Na antiga cerca do Carmo, mesmo junto ao cemitério geral da cidade da Horta, lá estão, conservados e intactos, os jazigos de 17 pessoas de religião hebraica que constituem o que ainda hoje se chama, com toda a propriedade, “Cemitério dos Judeus” o qual, como toda a realização humana, também tem uma história.
As primeiras referências que dele se conhecem são as constantes de uma Portaria de 13 de Maio de 1851 de D. Maria II autorizando o estabelecimento no Faial do cemitério dos hebreus.
Diz esse documento que “Sua Majestade a Rainha, atendendo ao que lhe representaram Salomão Bensabat (naturalizado português), Abraão Abisdid e outros hebreus, residentes na cidade da Horta, ilha do Faial, pedindo que lhe seja permitido estabelecer um cemitério privativo para os da sua religião e conformando-se com as informações do governador civil do distrito, em vista da disposição do decreto de 21 de Setembro de 1835, [o diploma que determinou às câmaras municipais a construção de cemitérios para que as igrejas deixassem de ser utilizadas para tal fim] há por bem conceder licença para que os suplicantes estabeleçam fora da cidade um cemitério privativo no lugar e com as condições que forem designadas pelos facultativos convocados perante a competente autoridade administrativa , ficando os suplicantes obrigados a observar as precauções que lhes forem prescritas pela respectiva autoridade de polícia sanitária a cuja fiscalização estiverem sujeitos”
Obtida a indispensável mercê régia, havia que adquirir o terreno necessário para a implantação desse cemitério. Quase de imediato foi isso que se fez.
Atesta-o uma escritura, lavrada a 19 de Abril de 1852 no tabelião José Baptista da Silveira, pela qual Anselmo Pereira e sua mulher Ana Jerónima venderam, pelo preço de duzentos mil réis, a Salomão Bensabat, Salomão Sabat e Abraão Abisdid, membros da comunidade judaica faialense “sessenta braças de terra lavradia sita no lugar da cerca do extinto Convento do Carmo”, ficando cada um dos compradores com “a terça parte das mesmas sessenta braças de terreno por terem entrado para esta compra com parte iguais”.
Donos do prédio onde se iria fixar o cemitério israelita – o “Campo da Igualdade” onde jazem os seus mortos – estabeleceram na dita escritura que “até ao tempo do falecimento do primeiro dos compradores só será permitido o enterramento de qualquer hebreu que haja de falecer nesta ilha ou na do Pico com permissão de qualquer deles compradores a qual não poderá ser negada”. Mais consignavam que quando falecesse qualquer um dos três compradores a sua parte ficava desde então pertencente à comunidade hebraica e assim seguiria até que falecesse o último deles, “sem que seus herdeiros ao mesmo terreno mais direito tenham que qualquer outro da sua religião”. Falecidos os três instituidores do cemitério hebraico ficaria ele pertencendo à comunidade israelita que porventura existisse na ilha do Faial ou, na falta desta, aos fiéis daquela religião que habitassem em território português.
sábado, 12 de março de 2016
quinta-feira, 10 de março de 2016
domingo, 6 de março de 2016
João Vaz Corte-Real Capitão-donatário de Angra de Heroísmo terá chegado primeiro que Colombo

O Real Canadian Portuguese Historical Museum em Toronto, no Canadá, pretende reconhecer a presença portuguesa na América do Norte dezanove anos antes da chegada de Cristóvão Colombo ao continente, anunciou a instituição.
"Sempre houve vestígios de que o navegador português João Vaz Corte-Real esteve no Canadá em 1422, dezanove anos antes da chegada de Cristovão Colombo à América do Norte", afirmou Suzy Soares, a presidente do Real Canadian Portuguese Historial Museum (RCPHM, sigla em inglês).
Alguns historiadores canadianos continuam, nos dias de hoje, a ter algumas dúvidas de que o antigo capitão-donatário de Angra (Açores) tenha estado onde hoje se localiza o Canadá, antes de 1492, mas em Portugal, para muitos estudiosos "é um dado adquirido", juntando agora os vários pontos de vista e provar de que João Vaz Corte-Real "passou realmente pelo Canadá antes de Colombo".
"Todos sabem da existência da Pedra de Dighton, localizada em Berkley, Massachusetts (Estados Unidos), e que tem palavras escritas que só podem ser em português. No entanto a história é muito complexa, pois há sempre várias versões dos acontecimentos", sublinhou.Suzy Soares estabelece como objectivo do museu ir à procura de mais provas e "reconhecer a descoberta da América" pelo navegador português João Vaz Corte-Real.
O Real Canadian Portuguese Historical Museum comemorou o 30.º aniversário, e no dia 5 de Março, pelas 18:30 (23:30 de Lisboa) vai homenagear 'João Vaz Corte-Real' durante um jantar de gala.
No evento estará em exposição uma réplica de uma caravela com três metros de comprimento, utilizada pelo navegador na viagem até ao Canadá, e será apresentado ainda um busto de Corte-Real.
O primeiro-tenente Nuno Gonçalves da Marinha Portuguesa, chefe de investigação do departamento do Museologia, vai abordar a presença portuguesa no Canadá.
Já o realizador Rui Bela apresenta o documentário 'Memórias do Mar'.
O evento terá também o objectivo de "angariar apoio financeiro para dar continuidade ao trabalho do museu", que tem dado destaque à presença portuguesa na história do país
A denominação da região e mar do Labrador no Canadá, é em homenagem ao navegador português João Fernandes Lavrador que em 1498, juntamente com Pedro Barcelos, explorou aquela região.Mathieu da Costa, provavelmente de pai português e mãe africana, foi o primeiro afro descendente de que há registo no Canadá (1600) e o português Pedro da Silva, foi o primeiro carteiro no Canadá (1673).
Joe Silvey (1853) um pioneiro na colonização da costa oeste do Canadá, um exemplo de miscigenação, porque tomou duas índias como esposas, é outra das referências portuguesas em terras do Canadá.
Calcula-se que existam no Canadá cerca de 550 mil portugueses e luso descendentes, estando a grande maioria localizada na província do Ontário.
sexta-feira, 4 de março de 2016
Craig Mello é de ascendência Açoriana
Craig Cameron Mello nasceu a 19 de Outubro de 1960, em New Haven, Connecticut, nos Estados Unidos da América. É de ascendência açoriana e filho de James Mello (paleontólogo), e de Sally Mello (artista).
Professor de Medicina Molecular na Universidade de Massachussets e investigador do Instituto de Medicina Howard Hughes, em Maryland, é graduado em Bioquímica pela Universidade de Brown e doutorado em Biologia Celular e do Desenvolvimento pela Universidade de Harvard.
Em 2006, conjuntamente com Andrew Fire, recebeu o Prémio Nobel da Medicina pela descoberta do mecanismo fundamental para o controlo dos fluxos de informação genética, que pode ajudar a explicar algumas doenças, entre as quais alguns tipos de cancro. Além deste, recebeu vários prémios científicos, destacando-se: 2003 - Prémio em Biologia Molecular da Academia Americana de Ciências e o Prémio Wiley em Ciências Biomédicas da Universidade Rockefeller; 2005 - Prémio Brandeis University's Lewis S. Rosenstiel, o Prémio Gairdner Foundation International e o Prémio Massry; 2006 - Prémio Paul Ehrlich e Ludwig Darmstaedter.A Universidade dos Açores decidiu, a 26 de Janeiro de 2012, atribuir-lhe o grau de doutor ‘honoris causa’ por esta descoberta, tendo sido apadrinhado na cerimónia realizada em Ponta Delgada, por Maria Leonor Medeiros, professora catedrática de Bioquímica do Departamento de Ciências Tecnológicas e Desenvolvimento.
Na primeira vez que visitou os Açores, em Julho de 2009, Craig Mello deixou no Arquipélago o diploma e a medalha do Prémio Nobel, numa iniciativa destinada a “inspirar os jovens açorianos a estudar ciência.”Na altura, admitiu que o seu conhecimento sobre o Arquipélago resultava apenas das “histórias” contadas pelo avô (Frank Melo) e pelo pai, referindo que o bisavô “depois de ter saído dos Açores, nunca mais regressou.”
Os bisavôs Eugénio Castanho de Melo e Maria da Glória Barracôa, nasceram na freguesia da Maia, em S. Miguel, e emigraram para os EUA no início do século XX.
É um dos conselheiros do projecto "Rede Prestige Azores".
terça-feira, 1 de março de 2016
domingo, 28 de fevereiro de 2016
O dramaturgo Norberto Ávila também nasce nos Açores

Norberto Ávila (Angra do Heroísmo, Açores, a 9 de Setembro de 1936) é um dramaturgo, romancista, contista e poeta.
De 1963 a 1965 frequentou, em Paris, a Universidade do Teatro das Nações (Université du Théâtre des Nations / Institut International du Théâtre).
Criou e dirigiu a revista Teatro em Movimento (Lisboa, 1973-1975), que, entre variada colaboração, publicou textos dramáticos integrais de Jacques Audiberti, Henry de Montherlant, Pirandello, Miguel Barbosa, Tankred Dorst e Strindberg.
Chefiou, durante quatro anos, a Divisão de Teatro da Secretaria de Estado da Cultura. Abandonou o cargo em 1978, a fim de dedicar-se mais intensamente ao seu trabalho de escritor, de que resultou a escrita de três dezenas de peças teatrais, três romances (dois deles ainda inéditos) e um livro de poemas.
Traduziu obras de Jan Kott, William Shakespeare, Tennessee Williams, Arthur Miller, Jacques Audiberti, Friedrich Schiller, Junji Kinoshita, Ramón María del Valle-Inclán, Rainer Werner Fassbinder, Eduardo Blanco Amor, José Zorrilla e Liliane Wouters. Adaptou à cena o romance O Bobo de Alexandre Herculano e, para marionetas, a obra D. Quixote e Sancho Pança de António José da Silva.
Dirigiu para a RTP (1.º Canal), a partir de Novembro de 1981, uma série de programas quinzenais dedicados à actividade teatral portuguesa, com o título de Fila.
As obras dramáticas de Norberto Ávila, em grande maioria publicadas, têm sido representadas em teatros profissionais portugueses como o Teatro Monumental e Teatro da Trindade (Lisboa), Marionetas de Lisboa, Teatro Experimental de Cascais, Teatro Animação de Setúbal, Teatro Experimental do Porto, Teatro de Portalegre, Teatro A Oficina (Guimarães) e Centro Dramático de Évora, por exemplo, além de muitos grupos de teatro amador. As suas obras foram ainda encenadas em teatros da Alemanha, Áustria, Bélgica, Coreia do Sul, Croácia, Eslovénia, Espanha, França, Holanda, Itália, República Checa, Roménia, Sérvia e Suíça.
Em 2009, a Imprensa Nacional - Casa da Moeda publicou a colectânea Algum Teatro (20 peças de Norberto Ávila, em 4 volumes), cuja ordenação cronológica permite avaliar facilmente a evolução temática e estética do autor, umas vezes interessado em ficções dramáticas de fundo histórico, outras, na recriação dos grandes mitos (sejam eles da Grécia clássica ou da literatura ibérica), na elaboração de um teatro de inspiração popular ou de crítica social ou empenhamento político, ou mesmo de incitamento à evasão e à fantasia.
No dizer de Luiz Francisco Rebello (sem dúvida o mais autorizado especialista do teatro português): "Pela diversidade e riqueza dos temas dramatizados, pela variedade e adequação dos modelos estruturantes, pelo saber oficinal, pela capacidade inventiva do jogo cénico, pela sábia dosagem do real e do fantástico, do humor e da emoção, do erudito e do popular, e pela articulação perfeita de tudo isto, a obra de Norberto Ávila, já internacionalmente consagrada, ocupa um lugar ímpar no quadro da dramaturgia portuguesa contemporânea."
Embora outras peças do autor (como A Ilha do Rei Sono e O Marido Ausente) tenham tido oportunidade cénica em vários países, é incontestável que As Histórias de Hakim,[8] [9] [10] cujo número de encenações rondará a centena, continua a ocupar um lugar de privilégio na audiência nacional e internacional. Já em Agosto de 1978, sendo promissora a carreira de As Histórias de Hakim, a prestigiada revista mensal Theater Heute (de Hanôver) dedicava-lhe, e ao seu autor, grande parte de um dos seus números: reedição integral do texto dramático, complementada com artigos sobre encenações da obra em países de língua alemã, entrevista com o escritor, com dados bibliográficos e imagens de montagens em diversos teatros.
Em 2008, a Sociedade Portuguesa de Autores prestou-lhe homenagem com a sua Medalha de Honra. Em 2010, ano em que se completaram os 50 anos da estreia de Norberto Ávila como dramaturgo representado, a Assembleia Legislativa dos Açores decidiu atribuir-lhe, nas celebrações do Dia dos Açores, a Insígnia Autonómica de Reconhecimento.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Subscrever:
Mensagens (Atom)











