decide então abandonar a ilha, retornando para a Ilha Terceira, e desta para a Ilha de São Jorge onde se fixou definitivamente no sítio do Topo. Viveu com tanta abundância que somente de dízimo da seara que cultivava, segundo diz Gaspar Frutuoso, pagava cada ano 50 a 60 moios (Livro 6.º das Saudades da Terra). Morreu em 1510, estando sepultado na ermida anexa a Solar dos Tiagos, na vila do Topo, hoje em ruínas.
O apelido flamengo Haag que significa bosque, acabou por ser vertido em português por Silveira. Uma variação fonética de seu nome é Guilherme Vanderaga.

As famílias com o apelido Silveira nos Açores, regra geral, descendem do flamengo Willem van der Haegen. Os seus descendentes espalharam-se por todas as ilhas dos Açores, embora na ilha Graciosa surja outro ramo onde os Silveiras ali estabelecidos constituem um ramo dos Silveiras do continente português.