terça-feira, 5 de janeiro de 2016

António Rodrigues Ormonde


Diz-se que uma boa imagem vale por mil palavras. E o certo é que sempre tive o cuidado de escolher algo que, da melhor forma possível, ilustrasse o que vou escrevendo. No caso desta semana foi mesmo a imagem a motivar a crónica, que partiu de uma das muitas fotografias que fiz durante a recente pré-campanha eleitoral, no caso durante uma visita ao lar de idosos da Santa Casa da Misericórdia de Angra. Propositadamente, tentei captar da melhor forma o rosto marcado e moreno de António Rodrigues Ormonde, bem conhecida figura da nossa praça, onde a alcunha de José “Greta” o popularizou além-arquipélago. Há uns dias, e folheando a última edição (da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, em 1999) do pitoresco livro “Filósofos da Rua”, do já falecido Augusto Gomes, constatei que dos visados na (muito) localizada prosa - e sendo que ainda “apanhei” o António “Bolacheiro” e o José Henrique “Ratinho”… -, apenas está vivo o referido “Greta”, com quem mantenho uma relação de cordialidade, que partiu de um episódio particular.

Em 1997 fui um dos elementos da comissão da tradicional Tourada dos Estudantes e, mandava a praxe, havia que oferecer um bilhete ao “nosso” José, como então percebi seria forma de o tratar. O próprio já se apercebera da repetida dádiva, pelo que a uns dias do Domingo Gordo nos abordou na carrinha do som que anunciava a garraiada. Quando dissemos que tínhamos um bilhete para ele, aproximou-se e, com aquele “quiebro” que também lhe apanha a voz, logo pediu “mais um para o sobrinho, e outro para a sobrinha…”, o que o presidente da comissão recusou, e a que eu reagi rasgando logo do bloco 4 ou 5 ingressos, que ofereci ao bom do José. Ele apenas disse (para o então presidente) “não gosto dele” e, virando-se para mim, “muito obrigado, e tudo de bom para ti”. Desde então, o respeito e o cumprimento ordeiro não mais deixaram de se fazer, e percebi que ali estava uma pessoa, sofrida na vida, mas com virtudes que fui conhecendo pelos anos.

Recordando o que escreveu Augusto Gomes, perante um “Greta” mais novo e de constituição musculada, que era “um indivíduo alto, na casa dos trinta, cabelo sal e pimenta, falar afeminado e andando com requebros andaluzes”, rapidamente se identifica o personagem, hoje marca habitual da nossa cidade, onde sempre foi pessoa querida e onde sempre se soube comportar. Das atitudes altruístas que lhe conhecemos, e àquela forma meio-atrevida de agir, penso que o José junta uma bondade que é mesmo dele, que transborda o “boneco” popular, e que hoje se adivinha num homem que andará em torno dos setenta anos e que faz parte do nosso trivial. E como são as figuras que fazem os sítios, achei por bem deixar-lhe esta lembrança, depois de lhe ter oferecido as referidas fotos, para as quais já pediu que lhe fizessem uma moldura…

Texto de Miguel de Sousa Azevedo


Sabe como se chamava a sua trisavó?


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O cowboy da ilha de São Jorge Açores


João Ignácio d’Oliveira nasceu a 28 de Fevereiro de 1838 na freguesia de Santo Antão, na ponta Leste da ilha de São Jorge, nos Açores.
João Ignácio terá emigrado como marinheiro de um navio de caça à baleia, como acontecia com tantos outros. Nos anos 60 já se encontra no rio Columbia, no extremo Noroeste americano, a trabalhar num barco a vapor, com o nome de John Enos – nome que resulta da evolução Ignacius-Ignácio-Inácio-Enos, explicam os etimólogos.
É nessa altura que começa a comprar gado, e em 1870 já está em Yakima, a oeste do rio, no seu primeiro rancho. Pouco depois atravessa a água e estabelece-se em Cannaway Creek, no então Lincoln County (...) imediatamente antes de se juntar ao Snake e rumar ao Pacífico – o chamado "Big Bend" (Terra da Grande Volta), uma planície "ondulante, desértica e semi-árida", como explica William S. Lewis em "The Story of Early Days in The Big Bend Country", de 1926.
E é a partir daí, nas terras livres da exploração open-range (terrenos do estado, de utilização gratuita), que construirá o seu império.
(…) O seu rancho, dizia-se, estava assombrado. Enos, como enumerou Kenneth Kallenberger em Saga Of Portegee Joe, gerava todos os mitos: envenenara três índios, enterrando-os no rancho junto com dois cowboys, enforcara um chinês, matara um jovem ladrão de cavalos, tinha cinco golpes na pistola, roubava cavalos e trazia-os para o rancho de noite, fugira da justiça no Leste da América, chicoteava os seus funcionários...

Muitas mães repreendiam as crianças com a ameaça: "Se não de comportares, Portegee Joe vai apanhar-te!" Mas, nos relatos dos que o conheceram, compilados mais tarde pelos jornais e pelos historiadores, Enos era precisamente o contrário: um homem afável e bondoso, embora irascível em determinados momentos.
John Enos era um visionário para a época, e essa é outra das características mais extraordinárias da sua história. No seu rancho de Cannaway Creek, criou um inovador sistema de rega, plantou um pomar que proporcionava maçãs aos funcionários, construiu uma casa em cima de uma fonte para usar a sua refrigeração, escavou uma adega atrás de uma colina e semeou árvores altas alinhadas, para proteger tudo contra o vento.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Video do cantador popular José da Lata - "O sol " (Recolha 1952) tradicional da ilha Terceira-Açores


José Martins Pereira (Cinco Ribeiras, 6 de Janeiro de 1898 — Terra Chã, 10 de Fevereiro de 1965), mais conhecido por José da Lata, foi um pastor de gado bravo, manobrador de touros nas corridas à corda, que se notabilizou como cantador e improvisador popular. Uma das personalidades que mais marcaram a cultura popular da ilha Terceira no século XX, era um extraordinário animador de festas populares, particularmente como cantador de Raises e do Rancho de matança, peças típicas do folclore Terceirense, e como tocador de viola-da-terra.

José da Lata foi uma figura típica da freguesia da Terra Chã, pois apesar de nascido na freguesia de Nossa Senhora do Pilar, viveu a maior parte da sua vida naquela freguesia, no Caminho para Belém, em frente da Canada dos Folhadais.

José da Lata trabalhou como pastor de gado bravo, profissão de que surgiu a sua alcunha, como resultado de uma aposta com rapazes da sua idade, quando apostou que amarraria uma lata nas hastes de um touro bravo. Ganha a aposta, perante o grande feito, ficou conhecido como o "José da Lata". Ganhou tal mestria na manobra dos toiros na típica toirada à corda que era apontado como o melhor pastor entre os pastores e um verdadeiro mestre na arte de produzir uma boa toirada.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

David Lee Roth dos Van Halen com sangue Açoriano

David Lee Roth, também conhecido como “Diamond Dave”, nasceu a 10 de Outubro de 1954, em Bloomington, Indiana, EUA. Filho de Nathan Roth e de Sibyla Roth, os seus avós paternos e maternos são oriundos dos Açores, nomeadamente da Ilha de S. Miguel.
Músico, compositor, paramédico, produtor, autor e DJ, é conhecido por ser um vocalista original e actual do sul da Califórnia, inspirado em hard rock e heavy metal. As características mais marcantes de David são as suas performances acrobáticas, com golpes de artes marciais, a sua voz e o seu sentido de humor.
Em 1972, formou a Banda “Van Halen”, em Passadena, Califórnia, a qual alcançou grande sucesso após o lançamento do seu álbum de estreia, intitulado “Van Halen", em 1978.
Em 1985, deixou a banda “Van Halen” e iniciou uma carreira a solo, que foi premiada com vários discos de ouro e platina.


Em 2007, regressou à “Van Halen”, para uma tournée norte-americana, que se revelou no maior sucesso da história daquela banda e recentemente concluíram a gravação do primeiro álbum com músicas desde 1984.
Em Fevereiro de 2012, iniciou uma tournée para celebrar o 40.º aniversário da Banda “Van Halen”, marcando assim o seu regresso definitivo à banda.

Foi convidado para actuar no “Angra Rock”, em Angra do Heroísmo, tendo aproveitado a OPORTUNIDADE para conhecer os Açores.

De onde veio a sua família?