terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Margarida de Chaves


Era filha de Afonso Anes de Chaves, natural de Chaves, e de sua mulher Madalena Fernandes. Nasceu no local onde hoje existe a Casa Bensaúde, no centro de Ponta Delgada. Casou em 1544 com António Jorge Correia, natural da cidade do Porto, tendo deste casamento resultado três filhos e uma filha, todos eles inclinados para a vida religiosa: um filho faleceu enquanto estudante da Universidade de Coimbra; outro foi formado em Cânones por aquela Universidade e foi assassinado quando era abade de Nossa Senhora da Atalaia, em Pinhel; o outro, de seu nome Gonçalo Correia de Sousa, também formado em Cânones por Coimbra, foi cónego em Santarém e defensor da causa da canonização de sua mãe em Roma; a filha professou no Convento de Santo André de Ponta Delgada.
Margarida de Chaves desde cedo mostrou grande inclinação para a vida religiosa, passando longas horas em contemplação na igreja e seguindo uma vida austera e pautada por rigorosa observância religiosa. Com isto foi ganhando fama de santidade, a qual foi crescendo em resultado da sua doença e da morte ter sido rodeada de grande aparato religioso. Em pouco tempo foram atribuídos diversos milagres à sua intercessão, tendo o bispo de Angra D. Pedro de Castilho mandado fazer um investigação do caso, de que resultou um sumário, datado de 27 de Março de 1586, enviado a Roma com vista à sua canonização.
A sua sepultura foi aberta e dela foram retiradas relíquias a que se atribuíram múltiplos milagres, a maior parte envolvendo curas inexplicadas através da ingestão de água que contactara com a relíquia. Ainda assim, depois de declarada venerável e apesar dos esforços da família, o processo de canonização não foi concluído. Neste processo, ficou célebre a persistência do seu filho Gonçalo Correia de Sousa, de quem D. Francisco Manuel de Melo, no capítulo dedicado a Remoques perigosos e impertinências da sua Carta de Guia de Casados, conta que agia com exquesita importunação junto do cardeal a quem o papa Paulo V tinha encarregue do caso da venerável Margarida de Chaves. Depois de muito pressionado, e não conseguindo evitar novo encontro com o requerente, o cardeal terá exclamado em exasperação: Senhor, não nos cansemos em provas de santidade de vossa mãe; provai somente que vos sofreu, que o papa a declarará logo por santa.

Margarida de Chaves teve Gaspar Frutuoso por confessor, que lhe dedicou o Capítulo XCV do Livro IV das Saudades da Terra. A informação nele contida foi reproduzida, com variantes, por quase todos os historiadores açorianos. Para além disso, foi escrita uma obra apologética da santidade de Margarida de Chaves, provavelmente da autoria de seu filho Gonçalo Correia de Sousa, intitulada Breve Compêndio da Santa Vida da Venerável Matrona Margarida de Chaves de Gloriosa Memória, que teve edições em castelhano e em italiano, esta última impressa no ano de 1620, em Roma, na oficina de Bartolomeo Zanneti. Para além desta obra, muitos outros hagiógrafos a referem.
Contudo, a sua biografia mais completa é a obra intitulada A Margarita Animada, da autoria de Francisco Afonso de Chaves e Melo, descendente de uma sua irmã. Essa obra, escrita por volta de 1720 e editada em Lisboa no ano de 1723, compila os sumários existentes, então na posse da família do autor, e historia o desenvolvimento do culto nos anos imediatos à morte da venerável. Uma reedição da obra, promovida em 1994 pelo Instituto Cultural de Ponta Delgada, incluiu um apêndice documental, extensas notas e uma resenha genealógica da família de Margarida de Chaves.
Em antecipação da sua canonização, foi construída em Ponta Delgada uma ermida, hoje desaparecida, provisoriamente dedicada a Santa Margarida Mártir, onde se pretendia manter o seu culto. Na Canada dos Prestes, arredores de Ponta Delgada, ainda subsiste uma pequena ermida, intitulada de Santa Margarida de Chaves, mandada construir em finais do século XVII por Francisco Afonso de Chaves.













segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

OS IRMÃOS MELLOS DE ITU


Pouco se tem falado da importância dos Açores na colonização de São Paulo. Este arquipélago do Oceano Atlântico foi descoberto (ou redescoberto) por Frei GonçaloVelho, e por séculos grande parte de sua população passou para o nosso país, povoando-o de norte a sul. Muitos partiram em busca de maior espaço no novo continente, outros assustados e temerosos de continuarem numa região que, de quando em quando sofria as ações dos terremotos e maremotos, outros ainda pelos constantes ataques de piratas muçulmanos e ingleses. Há quase trezentos anos, três irmãos Mellos, João de Mello do Rego, Matias de Mello do Rego e Pedro de Mello e Souza, das melhores famílias da Ilha de São Miguel, a maior  ilha dos Açores, partem provavelmente da cidade de Ponta Delgada com destino à então vila de Itu, que se igualava a São Paulo em termos de importância. Lá chegando,se uniram com gente da mesma qualidade, pois os dois mais velhos  casaram com duas irmãs, filhas do também açoriano Sebastião de Arruda Botelho, e o mais novo dos três casou-se com uma neta do mesmo Sebastião.


 É certo que o velho açoriano, um dos troncos da família Arruda Botelho no Brasil, conhecesse, e bem, a nobreza dos Mellos, já que eramoriundos do mesmo distrito de Ponta Delgada, muito embora de concelhos diferentes. A ascendência deles consta de instrumentos passados no ano de 1704, um em Lagoa, e outro na cidade de Ponta Delgada, ambos na Ilha de São Miguel, a favor do tio deles, o Capitão Manoel do Rego de Souza, que "em 1704 justificou judicialmente a sua ascendência paterna para mostrar que era nobre e de sangue limpo, porque um João do Amaral, dos Fenais  da Luz, que fora preso no Castelo de Ponta Delgada, por ordem deste Manoel do Rego de Souza, que era capitão de ordenanças, quando foi solto  chamou o  mulato; ajustificação foi sentenciada a 22 de outubro de 1704, em Ponta Delgada, sendo o réu João de Amaral condenado a pena pecuniária." Os irmãos Mellos arquivaram um traslado destesinstrumentos na Câmara de Itu, conforme nos ensina Silva Leme , informação esta talvez passada por Pedro de Mello e Souza, bisneto de um dos troncos, colaborador de Silva Leme para a sua "Genealogia Paulistana". O amigo, primo e genealogista Celso Maria de Mello Pupo, bisneto deste Pedro de Mello e Souza, nos diz que quando  o seu bisavô era consultado por noivos para saberem se haveria ou não um parentesco dentro de grau proibido, deixava vazar grandes conhecimentos das famílias antigas de Itu, e,elogiado, dizia que ele pouco sabia, e o pouco que sabia tinha  aprendido de seu pai Balduíno de Mello Castanho e Sampaio, e este sim é que era profundo conhecedor do assunto.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Carlos Alberto Nóia Rafael da ilha do Corvo


Nasceu na freguesia e concelho do Corvo, em 29 de Junho de 1952, filho de José Inácio Rafael e de Filomena Isabel Nóia Rafael, ele agricultor e ela doméstica.
Depois de ter concretizado com excelente aproveitamento a Instrução Primária na sua terra natal, aos 15 anos de idade emigrou com os pais para os Estados Unidos da América, tendo-se instalado em New Bedford, Massachusetts.
Embora tivesse passado pela escola americana de New Bedford, onde a família se instalara, aí apenas esteve alguns dias para aprender minimamente o inglês. Esta língua fazia-lhe falta para o adequado entendimento com jovens americanas do seu tempo.
Assim, cedo deu início ao trabalho, tendo começado por uma indústria de linguiça de origem portuguesa, onde permaneceu por pouco tempo. Passou depois por uma fábrica de tecidos, mas atraíam-no os dólares que o pai e outros recebiam nos trabalhos da pesca nos cais da cidade. Pouco tempo depois mudou-se para uma fábrica de descarga e venda de peixe fresco e congelado. Tratava-se de uma grande empresa que comprava e preparava o peixe para vender a consumidores e revendedores, onde entre eles, o maior comprador eram as Forças Armadas Americanas. Entretanto, muda-se para trabalho semelhante da cidade de Boston, onde permanece cerca de três anos.
Volta depois para New Bedford, para a empresa onde estivera anteriormente. Aí, em 1977 já era encarregado de cerca de 60 trabalhadores, que trabalhavam sob a sua orientação ou gestão.
Pouco depois, em 1978, estabeleceu-se, em sociedade, com um italiano e um descendente de portugueses. Essa sociedade viria a fracassar algum tempo depois, por falta de credibilidade associativa.


Deste modo, em 1980, servindo-se de dinheiros emprestados, formou a sua própria empresa. Como obteve sucesso rápido e sólido, foi investindo também em navios de pesca. Neste momento a sua empresa é possuidora de 41 navios de pesca, 12 dos quais se dedicam ao marisco. Emprega cerca de 316 trabalhadores.
Com vista ao futuro, pretende constituir a sua sociedade por quotas ou acções, admitindo a hipótese que um dia possa ter interesse em registá-la num mercado de acções onde estão as maiores e mais credíveis empresas do país.
 Entretanto, em 1977 casou com Conceição Caldas, de origem africana, natural de Cabo Verde, da ilha Brava, de cujo casamento nasceram cinco filhos: Benvindo, Elizabeth, Ivonilde, Stephenie e Sasha. Alguns dos filhos frequentaram estudos universitários, enquanto que outros preferiram dedicar-se, depois do ensino secundário, ao trabalho, alguns deles na própria empresa do pai.
Neste momento Carlos Rafael reside com a família em North Dartmouth, nas proximidades de New Bedford, Massachusetts e é um emigrante de sucesso, graças à sua inteligência, mas também ao trabalho e ao risco dos seus negócios. Fazemos votos para que as suas embarcações de pesca e a sua empresa não tenha sido afectada com o acidente da plataforma petrolífera que recentemente rebentou nas constas marítimas dos Estados Unidos da América.
A família Rafael visita com alguma frequência a ilha do Corvo, onde possui duas casas de habitação, e onde toda a família aprecia fazer as suas férias. Carlos Rafael diz, com certo orgulho, que já encheu com a família um avião “Dornier” da SATA em viagem para o Corvo.
Os filhos, que nasceram todos nos E.U.A., falam três línguas, diz Carlos Rafael com perceptível vaidade: inglês, português e “crioulo”. Todos eles adoram visitar a ilha do Corvo, tal como devem gostar de visitar Cabo Verde, apesar de estarem habituados aos grandes convívios e confortos da América.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Francisco de Meneses Meireles do Canto e Castro

Francisco de Meneses Meireles do Canto e Castro (Angra do Heroísmo, 21 de Novembro de 1850 — Da fundo, 7 de Março de 1915), 1.º visconde de Meireles, foi um alto funcionário das alfândegas portuguesas, diplomata e político. Foi também jornalista de mérito, distinguindo-se como crítico literário.
Foi filho de Ana de Meneses de Lemos e Carvalho e de André Francisco Meireles de Távora do Canto e Castro, alto funcionário administrativo, jornalista e político. Os pais pertenciam à melhor aristocracia da cidade de Angra do Heroísmo, com ligações familiares às personalidades dominantes da política local. O pai foi tesoureiro da Alfândega de Angra do Heroísmo até 1882, ano em que se transferiu para o lugar de chefe de secção do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria em Lisboa.

Francisco de Meneses Meireles do Canto e Castro, depois de concluir os estudos preparatórios em Angra do Heroísmo, matriculou-se na Escola Politécnica de Lisboa, preparando-se para seguir uma de carreira de funcionário aduaneiro.

Ainda durante os seus tempos de estudante dedicou-se ao jornalismo, com destaque para a crítica literária, publicando importantes artigos no periódico lisboeta Jornal da Noite.

Em 1875, com 25 anos de idade, casou e ingressou na administração colonial portuguesa. Partiu nesse mesmo ano com a jovem esposa para Moçambique, onde se instalou na ilha de Moçambique trabalhando como técnico superior da Fazenda. A sua ascensão na carreira foi rápida, pois pouco depois foi nomeado director da Alfândega de Moçambique, membro da Junta de Justiça e vogal do Conselho de Província

Durante a sua permanência na ilha de Moçambique, onde nasceu a primeira filha do casal, fundou uma Escola de Ofícios e destacou-se pelo acerto das suas medidas administrativas, granjeando o respeito dos governadores-gerais com quem serviu. Em 1878 já residia em Lourenço Marques, onde nasceu o segundo filho do casal.

Em 1879 foi assinado um tratado aduaneiro entre Portugal e o Reino Unido relativo ao funcionamento das alfândegas na Índia Portuguesa. O plenipotenciário escolhido foi o conselheiro António Augusto de Aguiar, o qual tomou Francisco de Meneses Meireles do Canto e Castro por adjunto, dada a sua experiência aduaneira e de relacionamento com a estrutura colonial britânica que adquirira em Moçambique. Transferiu-se então para Goa, onde passou a exercer funções de ligação entre as alfândegas da Índia portuguesa e britânica, tarefa na qual demonstrou grande capacidade diplomática. Neste período foi administrador-geral das alfândegas do Estado Português da Índia, tendo ainda a sue cargo a direcção da alfândega de Macau.

Após a criação de um consulado de Portugal em Bombaim, concorreu para o lugar, sendo nomeado cônsul-geral de Portugal em Bombaim (Índia Britânica) por carta de 2 de Outubro de 1882. Durante o período em que exerceu funções em Bombaim teve de lidar com a contestação britânica ao Padroado do Oriente, tendo-se havido com grande tacto, o que lhe mereceu o reconhecimento por parte do Governo português.

Em 1891 foi nomeado cônsul-geral de Portugal em Bremen e Stettin (Alemanha) e cônsul de 1.ª classe e agente comercial português junto da embaixada portuguesa em Berlim.

Quando em 1892 foi fundada a Companhia de Moçambique, foi nomeado, a 20 de Maio de 1892, secretário-geral em Lisboa daquela empresa.

Em 1894 regressou a Moçambique como governador dos territórios da Manica e Sofala, então sob administração da Companhia de Moçambique. Sedeado na Beira, desenvolveu aí uma importante acção de fomento. Em 1895 visitou as colónias britânicas sob administração da British South Africa Company, tendo estado em Umtali, Salisbúria e Bulawayo. Regressou nesse ano a Lisboa.

Regressou a Moçambique no ano seguinte, tomando novamente posse do cargo de Governador de Manica e Sofala a 15 de Janeiro de 1897. As razões deste regresso prendem-se com o aumento da tensão internacional que se vivia na região, que viria a resultar na Segunda Guerra Anglo-Boer (1899-1902). A posição portuguesa em relação ao conflito emergente era difícil, já que a opinião pública era esmagadormente contra qualquer colaboração com os britânicos após o insulto do ultimato britânico de 1890, não havendo contudo forma de resistir ao seu poderio e influência.

Mantendo a política de conciliação pró-britânica que as condições obrigavam, e na sequência do que já havia feito na Índia, durante a permanência de Francisco de Meireles do Canto e Castro os britânicos utilizaram o porto da Beira como o principal ponto de desembarque de tropas e material de guerra. Foi pela Beira que entraram no teatro de guerra os contingentes canadiano e australiano comandados pelo general Frederick Carrington, numa manobra decisiva para a vitória britânica no conflito. Permaneceu no posto até ao fim da guerra, tendo a sua colaboração merecido grande elogio por parte dos britânicos, incluindo a inclusão de menção honrosa na ordem-do-dia do Exército Britânico e a concessão do grau de cavaleiro comendador da Ordem de São Miguel e São Jorge do Reino Unido, com o tratamento de Sir, por diploma assinado pelo rei Eduardo VII em 10 de Novembro de 1902.

Regressado a Lisboa, reingressou no serviço diplomático, sendo nomeado a 9 de Maio de 1902 para o lugar de adido comercial especial na Legação de Portugal em Berlim. No ano seguinte foi nomeado ministro plenipotenciário em Buenos Aires e em Montevideu. Reformou-se em 1908, nos Balcãs, onde era ministro acreditado junto das três cortes balcânicas: Bucareste, Sófia e Belgrado.

Foi jornalista de mérito, distinguindo-se como crítico literário no Jornal da Noite, de Lisboa, no qual colaborou com António Augusto Teixeira de Vasconcelos.

Interessado por assuntos coloniais, quando regressou a Portugal, vindo de África, fez reaparecer o Jornal das Colónias, que havia sido propriedade de seu pai André Francisco Meireles de Távora do Canto e Castro. Foi vice-presidente da Comissão Africana da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Foi feito fidalgo do Conselho de Sua Majestade Fidelíssima (1896), fidalgo cavaleiro da Casa Real por sucessão (9 de Maio de 1900) e elevado a visconde de Meireles por Decreto de 9 de Maio de 1902 do rei D. Carlos I de Portugal.




 Foi comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (1883), oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada (1894), cavaleiro e comendador da Ordem de São Miguel e São Jorge do Reino Unido, com o tratamento de Sir, por diploma assinado pelo rei Eduardo VII do Reino Unido em 10 de Novembro de 1902, e comendador da Ordem da Coroa da Prússia (Kronenorden (Preußen)) por carta de 8 de Novembro de 1907.

Casou em Lisboa, a 3 de Março de 1875, com Maria Carlota da Costa Freitas (nascida a 9 de Abril de 1856) de quem teve cinco filhos:

Maria Ana Carlota Francisca de Freitas de Meirelles do Canto e Castro (27 de Fevereiro de 1876) casou por duas vezes, a primeira com Pedro Maria Bessone Basto, e a segunda com Luís Pimentel Pinto;
Francisco de Freitas de Meirelles do Canto e Castro, que foi o 2.º visconde de Meirelles. Casou com Sofia Henrieta Bleck;
Maria Luísa de Freitas de Meirelles do Canto e Castro (20 de Fevereiro de 1880) casou com Pedro Tovar de Lemos, que foi o 2.º conde de Tovar;
Maria das Dores de Freitas de Meirelles do Canto e Castro (2 de Dezembro de 1882) casou por duas vezes, a primeira com Hugh Edwin Hamilton Gordon e a segunda com João António Bianchi.

Pedro de Meirelles do Canto e Castro (4 de Dezembro de 1896) casou com Maria dos Prazeres Thomaz da Costa.




terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Jesus


A Genealogia de Jesus está relatada em dois dos quatro Evangelhos, Mateus e Lucas.1 2 Estes relatos são substancialmente diferentes.3 Várias explicações têm sido sugeridas e tornou-se tradicional desde, pelo menos, 1490 pressupor que a genealogia dada por Lucas foi traçada através de Maria e que a Mateus o faz através de José.4Acadêmicos modernos geralmente vêem as genealogias como construções teológicas.5 Mais especificamente, sugere-se que as genealogias foram criadas com o

objetivo de justificar o nascimento de uma criança com linhagem real.6 7 8
Mateus menciona sinteticamente um total de 46 antepassados que teriam vivido até uns dois mil anos antes de Jesus, começando por Abraão. Em seu relato, o apóstolo cita não somente heróis da fé, mas também menciona os nomes das mulheres estrangeiras que fizeram parte da genealogia tanto de Jesus quanto de Davi, que no caso foram Rute, Raabe eTamar. Também não omite os nomes dos perversos Manassés e Abias, ou de pessoas que não alcançaram destaque nas Escrituras judaicas.9 10 Divide então a genealogia de Jesus em três grupos de catorze gerações: de Abraão até Davi, de Davi até o cativeiro babilônico, ocorrido em 586 a.C., e do exílio judaico até Jesus.
Lucas, por sua vez, aborda a genealogia de Jesus retrocedendo continuamente até Adão, talvez com o objetivo de mostrar o lado humano de Jesus. E, superando Mateus, Lucas fornece um número maior de antepassados de Jesus.11 Esta genealogia é considerada por alguns autores como sendo a genealogia da Virgem Maria, a genealogia materna de Jesus, o que explicaria parte das diferenças entre esta e a genealogia apresentada por Mateus.12
Segundo Mateus
Narrativa Os Evangelhos foram escritos com uma finalidade teológica e, portanto, não podem ser considerados, em hipótese alguma, como livros históricos. Não era a intenção desses escribas fazer história, mas de alentar as comunidades cristãs nascentes e de consolidar a nova mensagem que distinguia dos judeus, mas sem romper com a tradição judaica, e distinguia-os dos outros povos, chamados "pagãos".
A genealogia de Jesus, conforme descritas nos evangelhos, tem o intento de dar legitimidade à sua pessoa e aos seus ensinamentos, proclamando que Jesus era aquele esperado e anunciado no AT e fruto da intervenção celestial. Portanto, trata-se de uma mensagem teológica e não histórica que os evangelhos querem passar.
1. Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
2. Abraão gerou a Isaque; Isaque gerou a Jacó; Jacó gerou a Judá e a seus irmãos;
3. Judá gerou de Tamar a Perez e a Zara; Perez gerou a Esrom; Esrom gerou a Arão;
4. Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe gerou a Naassom; Naassom gerou a Salmom;
5. Salmom gerou de Raabe a Boaz; Boaz gerou de Rute a Obede; Obede gerou a Jessé,
6. Jessé gerou ao rei David. David gerou a Salomão daquela que fora mulher de Urias;
7. Salomão gerou a Roboão; Roboão gerou a Abias; Abias gerou a Asa;
8. Asa gerou a Josafá; Josafá gerou a Jorão; Jorão gerou a Uzias;
9. Uzias gerou a Jotão; Jotão gerou a Acaz; Acaz gerou a Ezequias
10. Ezequias gerou a Manassés; Manassés gerou a Amom; Amom gerou a Josias,
11. e Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos no tempo do exílio em Babilônia.
12. Depois do exílio em Babilônia, Jeconias gerou a Salatiel; Salatiel gerou a Zorobabel;
13. Zorobabel gerou a Abiúde; Abiúde gerou a Eliaquim; Eliaquim gerou a Azor;
14. Azor gerou a Sadoque; Sadoque gerou a Aquim; Aquim gerou a Eliúde;
15. Eliúde gerou a Eleazar; Eleazar gerou a Matã; Matã gerou a Jacó,
16. e Jacó gerou a José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo.
17. Assim todas as gerações desde Abraão até Davi são catorze gerações; também desde David até o exílio em Babilônia, catorze gerações; e desde o exílio em Babilônia até o Cristo, catorze gerações.

Narrativa
«Ora o mesmo Jesus, ao começar o seu ministério, tinha cerca de trinta anos, sendo filho (como se julgava) de José, filho de Heli, filho de Matã, filho de Levi, filho de Melqui, filho de Janai, filho de José, filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Esli, filho de Nagai, filho de Máate, filho de Matatias, filho de Semei, filho de José, filho de Jodá, filho de Joanã, filho de Resá, filho de Zorobabel, filho de Salatiel, filho de Neri, filho de Melqui, filho de Adi, filho de Cosã, filho de Elmadã, filho de Er, filho de Josué, filho de Eliézer, filho de Jorim, filho de Matã, filho de Levi, filho de Simeão, filho de Judá, filho de José, filho de Jonã, filho de Eliaquim, filho de Meleá, filho de Mená, filho de Matatá, filho de Natã, filho de Davi, filho de Jessé, filho de Obede, filho de Boaz, filho de Salá, filho de Naassom, filho de Aminadabe, filho de Admim, filho de Arni, filho de Esrom, filho de Farés, filho de Judá, filho de Jacó, filho de Isaque, filho de Abraão, filho de Terá, filho de Nacor, filho de Serugue, filho de Ragaú, filho de Faleque, filho de Éber, filho de Salá, filho de Cainã, filho de Arfaxade, filho de Sem, filho de Noé, filho de Lameque, filho de Matusalém, filho de Enoque, filho de Jarete, filho de Maleleel, filho de Cainã, filho de Enos, filho de Sete, filho de Adão, filho de Deus.» (Lucas 3:23-3




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Judeus


Cristãos-Novos açorianos e madeirenses no Brasil





Eram numerosos os cristãos-novos portugueses que se movimentavam da Metrópole para as colónias, mercadejando ou simplesmente imigrando para lugares mais seguros para as suas famílias, e as ilhas atlânticas não foram excepções. Os judeus portugueses estiveram, como já disseram alguns historiadores, em todos os poros da colonização portuguesa. Eu diria que eles trilharam por todos os cantos do planeta, e ainda hoje são encontrados seus vestígios nos mais distantes ou diferentes países. Sem contar as colónias do Caribe, as Índias de Castela, a América do Norte e as colónias africanas. Os próprios judeus açorianos estão presentes em todo lado. Vem para o Brasil no final do século XVII o cristão-novo Pedro Fernandes de Mello, comerciante da Ilha de São Miguel. Com o perdão de 1605, muitos se aproveitam para saírem de Portugal, indo muitos para a Holanda. Entretanto em 16l8, chega à Ilha Terceira um barco com 40 judeus portugueses provenientes da Holanda, entre eles António Rodrigues Pardo. De São Miguel, chega ao Rio de Janeiro o mercador judeu Manuel Homem de Carvalho, da família Homem de Almeida que teve como mártir em Coimbra o Dr. António Homem, líder religioso dos judaizantes. Manuel confessou ter retornado ao Judaísmo na Holanda onde havia estado. Um pouco antes de 1600, vêm para a Bahia os cristãos-novos terceirenses António Rodrigues Pardo e Pero Garcia. Em 1592, o Pe. Jerônimo Teixeira Cabral, comissário da Inquisição nos Açores, denuncia a infiltração de cristãos-novos na Igreja como clérigos. Muitos partidários de D. António Prior do Crato, pretendente ao trono português, e de etnia hebraica, são expulsos da Ilha por Filipe II da Espanha, então detentor das duas coroas Ibéricas, que fugiram para os Países Baixos e para o Brasil. Entre eles, Manuel Serrão Botelho, que chega ao Brasil logo após 1582. Um contratador dos Açores foi o cristão-novo Miguel Gomes Bravo, natural do Porto que nomeou como arrendatário o cristão-novo Francisco Bocarro. Miguel veio para o Brasil em 1585, e em 16l0 vai morar no Rio de Janeiro. Era casado com Isabel Pedrosa de Gouveia, tendo grande descendência. Álvaro Fernandes Teixeira, natural da Ilha Terceira, cristão-novo casado com Maria de Azevedo, filha do cristão-novo Diogo Cristóvão, do Porto, e seus parentes vieram residir no Rio de Janeiro no século XVII. Da ilha de São Miguel, vem residir na mesma cidade o cristão-novo Pedro Fernandes de Mello, casado com a congénere Ana Garcia de origem espanhola. Diogo Teixeira de Azevedo, cristão-novo nascido no Rio de Janeiro e filho do casal da Ilha Terceira, Álvaro Fernandes Teixeira e Maria de Azevedo, foi preso pela Inquisição e saiu em Auto-de-Fé em Lisboa em 5 de Abril de 1620, condenado a hábito penitencial e cárcere a arbítrio terminou solto em Junho daquele mesmo ano .

CRISTÃOS-NOVOS NOS AÇORES


Nos primórdios da colonização

O Arquipélago dos Açores formado pelas nove ilhas, São Miguel, Terceira, Faial, São Jorge, Santa Maria, Pico, Flores, Graciosa e Corvo, descoberto pelo navegador Diogo de Silves em 1427, e depois povoado pelo frei Gonçalo Velho Cabral com portugueses do continente, seguidos por famílias flamengas (belgas e holandesas), francesas, inglesas e de outras minorias étnicas, foi abrigo, também, dos cristãos-novos fugitivos da Inquisição. A presença judaica nos Açores é anotada pelo grande historiador, de origem judaica, Alexandre Herculano, em sua monumental obra "História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal" à página 80 do volume I, como fato ocorrido em 1501: "uma caravela lotada de cristãos-novos, que saíra de Portugal para a África, batida pelos temporais arribou aos Açores, e os infelizes passageiros, presos aí e condenados depois a serem escravos, foram dados de presente por El Rey a Vasqueanes Corte-Real". O historiador Alfredo da Silva Sampaio também cita o mesmo naufrágio na Ilha Terceira, diz ele: "em 1501 aportaram a Ilha Terceira náufragos hebraicos fugindo à perseguição". Em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, há uma freguesia denominada Porto Judeu, cujo nome é explicado pelos moradores que, em épocas passadas, o mar estava bravio e então, passaram a chamar o lugar de "judeu". Mas esta explicação e este significado, embora usado por pescadores de origem açoriana em Santa Catarina, não convence. Aquela localidade pode ter sido o local onde tantos cristãos-novos desembarcaram como náufragos ou não. O navio citado por Herculano e Sampaio não é o único citado em documentação. Outro barco é mencionado na "Carta de Gaspar Dias de Landim, a El Rey, sobre a prisão de indivíduos que fugiam à Inquisição, de 19 de Novembro de 1548", onde descreve: "Senhor – Eu tenho escrito a V.A. como há muitos dias estou neste porto esperando Pero Vaz de Sequeira, pêra me passar aos lugares a fazer os pagamentos, como me V.A. manda," e em seguida cita "...a dez de Novembro tomou a justiça desta vila ( Santa Maria) na barra embarcados em hua nao, dezanove omens em que yão molheres e moços, os quais yãm na via de Veneza; acharão-lhe pouquo dinheiro, comtia de dozentos cruzados e algum fato (roupa);são de Lixboa, çapateiros, e tudo um casal de filhos e gemros, ficam presos por parte da santa Imquisição. O Senhor Deos acrecente a vida e real estado de V.A.; do porto de Santa Maria ( Açores) a XIX ( 19) de Novembro de 548 (1548) – Gaspar Dias de Landim – sobre scripto – A elrey nosso senhor". (Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Corpo Cronológico, Parte 1ª, maço 81 n° 85).



O mesmo Sampaio, já mencionado, diz que, em 1558, a comunidade cristã-nova dos Açores pagou 150.000 cruzeiros exigido pela rainha regente Dona Catarina para prover as armadas da Índia. Em troca, D. Catarina prorrogou a pena de confisco de bens aos cristãos-novos por dez anos.
A ação inquisitorial nos Açores
Em 1592, o Inquisidor nos Açores Pe. Jerónimo Teixeira Cabral, denuncia a infiltração de cristãos-novos na Igreja como clérigos. A primeira ação inquisitorial nos Açores foi em 1555, quando o bispo de Angra, D. Frei Jorge de Santiago mandou verificar vários casos de Judaísmo, mandando prender alguns homens e enviá-los para Lisboa. Dois anos após foram enviadas para Lisboa 22 pessoas acusadas de práticas judaicas. São elas: Ana Lopes; André Moniz; António Fernandes; Branca Dias, Cecília Rodrigues, Diogo Lopes; Fernão Lobo; Francisco Lopes; Mestre Gabriel; Gabriel de Andrade; Henrique Ribeiro; Inês Dias; Isabel Mendes; Isabel Moniz; Isabel Pinta; João Tomás; Jorge Álvares; Manuel Álvares; Rui Dias; Rui Fernandes e Violante Henriques. Logo seguiram para a capital da Metrópole: Pero Galvão; Antonio Carvalhais; Jácome Gonçalves e Maria Dias. Já em 1608 começava a ser montada a rede de funcionários inquisitoriais. Iniciando pelos Comissários do Santo Ofício, e logo em 1612 a dos Familiares (os esbirros mais infames). Entretanto, desde 1597, já actuava como Comissário da Inquisição em Ponta Delgada o pe. Luís Pinheiro, reitor da residência da Companhia de Jesus e, como primeiro Familiar, o tanoeiro Pero Fernandes, residente em Ponta Delgada. E, em Angra, actuava como Comissário o Pe. Francisco Valente, reitor do Colégio Jesuíta. Para a Ilha do Faial, somente em 1749 foi nomeado Comissário o frei José de Santo António de Pádua. Existiram comissários do Santo Ofício no arquipélago açoriano até 1806 quando, então, perseguiam os franco-maçons. Outros burocratas da Inquisição eram os Notários, os Qualificadores e os Visitadores das Naus. Havia também o trabalho de redução de estrangeiros, que procuravam converter para o catolicismo como foi o caso da família inglesa Fisher, residente no arquipélago. A primeira Visitação ao arquipélago foi a de D. Marcos Teixeira entre 1575-1576, o mesmo que esteve no Nordeste do Brasil. Ele visitou as ilhas de São Miguel, Terceira e Faial. A segunda foi em 1592, feita por D. Jerônimo Teixeira Cabral, tendo visitado as ilhas Terceira e São Miguel. Já a terceira e derradeira visita, foi realizada entre 1619-1620, por D. Francisco Cardoso do Torneio, que esteve nas ilhas de São Miguel e Terceira. Do total de 354 pessoas denunciadas, 172 foram por Judaísmo que, somadas às 27 prisões de 1555-1557, totalizam 199 cristãos-novos denunciados nos Açores. Foram gerados 114 processos entre 1557 e 1802, envolvendo 112 pessoas, sendo apenas 26 pela "heresia judaica". E, destes, somente 10 foram enviados a Lisboa, e apenas três condenados à morte na fogueira. Os condenados à pena capital foram: Leonor Marques, em 1584; Antonio Borges, em 1559 e Maria Lopes, em 1576.


A produção maior do arquipélago açoriano nessa época era o trigo, o linho, o vinho a urzela, uma tintura de cor castanha e o pastel, tintura em tom de azul, largamente utilizadas nas indústrias têxteis de Flandres para onde eram exportadas. Este comércio chamava a atenção de cristãos-novos como Duarte da Silva, rico comerciante de Lisboa. Ele mantinha nos Açores os agentes: Simão Lopes, na ilha do Faial, João de Fonseca Chacon e ilha Terceira Pero Martins Negrão, todos da grei judaica. O comércio do ouro, da prata das Índias de Castela e o açúcar da Madeira despertam o interesse dos judeus portugueses de Amsterdã, Londres, Bordéus, Hamburgo e também seus parentes residentes em Portugal colónias. Era o começo do século XVII e os mercadores Belchior Gomes de Leão e Diogo Lopes de Andrade agem neste contexto principalmente na Madeira. De Rouen, França, o judeu Simão Lopes Maciel, de família cristã-nova fugitiva da Inquisição portuguesa, desenvolveu uma rede de comércio internacional colocando na Madeira como representantes seus os congéneres Bento de Matos Coutinho e Diogo Fernandes Branco. Na Ilha Terceira mantinha os cristãos-novos António Dias Homem e Bento Fernandes Homem. Para o Brasil designou o correligionário Belchior Rodrigues Ribeiro. Viviam como judeus em Amesterdão os madeirenses Jerónimo de Andrade e Manuel Cardoso ambos com suas famílias. Outro comerciante judeu português que comerciava com os Açores a partir de Amesterdão foi Jerónimo Doria de Andrade conforme registros no Arquivo Municipal daquela capital holandesa em 18 de março de 1627. Em Cabo Verde era fornecedor de "peças", isto é escravos negros africanos, o cristão-novo Manuel Caldeira juntamente com seu congénere  Luiz de Carvalhal que actuava também em todo Golfo e rios da Guiné. Negociavam, juntamente com João Soeiro da Madeira, escravos para as Antilhas e outros países. Com negócios de ouro e prata e dono do navio "São Mateus" passa pelo Rio de Janeiro e vai ao Prata, o mercador judeu português Bartolomeu Rodrigues, em 1609. Em Buenos Aires desde o início da colonização, mas principalmente em 1618, quando chega ali chega uma embarcação lotada de cristãos-novos proveniente da Bahia, a população local é considerada de maioria portuguesa e judaica. Fato que alarmou os clérigos da cidade que solicitaram providências às autoridades da Inquisição espanhola. A explicação para a fuga de cristãos-novos brasileiros para o Prata era a de que se alarmaram com a notícia vinda de Lisboa dizendo que nova Visitação do Santo Ofício estava programada para o Brasil naquela época. Com a quantidade de judeus portugueses em Buenos Aires o termo português tornou-se sinonimo de judeu em toda a América espanhola.