quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Francisco de Paula de Barcelos Machado de Bettencourt


Francisco de Paula de Barcelos Machado de Bettencourt (Sé (Angra do Heroísmo), Ilha Terceira, 14 de Setembro de 1831 — Ilha Terceira, Açores, 19 de Abril de 1907) foi um político e membro da média nobreza portuguesa, foi fidalgo Cavaleiro da Casa Real por alvará de 28 de Abril de 1868 e agraciado com a Comenda da Ordem de Isabel a Católica.
Foi vogal da Comissão Distrital de Junta Geral do Distrito de Angra do Heroísmo e senhor e herdeiro da casa vincular e morgadio que os seus antepassados tinham instituído na ilha Terceira e foi baptizado na Igreja da Sé, freguesia da Sé, concelho de Angra do Heroísmo.
Esteve desde sempre ligado à aristocracia da ilha Terceira e foi um grande latifundiário na mesma ilha com terras principalmente na Zona dos Cinco Picos, incluindo a área geográfica onde se situa a Lagoa do Ginjal.
Nas suas terras, numa elevação, ao norte da planície da Achada mandou construir a Ermida de Nossa Senhora do Mato também conhecida como Ermida de Santo Antão, que ficou concluída em 1897 que manteve à sua custa. Entre as evocações encontrava-se uma dedicada a Santo Antão por este ser o protector dos animais e a Santo Isidro.
Era feita uma festa anual em honra do Santo protector, geralmente no dia de São João, em que participavam os donos dos terrenos, os empregados e todas as pessoas convidadas. Eram feitas as marcações com ferro quente com a insígnia do seu proprietário e uma tourada, além deste acontecimento anual, levava a efeito pela ilha Terceira touradas à corda e touradas de praça com touros das suas ganadarias.
Francisco de Paula de Barcelos Machado de Bettencourt foi padrinho de baptismo de José Frederico Molungo filho Ngungunhane, último monarca da dinastia Jamine e último imperador do Império de Gaza, no território que actualmente é Moçambique.  Como madrinha de baptismo teve a condessa de Rego Botelho, D. Maria Sieuve de Meneses esposa de António Maria Holtreman do Rego Botelho de Faria, 1º conde de Rego Botelho.

Foi filho de Diogo Barcelos Machado Evangelho e de Maria Madalena do Carvalhal.
Casou na sua casa situada na freguesia da Terra Chã, concelho de Angra do Heroísmo, na Ermida de Nossa Senhora do Rosário, sufragânia da Igreja paroquial de Belém, Terra Chã, Angra do Heroísmo no dia 7 de Outubro de 1846, com D. Maria Isabel Borges do Canto e Teive de Gusmão, nascida em 1825, de que teve 7 filhos:
1. D. Francisca Emília do Canto Barcelos Carvalhal, nascida em 1850 e casada com Zeferino
Norberto Gonçalves Brandão.
2. Diogo de Barcelos Machado de Bettencourt, nascido em (8 de Agosto de 1847 -?) e casado com D. Mariana Joaquim Ribeiro de Bettencourt.
3. D. Ana Isabel do Canto Barcelos Machado de Bettencourt (1 de Julho de 1849 -?), casada com Manuel Basílio Coelho Borges Rocha.
4. D. Maria Adelaide de Barcelos Bettencourt Carvalhal, casada com José Pimentel Homem de Noronha, que foi presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.
5. Francisco de Barcelos Machado de Bettencourt, que foi padre.
6. D. Mariana Amélia de Barcelos Machado de Bettencourt, que casou com Francisco de Paula Rego de Meneses Camelo Borges.
7. Miguel de Barcelos Machado de Bettencourt, casado com Maria Teresa Ferraz de Noronha.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Casa dos Dabney


Oriunda dos Estados Unidos da América, a família Dabney instalou-se na Horta em 1806, quando John Bass Dabney foi nomeado Cônsul Geral dos Estados Unidos para os Açores pelo presidente americano, Thomas Jefferson.
Três membros da família Dabney, John (pai), Charles (filho) e Samuel (neto), exerceram sucessivamente o cargo ao longo do século XIX, ficando a sua presença registada na ilha do Faial através da toponímia, da arquitectura e da botânica.
John Bass Dabney especializou-se no comércio marítimo, fomentou a exportação do vinho e da laranja, adquiriu navios, armazéns e estaleiros destinados ao abastecimento e à reparação naval, dando assim origem a uma das mais poderosas casas comerciais do arquipélago dos Açores.
Com Charles Dabney, a família continuou a expandir os seus negócios, incrementando o movimento do porto da Horta, sobretudo através do abastecimento e reparação dos navios baleeiros americanos que aqui deixavam o óleo de baleia. Os Dabney exportavam-no para a Costa Leste dos Estados Unidos. Asseguravam ainda a ligação entre continente americano e os Açores e com o desenvolvimento da navegação a vapor passaram a ser os principais fornecedores de carvão dos navios que aportavam no porto da Horta.
Quando Samuel Dabney assumiu o cargo consular para dar continuidade aos interesses comerciais desenvolvidos pelo seu pai, o número de navios a ancorar no porto da Horta já tinha diminuído, pois a travessia do Atlântico era agora mais rápida em virtude da descoberta do petróleo. Por outro lado, a concorrência da casa comercial Bensaúde, a dinamização da doca de Ponta Delgada e a pressão do Governo americano, no sentido de impedir que os cônsules a tempo inteiro se dedicassem simultaneamente à actividade comercial, levaram Samuel Dabney a deixar definitivamente a ilha do Faial. Os últimos membros da família Dabney a residir na cidade da Horta partiram definitivamente para os Estados Unidos, em 1892.
Do património arquitectónico pertencente a esta família, destaca-se a Casa de Veraneio em Porto Pim, adquirida por Charles William Dabney, em 1854. Edificada na paisagem única do Monte da Guia e incluída num complexo residencial composto por uma casa com cisterna, cais e abrigo para dois botes, um miradouro e uma pequena área de vinhas que se estendia pela encosta em direção à baía de Porto Pim, possuía ainda uma adega, onde atualmente está patente uma exposição que retrata o percurso de uma família americana, originária de Boston.


domingo, 4 de janeiro de 2015

Pete Souza


Pete Souza nasceu no dia 31 de Dezembro de 1954, em New Bedford, Massachusetts - EUA. É de descendência açoriana. Os seus avós são oriundos da ilha de S. Miguel – Açores.
Tirou um bacharelato em Comunicação Pública, na Boston University, e um mestrado em Jornalismo e Comunicação, na Kansas State University.
É professor assistente de foto jornalismo na Ohio University´s School of Communication Visual, encontrando-se de licença por tempo indeterminado.
Acumula uma experiência invejável a qualquer fotojornalista. Foi fotógrafo oficial do ex-presidente Ronald Reagan e, desde 2005, trabalha para Barack Obama, atual presidente dos Estados Unidos da América, na qualidade de fotógrafo oficial e diretor do Gabinete de Fotografia da Casa Branca.
Trabalhou ainda para as revistas "National Geographic" e "Life" e para o jornal "Chicago Tribune". Após os atentados de 11 de Setembro, foi um dos primeiros fotógrafos a chegar a Cabul para registar a guerra no Afeganistão.
Publicou vários livros, destacando-se o “The Rise Of Barack Obama”, que esteve na lista dos bestsellers do New York Times, e ganhou vários prémios de fotojornalismo, nomeadamente, “Pictures of the Year Annual Competition”, “The NPPA's Best of Photojournalism”, e “White House News Photographers Association's”.
Fez exposições individuais das suas fotografias, bem como coletivas no Arquivo Nacional, Museu Smithsonian de História Americana, Corcoran Gallery of Art, o Newseum, e a 92ª. Rua Y, na cidade de Nova Iorque.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Francisco Lourenço Valadão Júnior


Francisco Lourenço Valadão Júnior (Vila Nova, 3 de Outubro de 1889 — Angra do Heroísmo, 31 de Dezembro de 1969), mais conhecido por dr. Valadão Júnior, foi um advogado, político e intelectual açoriano, que entre outras funções foi secretário do governo civil e governador civil interino do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo. Foi pai de Ramiro Machado Valadão, umas das mais importantes figuras da propaganda do Estado Novo.

Depois de frequentar o Liceu Nacional de Angra do Heroísmo concluiu o ensino secundário no Liceu Nacional de Ponta Delgada e formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Terminado o curso fixou-se em Angra do Heroísmo, onde abriu banca de advogado, estando activo no meio forense a partir de 1914, ganhando progressivamente fama de advogado brilhante, com larga clientela nas comarcas de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória.
Entretanto, em 1913 fora nomeado ajudante de notário e iniciou uma carreira administrativa que o levaria a presidir à comissão executiva da Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo (1915) e partir de Abril de 1919 às funções de secretário-geral do Governo Civil, cargo que exerceu até se aposentar. As funções de secretário-geral fizeram dele o elemento de continuidade no funcionamento da instituição, além do substituto legal dos governadores, pelo que em múltiplas ocasiões exerceu interinamente as funções de governador civil .
Envolveu-se na vida política local e em 1918 e 1919, com início no consulado de Sidónio Pais, foi presidente da comissão administrativa da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. Conservador, foi apoiante dos partidos de direita, aderindo a partir do golpe de 28 de Maio de 1926 às políticas da Revolução Nacional e depois do Estado Novo, sendo uma das figuras mais importantes do regime na ilha Terceira. As suas funções no Governo Civil deram-lhe grande influência nas nomeações políticas para cargos administrativos locais.



Apesar do seu posicionamento no campo conservador, apoiou a opinião popular a favor da independência secular das irmandades do Divino Espírito Santo contra a vontade da hierarquia da Igreja Católica, liderada pelo bispo D. Manuel Afonso de Carvalho, de assumir o seu controlo e de impor regras ao seu funcionamento.
Interessou-se pelas questões da cultura e foi professor do Liceu Nacional de Angra do Heroísmo, mantendo importante colaboração na imprensa local, publicando crónicas, muitas delas relacionadas com a sua infância no Ramo Grande. Contribuiu com alguns contos para a revista Os Açores, que se publicava em Ponta Delgada .
Foi sócio fundador do Instituto Histórico da Ilha Terceira, colaborando com com alguns artigos sobre o período das lutas liberais na ilha, realçando as atrocidades cometidas e combatendo a visão mítica e heróica da adesão do povo terceirense ao campo liberal . É também autor de alguns artigos sobre matéria forense.
Fe z parte dos órgãos sociais de diversas instituições, nomeadamente do Sport Clube Angrense, do Rádio Clube de Angra e da Fanfarra Operária Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
Na fase final da sua vida foi objecto de múltiplas homenagens e foi agraciado com a comenda da Ordem de Cristo e outras condecorações estrangeiras. O seu nome foi incluído na toponímia da freguesia da Vila Nova (logo em 1929), junto à casa onde nasceu, e a Câmara Municipal da Praia da Vitória colocou o seu retrato no salão nobre.







sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Visconde José Coelho Pamplona

José Coelho Pamplona (Porto Martins, 24 de Abril de 1843 – São Paulo, 28 de Junho de 1906), primeiro e único visconde de Porto Martim, foi um industrial e financeiro de origem açoriana, radicado em São Paulo, Brasil, que exerceu uma importante influência na sua terra natal através de importantes investimentos em prol da comunidade. A sua actividade filantrópica estendeu-se ao Brasil, onde foi mecenas de diversos artistas. Está ligado à abertura da Avenida Paulista, em São Paulo, e a importantes investimentos imobiliários e industriais naquela cidade.
José Coelho Pamplona nasceu a 24 de Abril de 1843 no lugar de Porto Martim, então parte da freguesia do Cabo da Praia, hoje freguesia de Porto Martins, no sueste da ilha Terceira, Açores. Descendente de uma das mais antigas famílias da ilha, nasceu do segundo casamento de seu pai, quando este já tinha idade avançada. A família desde há muito que mantinha relacionamento estreito com o Brasil, pelo que José Coelho Pamplona tinha fixados no Rio de Janeiro dois meio-irmãos muito mais velhos, os quais tinham enriquecido pela exploração de uma pedreira. Assim, aos 13 anos parte para o Rio de Janeiro, juntando-se a seus irmãos.

Casou com Maria Vieira Paim. Em 1874, mudou-se para a cidade de São Paulo, tendo aí fundado uma fábrica de sabão, ceras e óleos vegetais, amealhando grande fortuna.
Existe um excelento retrato a óleo do visconde de Porto Martim, de autoria do pintor brasileiro Óscar Pereira da Silva, obra de grande valor artístico e perfeição técnica.
José Coelho Pamplona recebeu o título de Visconde de Porto Martim, criado pelo rei D. Carlos I de Portugal, por Decreto de 24 de Agosto de 1905.
José Coelho Pamplona é lembrado pelo topónimo Rua Pamplona no distrito Jardim Paulista da cidade de São Paulo. O nome daquela rua, que começa na Bela Vista e termina no Jardim Paulista, foi oficializado em 1916. A Rua Luís Coelho, situada nas imediações, é uma homenagem ao filho do visconde.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Aníbal de Bettencourt

Aníbal de Bettencourt (Angra do Heroísmo, 21 de Junho de 1868 — Lisboa, 9 de Janeiro de 1930) foi um médicoformado pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 1892, que se notabilizou como bacteriologista. Colaborador e continuador do trabalho de Luís da Câmara Pestana, foi um dos pioneiros em Portugal do estudo das doenças infecciosas e dos seus vectores. Foi subdirector e director do Real Instituto Bacteriológico de Câmara Pestana, em Lisboa.
Foi filho de Nicolau Moniz de Bettencourt, nascido em 4 de Abril de 1836 e de Francisca Virgínia da Cunha da Silveira de Bettencourt, nascida em 13 de Março de 1841. Casou com Dídia Clotilde Corte Real Martins, nascida em 3 de Julho de 1873, de quem teve Maria Clotilde Corte Real Moniz de Bettencourt e Nicolau José Martins de Bettencourt.