sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Jasiel Correia II Presidente de Câmara de Fall River


O luso descendente Jasiel Correia II, de 24 anos, que acaba de tomar posse como o mais novo presidente de Câmara de Fall River, em Massachusetts, quer devolver a cidade aos anos de ouro em que atraía milhares de imigrantes portugueses.
"Ouvimos uma e outra vez sobre o grande potencial de Fall River. Hoje começamos a mostrar resultados", disse Correia durante a cerimónia de tomada de posse, que aconteceu esta semana.

Com origens cabo-verdianas pelo lado do pai e açorianas pelo lado da mãe (Pico da Pedra, São Miguel), Correia foi eleito em Novembro com 52% dos votos, derrotando Sam Sutter, que lutava pela reeleição e apenas conseguiu 48%.
Com cerca de 90 mil habitantes, Fall River é o centro da vida portuguesa em Massachusetts. Segundo os últimos censos, 49% da população da cidade eram portugueses ou luso-americanos, sendo que a grande maioria é oriunda das ilhas dos Açores.
No centro da cidade, existe mesmo uma réplica das Portas da Cidade de Ponta Delgada. As celebrações do Espírito Santo acolhem todos os Verões dezenas de milhares de pessoas.
O voto destes emigrantes foi essencial para eleger Correia, que ocupava o cargo de conselheiro da cidade desde o início de 2014.
"Vamos começar a atrair a próxima geração e a geração a seguir a essa para a nossa cidade. Vamos fazê-lo tornando Fall River não apenas um local onde as pessoas sobrevivem, mas onde prosperam", disse o jovem.
Lembrando as dificuldades que a cidade passou nos últimos 40 anos, depois do fecho de muita indústria na segunda metade do século passado, Correia disse que vai "trabalhar para afastar a percepção negativa que foi injustamente lançada sobre a cidade nas últimas décadas."

Correia nasceu e foi criado em Fall River, onde também estudou, tendo depois concluído uma licenciatura no Providence College em Ciências Empresariais e Políticas.
Durante a campanha, disse que a sua questão preferida era quando lhe perguntavam se tinha maturidade suficiente para ser presidente.
"Não posso mudar a minha idade. Não posso ser desacreditado apenas pela minha idade. Vou ser o mais energético, o mais optimista presidente de que têm memória recente, se não de sempre", disse.
Correia é fundador e director executivo da SnoOwl, uma aplicação para telemóveis que reúne 'posts' das redes sociais sobre empresas.
O jovem diz que vai usar a sua experiência como empresário para falar com outros homens de negócios e revitalizar a economia da cidade.
Correia, que até há alguns meses ainda vivia em casa dos pais, detalhou planos específicos para a cidade, que passam pela recuperação da frente ribeirinha, construção de estacionamento, um novo sistema de recolha de lixo e de coordenação com as escolas.
"Nos próximos meses, verão a minha administração fazer parceria com o Conselho da Cidade e o Comité Escolar para desenhar um orçamento que garante serviços de qualidade para os nossos residentes e lança as bases para uma era de desenvolvimento económico", concluiu o luso-descendente.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Manuel Alves


Manuel Alves nasceu na Horta a 27 de Novembro de 1914.
Desde cedo mostrou curiosidade pelas coisas do mar, influenciado pelo seu pai, Simão Alves, que era Cabo do Mar e de quem herdou o nome pelo qual ficou conhecido toda a vida: Simão.

Aos 14 anos, iniciou-se nas fainas de limpeza e pequenos serviços nas lanchas que operavam no Porto da Horta, fazendo amizade com os tripulantes das embarcações.

Tirou a cédula marítima a 9 de Junho de 1931, passando a fazer parte da tripulação da Empresa Açoriana de Navegação e Pesca, conhecida como empresa dos "Lourenços", tendo sido 'aluno' do mais afamado dos mestres à altura, Guilherme Rodrigues Alberto, da Madalena do Pico.

Com carta de mestrança tirada em 1949, foi mestre efectivo da lancha "Calheta" e da maior lancha da Empresa de Lanchas do Pico (ELP), a "Espalamaca", até Julho de 1966, altura em que emigrou para os Estados Unidos da América.

Entre as diversas histórias de heroísmo e bravura de Mestre Simão, ficou na memória das gentes do Faial e do Pico um episódio ocorrido entre 12 e 13 de Janeiro de 1953, a bordo da lancha "Calheta", provocado por um violento temporal e que lhe valeu um louvor da Capitania do Porto da Horta.

A história do transporte marítimo de passageiros no arquipélago é fértil nestas aventuras, mas as protagonizadas por Mestre Simão destacam-se pela sua perícia, resistência física e mental, bem como pela sua coragem.

Mestre Simão faleceu em New Bedford, MA, em 29 de Dezembro de 1985.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Mestre José Augusto Lopes


No dia 26 de Outubro de 1928 na vila de Santa Cruz das Flores, numa casa pequenina e modesta, nasceu o menino José Augusto Lopes. Os seus pais Cristina e José, viviam com dificuldades, como acontecia com a maioria dos florentinos dessa época, tinham de retirar da terra e do mar, tudo o que necessitavam para a sua subsistência.
Os nossos antepassados são grandes homens e grandes mulheres de quem nos devemos orgulhar de descender. Eles fizeram de vidas longas de suor, de muita fé e coragem, de muito amor à terra e de apertos de mão para selar contratos que a boca dizia em palavras que o vento não levava..., uma forma especial de viver e de morrer em paz.
José Augusto cresceu nessa ilha das Flores, tão diferente da actual. Jogou com bolas de trapo e bexigas de porcos, jogou à macaca e ao botão, mas foi criança durante muito pouco tempo. Mal terminou a escola primária na sua freguesia, começou a dar dias de trabalho para ajudar os pais. Com catorze anos de idade fixou residência na vila das Lajes, onde aos dezanove, casou com Eduina Espínola Lopes. Desse casamento nasceram três rapazes: José Humberto, Victor e Armando.
Durante alguns anos continuou a trabalhar em terra e no mar, mas o seu coração pendia muito mais para o mar. Com apenas quinze anos, já atravessava o canal Flores–Corvo. Com o passar do tempo, e porque era necessário assegurar o seu sustento e da sua família, dedicou-se à baleação e à pesca e trabalhou arduamente nas cargas e descargas de navios, muitas vezes em situação de alto risco. Foi nas Lajes, e nos primeiros anos da década de 1950, que adquiriu a sua primeira embarcação de pesca. Contava, com graça, que, nesse tempo, o mar fervilhava de peixe, mas vendê-lo era muito difícil. Palmilhava as freguesias do concelho e nem por um escudo e vinte, conseguia vender cherne à posta.
Apesar de todas as dificuldades, a emigração nunca o seduziu. Inteligente e sonhador como era, ele tinha a certeza que, fora das Flores, não seria feliz nem conseguiria sonhar com nada. Mestre José Augusto sempre pertenceu a esta ilha. Como o mar, as rochas e as gaivotas. Ele era o prolongamento da própria ilha. E a história desta terra não seria a mesma se ele não tivesse “palmilhado” milhas e milhas de mar, desbravando distâncias, salvando vidas, rompendo, qual Apolo, as fúrias de um mar “em brasa”.
Com a chegada dos franceses à ilha das Flores em 1964, para construírem a sua base militar de telemedidas, mestre José Augusto voltou a fixar residência em Santa Cruz, uma vez que todas as cargas respeitantes à base seriam descarregadas nesse porto. Ganhou muito dinheiro e desenvolveu a sua frota de embarcações tendo criado diversos postos de trabalho que contribuíram para o crescimento económico da ilha ao longo de muitos anos. A apanha de algas foi também uma época de ouro para o seu negócio.

Ao longo da sua vida adquiriu mais de duas dezenas de embarcações. Passou mais tempo no mar do que em terra. Transportou durante dezenas de anos correio, carga, e milhares de passageiros entre as Flores e o Corvo. Nas suas lanchas, passaram as mais altas individualidades da vida portuguesa e açoriana. Arriscou centenas de vezes a sua vida para salvar outras, a caminho do Centro de Saúde das Flores, especialmente no tempo em que não havia médico no Corvo, e a pista de aviação daquela ilha não passava de um sonho. Pelo esforço, coragem, capacidade e riscos por que passou nessas viagens, foi condecorado em 10 de Junho de 1994 pelo Sr. Presidente da República Dr. Mário Soares, com o grau de oficial da ordem de mérito.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Paul Ferreira


Paul Ferreira (Paulo Ricardo Branco Ferreira) nasceu a 7 de Janeiro de 1973, na ilha de S. Jorge, Açores. Em 1979, emigrou com a sua família para o Canadá, fixando-se em Brampton, Ontário.
Concluiu a primária e o secundário nas escolas de Brampton, onde residia e licenciou-se na Carleton University, em Ottawa. Foi distinguindo, pela Faculdade de Jornalismo de Ottawa, como licenciado honorário, tendo sido premiado pelo seu excelente percurso académico e participação na comunidade.
Em 1990, ingressou no NDP (New Democratic Party). Enquanto membro do NDP desempenhou várias funções, nomeadamente : de vice-presidente na New Democratic Youth of Canadá, entre 1997 e 1999, de membro da direcção do NDP de Ontário, entre 2002 e 2004 e, também, de co-presidente do partido LGBT, onde esteve por vários anos.
Profissionalmente, foi colaborador na Sociedade de Educação e Desenvolvimento do Canadá, assim como co editor na revista nacional Canadian Learning Journal. Trabalhou como relações públicas numa empresa multinacional britânica, e exerceu as funções “manager” na área da comunicação social, na North American Broadcasters Association.
Entre 2001 e 2004, trabalhou com uma das maiores firmas na área de comunicação no Canadá.
Ingressou na política em 1997, ao concorrer às eleições para o Centro de Brampton. Em 2004, foi candidato federal do NDP na corrida final de Toronto da York South, Weston. Foi eleito membro do New Democratic Party de Ontário para a Assembleia Legislativa, a 8 de Fevereiro de 2007, nas eleições parciais de York South, Weston.
Exerceu o cargo de chefe da seção de pessoal, para o presidente do partido, Howard Hampton, até à sua aposentação em 2009.
Actualmente, trabalha nos serviços de acção eleitoral do NDP, na Legislatura de Ontário.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O aventureiro da ilha do Pico em terras do Canadá

Silvey, que nasceu na pequena Ilha do Pico, na freguesia da Calheta de Nesquim, empregou-se num navio americano aos 12 anos de idade e, eventualmente abandonou a tripulação e se estabeleceu nesta província – e 158 anos após o início da sua aventura na costa do Canadá, há mais do que 1.000 dos seus descendentes espalhados por esta província.

Joe adquiriu uma propriedade em Stanley Park, estabeleceu um negócio de pescaria, construiu o seu primeiro barco e iniciou a indústria de pesca com redes – usando a sua experiência lusitana.
"The Remarkable Adventure of Portuguese Joe Silvey" publicada em 2004 é o primeiro trabalho de Jean Barman abordando a problemática da emigração açoriana para a Colúmbia Britânica.
No prefácio desta obra escreve Manuel A. Azevedo: "Existe um provérbio português que diz que Deus está em todo o lado, mas os portugueses chegaram lá primeiro."

Joe Silvey (Silva) foi um dos primeiros pioneiros portugueses a chegar ao Canadá muito antes de 1867, o ano da Confederação à qual a Colúmbia Britânica se juntou em 1871.
A história do Picoense Joe Silvey iniciou-se durante a corrida ao ouro de 1858 na Colúmbia Britânica. Estes foram os anos em que a população não nativa cresceu do dia para a noite. As 1000 almas que habitavam a Colúmbia Britânica viram de um momento para o outro o seu lugar "inundado" por sonhadores à procura de riqueza. Em pouco tempo a população somava 20.000 pessoas.

Todavia, o Picoense Joe Silvey não encontrou fortuna no ouro mas encontrou uma esposa nativa da localidade que mais tarde ficaria conhecida por Vancouver. 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A família Dabney na ilha do Faial Açores


Oriunda dos Estados Unidos da América, a família Dabney instalou-se na Horta em 1806, quando John Bass Dabney foi nomeado Cônsul Geral dos Estados Unidos para os Açores pelo presidente americano, Thomas Jefferson.
Três membros da família Dabney, John (pai), Charles (filho) e Samuel (neto), exerceram sucessivamente o cargo ao longo do século XIX, ficando a sua presença registada na ilha do Faial através da toponímia, da arquitectura e da botânica.
John Bass Dabney especializou-se no comércio marítimo, fomentou a exportação do vinho e da laranja, adquiriu navios, armazéns e estaleiros destinados ao abastecimento e à reparação naval, dando assim origem a uma das mais poderosas casas comerciais do arquipélago dos Açores.
Com Charles Dabney, a família continuou a expandir os seus negócios, incrementando o movimento do porto da Horta, sobretudo através do abastecimento e reparação dos navios baleeiros americanos que aqui deixavam o óleo de baleia. Os Dabney exportavam-no para a Costa Leste dos Estados Unidos. Asseguravam ainda a ligação entre continente americano e os Açores e com o desenvolvimento da navegação a vapor passaram a ser os principais fornecedores de carvão dos navios que aportavam no porto da Horta.
Quando Samuel Dabney assumiu o cargo consular para dar continuidade aos interesses comerciais desenvolvidos pelo seu pai, o número de navios a ancorar no porto da Horta já tinha diminuído, pois a travessia do Atlântico era agora mais rápida em virtude da descoberta do petróleo. Por outro lado, a concorrência da casa comercial Bensaúde, a dinamização da doca de Ponta Delgada e a pressão do Governo americano, no sentido de impedir que os cônsules a tempo inteiro se dedicassem simultaneamente à actividade comercial, levaram Samuel Dabney a deixar definitivamente a ilha do Faial. Os últimos membros da família Dabney a residir na cidade da Horta partiram definitivamente para os Estados Unidos, em 1892.
Do património arquitectónico pertencente a esta família, destaca-se a Casa de Veraneio em Porto Pim, adquirida por Charles William Dabney, em 1854. Edificada na paisagem única do Monte da Guia e incluída num complexo residencial composto por uma casa com cisterna, cais e abrigo para dois botes, um miradouro e uma pequena área de vinhas que se estendia pela encosta em direção à baía de Porto Pim, possuía ainda uma adega, onde atualmente está patente uma exposição que retrata o percurso de uma família americana, originária de Boston.