Orlando Manuel Monteiro de Azevedo nasceu no dia 12 de maio de 1949, em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores, tendo chegado ao Brasil em 1963.
Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba, em 1980, Orlando de Azevedo dedica-se profissionalmente à fotografia documental em projectos especiais, assim como, à criação do seu estúdio em Curitiba. É especializado em expedições e projectos de longa duração.
É colaborador de várias revistas brasileiras e estrangeiras, tendo participado activamente em exposições colectivas e individuais no Brasil e noutros países.
Foi director de Artes Visuais da Fundação Cultural de Curitiba (1993-96), tendo criado a Bienal Internacional de Fotografia e o Museu de Fotografia Cidade de Curitiba. Em 1994, realizou a exposição “A Revolta”, do artista Franz Krajcberg, visitada por mais de um milhão de pessoas. Em 1998, foi considerado artista português de destaque no universo das artes visuais pelo Ministério das Relações Exteriores e Secretaria das Comunidades Portuguesas. Nesse mesmo ano, representou o Brasil no fórum de debates durante o encerramento do Mois de la Photo, exposição internacional de fotografia em Paris. Em 2003, recebe o prémio Talento do Paraná. Dois anos depois, a Câmara dos Vereadores de Curitiba confere-lhe o certificado de Honra e Mérito pela sua participação na Comunidade Portuguesa em Curitiba e na cultura local. Em 2007, venceu o prémio cultura e divulgação Cidade de Curitiba. Ainda neste ano, foi um dos três finalistas mundiais no campo das artes para portugueses radicados no exterior.
Ao longo da sua carreira já publicou 10 livros, o último deles intitulado “Expedição Coração do Brasil – Paranaguá, Largamar”, um seguimento do projecto “Expedição Coração do Brasil”, iniciado em 1999.
JOSÉ DE SOUSA BRASIL, O Charrua, nasceu nas Cinco Ribeiras, Ilha Terceira, em 25 de Junho de 1910 (segundo o registo baptismal) ou em 24 de Junho do mesmo ano, segundo ele próprio, data em que sempre festejou o seu aniversário. Continua a ser considerado como o maior poeta popular de sempre dos Açores, tanto pelo povo como pelos seus pares cantadores.
Desde muito cedo revelou uma inteligência penetrante e uma vontade enorme de adquirir conhecimento, qualidades que mereceram a atenção do professor e do pároco. Porém, os magros recursos da família não lhe permitiram ir além dos estudos primários na escola da freguesia.
Sabia ler e escrever, mas não completou o ensino elementar, conforme era corrente na época; foi, então, trabalhador agrícola, funileiro, assalariado, vendedor de pão, ao mesmo tempo que nele se revelavam singulares talentos de poeta e de improvisador, que, ainda jovem adolescente, havia de por à prova perante Manuel Borges Pêssego, dito O Bravo, um dos maiores poetas populares de sempre e o maior de então, por quem o jovem poeta nutria uma enorme admiração.
Antes de Pêssego, nas cantorias usava-se a quadra popular tradicional, como no Continente ainda se usa, na qual rimam apenas o 2.º e o 3.º versos, forma em que, no século XIX, António Inácio e o Terra se haviam exercitado com louvada mestria. Foi o Bravo quem introduziu «a cantiga rimada às quatro rimas», isto é, a quadra de rima cruzada (1.º verso com o 3.º e o 2.º com o 4.º), da qual o povo na época, pasmado, dizia que era «duas cantigas numa» e que Charrua veio a designar por «quadra literária».
Isto trazia ao jovem poeta uma carga maior de responsabilidade. Mas depressa veio a revelar-se exímio e imponente não só na nova quadra como também na sex tilha, na oitava e na décima. Este impulso transformou a cantoria ao desafio e compeliu quantos haviam iniciado carreira antes, com a quadra antiga, a se adaptarem à nova quadra em que já Charrua era rei.
Não é por acaso que à quadra de rimas cruzadas chama «literária». Para compensar a impossibilidade de prosseguir estudos e de se alcandorar a um nível de instrução que a sua brilhante inteligência reclamava, Charrua leu Camões, Camilo, João de Deus, Junqueiro, talvez Cesário e outros, nomes maiores do Romantismo Literário português, autores que haviam de marcar profundamente o seu espírito e formar o seu ideário para o resto da vida, neles bebendo as modulações, as figuras de estilo e as corretas medidas dos versos, que, por surpreendente que pareça, procurou cultivar com esmero no improviso.
Não será descabido dizer que Charrua ficou plenamente embebido pelo ideal romântico e que foi um poeta romântico. Como tal viveu a vida, subjugado à paixão pela sua arte, com arrebatado ardor entregue à poesia e ao ideal do Poeta iluminado e profeta, que o transformou num migrante de ocupação em ocupação, vivendo acima de tudo para a sua arte, viajando inúmeras vezes para os Estados Unidos, cruzando o continente até à Califórnia, para cantar, regressando, emigrando de novo e, por fim, retornando à sua terra para nela concluir o seu percurso, sempre erguendo bem alto e acima de tudo a chama e o estro do Poeta, incorporando esse Ideal como uma ordem do Destino.
A sua consabida paixão pela grande cantadora Maria Angelina de Sousa, dita A Turlu, correspondida, de resto, e que a ambos haveria de conduzir ao altar quando já eram viúvos das primeiras núpcias, constitui um final maravilhoso da transformação em real do paradigma Romântico.
Foi, reconhecidamente, um inigualável improvisador e repentista e o mais temível adversário ao desafio, inovador e original na quadra, na sextilha e na décima. E além das cantigas sem fim que sempre garbosamente cantou ao desafio e de improviso, cultivou pela escrita outras formas literárias, como canções, danças de espada, sonetos e trovas diversas.
Os seus textos inéditos foram doados à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, em 13 de Junho de 2008, pela sua filha, D. Maria do Socorro Costa Brasil.”
José Martins Pereira (Cinco Ribeiras, 6 de Janeiro de 1898 — Terra Chã, 10 de Fevereiro de 1965), mais conhecido por José da Lata, foi um pastor de gado bravo, manobrador de touros nas corridas à corda, que se notabilizou como cantador e improvisador popular. Uma das personalidades que mais marcaram a cultura popular da ilha Terceira no século XX, era um extraordinário animador de festas populares, particularmente como cantador de Raises e do Rancho de matança, peças típicas do folclore Terceirense, e como tocador de viola-da-terra.
José da Lata foi uma figura típica da freguesia da Terra Chã, pois apesar de nascido na freguesia de Nossa Senhora do Pilar, viveu a maior parte da sua vida naquela freguesia, no Caminho para Belém, em frente da Canada dos Folhadais.
José da Lata trabalhou como pastor de gado bravo, profissão de que surgiu a sua alcunha, como resultado de uma aposta com rapazes da sua idade, quando apostou que amarraria uma lata nas hastes de um touro bravo. Ganha a aposta, perante o grande feito, ficou conhecido como o "José da Lata". Ganhou tal mestria na manobra dos toiros na típica toirada à corda que era apontado como o melhor pastor entre os pastores e um verdadeiro mestre na arte de produzir uma boa toirada.
Manuel Azevedo nasceu no dia 28 de Março de 1966, na freguesia de Santo Antão, na altura pertencente ao concelho do Topo (após a extinção deste concelho, a freguesia passou para o concelho da Calheta), ilha de São Jorge.
Emigrou com os seus pais, Raimundo e LaSalette Azevedo, para os Estados Unidos da América em 1968, quando tinha apenas 2 anos de idade.
Manuel Azevedo é um dos mais conceituados Chefs dos EUA, especializado em gastronomia portuguesa, e proprietário do Restaurante “LaSalette – Cozinha Nova Portuguesa”, situado em Sonoma, Califórnia.
Aos 20 anos, Manuel Azevedo iniciou o seu percurso como Chef ao trabalhar durante cinco anos num restaurante de renome da sua área de residência. Mais tarde, em 1998, abriu o seu próprio negócio, o Restaurante português “La Salette”. O nome do restaurante surgiu em homenagem à sua mãe, pela influência gastronómica que a mesma teve sobre ele.
No restaurante “LaSalette", Manuel Azevedo combina os sabores historicamente vastos e variados encontrados na cozinha tradicional portuguesa com uma moderna interpretação da mesma. Esta mistura única é a base da assinatura do Chef Manuel Azevedo. A filosofia do restaurante está assente no uso de ingredientes locais, frescos e sazonais combinados com os sabores tradicionais portugueses. Para Manuel Azevedo, esta combinação é o que os portugueses sempre fizeram enquanto atravessavam o globo.
No seu restaurante são servidos os tradicionais pratos portugueses, como o bacalhau ou a feijoada.
Em 2012, publicou o livro de receitas “LaSalette Restaurant Cookbook: Cozinha Nova Portuguesa”, onde apresenta os pratos mais populares do restaurante, adaptados para cozinhar em casa.
No seu livro e restaurante também existem receitas de pratos tradicionais dos Açores, como Morcela com Ananás ou as Sopas do Espírito Santo. Criou a sopa “Navigator” em homenagem aos exploradores portugueses da época dos descobrimentos. Ainda em 2012, Manuel Azevedo abriu um novo restaurante, designado “Café Lúcia”, em Healdsburg, Califórnia.
Para além da sua carreira gastronómica, Manuel Azevedo está permanentemente ligado às suas raízes portuguesas e açorianas. É presidente do IDESST – Sausalito Portuguese Hall, instituição com 125 anos que tem como objectivo preservar e promover as tradições portuguesas e açorianas.