quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Francisco Coelho de Aguiar

 Francisco Coelho de Aguiar era natural da Ilha Terceira. Estabeleceu-se em Vitória antes de 1830, tendo sido Conselheiro Geral de 1830 a 1834. Seu único filho, Veríssimo, nos deu vasta descendência, entre eles os bisnetos João Duckla de Aguiar e Augusto Manoel de Aguiar Filho, deputados estaduais, Aristeu Borges de Aguiar, presidente do estado (1928-1930), e membro da Academia Espírito-santense de Letras. Os trinetos Eurico Salles de Aguiar, deputado federal e ministro de estado, homenageado com seu nome no Aeroporto de Vitória, e Jefferson de Aguiar, deputado estadual e senador. Não existe ligação, a princípio, entre essa família e os Aguiar do governador Francisco Lacerda de Aguiar, posto que esta última tem origem em Bananal (SP), e, remotamente, em Angra do Heroísmo, ou seja, na mesma Ilha Terceira. Pesquisas na própria Ilha, levariam a uma conclusão mais acertada.



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Pedro Lourenço Machado


Pedro Lourenço Machado (c.1545 São Jorge, Açores - ?), filho de Afonso Lourenço (c.1518, Vila Viçosa, Évora, Portugal - ?) e de Marquesa Alves Machado ó Marquesa Alves (Gonçalves) Machado (c.1525, Calheta, Ribeira Seca - ?), filha de Gonçalo Anes da Fonseca (ca.1475 Faro, Lagos, Portugal -?) e de Mécia de Andrade Machado
Gonçalo Anes da Fonseca era filho de João da Fonseca (c.1435 Lagos, Faro, Portugal - ?), filho de Gonçalo Vaz da Fonseca (c.1415 - ?)

Pedro Lourenço casou com Catarina Dias Vieira e tiveram:

1. Gaspar Lourenço Machado casou com Paula de Freitas

2. Francisco Pires Machado (c.1565 - ?) casou com Apolónia Dias Teixeira

3. João Machado casou com Maria Domingas Gonçalves

4. Maria Vieira Machado casou com Jorge Gomes

5. Bárbara Dias Vieira Machado (? - 22 de Janeiro 1620 Santa Bárbara das Nove Ribeiras, Porto,
Portugal) casou com Antão Martins Fagundes, Capitão do Exército Português.

6. Isabel Vieira Machado


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Francisco Joaquim Moniz de Bettencourt


Francisco Joaquim Moniz de Bettencourt (Praia da Vitória, 8 de Dezembro de 1847 — Évora, 9 de Setembro de 1905), mais conhecido pela alcunha e pseudónimo Mendo Bem, foi um bibliófilo, filantropo, poeta e jornalista açoriano. Publicou uma vasta obra poética de carácter impressionista e deixou dispersos na imprensa lusófona da época inúmeros trabalhos jornalísticos, na maior parte crónicas. A sua rica biblioteca constituiu o núcleo inicial da Biblioteca Municipal de Angra do Heroísmo, hoje integrada na Biblioteca e Arquivo Regional daquela cidade.
Nascido na então vila da Praia, Mendo Bem acompanhou o seu pai nas diversas transferências de residência que a sua carreira de alto funcionário obrigou. Residiu em Angra do Heroísmo durante a maior parte da sua infância e adolescência, tendo estudado na Escola Régia da Sé e depois no Liceu daquela cidade, estabelecimento em que foi colega de uma plêiade de homens que viriam a marcar a vida intelectual e política açoriana nas décadas seguintes. Apesar de ter frequentado parte dos seus estudos secundários em Coimbra, não prosseguiu estudos superiores.
O seu primeiro emprego foi como amanuense na Caixa Económica Angrense, instituição que seu pai fundara quando fora Governador Civil do distrito. Ingressou depois no funcionalismo público, na Repartição de Fazenda, exercendo funções nas cidade de Angra do Heroísmo, Ponta Delgada, Lisboa, Porto, Guarda e Évora, sendo nesta última cidade também Delegado do Tesouro, cargo em que faleceu.
Mendo Bem desde cedo manifestou vocação literária, colaborando, em verso e prosa, nas colunas de diversos jornais açorianos, e depois de várias cidades portuguesas e brasileiras. Como jornalista e poeta as suas produções publicadas nos diversos jornais em que colaborou granjearam-lhe notoriedade, integrando-o no círculo intelectual do tempo. Apesar das acesas polémicas que dominavam a imprensa de então, manteve-se afastado das questões políticas, publicando poesia e produzindo crónicas essencialmente voltadas para a arte, de um lirismo quase poético.
A sua produção literária, para além dos múltiplos trabalhos dispersos pela imprensa periódica, traduziu-se na publicação de vários livros de poesia, e alguma prosa essencialmente lírica, de carácter impressionista, nela se revelando um poeta sentimental e simples e um prosador inspirado, elegante e primoroso.1 Faleceu deixando vários inéditos.
Mendo Bem foi um distinto bibliófilo, especializando-se em livros de temática açoriana, coleccionando ao longo da sua vida uma excepcional biblioteca, a qual incluía muitas raridades. A colecção, que ele denominava de Biblioteca Insulana, incluía livros, folhetos, folhas avulsas, jornais e muitos outros documentos.
Por sua decisão, comunicada em 1902, o espólio deste Terceirense enriqueceu a biblioteca da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, à qual fez a valiosíssima oferta de 3 000 livros. Em consequência, a municipalidade de Angra do Heroísmo, na sua sessão extraordinária de 25 de Setembro de 1902, sob proposta do seu presidente Jacinto Carlos da Silva, o 1.º visconde da Agualva, consignou na acta um voto de louvor e profundo agradecimento por tão preciosa dádiva e deliberou colocar na sala da biblioteca, que foi ampliada, o retrato do oferente. Pediu ainda ao governador civil do Distrito de Angra do Heroísmo para que fizesse levar ao conhecimento de Sua Majestade este meritório facto, para que possa da Régia administração receber o devido galardão.
Entre o espólio oferecido à cidade de Angra encontra-se um álbum, conhecido como o Álbum de Mendo Bem, contendo 146 folhas de cartolina com autógrafos, em verso e prosa, das principais figuras da intelectualidade açoriana da época (incluindo Antero de Quental), complementados com desenhos, aguarelas, fotografias e selos e lacres de diversas entidades de quase todas as ilhas dos Açores. Esse precioso álbum, nunca publicado, encontra-se à guarda da Biblioteca Pública de Angra do Heroísmo.

Mendo bem foi filho do conselheiro Nicolau Anastácio de Bettencourt e de D. Balbina Cândida de Brito (Praia, 15 de Agosto de 1810 - Angra do Heroísmo, 9 de Fevereiro de 1879). Mendo Bem casou com D. Maria Adelaide Botelho (3 de Agosto de 1846 -?).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Dr. Luís Artur Falcão de Figueiredo Morais de bettencourt

Dr. Luís Artur Falcão de Figueiredo Morais de bettencourt, filho de Artur  Morais Bettencourt e de Maria Figueiredo e Sousa Velho Falcão Morais Bettencourt, nasceu a 3 de Janeiro de 1933 em Vila do Porto ilha de Santa Maria.
Frequentou a escola primária e o curso de liceus, na cidade de Ponta Delgada, tendo -se Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1961.
Foi Assessor Principal do Quadro da Inspecção-Geral do Trabalho/Instituto do Desenvolvimento e Inspecção  Nacional das condições de Trabalho.
Foi Subdelegado do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência no Distrito de Beja entre 1964 e 1970, data em que iniciou funções como Delegado desse mesmo Instituto no então Distrito de Angra do Heroísmo, exercendo, em regime de acumulação, as funções de Presidente da Caixa de Previdência e Abono de Família do mesmo Distrito e ainda as funções de Juiz do Tribunal do Trabalho.
Foi coordenador do Ministério do Trabalho para a região Autónoma dos Açores, ocupando em 1979 o lugar de Secretário Regional dos Assuntos Sociais na Região.
Durante quatro anos ocupou o lugar de Inspector-Geral do Trabalho, tendo exercido entre 1985 e 1990 as funções de Presidente da Direcção do INATEL, desenvolvido actividades .
Apesar do mérito que o Dr. Luís Falcão ao longo da vida em termos profissionais, considera-se uma das maiores virtudes era a disponibilidade que tinha para ajudar os mais desprotegidos, tendo ajudado muitos açorianos em Lisboa quando ali se deslocavam por motivos de doença.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Dr. Manuel Velho Monteiro Arruda


Manuel Monteiro Velho Arruda (Vila do Porto, 5 de Dezembro de 1873 — Coimbra, 24 de Novembro de 1950) foi um médico e historiador açoriano que durante cerca de 40 anos exerceu as funções de delegado de saúde em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel. Para além das suas funções como médico, dedicou-se ao estudo da genealogia e da história, desenvolvendo importante estudos sobre o povoamento dos Açores, em particular sobre a sua ilha natal, de Santa Maria, e sobre as viagens feitas no Atlântico Noroeste, em especial para as costas da Terra Nova e da Nova Inglaterra, por navegadores que partiram dos Açores durante o período henriquino.
Após ter feito os seus estudos primários em Vila do Porto, no ano de 1889 matriculou-se no Liceu de Ponta Delgada, ficando a residir na cidade de Ponta Delgada em casa de um seu tio, João Bernardo Rodrigues, então ali professor de piano e música. Residiu com os tios, e futuros sogros, até 1894, ano em que terminou os estudos liceais e partiu para o Continente, onde se matriculou no curso de Medicina da Universidade de Coimbra. Nos anos em que viveu em Ponta Delgada conheceu a sua futura esposa, a sua prima Irene Rodrigues, e estabeleceu uma duradoura amizade com o seu primo, e futuro cunhado, o poeta Rodrigo Rodrigues.
A sua progressão académica foi lenta, vindo a diplomar-se apenas em 1904. Durante esta década coimbrã, adquiriu uma sólida cultura humanística e conviveu com um grupo de notáveis açorianos que então ali frequentavam a Universidade, entre os quais Carlos de Mesquita, Humberto de Bettencourt e José Bruno Tavares Carreiro.
Concluído o curso regressou aos Açores (Dezembro de 1904), fixando-se na ilha de São Miguel, obtendo o partido médico da vila da Povoação.2 Em 1905 desposou Irene Arruda Rodrigues, filha do tio em casa de quem vivera enquanto estudante liceal. Deste casamento nasceriam Maria José, Violante, Leonor, Helena e Laura Rodrigues Monteiro Velho Arruda.
Em 30 de Abril de 1908 obteve o partido médico de Vila Franca do Campo, onde fixou residência e exerceu as funções de Delegado de Saúde, cargo que exerceria até se aposentar em 1948. Esta ligação profissional à Medicina não impediria contudo que continuasse a dedicar-se com afinco às questões culturais e depois ao estudo da Genealogia e da História.
O seu entusiasmo pelos estudos genealógicos levou a que se tornasse no maior especialista nas genealogias da sua ilha natal de Santa Maria, completando e documentando com recolha de material dos cartórios paroquiais e municipais e dos arquivos judiciais, os trabalhos sobre as famílias da ilha que haviam sido iniciados pelo seu parente Manuel Barbosa da Câmara Albuquerque.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

D. Violante Cabral


D. Violante Cabral foi uma senhora da nobreza de portuguesa e umas das poucas mulheres que foram raiz de importantes famílias nas ilhas dos Açores.
Os descendentes desta família provem uns, de Violante Cabral, irmã de Frei Gonçalo Velho Cabral, que foi comendador, na Ordem de Cristo, do Castelo de Almourol, da Beselga, Cardiga e das Pias e descobridor da ilha de Santa Maria e da ilha de São Miguel.
Outros descendem de Fernão Cabral, que passou aos Açores na segunda metade do século XVI, indo estabelecer a sua residência na cidade de Angra do Heroísmo, ilha Terceira; são outros descendentes de João Rodrigues Pereira Cabral, que vivia na dita cidade na segunda metade do século XVII; e outros, finalmente descendem de Manuel Cabral de Melo, que deve ter nascido nos fins do século XVII ou princípios do século XVIII.
Todos estes ramos são procedentes da nobre geração e linhagem dos Cabrais, que tiveram a alcaideria-mor do Castelo de Belmonte, bem como o senhorio de Azurara, Folhada, Guarda, Manteigas, Moimenta, Tavares, Valhelhas, e de outras terras.
D. Violante Cabral, casou com Diogo Gonçalves de Travassos, que foi vedor e escrivão da puridade de Pedro de Portugal, Duque de Coimbra, filho do rei D. João I, e do conselho do rei D. Afonso V, casamento de que nasceram 5 filhos:
1 – Rui Velho.
2 – Pedro Velho Cabral, natural da ilha de São Miguel e casado com Catarina Afonso.
3 – Nuno Velho de Travassos e Melo que casou duas vezes, a primeira na ilha de São Miguel com Isabel Afonso e a segunda vez na ilha de Santa Maria com África Anes.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A Ermida de Nossa Senhora do Pilar na ilha de Santa Maria


A Ermida de Nossa Senhora do Pilar localiza-se no lugar da Faneca, na freguesia de São Pedro, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.
De acordo com a tradição, o apóstolo São Tiago chegara à Hispânia para anunciar o Evangelho mas estava desanimado pelos insucessos. Já disposto a retornar a Jerusalém, no ano 40 da Era Cristã, Nossa Senhora apareceu-lhe no alto de um pilar junto ao rio Ebro. O local tornou-se objeto de peregrinações (Catedral de Saragoça) e a Virgem do Pilar veio a tornar-se a protetora da Espanha .
Esta ermida sob a sua invocação, foi erguida por iniciativa de Fernando de Loura Bettencourt e sua esposa, Mariana Margarida Coutinho, em 1722, junto à sua casa de campo. Foi por ambos paramentada e dotada com o património necessário à sustentação, conforme escritura datada de 4 de setembro daquele ano.
A 25 de fevereiro de 1726, Loura Bettencourt, então com 60 anos de idade, veio a falecer, ficando a ermida à conta de sua viúva, que a manteve sempre em ordem para o culto divino. Por sua vez, já em adiantada idade e sem descendentes, vivendo em cada de seu sobrinho, o licenciado padre António do Rego Coutinho, vigário confirmado da Matriz de Vila do Porto, legou-lhe, por escritura de 5 de dezembro de 1757, todos os seus bens. Passou, deste modo, o padroado da ermida para o referido religioso.
Uma década mais tarde, em 1767, iniciou-se a escrituração das receitas e despesas da ermida em livro próprio para esse fim.
Por falecimento do padre António do Rego Coutinho (22 de Setembro de 1774), os seus bens foram herdados pelo seu sobrinho, o capitão-mor da ilha de Santa Maria, José Inácio de Sousa Coutinho. Durante o padroado de Sousa Coutinho, a ermida caiu em completo abandono, a ponto de, em 1790, em visita à paróquia de São Pedro, o reverendo visitador Francisco da Câmara Sousa Carreiro ter registado:

"Visitei as Ermidas de São José e Nossa Senhora do Pillar, e como não têm Capellão, que nellas anualmente diga missa se achão com paramentos sufficientes para nellas se celebrar quando haja algum devoto; (...) E quanto a do Pillar como me consta que o sachristão se serve d'ella em cousas indecentes à Caza de Deos, e usa ainda das mesmas toalhas do Sacrifício em cousas profanas, se deve evitar este escândalo pondo a chave no tempo, em que nella se dis missa em casa de pessoa, que saiba o respeito, com que se deve tratar a Santidade do lugar: o que deicho incumbido ao cuidado do Reverendo Vigário. (...)"
Por falecimento de Sousa Coutinho, os seus bens foram herdados pelo seu filho, Francisco Barbosa de Sousa Coutinho que, como novo padroeiro, também devotou ambas as ermidas ao abandono. Seguiu-se-lhe no padroado a sua irmã, Antónia Ermelinda do Loreto Coutinho, que como procuradora havia anteriormente administrado os bens do irmão. Permanecendo as duas ermidas em estado de abandono, o vigário da paróquia de São Pedro, padre Bernardino José Toledo, em 1826 participou ao corregedor e provedor da Comarca o abandono das mesmas, detalhando-lhe as diversas faltas, entre as quais se destacava o uso do espaço para a desfolha e debulha do milho com a permissão da administradora. Da documentação trocada depreende-se ainda que desde a época dos pais da administradora os rendimentos da fábrica de cada uma das ermidas vinham sendo reduzidos, e que as missas, celebradas tradicionalmente na ermida do Pilar aos domingos e dias santos, não o vinham sendo há mais de trinta anos. A ermida e a sua sacristia, além de serem utilizadas como espaço de desfolha e debulha do milho, eram ainda utilizados como depósito e local de realização de jantares, de bailes e de jogo, "e praticar outros autos emproprios e indignos da Casa de Deos (...)". A verga da porta principal encontrava-se partida pelo meio e o forro e as pernas de madeira do teto podres e ameaçando ruína. Para ambas as ermidas era requerida a nomeação de novo "mordomo". Como resultado, foi deferido o requerimento, nomeando-se como novo provedor a José Maria da Câmara, para escrivão a Luiz Francisco Velho, e para tesoureiro a António Monteiro de Carvalho.
Enquanto isso, no ano anterior (1825), o morgado Luís de Figueiredo Velho Melo Falcão e sua esposa Joana Emília do Canto Côrte-Real, sobrinhos dos fundadores da ermida, atendendo à má localização da mesma, ao mau estado dos caminhos que lhe davam acesso, à diminuta fé do povo, e ao estado de profanação e ruína a que a mesma havia sido devotada por seus padroeiros, requereram licença, em 2 de Outubro, ao bispo de Angra, D. Frei Manuel Nicolau de Almeida, a solicitar a transladação da ermida do Pilar para o lugar de Flor da Rosa Alta, na paróquia de São Pedro, junto a uma casa que ali pretendiam edificar. Desse requerimento teve origem um Auto de Vistoria, datado de 3 de Março de 1826 detalhando o estado da edificação e paramentos, assim como os predicados do sítio para a nova ermida. Tendo sido cumpridos todos os requisitos, o bispo de Angra concedeu ao morgado e à esposa o necessário alvará para a erecção da ermida.
Em Junho do mesmo ano, o casal deu início à transladação da ermida para o novo local, tendo o morgado retirado a imagem da Senhora do Pilar da ermida na Faneca, recolhendo-a a sua residência tencionando depositá-la na igreja paroquial de São Pedro onde permaneceria até à conclusão da nova ermida. Assim que os mestres de obra iniciaram os trabalhos de demolição, e a administradora teve notícia dos mesmos, iniciou um processo visando embargá-los, autuou os mestres e denunciou o roubo da imagem, reivindicando os seus direitos de padroeira e opondo-se à transladação da ermida. Solicitou uma avaliação dos danos, visando o ressarcimento pelos mesmos,16 e iniciou-se um processo junto ao juiz de fora da ilha de Santa Maria.
Enquanto corriam os autos a administradora, visando alicerçar o seu pleito contra a transladação da ermida, e descaracterizar a acusação de abandono da mesma, solicitou o restauro da mesma, às suas inteiras expensas. Tendo iniciado os trabalhos, estes foram embargados pelo morgado. Tendo este pedido de embargo sido diferido , este não foi obedecido, tendo os trabalhos de reedificação prosseguido, conforme petição do morgado, sendo deferido pelo juiz o desmancho dos acréscimos. Posteriormente, por sentença dada em Vila do Porto, em 23 de dezembro de 1826, o juiz determinou que se prosseguisse o conserto da ermida pela antiga forma. Tendo os autos seguido para a ilha de São Miguel, foi o morgado absolvido e condenada nas custas a administradora, conforme acórdão:
"Acordão em Junta que vistos os auttos de que consta não serem os factos da demolição e remoção indicada na Petição foilhas sette, caso de Querela, julgão nulla a de folhas sette, e todo este processo de acusação por virtude della formado contra o Reo, absolvem a este, mandão que se lhê baixa na Culpa, e condenão a Autora nas Custas.
Ponta Delgada, 23 de agosto de 1830. (...)"
Com isso, o morgado desistiu do translado da ermida, que ficou reconstruída por Dna. Antónia Ermelinda, a sua última administradora.
Ao final da década de 1950, a ermida encontrava-se a cargo da Junta de Freguesia de São Pedro