quarta-feira, 23 de março de 2016

Escritor Joel Neto


Escritor e jornalista, Joel Neto nasceu no dia 3 de Março de 1974, na Terra Chã, Angra do Heroísmo, ilha Terceira – Açores.
Nos primeiros anos de vida, frequentou a Escola Primária da Terra Chã e o ciclo preparatório Ciprião de Figueiredo, tendo, mais tarde, concluído o ensino secundário na Escola Jerónimo Emiliano de Andrade.
Em 1989, iniciou a sua carreira no jornalismo, como colaborador do “Diário Insular”, em Angra do Heroísmo.
Em 1992, mudou-se para Lisboa onde frequentou o Curso de Relações Internacionais, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.
Como jornalista, Joel Neto trabalhou em quase todos os media nacionais. Foi editor dos jornais “Record” (1995-2000) e “24 horas” (2000-2001), e da revista “Focus” (2001-2002); e Chefe de Redação do jornal “Correio da Manhã” (2002-2003). Trabalhou também para órgãos de comunicação social como os jornais “O Jogo” e “Diário de Notícias”, os canais de televisão “Sporttv”, “Eurosport” e “RTP Açores”, as rádios “Clube de Angra”, “TSF” ou “RDP África”, e nas revistas “Golfe Magazine” ou “Golf Digest”, entre outros.
Em 2000, publicou o seu primeiro livro, um romance intitulado “O Terceiro Servo”. Dois anos mais tarde, lançou “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002), adotado como obra de leitura obrigatória pela Universidade dos Açores. Em 2003, lançou o livro de crónicas “Al-Jazeera, Meu Amor”. No ano seguinte lançou a biografia “José Mourinho, o Vencedor”. Em 2007, publicou “Todos Nascemos Benfiquistas, Mas Depois Alguns Crescem”, um conjunto de crónicas sobre futebol.
Em 2008, foi o autor de “A Equipa de Todos Nós”, primeiro volume da obra colectiva “Crónica de Ouro do Futebol Português”. Em 2011, lançou uma selecção das suas melhores crónicas no livro “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa”. No mesmo ano editou a “Bíblia do Golfe”, uma introdução panorâmica para quem se está a iniciar na modalidade.
2012, marcou o regresso do escritor à ficção, com a publicação, no mês de Abril, de “Os Sítios sem Resposta”, o seu novo romance.

As suas obras, devido ao seu grande sucesso, encontram-se traduzidas em inglês e polaco e representadas em antologias em Espanha, Itália e Brasil.
Participou, em 2005, na iniciativa"Travessias - Encontro de Escritores Atlânticos", evento realizado nas cidades brasileiras de Florianópolis - Santa Catarina e Porto Alegre –Rio Grande do Sul, apoiado pela Direcção Regional das Comunidades, do Governo dos Açores.

segunda-feira, 21 de março de 2016

O luso descendente Paul Joseph Selva novo subchefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas dos Estados Unidos


O luso descendente Paul Joseph Selva foi confirmado  como o novo subchefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Selva, de 56 anos e com família originária na ilha do Faial, Açores, é piloto de formação e exercia as funções de comandante da Base de Transporte Militar Scott, no estado do Illinois.

O general foi nomeado para o novo cargo pelo Presidente Barack Obama em Maio e agora confirmado pelo Senado.

Na mesma altura, o Senado confirmou o General Joseph F. Dunford como presidente do Estado-Maior-General.

O secretário de Defesa, Ash Carter, disse que os dois homens provaram "a sua coragem ao longo das suas carreiras": "o General Dunford desde os primeiros anos na infantaria até à sua liderança no Afeganistão e nos Marines, e o General Selva desde os seus dias iniciais como piloto até à sua liderança do comando de transporte militar".

"Sei que o Presidente Obama, eu e a nossa segurança nacional vão beneficiar largamente dos seus sábios conselhos e da sua perspectiva estratégica conseguida durante anos de experiência operacional", acrescentou Carter.


Selva é um piloto com mais de 3.100 horas de voo, com uma licenciatura em engenharia aeronáutica da Forca Aérea Americana, um mestrado em gestão e recursos humanos e outro em ciência política.

Entre Outubro de 2008 e Outubro de 2011, serviu como assistente do presidente do Estado-Geral-Maior da Marinha.

"Torna-te muito humilde representar os homens e mulheres que vestem o uniforme da nossa nação e a nossa população civil. Eles são exemplo daquilo que de melhor o país tem para oferecer, e prometo ser um defensor apaixonado para garantir que continuemos a ser a forca militar mais bem treinada, melhor dirigida, melhor equipada e mais capaz de todo o mundo", disse.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Alguns dos nomes de Cristãos-Novos Açorianos e Madeirenses que foram para o Brasil


Eram numerosos os cristãos-novos portugueses que se movimentavam da Metrópole para as colónias, mercadejando ou simplesmente imigrando para lugares mais seguros para as suas famílias, e as ilhas atlânticas não foram excepções. Os judeus portugueses estiveram, como já disseram alguns historiadores, em todos os poros da colonização portuguesa. Eu diria que eles trilharam por todos os cantos do planeta, e ainda hoje são encontrados seus vestígios nos mais distantes ou diferentes países. Sem contar as colónias do Caribe, as Índias de Castela, a América do Norte e as colónias africanas. Os próprios judeus açorianos estão presentes em todo lado.


 Vem para o Brasil no final do século XVII o cristão-novo Pedro Fernandes de Mello, comerciante da Ilha de São Miguel. Com o perdão de 1605, muitos se aproveitam para saírem de Portugal, indo muitos para a Holanda. Entretanto em 16l8, chega à Ilha Terceira um barco com 40 judeus portugueses provenientes da Holanda, entre eles António Rodrigues Pardo. De São Miguel, chega ao Rio de Janeiro o mercador judeu Manuel Homem de Carvalho, da família Homem de Almeida que teve como mártir em Coimbra o Dr. António Homem, líder religioso dos judaizantes. Manuel confessou ter retornado ao Judaísmo na Holanda onde havia estado.


Um pouco antes de 1600, vêm para a Bahia os cristãos-novos terceirenses António Rodrigues Pardo e Pero Garcia. Em 1592, o Pe. Jerónimo Teixeira Cabral, comissário da Inquisição nos Açores, denuncia a infiltração de cristãos-novos na Igreja como clérigos. Muitos partidários de D. António Prior do Crato, pretendente ao trono português, e de etnia hebraica, são expulsos da Ilha por Filipe II da Espanha, então detentor das duas coroas Ibéricas, que fugiram para os Países Baixos e para o Brasil. Entre eles, Manuel Serrão Botelho, que chega ao Brasil logo após 1582. Um contratador dos Açores foi o cristão-novo Miguel Gomes Bravo, natural do Porto que nomeou como arrendatário o cristão-novo Francisco Bocarro.

Miguel veio para o Brasil em 1585, e em 16l0 vai morar no Rio de Janeiro. Era casado com Isabel Pedrosa de Gouveia, tendo grande descendência. Álvaro Fernandes Teixeira, natural da Ilha Terceira, cristão-novo casado com Maria de Azevedo, filha do cristão-novo Diogo Cristóvão, do Porto, e seus parentes vieram residir no Rio de Janeiro no século XVII. Da ilha de São Miguel, vem residir na mesma cidade o cristão-novo Pedro Fernandes de Mello, casado com a congénere Ana Garcia de origem espanhola. Diogo Teixeira de Azevedo, cristão-novo nascido no Rio de Janeiro e filho do casal da Ilha Terceira, Álvaro Fernandes Teixeira e Maria de Azevedo, foi preso pela Inquisição e saiu em Auto-de-Fé em Lisboa em 5 de Abril de 1620, condenado a hábito penitencial e cárcere a arbítrio terminou solto em Junho daquele mesmo ano .

domingo, 13 de março de 2016

Alguns dos nomes de judeus sepultados na ilha do Faial Açores


Neste lugar sagrado estão sepultados 17 membros da comunidade judaica que viveu no Faial, os quais, mercê da sua capacidade empreendedora, atingiram destacado nível económico e elevado estatuto social, chegando alguns deles - designadamente Salomão Bensabat e Salomão Sabat – a integrarem a lista dos quarenta maiores contribuintes do concelho da Horta 2 e outro, Moisés Benarus, gerente e administrador da sociedade comercial “José Benarus & Filhos” e, posteriormente director de várias empresas e instituições como a “Silveira, Edwards & C.ª”, “Caixa Económica Comercial Faialense”, “Caixa Económica Faialense”, “Empresa de Iluminação Eléctrica da Horta” vice-cônsul dos Estados Unidos, membro da Junta Geral, correspondente da agência noticiosa “Associated Press”, agente da “Dominion Line” e director da instalação na Horta da “Western Union Telegraph Company”. Moisés Benarus viveu e morreu em rito judaico e foi o último hebreu faialense.
Daquelas 17 sepulturas, apenas duas não se conseguem identificar. Nas outras repousam os restos mortais das seguintes pessoas:


- Abraão Abisdid, falecido a 16 de Janeiro 1864, e um dos que esteve na génese do estabelecimento do cemitério;
- Jacob Pinto, irmão do rabino Mayer Pinto, f. 14 Maio 1869;
- Salomão Bensabat (1800- 27.2.1874), outro dos fundadores daquele espaço e, como salientámos, um dos mais poderosos judeus faialenses;
- David Bensabat, neto do anterior, teve poucos meses de vida, pois nasceu a 27 de Novembro 1873 e faleceu em 3 de Maio de 1874;
- Salomão Benarus, irmão de Moisés Benarus, nascido na Terceira a 20 de Novembro de 1857 e falecido, aos 27 anos, na Horta em 8 de Junho de 1884;
- Salomão Sabat, casado com Raquel Sabat e faleceu a 30 de Outubro de 1884;
- José Abisdid, falecido em 1886;
- Abraão Benchimol, falecido em 1887;
- José Azencot, falecido em 1889;
- Ranma (?), casada com Samuel Levy [?]
- Alegria Sabat Pinto, nascida a 25 de Junho de 1861 e falecida a 14 de Outubro de 1875;
- Simes Benchimol, casada com o negociante hebraico Abraão Benchimol, faleceu a 16 de Setembro de 1877;
- Maria Sabat Pinto, casada com Mayer Pinto, faleceu em 17 de Setembro de 1882;
- Samuel Benarus, filho de Moisés Benarus e de Maria Amélia Garcia, faleceu a 18 de Julho de 1920, tinha dois meses incompletos, pois nascera a 26 de Maio de 1920;
 - Moisés Benarus, nascido na Terceira em 17 de Outubro de 1859, faleceu na Horta a 20 de Junho de 1943 e, como se disse, foi o último membro da comunidade judaica faialense e cujos descendentes têm zelosamente cuidado daquele espaço.
Os nomes dos que repousam no cemitério israelita pertencem a poucas famílias – Absidid, Benarus, Bensabat, Benchimol, Pinto, Sabat – algumas delas ligadas por consórcios entre os seus membros.
Tendo sido utilizado durante 80 anos, este cemitério é, presentemente, o maior testemunho da existência da comunidade hebraica que viveu no Faial, além dos documentos, livros e alfaias zelosamente preservadas pela Dr.ª Maria Luna Benarus e seu marido Manuel Joaquim da Silva Brum.
Agora que se restaurou a sinagoga de Ponta Delgada, aberta ao público como espaço museológico, é importante que a Comunidade Israelita de Lisboa assuma a preservação daquele cemitério que, por documento de 16 de Junho de 1983, ficou à sua guarda definitiva.
É igualmente relevante lembrar que os judeus faialenses fundaram, em meados do século XIX, uma sinagoga que Marcelino Lima localiza na rua do Livramento, à esquina da travessa de São Francisco, num prédio confinante com o quintal de Salomão Sabat, cuja casa – situada na rua Conselheiro Medeiros – ainda ostenta numa das suas varandas as iniciais SS. O último rabino da religião hebraica foi Mayer Pinto que, em 1887, fez inserir na imprensa do Faial um extenso e comovente adeus, ao retirar-se, na companhia de sua cunhada Ester Sabat, “desta ilha, talvez para sempre (…) despedindo-se dos restos mortais de alguns dos seus parentes que deixa(va) aqui no cemitério hebraico [a esposa Maria Sabat Pinto, o irmão Jacob Pinto e a jovem filha de 14 anos, Alegria Sabat Pinto], legando-lhes uma eterna saudade, desejando-lhe o eterno descanso dos justos, ao passo que roga(va) a todas as excelentíssimas autoridades presente e futuras se dignem manter a inviolabilidade daquele jazigos que são para eles penhores sagrados”.

A presença dos judeus na ilha do Faial está abundantemente assinalada na documentação local: escrituras notariais, jornais, actas e livros de registos camarários, bem como o enorme acervo da Casa Bensaúde que se encontra devidamente preservado. Todavia, o testemunho mais evidente e marcante é o cemitério hebraico que, mercê da dedicação de uma só família, se encontra em bom estado de conservação. É a manutenção desse espaço sagrado que deve mobilizar a Comunidade Israelita de Lisboa e, ao menos interessar, a Câmara Municipal da Horta.